14
de
março
Hairspray is timeless to me - musical
Ontem foi noite de ver Hairspray (http://hairspray.com.br/) no teatro Bradesco (não gosto desse teatro / http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/11/14/irretocavel/) do Shopping Bourbon. Felizmente, o amigo que comprou as entradas conseguiu ótimos lugares, caros, claro, mas se não fosse assim a gente acabaria perdendo muito se optasse pelos mais baratos/altos/distantes.
Hairspray foi um marco em minha vida. Isso mesmo: foi o primeiro dvd de filme que comprei para guardar. Nunca tinha comprado um dvd para guardar e rever no futuro. Não é a minha. Também fui ver duas vezes o filme, o que é outra raridade no me caso. Ou seja, adoro esse filme musical. A temática é interessante e levada muito bem, sem exageros, sem se tornar melodramática, mas não foi absolutamente o que me cativou. Foi, sim, a trilha sonora, as letras, as interpretações de todos, mas todos mesmo, atores-cantores.
Não vi o musical na Broadway, que foi baseado num filme de 1988, e colocado no palco em 2002. Então vamos ver o que o pessoal da terra está fazendo! Este espetáculo foi adaptado e dirigido por Miguel Falabella. Não me lembro de ter visto outros espetáculos dirigidos pelo ator/diretor, então fui com o espírito desarmado, até porque eu até que gostei bastante de alguns trabalhos que ele realizou em tv (programas humorísticos). Então, com um “nada contra” no bolso, lá fui eu.
Neste caso, diferente de Mamma Mia, em que, em minha opinião, a peça supera um pouco o filme, o filme Hairspray é imbatível! Então vamos olhar com olhos regulados para essa realidade.
O palco do teatro é muito bom para esse tipo de espetáculo,ie, com muita gente, muito movimento, muito entra e sai. O guarda-roupa me pareceu um tanto pobre e o cenário então! Além de feio, pobre, pobre, pobre…Quem viu as produções da dupla Möeller e Botelho sabe do que estou falando. Não precisa ser grandioso, tecnológico, só precisa ser pragmático, inteligente e esteticamente harmonioso. Enfim: a orquestra esteve muito bem, as letras foram bem adaptadas. Os enchimentos que fizeram para “engordar” o Celulari/Edna deram um formato mais harmonioso ao corpo do ator do que o que está no filme. Menos caricato,mais bonito, mais feminino, e acho que mais realista. O único senão é que, talvez pelo material empregado, aparecem marcas e não proporcionam o mesmo efeito ou movimento que os enchimentos do filme conseguem.
Do elenco achei Edson Celulari admirável. Embora seja um espetáculo ao vivo, portanto com recursos muito mais limitados em termos de se chegar à perfeição (faz, refaz, grava, regrava), é tudo ali, na hora mesmo, e que a expressão facial do ator se perca um pouco (distância - não dá para dar close, teatro muito grande), acho que os trejeitos, a entonação, os números musicais, estavam na medida. John Travolta é JT e ponto, mas o ECelulari abraçou com coragem um papel bem arriscado, e deu conta plenamente do recado. A Simone Gutierrez, cuja competência conheço de outros carnavais (Segundas Intenções, Café Paon como show Eletromovie (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/11/14/irretocavel/), só podia dar no que deu: ótima! Dançou, cantou, representou lindamente! Parabéns! Tomara que esta seja a primeira de muitas oportunidades de estar no palco fazendo tudo que ela sabe de cor e salteado.
Quanto ao restante do elenco: Arlete Sales, de quem gosto demais, já vi muita coisa e adorei, na tv, cinema e teatro, decepcionou. Foi ovacionada no final, mas não acho que era o caso. Eu esperava muito mais de seu desempenho, sobretudo por quem ela é e pelo modelo, ou seja, o desempenho de Michelle Pfeiffer no filme. Paciência, talvez o dia não estivesse bom e a coisa não fluiu. No mais, além de 3 moças negras que ombreiam com as que estão no filme, nenhum destaque. Nada, de nada. Aliás, corrigindo, a Heloísa de Palma, que faz a Penny, também estava muito bem.
A Graça Cunha, de quem gosto e já vi alguns shows, cantou bem, e só. O ator que fez o Corny Collins estava afetadíssimo! A personagem no filme é aquele artista que quer todos os holofotes para si, o negócio dele é showbiz, é palco, e ele projeta isso, e o James Marsden fez isso com maestria! Ele é esse homem-tv, canta, dança, abre aquele sorrisão, mas sem afetação nenhuma. Apesar de o ator ser até parecido com o JM, tornou o papel caricato ao extremo, sem necessidade. Na verdade, conseguiu tirar um pouco o brilho da personagem. O ator que fez Seaweed (Benê Monteiro) também estava bem. Agora o ator que fez o Wilbur - no filme o maravilhoso Christopher Walken - deixou imensamente a desejar, infelizmente.
Vejam bem, um espetáculo como esse vem pronto: o brilho do texto está lá. Claro que é preciso fazer uma adaptação pelo menos razoável, e isso o MFalabella conseguiu, mas só isso não basta. A graça está lá, a piada está lá, mas é preciso muito mais para fazer desse texto ou música algo realmente especial, e foi o que faltou. No filme, a grande maioria é de atores que cantam, às vezes nem tão bem, caso do próprio Travolta, mas isso acaba não sendo o mais importante. Não sei qual foi o mix no musical nacional, mas alguma coisa não permitiu que se produzisse o mesmo efeito. Um monte de globais juntos não garante bom resultado, mas seguramente garante boa bilheteria, e isso também é importante, como não, para a sobrevivência do espetáculo, então tá…
De qualquer forma, acho que vale pelo entretenimento. Dá para rir, balançar ao som das músicas, que são ótimas (isso veio lá da origem, não é mérito daqui), e tem ECelulari e SGutierrez que proporcionam alguns momentos brilhantes de interpretação.












