Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

10

de
novembro

Leituras nas férias

Pois é, como estava bem cansada, queria passear mas também dormir bastante durante as férias, desta vez levei só um tipo de literatura para ler durante minha viagem: quadrinhos.  Mas não qualquer quadrinho, claro!  Mas,sim, Marjane Satrapi (http://en.wikipedia.org/wiki/Marjane_Satrapi) (Frango com Ameixas -http://www.companhiadasletras.com.br/20anos/titulos_especificos.php3 ) e Quino (Quinoteria; Bem, obrigado, e você?; Sim, amor e Não fui eu!) (http://www.quino.com.ar/portugues/quino_bio30.htm /http://pt.wikipedia.org/wiki/Quino).

Todos os livros são ótimos!  Um tempinho entre um passeio e outro, uma dormitação e outra, e lá estava eu lendo meus quadrinhos. A qualidade de Quino é inconteste!  Mas ele não é só Mafalda, não. Tem muito mais (vejam no link acima).  Os livros que li são mais amenos que a querida Mafalda, ainda assim vêm afogados em crítica pertinente, inteligente, observações da casta humana, de suas falhas, feitos, sonhos, frustrações. Mesmo sendo quadrinhos tão sofisticados dá para rir, e muito!

Quanto a Frango com Ameixas, o traço é lindo! Conta a história de um homem que se deixa morrer. Isso mesmo, deixa-se morrer. Uma história tocante: escolhas que podem refletir lá adiante em frustrações incontornáveis, tristeza profunda, animosidades intoleráveis.

Um instrumentista que toca tar (o tar (тар) é um instrumento musical de cordas tocado no Irã, Azerbaijão,Geórgia,Armênia e outras áreas próximas ao Cáucaso) vê seu instrumento destruído. Por não encontrar outro de mesma qualidade, rever sua vida, o quanto não atendeu a seus sentimentos, deixando-se levar e fazendo escolhas que lhe arrancaram a possibilidade de ser feliz, ele decide se deixar morrer.  Lindos os flashbacks durante todo o livro.  Se você gostou de Persépolis, vai gostar tanto ou mais deste. E se não conhece nada de MSatrapi, experimente!

Além de férias ótimas, livros fantásticos! Tudo de bom!

10

de
novembro

Réquiem de férias…

Pois é, acabaram-se minhas férias. Foram ótimas!  Já estou pensando nas próximas…pode? Claro que pode!  Sonho é tudo!

Na reta final fui ver The Soloist / O Solista (http://www.imdb.com/title/tt0821642/).  Decepcionante! Não havia visto nenhum trailer e fui ver pelo que li na sinopse.  O filme foi baseado no livro de Steve Lopez, um articulista do L.A. Times.  Na verdade, a história era pedra bruta, capaz de virar diamante em boas mãos, mas só resultou um caquinho de vidro. E nas mãos de quem? Justamente de Joe Wright que dirigiu Atonement e Pride and Prejudice, os dois ótimos. Aliás Pride and Prejudice é um de meus filmes favoritos, não só pelo texto de J. Austen, mas pelos atores, fotografia e direção.

Como disse, a história é fenomenal para livro, filme, música, o que for…mas é mais um caso do que podia ter sido e não foi.  Um cellista que por problemas psicológicos, que se manifestam desde a infância, acaba tendo uma carreira brilhante interrompida além de ser lançado na indigência como indivíduo. O filme é, sobretudo, uma excelente oportunidade de se ouvir cello (quem gosta de Yo-yo Ma (http://www.yo-yoma.com/) e já ouviu Antonio Meneses (http://www.antoniomeneses.com/),- este o melhor de todos para mim, imbatível! - sabe do que estou falando), Beethoven, Bach.  Fora isso, a gente vê uma LA bem próxima de nossa cracolândia, da miséria que temos espalhada por SP,ou seja, o lado sujo que toda cidade grande, mas às vezes não aparece. Aliás LA tem 90mil sem-teto! É brinca?

Há também a história de pessoas que tentam ajudar, da forma que julgam ser a melhor, os sem-teto, aqueles com problemas de drogas, alcoolismo, mentais, etc.  Lutas e lutadores os há em todas as partes, e não importa se o país é rico ou pobre, a luta é árdua sempre.

É comovente ver Ayers (Foxx) passando da loucura à placidez, ao equilíbrio, e voltando a se perder em um flash! O tormento, o medo, a tristeza, a falta de esperança são tocantes!  Mas nem com tudo isto o filme decola. Um dos grandes problemas para mim é o Robert Downey Jr.  Nunca gostei dele. Passou quando atuou no Ally Macbeal (aliás que saudade dessa série:http://www.youtube.com/watch?v=Jqa0vzdbe7M&feature=player_embedded), mas foi só!

Pois é, um filme arrastado, chato mesmo em alguns momentos, difícil de aguentar, e a gente esperando o clímax que nunca vem.  Verdade que se o tal articulista fez tudo o que está no filme, daquele jeitinho, ele deveria ser reavaliado psicologicamente e moralmente, pois poderia ter causado um mal enorme ao solista. Sorte que, aparentemente, o final da história é melhor do que se poderia esperar.

Não perca seu tempo, a não ser que esteja louco para ouvir boa música e não se importe com o que está na tela.

8

de
novembro

One swallow does not make a summer

Ou, uma andorinha não faz verão, mesmo…

500 Days of Summer (500 Dias com ela) (http://www.imdb.com/title/tt1022603/) (http://www.youtube.com/watch?v=PsD0NpFSADM&feature=player_embedded) é um filme ótimo para uma tarde de domingo ensolarado…Comédia romântica bem longe do óbvio, e, já aviso, sem um final feliz como nos contos de fada, mas um final muito melhor a meu ver.

Tanto o Joseph Gordon-Levitt (Tom Hansen) quanto a Zooey Deschanel (Summer) - ela participou de Yes Man (post de 1/2/2009) - estão muito bem. Encontros e desencontros sentimentais, mas com muita doçura, muita beleza, muita emoção. A história de uma moça que não queria se prender a ninguém, de um rapaz que queria,sim, ter um relacionamento sério, i.e., um queria o que o outro não poderia dar. Aí veio o desgaste e a grande decepção, mas não porque Summer não tivesse sido perfeitamente clara, mas sim porque Tom sonhou um sonho só seu.

Li em vários lugares que o sonho é o que faz o animal racional diferente do irracional. Pois é, eu acho que, não importa se sonhos grandes ou pequenos, sonhar o e no dia-a-dia é muito precioso e necessário.  Chame como quiser: anelo, devaneio, idílio…sem eles não há como viver e seguramente o sonho ajudou o homem a chegar até aqui, vencer seres mais fortes, ferozes: engenho, arte e sonho, essa foi a mistura mágica.

E de sonho em sonho a gente vai vivendo, encontrando e desencontrando amigos, amores, facilidades, dificuldades, alegrias, tristezas. Rcomendação: tem-se de estar preparado para o tombo, ou pelo menos encontrar forças para superar o brusco despertar que sempre vem. Mas a gente sobrevive, bem ou mal, a gente supera porque logo ali à frente há outro sonho esperando por nós.  E sem eles, humildes ou grandiosos, ninguém vive, ou melhor, a vida passa a não ser o que poderia ter sido.

Tom e Summer têm visões diferentes sobre o relacionamento homem/mulher até um determinado ponto. De repente, mas de repente mesmo, Summer muda a rota e passa a ver que se pode encontrar “the one”, basta estar aberto e cruzar com a pessoa certa na hora certa. Coincidências ou destino, não importa o conceito, o que importa é que há lugar para todos os jeitos de viver relações humanas, há lugar para os vários jeitos de se experimentar a convivência: família, companheiro/a, amigos. Só é preciso que cada um saiba o que é importante para que as relações sejam ricas, proveitosas, felizes (não gosto muito da palavra feliz/felicidade (*) para definir nada, pois acho que é um conceito impalpável demais, amplo demais, impreciso, mas que aqui cabe e indica o que quero dizer). Então não adianta esperar “the one” para sempre, ele/a pode não existir.  É preciso abrir os olhos, o coração, a cabeça para perceber o que poderá fazer da vida “the one life”, a melhor de todas.

O filme é muito levinho, mas não é bobo. Divertido o aconselhamento que a irmã mais nova (uns 14 anos) de Tom lhe dá. Ela é seu guru sentimental!  Os diálogos são uma delícia! Também há dois amigos de Tom que acompanham suas idas e vindas românticas e contribuem para o humor.

No final, as personagens masculinas dão declarações. A mais interessante ou tocante é a do Matthew Gray Gubler (ele trabalha no Criminal Minds), Paul, quando relata as características de sua namorada de sempre, aquela que provocou um clique nele já na escola, e depois diz que a mulher dos seus sonhos teria outros atributos. Mas termina dizendo que sua namorada é melhor que a mulher dos sonhos, pois ela é real.  Pois é, único cuidado: sonhar mas sem exageros, senão o negócio vira um pesadelo!

Summer serviu para Tom sair da mesmice, despertar não só para uma relação sentimental diferente, mas também tentar trocar uma vida profissional de insatisfações por outra que ele sempre havia desejado, mas esquecera pela acomodação (olha a Elisa Lucinda aí, minha gente! (post de 7/11)).

Não é um filme imperdível, mas é bastante bom, diverte sem mediocridades, e dá para alimentar uma conversa com amigos ou umas caraminholas aqui e ali.

Aaah, e a trilha sonora é um arraso!

(*) definições que encontrei por aí (Wikipedia e afins):

Felicidade é uma gama de emoções ou sentimentos que vai desde o contentamento ou satisfação até à alegria intensa ou júbilo. A felicidade tem ainda o significado de bem-estar ou paz interna.)

É difícil definir rigorosamente a felicidade, e ainda mais difícil definir medidas desta. Investigadores em Psicologia desenvolveram diferentes métodos, por exemplo o Inventário da Felicidade de Oxford, para medir o nível de felicidade de um indíviduo. Nestes tem-se em conta factores fisiológicos e psicológicos. Em investigação a felicidade é assim relacionada com factores como: envolvimento religioso ou político, estado civil, paternidade , idade, rendimento, etc.

7

de
novembro

Um bis para Elisa Lucinda

Já havia assistido à peça Parem de falar mal da rotina no Teatro Imprensa, há um ano e meio mais ou menos. Fui no último dia de apresentação. Que sorte tive!  Não fazia ideia do trabalho extensivo de Elisa Lucinda (http://www.escolalucinda.com.br/). Para mim ela era apenas mais uma cara na tela da tevê: bonita, simpática, mas só.  Mas não é não: poetisa, autora de teatro de mão-cheia, com escola de poesia, onde se aprende a declamar…aposto que a grande maioria nem imaginava que algo assim existisse por aqui (eu não imaginava).  Aliás, ela já se apresentou fora do Brasil e é bastante reconhecida por onde passou.

A peça surpreendeu-me imensamente à época e comentei com várias pessoas que se ela voltasse a ficar em cartaz ou se a atriz fizesse algum outro espetáculo eu iria ver.  O texto é da própria Lucinda. Nele discutem-se temas bastante sérios, mas de forma inteligente, divertida. É muita risada do começo ao fim, mas nada óbvio.  O olhar de EL sobre os temas abordados (educação de crianças, responsabilidade paterna, relacionamento, responsabilidade social, responsabilidade de cada um por sua vida, etc.) é crítico, generoso, positivo.  Ela ri de si, ri das situações, ri do mundo, e ajuda a plateia a se ver também de uma maneira bem lúcida.

E eis que a peça volta a ficar cartaz.  Fui vê-la ontem no Teatro Jaraguá (http://www.mamberti.com.br/jaragua/emcartaz.htm) ali na Martins Fontes. O mesmo brilho de antes, mas como o texto é dela mesma, e ela tem domínio perfeito de palco e plateia, foi tudo igual mas tudo novo.  Houve algumas adaptações de texto, mas o que conta mesmo é a atuação impecável de Elisa Lucinda.  Brilhante!  Ri muito, e tenho certeza de que se fosse ver de novo riria muito outra vez.

As mensagens são reforçadas por um timing perfeito, sacadas ótimas.  Tomara que tenha servido para iluminar os que estão nas situações que ela descreve, para que possam viver vidas melhores.  Bottom line: viva a vida plenamente, está tudo lá dentro da gente não fora, não se acomode, cada dia é um dia novo, cada minuto da vida é um momento novo, a luta é sua e não de outros - aliás, não precisa ser uma luta necessariamente.  É preciso tentar fazer de tudo o melhor, o mais positivo. Às vezes, aliás muitas vezes, não dá, mas é preciso tentar, ter consciência de que acomodação é ruína, é morte, é retrocesso, degeneração, e é preciso ter cuidado consigo e com os que estão a sua volta, pelo menos com aqueles prezamos. Importante: seja verdadeiro, transparente, verbalize, tente.

Vale muito a pena ver. Sempre às 6as. até dezembro.

A EL está levando outra peça aos sábados e domingos, baseada em textos de Fernando Pessoa. Quem dê para eu ver. Tomara!

7

de
novembro

Uma homenagem interessante

Antes de ver o último filme da Mostra, assisti a Alô, alô Terezinha ( http://aloaloterezinhaofilme.com.br/), documentário sobre o programa do Chacrinha, os calouros que passaram por ali,muito poucos bem sucedidos, e suas chacretes, ou dançarinas.  Não é um documentário sobre a vida de José Barbosa Aberlardo de Medeiros (http://pt.wikipedia.org/wiki/Chacrinha) mas, sobretudo, de seus últimos anos na TV Tupi e na Globo.  Depoimentos de cantores, que disseram respeitar e dever muito ao “Velho Guerreiro”, como era conhecido, de ex-calouros, das chacretes.  Alguns ex-calouros são hilariantes, sempre um tanto patéticos, outros contam seus dramas após passar pelo programa. É aquela coisa do circo antes e agora.

As chacretes também (passam pelo filme umas 10 aproximadamente) deixam claro que deitaram e rolaram e nem todas, aliás a minoria, saíram da experiência de sexo, droga e rock and roll inteiras.  Todas continuam em alguma atividade para sobreviver, sendo que a mais bem sucedida é Rita Cadilac, que hoje está no mundo dos shows e filmes pornôs basicamente.  Incrível como os maltratos que se autoimpuseram cobraram tributos das ex-chacretes! Só o dna salvou algumas, bem como uma postura mais comedida de vida.

O filme é divertido, interessante como documentário de um momento bem específico de Chacrinha e de todos a sua volta. Há várias declarações conflitantes: tem gente que diz que era de um jeito e logo depois outra pessoa diz que não era nada daquilo.  De qualquer forma, dá para se ter uma boa idéia do que se passava, como era o processo do programa na época, e que quem mandava mesmo era o Chacrinha.

No mínimo um documento de cunho jornalístico interessante.

7

de
novembro

E acabou-se a Mostra

Pois é: acabou-se a 33a. Mostra.  De novo, é só a 33a., então é compreensível que eu pergunte ao caixa da Mostra (tem montes de gente em cada cinema trabalhando para a Mostra) do Cine Unibanco do Shopping Bourbon sobre a nacionalidade de um filme e ele me diga: Não sei informar.  Claro, totalmente compreensível.  Tive de sacar MINHA programação da bolsa e ver por mim mesma o que queria.  Demais da conta, né, não?  Mas na 34a. vai ser bem melhor…

Os filmes que vi pela Mostra estão nos posts de 29/10, 3 e 5/11.  Quinta, 5/11, último dia da Mostra (fiquem atentos à reexibição dos filmes mais votados no CINESESC e Cine Bombril),  fui ver o que se encaixava no tempo que tinha.  E lá fui eu ver Au Voleur (http://www.imdb.com/title/tt1356893/) (http://www.mostra.org/exib_filme.php?filme=64&language=en), que aqui (e na legendagem em inglês) teve o título: Uma vida real (repetem essa frase algumas vezes).  Ai,ai,ai,ai,ai…

Filme francês com Guillaume Depardieu (http://www.imdb.com/name/nm0220016/), falecido há mais ou menos um ano com 37 anos. Filho de Gérard Depardieu, mas com 0 do talento, charme e appeal do pai.  Eu o definiria como um ator esquisito.  Também atua Florence Loiret que esteve no filme Parle-moi de la pluie (Horas de Verão por aqui)(post de 27/9).  Na verdade não dá para culpar os atores, o filme, o enredo é que são ruins mesmo.  E olhem que a ideia é muito boa. Poderia ter sido um filmaço.  Tem boa fotografia e a única coisa que se salva de fato é a trilha sonora.

Dá a impressão de um filme beatnik (http://pt.wikipedia.org/wiki/Beatnik) mas é um filme sobre gente só, desequilibrada, irresponsável mesmo. Uma confusão e um ritmo arrastado do começo ao fim.  Há várias cenas mal costuradas, ou seja, muita sugestão, silêncios enormes, parecendo uma coisa cabeça, mas não é, não.  E a gente que quebre a cabeça para saber o que pretendem autores e diretora.  Poderia ser um exercício interessante se o filme valesse a pena, mas não é o caso.  É aquela coisa de ficar esperando o momento de brilho do filme, a grande sacada, mas isso nunca vem.

O filme trata do envolvimento de uma professora de alemão com um ladrão de bairro, que aplica vários golpes.  Eles se juntam e passam a viver suas solidões e desajustes a dois.

6

de
novembro

Que saudade da Osesp!

Pois é, depois de ter sido assinante da Sala SP por vários anos (uns 7 ou 8, desde que começou a nova fase da OSESP), hoje só contribuo para a Fundação OSESP. Houve tempo em que tive até assinaturas para duas séries. Ia muito à Sala.  Depois dei uma equacionada para poder voltar a ver outras coisas de que gosto tanto, e, finalmente, por causa dos programas propostos acabei deixando de assinar e hoje vou esporadicamente à Sala.  Vejam bem, sou só diletante: gosto ou não gosto tão-somente. De repente a OSESP ficou muito melhor, mas o que apresentam já não me satisfaz incondicionalmente.

De qualquer forma, como contribuinte para Fundação, convidam-me para os ensaios. São os últimos ensaios, ie, ensaios finais no dia da primeira apresentação.  Então, é quase, teoricamente, como ver o espetáculo em si.

Quando o maestro Neschling (http://pt.wikipedia.org/wiki/John_Neschling) estava à frente da OSESP, e após alguns anos de solicitação, os ensaios aconteciam de manhã e à noite. Tradicionalmente eram somente às 5as., e esporadicamente em outros dias da semana, mas sempre pela manhã, o que, obviamente, impossibilitava que muitos comparecessem - meu caso, inclusive, afinal a gente trabalha, como os músicos e os maestros, só que para a grande maioria os horários não são flexíveis.  Lá por 2006, se não me engano, começaram os ensaios à noite - uma correria para chegar, pois se iniciavam às 19.30h, mas sempre valia o sacrifício.  De repente, não mais que de repente, após a saída do maestro Neschling, os ensaios voltaram a acontecer somente pela manhã.  Pena mesmo que não se considere fazer pelo menos uns 2 ou 3 por ano à noite, para que pessoas como eu possam comparecer.

No entanto, como estou em férias ainda, pude comparecer ao ensaio de ontem, que me interessou bastante. Onde Beethoven, Mozart, Haendel, Bach vão eu vou atrás. No caso do ensaio de ontem (http://www.osesp.art.br/novo/estatico/programacao2009.aspx), havia ainda a obra de Strauss.  Não sou fã do compositor, mas desta obra especificamente gosto muito. Só para localizar: trechos de Assim falou Zarathustra foram utilizados em 2001, Uma odisséia no espaço (http://pt.wikipedia.org/wiki/2001_-_Uma_odisséia_no_Espaço).  Deu para lembrar?  Aqueles acordes iniciais, tão marcantes, que preenchem o vazio do espaço que aparece no filme, são desta obra de Strauss.  Aliás, ontem, a apresentação da obra pela OSESP foi lindíssima. Se Kubrick estivesse por aí, e não houvesse decidido que música usar no filme, ontem ele não teria dúvida.  E incluiria a música performed by OSESP, seguramente!

Bem, foi muito bom voltar à Sala, ouvir a OSESP, inegavelmente uma grande orquestra equiparável às grandes o planeta, mas observei algumas coisas. Se me incomodaram um pouco, fizeram-me também refletir.

Time: nada a ver com a OSESP propriamente, mas pela primeira vez em anos vi o relógio da torre da Sala parado!  Nada justifica isso, pois, como mencionei, frequentei a sala por muitos anos e após sua reforma, adoção para a OSESP, comando do maestro Neschling, nunca presenciei o fato. Vamos esperar que seja caso de solução rapidíssima, e não o desleixo endêmico de algum funcionário ou gestor.

Voltando: nos ensaios que vi conduzidos pelo maestro Neschling a coisa fluía, não havia grandes interrupções. Só um acerto aqui, outro ali.  A gente via mesmo praticamente o espetáculo da noite ou do dia seguinte.  Com o novo codutor, maestro Tortelier (http://pt.wikipedia.org/wiki/Yan_Pascal_Tortelier), a coisa foi bem diferente. Muitas, mas muitas interrupções, além de discursos.  Houve momentos em que ele se estendeu em explicações aos músicos por quase 5 minutos.  Ah, sim, o Sr. Tortelier é francês, portanto se comunica com a orquestra em inglês - um complicômetro quando o maestro não é do país, mas plenamente superável pelos componentes da OSESP de hoje, em sua maioria estrangeiros se não me engano.

O ensaio tornou-se arrastado, demorado (muitas pessoas saíram bem antes de terminar), e me fez refletir: o maestro Neschling deu vida e construiu a OSESP de hoje, deu-lhe músculos fortes, ie, qualidade na formação, no ambiente, confiabilidade e prestígio. No entanto, sempre li aqui e ali que ele não era um maestro tecnicamente dos melhores.  Para mim, o que ele fez pela música, pelos músicos, pela cidade, pelo estado, pelo público, já era/foi mais que suficiente, mas não sou técnica no assunto, apenas diletante.  Ontem, vendo a atuação do maestro Tortelier, pareceu-me que a OSESP entrou em outra fase, ie, alguém cuida da estrutura, faz aquilo andar administrativa e financeiramente, faz render, receber patrocínios, viajar pelo mundo fazendo apresentações, mas outro alguém, o Tortelier, tem de puxar a qualidade mais para cima ainda, garantir expertise, catapultar a orquestra a outros patamares, garantir que não retroceda.

Obviamente, isso foi só uma inferência, mas espero que seja exatamente isso que esteja acontecendo, para o bem de todos.  Os músicos se mostraram pacientes e cordatos com o maestro. Claro que existe uma relação hierárquica ali, de comando, como em qualquer outra atividade que depende de vários/muitos, da harmonia e ordem entre esses vários/muitos, mas mesmo assim o pessoal que toca na OSESP hoje tem seu gabarito seguramente reconhecido no mercado, então se a coisa fosse ruim, perversa, acredito que não haveria o tal assentimento, boa vontade que percebi.

De qualquer forma, como não tive outra oportunidade de ver um ensaio com M. Tortelier, relato apenas uma impressão baseada em observação única.  A coisa pode ser muito diferente, mas tomara que não.

Ah, sim, e já comprei minha entrada para o concerto de meados de dezembro - dois dias já estavam esgotados, para o dia que comprei havia umas 10 entradas só, e os preços lá em cima, mas mesmo assim lotado. Não trabalho na OSESP, mas isso me deixa muito contente e orgulhosa da orquestra do estado de SP, pois ratifica o carinho que paulistanos, paulistas e brasileiros, e até estrangeiros, têm pelo trabalho brilhante da OSESP.

5

de
novembro

O melhor Big Brother dos últimos tempos!

Primeiramente, uma complementação: o filme Aquiles e a Tartaruga (post de 3/11) é japonês e a legenda estava em italiano. Deu para ler quase tudo em italiano - uma ou outra palavra ou expressão escapava. No começo foi um pouco estranho ouvir japonês e ler italiano (acho que se fosse direto para o português não estranharia tanto). Enfim, apenas uma curiosidade.

E ontem foi a vez de ver A Pequenina ( La Pivellina - http://www.mostra.org/exib_filme.php?filme=243 /http://www.imdb.com/title/tt1426371/ ), produção ítalo-austríaca.  Uma delícia de filme, mas antes o meu “causo” (sempre tem um). Depois de almoçar com meus amigos Rodrigo e Michel, fui ver um filme no Unibanco 3 da Augusta.  O filme era outro (Millenium).  Chego lá e…problemas com a cópia, mudaram o filme.  Claro, é só a 33a. Mostra, não deu para garantir que as cópias (imagino que hoje a coisa seja moderna: dvd ou outro meio digital similar) estejam em ordem. É compreensível…

Outra coisa que percebi: nunca havia comprado o caderno da programação.  Desta vez resolvi ser comodista e ter tudo à mão. Assim achava eu… O caderno não traz a sinopse dos filmes (nem minimamente), além disso, a ordem de publicação dos filmes considera o artigo do título me português (hein?). Então vamos combinar: na 34a. Mostra cobrem $5 em vez de $1, mas incluam uma descrição mínima dos filmes.

Pois é, como saber se o filme substituto merecia ser visto?  Dúvida, dúvida, dúvida…mas já que estava lá mesmo, arrisco.  Sentimento de que vou “entrar pelo cano”, mas tudo bem…

Surpreeesaaa! O melhor filme a que assisti até o momento. É um grande Big Brother! Uma criança é deixada em um parque e encontrada por Patty, que mora num circo com o marido e um neto. Na verdade moram em containeres e são artistas circenses.  O fato de achar a criança e ficar com ela é natural demais - único senão do filme.  Patty, contra as argumentações do marido (Walter), fica com a criança, não avisa a polícia, pois diz acreditar que a mãe vai voltar e buscar a criança.

A menina, Asia Crippa, entre 2 e 3 anos de idade, é uma graça! Lembrou-me muito a Olívia, não só pelo físico, olhos, mas atitude.  Que linda!  É a personagem principal! Quem diria…sabendo falar tão pouco!

O filme é bonito, alegre, emocionante.  Trata dos momentos do dia-a-dia do grupo e da menina abandonada, do carinho que lhe dão, da “educação” que tentam lhe passar. Com algumas poucas semanas a menina já está bem “educadinha”.

Há alguns lances um pouco mais dramáticos, como uma visita da polícia aos trailers. No mais, é tudo muito ritmado, sem sobressaltos, e, mesmo assim, muito bonito e interessante. Há vários momentos hilariantes.  Ah, e os atores são eles mesmos, ou seja, Patricia é Patricia, Walter é Walter, e por aí vai.  Um Big Brother mesmo. O final também é bem achado.

Também vi uma Itália (arredores de Roma) que não imaginava que existisse: terrenos baldios, mato, entulho.

Um filme bem bacana!

3

de
novembro

Uma coisa não tem nada a ver com a outra

A mostra está rolando solta, mas tem outras coisas para a gente ver no meio do caminho.  Claro que gosto de ver os filmes da mostra, até porque alguns são muito bons, mas não sou daqueles fanáticos que tiram férias, amarram uma almofadinha no bumbum e veem 5 ou 6 filmes por dia, senão mais.

Então fui ver Coco antes de Chanel (http://www.imdb.com/title/tt1035736/) - Coco avant Chanel, sobre a vida de Chanel (http://pt.wikipedia.org/wiki/Coco_Chanel) da infância até chegar às portas do reconhecimento mundial.  A Audrey Tautou, que fez Código Da Vinci, Amélie Poulain, está muito bem no papel da Chanel. Benoit Poelvoorde, que faz o amante que ajudou muito Chanel a sair do anonimato, também está fantástico!  A história é aquela que todo mundo já ouviu falar: uma mulher que veio de uma família desestruturada, órfã que, com vontade férrea e talento inigualável, conseguiu chegar ao sucesso num mundo dominado por homens e tornar seu estilo inconfundível e perene.

Assisti à peça Chanel, encenada por Marília Pêra, há alguns anos (http://entretenimento.uol.com.br/ultnot/2005/06/28/ult32u11598.jhtm).  Magnífico o texto e a interpretação.  Aliás, os cenários também, pois o final do filme traz o mesmo cenário da encenação da peça por aqui, ie, reproduz fielmente o ateliê de Mademoiselle, como gostava de ser chamada (nunca Madame). A diferença está em que a peça trata da vida de Chanel já famosa, seus amores e desamores, sua veia irônica, sua inteligência, sua percepção acurada do mundo e das pessoas.  Para a peça foram cedidas roupas originais pela Maison Chanel.

O filme é bem lento, de vez em quando dá uma cansadinha, mas a personalidade de Chanel é tão intrigante, tão forte, que logo vem um up e o interesse retorna.

A trilha sonora é leve, bem colocada, só valoriza o filme.

Há uns dois ou três anos, via uma exposição de haute couture na OCA. Tinha de tudo: Chanel, Saint Laurent, Givenchy, os modernos…mas ninguém, ninguém, chega nem perto da elegância, criatividade, praticidade das roupas de Chanel!  Ela levantou a bandeira da simplicidade, do conforto, conseguiu transmitir seu jeito libertário às mulheres: tudo sem excesso, mas tudo muito elegante! O preto e branco, o bicolor, as pérolas, o cabelo curto…claro que ela teve seus traumas, desilusões, mas era forte, uma lutadora!

E ontem, depois de chegar de viagem, no final do dia, foi a oportunidade de ver um filme da Mostra: Aquiles e a Tartaruga (japonês -http://www.mostra.org/exib_filme.php?filme=84 ), baseado no paradoxo formulado por Zeno (http://pt.wikipedia.org/wiki/Paradoxos_de_Zeno).

Como em muitos filmes japoneses: silêncios, olhares, uns gritos, música bem bonita, exposição de costumes que estão muito distantes de nós.  O filme conta a história de uma menino que depois de alguns poucos anos de vida privilegiada, fica órfão e aí começar a amargar maus tratos, solidão.  Mas ele é incansável na perseguição do que considera sua arte, ou o reconhecimento de sua arte.  Cresce, casa-se, tem filho, envelhece, e não desiste.  A gente dá muitas risadas com cenas escrachadas (não me lembro de ter visto outro filme japonês em que risse tanto). O filme é comovente em muitos momentos.  O homem acredita mesmo em sua arte e não deixa que ninguém o desvie dela.  Aliás, ele acaba conseguindo adeptos, isso sim!

Um filme interessante: qual é a hora de parar? até onde a gente deve ir? que sacrifícios são justificados? e se tudo aquilo não é nada mais que uma quimera?

Dá para pensar…

Dois filmes totalmente diferentes, mas igualmente belos.

Só para terminar: fazia um tempão que não ia ao cinema durante a semana e à tarde, a não ser que fosse num feriado. Mesmo durante férias anteriores, como viajei, não deu para fazer isso.  A sensação é M A R A V I L H O S A!  Além disso, tudo tranquilo, sempre menos gente (eu sempre vou ao cinema em horários menos procurados - primeira sessões, mas mesmo assim…).  Só as ruas é que estão cheias.  Agora, como tem gente diferente no cinema à tarde durante a semana!  Eu não, tá?  Mas são uns tipos que normalmente não vejo por aí, diferentes, mas não sei determinar exatamente como, onde, quanto.  E não são os idosos, não, é gente da minha idade pra menos. Gozado!  Como terei a oportunidade de ir ao cinema de novo à tarde durante a semana (minhas férias ainda continuam por alguns dias), vou observar e depois relato. Ah, e não é inveja de quem pode fazer isso, não, enquanto eu estou lá trabalhando, tá?

3

de
novembro

Menção honrosa

No sábado, 24/10, antes de viajar, fui assistir a uma peça escolar: Francisco de Assis, direção de Abigail Wimer (http://www.revistainonline.com.br/ler_noticia_cultura.asp?secao=30&noticia=4373), Colégio Jardim São Paulo(http://www.jardimsaopaulo.com.br/teatro/).

A mãe de um dos meninos que estava na peça é que convidou um amigo que me convidou.  Se fosse há umas décadas, eu iria com a maior expectativa, já que em outros tempos os colégios estimulavam muito os alunos a que participassem, criassem, encenassem suas peças.  Não que houvesse uma estrutura física/material melhor do que hoje, mas havia engajamento, comprometimento por parte tanto de alunos quanto das escolas, mesmo as públicas. Considerando a situação atual do ensino, o foco das escolas, a qualidade dos professores e alunos, fui sem nenhuma expectativa. E, surpresa!!!

A peça contava a história de São Francisco de Assis e seus seguidores dos primeiros tempos. O cenário minimalista cumpriu sua função com louvor, os alunos foram brilhantes, mesmo com o nervosismo de alguns. Era um musical, então mais difícil ainda!  Deu até para rir bastante com alguns personagens.  O guarda-roupa também cumpriu seu papel.  O texto foi muito bem elaborado, a iluminação estava bem, a direção foi corajosa e competente. Um espetáculo melhor do que muitos supostamente profissionais que vi por aí.

Foi interessante também conhecer o teatro (no link acima o que já foi encenado ali e será).  Uma casa ampla e confortável.

A peça começou às 20h30 e se estendeu até 23h. Acho que foi um pouco longa, mas mesmo assim foi de excelente qualidade.  Parabéns aos alunos, pais, escola, direção, músicos (musical com música ao vivo! Isso mesmo!), técnicos! Tudo muito bom!

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