Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

31

de
março

Um sonho mais que possível, mas essa não é a questão!

Fui fer Um Sonho Possível (The Blind Side, affeee…. /http://www.imdb.com/title/tt0878804/ ).

Pois é, neste filme o pessoal dos títulos nacionais me tirou do sério mesmo.  Tenho visto coisas bizarras, nessa minha longuíssima vida de “viciada em cinema”, mas o título traduzido em questão, mais do que não ter nada a ver com o original (blind side;1. the part of one’s field of vision, as to the side and rear, where one is unable to see approaching objects.2. the side opposite that toward which a person is looking.Random House Dic.), que tem a ver no caso com tática de futebol americano, consegue destruir a amplitude que o título em inglês projeta sobre o filme.  Explico: quando alguém vai ver um filme sobre um menino negro, grandalhão, que parece meio bobão, pobre, etc., etc., resgatado por uma família upper-class americana, branca, que dá carinho e uma nova vida ao menino-vítima, com um título desses para onde vai o olhar, a atenção, o raciocínio do público? Ora, para tudo isso que acabei de dizer e que, realmente, está no filme. E se acabou!  Num país inculto e belo como o nosso, em que o máximo de cultura+entretenimento a que a grande maioria da minoria “privilegiada” tem acesso é o cinema, ou filmes, melhor dizendo, já que depois do cinema e do dvd pirata vão para o cabo e tv aberta, um título como esse só reforça o estreitamento de visão, dilapida horizontes, delimita, agrega ao “curral” a que a falta de educação formal de qualidade já lançou a nação brasileira.

Senão vejamos: se o título não fosse o que está aí (Um Sonho Possível), mas, sim, O Lado Oculto, ou O Lado Escondido, ou O Lado Desconhecido, ou qualquer coisa do gênero, todos iriam fazer um esforcinho para ver onde é que está o tal “oculto”, “escondido”, “desconhecido”.  Afinal, essa, na verdade é a grande coisa do filme, pois o tema “tirar o americano negro, pobre, gorducho, defasado intelectualmente da lama” está em vários filmes por aí.  Um exemplo recente, e de qualidade, é Preciosa (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/02/13/nao-sei-o-que-dizer/), que retrata o assunto com muito mais realidade, visão menos paternalista, não tão rasa,  muito mais dramática, impactante, crítica.  Além disso, mulher negra, gorda, pobre, em qualquer lugar, é muito mais problemático que homem negro, gordo, pobre.

Então…mais do que a ação assistencialista da personagem principal (Sandra Bullock), o que interessa é o que a gente não vê ou desconhece: a capacidade ou incapacidade do outro, em qualquer circunstância; o mesmo quanto ao grupo em que estamos inseridos (a personagem de SB, uma profissional meio dondoca, reúne-se com amigas para almoço periódico, e elas questionam sua postura, ação, generosidade, etc., e, aparentemente, até ter se envolvido com Michael, o menino pobre, negro, gordo, ela não conhecia de fato o ideário das tais amigas). Mas o mais importante é o lado oculto em nós mesmos, ou seja, forças que desconhecemos, vontades, fraquezas, desvios, autopiedade e/ou autopunição externadas inconscientemente e que não reconhecemos, enfim, a pessoa que somos e não conhecemos.

Isso para mim está claríssimo, até porque eu mesma passei por esse processo, e acho que continuo passando, há alguns anos.  Descobrir a força, a coragem e a honra que não imaginamos possuir em nós, é transformador e para toda a vida.  Impossível retroceder! A gente só consegue continuar, buscar mais, é como uma droga.  E é esse o processo pelo qual passa a personagem de SBullock.  Obviamente, a personagem, pelos comentários do marido sobretudo, tem uma personalidade forte, independente, tenaz, tem meios, ou seja, tem a base do que é necessário para seguir na sua “cruzada”, mas mesmo assim é preciso mais para abraçar causa semelhante, assumir riscos tão evidentes.

Enfim, para um filme em que li na legenda “linemen” sem tradução não imagino por que, melhor deixar o título original mesmo. Seria mais proveitoso para o aproveitamento do filme pela plateia de forma geral.

Ao flme propriamente: como já mencionei, trata-se da história de uma família muito bem postada na vida, emocional, financeira, intelectualmente (sim, gente, isso existe e não é produto de Hollywood. Pode até não ser só a perfeição sem nenhum conflito que aparece no filme, mas que tem, tem. Raro, mas existe) que por pura empatia, sem qualquer outra razão mais substancial, assume a recuperação de um rapaz, Big Mike.  Primeiramente os estudos, depois um futuro como jogador de futebol.   E Michael vai saindo da casca, recupera o gosto pela vida, pelas pessoas, e desabrocha inclusive intelectualmente.

Apesar de o flme ser bem bonito (fotografia, música), SBullock estar linda (um pouco de botox demais, mas tudo bem…, e desempenhando, na verdade, o mesmo tipo de personagem de outros filmes (divertida, decidida, mandona, independente - pelo menos foi o que vi em todos os outros flmes a que assisti com a atriz)), retratar uma família bacana de se ver, nem que seja só na telona, ter um molequinho, Jae Head, mais que divertido (esses atores-mirins estão cada dia mais surpreendentes! Foi-se o tempo em que havia uma Shirley Temple, um  Colleen McCullough,hoje há montes deles brilhando e muito!), não fez face as minhas expectativas, infelizmente.

Foi bom para divertir, pensar um pouco no meu “lado oculto” (nossa, isso me lembra o “lado negro da força”…), projetar para outras pessoas e situações, mas só.  Ah, sim, e dá para ver como o sistema americano se perdeu no politicamente correto (comento em outro post), e entrou num “devora-te a ti mesmo” inexorável para o qual não há saída harmless a vista.

Muito bem estão Kathy Bates, que aparece no último quarto do filme, e Quinton Aaron, que interpreta big Mike.

28

de
março

Cinema alemão é uma caixinha de surpresas (boas)

O cinema alemão, em geral, traz ótimas surpresas. Desde o tempo de Kaspar Hauser (http://www.imdb.com/title/tt0464662/), ou melhor, desde o tempo de Nosferatu (1922, Murnau) (http://www.imdb.com/title/tt0013442/); sempre filmes criativos, diferentes, e, por que não?, modernos. Recentemente comentei A fita branca (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/02/17/entao-foi-assim-que-a-coisa-aconteceu/), que concorreu ao Oscar como filme estrangeiro. Muito bom, mas o filme argentino era melhor. No doubt!

Bom, hoje foi a vez de Soul Kitchen (http://www.imdb.com/title/tt1244668/).  Lá está a comunidade imigrante integrada à vida alemã, com seus costumes preservados, relativamente; donos de seus negócios, convivendo intimamente com alemães ou alemãs, vão se integrando à etnia local.

O filme é bem divertido, humor non-sense muitas vezes, em cima das trapalhadas de dois irmãos.

É história de um rapaz que realiza o sonho de ter seu negócio, um restaurante, em Hamburgo. A coisa caminha medianamente, sem grandes surpresas, até que sua namorada vai para Xangai e ele quer ir com ela. Aí pensa em várias maneiras de deixar o restaurante com alguém, ou até em vendê-lo. Mas tudo muda, o restaurante vira acidentalmente um point, ganha um chef de verdade e bomba.  Aí, …bom muitas surpresas pelo caminho, viradas de 180o., ou de 200o., ou até mais.

O diretor e alguns atores, apesar de clara descendência grega, turca, ou…são nascidos lá mesmo, em Hamburgo. Há outros que são estrangeiros, como o superchef (Birol Ünel). Enfim, uma combinação bem interessante: gente bonita, ideias e comportamentos descolados, um verdadeiro cadinho.  E o que tenho visto é que alemães, apesar daquela imagem certinha, quando dão para ser modernos, são moderníssimos! Mais que Brits, americanos, franceses, enfim, são radicais na modernidade.

Um filme diferente, inteligente. Boa diversão.

28

de
março

Um presente para os olhos

Marc Chagall (http://en.wikipedia.org/wiki/Marc_Chagall), um judeu russo que viveu quase 100 anos e produziu uma obra lindíssima!(http://www.ricci-arte.biz/pt/Marc-Chagall.htm)  As cores que desenvolveu, a maneira que encontrou de colocar suas ideias, sua visão da Humanidade, são emocionantes.  Na exposição que estão no MASP e termina hoje (http://www.masp.art.br/masp2010/exposicoes_integra.php?id=54&periodo_menu=), há ainda um sem-número de gravuras que se referem às fábulas de La Fontaine, bem com à Bíblia.  Mas as pinturas são alguma coisa! As cores, as imagens, a delicadeza. Mesmo quando o tema é retratado de forma dramática há muita muita alegria, muito amor (infelizmente não encontro um termos mais assentadinho para definir, mas é por aí mesmo) pela vida!  Como ele passou pelo cubismo, há algumas pinturas em que se lembra, claro de Picasso, mas é apenas o estilo, a escola, porque no mais é tudo diferente.

Sua arte está em vitrais (U.N./NY-EUA), em tetos (Opera de Paris), e cenários/roupas para balé. Viajou o mundo, e aprendeu com ele.  Teve duas companheiras pela vida que amou e o amaram muito.

Além da exposição, há um vídeo de priscas eras, em que o Roberto D’Avila, há entrevista com a segunda mulher e com o próprio Chagall. Très sympa!

E, claaroo, que sendo penúltimo dia e o MASP não havia nenhum folder da exposição.  Havia pelo menos de Romantismo: a arte do entusiasmo (http://www.masp.art.br/masp2010/exposicoes_integra.php?id=56&periodo_menu=).  Esta é mais uma exposição temática em que o MASP expõe parte de seu riquíssimo acervo, sempre relacionando com escolas anteriores e posteriores e que vem a se juntar com Olhar e ser visto, A arte do mito, e à restauração de obra de Poussin. Acesse a galeria no link acima com uma mostra do que está por lá. Vale a pena!

De novo: o MASP continua o mesmo: sem folders suficientes sobre todas as exposições e com uma bilheteria que atende mal a quem vai ao museu.  E tudo isso cobrando uma baba!

Depois foi a vez de ir ao Sesi (gratuito e com exposições sempre bem montadas, como já mencionei em outros posts).  Fui ver a fotógrafa Maureen Bisilliat (http://www.sesisp.org.br/home/2006/centrocultural/Prog_expo.asp).  Fotos lindas, de todo o mundo, mas lindas mesmo as feitas no Brasil, a maioria em branco e preto. A beleza que muitas vezes nós mesmos não conseguimos ver está lá.  E o catálogo (gratuito) da exposição está muito bonito também.  Se puder vá, mesmo que você não seja um aficionado ou um craque das lentes.

27

de
março

Cabras e lagartos…

Isso mesmo, cabras…Um título meio esdrúxulo (cabras não são meu animal favorito quando se trata das artes (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/07/12/quase-e-o-que-poderia-ter-sido-e-nao-foi/), ie, minha experiência com elas não foi muito boa…), e desta vez nada a ver com a criatividade local para títulos: The men who stares at goats (http://www.imdb.com/title/tt1234548/), ou Os homens que encaravam cabras (http://cinema.cineclick.uol.com.br/filmes/ficha/nomefilme/os-homens-que-encaravam-cabras/id/16157).  O filme é baseado em livro homônimo.

O cast é mais que estrelado e, fora uma aparição relâmpago de Rebecca Mader, só personagens masculinos.  Francamente, durante o filme, nem deu para notar essa coisa meio misógina, só agora, escrevendo o post e colhendo detalhes para repassar é que me dei conta. Ora, ora, ora, ora…poderíamos sumir da face da Terra e ninguém notaria, pelo menos não em Hollywood. Interessante!

Além de GClooney (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/01/29/ai-meu-santo-clooney/), JBridge, KSpacey, SLang e Ewan McGregor (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/05/31/a-carochinha-aqui-nao-tem-vez/). É um timaço ou não é? Acho que Clooney está melhor neste filme do que no cantado e decantado Up in the air.  Está muito perto de Burn after reading.  De qualquer forma, todos os outros (Bridge, Spacey, Lang) estão bastante bem.  Até o McGregor, de quem não gosto muito, está bem. O único senão é o ator ser o narrador do filme. Ele não tem nem voz nem entonação suficientemente boa (resumindo: competência) para isso, então tem hora que a coisa fica modorrenta; mas no desempenho da personagem está bem.

Aliás, considerando a vida pregressa de todos os atores e que o McGregor deve ter sido o que teve mais problemas com bebidas, drogas, desequilíbrios, é incrível a forma do ator. Não digo físico apenas, mas pele, semblante jovial (isso é um pouco de dna também, claro). Afinal ele tem quase 40 e já intoxicou, desintoxicou, engordou, emagreceu, e mesmo assim cara de menino. Será esse o caminho? Nááááááá…pura sorte, gene privilegiado e por aí vai.

O diretor (Grant Heslov) é desconhecido para mim (participou de vários filmes a que assisti, mas como ator ou produtor máximo), mas ele me lembra, em alguns momentos, a pegada dos Coens, e até de James Cameron em True Lies (do qual participou como ator). De qualquer forma, ficam evidentes o humor e a crítica seguros.

É a história de um repórter que por acidente, digamos assim, acaba indo para o Iraque (se é que alguém pode ir por acidente para o Iraque).  Pode ser a história da vida desse profissional meio medíocre, que até perde a mulher para seu editor maneta (não dá para ser politicamente correto, gente).  A grande oportunidade aparece quando o repórter (McGregor) toma conhecimento de uma unidade especial do exército americano que usa poderes paranormais “on the field”, ou seja, no campo de batalha mesmo.  E seus integrantes acreditam e praticam esses “dons”.  Jeff Bridges está impagável como mentor do grupo. E Kevin Spacey é, de novo, o grande vilão (e ele convence sempre). Enfim, uma história meio sem pé nem cabeça, mas que pode bem ser verdade. A personagem de  Clooney é meio angustiante em alguns momentos, os conflitos são evidentes e muito fortes, mas no final dá tudo certo.  Há momentos de puro non-sense e não dá para não rir.

Trilha sonora legal!  Bom reouvir the Boston (More than a feeling). (http://www.youtube.com/watch?v=Fm_-sW4Vktw&feature=related) (*) . Alás, a música é a personagem de Clooney e a personagem de Clooney é a música.

Boa diversão. Mas só diversão!

Bem, antes do filme um lanchinho no café Pain de France (http://www.reservacultural.com.br/instalações_cafe.htm) do Reserva Cultural. Sanduíches e doces ótimos! Carinhos, mas ótimos.  Muitas vezes prefiro almoçar no restaurante do Reserva, que tem pratos gostosos, a bom preço, e atendimento atencioso, mas hoje fui de lanche mesmo, e estava muito bom.

(*) Pra divertir - the bostons by Scrubs - todo mundo tem vontade ou acaba sendo um pouco roqueiro um dia na vida: http://www.youtube.com/watch?v=hZAgT8KOLF8&feature=fvw.

25

de
março

O Rei e o Riso

Sábado foi dia de ir ao Ibirapuera, não para andar no parque, ver natureza, tomar sol.  Fui lá para duas atividades “culturais”.

Como meu evento principal começava às 21h, cheguei mais cedo e fui ver a exposição comemorativa dos 50 anos de carreira de Roberto Carlos (http://pt.wikipedia.org/wiki/Roberto_Carlos).


Eu já tive várias fases com RC: na adolescência ela era o máximo, e a turma da Jovem Guarda também. Não perdia um programa aos domingos (http://www.jovemguarda.com.br/) (http://pt.wikipedia.org/wiki/Jovem_Guarda).  Acho que começava às 16h ou 17h, não me lembro. A gente tinha os compactos (simples ou duplos ) (hein??? http://pt.wikipedia.org/wiki/Disco_de_vinil), os LPs, tudo 33 rotações.  Isso foi até pelos idos de 1965/70.  Depois as coisas mudaram, o mundo mudou, a vida mudou, e RC ficou para trás.  Mas aí veio uma nova fase, lá pelo final da década de 70, eu com 20 e poucos anos.  Quase furei o LP que tinha Cavalgada, Outra vez  e  tantas outras.  Depois disso nos distanciamos novamente.


No entanto, a figura de RC, simpática, produtiva (deem uma olhada na discografia dele. Uma coisa!), ícone musical permaneceu,nunca se perdeu.  Mesmo que ele não seja meu intérprete/compositor preferido pela vida afora, a homenagem é mais do que justa, justamente pela imagem que ele sempre passou ao público, pelo seu respeito, pela sua exposição comedida.  Além disso, ele teve seus sucessos lançados em vários países, ganhou prêmios aqui e lá fora, vendeu e vende muito cd, sua projeção é muito grande. Participou de festivais fora do Brasil ().  Ou seja, um mais que digno representante da música brasileira.


Quanto à exposição propriamente, sempre que há algo na Oca a qualidade é praticamente garantida.  Foi assim com Bossa Nova, Dinossauros,Guerreiros de Xian, etc.  E desta vez não foi diferente, pelo contrário: a melhor que vi até agora.  Mesmo que você odeie RC, você vai gostar da exposição. Interativa, plástica, tecnológica!  Tem: depoimentos, filmes, documentários que sse pode apreciar em arcos sonoros com telas uns 3 metros à frente - uma coisa!, cadeiras sonoras - futuristas!, troféus, presentes dos fãs (centenas), carros do “Rei”, e até uma estação em que a gente vira DJ por uns minutos! Muito bacana mesmo!  Uma brasa, mora!


O horário também é muito interessante: todos os dias até 21h.  Para SP isso é ótimo.  Cheguei umas 19h30 e saí umas 20h20, pois tinha outro evento depois e tinha de encontrar minhas companheiras de jornada, mas se der volto, pois é preciso ver com calma e tem muita coisa interessante para ver. Além disso, não pude exercer integralmente meu talento de DJ.  Ah, sim, única falha: não havia folhetos, impressos da mostra. Uma pena!


Depois foi a vez de Risadaria.  Um evento que teve lugar na Bienal entre 19 e 21 de março.  Além de montes de performances, pocket-shows, também havia os shows mais longos e caros em horários determinados.  Ficamos com o Encontros Gozados, 21h, com Diogo Portugal, Marcelo Mansfield, Marco Luque, Oscar Filho, Rafael Bastos e The Umbilical Brothers.  O tal teatro Devassa era um monte de cadeiras, não das mais confortáveis, arrumadas em “n” fileiras.  Por sorte havia dois telões laterais, pois com pilares, equipamento, palco elevado, e sem nenhuma inclinação no auditório, a visão era bem ruim.


Eu me repito: não é porque a coisa é bem-intencionada, pró alguma coisa, que precisa ser amadora, e foi exatamente isso que vimos pelo menos no que se referiu ao show maior.  A graça começou no preço: $100,00 por um showzinho mais ou menos (no Teatro Procópio Ferreira, em que há um stand-up comedy há algum tempo, não passa de $50, e o show é de qualidade aproximada).  Ao entregar a entrada aos “n” seguranças que havia na entrada do Pavilhão da Bienal (quantidade não é qualidade,gente. No caso específico da truculência isso se aplica integralmente. Talvez cortando uma meia dúzia o ingresso pudesse baixar bastante), perguntei, bem como minhas amigas, onde era o teatro.  Cada segurança mandou-nos para um lado. Como assiiiiimmmm??? Ah, tá, já tinha começado a graça.


Aí fomos comer uma coisinha. Eram 20h40 e o show começava às 21h.  No caminho, várias tiras de quadrinhos muito legais, em paineis, penduradas nas paredes, no teto.  E muuuitaaaa gente!  Havia uma parte gratuita, com pockets-shows periódicos em palquinhos pelo espaço, como mencionei acima.  Os Doutores da Alegria estavam no meio do público, tinha muitas tvs projetando shows humorísticos de “outros carnavais”, tudo pelo meio do térreo, da rampa e do 1o. andar.


Paramos no Rabo de Peixe (http://www.botecorabodepeixe.com.br/), um dos bares montados pela Devassa. O atendimento foi rápido, quase frenético. Os petiscos estavam bem gostosos.  Continha salgada ($40/pessoa), mesmo não tendo ido pelo caminho de algo mais que água e refrigerantes.  Mas tudo bem, tudo é festa, tudo é risada.


20h55 lá vamos nós para a fila do teatro Devassa.  Como a fila estava imensa, sinal de que não haviam liberado a entrada, sentamos-nos em um banquinho e ficamos assistindo a vídeos de homorísticos d’antanho.  Foi a melhor coisa que poderíamos ter feito…a entrada só foi liberada perto de 21h30.   Fila enorme, leeentaaa, mais seguranças, mais seguranças (não é uma repetição indevida, foi isso mesmo que aconteceu).  Ou seja, para um show de humor tinha muito “Rambo” na área.  Acho que houve uma confusão de enredos…


E eis que adentramos o espaço.  Mas o pessoal continuou a fazer graça: o show começou perto de 22h!  Funny, né?  O pessoal se diverte por aqui às custas dos outros.


O show foi mais ou menos, mas há que considerar que para uma plateia daquele tamanho tem de ser eclético. Não pode caprichar no humor “brit”, tem que ser óbvio em 80% do tempo, então a gente (eu, cara pálida) não consegue aproveitamento 100%.

O Marcio Ballas, mestre de cerimônias (o mesmo que tinha esse role no É tudo improviso da Bandeirantes - programa com os Barbixas que substituiu o CQC durante as férias deste programa), foi bem.  Não deu para cansar, não foi inconveniente. O Diogo Portugal tem um humor mais óbvio, sexista, mas teve gente rindo de monte, e isso é o que importa.  O Marcelo Mansfield, de quem gosto tanto, foi mais ou menos. Repetiu o que eu já havia visto várias vezes no Terça Insana e no Bleecker Street. Rafael (Rafinha) Barros é assim, assim. Eu não gosto muito.  Agora, o Oscar Filho e o Marco Luque, mesmo este tendo “reprisado” sua personagem taxista Silas, estiveram muito bem.

Mas novidade, novidade, e de encher os olhos mesmo, pelo menos para mim, foram The Umbilical Brothers (http://www.umbilicalbrothers.com/site/index.php(*)).  Acho que nem perto daquilo eu vi alguma vez nesta minha longa vida.  A participação deles foi um pouco longa, mas foi muito interessante. Valeu mesmo.

Resumo da ópera, ou melhor, da piada: Risadaria é um evento que vale repetir, talvez anualmente.  O público ganha, os artistas também, a/s entidade/s beneficiada/s também, e o tão mal-aproveitado prédio da Bienal acaba tendo uma destinação mais ativa para a cidade.


Só acho que poderiam pensar num preço mais realista para que menos privilegiados também tenham acesso a boas risadas.

(*) enjoy! http://www.youtube.com/watch?v=KZ5Ul-4Y5TA http://www.youtube.com/watch?v=bNgjd9mhM4o

21

de
março

Dia de conhecer lugares novos

Ontem foi dia de conhecer dois lugares novos.

O primeiro, um restaurante vegetariano na Pompéia, o Alcaparra.  Não sou muito de comida vegetariana (Goa - http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/02/27/inspira-expira-inspira-expira-2/)(http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/05/15/blind-date-nao-blind-dinner/), mas vamos lá…tudo pelo social.

Como não sou da região, fui com um amigo.  Parece que a casa é bem cotada como vegetariano. O acesso é fácil. Ali o preço é por pessoa ($20 acho).  O bufê oferece pratos não muito especiais, mas é bem variado.  Provei tanto dos  pratos frios/saladas, quanto dos quentes (ontem era dia de feijoada), e estavam todos muito saborosos.

O atendimento é bem atencioso.  Os sucos são variados também, só que vários são de polpa. A única coisa é que, por ficar na beira da Av. Pompéia e o espaço não ser tão amplo, é meio barulhento. Fora isso é um lugar para se experimentar, sem grandes pretensões.

Dali fui para um sorveteria (a uns 500 metros), esta sim muito especial: a Stuzzi (http://guia.folha.com.br/guloseimas/ult10080u540395.shtml) (http://www.stuzzi.com.br/).  O lugar fica numa esquina, é bem pequenino, mas decorado com bom gosto. Tem uns salgados que parecem apetitosos (não provei), e uma café muito gostoso.  Mas, claaarooo, que o negócio são os sorvetes.  O avô do proprietário era “sorveteiro”, e o neto está produzindo seus sorvetes de acordo com as receitas da família.  Disseram-nos que o sorvete, que é produzido ali mesmo, passará a ser feito em uma fábrica, montada pelo proprietário, em breve.  Bom ver um negócio bem cuidado crescer!

Há sabores comuns e outros nem tanto. Eu experimentei um chocolate com laranja (tinha pedacinhos cristalizados de laranja) que estava uma coisa!  É tudo bem artesanal mesmo!

O atendimento foi muito gentil e atencioso.  Com certeza vou voltar para experimentar TODOS os outros sabores.

21

de
março

Shabu-shabu não dá chabu!

Ai, como estou engraçada hoje!!! Aliás, mais engraçada!!!

Bom, acabei com meu estoque de palhacitos, então ao que interessa.

Sexta fomos (grupo do trabalho) comer shabu-shabu (http://pt.wikipedia.org/wiki/Shabu-shabu) no resturante Rangetsu (http://www.rangetsu.com.br/).

Primeiramente, o percurso entre o escritório e o restaurante foi um “saco de risadas”.Aliás acho que um caminhão.  Ontem fui ver Risadaria (post a seguir), e não ri nem metade do que ri com meus companheiros de trabalho.  Eu podia ter economizado uma baba e o resultado teria sido melhor. Enfim…

A gente se divertiu muito, de começo a fim.

A incursão japa foi organizada por A. Yamada (conhecido nas bocas como Xandy, devido a sua predileção musical e molejo pra dançar).  O Alexandre cuidou de tudo, organizou tudo muito bem e a dica do shabu-shabu foi certeira.

O prato é uma versão mais leve, parece-me, do que o Sukiaki.  Mesmo sendo um prato beeem quente, não deu calorão e comemos superbem.  Não pesa: muita verdura, fatias finas de carne kobe (http://en.wikipedia.org/wiki/Kobe_beef), tofu, macarrão. Molhinhos bem gostosos.  Tudo vai à mesa preparado e separado. Cada comensal pega o que quer e mergulha em um panelão (porém chique) de água fervente.  Tem toda uma técnica para ir tirando a gordura que se acumula na superfície da água. É tudo muito saboroso, delicado.  E a gente come, come, come…nem dá para perceber, mas não se sente nadinha empanturrado.  Com chá verde (Japanese), refris, cerveja, serviço (não deu para encarar a sobremesa), e uma entradinha legal, ficou em $ 77/pessoa.

O Rangetsu é um restaurante que está pelo mundo (Japão, obviamente, EUA e aqui).  O ambiente é bem bonito, simpático.  O atendimento foi nota 100.  Eu já havia ido ao restaurante, mas fazia muitos anos que não aparecia por lá.  Valeu voltar.

Bom, durante o jantar, graças aos meus companheiros de mesa, teve muita risada ainda. Um jantar despretensioso que acabou resultando em grande acontecimento.

Agradecimentos: Xandy, Mika, Enzo (esse garoto é o máximo!), Ana, CristianA, Patrícia e Mauro.

20

de
março

Voar, voar, subir, subir…

É assim que canta Byafra (queiiiiiiiimm?) (http://www.byafra.com/) (Sonho de Ícaro).

Pois é, e eu sempre achei que essa coisa de voar seria bem interessante, apesar de a atividade não nos pertencer biologicamente, mas, sim, intelectualmente (sonhos, devaneios, engenhocas, engenho e por aí vai).

Há muitos anos, adorava uma montanha-russa, não no banquinho da frente do carrinho, que isso é coisa para muita coragem (uma prima, a Vera, gostava…); mas a adrenalina do sobe-desce, do vento na cara, dos solavancos (isso nas nacionais) era tudo de bom.  Fui também a uma na Disney (Miami) há trocentos anos. Animal!!!!  Era um voar baixinho.

Diante do histórico, das projeções, e após o passeio de uma amiga pela Turquia, fiquei muito animada e fui atrás do que já queria há tempos: andar de balão!  Ou será voar de balão?  Ok, passeio de balão, melhor.

Há regiões bem específicas para se praticar o voo de balão aqui no Brasil. Uma delas fica muito próxima de SP, na região de Boituva, Sorocaba. Há também na região de Piracicaba (minha segunda vez deve ser por aqui).  O que determina a adequação da região é relevo, solo, ventos, clima, e mais um montão de fatores, segundo o balonista da Aventurar, companhia que utilizei para o voo.

Pesquisei na internet, vi indicações em algumas publicações, e me pareceu que a Aventurar seria uma boa opção. Em dezembro entrei em contato  e marquei para 24 de janeiro, não só porque era um domingo e eu teria a segunda (feriado em SP) para me recompor (vai saber, né?), como seria o 74o. aniversário de minha mãe, e se ela estivesse viva tenho certeza que iria comigo…  Mas com as chuvas atípicas de final e início de ano, o passeio foi cancelado. Pelo menos por aqui, aparentemente, prezam a segurança sobretudo dos passageiros.  Mesmo na região de Boituva, onde não chove tanto, toda essa confusão chuvosa acabou afetando as condições essenciais para que o voo fosse feito com segurança.

Passei para 27 de fevereiro, e nada…cancelado.  Mais uma tentativa: 13 de março. Aí a coisa foi!

Como o voo começa às 6h30 (isso mesmo, people, tem de ter fibra!), resolvi viajar na sexta, pós-expediente de trabalho, para poder dormir e levantar descansada e já estar perto do local de partida.

Reservei o Hotel Boituva. Os balões saem todos de uma área contígua ao hotel.  Além disso, oooh, coincidência!, a associação brasileira ou clube de paraquedismo também é vizinha/o de porta do hotel.  E lá fui eu! Havia reservado um apartamento luxo, o que significa com ar-condicionado e frigobar (afinal, o calor estava intenso e eu não nasci para sofrer, como cantava TMaia), a $90,00. Bem caro, mas que fazer?

O transporte é feito pela Vale do Tietê, que sai do Terminal Barra Funda. Mais fácil para mim, só se saísse da porta de casa!  Ida e volta custaram $46 (total).  A viagem leva aproximadamente 1 hora e quarenta.  A viagem, tanto de ida quanto de volta, foi excelente: estrada ótima (Castelo para ir e Bandeirantes para voltar até onde eu tenha percebido - sou uma negação para esse negócio de estradas), ônibus muito confortável, direção segura.

Agora o terminal de ônibus da Barra Funda é um horror! O pior de SP, com certeza, pela muvuca, bagunça.  Não precisaria ser assim.  E o banheiro? Cobram $ 1,25 por algo sujo, quebrado, um nojo!

Bem, chegando à Boituva, tomei um taxi para ir para o hotel (eram umas 21h10).  Em 10 minutos estávamos lá.  Um lugar afastado, meio escuro…Chegando, havia um grupo de pessoas conversando na parte externa do hotel. O taxista me indicou a direção que eu deveria seguir para entrar no hotel. Lá fui eu!

Montes de salões/portas de vidro fumê fechados. Aí uma escadaria. Pensei: não, não é possível…mesmo assim subi dois lances de escada  e vi que não tinha nenhuma recepção por ali. Voltei até o quiosque/restaurante - tudo escuro-, onde estavam algumas pessoas. E grito: onde fica a recepção disto aqui? Aí um rapaz se aproxima (depois soube que ele era o guarda da noite) e diz que não há recepção. Ele viu o taxi chegando, viu-me saindo com a maleta, entrando, e ficou ali, sem se antecipar…incrível!  Se eu não volto para procurar a recepção…Aí perguntou meu nome e me deu a chave do apartamento.  O rapaz era simpatiquinho, mas mesmo assim,né, gente?!  Imagina a sensação de segurança que isso dá!

E lá fui eu: corredor imenso, dois lances de escada, e o quarto!  Que, claaroo, mais parecia um alojamento: nada de ar-condicionado, nada de frigobar, nem um copo de água, tv com 1/2 canal para assistir (ruim demais). Ainda que tinha toalha e o banheiro parecia relativamente limpo. Por prudência, preferi não ficar investigando.  Tentei falar com a pessoa (deve ser o gerente ou dono) com quem tinha confirmado a reserva, mas nada…Antes desci de novo, mas o tal guardião noturno disse que não poderia fazer nada, era só o vigia, tinha uma lista de nomes e chaves para entregar. Quando perguntado sobre o tal gerente/dono, disse que ele já tinha ido e nenhum esboço de ligar para ele ou o que fosse.

Final do imbroglio: dormi no tal “alojamento” mesmo.  Estava acabada, evidetentemente. Ah, sim, e vejam que solicitação inocente, cândida: logo que o rapaz me entregou a chave do quarto perguntei se chamavam a gente - um serviço básico em qualquer hotel. Afinal o voo era às 6h30, teria de levantar umas 5h30. Resposta: não chamamos, não. Mas posso quebrar o seu galho.  Eu: não, não, pode deixar. Felizmente os celulares têm essa função hoje em dia, então tuudooo bem.

Outra coisa é que acho que têm tanta procura na região de Boituva, sobretudo do pessoal que pratica salto, que nem estão aí para melhorias, para atender bem o cliente, para transformar a tal pensão em um hotel de verdade.  E, ojo!, pagamento só em dinheiro ou cheque. E nota fiscal, nem pensar!

Acordei às 5h30; banho; deixar malinha ajeitada para a hora de ir embora.

Desci para o “estacionamento” de balões.  Já havia 3 da empresa Aeromagic. Uma empresa maior e bem estruturada. Seus clientes já estavam envolvidos na montagem dos balões (algumas fotos e vídeo do voo estão no link no final do post).  Não é uma atividade muito interessante. Para quem está em grupo talvez valha pela farra, mas só.  Ah, muito importante: o pessoal dessa empresa distribuía um achocolatado e biscoitos (como gosta de dizer a Sany - bolacha, jamais!) já que o café do hotel só começava às 7h (isso é outra coisa incrível! Se muita gente que está lá está para voar de balão, saindo às 6h, 6h30, por que não dá para antecipar o início do café da manhã nessas ocasiões?).  Felizmente, eu levei uma “deliciosa” barrinha de cereais e foi com isso que fui pro voo.

O pessoal da Aventurar montou o balão rapidinho, saímos às 6h40 máximo. Éramos 9 adultos e 3 crianças, além do piloto e copiloto.  Eu achava que ao subir teria uma emoção em tanto. Não foi bem assim. Tranquilinho demais!  Aliás, achei mais bonito ver os outros balões saindo (da Aeromagic).

O voo foi bem tranquilo, o comandante do balão (têm de ter a mesma qualificiação que um piloto de avião além de um plus pelo balão) sabia o que estava fazendo.  Há comunicação constante de “por onde estamos indo”, “onde vamos pousar”, etc.  Os balões ficam bem distantes (são poucos - no total havia 6 no ar). Ou seja, risco quase 0.

É bonito ver o mundo lá de cima (300m), mas a paisagem da região é bem monótona. Então uma hora de voo é muito.  A amiga que voou na Turquia (Capadócia) matou a charada: uma hora não é muito se a paisagem for surpreendente, o que não é o caso da região de Boituva. Há inclusive regiões bem feias, como um areal (de onde tiram areia cava), as cidades que vemos (acho que umas 4 ou 5) são até grandinhas, mas nada de especial. A gente vê plantações, áreas arborizadas, campos, gado, pássaros, mas é uma hora, gente!

De qualquer forma, foi uma experiência interessante. Estou checando a mesma atividade pelos lados de Piracicaba.  Vamos ver, acho que para lá a paisagem é melhor.

Bom, alguma adrenalina tinha de ter.  Primeiramente, o comandante fez um voo rasante, no meio de umas árvores, que foi bem legal.  A descida também é algo que mexe com  a gente, mesmo sabendo que a coisa é até que bem segura.

Voltando para casa: a rodoviária de Boituva é bem boazinha: pequena, mas ajeitada. Banheiros ruins, como esperado em rodoviárias nacionais.  Fiquei lá um tempo esperando meu ônibus. Interessante ver quem passa por ali, o pessoal da terra encontrando amigos (normalmente gente de idade), pessoal do campo indo e vindo (sobretudo homens, à procura de uma companheira, de uma diversão).  Outro mundo, outro ritmo!  Mas bem interessante de observar.

Pois é, acho que bonito mesmo deve ser: (a) estar em um lugar com muitos balões no ar; (b) ter uma paisagem bem diferente abaixo (catarata, cachoeira, relevo inusitado (Capadócia, e.g.)), mas sempre com muita segurança e cuidado.

E que venha o salto de paraquedas!

http://picasaweb.google.com.br/miriamkeller/VoarVoar?feat=directlink

18

de
março

A gente é que complica. Sempre!

Com tanto filme na praça, fui deixando, deixando, deixando, e finalmente consegui ver It’s complicate (Simplesmente complicado - ai, é preciso paciência com esses títulos!) (http://www.imdb.com/title/tt1230414/).  Várias pessoas que viram o filme me disseram que era bonitinho, simpatinho, inho, inho, inho.  Bem, como tem a Meryl Streep, que eu adoro (tal qual outros que já mencionei - MFreeman, THanks - tira leite de pedra), e o Alec Baldwin que eu não vejo há muito tempo na telona, não esmoreci até conseguir ver o filme.  E valeu pela diversão.

Como mencionei em outros posts (e.g. http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/01/02/nos-somos-as-nossas-escolhas/), vários filmes estão se voltando para a vida sexual de casais de meia idade ou terceira idade, ie, gente bem acima dos 50. Yes, there is sexual life out there!

O enfoque em si não é tão novo (eg, Elsa e Fred - http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/12/25/hoy-puede-ser-un-gran-dia-e-so-querer/), mas a constância, sim. A população mundial está envelhecendo, gente de minha geração, geração beatnik, flower power, Woodstock, é que está pelo meio século de vida, e essa gente tem vida sexual, amorosa, mesmo pós-filhos criados.  E a gente gosta de se ver retratado na tela, como não? O divertido é ver o olhar dos filhos para seus pais: como assim? vocês fazem isso? vocês têm uma vida amorosa, sentimental? vocês se acham sensuais? Ora, ora, ora…é preciso mudar os conceitos.

Enfim, os atores principais, MStreep e ABaldwin, estão ótimos! Hilariantes. Sobretudo AB é uma surpresa! Apesar do corpitcho ter espichado para os lados, as feições, os olhos, ainda encantam, e o papel que está fazendo é muito simpático.  O Steve Martin é que está meio fora de lugar, pelo menos para mim. Já vi filmes com ele, em que não faz o engraçado, mas um homem sensível (Shopgirl / http://www.imdb.com/title/tt0338427/), e ele estava ótimo, mas neste filme acho que a coisa não fluiu.  Dos jovens, o que está melhor é o John Krasinski (que faz o papel do genro da MStreep).

Obviamente, a grande maioria das mulheres não tem a vida da personagem principal, não apenas materialmente (casa, carro, negócio, físico, etc.). A vida é dura com as mulheres, há sobrecarga de tarefas, de trabalho, são cobradas, são responsáveis por coisas demais, gente demais, sentimentos demais.  Não há bom humor que resista, não há leveza possível.  Acho que todas gostaríamos de ser como a Jane do filme.

O enredo é sobre o imbroglio de uma ex que volta com seu ex, o que acaba criando situações divertidas e interessantes. Interessantes porque as pessoas fazem coisas levadas por assunções, por ver coisas que não estão lá de fato, proatividade demais no campo das interpretações interpessoais.  Chega-se a rompimentos críticos, como um divórcio, por exemplo.  Para mim, o interessante do filme é isso: esse olhar perscrutador sobre sentimentos, sobre o jeito de ver a vida e o outro, ie, como as pessoas começam a enxergar o que estava ali e não viam e se surpreendem com isso. Pelo menos algumas têm a oportunidade de mudar o rumo, fazer a volta,  ajeitar as coisas, recuperar tempo, amores, gostares, pessoas.

Não é absolutamente cabeça, mas é bem engraçado, leve e está longe do óbvio. Ótima diversão!

Ah, e a trilha sonora é ótima. Link de uma “chanson” ótima… http://www.youtube.com/watch?v=U5i1ZRd2n30&feature=related

Como estava no Bourbon, acabei indo pela terceira vez, na mesma semana!, na Forneria Intervalo (http://www.seurestaurante.com.br/sp/sao-paulo/perdizes/intervalo-forneria). Não é uma Brastemp, mas o lugar é tão escondido, ainda é tão tranquilo, vazio, que é uma delícia ficar por ali e comer uma coisinha. O atendimento é gentil, meio patinante ainda, mas acaba resolvendo. Os pratos são bons, gostosos, e o preço é bem justo.  Então, por enquanto, ainda é uma excelente pedida (custo x benefício).  Ah, sim, vou dar as coordenadas, senão não vão achar (mesmo pessoas que vão constante ao shopping não sabem onde fica o tal restaurante): no piso dos cinemas, faça como se você fosse entrar nas salas de cinema. Passe pelo balcão de pipocas, refris, e antes do corredor para os cinemas vire para a esquerda. Pronto, achooouuu!!!

14

de
março

Hairspray is timeless to me - filme musical

Como mencionei no post anterior, minha vida em termos de dvd é pré e pós-Hairspray.  Adorei o filme e, hoje, após ter visto Hairspray no teatro ontem, voltei a assistir ao filme.

Realmente é brilhante! Os textos, as músicas, as interpretações.  Tudo certinho , no lugar, timing perfeito!  Poderia assistir mais umas tantas vezes…

O John Travolta está fantástico: a expressão facial, a movimentação, o tamanhãoooo, uma matrona middle-class americana sem tirar nem por. Perfeito! A malévola Pfeiffer está estupenda!  Igualmente o James Marsden, como Corny Collins.  Quer algo mais corny que ele nesse filme?  Fantástico! E o líndisso Zac Efron está tudo de bom! E Christopher Walken, então? Aquele mesmo de Click e uma centena de outros filmes

Jerry Stiller, com uma microparticipação, está ótimo! Queen Latifah, grandoonaa, também está soberba!  Afe, acho que se acabou meu saco de adjetivos. Mas todos cantores/atores estão primorosos, sem exceção.

O projeto, baseado em um filme de 1988 e no musical que foi para os palcos em 2002, levou dois anos para ser concluído pela mesma dupla responsável por Gipsy, Annie, Chicago, , ie, Craig Zadan e Neil Meron, a dupla de acreditou nos filmes musicais que estavam enterrados há muito tempo, renegados pelos estúdios. Ainda bem que eles persistiram e insistiram!

Bem, quem não viu, vale ver. A temática de integração dos negros na sociedade americana é tratada de forma clara, sem rompantes ou dramaticidade excessiva. Afinal é pano de fundo para a temática principal: ser diferente, em qualquer sentido, sempre foi/é/será muito complicado para quem não se aceita, sobretudo.

Bom, até mais, que vou ali ouvir meu cd do Hairspray pela milésima vez!

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