Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

31

de
janeiro

Esta foi facilíssima!

Olha aí, não deu mais que algumas horas e já estou escrevendo o post sobre o filme que vi hoje no Cinesesc. Aliás, por que está só lá? Vai saber…Há semanas está só nesse cinema. Não me entendam mal: adoro o Cinesesc, ao lado do Reserva, Bombril é outro queridinho.  Uma delícia de lugar, barato comparado a tanta queca que tem por aí.  A tela é imensa, a sala é grande, e o público também só agrega. Nada de plateia de shopping, graças!

Sei não, está parecendo conspiração astral! Afinal, depois de  Otar (post 23/8/2009), Almoço em Agosto (post 5/10/2009), Hanami (post de 30/12/2009) e Não minha filha (post de 19/1/2010), agora me aparece Duas Senhoras (Dans la vie) (http://www.dubaifilmfest.com/en/movies/the-cultural-bridge/dans-la-vie.html) (http://www.pyramidefilms.com/pyramideinternational/FilmFch.php?monFilm=305) (http://www.imdb.com/title/tt1097224/).  Desta vez não vou falar mal da titulagem por si; em inglês também é Two ladies, mas não é porque está em inglês que seria melhor ou o correto ou aquilo que mais valoriza o filme.  Mas deixa pra lá, não vale a pena.

Na verdade não acho que seja conspiração, mas uma realidade que se percebe no cinema. Como tantas coisas que a gente vai percebendo na vida, no dia-a-dia, a nossa volta, vem alguém: cinema, teatro, literatura e organiza para a gente, sistematiza.

O mundo está ficando longevo, e as pessoas de 70, 80 têm muito a oferecer, a ensinar, a viver. E se percebe que, por mais que gostem de seus filhos, netos, tenham se empenhado e dedicado a eles, chega o momento de retomar a direção de sua vida solo, ou no máximo com um companheiro/a.  Há vida inteligente após os 60, 70, 80; há vontade de se divertir, de atuar, de produzir, de aproveitar o que ainda há por viver: essa é a mensagem que está aí e que está na hora de todos nós, pré-60,70,80, começarmos a entender e assimilar, para nosso próprio bem, atual e futuro.

O filme trata da convivência harmoniosa entre uma judia (Esther - Ariane Jacquot), que vive sobre uma cadeira de rodas, mas é linda, esperta, bem-humorada, com uns olhos mágicos, mas voluntariosa, muuitoo voluntariosa, e uma muçulmana (Halima - Zohra Mouffok) que gosta de cuidar e ajudar pessoas, uma mãe de família que sonha em peregrinar a Meca.  Enfim, duas “inimigas” em termos de fé, mas que se dão maravilhosamente, sobretudo porque são seres humanos bons,tolerantes, generosos.  Uma aprende com a outra, uma é feliz com a outra. A convivência tem alguns momentos de crise, mas são momentos apenas.

A produção é baratinha, não tem ator conhecido (há até uma outra Mouffok no elenco, ou seja, coisa familiar), mas o roteiro, a direção, e as duas atrizes são ótimos!  O filme é curto, talvez uma hora e 10 ou 20 minutos. Quando acaba a gente quer mais!

Halima consegue ir a Meca e Esther não pode acompanhá-la por seu problema de saúde. Mas não resta dúvida, se ela pudesse, teria ido, não importa se para fazer face a uma cultura “hostil”. Bom, na mesma situação, se eu pudesse, também teria feito minha malinha e iria com certeza. Afinal, o que vale na vida é isso: convivência rica, que dê retorno (só caminho de ida não dá), que dê prazer, e carinho, muito carinho e respeito.

Também há uma cena interessante: Halima acredita que está fazendo o certo, ajudando alguém que não lhe fez nada de mal, e está determinada a ganhar dinheiro para sua peregrinação.  Os filhos são os primeiros a “jogar água fria” (filho é chatinho às vezes…), depois o grupo (vizinhos, outros da mesma fé, etc.) passam a hostilizá-la. Aí ela vai ao líder religioso da comunidade e ele lhe diz que não há nada de errado no que está fazendo. Devemos respeitar, quem nos respeita!  Se o Islã não foi agredido, se ela está sendo respeitada, o dinheiro ganho é tão bom quanto outro qualquer, e Meca a espera!

Pois é, tem gente que vai a Meca 10 vezes, não falta à sinagoga, não perde missa, está em todas as sessões do centro espírita, mas tem tão pouca generosidade em si, tão pouca tolerância, e tão pouca força para lutar pelo que acredita, para defender uma amigo, um parente em situações em que isso é necessário!

Além das duas senhoras, que são comoventes, há um quadro bastante interessante das convivências entre diferentes.  E como o cinema francês tem feito isso e bem!  Diz-se que os EUA são o cadinho do mundo, porque há gente de todos os cantos ali, mas quem está olhando com maior seriedade, mais criticamente, mais consciência e, por que não, mais corajosamente para a questão dos imigrantes sem dúvida é o cinema francês.

Bem, não sei quanto tempo fica o filme, já que está há algum tempo, é de 2007, e só em uma sala, mas se puder, vá ver.

31

de
janeiro

Esta foi difícil!

Tem dias que a gente se sente como quem….Pois é, foi difícil escrever sobre esta peça.  Normalmente, sendo bom ou ruim, eu não vejo a hora de colocar por escrito, mas esta aqui, me deu um desânimo danado: In on it (http://inonit.wordpress.com/).

Este artigo de O Globo ajuda a entender a questão (a minha questão): (http://oglobo.globo.com/cultura/rioshow/mat/2009/03/24/in-on-it-estreia-no-oi-futuro-com-fernando-eiras-emilio-de-mello-754970034.asp).  O texto é interessante. Na verdade a peça dentro da peça é que achei interessante: o formato, o que exige dos atores, o exercício.  É isso que dá ter muito tempo de estrada (idade), ter lido e visto muito.  A não ser que haja brilho incontestável, não encanta. Eu já vi tanta coisa no mesmo formado (filme dentro do filme, livro/história dentro do livro/história, peça dentro da peça…) que, como disse, a não ser que a coisa seja de fato de grande sensibilidade, criatividade, encanta, e este não foi o caso de In on it.  A peça está cantada e decantada, então deve ser boa, mas não gostei. Tão simples quanto.  Ou melhor, achei interessante, o que é bem pouco se comparado ao que está na mídia.

Primeiro o teatro: o Faap é relativamente pequeno, bem antigo, reformou poltronas, mas mantém uma distância indecente entre as fileiras.  O atendimento é muito bom: informações, venda por telefone (e, pasmem, não cobram as taxas abusivas que estão por aí), bilheteria, funcionários que recepcionam e orientam o público.  Enfim, um teatro que, se mais confortável, seria nota 10 e um dos melhores em SP.

Agora a platéia: a peça estreou há pouco aqui em SP. Parece que foi muito bem na temporada carioca. Quando comprei os ingressos por telefone (na terça para a sexta passada), já havia poucos lugares, mas poucos mesmo.  Tudo bem, saiu na Veja, saiu n’ A Folha, n’O Estado, etc., etc.  Mas o que vimos muito na platéia foram artistas, muitos Globais, outros não tão Globais mais muito conhecidos. Por exemplo, na ponta da fileira que escolhi, aliás no lugar que eu queria ter comprado, estava o Juca de Oliveira (ele está maravilhoso, gente!).  Bom como é para ele, perdoo o fato, mas de novo sacrifica-se o público pagante pelos tais convites. Havia outros do meio artístico por ali, identifiquei alguns (afinal meu conhecimento nessa área hoje é bem restrito, pois vejo muito pouca tv aberta, sobretudo a Globo).

E, last but not least, a peça: Por que ela não me surpreendeu, me aborreceu em alguns momentos, e acabou ficando no patamar “interessante”? Tudo bem que o Daniel MacIvor (http://en.wikipedia.org/wiki/Daniel_MacIvor) (http://www.danielmacivor.com/) seja premiado, mas isso não significa muito para mim: a realidade tem de superar a lenda, principalmente no caso das artes e, claro que há muito de gosto pessoal em tudo, de unanimidade indiscriminada, sobretudo hoje em dia, com o poder do patrocínio ou do patrono poderoso, da mídia.  Então não é porque a crítica, sempre alavancada pelo crítico da hora (é sempre assim, gente, não pensem que todo mundo que escreve suas notinhas esteve lá, viu, prestou atenção, ou sabe o que escrever sobre o assunto), pelo articulista da hora, pela personalidade da hora, que a gente vai achar a mesma coisa.  Livre arbítrio é a grande riqueza do ser humano, lembram-se?

Pois é, então começando do começo: eu mesma, aqui no blog, tenho um monte de textos (Uns e Outros) em que as personagens chamam-se Uma e Outra, Um e Outro.  Por quê?  Porque foi o insight da hora, achei que resolvia uma questão importante para mim, para colocar ideias, sentimentos, conflitos, resoluções no papel, e a coisa não ficar muito pessoal.  De onde tirei isso? Ora, claro que eu já vi isso em algum lugar (seguramente literatura), ou pelo menos o conceito certamente. Aproveitei, puxei do inconsciente e fiz do meu jeito.  E, olhem que não tirei isso do MacIvor,não!  Explico: quem são os personagens da peça (não da peça dentro da peça)? Esse Aqui e Aquele Ali.  So…

Há alguns momentos que até bem criativos,ou divertidos simplesmente. Um exemplo: ele brinca com a plateia: faltando ainda quase 20 minutos para o final, ou mais. Os atores dizem uma frase de efeito, tipo gran finale, apagam-se as luzes, e o público aplaude.  Fica um tempão assim, o público estranha, e aí volta tudo com os atores mostrando que pregaram uma peça no público.  Boa sacada.  Só um detalhe - os 20 minutos ou mais restantes poderiam ter sido reduzidos a 5 e não fariam falta.

Como mencionei, o que achei mais interessante foi a peça dentro da peça pelo rodízio de personagens por que passam os atores: homem, velho, mulher, criança. O texto é,obviamente, só instrumento, então é bem bobinho.  Acontece que vi isso também anteriormente, mas recentemente em Agreste com uma dinâmica bem mais efetiva, um enredo mais criativo.

Mas o que mais me incomodou (e isso não tem nada a ver com nada, poderia acontecer com a melhor peça do mundo ou filme do mundo), é que eu me lembrei, vendo-o ali, que nunca gostei do Fernando Eiras (http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Eiras). Nem em tv (áureos tempos de novelas da Globo), nem em cinema. No teatro é a primeira vez que o vejo, acho.  Na tv, sobretudo, sempre teve papéis secundários, mas mesmo assim nunca gostei: histriônico demais, olhos lacrimejantes, afetado demais para o meu gosto.  De novo, é ator premiado, fez mais que novelas na tv, então obviamente minha visão é bem particular, pessoal, sem subsídio “técnico”, mas é assim.

Quanto ao Emílio de Mello (http://emiliodemello.blogspot.com/), gostei muito de sua atuação. Eu me lembro dele em alguma coisa de tv, e, seguramente, nas peças do Mauro Rasi na década de 90.  Ele também dirigiu brilhantemente O Homem Inesperado (post meio antigo sobre, mas dá para ter uma ideia:http://pensaremburrece.wordpress.com/2008/01/14/teatro-o-homem-inesperado/).

Ah, sim, a peça, justamente por esse troca-troca de níveis (a peça, a peça dentro da peça, personagens de vários níveis), o timing é vital ou fatal. E acho que aí também a coisa não foi 100% no dia em que vi a peça.

Vejam bem, ainda acho que o espetáculo pode valer a pena: cada um, cada um.  Mas ir com a expectativa bem mais baixa do que aquela com que fui ao teatro, pode ser o melhor caminho para apreciar, ver o que eu não vi.

30

de
janeiro

Que bom que o passado não chegou pra gente!

Pois é, hoje foi dia de rever amigos do Fernão (quem???). Isso, da escola Fernão Dias Paes (http://www.fernaodiaspaes.org.br/), onde estudamos há quase quatro décadas! O Fernão era escola-modelo, dele saíram muitos cérebros privilegiados, campeões de olímpiadas escolares. Os professores eram benchmark em sua maioria.  Além disso, tem, desde sempre, um dos jardins mais bonitos de S. Paulo.

Fui para lá quando tinha 13 anos. Eu estudava numa escola de freiras (Notre Dame) e mudei para o Fernão para fazer o 4o. ano do ginásio (8a. série de hoje, acho) e o colegial. E foi difícil entrar! Além de prova de admissão, tive de fazer prova do programa que não tinha visto no colégio anterior, que até era muito bom.  Muita gente que estudou no Fernão entrou na USP sem cursinho. Eu fiz seis meses, e tive um desempenho muito bom tanto na USP quanto na PUC. Foram só 4 anos lá, mas ficaram amizades para a vida. Alguns dos amigos que revi hoje estudaram juntos desde o primário, ou seja, conhecem-se há quase 50 anos!

Claro que uns convivem mais com outros. Não dá para todo mundo ter o mesmo nível de contato. São profissionais de todas as áreas, felizmente todos bem sucedidos. Mas o que me deixa muito contente a cada encontro, é ver como estamos bem (não, não é falta de modéstia, ou falta de óculos, não).  Temos uma avó que se estiver ao lado da neta vai passar por tia, no máximo. Uma globe trotter e tenista que tem cara e físico de pelo menos 20 anos menos.  Uma professora da Poli que tem uma filha universitária e um filho quase lá e mantém a serenidade que tinha há décadas, lá atrás, um olhar de menina! Tem a amiga intérprete, que gira o mundo, ativíssima, e intelectualmente um azougue!  Tem os engenheiros de plantão, que estão na ativa, viajam, jogam golfe, e por aí vai!  Enfim, uma trupe muito diversificada com tudo em cima! Durante esses anos foram agregados alguns amigos (maridos/esposas, companheiros).

Falando assim, parece que ninguém nunca teve problemas, mas não é assim, não.  Como todos, meus amigos, e eu,  tivemos perdas (de entes amados, de oportunidades), arrependimentos, casamentos, descasamentos, dureza na carreira, esforço para construir uma vida digna, para poder viver e bem.  Mas estamos todos de pé, e com carinha de 30…talvez 40, máximo!! Espero que a gente caminhe outros 30 ou 40 anos do mesmo jeito.

Em nossos encontros para comemorar final/começo de ano, sempre fazemos uma brincadeira de troca de cds, dvds, e, neste ano, de livros também.  Cada um leva o que quiser.

Eu tive a sorte de, na brincadeira do tira e rouba e troca, ficar com o dvd do Yanni live at the Acropolis. Eu não conhecia o músico (http://www.yanni.com/index.aspx). Ao visitar uma amiga ouvi o cd e gostei bastante, e foi aí que o conheci.  O dvd que ganhei é de um show de 1994. Ele está cabeludo, de bigode, com umas roupas meio estranhas (acho que na época até eram bacanas), mas o show tecnicamente e musicalmente foi lindo!  Ele foi acompanhado pela Royal Philarmonic Concert Orchestra (Londres).  No final do post tem um link para uma das músicas apresentadas nesse show.  Hoje (vejam o link acima) ele está bem diferente. Afinal lá se foram 16 anos. Mas ainda assim, a música dele é bem interessante.  Lembra-me de Ricky Wakeman (http://pt.wikipedia.org/wiki/Rick_Wakeman), mas em outra dimensão obviamente. I.e., um músico que consegue dar muita vida, força, energia a sua música; que cria o diferente.  Além disso, ele pensa, expressa alguns conceitos interessantes, e parece ter uma calma interior imensa.

E para coroar, o almoço foi ali no Hideki (http://www.sushibarerestaurantehideki.com/) da R. Pinheiros. Um dia para lembrar daqui a 40 anos!

http://www.youtube.com/watch?v=hO3gxqN2qSs&feature=related

29

de
janeiro

Ai, meu Santo Clooney!

Fui ver  Up in the air (http://www.imdb.com/title/tt1193138/) que deu em Amor sem escalas (hein????), com Geoge Clooney.  Como Clooney já atuou em e dirigiu coisas fantásticas (e.g. Burn after reading; Good night and good luck;  Oh, brother, where art thou?, etc.), sempre que o vejo me dá a impressão de que o filme da hora será também incontestavelmente muito bom.  Mas a gente às vezes “entra pelo cano” com essas assumções. E foi o que aconteceu com Amor sem escalas.

Obviamente, Clooney é que segura o filme, consegue, com seu bom desempenho e charme, transmitir a mensagem.  A  Anna Kendrik, que faz o segundo papel (Natalie), também está ótima!  Ela agrega muito, e deve ser bem novata, não tem muitas partipações anteriores na biografia.  E sabe que o enredo, ou tema do filme, não é ruim? Mas, num determinado momento, descamba, fica  piegas, melodramático, e o encanto se perde.  Há alguns momentos bem divertidos, dá para dar uma risadinha, mas não cativa.  É como se fosse uma coisa amorfa, a gente não consegue definir direito o que é, fica meio insatisfeito, com sentimento de incompletude. É um filme para preencher tempo, não agrega nada, não aborrece, ou seja, tipo nem fú,nem fá.  A intenção é boa, aliás ótima, mas não há delivery.

Trata da vida de um homem que viaja pelos EUA durante 300 dias no ano. Sem vínculos sentimentais, afetivos, apenas envolvimentos ocasionais. Ele viaja tanto que atinge 10 milhões de milhas voadas com a American Airlines. O 7o. na história o feito. Dá gosto ver a prática que ele tem para arrumar mala! E que malinha - tenho de aprender para fazer isso na minha próxima viagem…

Tudo o que faz em termos logísticos (avião, aluguel de carro, refeições, etc.) visa acumular pontos para atingir os tais 10 milhões.  Ele é pensamento, comportamento, sentimento, ou seja, corpo e alma pragmáticos e mais nada!  Lá pelas tantas, encontra uma moça com quem começa a se relacionar mais “comprometidamente”, o que altera seu jeito de ver a vida.  Sua nova colega de trabalho também o ajuda no processo.  Ele não deixa de ser compreensivo, generoso, paciente com ela.  Há também o lance do casamento da irmã (esse imbroglio é bem divertido, até).

Agora, o que faz o Sr. Bingham?  Ele demite pessoas!  Isso, ele é contratado para demitir pessoas, fazer o que o empregador não tem coragem de fazer.

O filme só não é uma nulidade total justamente porque discute as reações das pessoas diante de uma situação crítica, catastrófica, dramática como a perda de um emprego em tempos de crise (lembrem-se: EUA, há algum tempo ou ainda hoje…). E também discute a escolha de alguém que é “globe trotter”, que não quer vínculos, mas que pode muito bem viver bem sua vida, aproveitá-la, sem adquirir o status de “solitário deprimido”. Essa postura é que é questionada o tempo todo e faz o filme perder o apelo do inusitado, o diferente, da discussão transparente.  Quando a gente pensa que a discussão vai para um lado mais inovador, corajoso, diferente, ela faz meia volta e fica na percepção comum, prosaica. Mas ainda assim, o tema não deixa de ser interessante; acho que talvez tenha sido só foi mal trabalha do.

Considerando que um GClooney na mão vale mais que dois voando, não dá “perda total”.  Mas não espere grande coisa. Cabeça cheia, preguiça de pensar, tempo de sobra? Pode ir, então.

27

de
janeiro

Valeu o esforço!

Depois de ter lido sobre o Le Jazz Brasserie (http://www.lejazz.com.br/Le_Jazz/Brasserie_Le_Jazz.html) em publicações e montes de blogs (e.g. http://www.guloseima.net/2010/01/20/o-novo-le-jazz/) voltados à gastronomia, ter gostado do jeitão do lugar, da proposta fiquei curiosa.

A primeira tentativa foi em 20/1 - quarta-feira. Liguei na tentativa de fazer reserva, mas os lugares passíveis de reserva para o jantar já estavam esgotados (o restaurante é pequeno-38 lugares-, mas muito bem ajeitado), e, claro, não reservam todos os lugares.  O atendimento por telefone foi muito gentil e me disseram que se eu chegasse até 20h30 máximo haveria possibilidade de uma mesa para 2 sem muita espera.  E lá fui eu com meu fiel escudeiro para a aventura de conseguir um lugar no restô.  Francamente, eu não estava acreditando que a coisa fosse tão “feroz”, mas foi!  Chegamos lá por volta de 20h20 (o restaurante abre às 20h). A casa estava cheia, todas as mesas ocupadas, e com 5 pessoas na espera. Nem perguntei quanto tempo levaria. Aaaah, tenha dó, né?  E aí fomos ao La Marie (), que fica pertinho.

E aqui cabe menção ao La Marie (post de 17/9/2009) (http://www.lamarierestaurante.com.br/site/index.asp).  Foi ótimo ter ido lá. Ambiente tranquilo, também pequeno, toalhas brancas, guardanapos de tecido, decoração simpática, atendimento razoável, bom fundo musical, e suflês especialíssimos. Mesmo sendo uma quarta, e mais caro que o Le Jazz, por volta de 21h já estava quase cheio.

Além do couvert, pedimos um risoto de três cogumelos e um suflê de brie.  Os dois estavam muito bons. De sobremesa um petit gateau e um suflê romeu e julieta, que estava fabuloso!  A conta bateu em $80/pessoa, com refrigerante, serviço.  Mas valeu a pena a visita, até porque o suflê, como leva tempo para preparo, deu aquela acalmada depois da correira para tentar um lugar no Le Jazz. Que estresse! Mas passou rapidinho, felizmente, e no melhor estilo.

E como uma boa taurina, o Le Jazz ficou na mira de tiro…Na quinta já liguei para fazer reserva para esta semana.  E a noite foi ontem!

Acredito que todos devem ter passado por isso aqui em SPaulo: chuva por mais de hora, caindo o mundo, tudo inundado, tudo parado, não dava para ir nem vir de muitos lugares. Mas eu não desisti! Afinal sou brava, sou forte, sou filha do norte (um tantinho de exagero, né?!)…Mesmo com uma hecatombe, tendo de dar a volta na cidade para poder chegar a Pinheiros, lá fui eu.  Afinal a reserva era para as 20h, com 10 minutos de tolerância.  Levei uma hora e vinte minutos para ir da Barra Funda até Pinheiros, passando pelo centro da cidade, via Angélica, Dr. Arnaldo e Cardeal. Um verdadeiro “tour deforce”, mas deu certo.

E para cumular o sucesso da operação “escapa-da-chuva-chegando-ao-destino-no-horário”, conseguimos chegar às 19h58 no restaurante.  Estava fechado ainda, mas abriu em seguida. Além de mim e de meu escudeiro, só mais uma pessoa sentadinha no banco na frente do restaurante aguardando seu/sua acompanhante.  Fomos os primeiros a entrar, a sentar, escolhemos lugar. Uma beleza!

O serviço/atendimento foi simpático e efetivo, eu diria, durante todo o tempo.  O restaurante lotou por volta de 20h30.  Quando saímos, por volta de 21h45, ainda estava cheio e com pequena espera. Vejam bem, isso numa terça, com a chuva que acometeu São Paulo, com o caos por toda a cidade!  Tomar que continuem assim…

Ao que interessa: a comida! Estava ótima. Os pratos são generosos e no final, “miracolo”!, $53/pessoa, com entrada, prato principal, sobremesa, refrigerante, suco, café, serviço.  É preciso esclarecer que dividimos a entrada e a sobremesa, mas foi mais que suficiente para nos satisfazer quanto a sabor, paladar, e “alimentarmente”.

Vi que têm opções de vinho em taça interessantes e a bom preço, mas não optei por vinho ontem.

Tudo começou com serviço que, acredito, catapultou o lugar pelo lado curioso: servem um couvert (pão gostoso, crocante, com manteiga) acompanhado de água mineral. Aliás a água é reposta sem custo durante toda a refeição.  Feito nos EUA. Que coisa mais simpática e civilizada!

Pedimos uma entrada (brie com mel coberto com uma casca de pão assada, acompanhado de uma fatia generosa de pão também crocante e torrado), que dividimos. Era bem grande, e comemos até não mais poder. Estava muito boa. Depois um filet au poivre e o hachis parmentier (http://en.wikipedia.org/wiki/Hachis_Parmentier) feito com rabo desfiado e acompanhamento de uma saladinha. Este estava levíssimo, uma delícia! Muito saboroso!  As porções são generosas então foi muito sacrificante chegar à sobremesa.  Por consenso, ficamos com uma torta de chocolate com macadâmia, acompanhada de sorvete de creme.  Também muito gostosa, sem ser enjoativa, sem pesar.

Resumo da ópera: um jantar delicioso, valeu a visita, a reserva, a luta para vencer as águas de janeiro e chegar ao restaurante na hora marcada.  O que ficou foi vontade de experimentar outros pratos. Então, vou recuperar forças, e me programar para outra incursão, que espero, numa próxima vez, seja menos parecida com um filme de Indiana Jones: “No reino das águas abundantes”.

25

de
janeiro

Quanta diferença!

Pois é, como esbocei em meu post de 20/1/10, tem gente que tem uma personagem pronta nas mãos e consegue acabar com ela, ou quase, caso do Downey Jr. Afinal SHolmes já foi interpretado muitas vezes, em cinema, teatro; os livros dão uma grande base para a personagem, mas nem assim. Enquanto que um superator, como Malkovich, aparece no filme e já joga no colo da plateia uma personagem pronta, desenvolvida, riquíssima. Aí é só saborear, ver as nuances.

E foi assim com A mente que mente (http://www.imdb.com/title/tt0460810/), que está em pouquíssimas salas, meio relegado. Ali no Bristol está na menor das salas, acho. Cento e poucos lugares!

É um filmaço! Produzido pelo Tom Hanks. E olhem que participa o filho dele, e são corajosos, pois os dois têm duas participações tête-à-tête. O menino é corajoso, aliás, pois eu não gostaria de dar para outros a oportunidade de uma comparação tão descarada com um pai tão reconhecido, superator, carismático!  O rapaz, Colin Hanks, que faz o segundo papel do filme (estava dando uma olhada na filmografia dele e é extensa, sobretudo para tv), se sai bastante bem. E para sorte, acho, ele não lembra muito o pai fisionomicamente.  Enfim, pode dar samba!  Não vejo nele o que vejo no pai, desde os tempos d’antanho, mas as perspectivas são boas. E ele tem um ótimo professor!

A personagem principal, Buck Howard, é aquilo que se espera de um ser “estelar”: vaidoso, autoestima lá em cima, o mundo todo aos pés, mundo que está aí para aplaudir, ninguém se compara, quer tudo do seu jeito, na sua hora, enfim: o ser autocentrado por excelência (e todos os artistas, os que se acham criativos, únicos, não são esse porre? São, claro! Alguns mais outros menos.). Mas o mais importante, o homem é bom no que faz - o mentalista, quero dizer.

Malkovich dá um banho: é hipnotizante! O filme não tem nada de grandioso em termos de produção: fotografia sem muito glamour, cenários idem, trilha musical assim-assim, mas a personagem que o ator construiu é magnífica!  A direção acertou, sem dúvida. Está tudo no seu lugar, tudo no timing certo, na dose certa, e tem um humor bem dosado, tem muito jogo entre as personagens, momentos de verdadeiro thriller. Muito interessante! Uma delícia!

Eu pretendia ver outro filme, mas acabei optando por esse, e ganhei a segunda-feira pela segunda vez, já que ganhei pela primeira por ser um feriado (ieebaaa! Viva S. Paulo! 456 anos!).

Trata-se da história de um mentalista (não ilusionista - vocês entenderão a diferença durante o filme) que teve muito sucesso, é relegado, some de cena, que como fênix reviver. Só que faz uma opção inesperada, considerando sua personalidade autocentrada e um tanto megalômana, mas a gente entende tudo, e aplaude.  O mentalista tem um “road manager”, Colin Hanks, que está procurando um rumo na vida e, com a experiência que adquire junto ao mentalista - não experiência profissional, mas humana -, consegue achar seu caminho.

Não deixe de ver em hipótese alguma!

24

de
janeiro

Uma data para lembrar (sempre!)

Hoje minha mãe faria 74 anos. Aliás, para mim ela faz.  Ia até fazer um passeio de balão para ter uma comemoração particular - minha mãe adoraria estar junto-, mas não deu devido às chuvas. Vai ficar para final de fevereiro.

Várias pessoas me dizem que é melhor deixar os que se foram, não ficar lembrando. Como assim? Se de minha mãe só lembro o que é bom, só tenho lindas lembranças que me confortam, se é nela que encontro forças para seguir meu caminho com alegria, otimismo, vontade, certeza de que vale a pena?

Seremos companheiras hoje e sempre, é assim que sinto.

Mas só dá para dedicar este dia, que é mais um de minha vida tão privilegiada (eu faço minha vida assim, isso não veio de graça!), para minha mãe que me ensinou coragem, força, que sempre há um caminho, que é preciso ter vontade, se respeitar e gostar muito de si acima de tudo e ser independente em todos os sentidos. Herdei coisas boas dela, não todas- falta muito!, mas o que aprendi tornou minha vida muito melhor, sem sombra de dúvida.

Então, parabéns, Da. Olga!

24

de
janeiro

Entre uma pancada de chuva e outra

Pois é, é assim que nós, paulistanos, estamos vivendo neste mês de janeiro. Chove, chove, chove…e não cansa de chover.  Hoje foi um típico dia “entre-pancadas”.  Estava para sair e almoçar e bateu aquela chuva. Esperei uns 15 minutos e parou.  Fui almoçar no Dois (abaixo), fiquei por ali uma hora e pouco e saí para o cinema.  Tudo sequinho, cinza, mas seco.

Quando estava esperando para entrar na sala do cinema, chuva, chuva, chuva.  Ao final do filme, lá pelas 15h40, trovoadas, barulho de chuva forte.  Saindo do cinema um guarda-chuva básico foi necessário.  Ao chegar em casa, 10 minutos depois (a pé), adeus chuva.  Às 16h chuva de novo!  E muita. Barbaridade…temos de regular o despertador do relógio, do celular, para o “entre-chuvas”, assim a gente sai correndo, faz o que tem de fazer, volta ou se abriga antes de ELA chegar. Sai de novo, e por aí vai.

Minha sorte é que moro em um bairro onde tudo, mas literalmente tudo é fácil, perto e em profusão/variedade de escolha.

Bom, ao que interessa: primeira parada seca: Dois (http://www.restaurantedois.com.br/). O restaurante abriu há um ano ou pouco mais, talvez.  Sempre me esqueço de ir ali (gosto muito do Sinhá que fica na esquina da Pinheiros com a Antonio Bicudo, a uns 30 metros do Dois, então acabo indo ali por inércia). Mas hoje, quando estava indo para o Sinhá, vi o restaurante aberto e me decidi por experimentar.  Como ainda não eram 13h, estava vazio. Deu para notar o cuidado da casa: aproveitaram muito bem o imóvel, a decoração é clean, de bom gosto, aconchegante. Além disso, tem um grafite na parede do corredor externo que é muito bonito (foto aqui em cima) (quem sabe minha próxima tatoo?!).  Mas como a gente já sabe: toalha branca, gente treinada, guardanapo de tecido, ambiente arejado, decoração bem pensada, tudo isso custa. Não precisava custar tanto, mas o pessoal aproveita.  Portanto, como se pode ver no menu (http://www.restaurantedois.com.br/assets/galleries/menus/_resampled/ResizeRatio605851-dois-cardapio-Vero-2010-editavel-III1.jpg), qualquer prato sai por $20,00, mesmo uma saladinha. E vamos e venhamos, comi uma salada gostosa, com queijo Prima Donna, nozes tostadas e um molho bem saboroso, mas é uma salada, gente! No cardápio diz que tem trufas, o cheiro talvez… De qualquer forma estava saborosa.

Como não conhecia a casa pedi um nhoque de cará, com quiabo frito (uma surpresa! sabem que fica ótimo assim? Dá para ser um grande acompanhamento para cerveja, um petisco bom mesmo!), ragu de galinha caipira (bem salgado para o meu paladar). O nhoque estava saboroso, mas é bem molengo, já que não deve levar nada de farinha - o gosto do cará é bem marcante. Saboroso, mas não gostei da consistência. Prefiro a consistência do nhoque tradicional com batata, batata, batata e um pouco de farinha (não o contrário).  O prato no geral foi mediano ($ 30,80).

Ah, sim, pedi uma água sem gás (garrafinha pequena $4!!), e uma taça de vinho (na verdade veio uma garrafinha que dava para umas duas taças = $16).  Infelizmente só têm duas opções de vinho em taça: ambos Alamos, o Malbec e o Chardonnay. Fiquei com este último,  já que não sou muito amiga dos Malbecs, sobretudo dos vinhos argentinos em geral.  Podiam ter mais algumas opções, afinal o restaurante deve estar preparado para sacrificar vez por outra umas garrafas, já que o lucro que têm por copo é exponencial. Enfim, fiquei com meu branquinho abaixo da média.

Para a sobremesa (o cardápio é enxuto, mas as opções para todas as categorias: entrada, aves peixes, etc., são interessantes), como já estava bem alimentada, procurei algo levinho. Escolhi espuma de chocolate branco, com geléia de cupuaçu e telha de castanha do Pará (outros $16,40). Estava bem saborosa e leve.

Resumo da ópera: incluindo café (outros $4!!) e o serviço (bastante atencioso e efetivo), bateu nos $100. Caro mesmo, considerando que não comi nenhum prato com lagosta, camarão, ou outro item mais sofisticado. Claro que há o cuidado na preparação,  a leveza de tudo que provei, a boa apresentação, o ambiente, a tolha, o guardanapo de tecido como mencionei, mas é um pouco demais. E, infelizmente, isso está grassando por S. Paulo, que já foi um lugar bom e barato para se comer muito bem. Bom, eu paguei hoje porque não conhecia, e me deu vontade, mas acho que não volto tão cedo. O interessante é que para um restaurante desses se manter deve ter uma clientela razoavelmente fiel.  Ele é bom? É. Mas é caro. Então alguém mantém esses lugares e perpetua o vício, o problema, o quadro pouco razoável, irreal que observamos hoje.  Comer em NY ou na Europa, em euros, fica mais barato. Alguma coisa está errada! E muito!

Depois foi a vez de Chéri (http://uk.imdb.com/title/tt1179258/).  Uma delícia de filme com a estonteante Michelle Pfeiffer, e a maravilhosa Kathy Bates.  Chéri é interpretado por Rupert Friend, mais um andrógino do pedaço. Francamente, acho que o tempo dos andróginos em cinema (sobretudo rapazes relativamente bem apessoados, com trejeitos, modos, feições, físico indefinidos) já deu…Enfim, o menino faz direito seu papel de garoto mimado, “bored” até a medula, que se entrega aos prazeres mundanos, sobretudo sexo, numa vida improdutiva a cada minuto.  Até tem um apelo dramático, num determinado momento, quando percebe que precisa crescer, se libertar, “virar homem”, agarrar seu destino com as próprias mãos. Ou seja, RFriend dá conta do recado bem.

O filme foi baseado num livro de Colette (http://en.wikipedia.org/wiki/Colette), que, pela biografia, viveu mais ou menos o que viviam as mulheres retratadas.  Em pleno final do século XIX e começo do XX, casou-se três vezes. Rodou mundo. Teve seus casos, escreveu - e foi sucesso; e devia escrever “pas mal du tout” já que alguns de seus livros foram base de mais de um filme, de peça de teatro. Também enveredou pelo verso e pintura.  Ela foi da “pá virada” (http://www.fernandodannemann.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=287211), como diriam nossas mães e/ou avós.  No mínimo soube observar com olhar inteligente e crítico seu tempo, seus pares, e colocar tudo isso de forma atrativa no papel.

MPfeiffer além de linda está ótima: uma delicadeza de representação de uma mulher do mundo, vivida, mas que se deixa apanhar na rede da uma paixão, emergindo dela com valentia, coragem, sem deixar de lado sua boa natureza.  Uma lady! apesar de ser uma prostituta.  Já não é o caso de KBates. Representa uma mulher que colocou seu negócio acima de tudo, inclusive do filho (Chéri), e continua terra-a-terra, pé no chão até não mais poder, ou seja, contraponto de Lea/Pfeiffer.

Um filme bonito: fotografia, guarda-roupa, música.

O filme se inicia e termina com um narrador (Stephen Frears/diretor (http://pt.wikipedia.org/wiki/Stephen_Frears)).  Muita gente não gosta disso, mas eu gostei bastante da voz, da entonação e da perspectiva diferente, da dinâmica que introduz. Aliás, Frears é um dos diretores de que mais gosto.  Dele vi (muitos de vocês também, seguramente):My beautiful laundrette; Dangerous liaisons; The grifters (Os imorais, com Angelica Houston); The Queen (lembro-me destes, mas deve haver outros).  E seu Chéri não deve nada em beleza, ritmo, conteúdo a esses outros. Vale a entrada.

23

de
janeiro

Saki é muito bom, você não acha?

Pois é, esse é o pseudônimo de um dos mais conceituados autores britânicos do final do século XIX e início do XX.

Conheci Hector Hugh Munro, aka Saki (http://en.wikipedia.org/wiki/Saki), há uns 10 anos. Estava fazendo um curso da Alumni pela internet, e o livro utilizado era uma coletânea de contos e havia um ou vários de Saki, não me lembro bem, que foi/foram usados para que pudessemos escrever nossos ensaios.  A primeira impressão foi ótima!  Depois disso, livro vai, livro vem, nunca mais cruzei comas obras do autor.

Recentemente, vi uma publicação da Hedra de Um gato indiscreto e outros contos, que era a oportunidade de eu conhecer um pouco mais do autor que me causara tão boa impressão.

Só uma observação sobre a Hedra: parece-me que está publicando clássicos, ou obras de domínio público, ou algo do gênero. A preparação do texto é cuidadosa. Há muito poucos erros.  O projeto gráfico também é até criativo, de bom gosto. Mas a impressão…barbaridade! Umas letrinhas minúsculas, ou pelo menos bem menores que o padrão ou o que é comum. E não sei se por isso ou pela cor escolhida, um preto esmaecido, a coisa fica pior ainda. Pequena e fraquinha. Não me parece que seja material reciclado, então quem sabe se fosse assim o livro poderia ser maiorzinho, com letras maiores e uma “cor” de impressão mais decidida.

De qualquer forma, o conteúdo é muito bom. Saki tem humor, às vezes um tanto macabro (ele me lembra Roald Dahl  (http://pt.wikipedia.org/wiki/Roald_Dahl - post de 27/12/09 )), um observador da sociedade britânica, sua cultura, seus hábitos e inconsistências.  Foi influenciado por Wilde, Lews Carroll, e influenciou Noel Coward, por exemplo.

The Open Window/ A janela aberta é divertidíssima: uma moça inventa uma história daquelas, bem crível, e consegue assustar um visitante engenhosamente, e se diverte com isso, claro! A omelete bizantina já trata de greves, sindicatos; A loba conta a história de um esotérico colocado à prova; A cura do desassego e O tigre de Mrs. Packletide mostram como há gente dissimulada por aí; O camundongo: o máximo do embaraço, e por aí vai.

Enfim, leitura instigante, bem forte, engenhosa, com observações pertinentes, detalhes interessantes. Vale conhecer.

22

de
janeiro

Uma boa surpresa que veio dos Andes

Ontem foi noite de ir ao Killa (http://www.killa.com.br/index.html).  Um restaurante que pelo Paladar (Estadão) superou La Mar (post de 15/8/2009), Shimo, Spot e Ají.  Cozinha novoandina.

O lugar é pequeno, mas bem ajeitado, agradável, confortável, despretencioso.  O cardápio é enxuto, mas bem montado.

Fui lá para comer ceviche, prato de que gosto muito, mas acabei provando outros pratos também muito saborosos e bem preparados. Não tinha certeza do tamanho do lugar, então, para garantir, reservei lugar.  Quando cheguei, por volta de 20h, o restaurante ainda estava vazio, mas encheu rapidamente e assim ficou até eu ir embora, por volta das 23h.

Estão com um festival de ceviche, com umas oito variações do prato.  Além disso, têm um menu degustação básico a $70, composto de: causa de bacalhau (troquei pelo ceviche tradicional: ótimo!); polvo e tiradito de salmão. Nesse preço está incluído um pisco sour ou chicha morada (suco feito de milho “morado” (cor de vinho) muito saboroso). É caro? Sem dúvida! Até porque, se se somar a sobremesa (degustação a $18 para duas pessoas), a conta bate nuns $90 a 100; mas os ingredientes são polvo, mariscos/ frutos do mar, peixes, milho “morado”, ie, itens importados, além de temperos de excelente qualidade. E, francamente, a degustação mais sobremesa é bastante coisa, acho que demais mesmo para um jantar.

Talvez, para a noite, o ideal seria um ceviche, ou outro prato principal qualquer, e a degustação de sobremesas.  Aí a coisa já baixa para uns $70, mesmo com o pisco ou chicha.  Continua caro, verdade, mas com essa base de ingredientes e o cuidado que têm na preparação fica na média do que está na praça.

Desde o atendimento para reserva, recepção no restaurante, apresentação dos pratos, atenção dos donos, tudo foi excelente. Eles têm bastante cuidado com os clientes.

Como mencionei, fui lá pelo ceviche, mas o cardápio tem outras opções interessantes.  Claro que não dá para voltar toda semana, mas pretendo retornar para provar alguns outros pratos.

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