31
de
janeiro
Esta foi facilÃssima!
Olha aÃ, não deu mais que algumas horas e já estou escrevendo o post sobre o filme que vi hoje no Cinesesc. Aliás, por que está só lá? Vai saber…Há semanas está só nesse cinema. Não me entendam mal: adoro o Cinesesc, ao lado do Reserva, Bombril é outro queridinho.  Uma delÃcia de lugar, barato comparado a tanta queca que tem por aÃ.  A tela é imensa, a sala é grande, e o público também só agrega. Nada de plateia de shopping, graças!
Sei não, está parecendo conspiração astral! Afinal, depois de  Otar (post 23/8/2009), Almoço em Agosto (post 5/10/2009), Hanami (post de 30/12/2009) e Não minha filha (post de 19/1/2010), agora me aparece Duas Senhoras (Dans la vie) (http://www.dubaifilmfest.com/en/movies/the-cultural-bridge/dans-la-vie.html) (http://www.pyramidefilms.com/pyramideinternational/FilmFch.php?monFilm=305) (http://www.imdb.com/title/tt1097224/).  Desta vez não vou falar mal da titulagem por si; em inglês também é Two ladies, mas não é porque está em inglês que seria melhor ou o correto ou aquilo que mais valoriza o filme.  Mas deixa pra lá, não vale a pena.
Na verdade não acho que seja conspiração, mas uma realidade que se percebe no cinema. Como tantas coisas que a gente vai percebendo na vida, no dia-a-dia, a nossa volta, vem alguém: cinema, teatro, literatura e organiza para a gente, sistematiza.
O mundo está ficando longevo, e as pessoas de 70, 80 têm muito a oferecer, a ensinar, a viver. E se percebe que, por mais que gostem de seus filhos, netos, tenham se empenhado e dedicado a eles, chega o momento de retomar a direção de sua vida solo, ou no máximo com um companheiro/a.  Há vida inteligente após os 60, 70, 80; há vontade de se divertir, de atuar, de produzir, de aproveitar o que ainda há por viver: essa é a mensagem que está aà e que está na hora de todos nós, pré-60,70,80, começarmos a entender e assimilar, para nosso próprio bem, atual e futuro.
O filme trata da convivência harmoniosa entre uma judia (Esther - Ariane Jacquot), que vive sobre uma cadeira de rodas, mas é linda, esperta, bem-humorada, com uns olhos mágicos, mas voluntariosa, muuitoo voluntariosa, e uma muçulmana (Halima - Zohra Mouffok) que gosta de cuidar e ajudar pessoas, uma mãe de famÃlia que sonha em peregrinar a Meca.  Enfim, duas “inimigas” em termos de fé, mas que se dão maravilhosamente, sobretudo porque são seres humanos bons,tolerantes, generosos.  Uma aprende com a outra, uma é feliz com a outra. A convivência tem alguns momentos de crise, mas são momentos apenas.
A produção é baratinha, não tem ator conhecido (há até uma outra Mouffok no elenco, ou seja, coisa familiar), mas o roteiro, a direção, e as duas atrizes são ótimos!  O filme é curto, talvez uma hora e 10 ou 20 minutos. Quando acaba a gente quer mais!
Halima consegue ir a Meca e Esther não pode acompanhá-la por seu problema de saúde. Mas não resta dúvida, se ela pudesse, teria ido, não importa se para fazer face a uma cultura “hostil”. Bom, na mesma situação, se eu pudesse, também teria feito minha malinha e iria com certeza. Afinal, o que vale na vida é isso: convivência rica, que dê retorno (só caminho de ida não dá), que dê prazer, e carinho, muito carinho e respeito.
Também há uma cena interessante: Halima acredita que está fazendo o certo, ajudando alguém que não lhe fez nada de mal, e está determinada a ganhar dinheiro para sua peregrinação.  Os filhos são os primeiros a “jogar água fria” (filho é chatinho à s vezes…), depois o grupo (vizinhos, outros da mesma fé, etc.) passam a hostilizá-la. Aà ela vai ao lÃder religioso da comunidade e ele lhe diz que não há nada de errado no que está fazendo. Devemos respeitar, quem nos respeita!  Se o Islã não foi agredido, se ela está sendo respeitada, o dinheiro ganho é tão bom quanto outro qualquer, e Meca a espera!
Pois é, tem gente que vai a Meca 10 vezes, não falta à sinagoga, não perde missa, está em todas as sessões do centro espÃrita, mas tem tão pouca generosidade em si, tão pouca tolerância, e tão pouca força para lutar pelo que acredita, para defender uma amigo, um parente em situações em que isso é necessário!
Além das duas senhoras, que são comoventes, há um quadro bastante interessante das convivências entre diferentes.  E como o cinema francês tem feito isso e bem!  Diz-se que os EUA são o cadinho do mundo, porque há gente de todos os cantos ali, mas quem está olhando com maior seriedade, mais criticamente, mais consciência e, por que não, mais corajosamente para a questão dos imigrantes sem dúvida é o cinema francês.
Bem, não sei quanto tempo fica o filme, já que está há algum tempo, é de 2007, e só em uma sala, mas se puder, vá ver.











