Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

20

de
janeiro

Nossa, que movimento, de novo! Domingo final de tarde e noite…e se acabou!

Depois da personagem chororô de Chiara Mastroianni, fui ver A noviça mais rebelde com Wilson de Santos.  A supervisão artística (hein?) é de Marcelo Médici.  Está em cartaz no teatro Raul Cortez, em horários alternativos: sábado - 19h e domingo - 17h.  Acho esses horários ótimos, mas o público parece que não os descobriu ainda.  Quando fui ver O homem das cavernas (post de 29/11/2009), o teatro estava bem cheio, mas neste domingo a lotação devia estar em 50%, se tanto. Tudo bem que o RCortez é grandinho, mas mesmo assim, uma pena.  E vale lembrar que o teatro Raul Cortez (posts de 3/10 e 7/6/2009) é muito confortável, bem grande, moderno, e de acesso bastante privilegiado.

Fui ver a peça porque já vi o Wilson de Santos em  Noviças Rebeldes (http://www.ciadepatifaria.com.br/novicas.php) e A Bofetada (http://www.ciadepatifaria.com.br/abofetada.php) com A Companhia Baiana de Patifaria.  As duas peças, sobretudo a primeira, foram divertidíssimas! Logo, imaginei que ele faria um revival da peça antiga, com algumas atualizações, modernizações. E foi o que aconteceu.

Bom, para um final de tarde de domingo foi ótimo!  Muita bobagem, a simpatia e o à-vontade do ator, que faz a peça solo.  Ele não perde o ritmo!  Canta, dança, imita (muito divertido!), brinca com a plateia.  A gente não tem como não rir dele, de si mesmo e da “micagem”.

Claro que está bem longe de Noviças Rebeldes, pelo texto, pela produção, por ser show de um ator só, mas mesmo assim valeu a pena. Deu para tirar aquela nhaca da personagem do outro filme!

E depois…Shopping Cidade Jardim!  Sim, aquele shopping que esconjurei ao vivo e em cores tantas vezes! Aliás, continuo, viu?

Mas o filme que minhas amigas queriam ver estava passando lá, dava para comprar pela internet, e era nas tais “salas-conforto”.  Dobrei-me à curiosidade, ou melhor,  à sanha do “conhecimento”!  E lá fui eu, pagando a baba de $50 para ver um filme que em qualquer lugar custaria no máximo, estourando, $25!

Quem mandou? quem mandou? quem mandou?  É isso que dá vender a alma…Aguente o tranco, então!

Antes do filme, comer uma coisinha, afinal já eram 20h e o almoço tinha terminado às 13h20.  Como eu não conhecia   o  Nono Ruggero, fomos lá. Um prato com 8 (sim, OITO) raviolis de vitela, uma água, e um pão com patês e manteiga de entrada, saiu por $ 68,25.  Tudo bem que o lugar é agradável (o jeitão lembrou-me o restaurante do Metropolitan de NY), a hostess simpática, eficiente e atenciosa, a toalha é branquinha, o guardanapo de tecido também, etc., etc., mas é um pouco demais por OITO raviolis…  Depois disso fui tomar um tal sorvete italiano, Diletto, que promete felicidade eterna, ou a maior felicidade do mundo. Bom, sei lá, coisa de italiano, bem dramática!  Estava muito bom, mas custou $ 6.

Depois ao cinema!   Tem lá uma sala de espera bem montada, confortável, meio quente. Aí você vai ao balcão e pede o que quer comer.  Como já escrevi “n” vezes, não como nada na sala de cinema, só na minha casa e olhe lá.  Os preços não são absurdos se pedir o trivial: pipoca salgada e refrigerante.  Se for outra coisa, com acompanhamentos exdrúxulos, tipo pipoca com azeite trufado, aí a coisa muda.  Tem-se a opção de carregar a encomenda para a sala ou pedir entrega. Bom, já que é para arriscar meu lugar no céu (abandonei meus princípios), então vamos fundo: pedi que entregassem os quitutes (café - para me manter acordada, que o dia tinha sido movimentado; pipoca pequena e refri). A gente paga, dá o número da poltrona -ora, ora, claaarooo que as poltronas são numeradas! Óbvio! - e pronto. E não dão um papelzinho, um recibinho do pedido pra gente.  Achei meio absurdo. E se há algum problema, e se alguma coisa falta, como reclamar? Palavra contra palavra?  Eu, por exemplo, paguei cash, então nem um recibo de cartão de crédito ou débito eu tinha. Tsc, tsc, tsc…Se fosse na Suécia, Alemanha, mas no Brasil, com a mão-de-obra que temos (não adianta ser um lugar bonito, com gente arrumadinha, falta treinamento, postura, cérebro mesmo) é muita petulância!

E o momento chegou! A sala!!! Realmente um salão, com muito menos poltronas que em um cinema regular. Um espaço enorme entre elas, além da cadeira que recosta, que tem suporte para os alimentos e para as pernas.  É como uma poltrona de primeira classe de avião - não que eu viaje de primeira, mas já vi, né?  Confortável até demais. Eu, por exemplo, não vejo tv, filmes, o que for, deitadona…para manter a atenção e os neurônios funcionando tenho de ficar na posição sentada. Até apoio as pernas num pufe, depois desapoio, mexo em alguma coisa, e assim vai. Aquela coisa largada para mim não dá. Tanto que lá pelo último terço do filme, abaixei o apoiador/descanso de pernas.  Já tinha entendido como era a coisa, então chega!  Quanto aos comes e bebes, o meu veio rapidíssimo, os de uma amiga bem depois, e os da terceira quando o filme já tinha começado há tempo e depois de reclamar sobre a demora!  Estão vendo o que disse no parágrafo anterior?! Não adianta gente, o pessoal até tem criatividade mas não tem performance!

Bom, já vi o shopping, vi a sala, entendi a mecânica, o espaço, então já deu.  Agora, ao filme!

Desde a adolescência gosto de Sir Arthur Conan Doyle (http://pt.wikipedia.org/wiki/Arthur_Conan_Doyle).  Meu primeiro livro com a personagem Sherlock Homes (http://pt.wikipedia.org/wiki/Sherlock_Holmes) foi The Hound of the Baskervilles, em inglês mesmo.  Sherlock Holmes é um ícone, meio “transgressor” (bachelor, cocaína - ópio, não, método inusitado de trabalho, caótico-casa, arrogante, frio, solitário por opção, gosto pelo disfarce, praticante de luta livre, artes marciais, etc., etc.) para quem gosta do gênero.

Depois vieram muitos outros e português e inglês: A study i n scarlet, The sign of the four, The red-headed league, A scandal in Bohemia…

O homem é um mestre mesmo, por isso tantos livros, tantos filmes, e a longevidade de sua obra e de sua principal personagem. Acho que por isso desenvolvi tanto o gosto por livros de mistérios, detetive (Poirot é o cara!), policiais, e em tempos de tv: CSIs, Criminal Minds, Cold Case, Without a Trace, e tudo o que veio antes (Columbo, Kojak).  Sherlock não foi o primeiro, antes veio Dupin de Poe, e Gaboriau de M. Lecoq, mas nenhum foi tão influente e duradouro, e até famoso quanto ele.

Vi vários filmes baseados na obra de ACDoyle, de todos os jeitos, com montes de atores, para cinema e tv, então tenho referenciais de peso.

Por tudo isso, e por ter visto o trailer, pareceu-me que o filme poderia ser bom.  Na verdade, é bonzinho só. Explora sobretudo a face “transgressora” de Holmes, ie, a droga, a bagunça, o ringue, seu pouco apreço humanitário, e por aí vai.  Muito efeito especial, e tem Jude Law, como Watson (ótimo!), Mark Strong, Lorde Blackwood (bacana!), Eddie Marsan, como Lestrade, Rachel Adams, como Irene Adler (a única mulher por quem Holmes teve alguma atração) (muito bem), e finally: Robert Downey Jr, como Holmes.   Não gosto, não gosto, não gosto do ator.  Recentemente vi O Violinista com ele (post de 10/11/2009), e meu desgosto só se confirmou.  No caso específico deste filme, a coisa só não naufraga nas mãos do insosso, blasé (acho que aquilo é botox), de olhar vago e inexpressivo Downwey Jr., porque justamente trata-se do que escrevi anteriormente: um autor muito bom, uma personagem emblemática, um roteiro bem feitinho que consegue resgatar o brilho do detetive famoso.  E porque a direção é de Guy Ritchie.  Gosto muito dele como diretor  (post de 3/11/2008), mas acho que he hasn’t done his best this time, infelizmente.

De todo jeito, um filminho para divertir, comer pipoca, e esquecer, pois não tem nem a sombra do brilho do criador, Conan Doyle, e da criatura, Holmes.

19

de
janeiro

Nossa que movimento, o retorno! Domingo almoço e tarde

Domingo foi dia de visitar MMH e família! Uma delícia rever meus amigos, Hime e a filharada…Lindos, como sempre!  A Hime (minipincher) é a lady de sempre, e coquette como só ela!

Depois almoçar no Reserva (http://www.reservacultural.com.br/), que eu adoro, com uma amiga de décadas!  Uma delícia! Aliás, na sexta à noite, antes de assistir à peça de teatro (post de hoje), jantei lá também. Nessa noite foi uma supercorrida, pois saído trabalho com uma amiga, fomos direto, mas faltava menos de uma hora para a peça. Enfim, deu para jantar de todo jeito: salada, tarte tatin (a melhor de SP), café e voar…o pessoal foi supergentil e compreensivo com a nossa neura. Ainda bem!

No almoço de domingo foi um pouco (mas só um pouquinho) mais tranquilo. O cardápio do restaurante do Reserva  é enxuto mas bem elaborado. Comida deliciosa a preço compatível.  E não é que os garçons me reconheceram?! Tenho de usar um disfarce da próxima vez!  Mas foram supergentis, bem humorados e carinhosos. Raridade hoje em dia!

Aí foi ver um filme lá mesmo!  E o bicho pegou!

Gosto muito da programação do Reserva, porque tem privilegiado filmes muito bons(posts de 2/1/2010; 29/11, 5/10, 28/9/2009 e por aí vai), inclusive um retorno aos filmes franceses, que ficaram ausentes quase que totalmente das salas de exibição por muito tempo. Finalmetne, para nossa sorte, voltaram as produções de lá. Só que, como de qualquer origem, há coisas ótimas, boas, regulares, não tão boas, e péssimas.  Até agora não sei qualificar o filme que vi: Não minha filha, você não vai dançar (Non ma fille, tu n’iras pas danser) (http://www.imdb.com/title/tt1485762/).  Parecia, mas não foi…

O filme trata de uma família bem estruturada, pelo menos os pais o são, com três filhos não tanto: duas mulheres (ambas bem unbalanced, eu diria, ou no mínimo temperamentais, mimadas, malcriadas, agressivas) e um rapaz, mais equilibrado.  Pela primeira vez em muito tempo vi uma cena de sexo (não explícita) com duas pessoas de mais de 70 anos (os pais).  Não só a cena, como o carinho, a comunhão entre eles é muito interessante. Vi isso também em Hanami (post de 30/12/2009).  Os filhos ficaram para trás, eles voltam a ter tempo para se apreciar, se desejar, se amar, se dar carinho e atenção. E estão muito mais bem preparados para colher os frutos desse tipo de comportamento.  Viram? Há esperança para todos…

Uma das irmãs é interpretada pela Chiara Mastroianni.  Ela é o pai sem tirar nem por. Dá até a impressão que uma voz masculina vai sair de sua boca, tal a similitude em tudo!  Não sobrou nada para Catherine Deneuve!  Bom, ainda bem que o Marcello não fez feio…  De qualquer forma, a personagem dela é irritante, chata demais da conta. Tem uma hora que o incomôdo que a histeria dela causa nem perturba mais. A gente só fica pensando: ainda bem que eu não conheço ninguém assim; ainda bem que essa fulana não é minha conhecida; ainda bem que ela não é minha irmã, e por aí vai.  Uma coisa doentia mesmo.  A irmã, Marina Fois, não fica muito atrás, mas a campeã é a Mastroianni mesmo (Léna).  A história até seria interessante, mas a personagem, ou a atuação (sei lá!), da Mastroianni é um pouco de mais, over mesmo. Aquilo vai cansando, é muito sobe-desce. Nem bipolar é, de tão down, nhenhenhé, crica o tempo todo que é a personagem. Afe, vade retro!


Como eu disse, não consegui definir meu sentimento quanto ao filme: não recomendaria, mas não sei se o filme em si é chato ou não. Tem coisas interessantes, mas sei não…o incômodo, o desconforto é muito grande, e não porque faça pensar, rever conceitos. Não, é porque incomoda mesmo, e ponto!


Ainda bem que o almoço e a conversa com minha amiga compensaram esse início de tarde.

19

de
janeiro

Nossa que movimento!

Como fiz várias coisas diferentes neste final de semana, vou separar por período (ie, sabádo à noite, domingo à tarde, domingo à noite), senão eu mesma vou acabar me esquecendo de comentar alguma coisa.

Sabádo à noite:  fui ver Onde vivem os monstros (post de 17/01/2010).  Depois jantar na Lanchonete da Cidade (http://www.lanchonetedacidade.com.br/),da Al. Tietê. A legítima (a lanchonete)!  Ali foi instalada a primeira unidade da cidade, do lado da minha querida Rua Augusta, até hoje uma delícia de passeio e boa para compras.  A lanchonete tem um jeito de anos 60 (como as que eu frequentei nos meus tempos de escola e cursinho), muita coisa de fórmica, piso bacana, brigada atenta e eficiente.


O cardápio é uma delícia!  Tanto o hamburguer (várias versões, acompanhamentos) quanto o cachorro-quente são uma delícia. As batatinhas da casa também.  Nunca me atrevi a tomar milk-shake ou assemelhados, mas quem tomou/toma acha-os deliciosos.  É um lugar de que gosto muito e não foi diferente no sábado (ambiente, serviço, comida). Apenas um porém: já ao sair e sobretudo quando cheguei em casa, me senti um “defumado”, aí podem escolher: presunto, linguiça, o que for.  Que horror! O cheiro de gordura, de grelhado, pegou em tudo: roupa, cabelo, pele. Não deu outra: roupas para a máquina de lavar e banho “djá”! para tirar aquele odor! Poxa, não dá para ter uma exaustão ou ventilação melhorzinha?


Vocês dirão: ué, mas se é cliente há tanto tempo da casa nunca notou isso? Nananinanão…é que normalmente vou ao restaurante em horário de almoço, no final de semana, em horário com movimento começando. Então a casa não está sobrecarregada de gente e com o cheiro do dia inteiro de funcionamento.  Mas, de novo, não podiam melhorar isso?  Afinal isso é um descaso com o cliente além de comprometer o aspecto higiene. Uma pena que o pessoal seja tão desleixado com algo tão importante!

Com isso na cabeça não me aguentei: fiz uma reclamação sobre o assunto e, para minha surpresa, não só responderam rapidamente como me deram razão! Aaaaah, vai,vai,vai…não estou acostumada com isso…Conclusão: pela boa vontade, respeito pelo cliente e postura profissional, vou continuar a frequentar o restaurante.

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Casa Bráz <contato@casabraz.com.br> 19/01/2010 12:26

Subject
RES: Lanchonete da Cidade - Al. Tietê/ Reclamação

Boa tarde Miriam, tudo bem?

Primeiro eu gostaria de agradecer o contato e a preferência pela Lanchonete da Cidade.

Peço desculpas pelo inconveniente causado por causa da exaustão da casa, já verifiquei aqui e realmente houve um problema no equipamento, deixando o salão enfumaçado.

Com certeza essa é uma questão que merece atenção, pois tomamos o maior cuidado com a qualidade no ambiente do restaurante e isso é um item importantíssimo para o conforto do nosso cliente.

Agradeço a atenção e preocupação em nos informar a respeito de sua insatisfação, esse e-mail é muito importante para que possamos corrigir nossas falhas da melhor maneira possível.

Muito obrigado!

Um abraço,

Natanael Bertholo Paes
Cia. Tradicional de Comércio
3816-6413 | 7809-7762
natanael@ciatc.com.br


Enviada em: segunda-feira, 18 de janeiro de 2010 12:31
Para:
contato@ciatradicional.com.br
Assunto:
Lanchonete da Cidade - Al. Tietê/ Reclamação



Prezados senhores:


sou cliente há muitos anos da Lanchonete da Cidade, mesmo antes de ela virar “point” , como se diz hoje em dia.

Estive ali sábado, 16/1 - por volta das 22h30.  Fomos muito bem atendidos como sempre (éramos 3 pessoas).  No entanto, ao chegar em casa percebi que minha roupa estava “defumada”!  Tive que me trocar imediatamente e tomar um banho, pois o cheiro havia se impregnado inclusive em pele e cabelos!   Como é possível que não se tenha cuidado com esse aspecto, tão importante em qualquer casa que preze o bem-estar de seus clientes, e, sobretudo, porque isso é também um item de limpeza/higiene.


Como normalmente quando vou ao restaurante ele não está lotado ( no sábado estava), nunca antes havia sentido o problema, mas entendo que a questão mereça a atenção urgente dos senhores.

Atenciosamente.

19

de
janeiro

Ops, desculpem a falha!

Na sexta passada fui ver Adorei o que você fez (http://vejasp.abril.com.br/teatro/adorei-que-voce-fez), e não postei nada sobre isso. Sorry!!!

A peça está no teatro Gazeta, ali na Paulista. A localização é excelente, mas o teatro está muito defasado. Não aceitam cartões de crédito na bilheteria, somente dinheiro ou cartão de débito. Além do mais, o teatro em si está caindo aos pedaços. As poltronas são velhas, desconfortáveis, o tecido está ruço.  Aliás, quando a gente senta (esta é a segunda peça que vejo ali em poucos meses) dá a impressão de estar invadindo o espaço alheio, i.e., o formato de glúeos alheios estão impressos na almofada da poltrona…e assim será com os nossos, seguramente.

Percebem-se também problemas técnicos. A acústica é sofrível, a gente acaba perdendo muita coisa das falas. Na peça anterior (post de 27/6/2009) achei que o problema fosse também do ator.  Vendo esta em um intervalo não tão longo, percebo que o problema é do local mesmo.  Uma pena, pois o palco é majestoso, melhor do que muitos em SP. Se passasse por um “up” geral poderia facilmente acolher musicais (se o teatro Procópio Ferreira pode, o Gazeta também pode, oras), ou montagens mais elaboradas.  Mas o pessoal é mesquinho mesmo e não tem visão, então não investe, e vai usando até acabar…


Apesar disso tudo, a peça Adorei o que você fez, que ficou em cartaz por alguns meses no ex-teatro Promon, sala S. Luiz e agora Teatro Cultura Artísitca-Itaim, voltou à cena no Gazeta.  A montagem dá a impressão de ser algo totalmente brasileiro, tal a “climatização” que fizeram.  Mas a peça é da dramaturga francesa Carole Greep e de 2003 (J’aime Beaucoup ce que vous faites”), sendo até hoje uma peça de sucesso na França.  No mínimo interessante. Tenha isso em mente ao assistir ao espetáculo.


São dois casais apenas o tempo todo, no mesmo cenário (interessante também!), o tempo todo (a peça leva mais ou menos uma hora e meia).  O imbroglio é sobre a visita de um casal amigo bem sucedido, da cidade, para um casal que adotou uma vida mais “natural”. Estes mudaram-se para um sítio e adotaram um estilo de vida mais simples, despojado, etc.  O marido (Chachá) é um escritor que não consegue emplacar seus roteiros. A mulher acaba se dedicando à casa, decoração, a cozinhar (mal!).  Os visitantes são um executivo de publicidade ou produção de la pub e sua mulher (Marcia Cabrita, impagável!).  Parece que são amigos de sangue, até que,por acidente, o celular dos visitantes disca o número do casal naturalista e os visitantes dizem cobras e lagartos dos dois, sobre modo de vida ao suposto talento do escritor.  Cria-se uma situação difícil, e os visitados aproveitam para espezinhar os visitantes. Mas em um dado momento a situação se inverte. Enfim, tão simplesmente o que é a convivência social hoje em dia: muita aparência, muita salamaleque, pouco envolvimento, pouco apreço de fato, muitos interesses, um negócio totalmente “eca” de meu ponto de vista.  Mas é assim que a maioria dos relacionamento humanos corre sobretudo atualmente, resultado de uma superficialidade extremada.


Os atores estão afinados. A Márcia Cabrita, até pela própria personagem, é a mais engraçada. Os outros não comprometem e têm seus momentos.  Eu diria que dá para divertir.  Mas o preço é bem salgado (de $ 60 a 80, dependendo do dia).  Um pouco demais para o teatro e para o tipo de espetáculo.

17

de
janeiro

Que monstrinho simpatiquinho…

Coisas que a gente não entende…o livro que deu origem ao filme, que acaba de estrear (acabo de ver: http://www.imdb.com/title/tt0386117/ /  http://www.youtube.com/watch?v=Rhfywi5Y8TM) foi escrito em 1963.  Algum tempo depois de sua publicação foi bastante reconhecido pela forma como desenvolveu o tema, pelas ilustrações. Maurice Sendak é o autor do texto e ilustração.  Aí alguém do cinema pensa no livro, ou “descobre” o livro, e a coisa vira uma febre, como se o livro não existisse antes. É um pouco de exagero, pois o livro já era um sucesso com admiradores, sobretudo nos EUA, mas é que nunca seria a febre que é hoje se não fosse o cinema. Por exemplo: o livro só chegou ao Brasil, publicado pela CosacNaify (http://editora.cosacnaify.com.br/ObraSinopse/11297/Onde-vivem-os-monstros.aspx) em 2009!  Isso me lembra outros casos antológicos, como por exemplo Tolkien. Tolkien já era um autor bastante conhecido na Inglaterra e em países de língua inglesa, mas não era o arrasa-quarteirão em que se transformou depois de ser “descoberto”, lindamente aliás, pelo cinema.  Eu mesma reli Tolkien, como reli Sendak, por conta dos filmes lançados.  Isso não tira, absolutamente, o mérito de nenhuma das partes: autor literário e diretor/produtor/roteirista cinematográfico.  São fórmulas, ou linguagens complementares que se enriquecem mutuamente.  O que me incomoda é que se não houvesse o filme, talvez o livro nunca tivesse sido publicado por aqui e todos perderiam, os leitores em geral, bem entendido.  Ainda bem que a sorte não foi madrasta com Onde vivem os monstros!

O livro é uma delícia! Uma viagem mágica! Uma história para crianças que encanta qualquer um. O texto é simples, claro, mas de uma poesia incrível. E tudo fica mais bonito ainda com as ilustrações de Sendak.  Não é à toa que o livro fez e faz sucesso, e serve de base a “elucubrações” analíticas: o “eu” primitivo, a criança que existe em cada um de nós, etc. etc. etc.  Resuminho: um menino que se aventura por seu mundinho, vira rei de monstros, e volta para casa são e salvo, para o jantar.

O filme teve de elaborar bastante para colocar em duas horas o que Sendak conseguiu comunicar em pouco mais de 30 páginas! Isso é que gênio, hein!

De qualquer forma, a versão cinematográfica visou outro público. Não é um filme para crianças, mas sobre crianças, digamos assim.  Os monstros ganharam vozes competentes, é bastante emocionante em alguns momentos, e passa distante da pieguice, sem deixar de lado ternura, carinho, raiva, amizade, enfim, um monte de conceitos, reações, sentimentos tão humanos. De fato, a gente se vê ali, todos nós, pelo menos um pouco. E como eu gostaria, pessoalmente, de ser rainha na terra daqueles monstros simpatiquinhos… O filme vale a entrada, sem dúvida!

O ideal é ler o livro e ver o filme, ou vice-versa. Assim não se perde nada, aliás  só se ganha com duas visões ou expressões bem diferentes de um mesmo tema.

As vozes estão primorosas (dá para reconhecer uma ou outra dos seriados televisivos, como Carol, feito por um “Soprano”), a trilha é bonita, bonita, bonita (tomara que o cd esteja a venda por aqui em breve), a fotografia é interessante (só achei alguns trechos escuros demais, mas coisinha pouca), e os bonecos/monstros são uns fofos!  Não perca!  Conselho: não leve as crianças.

15

de
janeiro

Falando de livros

Faz tempo que não comento sobre os livros que tenho lido. Então, vamos lá.

Meu último post sobre o assunto foi em 10/11/2009.

Nestes últimos meses li bastante, mas um tipo de leitura um pouco diferente. Muito quadrinho (Quino - acabo de ler   ), muitos infantis (como eram bons!): Dom Quixote de W. Eisner, mais Clifford, outros de vários autores que dei para a criançada no Natal (já mencionei que faço censura prévia.  Antes de dar algum livro infantil de presente, leio integralmente (post 17/10/2009).  Já vi tanta queca, que não dá para arriscar).

Além desses livros, li também A Farsa de Christopher Reich, que Da. Marly/Dr. Miguel me emprestaram (tks!).  Um thriller intrincado para caramba!  Na verdade, no primeiro terço acho que o livro patina um pouco, ou  melhor, o leitor patina um pouco.  Mas depois o ritmo fica muito bom.  É espião contra espião! Se fosse um filme, ia ter muito sangue, quedas, hematomas, tiros, armas, etc.

Além do aspecto aventura, o interessante, até por recentes acontecimentos/mortes de pessoal da CIA por um agente triplo, é constatar como qualquer, mas qualquer mesmo, policial, de qualquer grau (mesmo os mais treinados, tipo espiões amigos de J. Bond) bobeiam em algum momento. Como, por maior que seja a tarimba, sempre há a possiblidade de serem apanhados no contrapé.  E nesse negócio o erro pode custar a vida.  Também é interessante quantos são os envolvidos, e como as informações são compartimentadas. Eu não sou do negócio, mas imagino que isso sirva para garantir segurança, sigilo, que sempre haja alguém de backup ou standby, e sem muita consciência dos reais riscos.  E o dinheiro?  O negócio não é fraco, não.  Mas aí tudo bem, tem zilhões de contribuintes para sustentar isso, então para quê economizar?

E, como em qualquer atividade que se baseia em crenças humanas, consolidadas por treinamento exaustivo e disciplina rígida, há exageros; as coisas podem fugir do controle, pode-se perder de vista o principal pelo acessório, como acontece com o comandente de uma das operações militares do livro.

Um livro bem interessante!

Outro “adulto” que li foi o Dispa-me! O que nossa roupa diz sobre nós, de Catherine Jouert e Sarah Stern, duas psquiatras francesas.  Comprei o livro há um tempinho e, lendo-o, não consigo entender por que o comprei. Enfim…

O que o livro faz é relatar um monte de situações tipo: pais que vestem uma menina como menino, porque queriam um menino e tiveram uma menina; irmãs que usam roupas uma da outra e isso causa conflito (?!); filha que num primeiro momento idolatra a mãe e depois passar a achá-la vulgar, indecente, pelo tipo de roupa que usa, e por aí vai.  E que tipos de sentimento ou reação, ou sei-lá-eu-o-quê, essas ações causam nas pessoas: frustração, inconformismo, até revolta, negação, traumas profundos (?!).

Acho mesmo que a roupa pode ser o “espelho d’alma” em algumas circunstâncias, que reflete desejos, conceitos, preconceitos, etc., etc., mas como para mim roupa é algo pragmático, que me dá conforto, abrigo, e modela um pouco meu corpo rechonchudo, dá cor, e é uma exigência da sociedade em que estamos inseridos, parecem-me forçadas alguamas das conclusões que o livro apresenta. Imagino que devae ser isso mesmo: fruto de muito estudo, observação, mas o fato é que para mim o assunto é desimportante no nível em que é apresentado.  De repente, para quem gosta dessa linha de estudo/publicação é um prato cheio.

Para mim fica a impressão de “tempestade em copo d’água”, mas vá saber…

14

de
janeiro

Já vem com uma maldição embutida…

Já no meu post de (30/8/2009), eu execrava e lançava uma praga (forte, hein!) nos usuários ou viciados em blackberry, gente descontrolada, que privilegia o aparelhinho à convivência, que se torna irracional ao ficar mexendo no trequinho até durante a sessão “vaso sanitário”.  Gente, não é quantidade que faz qualidade!  Aliás, muitas vezes é o contrário.

O que me fez voltar ao tema, agora voltado para o celular, foi um acúmulo de situações percebidas nos últimos dias.  Não fui eu que procurei, hein!  Era só olhar e ver:

1) subi num ônibus noutro dia e, do momento em que subi até descer 20 minutos depois, o cobrador ficou o tempo todo com o celular na orelha.  Chegou a se posicionar obstruindo a entrada de passageiros no coletivo, tal seu entretenimento com o celular;

2) não é incomum vendedores - sim, aquele pessoal que depende de vender para ganhar a vida, portanto depende de chamar e manter a atenção do cliente, convencer o cliente, apresentar a mercadoria, etc. - estarem mais interessados em seus celulares do que em possíveis compradores.  No sábado, entrei em uma loja de lingeries ali da R. Pinheiros e a pessoa que estava na loja- a única que eu podia ver - e no caixa manteve uma conversa ao celular com o marido,namorado, amante, ou sei lá eu o quê, por aproximadamente uns 10 minutos. Não se acanhou, não disse: depois eu ligo, estou com cliente. Não, continuou, continuou, até eu começar a fazer mímicas do que queria…Impressionante!

3) e os tais seguranças? Uma categoria totalmente virtual em vários sentidos, já que não resolve nada quando a ação é requerida, a ocasião se apresenta, ou até se alia aos meliantes, e não me venham com mas, mas.  Vide homem-bomba que matou montes de gente na CIA nas dependências da própria no Oriente Médio. E olha que aquela gente era treinada, committed, etc., pessoal de segurança da mais alta estirpe. Então, não aceito protestos!  A categoria local é, lamentavelmente, isso mesmo. Continuando: entro no SESC Paulista para ver uma exposição (post de ) e o que encontro lá num cantinho? O segurança, engravatado, no celular. Vocês acham que ele estava “segurando” alguma coisa?  E quantos já não vi assim no MASP, no SESI (a gente não pode, mas eles podem, e não me venha dizer que é celular de trabalho que não é mesmo! A gente ouve as conversas, ora!), e por aí vai.  Alguém crê que esse pessoal tem neurônios para dividir o foco desse jeito? Ou seja: bandido/risco/ação suspeita x celular? Of course not!

4) e o taxista que atende o celular enquanto dirige? Não é blue tooth ou hands-off, é celular mesmo!  Pode?

5) hoje, até a copeira de uma prestadora de serviços da empresa em que trabalho lavava louças com o celular pendurado na orelha, falando com alguém na casa (filhos, acho).  Vocês acham que ela estava prestando minimamente atenção na qualidade do trabalho dela?  Não uso aquelas xícaras e copos nem que me paguem…

6) os motoristas de uma van que faz o percurso Casa Verde/Pinheiros (177Y), que utilizo muitas vezes para ir para casa, são mestres em dirigir e manter longas conversas com seus pares pelo rádio ou celular;

E por aí vai…só espero que nenhum cirurgião tenha adotado esse mau costume de relegar obrigação, dever, para falar ao celular, discutir assuntos pessoais na hora do “expediente”.  Isso pode ser letal!  Ou um bombeiro, ou um operador de guindaste, de grua, ou um cabeleireiro - já pensou que corte vai sair?-…

Tudo isso nada mais  é que questão de postura, de consciência profissional, sobretudo nos casos relatados acima.

Claro que o celular é um avanço e um meio de contato importantíssimo. Há gente que vive dele!  Ele supre o impedimento de acesso a uma linha telefônica, imposto normalmente pelas empresas para evitar abusos. Se há uma emergência, uma necessidade grave, um familiar pode contatar e ser contatado, mas é isso: EMERGÊNCIA!  A copeira, o motorista, a vendedora estão ali para trabalhar, para produzir, ganham para isso! Portanto, celular no vibra e só atender se for urgente, no mais, fica para quando der responder chamadas.  Infelizmente, bom senso não é um must do ser humano, então tem de dar bronca, tem de ficar bravo mesmo, para ver se o pessoal entende a que veio.

Vou dar um tempo e, se for o caso, lanço outra praga. Fortíssima, desta vez!

10

de
janeiro

Noel Coward é o cara!!

Antes de falar sobre esta delícia de filme, uma historinha: muito antes, mas muito antes mesmo da internet, da Amazon, eu tive de dar um jeito de comprar as peças de Nowel Coward (http://pt.wikipedia.org/wiki/Noël_Coward) (http://en.wikipedia.org/wiki/Noël_Coward).  Tive meu primeiro contato com o autor há uns 25 anos (Blithe Spirit em português) e virei fã de carteirinha!  Só que por aqui a oferta em português e inglês era escassa e cara. Aí achei uma empresa na Inglaterra que tinha várias obras do autor.  O negócio era por carta ou fax no máximo, mas deu certo. Não me lembro do nome certinho da empresa mas era Old Book Guide, ou  Old English Book Guide, enfim, algo por esse caminho. E foi uma parceria por vários anos, tipo Nunca te vi, sempre te amei (post de 8/2/2009), até aparecer a internet, Amazon, etc.

Consegui várias peças (Private Lives, Present Laughter, Blithe Spirit, Relative Values, e talvez mais uma ou outra.  Coward, homossexual, estava marcado para morrer pelos nazistas, caso eles ocupassem for good a Inglaterra.  Nasceu logo após a morte de Oscar Wilde (http://en.wikipedia.org/wiki/Oscar_Wilde#Sexuality), e, não há dúvida, a linha de seu discurso é a mesma de seu precursor.  Witty, perfect timing, deep observation, e por aí vai.  É, com certeza, o dramaturgo inglês de que mais gosto.  Costumes com humor, despindo a alma humana, no que ela tem de melhor e de pior.

Coward também foi ator e cantor. Enfim, um artista multimídia!

Acaba de estrear Bons Costumes (Easy Virtue), filme baseado na peça de Coward.  Do mesmo diretor de Priscila: Stephan Elliott. Não bastasse tudo isso: Kristin Scott Thomas (post de 7/7/2009) e Colin Firth (post 7/12/2008), dos quais gosto de mais!  Um filme superBritish, com momentos hilariantes, mas, sobretudo, uma crítica, ou melhor, retrato afiado da sociedade britânica pós-guerra.  Conveniência, pompa e circunstância a toda prova, sufocando individualidades. Na verdade, se olharmos para os lados veremos várias pessoas (casais, famílias, conhecidos, “amigos”, heteros e sobretudo homossexuais) amargando as mesmas misérias, submergindo, anulando-se, negando-se, e levando a vida. Jessica Biel (Larita Whittaker), que eu não conhecia (participou de The Illusionist, mas não me lembro dela), está soberba!  Todos os outros atores, até o mocinho, são secundários se comparados aos três, mas dão conta do recado.  Belos cenários, fotografia, e uma trilha sonora…marvellous! A room with a view, Sexbomb, I’ll see you again, e muito mais.

Enredo: um herdeiro de família inglesa falida se casa com uma americana. A primeira mulher a ganhar um prêmio automobilístico (depois desclassificada).  Ela casada pela segunda vez enfrenta a engessada sociedade inglesa.  Mas encontra grandes aliados: no mordomo, no jardineiro, no Sr. Whittaker, patriarca da família, e em alguns varões da região.  É totalmente hostilizada pela ala feminina. Uma guerreira que …. (não vou contar o fim, não).  Vão ver! Vocês vão gostar!  Dá para rir do genuíno humor britânico.

E aí vai um pouco de Noel Coward in person para vocês:

http://www.youtube.com/watch?v=lASc-zeWP6o&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=Prk_nwE4A2I&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=wveW9Tw2JKE&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=YDAJxazhZvM&feature=related

10

de
janeiro

O SESC não decepciona, já o MASP…

Bom,na verdade, de novo atirei no que vi e acertei o que não vi.  Fui ao SESC Paulista (http://www.sescsp.org.br/sesc/busca/index.cfm?unidadesdirector=47) para ver a exposição do Chelpa Ferro (http://www.chelpaferro.com.br/chelpaferro/curriculums/view/1), um grupo criado em 1995 por 3 artistas plásticos cariocas, até onde percebi.  Eles dizem que são totalmente sense, nada do que fazem é sem sentido.  Eu até acho que é isso mesmo: são instalações criativas, divertidas, que despertam a curiosidade do observador, muitas vezes desafiando os sentidos.

Na verdade o que se vê no SESC é uma instalação apenas e a exibição do dvd sobre a obra do grupo.  É interessante ver as instalações na tela e ouvir os componentes do grupo verborrageando (acabei de criar isto aqui, tá?) divertidamente.  A instalação que está lá - Acusma, é composta de um monte de vasos interligados com caixas de som dentro deles que reproduzem sons variados - sempre vozes humanas+ruídos.  A pena é que eu só consegui ouvir três ou quatro emitindo sons.  Imagino que a brincadeira é o visitante ir achando os sons, mas tem de ser algo mais dinâmico e com mais volume, i.e., mais vasos ao mesmo tempo.  Neste vídeo dá para terem uma idéia do que estou falando (http://www.youtube.com/watch?v=lJxssoFxaAA&feature=player_embedded#at=53) e do que não vi ao vivo.

Assisti a uma parte do vídeo que está sendo lançado e vi várias “obras” divertidas: cadeiras que saem andando, uma casa povoada de canos de ar que movimentam bexigas, sacolas plásticas, etc., criando um visual interessante e um ruído mais ainda.  Enfim, é uma intervenção ou utilização de itens comezinhos bem criativa e divertida.  Arte já é outra coisa…para mim fica a imagem de 3 homens se reunindo, esfregando as mãos, e dizendo: o que a gente vai aprontar hoje? E aí surgem essas coisas que estão no vídeo.  Lúdico, sem dúvida, mas só. Para mim também dão a impressão daqueles publicitários supercriativos que se encheram de ter patrão, prazos, horários, e foram criar por conta própria o que seu “coração” mandar.  Parece que deu certo.

O que acertei então?  De Mala Pronta (http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=162399), também no SESC Paulista. Uma exposição com relatos de viagem (documentos, fotos, declarações, souvenirs, etc.) de várias pessoas (99% acima dos 65 anos) que viajaram muito, sobretudo pelas unidades do SESC.  Como esse pessoal é divertido!  Como sabem aproveitar o que veem, como são entusiasmados!  Há um senhor de 84 que é um tchutchuco!  Lá está um livrão com suas anotações, desde a primeira metade do século XX, de todas as suas viagens: observações, dados, tudo escrito em letra elegante.  Um calhamaço de dar gosto…pena que a gente não pode trazer para casa para ler com calma!  Há uma salinha para a gente gravar o próprio depoimento sobre viagens ou uma viagem.  Muito legal!  E as fotos, os souvenirs, os cartões postais!  Fantástico viajar pela memória dessas pessoas.

Ah, e a montagem está primorosa: a gente entra na exposição por uma cortina colorida com nomes de “n” cidades. Depois dá com a recepção de um hotel, com balcão, recepcionista, móveis. Caminha pelos túneis das memórias, vê vídeos, fotos, e cai numa sala de embarque, devidamente decorada.  A montagem, o mapa da exposição, a organização dos documentos, dos depoimentos, tudo fantástico! Uma delícia! Me peguei rindo várias vezes com o inusitado, a criatividade, a alegria da exposição.  Vai até 31/1, portanto, se puder, vá!

Depois fui ver a exposição de Walker Evans (http://pt.wikipedia.org/wiki/Walker_Evans) no MASP (http://www.masp.art.br/exposicoes/2009/evans/) que havia deixado de ver quando vi Rodin e os grafiteiros (post 6/12/2009). Francamente esperava bem mais: como tenho visto várias exposições (post de 20/12/2009): Cartier-Bresson, Mario Cravo Neto, fotos das obras de Rodin (post de 6/12/2009), não sei por que espera algo muito mais arrojado.  As fotoss são bonitas, preto e branco, de vários lugares do mundo.  Eu diria que são muito elegantes, se é que me entendem. Não, sofisticadas, é o termo correto!  Retratam muito bem momentos socioantropológicos representativos da história americana sobretudo.  Mas não foi tudo isso, pelo menos para mim.

8

de
janeiro

Sinal dos tempos ou final dos tempos?

O desastre mais recente é sempre o pior. A enchente mais recente é sempre a pior. A tempestade mais recente é sempre a pior, e por aí vai. Não que seja exatamente assim, mas a memória humana, embora digam o contrário, é bem curta.  Mário Quintana  diz: ”Nada jamais continua,/Tudo vai recomeçar!/E sem nenhuma lembrança/Das outras vezes perdidas”.

Aí a gente lê ou ouve que foi a maior chuva, o pior temporal, o pior deslizamento de terras, o maior número de mortos desde não sei quando, e por aí vai.  Números, para quem perde sua casa, seu sustento (os agricultores do Sul e de SP), seus amigos (ponte que caiu em Agudo), seus familiares (Arujá, Angra), não importa se é um 1 ou 1 milhão. Dá tudo na mesma: a dor é imensa! Há os que têm força para recomeçar, há os que jamais se levantarão.

E de quem é a culpa: aaah, do mau humor de S. Pedro, sem dúvida!

Como assim? Considerando a mudança evidente do clima pela ação predatória do homem; a concentração de chuvas (aparentemente não chove mais que há algum tempo, mas chove diferente), pelo mesmo motivo provavelmente; o desgaste do solo tão maltratado por invasões, construções inadequadas, uso indevido, idem, idem, como atribuir aos céus toda a crueldade? Nós plantamos, nós colhemos!

Para quem está só assistindo ou para quem está sofrendo as consequências, o racional diz: chuvas matam, desabamentos matam, mas o que o racional não diz tão claramente é que incompetência administrativa e corrupção matam muito mais!  O que vemos após tantos mortos, tantas perdas é que não se fez o dever de casa. O dinheiro que era para ser empregado na defesa e prevenção, foi usado em outro canto. Uns apontam o dedo para os outros.  Acusações de todos os lados!  Só que nada disso vai devolver a vida aos mortos, as esperanças aos que tiveram seus esforços, trabalho, economias levados em segundos.  Mesmo aqueles que saíram ilesos vão ter pesadelos por muito tempo, vão ter de tomar remédio para dormir e se acalmar, como qualquer pessoa no pós-trauma. E haverá os que jamais se recuperarão.

Minha sensação é que se um dia o pessoal do Planeta dos Macacos (http://www.imdb.com/title/tt0133152/) passar por aqui, vir os registros de nossos tempos, o resultado de nossas ações, da sanha de nossos líderes, vão dizer: ôôôôhhh, pessoal tolinho esse…totalmente incivilizado e selvagem! E não vão estar muito longe da realidade. Só nos sobra arrogância, falta de visão, falta de sensibilidade, falta de amor ao Planeta e à Natureza, portanto desamor por nossa casa, nosso abrigo.  Nenhum bicho (outro) faz isso: eles podem abandonar a toca, mas não destruí-la.

A falta de cuidado, planejamento, prevenção conseguiram gerar até o imponderável: gente que saiu de casa, viajou centenas de quilômetros, gastou dinheiro para se divertir, descansar, e foi colhido por uma avalanche de terra, um turbilhão de águas literalmente. Assim, não há santo que dê jeito…

Mas o pior de tudo é que, ano que vem, vamos presenciar as mesmas cenas. Mesmo com a mídia martelando os acontecimentos passados, que deveriam ensinar e oferecer a possibilidade de salvação a todos, o desastre do momento ainda parecerá maior e “inevitável”. Uma fatalidade!

A gente não aprende mesmo!

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