Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

29

de
novembro

Tout le monde a un choix! Então não tem desculpa.

Hoje foi dia de Persépolis (http://www.imdb.com/title/tt0808417/), só para começar.  Foi a última sessão do ciclo promovido pela Aliança Francesa, Fnac e Reserva Cultural em comemoração ao Ano da França o Brasil (post mais recente sobre o assunto 28/9).  Boa nova: a Aliança informou que, a partir de março, reiniciará o ciclo tratando da intolerância.  Que bom!  Graças à iniciativa conjunta voltamos a ter ótimos filmes franceses; eu, pessoalmente, tornei-me fã do Reserva e de sua programação.  Foi um ano muito positivo graças à iniciativa dos três parceiros.

Eu havia lido Persépolis de Marjani Satrapi há uns anos e foi muito bom ver o traço fantástico da autora (post de10/11) na telona.  Segundo a preleção feita pela representante da Aliança, Satrapi recebeu várias ofertas para que os quadrinhos fossem transformados em filme, série,etc., mas resolveu ela mesma , com a colaboração de Vincent Paronnaud, dar vida a sua história.  Ainda bem! Pois manteve-se fiel aos quadrinhos e com isso só ganhamos!  O resultado, a meu ver, foi excelente!  Apesar do tema tão pesado: a derrubada do Xá do Irã, a ditadura religiosa, as mortes, a crueldade, a ignorância, a extradição, a distância da família, o sentir-se estrangeira em todas as partes, há momentos bem divertidos, sobretudo quando Marjani é retratada como criança e há momentos emocionantes como quando a avó a aconselha, a mãe chora por ela, ela se desencanta e encanta com amores.  Chave de ouro para o Ano da França no Brasil no Reserva.

Ah, sim, o título é a frase da avó da Marjane quando ela se deixa guiar pelo fácil duvidoso.  Serve para todos, a qualquer tempo, no mundo inteiro.

As vozes no original são de Catherine Deneuve, Chiara Mastroianni, além de Gabrielle Lopes Benites, que faz toda a diferença com relação à Marjane menina. Expressiva demais!

Aproveitei que estava no Reserva e almocei ali. O restaurante do Reserva é ótimo. Tem um cardápio enxuto mas bem gostoso, abrangente, e a preços ótimos. Quer comer tarte tatin? É la mesmo, não há dúvida! Uma delícia, generosa, e só $10.  Experimentem!

Depois foi hora de ir ao Masp.  Fila colosssal! Não deu para encarar.  Tem Rodin e grafiteiros. Não percam! Eu vou semana que vem, mas em dia e horário melhor, senão não dá.  Mas como a Paulista é tudo de bom, tem montes de opções, fui ao Sesi. Estão com uma mostra de arte colombiana, período de 1948 e 1965 (http://www.sesisp.org.br/home/2006/centrocultural/prog_expo2.asp). Bem interessante, pois conheci vários artistas dos quais gostei muito, além de ver obras de Botero que mostram um artista bem diferente do que já vimos por aqui. Adorei ver Mejía, Grau, e tantos outros.  E, como sempre, as exposições do SESI são super bem montadas!  Mas os seguranças continuam conversando, ajustando e atendendo celulares (a gente, visitante, não pode…).  Terrível!

E, por último, seguindo uma dica do blog do Luciano Pires, fui ver O homem das cavernas (http://guia.folha.com.br/teatro/ult10053u642366.shtml), de Rob Becker, direção e tradução de Alexandre Reineck, com Norival Rizzo.  E olhem que coisa: descobriram o horário da tarde de domingo para teatro! Finalmente!  Uma delícia assistir a uma peça como essa num domingo à tarde.

A peça é muito divertida. Leva uma hora e meia, o timing do NRizzo é ótimo, o texto (adaptado) também é muito ágil.  Trata-se de um homem defendendo sua classe, mas sem machismo, apenas tentando mostrar que homens são seres bons, que valem a pena, somente diferentes das mulheres.  Obviamente, como em todas as peças, filmes, a grande maioria era de espectadoras, que se divertiram muitíssimo com os arrazoados de Becker. Naturalmente, acha mais graça quem tem mais tempo de vida, pois viu muito do que o autor relata e deu tempo de assimilar e analisar tudo. Os mais novinhos podem boiar um pouco, mas mesmo assim vale a pena. Diversão garantida!

Ah, sim, tempo de Natal e a Paulista está se preparando: o Itaú Personalité está pronto, o Bradesco, quase, agora triste é o Real , que tinha uma decoração fantástica, interna e externa, e agora está peladinho…Outros prédios estão se paramentando. Daqui a pouco já vai dar para ver decorações lindas de dia, mas sobretudo à noite.

29

de
novembro

I am so lucky!!!

Primeiramente, deem uma ouvidinha nesta música que faz parte da trilha sonora de Julie and Julia: http://www.youtube.com/watch?v=SgXQf2ADH14 (Time after time). O título do post é parte do refrão.

É bom ou não é?  Pois é, um filme que ficou dentro do que eu esperava, nada demais, mas adorei. Meryl Streep tira água de pedra sempre. Digo isso porque não achei a personalidade de Julia das mais fascinantes. Ela consegue incorporar uma matrona, conservadora, mas com características encantadoras.

O filme só tem razão de ser pela experiência que Julie Powell fez, pelo livro que escreveu. De qualquer forma, o filme tem boas mensagens. Por exemplo, quando Julie diz que Julia salvou sua vida, na verdade não é bem assim. Julia deu o insight, serviu de inspiração, foi o clic, mas Julie fez o trabalho sozinha.  Exemplo acabado de livro, palestra, etc., de autoajuda, o Segredo, e coisas do gênero. Ninguém vai viver a vida da gente, vai dar razão à vida da gente, senão nós mesmos.  Fatores externos podem dar a inspiração, o clic, provocar o insight, “abrir os olhos”, mas é só.  O sucesso ou insucesso da empreitada é conosco mesmo.  Tem gente que não termina nada, não tem energia para nada, se olhar para trás terá realizado o mínimo do mínimo, ou por acomodação, ou por medo, ou porque só quer mesmo é que a vida passe e não vê nada mais no horizonte.  E são felizes (palavrinha esquisita, mas não acho outra)?  É possível, pois se você não quer, não precisa saber o que está atrás da porta há grande probabilidade de se poupar ao máximo, de não se machucar, de não sofrer, de não gostar de verdade de ninguém, de não gostar de verdade de nada. Faz de conta que se tem uma vida.  Pessoalmente, conheço algumas (poucas, felizmente) pessoas assim.  Isso é muito diferente de indecisão, de ficar “notionless” temporariamente, de não saber que caminho tomar (isso acontece várias vezes na vida da gente).

E Julia é isso: persistência, um plano de vida, mas sem deixar de viver bem, de apreciar tudo que não seja esse plano de vida.  Tanto que é bem-quista, amada, aceita, ouvida, e que acaba se tornando um modelo.  Ela vive e gosta disso, portanto sua energia é contagiante, mesmerizante.

Julie encontra no modelo um caminho. Na verdade, Julia poderia ser ativista ambiental, costureira, designer, atriz. Não importa, Julie encontrou nela a inspiração para viver melhor, olhar a vida com entusiasmo, com vontade de viver. A persistência é notável também, artigo que em tempos de Geração Y(http://en.wikipedia.org/wiki/Generation_Y / http://www.usatoday.com/money/workplace/2005-11-06-gen-y_x.htm / http://www.itweb.com.br/noticias/index.asp?cod=48474) está quase que em falta. É preciso coragem, é preciso força, é preciso trabalho.  Não é fácil, não.

O filme tem o ritmo e um pouco a cara de outro trabalho da Nora Ephron: You’ve Got Mail (post de 14/06), uma delícia também!

Enfim, um filme sobre relações humanas ricas, e de sorte tanto no caso de Julie quanto de Julia, pois encontraram parceiros quase que perfeitos. Isso também é raríssimo!  Stanley Tucci está fantástico como sempre, e a Amy Adams também está muito bem, Aliás, lembrou-me bastante a Meg Ryan em vários aspectos.  A trilha sonora também é bem bonita!

Enfim, um filme gostoso, para uma tarde de verão como a de ontem.

Ah, sim, há a questão blog!  Como ia me esquecendo disso?  Julie é uma blogger.  E quem escreve blogs, mesmo que seja para si mesmo (no fundo, acho que todos fazemos um pouco isso, ou achamos que fazemos), sabe que é preciso compromisso, sim ,é preciso fazer, é preciso disciplina, é preciso vontade, e nada disso tira o prazer.  Se o prazer for embora, melhor parar.  A experiência a que autora/Julie se propôs foi bem interessante.  Não deixa de ser uma boa ideia ter uma data de validade, ou um objetivo específico.  O meu blog, por enquanto, vai ao sabor dos acontecimentos, ideias, vontade de agregar.  Enquanto eu tiver algo dizer, não vou parar.

26

de
novembro

E o ano está quase acabando…de novo!!!

Pois é!  O mesmo assunto!  Todo ano!  Não tem jeito!  Mas é muito bom, mesmo assim.

No ano passado, blog novinho, com umas mágoas acumuladas, escrevi os posts de 10/12, 19/12 e 26/12.  Neste ano, resolvido tudo (acho…), alma mais leve, o texto é mais levinho também.  Afinal, como disse na ocasião (2008), gosto demais desta época do ano. Não das compras, não das festas, e nem datas em si, mas da energia, do movimento, das cores, das árvores de Natal, das decorações. Ainda bem que é só uma vez por ano, acho que por isso eu gosto.

Hoje fui ao centro da cidade para tratar de um assunto pessoal e de um assunto da empresa.  Fui um pouco receosa por vários motivos: calor, possível movimento pela época do ano, falta de segurança.  Para minha surpresa, encontrei um centro até tranquilo, sem multidões (acho que todo mundo está pela 25 de Março, Ladeira Porto Geral, Mercadão. Ainda bem!).  Sem o trânsito nervoso que esperava, mesmo com o calorão, deu para caminhar da Bráulio Gomes até a Barão de Paranapiacaba sem morrer, e voltar para pegar o ônibus para a empresa.  Evidentemente que a gente tem de ter mil olhos, tentar não bobear nas travessias de ruas, nas entradas e saídas de edifícios/comércios.

Se a gente consegue passar por todos os desastres anunciados, o centro de SP é uma delícia. Eu adoro a cidade, como já mencionei várias vezes.  Às vezes, ou muitas vezes, entristece-me a incompetência, a falta de visão dos administradores públicos: não são urbanistas, não são administradores de fato.  Mas se a gente olhar com olhos de afago, a cidade é ótima. Feia, mas ótima.  Passei pela José Bonifácio, onde, quando jovem, ia buscar partituras nas casas especializadas. Passei pela Boa Vista (normalmente visito o CCBanco do Brasil nos finais de semana apenas), hoje engravatada, com gente, muuiitaaa gente, ajeitada. Não são os yuppies da Paulista, mas um pessoal mais solto, mais à vontade, menos engomado, mas igualmente bonito, vibrante.  E passei por um pedacinho da Rua Direita. Esperava um mar de gente, mas qual! Grande movimento, mas bem longe do que já experimentei ali no passado ou esperava encontrar.  E fui embora passando pela Praça do Patriarca.  Aquele monumento, para mim horrível, é um refrigério no calor, num dia de sol: primeiramente porque ele gera uma sombra ótima e longa e larga; em segundo, porque bem ali tem uma aragem que é uma delícia. Dei até uma paradinha para deixar a temperatura do corpo baixar.  E isso plenas 14h30 (horário de verão)!

O Teatro Municipal está todo embrulhado, pois está em reforma. A Prefeitura (Banespinha), o Shopping Light estão em ordem. Tristeza deu de ver o relógio do Mappin, opa, CBahia atualmente, parado.  Trabalhei muitos anos (uma década quase) ali no centrão.  Passava constantemente pela Xavier de Toledo e contava com aquele relógio. Até onde me lembre é a primeira vez que o vejo sem funcionar. Pena mesmo!

E o centro é uma pintura viva do que somos todos nós. Não só a cidade, ou o país, mas a humanidade. Tem o “maluco beleza”, o “maluco  embriaguez”, o ledor de sorte, os cantores (tinha um pessoal vindo diretamente do passado inca, paramentados, com um sonzinho até legal), os drogados, as estátuas vivas (aquele pessoal que se pinta inteiro - eca! - veste um montão de fantasias, e fica lá, paradão, horas, horas, horas, mesmo debaixo do sol destes dias. Admirável, eu diria), trabalhadores, executivos, gente fazendo compras, brancos, negros, mulatos, gordos, baixos, altos, magrelinhos, carecas, cabeludos, barbudos, jovens, velhos, crianças, homens, mulheres: um caleidoscópio sem igual!  Bom de ver e de sentir.

Foi bem cansativo por ter tempo contado, pelo calor, mas foi bom matar a saudade da minha cidade em dia de função! (tô boazinha…não vou indicar o Google pra vocês: fun.ção s. f. 1. Ação natural e própria de qualquer coisa. 2. Atividade especial, serviço, encargo, cargo, emprego, missão. 3. Fisiol. Ação peculiar a qualquer órgão: F. gástrica. 4. Ato público a que concorre muita gente. 5. Festa, festividade, solenidade. 6. Festa dançante; baile, dança. 7. Mat. Qualquer correspondência entre dois ou mais conjuntos. 8. Gram. Valor gramatical de um vocábulo: F. de adjetivo; f. de sujeito).

22

de
novembro

São tantas emoções…

Ontem foi o casamento do Michel e Adriana (vida longo aos dois!).

Como já disse várias vezes, não sou de ir a casamentos (não gosto mesmo), da mesma forma que a outras liturgias, e.g., velórios, funerais, missas de qualquer espécie, formaturas, etc..  Não que eu coloque tudo no mesmo nível. São eventos de naturezas bem diferentes, evidentemente!  Mas nunca gostei, hoje gosto menos ainda, e me reservo o direito (a idade acaba concedendo isso para a gente, felizmente!) de não ir e ponto.

Os casamentos mais recentes a que fui foram, pelo que me lembre: o da Sany e Carlos, do Rodrigo (em Santos), da Lola (em 2007, mas a Lola é um ser especialíssimo, filha da Silvia, que eu vi nascer, e de quem fui/sou madrinha), e agora do Michel.  Nos da Sany, Rodrigo e Michel, não me perguntem por que fui: claro que gosto dos três, como de outros amigos que casaram e a cujas cerimônias não compareci.  Todos são queridos para  mim, torço por eles, por seus pares sempre, mas por que as exceções, não sei: uma força maior me empurrou para as cerimônias. É isso, algo incontrolável…  No entanto, os casórios do Rodrigo e do Michel tiveram um componente diferente: ambos foram realizados no Valongo (http://ssavalongo.sites.uol.com.br/historia/santuario.htm), uma igreja do século XVII.  Bom, Santos para mim é tudo de bom.  Acho que no caso do casamento dos dois juntei o carinho pelos meninos e a oportunidade de ir a Santos. No do Rodrigo eu ia para ficar o fim de semana, mas no final acabei indo com amigos no sábado mesmo e voltando a SP depois da festa. Mas no caso do casamento do Michel…ai, foi ótimo rever a cidade, poder passar dois dias inteiros (desde 6a. final do dia até domingo início da tarde) ali.

Então, vamos por partes: o casamento do Michel.  Pois é, a foto aí de cima é dele antes do casamento. Nervoso, muito ansioso na verdade. Mas, com uma satisfação estampada em cada molécula!  Mesmo meio “enlouquecido” cumprimentou a todos, simpático e conversando com todo mundo.  Muitos parentes e amigos presentes.  Estava elegantíssimo. Os que conhecem o Michel sabem que ele é um palito, mas perdeu quilos nas últimas semanas.  Pensamos, ingenuamente, que fosse pela correria, preocupação, ansiedade. Mas qual!  Durante a festa ele e a agora esposa (Adriana) dançaram um bolero com passos ensaiados, terminando hollywoodianamente!  Então, os quilos perdidos seguramente devem-se às aulas de dança para poder encantar os convidados!!!

A noiva - vocês sabem como eu sou com fotos, então façam um esforcinho (Rodrigo, mande as fotos para eu poder publicar. Tenho certeza que as suas estão melhores…) - Adriana, foto aí de cima também, estava  muito bonita e igualmente feliz, só que me pareceu mais tranquila que o Michel.

Um casamento na igreja do Valongo é por si só um acontecimento. A igreja é emocionante! Uma das mais bonitas que já vi no Brasil, e está muito bem cuidada. Há alguns anos começou sua recuperação e hoje me parece “accomplished”.  Ir ali é para mim um grande prazer. Sempre que vou a Santos tento visitar a igreja, e eu não sou nadinha religiosa, hein!  Mas a visita é sempre inspiradora.  Os próprios santistas não vão muito ali, a não ser em ocasiões especiais. Aliás há casamentos de monte na igreja!  Dizem que a região é perigosa. Eu já fui algumas vezes, durante o dia e durante a semana, quando estive por Santos, e não me causou essa impressão, mas eles devem saber do que estão falando. De qualquer forma, para os casamentos há estacionamento, segurança ou guardadores, lugar na rua para os carros.

O casamento foi lindo, a festa a seguir também foi muito bonita e animada, com detalhes definidos pelos noivos que surpreenderam.  Tudo muito bonito mesmo! Tomara que a alegria dessa noite se estenda pela vida dos dois!

Agora é preciso dizer que Santos, desde que cheguei, estava com um calor absurdo!  Um calor incrível, mesmo sem sol, com chuviscos e pancadas de chuva pelo dia e noite, mas nem um refresquinho.  Um negócio de matar, pelo menos para mim. Acho que nunca passei tanto calor na vida, que eu me lembre. Mas vale mencionar que os da terra também reclamaram muito do calor, então não é impressão ou sensibilidade da minha parte.

Bom, eu sempre digo que adoro SP, poderia até ter morado em outros lugares, mas daqui não saio!  Adoro a cidade! Claro que ela tem muito a melhorar, mas mesmo assim é o meu lugar, com que me identifico sempre.  Pois é, e mesmo tendo viajado bastante, sabem qual seria a outra cidade no mundo em que eu gostaria de morar? Santos (http://www.santos.sp.gov.br/), isso mesmo!  Amo demais os jardins à beira-mar, a estrutura da cidade, a proximidade do grande centro, o jeito da gente de lá.  Aliás, acho que o santista tem o sotaque mais bonito do Brasil.  Quem sabe um dia eu consiga passar mais tempo por lá e aproveitar não só o pézinho na areia, mas os monumentos históricos - e Santos tem história! - tão bem cuidados!  Fazia dois anos que não ia à cidade e notei algumas coisas interessantes: (1) a sinalização das ruas melhorou muito! Os locais turísticos são identificados também em inglês; (2) estão cuidando de lugares que de que eu gosto muito mas estavam precisando de melhorias. O orquidário, por exemplo!; (3) ao longo de toda a praia - nota: Santos tem a faixas de areia mais larga que eu já vi! - bem perto dos jardins, ou seja, no ponto mais distante do mar, houve a instalação de várias tendas. Cada uma de uma associação (professores de Santos, Banco do Brasil, Fisco, etc.), grêmio, associação recreativa ou desportiva (todas antiquíssimas)!.  Há alguns aspectos interessantes decorrentes dessa cessão de espaço: (a) naturalmente isso não deve ser gratuito, i.e, o município, imagino, ganha alguma coisa; (b) mesmo que não ganhe, o fato de as tendas estarem instaladas e haver um cuidador (todas têm alguém que fica ali para servir os frequentadores, servir) deve garantir a limpeza do local. E garante, pois está tudo bem limpinho; (c) esses cuidadores devem ser pagos pela associação, sindicato, etc., que mantém a tenda, ou seja, geração de emprego; (d) como estão no ponto mais afastado do mar, não prejudicam o banhista comum, frequentador comum, nem aqueles que têm seu negócio na praia.  Os espaços mais próxmos ao mar, ficaram para o público em geral. E esse espaço é enorme! (4)há inúmeros lançamentos imobiliários (caríssimos, sei não…) e muitos negócios se abrindo, sobretudo restaurantes estilosos!

Ah, hoje, enquanto esperava o transporte para deixar o hotel, conversei (vocês sabem que eu sou calada, mas não deu para evitar…) com uma amazonense que trabalha para a Petrobrás. Faz auditoria ecológica em suas unidades. Tem percorrido sobre tudo o sudeste.  Ela foi categórica: se não morasse em Manaus moraria ou em Santos ou em Ubatuba (outro lugar que conheci tardiamente, mas adoro. Só acho que não moraria lá)!

Os jardins de Santos (que muito provavelmente serão ratificados como os maiores do mundo pelo Guiness book - jardins contínuos à beira-mar) estão lindos, muito bem cuidados! A cidade é limpíssima, mesmo recebendo hordas de turistas, e considerando a porcalhice do brasileiro em geral. A iluminação permite que se aproveite tudo noite adentro! O transporte público, que sempre foi bom - foi a primeira cidade em que vi uma passagem similar ao nosso bilhete único, aos bilhetes de NY que permitiam fazer trajetos por preço único - continua muito bem, pelo que vi. Abundância de ônibus, carros limpos, modernos.

O mar de Santos, é preciso que se diga, não é dos mais bonitos. A cor nunca foi aquela maravilha, e com o porto ali pertinho é difícil mesmo. Mas mesmo assim, a água é bastante limpa. Além disso o Estado testá patrocinando e envolvendo a população no Programa Onda Limpa (http://www.programaondalimpa.com.br/) Após sua conclusão a cidade vai ficar melhor ainda!

E Santos tem ruas como a Barão de  Penedo…uma coisa linda de andar…toda vez que posso vou até ali para ir e vir.  Um boulevard lindo!

Se você não conhece Santos, se não vai lá há muito tempo, ou se acha que conhece mas não reconhece muito do que eu mencionei acima, me avise! Faço uma programação completa para você! Você vai se surpreender com a cidade!

Ah, só mais uma coisa: levei minha máquina, mas não tirei fotos. Fiz um acordo comigo mesma: não tiro fotos de Santos (acessem os links acima e vocês verão fotos lindas), assim me obrigo a voltar sempre para rever.  Com fotos às vezes a gente se satisfaz. A memória ou o olhar pregam uma peça na gente: o pictórico, a imagem, acaba valendo tanto ou mais que o real (os grandes pintores, escultores, etc., souberam usar isso como ninguém).  Por isso, nada de fotos: ver in loco é o que eu farei tantas vezes quantas puder.

20

de
novembro

Dickens é que era o cara!

Desculpem-me pelo título pouco original e até um tanto grosseiro, mas não me ocorreu outro para expressar minha admiração após assistir a Os Fantasmas de Scrooge (http://www.imdb.com/title/tt1067106/ ), baseado no livro de Dickens (http://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Dickens): A Christmas Carol (http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Christmas_Carol).  Além de baseado em um texto excelente, a Disney  superou-se:  o filme é uma viagem em 3D (vi no Imax do Shopping Bourbon), em efeitos, em beleza, em plasticidade. A trilha sonora é primorosa e o amálgama entre atores e criaturas gráficas é fantástico!  Uma delícia voar com Scrooge e seus fantasmas pela cidade, pelos campos, pelos céus.

Jim Carrey está muito bem como Scrooge em várias fases. Gary Oldman está ótimo também.  Mas a mescla ator carne e osso com personagem gráfico é admirável! O filme foi concebido com a mesma técnica utilizada por Zemeckis em ‘O Expresso Polar’ (2005) e ‘A Lenda de Beowulf’ (2007), capturando os movimentos dos atores em animação digital.  Só vi Beowulf dos dois e achei fantástico!

Vi a versão dublada porque, como tem acontecido nos últimos tempos, qualquer filme em 3D só é exibido na versão dublada. Não tem jeito. Mas há um consolo: nossos dubladores estão cada dia melhores, e também nesta produção não fazem feio.

Os fantasmas de Scrooge carregam a crítica social presente em muitos textos de Dickens. É a história de um homem amargo, cruel, mesquinho, que a todo momento vinga-se em tudo e todos como revanche por aquilo em que transformou sua própria vida. De um menino maltratado pela família, solitário, arredio, passando por um jovem que troca amos por ambição, chegou a um velho impiedoso, seco, infeliz.  O filme é uma peroração, sem dúvida, mas não é piegas. Enche os olhos, os ouvidos, e a imaginação, por quê não?

O título deste post veio a minha cabeça porque me dei conta de que, tendo lido Dickens há tantos anos, não me lembrava da força de seu texto.  Há passagens da animação que correspondem exatamente ao que o texto me transmitiu quando o li, ou seja, um texto forte, rico, bonito: um filme em palavras! Tenho de reler o autor seguramente!

Agora o lado pitoresco da sessão cinematográfica: acho que naquele cinema vendem pipocas mágicas, daquelas que nunca acabam…40 mnutos, uma hora, uma hora e meia, e tinha gente mastigando sua pipoca, com aquele ruído mandibular insuportável, crecrec do papel, chupchup no refrigerante.  Um horror!  Isso devia ser proibido!  Pipoca e demais acompanhamentos, inclusive balas, chocolates, etc., só em casa!  O pior: onde vocês acham que esses brucutus limpam suas mãozinhas emporcalhadas? Exatamente - na mesma cadeira em que todos nós sentamos.  Ao sair, pipoca, canudos, saquinhos e sei-lá-eu-mais-o-quê aos montes pelo chão. Oooh, nojo!

Bom, não perca o filme, vale a pena. E se puder, veja em uma sala 3D boa. A Imax é a ideal!

20

de
novembro

Gramática - Elessandra Paula

Gramática

Cansei de amar, escrevia o poeta

Enfadado e triste, entre uma palavra e outra repensava o que recém havia escrito

Mais que enfadado, mais que triste, pensava no amar verbo, no amar transitivo

No alguém depois do verbo

E sentira enfim, que amar era um absurdo da gramática

Que qual análise sintática mais simplista poderia separar sujeito de objeto. Meu Deus, objeto!

Amar requeria dois sujeitos

E se revoltava com a estrutura rígida da língua. Quem ama, ama alguém ou alguma coisa. Mas que coisa é essa, se perguntava?

E se propunha, ele mesmo, a reinventar o verbo amar. A reinventar a análise sintática. A reinventar o próprio sujeito.

Era o poeta, enfim, subordinado a si próprio.

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nota: eu já estava com saudade dos textos da Elê. Obrigada pela generosidade tão pouco comum.

15

de
novembro

E o ano está acabando…

Pelo menos no caso dos espetáculos da Jazz Sinfônica (http://www.apaacultural.org.br/jazzsinfonica/index.php) no Auditório Ibirapuera (http://www.auditorioibirapuera.com.br/) ontem foi o último do ano. E que finalização!! Leny Andrade (http://pt.wikipedia.org/wiki/Leny_Andrade)…queeeemmm? Bom, quem não sabe busque no Youtube para se ilustrar, pois vale muito a pena.

Para mim foi um prazer ouvir essa cantora que eu vi ao vivo pela última vez no finado Inverno e Verão (http://www.millarch.org/artigo/os-bons-lps-de-zanini-para-o-inverno-verao), ali na Vieira de Morais no Campo Belo. Sei lá, acho que faz uns 20 anos pelo menos. A LA é uma cantora de MPB com roupa de jazz, ou de jazz com qualquer outra roupagem (MPB, boleros). Ela improvisa brilhantemente, tem voz firme e afinação incríveis. Por isso ela acabou fazendo mais sucesso, ou sendo mais reconhecida e conhecida, fora do Brasil. Morou por 5 anos no México, hoje mora em NY (já faz anos). Sempre esteve em acontecimentos musicais em outros países.  Pelo que ela contou ontem durante o show, agora está sendo descoberta pelo Brasil. Bem, antes tarde do que nunca, né, não?

A LA tem 66 anos, mas um jeito de ser de menina.  É uma figura baixinha, pele mais morena, gorducha (sempre foi assim), com fala mansa, simpatia e humor.  Uma delícia ouvir suas histórias, a apresentação das músicas, suas brincadeiras.  Da mesma forma que o Ney Matogrosso (post de 14/11), ela mesmeriza a plateia. Nem eu sabia que gostava tanto dela.  Só tinha na memória uma sensação muito agradável quando ouvia o nome da cantora.

Ontem ela cantou composições de Johnny Alf (Céu e Mar); João Donato e Paulo Sérgio Valle (Quem diz que sabe); Sabra Dios (Lucho Gatica); Tom Jobim e Dolores Duran (Se é por falta de adeus), e mais outras tantas.  13 músicas, contando o bis, sem parar, sem esmorecer, sem perder a graça, a coragem de improvisar.  Incrível a sintonia entre ela e a orquestra!  Ela estava à vontade e a orquestra se deliciando em acompanhar a cantora.  Uma noite memorável!

A Leny disse que vai lançar um cd só com boleros (ela é versátil!).  Deve ser lindo! Vamos esperar e tirar a prova.

15

de
novembro

Foi por um triz!

Nossa, quase que não dá para visitar a Virada Russa (http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,virada-russa–os-mestres-da-arte-em-grande-mostra,433265,0.htm), em exposição até hoje no CCBB de SP (http://www.bb.com.br/portalbb/page512,128,10164,1,0,1,1.bb?codigoMenu=9900&codigoNoticia=19795&localizacaoDet=2).  Normalmente não gosto de ir a exposições no primeiro dia ou no último, mas devido as minhas férias e minha programação para encontrar amigos, deixar a casa em ordem, só deu para ir ontem, penúltimo dia.  Isso não é bom, porque sempre há tumulto. Muita gente, não se consegue ver as obras direito, seguranças estressados e por aí vai.

A exposição traz mais de 100 peças do Museu Estatal Russo de São Petersburgo.  Tem Kandinsky (http://pt.wikipedia.org/wiki/Wassily_Kandinsky), de quem gosto muito, tem Chagall, não gosto tanto,  tem, sobretudo, Tatlin, Malevich, e outros da vanguarda russa.  Todos eles acreditaram que com a Revolução Russa tudo ia mudar, “camponeses e proletários” assumiriam as rédeas de tudo, e até a arte sairia beneficiada do processo.  Ledo engano…há até uma lei dos anos 20 que proíbe, imaginem só, a criatividade individual. Exato, isso mesmo! Proíbe!  E que desserviço ao mundo, às artes, o que foi desenvolvido durante os anos de chumbo, de ditadura, ou comunismo mais especificamente. Apenas obras sob encomenda. Deixou-se o abstrato, o impressionismo, o cubismo, enfim tudo que pudesse representar contaminação do Ocidente, para se assumir uma estética dura, feia, repetitiva, monótona.  Cada telinha feia, sem nenhuma alma, valendo apenas como informações históricas, se posso dizer assim.  Retratos de um tempo, fiéis, mas sem vida.

Todos os que insistiram na arte em que acreditavam, os que não se dobraram ao Estado, sofreram na pele essa escolha: ou ficaram anos aprisionados, ou foram mortos. Há dois filmes ótimos sobre o movimento de vanguarda, seus anseios, decepções, e sobre os que o comandaram.  E surge Nicolai Punin, que teve papel preponderante no curso da história da arte russa.  Somente após o comunismo ter amainado,a abertura ter chegado, a arte russa pôde voltar a respirar.  Décadas de claustro para os artistas. Só os que conseguiram sair do país, ou optaram por morrer de fome mas não se curvaram ao regime, puderam continuar produzindo.  Uma pena o que aconteceu com a arte russa. E havia ideias brilhantes que foram sufocadas quase até sua extinção.

Algumas observações quanto ao CCBB: comumente, quando vou às exposições do CCBB é tudo tranquilo, mesmo que haja bastante público, porém hoje havia escolas visitando! Como assim? Por que não se permite apenas durante a semana para não causar o tumulto que estava formado hoje no CCBB? Além disso, esses grupos monitorados acabam incomodando e atrapalhando pessoas que só podem ir ao CCBB nos finais de semana; os estudantes, teoricamente, podem ir em qualquer outro dia. Além disso, não havia folder sobre a exposição. Gente, será tão difícil prever o número necessário ou mesmo perder um pouco para que nenhum visitante fique sem? Ou até, se se acabam imprimir rapidamente o que for necessário? Afinal a estrutura do BB seguramente permite isso. Mais, até o catálogo da mostra, que se compra na lojinha do CCBB e normalmente é bem caro, está esgotado há 20 dias, segundo a vendedora. Pode? Vão ser ruins de estatística, cálculo e solução de problemas ali adiante!

No geral, a exposição é muito interessante, está bem montada, como normalmente acontece no CCBB. Ainda bem que consegui visitá-la.

14

de
novembro

Irretocável!

Esse é o primeiro adjetivo ou definição que me vem à cabeça para falar do show de Ney Matogrosso (http://pt.wikipedia.org/wiki/Ney_Matogrosso), Beijo Bandido (http://www.guiadasemana.com.br/Sao_Paulo/Shows/Evento/Ney_Matogrosso.aspx?ID=58812), em cartaz até amanhã no Teatro Bradesco do Shopping Bourbon (Pompéia).  Eu vi o Ney Matogrosso, há trocentos anos, num número dos Secos e Molhados, bem de longe, mas não me lembro onde.  Só lembro que foi bem de longe…

Naquela época, o jeito andrógino, a voz afinada, as pinturas na face, as roupas coloridas, esvoaçantes, a dança marota, já eram um furor.  Mas o sucesso veio mesmo pela voz, pela presença de palco, pelo repertório.  O elepê dos Secos e Molhados (http://pt.wikipedia.org/wiki/Secos_&_Molhados), aquele em que eles estão com as cabeças numa mesa, como se fossem a refeição, quase furou de tanto eu ouvir. Com a saída do Ney da banda o sucesso do grupo acabou.  Claro que ainda havia as lindas letras e músicas, mas o Ney era a alma do grupo, sem dúvida alguma. Tentaram revivals, mas a coisa não decolou.  Enquanto que o Ney Matogrosso continuou sua carreira. Acho que é o cantor do qual tenho mais cds (mandei passar os elepês para cd).  Também gosto muito da forma como o cantor se apresenta fora dos palcos. Seu jeito tranquilo, comedido, seus pontos de vista.

Como não conhecia o teatro, recém-inaugurado, e foi muito fácil comprar ingresso, lá fui eu ver o show.  Ontem, sexta, uns 90% do teatro estava ocupado.  O show começou com um atraso de 10 minutos, e levou uma hora certinha.  Houve bis, claaarooo, duas músicas e se acabou!  A gente viu um Ney sem penduricalhos, clean, sóbrio, elegante: um terno cinza, uma camisa branca de cetim, e uma gravata bem à vontade.  Engraçado que o Ney que eu tenho na cabeça é aquele dos Secos e Molhados e de algumas apresentações posteriores, ie, meio saltitante, dançando, rebolando.  Ora, o Ney tem 68 anos, minha gente!  68!!!! A gente não se dá conta porque o dna dele é muito bom, aliás ótimo, e ele se cuidou bastante: mesmo corpitcho de toureiro, jeito calmo, tranquilo, balanço e rebolado (sem exageros) inconfundíveis, segurança de quem sabe o que faz. Enfim, ele mesmeriza a plateia. Não falou nada, só agradeceu os aplausos, apresentou os músicos. Nada mais.

O show tem uma grande gama de compositores: Doce de Coco (Hermínio Bello de Carvalho), As Ilhas (Piazolla e Geraldo Carneiro), Tango Para Teresa (Evaldo Gouveia e Jair Amorim), Invento (Vitor Ramil), De Cigarro Em Cigarro (Luiz Bonfá), Medo de Amar(Vinicius de Moraes), Bicho De Sete Cabeças (Geraldo Azevedo, Zé Ramalho e Renato Rocha), Segredo (Herivelto Martins e Marino Pinto) e Mulher Sem Razão (Cazuza, Dé e Bebel Gilberto).  Músicas bem conhecidas como a de Vinícius, de Luiz Bonfá, de Herbert Vianna (Nada por mim), ganharam arranjos competentes e criativos. E com a voz do Ney transformaram-se em músicas totalmente novas.  Podia ser chamado de unplugged não fossem os teclados eletrônicos, no mais violão, violino, cello, cavaquinho, bateria e outros instrumentos de percussão.

Foi uma delícia ouvir mais de uma dezena de músicas com aquela voz maravilhosa.

Quanto ao teatro (http://www.teatrobradesco.com.br/index.php), algumas observações:  o teatro se distribui por 4 andares. No saguão de entrada pouquíssimas cadeiras/bancos. Por que não põem alguns mais para dar conforto às pessoas? Quem acha de verdade que ficar esperando algo de pé é agradável?  Há espaço de sobra, portanto algumas cadeiras/bancos a mais não gerariam nenhum problema de circulação. Para chegar aos outros andares há um (isso mesmo um) elevador.  Como assim, para um teatro com 824 lugares e que se distribui por 4 andares?  As escadas até que são razoáveis para o fluxo de pessoas, sobretudo na saída.  Banheiros só no 1o., 2o. e 4o. andares. Não há no hall de entrada nem no 3o. andar. Há uma cafeteria no hall de entrada. No 3o. andar, que era o meu, há o balcão mas não serviço.

Tecnicamente parece ter sido bem concebido: quanto a luzes e som.  Quanto às cadeiras, não são das mais confortáveis. Quanto aos lugares: como um teatro construído no século XXI se dá o direito de ter lugares com visão prejudicada? Pois é: não compre do segundo andar para cima, a não ser que não possa pagar mesmo: o palco fica longe demais. Pode comprar nos balcões laterais, mas só na primeira fila, e prepare-se para ganhar um alongamento por conta do espetáculo, já que para ver o palco terá de se debruçar sobre a balaustrada, senão nada feito.  Também não compre na primeira filha do balcão nobre (mesmo problema dos balcões, o a balaustrada tapa a visão parcialmente). O melhor mesmo, pelo que vi, é plateia, bloco posterior. Acho que nem a plateia superior, que tem os lugares mais caros, vale a pena. De toda forma, para um teatro que acaba de ser construído, pareceu-me bem ruim em termos de visibilidade, acessos.  Tecnicamente, como mencionei, parece muito bem.  Os funcionários da casa são bastante gentis e receptivos.

Há um telão no fundo do palco (o show do Ney não tinha nenhum cenário) que permite intervenções interessantes. As que foram feitas durante o show foram muito tímidas. Poderiam ter explorado mais o recurso. Quanto às luzes, os efeitos foram muito interessantes, bonitos.

Ah, sim, o duro de shows musicais é o pessoal que se entusiasma, quer dar uma força para o intérprete e começa a cantar junto…ora,ora,ora, eu fui lá para ouvir Ney Matogrosso e mais ninguém!

Wrap-up: o show foi ótimo! Lindo, lindo, lindo!

13

de
novembro

Não somos sérios mesmo! Nem no grande, nem no pequeno.

Somente as grandes coisas chamam a atenção das pessoas, provocam comoções, arrancam protestos, geram movimentos.  E os pequenos desastres vão ficando pelo caminho, incorporando-se à vida, a nós, como se fossem coisas naturais, A gente nem percebe, ansestesia, não sente nada, vai levando, deixa para lá.  Mas justamente por essa atitude: ah, é tão pequeno, não vale a pena, as coisas mantêm seu status quo ou degeneram ainda mais, e a gente continua levando…mal, mas levando.

Em minhas férias, depois de ano e meio das últimas, programei-me para fazer várias coisas que fui deixando porque tinha sempre coisas melhores para fazer. Nada de falta de tempo, porque isso não existe em 90% dos casos alegados. Existe falta de organização, mas sobretudo falta de vontade. Se não faço alguma coisa, não vou a algum lugar, é tão-simplesmente porque não tenho vontade, não quero, não estou a fim na grande maioria das vezes. E assim é com todo mundo, podem acreditar. Verdade que fazer tudo o que se quer ou precisa requer esforço, mas nada do nível “mortal triplo sem rede”, é voglia mesmo acima de tudo.
Claro que há vezes em que a gente realmente tem outras coisas agendadas, mas isso acontece em 10% dos casos. (Estou superprecisa, matemática hoje!).

Enfim, juntei minhas forças e me organizei para deixar algumas coisas em casa mais em ordem.  O relato é meio longo, mas pedagógico.  Acho até que em todo o mundo aconteçam coisas similares, mas acho que somos, nós brasileiros, hors concours na categoria desculpas esfarrapadas e falta de comprometimento. Além disso, em outros lugares, onde os consumirdores são mais exigentes, o percentual de curiosos metendo a mão no que não sabem é bem menor que aqui.  De qualquer forma, considero-me de sorte, porque consegui fazer tudo que pretendia, com pouco estresse na bagagem.


Começando pelo começo: tenho vários tapetes persa de tamanho médio e pequeno. Antes de viajar, conversei com a pessoa que os havia lavado (é um trabalho diferente de uma simples lavagem de tapete, por isso não dá para fazer em qualquer lugar) anteriormente. Era uma 5a., e pedi que retirassem os tapetes no sábado.  Expliquei que viajaria no domingo e tinha várias coisas para ver no sábado. O prestador de serviços disse que passaria em casa às 11h. Ressaltei que isso mataria minha manhã. 10h já seria bem melhor. Ele mesmo acabou dizendo que passaria às 9h. Tapetes enrolados, eu de pé bem cedo, fazendo o que precisava em casa, e chegam 9h, 9h15, e nada. Ligo para o celular e me dá a impressão que atendem e desligam. Depois só caixa postal. Deixo um recado, perguntando se estão vindo de fato. 9h30, 9h45, 10h, 10h15. Ligo de novo e digo que vou sair às 11h30, não por esperá-lo, mas porque ia adiantar o que poderia em casa, já que o atraso havia virado minha programação de ponta-cabeça e que se não chegasse até aquele horário não precisava vir mais. 11h30 e nada, saio. Vou tratar da reforma de uma poltrona, sapateiro, lavanderia.  Estou no banco, 11h45, e toca o celular: Da……., aqui é…….., estamos chegando em 20 minutos. Eu: não estão não! O senhor me fez perder a manhã, bagunçou meus planos, e agora não vou voltar para casa para receber os senhores. Liguei várias vezes para o celular. Desligaram na minha cara e depois só caixa postal. Ele: é que houve um contratempo. E o celular teve problema de bateria. Eu: contratempo houve às 9h, são 11h45! O senhor deveria ter me ligado, como está ligando agora. Portanto, não precisa me prestar serviço nenhum. Obrigada e até logo.


E meus tapetes ficaram enrolados no meio da sala até a volta da minha viagem. Voltando, procurei outro prestador de serviços. Liguei, expliquei o que queria, numa terça. Marquei a retirada dos tapetes para a 2a. seguinte, entre 9 e 10h. No sábado, ligo para confirmar data e horário da retirada. Tudo certo, diz a empresa. Saio, dali a 10 minutos toca o celular. Quem é? Não adivinham? Claro que adivinham: a empresa de lavagem de tapetes: Da……, estamos com um problema. Nosso carro estava indo para Campinas e quebrou. Estou vendo o guincho agora, mas acho que não vamos conseguir atender a senhora na 2a. Eu: Ué, mas vocês não têm outro carro? Eles: Sim, mas bateram nele e está no conserto também. Eu: Tá, mas vocês vão ficar sei lá eu quanto tempo sem recolher e fazer entregas? I.e., sem trabalhar e atender os clientes? Eles: Acho que sim. Mas na 4a. pode ser? Eu: Não, eu trabalho como vocês e estou em férias 2a. e 3a. Volto a trabalhar na 4a. Eles: E sábado? Eu: Pode ser. Eles: Vou verificar se como exceção podemos recolher os tapetes no sábado. Eu: Exceção? Não! Eu quero saber agora se vão ou não, senão vou procurar outra empresa. Eles: Aaah, então é melhor a senhora chamar outra empresa.


E eu chamei outra, pertinho de casa.  Talvez devesse ter recorrido a eles desde o princípio, mas não percebi que executavam esse tipo de serviço. Cheguei em casa e 30 minutos depois um funcionário estava lá para retirar os tapetes. Eu havia informado que eram vários, e quem tem tapete persa sabe que pesam muito porque são basicamente de lã, e normalmente são fios altos. O funcionário mediu tudo e disse que me informariam na 2a. o valor da lavagem. Ele veio de mãos abanando. Eu tive de arrumar sacos, barbante, sacolas para ele carregar os tapetes.  2a. nada de ligação. Na verdade tinha até me esquecido dos tapetes. Lembrei-me à tarde e liguei para saber do valor, afinal eu precisava aprovar o valor da lavagem que normalmente não é barata. Eles: O funcionário que cuida disto saiu e não deixou nada.  Nós ligamos para a senhora. Como ia sair, fiquei de ligar para eles. No final do dia liguei: valor tal, levam 10 dias para entregar (essa é a média com tempo bom).  E vocês acham que o drama terminou? Talvez, aliás espero que sim, sinceramente. Vamos ver se meus tapetes vêm limpos e em ordem.


Próximo capítulo: TV a cabo.  No sábado me liga alguém da TVA explicando que os modens analógicos que tenho têm de ser trocados porque toda a operação da TVA estava passando a digital. Sem a troca eu perderia vários canais.  Ok, então que o técnico venha na 2a., entre 11 e 13h.  Tudo anotado, inclusive a observação de que eu teria um compromisso 2a. à tarde e teria de sair às 13h15 máximo.  Às 11h, vejam bem às 11h quando supostamente o técnico já poderia estar em minha casa, liga alguém da terceirizada para confirmar se eu estava ciente da visita. Eu: Claro que sim. E veja a anotação de que 13h é o horário máximo para eu poder atender o técnico (me disseram que o serviço era rapidíssimo - alguns minutos apenas). Eles: Não há nenhuma informação a respeito. Eu: Deve haver sim, pois a moça que ligou (passei os dados que anotei) leu a observação para mim. Eles: Não tem nada, não. Eu: Não importa. O fato é: 13h é o limite para seu técnico passar aqui. A moça do outro lado ficou visivelmente irritada com minha exigência. Coisa de cabeças limitadas, prestadores de serviços mal acostumados, gente que nunca se põe no lugar do outro, etc., etc.  A que horas vocês acham que o técnico chegou? 12h45!  Aí, como era esperado, um dos modens novos não funcionava. Ele teve de descer, pegar outro no carro e voltar. Uma correria de deixar a gente zonza. O homem estava com uma pressa federal!  De toda forma fez a troca, os testes que dava e saiu. A que horas? 13h15!


Mas o dia não havia acabado…longe disso. Eu havia marcado hora para me apresentar no INSS de Pinheiros. Tive de ir lá para cadastrar  uma senha.  Coisa superinteligente: tira a gente de casa, aglomera gente desnessariamente na agência, para fazer alguma coisa que qualquer site, inclusive os de banco, permitem que se faça sem sair de casa. Mas vá lá.  Havia feito o agendamento há tempos, pela internet.  Tudo certinho, e lá vou eu.  Chego às 14h. Sabe como é…a gente sempre espera o pior. A recepção informa que distribuirão as senhas para os horários marcados a partir de 15h às 14h30!  Olha que coisa simples, fácil!  Espero; 14h30 pego minha senha e vou me juntar ao povaréu que aguardava outros serviços.  Enquanto esperava, só via gente chegando, não parava um minuto, mas saindo vi muito poucos. E eu sentada, apreciando o movimento, e internamente com a certeza de que eu só sairia dali muitas horas depois. Chamam uma senha, duas, três, quatro…15h09. Piiiim! Minha senha!  15h30 saio do INSS. Quem diria?! Justamente naquilo que eu colocava menos fé deu certinho.  O processo de cadastramento da senha é ridículo, e poderia ter sido feito pela internet. Enfim…cumpriram o horário agendado.


Só uma observação: se você quiser ver o Brasil de verdade, aquele que você pensa que conhece, mas eu garanto que não conhece, não, o verdadeiro Brasil, vá a uma agência do INSS. E não precisa ser nos cafundós, não, em Pinheiros mesmo, bairro gigante de classe média, já dá…você vai se surpreender com o que verá. Outra coisa, totalmente aleatória: com o número de pessoas que atendem (várias centenas por dia) daria para ter um ataque se a campainha que anuncia a chamada de uma nova senha não tivesse um som agradabilíssimo. Nada estridente, aliás muito suave, bem audível e gostoso de ouvir.


Tive outras coisas pelo meio do caminho: depender de um prestador de serviços é viver sempre com emoção, podem acreditar, mas os exemplos acima já dão uma idéia do purgatório que é ser consumidor por aqui,do que o cidadão comum vive diariamente. Temos um código de defesa do consumidor admirável, mas ele, por si só, não elimina os percalços que nos imputam. Por isso o consumidor tem de ser cada dia mais exigente, mais vigilante, fazer-se ouvir pelos órgãos que supervisionam as várias atividades. Nada de preguiça, de deixar pra lá. Só assim as coisas podem melhorar para todos.


E para finalizar: a foto aí de cima é de um amigo desacorçoadíssimo. Ele estava fazendo uma reforma, e o deixaram na mão, depois de ter passado pela liturgia normal de: entrego em 10 dias, e levam 30; esse material vai dar e sobrar, e pedem material complementar a todo momento; a obra fica em tanto, depois querem mais porque projetaram mal tempo e trabalho a realizar; vamos chegar bem cedo, e chegam tarde e saem cedo; eu faço tudo isso, aaah, mas isso não é comigo…Que dó do meu amigo. Mas ele vai sobreviver e achar uma saída. Todos temos de achar…

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