Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

29

de
novembro

Tout le monde a un choix! Então não tem desculpa.

Hoje foi dia de Persépolis (http://www.imdb.com/title/tt0808417/), só para começar.  Foi a última sessão do ciclo promovido pela Aliança Francesa, Fnac e Reserva Cultural em comemoração ao Ano da França o Brasil (post mais recente sobre o assunto 28/9).  Boa nova: a Aliança informou que, a partir de março, reiniciará o ciclo tratando da intolerância.  Que bom!  Graças à iniciativa conjunta voltamos a ter ótimos filmes franceses; eu, pessoalmente, tornei-me fã do Reserva e de sua programação.  Foi um ano muito positivo graças à iniciativa dos três parceiros.

Eu havia lido Persépolis de Marjani Satrapi há uns anos e foi muito bom ver o traço fantástico da autora (post de10/11) na telona.  Segundo a preleção feita pela representante da Aliança, Satrapi recebeu várias ofertas para que os quadrinhos fossem transformados em filme, série,etc., mas resolveu ela mesma , com a colaboração de Vincent Paronnaud, dar vida a sua história.  Ainda bem! Pois manteve-se fiel aos quadrinhos e com isso só ganhamos!  O resultado, a meu ver, foi excelente!  Apesar do tema tão pesado: a derrubada do Xá do Irã, a ditadura religiosa, as mortes, a crueldade, a ignorância, a extradição, a distância da família, o sentir-se estrangeira em todas as partes, há momentos bem divertidos, sobretudo quando Marjani é retratada como criança e há momentos emocionantes como quando a avó a aconselha, a mãe chora por ela, ela se desencanta e encanta com amores.  Chave de ouro para o Ano da França no Brasil no Reserva.

Ah, sim, o título é a frase da avó da Marjane quando ela se deixa guiar pelo fácil duvidoso.  Serve para todos, a qualquer tempo, no mundo inteiro.

As vozes no original são de Catherine Deneuve, Chiara Mastroianni, além de Gabrielle Lopes Benites, que faz toda a diferença com relação à Marjane menina. Expressiva demais!

Aproveitei que estava no Reserva e almocei ali. O restaurante do Reserva é ótimo. Tem um cardápio enxuto mas bem gostoso, abrangente, e a preços ótimos. Quer comer tarte tatin? É la mesmo, não há dúvida! Uma delícia, generosa, e só $10.  Experimentem!

Depois foi hora de ir ao Masp.  Fila colosssal! Não deu para encarar.  Tem Rodin e grafiteiros. Não percam! Eu vou semana que vem, mas em dia e horário melhor, senão não dá.  Mas como a Paulista é tudo de bom, tem montes de opções, fui ao Sesi. Estão com uma mostra de arte colombiana, período de 1948 e 1965 (http://www.sesisp.org.br/home/2006/centrocultural/prog_expo2.asp). Bem interessante, pois conheci vários artistas dos quais gostei muito, além de ver obras de Botero que mostram um artista bem diferente do que já vimos por aqui. Adorei ver Mejía, Grau, e tantos outros.  E, como sempre, as exposições do SESI são super bem montadas!  Mas os seguranças continuam conversando, ajustando e atendendo celulares (a gente, visitante, não pode…).  Terrível!

E, por último, seguindo uma dica do blog do Luciano Pires, fui ver O homem das cavernas (http://guia.folha.com.br/teatro/ult10053u642366.shtml), de Rob Becker, direção e tradução de Alexandre Reineck, com Norival Rizzo.  E olhem que coisa: descobriram o horário da tarde de domingo para teatro! Finalmente!  Uma delícia assistir a uma peça como essa num domingo à tarde.

A peça é muito divertida. Leva uma hora e meia, o timing do NRizzo é ótimo, o texto (adaptado) também é muito ágil.  Trata-se de um homem defendendo sua classe, mas sem machismo, apenas tentando mostrar que homens são seres bons, que valem a pena, somente diferentes das mulheres.  Obviamente, como em todas as peças, filmes, a grande maioria era de espectadoras, que se divertiram muitíssimo com os arrazoados de Becker. Naturalmente, acha mais graça quem tem mais tempo de vida, pois viu muito do que o autor relata e deu tempo de assimilar e analisar tudo. Os mais novinhos podem boiar um pouco, mas mesmo assim vale a pena. Diversão garantida!

Ah, sim, tempo de Natal e a Paulista está se preparando: o Itaú Personalité está pronto, o Bradesco, quase, agora triste é o Real , que tinha uma decoração fantástica, interna e externa, e agora está peladinho…Outros prédios estão se paramentando. Daqui a pouco já vai dar para ver decorações lindas de dia, mas sobretudo à noite.

29

de
novembro

I am so lucky!!!

Primeiramente, deem uma ouvidinha nesta música que faz parte da trilha sonora de Julie and Julia: http://www.youtube.com/watch?v=SgXQf2ADH14 (Time after time). O título do post é parte do refrão.

É bom ou não é?  Pois é, um filme que ficou dentro do que eu esperava, nada demais, mas adorei. Meryl Streep tira água de pedra sempre. Digo isso porque não achei a personalidade de Julia das mais fascinantes. Ela consegue incorporar uma matrona, conservadora, mas com características encantadoras.

O filme só tem razão de ser pela experiência que Julie Powell fez, pelo livro que escreveu. De qualquer forma, o filme tem boas mensagens. Por exemplo, quando Julie diz que Julia salvou sua vida, na verdade não é bem assim. Julia deu o insight, serviu de inspiração, foi o clic, mas Julie fez o trabalho sozinha.  Exemplo acabado de livro, palestra, etc., de autoajuda, o Segredo, e coisas do gênero. Ninguém vai viver a vida da gente, vai dar razão à vida da gente, senão nós mesmos.  Fatores externos podem dar a inspiração, o clic, provocar o insight, “abrir os olhos”, mas é só.  O sucesso ou insucesso da empreitada é conosco mesmo.  Tem gente que não termina nada, não tem energia para nada, se olhar para trás terá realizado o mínimo do mínimo, ou por acomodação, ou por medo, ou porque só quer mesmo é que a vida passe e não vê nada mais no horizonte.  E são felizes (palavrinha esquisita, mas não acho outra)?  É possível, pois se você não quer, não precisa saber o que está atrás da porta há grande probabilidade de se poupar ao máximo, de não se machucar, de não sofrer, de não gostar de verdade de ninguém, de não gostar de verdade de nada. Faz de conta que se tem uma vida.  Pessoalmente, conheço algumas (poucas, felizmente) pessoas assim.  Isso é muito diferente de indecisão, de ficar “notionless” temporariamente, de não saber que caminho tomar (isso acontece várias vezes na vida da gente).

E Julia é isso: persistência, um plano de vida, mas sem deixar de viver bem, de apreciar tudo que não seja esse plano de vida.  Tanto que é bem-quista, amada, aceita, ouvida, e que acaba se tornando um modelo.  Ela vive e gosta disso, portanto sua energia é contagiante, mesmerizante.

Julie encontra no modelo um caminho. Na verdade, Julia poderia ser ativista ambiental, costureira, designer, atriz. Não importa, Julie encontrou nela a inspiração para viver melhor, olhar a vida com entusiasmo, com vontade de viver. A persistência é notável também, artigo que em tempos de Geração Y(http://en.wikipedia.org/wiki/Generation_Y / http://www.usatoday.com/money/workplace/2005-11-06-gen-y_x.htm / http://www.itweb.com.br/noticias/index.asp?cod=48474) está quase que em falta. É preciso coragem, é preciso força, é preciso trabalho.  Não é fácil, não.

O filme tem o ritmo e um pouco a cara de outro trabalho da Nora Ephron: You’ve Got Mail (post de 14/06), uma delícia também!

Enfim, um filme sobre relações humanas ricas, e de sorte tanto no caso de Julie quanto de Julia, pois encontraram parceiros quase que perfeitos. Isso também é raríssimo!  Stanley Tucci está fantástico como sempre, e a Amy Adams também está muito bem, Aliás, lembrou-me bastante a Meg Ryan em vários aspectos.  A trilha sonora também é bem bonita!

Enfim, um filme gostoso, para uma tarde de verão como a de ontem.

Ah, sim, há a questão blog!  Como ia me esquecendo disso?  Julie é uma blogger.  E quem escreve blogs, mesmo que seja para si mesmo (no fundo, acho que todos fazemos um pouco isso, ou achamos que fazemos), sabe que é preciso compromisso, sim ,é preciso fazer, é preciso disciplina, é preciso vontade, e nada disso tira o prazer.  Se o prazer for embora, melhor parar.  A experiência a que autora/Julie se propôs foi bem interessante.  Não deixa de ser uma boa ideia ter uma data de validade, ou um objetivo específico.  O meu blog, por enquanto, vai ao sabor dos acontecimentos, ideias, vontade de agregar.  Enquanto eu tiver algo dizer, não vou parar.

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