18
de
dezembro
Tempos de festa (e sacrifícios também)! (2)
Ontem foi dia, aliás noite, de fazer um passeio pelo centro de S. Paulo que queria fazer há algum tempo. Juntei o útil ao agradáve. Como estamos em tempos de Natal, a iluminação da cidade está bem bonita em alguns lugares e como gosto disso tudo, bem como do centro, de fazer passeios a pé, ia ser o máximo.
Perceberam o tempo verbal? Pretérito imperfeito? Pois é, foi isso mesmo: imperfeito!
Contatei um guia que participou do passeio a pé que fiz com a ArqTour pela Liberdade (post de 27/06), e que, à época, havia me dado seu cartão. Supersimpático, sem dúvida! Liguei, confirmei o passeio, e lá fui eu. Saída? 20h da frente do Teatro Municipal.
Aqui cabe uma observação: o Teatro Municipal (http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/teatromunicipal/) está em obras, reforma. Imagino que a reinauguração esteja prevista para 25 de janeiro, dia do aniversário da cidade. Não imagino por que não pensaram em deixá-lo pronto para o Natal, afinal é um monumento importante para a cidade, quando está em ordem tem uma decoração natalina muito bonita, que vale a pena ver. É, planejamento inteligente/coordenado não é o forte da administração da cidade.
Voltando à noite de ontem: cheguei às 19h30 na Xavier de Toledo. Aproveitei para ir ao banheiro (São Paulo não é pródiga em estabelecimentos com banheiros públicos, principalmente no centro) no Shopping Light (http://www.shoppinglight.com.br/). Eu odeeeeiiiooo aquele shopping! Apesar de terem se valido de um prédio lindo (a decoração de Natal até está bonita, vocês verão nas fotos/fimes do link abaixo), usaram o espaço interno muito mal. Além disso, como um local público, comercial, de 4 andares se não me engano, tem banheiro só no segundo andar, e pago! $0,50! Não é pelo valor, mas pelamor!!! E tem segurança na porta, do banheiro claro! Francamente, banheiros gratuitos não são um pressuposto de negócios do gênero? Não importa se está em local de grande circulação externa, muita gente entra ali (eu, por exemplo) para usar os banheiros apenas,mas e daí. A gratuidade, nesse caso, não é pressuposto? A sinalização inclusive é ruim, a gente dá voltas para achar os banheiros (um masculino e outro feminino), ruins, e mal mantidos.
Seguindo…Vou para a frente do teatro e ligo para o guia para saber se estão por ali. Caixa postal e nesse exato momento, 19h45, começa a chover de monte! Felizmente, tem a Casas Bahia ali onde ficava o Mappin, e deu para me abrigar da chuva sob a marquise (em meio aos vendedores de cd piratas…eles são moderníssimos: têm walktalkies, têm códigos para os postos coligados, um negócio!). Claro que eu tinha guarda-chuva e uma parca, mas chovia muito mesmo! Chegou perto de 20h e me pareceu reconhecer o guia (eu o havia visto só uma vez, durante o passeio à Liberdade). Liguei de novo e desta vez ele atendeu. Juntei-me ao grupo.
Antes de começar a narrativa da saga, reforço o que já devo até ter escrito em algum post, e repito sempre em conversas: não é porque é de graça que precisa ser ruim! Vocês entenderão mais adiante. Outro ponto importante: sou fã de passeios a pé! Já fiz isso aqui em S. Paulo e em outros países várias vezes! Guiado por um bom profissional, é a melhor forma de conhecer uma cidade, mesmo se a topografia não for das mais favoráveis. Minha experiência é de que sempre vale a pena.
Retomando: o grupo para o passeio ficou bem grande, por volta de umas 20 pessoas aproximadamente. O passeio é promovido pelo restaurante Apfel (http://www.apfel.com.br/) do centro, gratuitamente, e acontece todas as quintas, sempre da mesma forma (saída às 20h da frente do Municipal), e a cada semana, até onde entendi, com um roteiro temático diferente. E.g., semana passada, em comemoração ao tema direitos humanos, o passeio ateve-se ao que pudesse estar conectado ao assunto. O passeio também é apoiado pela Associação Viva Centro (o representante AVC que encabeçou também é dono, ou um dos, do restaurante) (http://www.vivaocentro.org.br/hp.htm).
Saímos com atraso de 15 minutos, ainda sob chuva forte. Ué, quem sai na chuva…e depois o centro não inunda, pelo menos na parte mais alta, então não havia por que não fazer a caminhada. A primeira surpresa: uma música entoada por um coral - vários participantes se conheciam, ou de outros passeios, ou do referido coral, ou por terem se cruzado em momentos de formação relativa a turismo (cursos, workshops, faculdade), ou do próprio Apfel, ou da AVC. E o coral cantou (nem me perguntem o quê, porque minha estupefação não me deixou registrar, felizmente): uma música, duas…Aos que conhecem, eu diria que algumas performances estiveram muito próximas de Miriansa…Pura maldade…fizeram o que puderam nas circunstâncias.
Bem molhados, seguimos pelo Viaduto do Chá que está bem bonito. A novidade deste ano, além da miríade de lampadinhas, é uma iluminação que simula gotas caindo das árvores. Bem bonito. Mesmo na chuva (vejam foto) deu para ver a beleza das luzes. O prédio da Prefeitura também está bem bonito, mas não mais que o do Shopping Light. Fora isso, a Faculdade de Direito está bonita como sempre.
Nossa primeira parada, e última lamentavelmente, foi no Convento de São Francisco (http://www.franciscanos.org.br/noticias/noticias_especiais/sfrancisco06/p_03.php), ali atrás da Faculdade e da Igreja. Fomos lá para ver a 20a. Mostra de Presépios. Antes do início da visita, o Frei Melo fez um rápido apanhado da história do convento e da tradição dos presépios (http://pt.wikipedia.org/wiki/Pres%C3%A9pio). Eu não sabia, por exemplo, que o primeiro presépio foi “montado” justamente por S. Francisco e que na igreja de Assis há um concurso mundial de presépios muito concorrido. O que me surpreendeu um pouco foi a pouca cultura ou clareza de discurso do frade. Ele não soube explicar (deu uma enrolada federal ou celestial, como queiram), por exemplo, a diferença de uso entre frade e frei. (Diferença seugndo Dic. Caldas Aulete: Frei / sm.1. Membro de ordem religiosa; FREIRE [Us. à frente de nome: frei] // Frade/ sm. 1. Rel. Indivíduo pertencente a ordem religiosa cujos membros seguem uma regra de vida e vivem separados do mundo social secular; FREI: Ele quer tornar-se frade franciscano). Parece bobagem, mas é o core do que ele faz. Enfim…foi uma preleção relativamente curta, mas interessante.
Vendo a mostra, lembrei-me de que a visitei há uns 4 ou 5 anos e, francamente, até onde me lembre, esta é igualzinha à que vi, com exceção do presépio esculpido em tronco de árvore - talvez este até estivesse na exposição anterior,mas não me lembrei dele.
Os presépios pertencem ao acervo do convento, ou a um ou outro frade, então não muda mesmo. O lugar é acanhado, mal preparado (não o local onde está a mostra em si, mas o acesso). Aliás lamentável o desmazelo, o descuido. Sujeira, falta de manutenção, num prédio de 4 ou 5 andares, que tem até elevador para pouco mais de 1/2 centena de frades. Não é porque se cuida do espírito que se larga o corpo. Afinal os dois são dádivas e criação de Deus, para aqueles que creem. Bom, de qualquer forma, a visita aos presépios (fotos e vídeo), o que não levou mais de 20 minutos (e olhem que eu vi duas vezes a exposição toda). Mas o pessoal foi ficando e ficamos quase uma hora ali!!! Como a chuva continuava, não haviam definido se continuariam ou não a caminhada - muito cacique, isso é que dá - pensei: são quase 21h30, vou embora para casa e noutro dia faço o passeio sozinha, pois a única coisa diferente, mais especial, era justamente a visita ao convento. Desço até a porta de saída e o que encontro? A porta trancada a chave! Pelamor…e não dava para ir lá e pedir para o Frei Melo abrir já que o grupo estava trocando orações animadamente com ele. Então, aguardei que o grupo estivesse pronto para partir. E tome mais duas músicas com o coral!
21h38 e consigo minha libertação: Aleluia! Ainda estavam decidindo se iam para o Páteo do Colégio ou se voltavam para o Municipal. And the rain was still pouring!
Bom, aí fui invadida pelo diabinho da impaciência, apesar da visita santificada, e, por minha conta, fui embora. Fui até a Líbero Badaró, peguei um ônibus qualquer para sair dali. Na Consolação peguei outro para ir para casa. Mas vocês acham que terminou? Never!! My name is ENDLESS adventure!
Peguei um ônibus até que rapidamente, bem vazio (22h). Sentei-me e, de repente, o ônibus entra num posto de gasolina. Ai, minha nossa, o que foi agora? E o cobrador pede uns minutos pois vão lavar o carro. Hein???? Só aí, alertada por outro passageiro, percebo que no banco de trás tem vômito para todos os lados. Aparentemente um ubriaco pegou o ônibus num ponto, vomitou e desceu no outro.
Bem, jogaram uma boa água em tudo e seguimos viagem. Diante da porqueira, mudei de lugar. Fui lá para o fundão. Dois assentos à minha esquerda, na janelinha, senta-se um rapaz bem apresentável, carinha boa, que começa um interminável diálogo com ele mesmo ou com algum ser imaginário. Não deu para saber exatamente qual dos dois era, mas deixei passar…estava muito cansada. Aí é que começou a coisa: desatei a rir feito louca, e não conseguia me segurar. Depois de lembrar o mico-mor que tinha sido aquela noite, não deu para segurar. Mas, como dizia minha mãe e eu repito sempre, o negócio é fazer uma limonada com os limões. E foi isso que eu fiz. E olha que a limonada foi até do tipo suíça, pois ainda rendeu um bom texto para o blog.
O que ficou da noite: (1) eu conheço muito bem a minha cidade. Em alguma noite, até o dia 30, vou dar um passeio solo à noite para ver tudo que há iluminado por ali. Talvez não tenha as informações de quantas lâmpadas, quanto custou, etc. - o que está nos sites oficiais é bem fraquinho -, mas me viro e vejo o que é importante; (2) SPaulo é bonita mas está feia, graças à incompetência administrativa municipal. Que desmazelo, que sujeira, que mau cheiro (SP para mim, há muito tempo, cheira urina - judieira, esse é o cheiro da minha cidade!)!; (3) eu já intuia e é o que digo aos quatro ventos, e a pessoa do Viva Centro disse com todas as letras: não falta dinheiro à cidade, falta vontade política, falta pensar a cidade, falta empenho, falta capacidade, competência! Até quando?; (4) SPaulo está muito menos iluminada que em outros anos, talvez resultado da falta de painéis publicitários, está escura, triste, ôôôô peninha!!!
Se o tempo ajudar, vou pegar uma noite dessas e revisitar o centro da cidade. Se der tudo certo - outro mico não,por favor!! - aviso vocês.
Links fotos/filmes:
http://picasaweb.google.com.br/miriamkeller/SPanoite1712200902?feat=directlink
http://picasaweb.google.com.br/miriamkeller/SPANoite17122009?feat=directlink









