20
de
janeiro
Nossa, que movimento, de novo! Domingo final de tarde e noite…e se acabou!
Depois da personagem chororô de Chiara Mastroianni, fui ver A noviça mais rebelde com Wilson de Santos.  A supervisão artÃstica (hein?) é de Marcelo Médici.  Está em cartaz no teatro Raul Cortez, em horários alternativos: sábado - 19h e domingo - 17h.  Acho esses horários ótimos, mas o público parece que não os descobriu ainda.  Quando fui ver O homem das cavernas (post de 29/11/2009), o teatro estava bem cheio, mas neste domingo a lotação devia estar em 50%, se tanto. Tudo bem que o RCortez é grandinho, mas mesmo assim, uma pena.  E vale lembrar que o teatro Raul Cortez (posts de 3/10 e 7/6/2009) é muito confortável, bem grande, moderno, e de acesso bastante privilegiado.
Fui ver a peça porque já vi o Wilson de Santos em  Noviças Rebeldes (http://www.ciadepatifaria.com.br/novicas.php) e A Bofetada (http://www.ciadepatifaria.com.br/abofetada.php) com A Companhia Baiana de Patifaria.  As duas peças, sobretudo a primeira, foram divertidÃssimas! Logo, imaginei que ele faria um revival da peça antiga, com algumas atualizações, modernizações. E foi o que aconteceu.
Bom, para um final de tarde de domingo foi ótimo!  Muita bobagem, a simpatia e o à -vontade do ator, que faz a peça solo.  Ele não perde o ritmo!  Canta, dança, imita (muito divertido!), brinca com a plateia.  A gente não tem como não rir dele, de si mesmo e da “micagem”.
Claro que está bem longe de Noviças Rebeldes, pelo texto, pela produção, por ser show de um ator só, mas mesmo assim valeu a pena. Deu para tirar aquela nhaca da personagem do outro filme!
E depois…Shopping Cidade Jardim!  Sim, aquele shopping que esconjurei ao vivo e em cores tantas vezes! Aliás, continuo, viu?
Mas o filme que minhas amigas queriam ver estava passando lá, dava para comprar pela internet, e era nas tais “salas-conforto”.  Dobrei-me à curiosidade, ou melhor,  à sanha do “conhecimento”!  E lá fui eu, pagando a baba de $50 para ver um filme que em qualquer lugar custaria no máximo, estourando, $25!
Quem mandou? quem mandou? quem mandou?  É isso que dá vender a alma…Aguente o tranco, então!
Antes do filme, comer uma coisinha, afinal já eram 20h e o almoço tinha terminado à s 13h20.  Como eu não conhecia  o  Nono Ruggero, fomos lá. Um prato com 8 (sim, OITO) raviolis de vitela, uma água, e um pão com patês e manteiga de entrada, saiu por $ 68,25.  Tudo bem que o lugar é agradável (o jeitão lembrou-me o restaurante do Metropolitan de NY), a hostess simpática, eficiente e atenciosa, a toalha é branquinha, o guardanapo de tecido também, etc., etc., mas é um pouco demais por OITO raviolis…  Depois disso fui tomar um tal sorvete italiano, Diletto, que promete felicidade eterna, ou a maior felicidade do mundo. Bom, sei lá, coisa de italiano, bem dramática!  Estava muito bom, mas custou $ 6.
Depois ao cinema!  Tem lá uma sala de espera bem montada, confortável, meio quente. Aà você vai ao balcão e pede o que quer comer.  Como já escrevi “n” vezes, não como nada na sala de cinema, só na minha casa e olhe lá.  Os preços não são absurdos se pedir o trivial: pipoca salgada e refrigerante.  Se for outra coisa, com acompanhamentos exdrúxulos, tipo pipoca com azeite trufado, aà a coisa muda.  Tem-se a opção de carregar a encomenda para a sala ou pedir entrega. Bom, já que é para arriscar meu lugar no céu (abandonei meus princÃpios), então vamos fundo: pedi que entregassem os quitutes (café - para me manter acordada, que o dia tinha sido movimentado; pipoca pequena e refri). A gente paga, dá o número da poltrona -ora, ora, claaarooo que as poltronas são numeradas! Óbvio! - e pronto. E não dão um papelzinho, um recibinho do pedido pra gente.  Achei meio absurdo. E se há algum problema, e se alguma coisa falta, como reclamar? Palavra contra palavra?  Eu, por exemplo, paguei cash, então nem um recibo de cartão de crédito ou débito eu tinha. Tsc, tsc, tsc…Se fosse na Suécia, Alemanha, mas no Brasil, com a mão-de-obra que temos (não adianta ser um lugar bonito, com gente arrumadinha, falta treinamento, postura, cérebro mesmo) é muita petulância!
E o momento chegou! A sala!!! Realmente um salão, com muito menos poltronas que em um cinema regular. Um espaço enorme entre elas, além da cadeira que recosta, que tem suporte para os alimentos e para as pernas.  É como uma poltrona de primeira classe de avião - não que eu viaje de primeira, mas já vi, né?  Confortável até demais. Eu, por exemplo, não vejo tv, filmes, o que for, deitadona…para manter a atenção e os neurônios funcionando tenho de ficar na posição sentada. Até apoio as pernas num pufe, depois desapoio, mexo em alguma coisa, e assim vai. Aquela coisa largada para mim não dá. Tanto que lá pelo último terço do filme, abaixei o apoiador/descanso de pernas.  Já tinha entendido como era a coisa, então chega!  Quanto aos comes e bebes, o meu veio rapidÃssimo, os de uma amiga bem depois, e os da terceira quando o filme já tinha começado há tempo e depois de reclamar sobre a demora!  Estão vendo o que disse no parágrafo anterior?! Não adianta gente, o pessoal até tem criatividade mas não tem performance!
Bom, já vi o shopping, vi a sala, entendi a mecânica, o espaço, então já deu.  Agora, ao filme!
Desde a adolescência gosto de Sir Arthur Conan Doyle (http://pt.wikipedia.org/wiki/Arthur_Conan_Doyle).  Meu primeiro livro com a personagem Sherlock Homes (http://pt.wikipedia.org/wiki/Sherlock_Holmes) foi The Hound of the Baskervilles, em inglês mesmo.  Sherlock Holmes é um Ãcone, meio “transgressor” (bachelor, cocaÃna - ópio, não, método inusitado de trabalho, caótico-casa, arrogante, frio, solitário por opção, gosto pelo disfarce, praticante de luta livre, artes marciais, etc., etc.) para quem gosta do gênero.
Depois vieram muitos outros e português e inglês: A study i n scarlet, The sign of the four, The red-headed league, A scandal in Bohemia…
O homem é um mestre mesmo, por isso tantos livros, tantos filmes, e a longevidade de sua obra e de sua principal personagem. Acho que por isso desenvolvi tanto o gosto por livros de mistérios, detetive (Poirot é o cara!), policiais, e em tempos de tv: CSIs, Criminal Minds, Cold Case, Without a Trace, e tudo o que veio antes (Columbo, Kojak).  Sherlock não foi o primeiro, antes veio Dupin de Poe, e Gaboriau de M. Lecoq, mas nenhum foi tão influente e duradouro, e até famoso quanto ele.
Vi vários filmes baseados na obra de ACDoyle, de todos os jeitos, com montes de atores, para cinema e tv, então tenho referenciais de peso.
Por tudo isso, e por ter visto o trailer, pareceu-me que o filme poderia ser bom.  Na verdade, é bonzinho só. Explora sobretudo a face “transgressora” de Holmes, ie, a droga, a bagunça, o ringue, seu pouco apreço humanitário, e por aà vai.  Muito efeito especial, e tem Jude Law, como Watson (ótimo!), Mark Strong, Lorde Blackwood (bacana!), Eddie Marsan, como Lestrade, Rachel Adams, como Irene Adler (a única mulher por quem Holmes teve alguma atração) (muito bem), e finally: Robert Downey Jr, como Holmes.  Não gosto, não gosto, não gosto do ator.  Recentemente vi O Violinista com ele (post de 10/11/2009), e meu desgosto só se confirmou.  No caso especÃfico deste filme, a coisa só não naufraga nas mãos do insosso, blasé (acho que aquilo é botox), de olhar vago e inexpressivo Downwey Jr., porque justamente trata-se do que escrevi anteriormente: um autor muito bom, uma personagem emblemática, um roteiro bem feitinho que consegue resgatar o brilho do detetive famoso.  E porque a direção é de Guy Ritchie.  Gosto muito dele como diretor  (post de 3/11/2008), mas acho que he hasn’t done his best this time, infelizmente.
De todo jeito, um filminho para divertir, comer pipoca, e esquecer, pois não tem nem a sombra do brilho do criador, Conan Doyle, e da criatura, Holmes.



