Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

17

de
outubro

Dorminhoco ou sonhador?

Dream
When you’re feeling blue
Dream
That’s the thing to do
Just watch the smoke rings rise in the air
You’ll find your share of memories there

So, dream when the day is through
Dream and they might come true
Things never are as bad as they seem
So dream, dream, dream

Pois é, mas não foi bem assim…o Dorminhoco (Sleeper - http://www.imdb.com/title/tt0070707/) é a comédia mais escrachada, mais pastelão de Woody Allen a que já assisti. Antiguinha como vários outros filmes que comentei aqui (posts 15/09, 7/09, 21/06 e por aí vai), mas uma comédia ainda muito atual. Fala de futuro, de Big Brother, de genética e reprodução celular (uouuu!!!).  Neste filme, WAllen atuou, dirigiu, escreveu, e também é o executor de toda a trilha sonora.  WAllen nunca erra nas trilhas, e esta é primorosa, fantástica!

É a história de um homem (clarinetista e dono de um restaurante natureba em NY) que entrou em um hospital, em 1973, para ser operado de uma úlcera e acabou dormindo por 200 anos. Acho que algo deu errado!  Uma clara referência a Planeta dos Macacos, sobretudo quando ele acha um fusca inteirinho, funcionando; quando tem de identificar várias personalidades do século XX (com a falta de informação do americano médio ele emite várias opiniões sem pé nem cabeça), enfim bem aquilo em que PdosM se baseia desde o início.

Ah, e Diane Keaton também atua (que novidade!). Mas sabem o que reparei?  Ela está mais bonita atualmente!  Interessante!

Bem a dupla Allen/Keaton parece se divertir o tempo todo, o cabelo de WAllen nunca esteve tão horroroso, mas isso tudo é detalhe. O filme é uma diversão só: tem robôs superdesenvolvidos, carros tipo Jetsons, casas tipo Jetsons, armas policiais que só dão chabu, enfim tudo no melhor estilo “isto não é sério mesmo”.  Como sempre, discussões seriíssimas no meio da folia: sexo, controle governamental, o que é a política e seu uso ou mal uso, amor, etc.

Um filme hilariante! Uma delícia!

17

de
outubro

Clifford, meu herói

Pronto, alguém já pensou: é a senilidade!  Nada disso!  Sempre gostei muito de ler. Sou do tempo em que livros, não importa se os infantis, juvenis, adultos, eram caros.  Li muitos livros por empréstimo em biblioteca, e em biblioteca de escola estadual!  Não sei como é hoje, mas duvido que haja muitas bibliotecas em escolas infantis ou de ensino médio por aí, mesmo em escolas particulares.

Descobri mundos, histórias, pensadores, sonhadores nos livros que tive oportunidade de emprestar na biblioteca da escola.  É preciso ressaltar que os livros infantis de meu tempo eram bonitos, textos bons, menos “enfeitados”, afinal Monteiro Lobato não precisava de enfeite algum, nem os clássicos de Grimm, de Perrault, de Andersen (post de 25/05 - Retina afogada em beleza), ou melhor, o “appeal” era outro.  Como os tempos mudam, os leitores mudam, os livros também mudam, oras!

Mesmo já tendo passado longamente da idade de ler livros infantis e os infantojuvenis, não consigo resistir a um bom texto, uma boa ilustração, uma encadernação diferenciada.  E melhor ainda: consegui arranjar uma boa desculpa para isso: além do prazer em si de ler essa literatura, qual seja, CENSURA!  Isso mesmo: sob o manto de ter a obrigação moral de ler o que repasso aos jovens leitores, alguns em tenra idade (2, 3 anos), acabo lendo tudo o que passa pela minha mão. Ixxpééértuuuu, ou não?!

Mas não pensem que tal estratagema resulta em nada. Não, absolutamente! Pois com a motivação de fazer uma pré-seleção já li cada queca, cada texto ruim, venenoso como vocês não podem imaginar. Felizmente, para os cerebrozinhos florescentes, “tia” Miriam (se alguém me chamar de “tia” eu corto a língua e furos os olhos, deu para entender?) foi capaz de cortar o mal pela raiz ou “tuer dans l’oeuf”, como dizem os franceses, textos ruins demais, terríveis, cheios de conceitos ultrapassados e negativos, preconceituosos, além de cheios de incorreções linguísticas.  Esses terríveis instrumentos de desinformação e deformação acabaram no descarte de recicláveis mesmo.

Bem, por essa sede de ler tudo que me parece bom, não importando a forma, a mensagem, a que público se destine, cruzei com Clifford.  Clifford para os mais pequeninos, em livrinhos bem coloridos, bem grossos, resistentes, para serem manuseados por mãozinhas gorduchas, pouco hábeis e até melecadas, em que o cãozinho laranja aparece como um filhote.  E Clifford já crescido, em livrinhos mais parecidos com livros adultos e menos com brinquedos, em suas aventuras com Emily Elizabeth, sua dona.

Comecei a ler os livrinhos do Clifford meio que por obrigação (minha cruzada contra a má literatura infantil) e agora isso se tornou um prazer. Os textos são ótimos, a edição da CosacNaify, como tudo que eles fazem, é primorosa.  Vi maneiras supercriativas, lúdicas, divertidas, de ensinar a contar, o nome das cores, das coisas, de ensinar civilidade, bons comportamentos, etc., sem cair na pieguice, na pregação. Delícia de histórias!

Já escrevi para o autor, Norman Bridwell, pedindo para considerar escrever Clifford para adultos. Quem sabe?!

Eu leria com prazer!

12

de
outubro

Tarantino = Marvellous, wunderbar, merveilleu

Este é um daqueles filmes dos quais vejo o trailer e fico torcendo para começar a passar logo.  E hoje foi dia de ver Bastardos Inglórios (http://www.cinemaemcena.com.br/FICHA_FILME.aspx?ID_FILME=2824), quem diria…título original = traduzido, incrível! (http://www.cinemaemcena.com.br/FICHA_FILME.aspx?ID_FILME=2824).

Pois é, gosto muito de Q. Tarantino (http://pt.wikipedia.org/wiki/Quentin_Tarantino), da mesma forma que gosto dos irmãos Cohen (post de 29/11/2008 - Os homens do ano que fizeram o filme do ano).  Estou falando do Tarantino de Cães de Aluguel, Pulp Fiction, Kill Bill 1 e 2, e Death Proof, diretor, roteirista e produtor.  Claro que gosto de outros diretores, mas essa dupla (aliás trio) é imbatível para mim.

O filme trata da Segunda Guerra Mundial.  Americanos e judeus contra alemães. O filme cobre de 1941 a 1944, ou seja, ascensão e queda do estratagema nazista.  A grande personagem é Cel. Hans Landa, interpretada por Cristoph Waltz. Maravilhoso!  Brad Pitt está bem, mas me pareceu repetir um pouco a personagem de Queime antes de ler (irmãos Cohen - post mencionado acima).  Alguns trejeitos remeteram-me imediatamente àquele filme.  Mas ele está bem. BPitt é um dos atores corajosos (há várias atrizes também) que fazem quase questão de se “enfear” para poder ser vistos como atores competentes tão-somente. Escolhem papéis menos glamurosos, difíceis, mais pesados, marcantes, arriscados que exigem um esforço maior deles.

CWaltz rouba a cena de começo a fim como o “Caçador de Judeus”, e uma personalidade globalizada (fala várias línguas), tem modos de um dandi, uma delicadeza que some num repente quando se vê diante de sua presa, e o gentleman vira fera!  Mas, da mesma forma que BPitt, também estão muito bem Mélanie Laurent, a mocinha, Daniel Brühl, Diane Kruger, aliás o grupo todo está muito equilibrado.

O final da história é um tanto exagerado, aliás inverossímil.  Talvez os aliados ou a Resistência quisessem que tivesse havido um final similar, mas não dava não.  Uma amiga acha que Tarantino perdeu a mão nos 20 minutos finais (o filme tem pouco mais de 2,5h), e acho que está certa. Tudo bem que é fantasia, ficção, cinema, mas como os fatos estão tão ligados a um momento histórico cantado, decantado, batido, rebatido, e inegável, ele poderia ter feito a concessão de retratar a história corretamente.  Com seu talento poderia ter conseguido facilmente manter o mesmo impacto, a mesma emoção até o fim sem recorrer a uma “viagem”.  Na verdade, acho até que isso tirou um pouco do brilho do filme, ie, foi um pouco decepcionante a guinada para uma inverossimilhança tão radical.

A história começa com uma judia fugitiva que, por pura sorte, é poupada da morte e lá adiante encontra seu algoz (CWaltz) de novo.  Pelo caminho, os “Bastardos” grupo formado pelo Ten. Aldo Raine (BPitt) vai fazendo das suas, lutando, encontrando inimigos pelo caminho, matando e morrendo, até que também têm seu encontro com Hans Landa.  Muito sangue, muitas cenas fortes (escalpelamento, isso mesmo, escalpos para dar e vender), muito tiro, muita morte, violência (ué, Pulp Fiction, Kill Bill, lembram-se?), muita ação, e muita, muita originalidade/criatividade.  Dá gosto!

Interessante ouvir inglês, francês e alemão, e até um pouco de italiano, como se apertássemos a tecla SAP a cada momento. Para quem sabe pelo menos duas das línguas, é um exercício interessante.

E a trilha sonora? Maravilhosa! Tarantino não inventou nada: utiliza músicas consagradas (http://www.imdb.com/title/tt0361748/soundtrack) de filmes antigos famosos. A gente ouve muito Morricone, J. Loussier, C. Bernstein.  Nossa, tem até David Bowie (http://pt.wikipedia.org/wiki/David_Bowie), que eu adoro, num momento bem crítico do filme com Cat People, agregando muita adrenalina. Uma delícia!

Pode ser que não seja o tipo de filme de que você mais goste, mas vale a pena dar uma olhadinha. É bom demais!

11

de
outubro

Chove e não molha…

Desde a semana passada estava querendo assistir a Enquanto o sol não vem (http://cinema.cineclick.uol.com.br/filmes/ficha/nomefilme/enquanto-o-sol-nao-vem/id/15764), que em francês é Parlez-moi de la pluie (http://www.imdb.com/title/tt1065332/)…ai, que coisa…por que no original se fala de chuva, nossa conhecida, e na tradução em sol. Deve haver algo psicológico, marketológico, ou loucológico que eu não alcanço, mas deixe pra lá.

Ao filme: é um filme dirigido e protagonizado por Agnès Jaoui, que é uma boa atriz.  As duas personagens principais masculinas (Michel e Karim) também são muito bem representadas por JP Bacri, bem divertido com suas idiossincrasias, destemperos, voos, viagens, e Jamel Debbouze, este no papel dele mesmo provavelmente: imigrante que busca um lugar ao sol, ressente-se das injustiças dos colonizadores, sente-se humilhado, etc., etc. Este ator, no entanto, é muito convincente e agrega bastante ao filme em termos de crítica social, além de ser a “escada” para o humor de JPB em muitos momentos.  A França tem cada vez mais agregado os imigrantes, ou filhos de imigrantes, sobretudo os que vêm da África e Oriente Médio, a sua filmografia, tanto como diretores, atores/atrizes, roteiristas, o que tem enriquecido muitíssimo o panorama cinematográfico francês.

O filme fala sobre um documentarista que já teve seus dias de glória, um aluno que o respeita e quer trabalhar com ele, e o objeto do documentário: uma candidata a ingressar na vida política.  Tudo se passa enquanto os dois cineastas de plantão realizaram/filmam um documentário com Agathe Villanova (Agnès Jaoui). Vão perguntando, provocando, e ela vai respondendo, colocando suas ideias, e é nesse nível que se dá uma discussão mais elaborada, psicossociológica até.  E no meio da entrevista vão acontecendo os fatos: um caso inesperado, uma separação, um amor descoberto, a alegria do e com um filho, a empregada fiel que é forçada a ir embora, e muitas situações bizarras, para dizer o mínimo, e de tão estranhas acabam levando a plateia a muitas risadas.

A trilha sonora que mistura Haydn, Schubert, jazz,etc., é bem bacana!

Não é um filmaço com certeza, mas dá para divertir num domingo à noite.

Bem, amanhã tem Tarantino…aí a coisa vai ser séria!

11

de
outubro

Agreste, uma poesia

Agreste (http://guia1.folha.com.br/guia/teatro/drama/139756/agreste), peça de Newton Moreno, que é autor de peças dos Fofos, escreveu As Centenárias, recentemente encenada aqui por Marieta Severo e Andréa Beltrão, está em cartaz desde 2004.  Na verdade, foi continuamente encenada durante muito tempo, saiu de cartaz e acaba de voltar à cena.

Agora está no Teatro Commune (http://www.commune.com.br/espetaculo1.html) ali na Consolação.  Um lugar de acesso fácil, um teatro razoável, pequeno, mas bem montado.  Eu tive uma experiência não muito boa ao tentar comprar ingressos antecipados: as informações foram desencontradas, incompletas, perdi uma viagem ao teatro, para ficar sabendo ao final da história que os ingressos só seriam vendidos uma hora antes do espetáculo começar.  As I say, a peça, o grupo podem ser amadores, mas a administração ou a infraestrutura não.

Enfim, após idas e vindas, telefonemas, etc., e confiando em uma reserva feita “caseiramente” por um funcionário do teatro, lá fui eu ver a a peça que me havia sido recomendada por amigos.  Disseram-me que a peça era boa, mas pesada.  Uma amiga disse que chorou.

É preciso dizer que o espetáculo estava estreando ontem (10/10) e começaria às 21h.  Mas deu 21h05, 21h15, e nada. Aí apareceu a produtora e informou que estavam com um problema técnico (como assim???) e que tentariam começar até 21h30. Começou mesmo umas 21h40, se não me engano.

Já estava preparada, com meu lencinho a postos, mas não foi necessário. A peça conta a história de um casal que acaba fugindo para poder viver junto, e quando uma das partes morre vem à tona uma revelação interessante. E vem o preconceito, vem a crueldade, vem a “punição”.  O espetáculo é encenado por dois atores que vão representando as várias personagens, e narrando a trama alternadamente, e conseguem fazê-lo com muita competência.  O cenário é quase zero, mas cumpre seu papel, e o figurino idem. A trilha musical é interessante.

O texto é muito interessante, bem poético, sem exageros dramáticos.  Tem em si o agreste, a linguagem, o pensar, o agir, o viver de confins do Brasil.  Também reflete a intolerância, a ignorância que grassa por aí.  Há trechos emblemáticos como quando se define o que a esposa pensa/sente por si depois de um determinado fato, ie, a culpa que a mulher carrega culturalmente, e talvez até biologicamente (está no dna), por coisas sobre as quais ela não tem controle, não provoca, mas lhe imputam a responsabilidade.  Apesar de a peça ser de 2004, esse trecho especificamente me remeteu ao caso do médico que está sendo acusado de estupro/abuso sexual.  O que está ali, com todos os nomes e adjetivos, é exatamente o que as mulheres que foram acuadas pelo médico devem ter sentido e justamente por isso não o delataram de imediato.

Como mencionei, o texto para mim é acima de tudo bastante poético e até leve, eu diria, apesar da realidade dramática que pinta. O espetáculo tem só uma hora e pouco, portanto  não cansa, e o trabalho dos dois atores dá grande vigor ao texto.

Há uma coisinha ou outra de que não gostei, ou acho que poderia ser de outra forma, mas no todo a peça é bastante boa e vale ser vista.

11

de
outubro

O que alegra os olhos, alegra o coração

Depois de minha primeira experiência no CEAGESP (post 12/9 - Esse negócio cheira bem!), fui uma segunda vez ao Ceagesp e agora uma terceira vez.  Esse negócio vicia.  Lá fomos o Danilo, eu e mais várias agregadas: 2 x Ana, Da. Marly, na quinta-feira, 8/10, na feira da noite.

Como relatei maravilhas de minhas duas idas anteriores e surgiu a ideia de um curso de arranjos (dado pelo Danilo), angariei seguidoras e lá fomos nós.  Choveu o dia inteiro, e muito, mas mesmo assim a feira aconteceu. Aliás, até por sorte, quando chegamos ao Ceagesp - 22.15h - a chuva tinha parado. Ainda fazia frio, que também, durante nossa incursão, se dissipou.  Ou seja, apesar de uma situação aparentemente desfavorável, conseguimos nos sair muito bem!

Nosso guia e professor (Danilo) guiou o grupo pela feira aconselhando, dando dicas, ajudando a escolher as melhores flores, plantas, e afins.  Foi um passeio ótimo. Da mesma forma que eu em minha primeira visita, minhas companheiras de tour ficaram maravilhadas com o que se vê por ali: cores, variedade, beleza.  Compramos o que precisávamos para nosso curso, bem como algumas coisas para levar para casa de imediato.  De novo preços ótimos!  Saímos de lá 0.30h aproximadamente.

O dia do cursinho foi ontem: 10/10/2009.  Um dia para ser lembrado!  Afinal, até eu que não tenho a menor habilidade manual (e olhem que eu tentei, pois já fiz pintura em cerâmica, joalheria, tear, tricô, crochê, etc. ), não tenho a menor paciência, consegui produzir dois arranjos bem razoáveis.  As outras meninas, que têm mais paciência e jeito fizeram coisas maravilhosas!  Aqui embaixo está o link com o que produzimos durante nosso microcurso.  Não posso deixar de ressaltar o didatismo, paciência, além de toda experiência e saber-fazer de  nosso mestre, o Danilo.  Foi uma manhã deliciosa!

Durante nosso treinamento, recebemos várias dicas de como manusear flores corretamente, equipamentos e materiais que tornam arranjos possíveis e muito bonitos.  Foi uma descoberta para todas nós, mesmo para as que estão mais acostumadas a lidar com flores em casa, as que têm mais jeito.

Tenho de confessar que imaginava que seria agradável, divertido, mas não tão proveitoso e gratificante para todas nós.  A experiência valeu muito a pena.

Vejam as fotos! Acho que quem não é do ramo vai se surpreender com os resultados alcançados, graças à orientação de nosso mestre.  Recomendo!

http://picasaweb.google.com.br/miriamkeller/Workshopflorais10102009A?feat=directlink

6

de
outubro

Um ideia pra lá de interessante!

Fui visitar a Rato antes de fechar (post de 26/9-Réquiem).  Comprei vários livros interessantes, muitos indicados pela donas.  Um dos que comprei, sobretudo pelo título e capa (pode?!) foi Estive em Lisboa e lembrei de você, de Luiz Ruffato (http://pt.wikipedia.org/wiki/Luiz_Ruffato) (http://blogdoluizruffato.blogspot.com/).  Aí, as meninas da Rato me contaram que esse, como outros livros já publicados, fazem parte de um projeto bem interessante da Cia. das Letras: Amores Expressos (http://www.amoresexpressos.com.br/).

A editora escolheu vários autores (não deu para saber o critério. Talvez iniciantes, ou premiados mas não muito conhecidos, enfim…), deu-lhes destinos/viagens e eles tinham o compromisso de escrever um livro que remetesse ao lugar visitado.  No caso do LRuffato, foi Lisboa.  Nunca tinha lido nada deste autor, então lá vamos nós!

A história é sobre um rapaz de Cataguases (Sérgio), que depois de idas, vindas, idas, vindas, e uma vida enroladíssima na cidade natal enxerga como única saída emigrar para Portugal.  Na verdade, não é ele que decide, mas os fatos é que o levam a viajar e tentar a sorte em Lisboa. É um “causo” na verdade, que se norteia por dois fatos: como parei de fumar e como voltei a fumar.  E o recheio é o livro.  Para mim um longo conto, gênero de que mais gosto, com linguagem bem coloquial, ritmo frenético.  Numa rápida olhada, pareceu-me que o autor utilizasse o formato de Saramago: texto corrido, com pouquíssimos parágrafos, mas , não.  Ele utiliza, sim, texto corrido, mas vão no meio diálogos que completam trechos narrativos e vice-versa. Ou seja…um “causo” mesmo.  A personagem principal, Sérgio, narra amores, desamores, medos, decisões, engodos, desavenças, tudo de um jeito bem levinho, bem coloquial, muito ritmado.  É um livro para ler em umas horinhas, para divertir.  O interessante é que (não sei se isso faria parte do projeto da editora também), vários termos utilzados em Portugal estão em negrito.  Jeito diferente de dizer várias coisas, que inserido no contexto fica claro quanto ao sentido, e.g., “…vindo da rua, deixasse o chapéu-de-chuva ali, sempre…”; ” e, graças a esse expediente, os alfacinhas usavam bibes no Jardim de Infância Santo Condestável,…”…aos chutos e pontapés,…“.  Há várias palavras negritadas que só posso imaginar terem sido destacadas porque são de uso mais corrente do que aqui, e.g. fastio, energúmeno, bagaceira, pretos (=negros), parvo, etc., já que o sentido não se altera.

É isso, um livro para divertir e conhecer o lado dos brasileiros emigrados, sem qualificação profissional, cultura ou dinheiro, em Portugal.

5

de
outubro

Novas frentes de trabalho: a descoberta na tela grande

Já havia lido com interesse alguns artigos sobre “amigos de aluguel”. Pode parecer uma bobagem, mas não é não: como sempre digo, o homem é apenas gregário, sendo de fato individualista e matador. Está no DNA da espécie, então um amigo não é algo tão natural assim. E tem muita gente que não faz a diferenciação entre amigo e companhia/conhecido (sair, bater um papinho, fazer o social mesmo, sem grandes envolvimentos, interesses, etc.).  Só que na hora do discurso do noivo/noiva, de ir a uma recepção de peso em que se tenha de conversar, dizer coisas pertinentes, na hora do discurso fúnebre (tem gente que gosta e faz questão disso), da homenagem profissional, etc., é preciso alguém que seja mais do que aquele que conhece superficialmente, que não conhece de fato as necessidades e sentimentos mais profundos, que gosta porque não desgosta, só isso.

Só um amigo, com A maiúsculo, pode resolver isso…então, que tal um “amigo de aluguel” se você estiver em baixa, se aqueles que você tinha como amigos, na verdade não o são (descobrir isso é tristíssimo, mas acontece mais do que se imagina). Ele saberá tudo sobre o cidadão ou cidadã; poderá dar dicas para os que querem travar conhecimento, aproximar-se daquela pessoinha especial que tem um amigo de verdade; ele conhece os detalhes, os gostos, as idiossincrasias, é quase um irmão/irmã.  E depois some…Um trabalho bem interessante - eu gostaria de fazer…

A outra possibilidade descobri em Almoço em Agosto (http://www.pranzodiferragosto.it/), que está ainda no Reserva Cultural.  Uma delícia de filme!  Resumidamente é a história de um homem, que por circunstâncias da vida e pelo seu próprio caráter, perfil, se petrifica na situação de filho que cuida da mãe muito idosa.  Ele o faz sem revolta, sem cara feia, com muito carinho, muito “conformado”, tipo “se não pode lutar contra, junte-se ao inimigo”, ou nosso tão querido bordão (após divulgação nacional pela ministra MSuplicy): “relaxa e goza”.  Lá vai ele com aquela vidinha, sem sobressaltos, fugindo das contas, sendo simpático e carinhoso com todos, o que lhe garante sempre portas abertas e solidariedade, mas chega o dia em que a situação fica muito crítica. Tentando remediá-la, aceita uma proposta do síndico do condomínio:  cuidar da mãe dele (síndico) por uns dias por $, dinheiro suficiente para pagar a conta de luz, parte do condomínio atrasado há 3 anos, etc.  Reluta, mas considerando os benefícios, aceita.  E depois da mãe do síndico, vêm a mãe e tia de um médico amigo, por um dia.

Incrivelmente, Gianni (Gianni di Gregorio) consegue levar a situação muito bem! Divertida e interessante sua interação com as senhorinhas (4 contando sua própria mãe).  Dá a impressão de que ele é amigo delas, tal a comunhão de ações, troca de ideias, e não da idade de um filho.  Realmente ele é muito cordato, paciente, aliás acomodado mesmo. Parece que nasceu velho…

O mais divertido é ver as senhorinhas conversando entre si e a “libertação” delas.  Pois é, filhos carinhosos, prestimosos, são só filhos, e não veem os pais como pessoas, indivíduos; eles são vistos somente com aquela aura do genitor, educador, provedor, mas eles são mais que isso: têm qualidades, é certo, mas muitos defeitos, têm caprichos, gênio forte muitas vezes, enfim, quando se despem da fantasia de pais são pessoas tão-somente, como qualquer um.  Mas para os filhos é difícil esse tipo de ótica, e por mais que queiram cuidar, proteger, tratem bem, tornam-se, na verdade, ditadores, castradores. E chega uma hora em que os pais acabam “jogando a toalha”:  Ah, deixa pra lá, pra que brigar? E se submetem, se sujeitam, ou no mínimo fingem fazer isso.

O que sei é que as 4 senhorinhas são lindas, divertidas, amorosas, rebeldes, uma miscelânea gostosíssima de se ver.  O filme é diversão de bom nível.

Ah, sim…a possível atividade?  É isso, organizar o encontro ou reencontro de pessoas que muitas vezes não sabem que estão vivíssimas e que ainda têm muito que experimentar pela vida afora!  Isso aqui dá para fazer de graça ou bem baratinho, porque minha diversão e meu aprendizado estão garantidos e não têm preço!

5

de
outubro

Vaso ruim não quebra mesmo!

Na primeira vez em que fui ao CCSP (semana passada) li sobre a peça O Crápula Redimido (http://www.guiadasemana.com.br/Sao_Paulo/Artes_e_Teatro/Evento/O_Crapula_Redimido.aspx?id=56877) e achei interessante.  Por coincidência,  recebi e-mail de um amigo divulgando a peça em que a filha estava trabalhando e era a mesma.  Então, eliminada a barreira de ir ao CCSP (que acaba de ser reerguida - post Centro Cultural ou Centro do Caos), lá fui eu ver a tal peça.  Na verdade, o que mais me motivou foi a presença da Eliana Fonseca que, na apresentação de ontem (4/10), foi substituída. Porém, devo dizer que a substituição não deixou nada a desejar. A atriz alternate, que imagino ser Glaucia Libertini - eu não a conheço então não sei se era ela mesma, mas é o que esta no programa - , esteve ótima.

Depois de ler o programa, pouco antes da peça, fiquei um pouco apreensiva. É daqueles espetáculos em que um indivíduo é diretor, ator, músico, contrarregras, malabarista e faxineiro…O indívido em questão é o Leonardo Cortez(http://pt.wikipedia.org/wiki/Leonardo_Cortez). Autor da peça, responsável pela música original, ator principal (Getúlio), diretor…Grande probabilidade de a coisa não dar certo, podem acreditar!

Mas, surpreendentemente, funcionou tudo muito bem.  O texto é bastante ágil, o ritmo é quase frenético, tanto que a peça tem uma hora e pouco mas parece ter muito mais, sem ser cansativo, pois não há um minuto de respiro.  O texto é cáustico, não muito enlevado, mas acho que a temática e o objetivo da peça não visam enlevo mesmo.  O humor é escrachado em alguns momentos.  O autor/ator está tão bem e tão à vontade que dá a impressão de já ter sido um empresário malvado nesta ou em outra vida.  Há crítica a alguns conceitos mais que aceitos e praticados no mundo empresarial, e à amoralidade que isso produz. O sarcasmo (não ironia) caminha ainda pela religiosidade de conveniência em vários níveis (instituição e crente), pelas relações humanas e profissionais banalizadas, e por aí vai.

O espaço em que a peça é encenada (Sala Jardel Filho - por falar nisto, você sabe quem foi Jardel (http://pt.wikipedia.org/wiki/Jardel_Filho)? Não? Então googlando, pls, já que foi um dos atores de que mais gostei em tv e cinema, e vale a pena conhecer) é muito bom. O palco é amplo, permitiu a instalação de um cenário bem bolado, simples, e efetivo. Além disso, há uma banda, siiim, uma banda, que fica ali na lateral do palco fazendo inserções muito interessantes. Ela é formada pelo  Ricardo Corte Real (http://pt.wikipedia.org/wiki/Ricardo_Corte_Real) e dois outro músicos.  A trilha é de muito bom gosto e casa perfeitamente com o que vai em cena.

Vejam bem, não é uma obra para ficar pelos séculos, mas é uma peça interessante; o texto é vivo, coerente, bem articulado, objetivo eu diria, sem grandes pretensões a não ser fazer a crítica pontual e temporal e divertir, fazendo pensar.

Esta peça é parte de uma trilogia; Trilogia Canalha - três comédias trágicas de Leonardo Cortez.  A próxima será O rei dos urubus (9 a 25/10) e depois Escombros (de 30/10 a 1/11), sempre no CCSP, às sextas (21.30h), sábados (21h) e dom (20h).

Mesmo que você não tenha visto a primeira peça (O crápula redimido), acho que pode ser interessante ver as outras duas.

Se eu superar meu trauma quanto àquele local do qual prefiro nem proferir o nome…é possível que eu vá ver os outros textos também.  Se alguém for, por favor, comente e me ilustre.

5

de
outubro

Centro Cultural ou Centro do Caos

Gostaria de relatar alguns fatos anedóticos, para dizer o mínimo, que vivenciei no Centro Cultural SP.

Apesar de ir continuamente a teatro, cinema, exposições, jamais, até recentemente, havia ido ao CCSP.  As notícias de sua construção há 25 anos, falhas estruturais (chovia dentro), programação alternativa demais, nunca me atraíram.  No entanto, acabei indo a 2 peças (uma em 25 de setembro e outra ontem (4/10) ali.

A primeira ida não foi tão traumática, pois era noite, não fiquei muito tempo no espaço antes da peça. No entanto, na segunda visita (ontem) a coisa foi diferente.  Conto meu fado desde o começo para que saboreiem os lances folclóricos do que é um espaço cultural (talvez um dos maiores) público em SP, a maior, mais importante e mais rica cidade da Amérca do Sul,  submetido a uma administração míope, incompetente e pouco amante do que gestionam: cultura.
(1) Liguei para obter informações sobre a peça na 3a. feira - 29/9. Às 9.30h., uma pessoa atende o telefone da Central de informações (33974002). Peço informações e a pessoa não sabe informar nada.  Pergunto se não é a CI e a pessoa me diz que sim, mas só há atendimento a partir das 10h. Era provavelmente um segurança. Como é possível que alguém totalmente desqualificado para fornecer informações atenda o telefone? Por que não há simplesmente uma gravação indicando o horário de atendimento? Não seria mais proveitoso, simples, barato, etc.?


(2) conforme instruído,liguei após as 10h. Aliás,liguei às 10.30h, às 10.35h, às 10.45h e nada!  Normalmente, há duas pessoas ali para atender, pois vi isso na primeira vez que fui ao CCSP.  Estranhei o fato e liguei no PABX (33974000).  Perguntei e a telefonista confirmou que a CI atendia a partir das 10h.  Expliquei que o telefone direto não atendia. Ela, gentilmente, tentou passar  a chamada. De novo, toca, toca, toca, e nada;


(3) ligo novamente para o PABX, explico a situação, e a telefonista (a mesma) me passa para outra área (não entendi o nome do setor) que finalmente me deu a informação que eu procurava;


(4) ontem, conforme instruído, cheguei ao CCSP umas 17.30h. e aguardei a abertura da venda das entradas para a peça a que queria assistir, supostamente duas horas antes do início do espetáculo.  Fui à bilheteria, onde havia 3 pessoas. Duas estavam ali para vender entradas para o show de uma banda de roque, e outra era funcionária do CCSP.  Ninguém tinha informação nenhuma de nada. Instruíram-me a procurar uma das pessoas de jaleco vermelho (funcionários do CCSP) para obter as informações que procurava.  Como assim? Como não há ninguém habilitado a dar informações sobre qualquer coisa relativa à bilheteria uma vez que ela está aberta? Como terceiros recebem a posse do lugar sem nenhuma supervisão de alguém do CCSP. Vejam bem, aquilo é uma instituição pública, mantida com o meu dinheiro inclusive, então como permitem essa bagunça, essa falta de controle?


(5) mas o pior estava por vir: como cheguei cedo, fui dar uma volta pelo CCSP, e presenciei o começo do tal show de roque (havia uma fila de adolescentes e pós para entrar) num espaço que tem o formato de arena.  Além de ser um absurdo fazer algo ali, pois mesmo não querendo (e eu não queria) se ouve aquela barulheira infernal por todo o CCSP (só não se ouve no prédio da biblioteca), graças à acústica capenga do local.  Por que se permitem esses tipos de shows?  Por que todos são obrigados a ouvir esse ou outro som qualquer sem o desejar? É impossível conversar, ler. O ruído é absurdo!  Por que se privilegiam algumas dezenas (era esse número presente no tal show) em detrimento de tantos outros?
Não tem estrutura para fazer competentemente um espetáculo como esse, não faça!

Importante: um pequeno aparte: Santo IPOD salva!  Nunca saia de casa sem ele, pois é companheiro certo nas horas incertas, podem acreditar!

(6) acabei parando para ouvir o tal conjunto de roque (Skylab) porque começaram a tocar o hino nacional. Achei estranho, então parei no corredor.  Antes de continuar minha narrativa é importante dizer que:

-todo o som ou o que diziam se espalhava pelo CCSP como um todo
;
-havia um funcionário do CCSP na entrada monitorando
o acesso à arena;
-havia um segurança fardado dentro do espaço da arena fiscalizando o show
;
-essa arena fica em frente à CI, onde havia duas funcionárias, e dali se ouvia perfeitamente o som/o que é dito na arena.


O tal grupelho de roque (composto por alguns “tios”, ie., pessoas de mais de 40 seguramente) cantou uma música e, em seguida, (segunda múscia) a primeira parte do hino só COM PALAVRÕES, dos quais o que mais ouvi foi FILHO DA PUTA!  E ninguém, absolutamente ninguém, do CCSP fez nada.  Eu sei o nome do conjunto pois perguntei ao funcionário do CCSP que estava controlando a entrada. Infelizmente não vislumbrei ninguém do CCSP para pedir providências.  Vejam bem, não sou nacionalista extremada, não faço perorações sobre o tema e não gosto de ouvi-las, mas bom senso é bom e eu aprecio demais: como é possível que em um  lugar público, mantido com meus impostos e dos demais cidadãos, chamado de Centro Cultural, se permita tal desrespeito a um símbolo nacional?  Os palavrões já seriam o suficiente para uma suspensão do show, mas fazer isso com um símbolo nacional?  O pior é que constatei que ninguém, mas ninguém mesmo da instituição tem regras claras sobre o que é civilidade, do que se pode ou não fazer, do que é bem comum, etc. etc.

Claro que eu não iria enfrentar pessoalmente aquela turba que estava assistindo ao show (turba que o aplaudiu muito após o final do hino, diga-se de passagem - oooh, babacas, esse tempo já passou, ficou lá atrás com a ditadura. E mais, esses babacas não estavam lá, mas eu estava…), pois quem garantiria minha integridade física?

A minha tristíssima conclusão:  não só na aparência - as clarabóias estão sendo consertadas talvez pela milésima vez, porque chove, chove, chove no interior dos prédios; a lanchonete  é um verdadeiro nojo (estabelecimentos melhores não passariam pela Vigilância Sanitária); solário largado, cheio de mato, feio, mal cuidado; vão central sem bancos suficientes, sem plantas que poderiam melhorar muito a acústica do lugar e torná-lo mais agradável, menos estéril-, vê-se que aquilo está ao deus-dará, não há controle, é um órgão público em sua pior definição: preguiça, falta de manutenção, falta de controle, falta de interesse, gente fazendo o que quer (um dos tais de “jaleco vermelho” ouvia um jogo em seu radinho à toda,ali, no meio do salão central).  Ou seja, uma bagunça!  Um espaço como esse, bem localizado, em qualquer cidade do mundo estaria tinindo, seria referência, serviria de espaço para uma cidade carente de espaços bem tratados como é S. Paulo, atrairia pessoas de todos os lados. Claro que há muitos frequentadores que vão ali regularmente (estudantes para os tabralhos escolares, pesquisas na biblioteca - o que até me surpreendeu, senhores jogando xadrez, etc.), afinal o local é de acesso fácil e gratuito, mas o que também vi ali foram pelo menos uns 3 sem-teto andando com seus pertences, sua sujeira, seu falar-sozinho, seus desequilíbrios. Obviamente, o espaço é público e eles não podem ser forçados a sair (é lei, minha gente!), mas algum controle deveria haver.  Difícil imaginar essa cena (sem-teto circulando livremente junto com os demais frequentadores) no SESI Paulista (também gratuito), no Itau Cultural (também gratuito), no CCBB ou CEF Cultural (também grauitos).  Ou seja, fica provada a inépcia de quem gere hoje um patrimônio como  o CCSP, e, mais, permitindo o desrespeito, a falta de bom senso, o mau uso do espaço, i.e., a afronta cultura!


Bem, fiquei 25 anos sem ir ao CCSP (desde quando inaugurou) e considerando a gestão que dele é feita, acho que vou passar outros 25 sem ir ali. Pelo menos não vou me aborrecer.

nota importante: falando sério: há eventos interessantes ali (vejam meu blog Vaso Ruim) que devem ser vistos/frequentados, mas vá com o espírito armado, para não cair em prantos (choro nervoso, tá?) diante do megadesmazelo e amodorismos do local.

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