Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

1

de
janeiro

Mais um sonho realizado!!! (menos, né…)

Fazia bastante tempo que queria ver a São Silvestre. Não que eu seja fanática pelo esporte, ou até mesmo acompanhe o assunto - houve um tempo em que fazia isso, mas hoje , não.  Então,entra ano, sai ano, e a vontade lá.

Há alguns anos, três amigos correram (correram é figura de linguagem, tá, gente?) a S.Silvestre. Contaram muitos fatos divertidos e atiçaram ainda mais a vontade de assistir à corrida “in loco”. Em 2009, decidi-me: vou e pronto!  Aí busquei informação com os três atletas de como funcionava a coisa, se não tinha muita bagunça, melhor lugar para ver a prova (um deles me saiu com a graça de que esse lugar seria a Globo, no sofá de casa…), quanto tempo levava a corrida, o que era mais interessante, enfim tudo que eu pudesse saber para aproveitar a prova e não me cansar muito ou me meter em alguma enrascada.

Aliás, os três amigos e eu, e mais outros que incluímos por conta e foram devidamente comunicados, firmamos um pacto de sangue para participar em 2010. Claaroo, não vou correr (helloooo!), mas dá para caminhar como vi muita gente fazendo. É só não atrapalhar para não derrubarem você e passarem por cima, então, tranquilo.

Chegou dia 31, com um calorão e um solão. Condições excepcionais para os africanos, e não deu outra! (http://www.saosilvestre.com.br/2009/).  A corrida tem 17km hoje, até onde eu saiba, é um percurso de rua bem duro, porque depois da desabalada descida vem a dificílima subida da Brigadeiro. E com um tempo como o de ontem, a coisa fica bem complicada mesmo.

Assistir à São Silvestre requer planejamento e preparo!  Então fui, primeiramente, almoçar com uma amiga queridíssima e que não via há tempos na Liberdade.  Foi ótimo, pois passei sob o arco da sorte, fazendo meus pedidos para o ano novo.  Os bolinhos de arroz já tinham acabado, mas não faz mal, só passar sob o arco e desejar para si e outros coisas boas já dá uma revigorada.

Dali fui para o centro da cidade. Meus amigos me disseram que o melhor lugar, por vários motivos (só conto pessoalmente), era na São João, depois do Bar Brahma. Então fui tranquilamente para lá, de metrô. As linhas de ônibus foram todas desviadas sei lá eu para onde, então o metrô era a única garantia de transporte rápido, confortável e confiável.  Cheguei por volta de umas 15h15.  A corrida começaria após 16h com a prova feminina e uns minutos depois (uns 15 mais ou menos) seguiria com a masculina.

As ruas à volta da Pça da República estavam bem tranquilas. Havia policiamento, mas não o que eu esperava ver. Aliás não havia barreiras, nem com fitas, só em alguns lugares.

Fui até o BBrahma que estava bem vazio para minha surpresa. Tomei um sorvete, uma água. O café fica para outro dia, pois não tinha café para servir (é brinca, ou quer mais? Bar Brahma, não tem café para servir…). E tudo caríssimo: duas bolas de sorvete (da Kibon mesmo) com uma farofinha e calda de morango $19! Em dias ou quando há shows, até entendo, mas numa 5a. morta, acabando horário de almoço?! Mas tudo pela pátria!

Dali fui caminhando um pouco pela avenida, achei um lugar para sentar (para quem não sabe: SPaulo não tem lixeiras; não tem lugares/bancos para sentar e descansar,-na República impossível dar uma paradinha e sentar, tal o assédio de moradores de rua, drogados, bêbados, pedintes; não tem banheiros públicos - mesmo em uma prova como essa, que junta tanta gente, nem unzinho nas redondezas; não tem gente de limpeza a postos; não tem iluminação pública de qualidade- tudo bem que era dia ensolarado, mas já que estou listando…e por aí vai).  Quando comecei a ouvir os fogos fui me posicionar para ver a prova, bem perto da Duque De Caxias (motivo, só conto pessoalmente).  Vi a elite feminina (pouquíssimas! Sei lá umas 20 atletas se tanto), e uns 20 minutos depois a masculina, aí com contingente de elite bem maior.  Depois desse pelotão é que começou o legal da prova mesmo: os anônimos.  Uma corrente humana: homens, mulheres, de todas as idades, a maioria inscrita oficialmente, outros que entram pelo meio da prova só para participar.  Uma massa muito interessante (vejam os vídeos - links abaixo).

E como era dia 31, tem aquela coisa de refletir sobre a vida, algumas conclusões pós-São Silvestre:

-não vejo graça mesmo nesse tipo de evento.  Acho que participar vai ser bem mais divertido. Pretendo também ver em outro ano a largada da Paulista mesmo. Deve ser mais muvucado, mas o astral deve ser outro;

-a polícia não estava preparada para fazer face a algum “desastre”. Poucos policiais ali pelo percurso do centro (e vejam que eu andei da República até a Duque de Caixas e back, portanto deu para observar bem por um caminho que a pé leva bem uns 15 minutos a passo lento);

-não havia barreiras/cordões de isolamento efetivos, tanto que mesmo durante o início da corrida masculina, em que a velocidade dos atletas é bem alta e havia blocos compactos de corredores, tevegente atravessando a São João tranquilamente. Por sorte, que eu tenha visto, nenhum acidente. Mas pura sorte mesmo;

-a parte médica está bem estruturada. Em dado momento, ambulância do HCor saiu para dar atendimento a alguém seguramente.  Havia um posto bem montado na área em que eu estava. Quanto tudo é efetivo, não sei, mas a estrutura física pareci muito boa;

-como mencionei, a grande maioria estava paramentada, inscrita oficialmente, mas havia muita gente que se misturou à multidão e ia com o grupo correndo ou andando tranquilamente;

-a cidade em geral mas, sobretudo, no centro está uma nojeira! Kassab vai deixar uma cidade destruída! Sujeira para todos os lados, calçadas destruídas, até os postes de luz do começo do século passado servem de lixeira - as pessoas retiraram placas da parte inferior e jogam ali dentro lixo, portanto, o reino das baratas!  Um nojo. A Prefeitura também não tem feito a lição de casa social. O que tem de gente morando na rua, sujando, pedindo. Um depósito humano! Isso também é, muito provavelmente, resultado do desmantelamento mal feito, mal planejado da Cracolândia.  Outra coisa: o que adiantou se gastar zilhões com a reforma da Praça da República, por exemplo, para entregá-la a uma horda de mendigos, drogados, etc?  Quero meu dinheiro de volta! Fora Kassab!!

-os atletas/participantes correm vários riscos: primeiramente a possível invasão e ataque de alguém do público, e como não há policiamento efetivo, impossível prever as consequências; se não forem espertos e atentos, podem se machucar feio, pois os ralos que estão à beira da São João, na sarjeta, estão num desnível tão grande em relação ao asfalto, que facinho se pode quebrar um pé, tornozelo ou até perna numa queda ou torção.  Isso é resultado de trabalho mal feito, material de péssima qualidade empregado no calçamento das ruas da cidade. Fora os buracos que estão por toda parte, sobretudo pós-tempo de chuvas e que não se consertam de imediato porque não para de chover, segundo a administração pública;

-nunca vi tanto nigeriano junto! Houve um momento em que eu era a única branquelinha entre montes de negrões, homens apenas. Uma gente bem bonita, mas que, obviamente, a gente nota rapidinho. Mas, claaarooo, devem ser todos imigrantes legais! Não há dúvida!  E gente de paz, seguramente!

-o pessoal que fica à beira da corrida, supostamente torcendo pelos atletas é um espetáculo à parte: em alguns momentos há aplausos e reconhecimento, em outros grosseria pura, brincadeiras de mau gosto.  Para quem está de fora é interessante, mas para quem corre não sei não. Vou saber em 2010. Mas foi bom ver isto, assim tomo um calmante antes para não ir pra cima de algum engraçado de plantão (meus 3 amigos já são engraçados o suficiente…).  Aliás, fiquei surpresa, porque nesse espaço que percorri (República/DCaxias/República) imaginei que haveria muito mais gente. O número de pessoas é basicamente de moradores da região, da avenida, e uns e outros como eu que vêm de outras regiões, vão ao Brahma, e só;

-o metrô é realmente o único meio de transporte confiável em dias como o de ontem. Quando estava indo embora - umas 17h30, os carros com destino à Paulista estavam lotados de PMs, que já iam se posicionais para a festa da virada.  Acho que ali a estrutura é diferente (policiamento, banheiros, etc.). Um dia também vou lá só para ver como é a coisa.

Quando ainda não tinha o blog, fiz relatos da Parada Gay (2007) a que fui, de campeonato nacional de fisiculturismo (também 2007), Virada Cultural (2008) e de outros eventos. Com o blog relatei meu desfile em escola de samba (post de 21/2/2009).  Então só faltavam a SSilvestre, assistir como público a um desfile de Carnaval, virada de fim de ano na Paulista, ver um jogo de futebol, uma corrida de fórmula 1 no autódromo, voar de balão…xiii, faltam montes de coisas, então lamento dizer mas vou ter de viver uns 100 anos…

Bem, resumo: se você nunca viu “in loco” a corrida, vá. É um evento importante da cidade (está na 85a. edição). Há vários fatores socioantropológicos interessantes a ser observados.

Algumas fotos e vídeos. Espero que gostem.

http://picasaweb.google.com.br/miriamkeller/SSilvestre2009?feat=directlink

http://picasaweb.google.com.br/miriamkeller/SSilvestre200902?feat=directlink

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