Pois é, depois de ter sido assinante da Sala SP por vários anos (uns 7 ou 8, desde que começou a nova fase da OSESP), hoje só contribuo para a Fundação OSESP. Houve tempo em que tive até assinaturas para duas séries. Ia muito à Sala.  Depois dei uma equacionada para poder voltar a ver outras coisas de que gosto tanto, e, finalmente, por causa dos programas propostos acabei deixando de assinar e hoje vou esporadicamente à Sala.  Vejam bem, sou só diletante: gosto ou não gosto tão-somente. De repente a OSESP ficou muito melhor, mas o que apresentam já não me satisfaz incondicionalmente.
De qualquer forma, como contribuinte para Fundação, convidam-me para os ensaios. São os últimos ensaios, ie, ensaios finais no dia da primeira apresentação.  Então, é quase, teoricamente, como ver o espetáculo em si.
Quando o maestro Neschling (http://pt.wikipedia.org/wiki/John_Neschling) estava à frente da OSESP, e após alguns anos de solicitação, os ensaios aconteciam de manhã e à noite. Tradicionalmente eram somente à s 5as., e esporadicamente em outros dias da semana, mas sempre pela manhã, o que, obviamente, impossibilitava que muitos comparecessem - meu caso, inclusive, afinal a gente trabalha, como os músicos e os maestros, só que para a grande maioria os horários não são flexÃveis.  Lá por 2006, se não me engano, começaram os ensaios à noite - uma correria para chegar, pois se iniciavam à s 19.30h, mas sempre valia o sacrifÃcio.  De repente, não mais que de repente, após a saÃda do maestro Neschling, os ensaios voltaram a acontecer somente pela manhã.  Pena mesmo que não se considere fazer pelo menos uns 2 ou 3 por ano à noite, para que pessoas como eu possam comparecer.
No entanto, como estou em férias ainda, pude comparecer ao ensaio de ontem, que me interessou bastante. Onde Beethoven, Mozart, Haendel, Bach vão eu vou atrás. No caso do ensaio de ontem (http://www.osesp.art.br/novo/estatico/programacao2009.aspx), havia ainda a obra de Strauss.  Não sou fã do compositor, mas desta obra especificamente gosto muito. Só para localizar: trechos de Assim falou Zarathustra foram utilizados em 2001, Uma odisséia no espaço (http://pt.wikipedia.org/wiki/2001_-_Uma_odisséia_no_Espaço).  Deu para lembrar?  Aqueles acordes iniciais, tão marcantes, que preenchem o vazio do espaço que aparece no filme, são desta obra de Strauss.  Aliás, ontem, a apresentação da obra pela OSESP foi lindÃssima. Se Kubrick estivesse por aÃ, e não houvesse decidido que música usar no filme, ontem ele não teria dúvida.  E incluiria a música performed by OSESP, seguramente!
Bem, foi muito bom voltar à Sala, ouvir a OSESP, inegavelmente uma grande orquestra equiparável às grandes o planeta, mas observei algumas coisas. Se me incomodaram um pouco, fizeram-me também refletir.
Time: nada a ver com a OSESP propriamente, mas pela primeira vez em anos vi o relógio da torre da Sala parado!  Nada justifica isso, pois, como mencionei, frequentei a sala por muitos anos e após sua reforma, adoção para a OSESP, comando do maestro Neschling, nunca presenciei o fato. Vamos esperar que seja caso de solução rapidÃssima, e não o desleixo endêmico de algum funcionário ou gestor.
Voltando: nos ensaios que vi conduzidos pelo maestro Neschling a coisa fluÃa, não havia grandes interrupções. Só um acerto aqui, outro ali.  A gente via mesmo praticamente o espetáculo da noite ou do dia seguinte.  Com o novo codutor, maestro Tortelier (http://pt.wikipedia.org/wiki/Yan_Pascal_Tortelier), a coisa foi bem diferente. Muitas, mas muitas interrupções, além de discursos.  Houve momentos em que ele se estendeu em explicações aos músicos por quase 5 minutos.  Ah, sim, o Sr. Tortelier é francês, portanto se comunica com a orquestra em inglês - um complicômetro quando o maestro não é do paÃs, mas plenamente superável pelos componentes da OSESP de hoje, em sua maioria estrangeiros se não me engano.
O ensaio tornou-se arrastado, demorado (muitas pessoas saÃram bem antes de terminar), e me fez refletir: o maestro Neschling deu vida e construiu a OSESP de hoje, deu-lhe músculos fortes, ie, qualidade na formação, no ambiente, confiabilidade e prestÃgio. No entanto, sempre li aqui e ali que ele não era um maestro tecnicamente dos melhores.  Para mim, o que ele fez pela música, pelos músicos, pela cidade, pelo estado, pelo público, já era/foi mais que suficiente, mas não sou técnica no assunto, apenas diletante.  Ontem, vendo a atuação do maestro Tortelier, pareceu-me que a OSESP entrou em outra fase, ie, alguém cuida da estrutura, faz aquilo andar administrativa e financeiramente, faz render, receber patrocÃnios, viajar pelo mundo fazendo apresentações, mas outro alguém, o Tortelier, tem de puxar a qualidade mais para cima ainda, garantir expertise, catapultar a orquestra a outros patamares, garantir que não retroceda.
Obviamente, isso foi só uma inferência, mas espero que seja exatamente isso que esteja acontecendo, para o bem de todos.  Os músicos se mostraram pacientes e cordatos com o maestro. Claro que existe uma relação hierárquica ali, de comando, como em qualquer outra atividade que depende de vários/muitos, da harmonia e ordem entre esses vários/muitos, mas mesmo assim o pessoal que toca na OSESP hoje tem seu gabarito seguramente reconhecido no mercado, então se a coisa fosse ruim, perversa, acredito que não haveria o tal assentimento, boa vontade que percebi.
De qualquer forma, como não tive outra oportunidade de ver um ensaio com M. Tortelier, relato apenas uma impressão baseada em observação única.  A coisa pode ser muito diferente, mas tomara que não.
Ah, sim, e já comprei minha entrada para o concerto de meados de dezembro - dois dias já estavam esgotados, para o dia que comprei havia umas 10 entradas só, e os preços lá em cima, mas mesmo assim lotado. Não trabalho na OSESP, mas isso me deixa muito contente e orgulhosa da orquestra do estado de SP, pois ratifica o carinho que paulistanos, paulistas e brasileiros, e até estrangeiros, têm pelo trabalho brilhante da OSESP.