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Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

29

de
outubro

Cooking with Stella - 33a. Mostra Internacional de Cinema

Como mencionei em meu post de 25/10 (A gente não é sério mesmo!), fui ver um filme da 33a. Mostra.  Quando voltar das férias pretendo ver tantos quanto possa até 5/11, quando termina a mostra.

Optei por este- Cozinhando com Stella (http://www.imdb.com/title/tt1479676/ / http://www.cookingwithstella.com/synopsis.php), pois estava em um cinema próximo, horário ideal,e a sinopse me pareceu interessante.  Além disso, é com o Don McKellar que fez Ensaio sobre a Cegueira.  O enredo até que é simpático: um casal de canadenses vai morar na Índia. A mulher é diplomata e o marido (McKellar) um chefe de cozinha. Ele aceita deixar tudo para trás para colaborar com o momento de ascenção profissional da esposa. Eles têm uma filhinha pequena (bebê).  O objetivo do marido enquanto estivesse na Índia era aprender tudo que pudesse sobre a culinária local para, ao voltar ao Canadá, abrir seu próprio restaurante voltado para essa gastronomia.  Quanto chegam já encontram uma empregada (cozinheira, arrumadeira) de décadas na casa do alto comissariado canadense.  Ela já havia atendido a uma dezena de comissários. Além de Stella, essa herança, contratam uma moça (Tannu) para ajudar com o bebê, e aí começa o problema. Stella tinha tudo “dominado”: simpática, prestativa, dissimulada, se apropriava do que podia da casa dos patrões e ganhava dinheiro com isso.  Um país de miseráveis que assistem de camarote a abundância de estrangeiros ou terceiros só podia dar nisso.  Corrupção, roubo, falcatruas, etc.  Há um confronto inicial entre Stella e Tannu, mas no final todo mundo, até os patrões, se harmonizam. Pode?!

O filme é divertido, tem músicas bonitas, dá quase para sentir o sabor dos alimentos preparados pela descrição dos ingredientes, pelo prazer dos cozinheiros e do saborear posterior.  A fotografia é bonita, tanto McKellar quanto Lisa Ray estão muito bem.  O guarda-roupa é incrível! A gente fica pensando: como num país tão pobre, com tanta sujeira, pobreza, as pessoas conseguem ficar tão bonitas, vestir-se com aqueles tecidos fantásticos, de um jeito tão harmonioso?  Claro que é ficção, mas não é a primeira vez que isso me ocorre vendo o figurino de filmes indianos sobretudo.  Claro também que o ambiente enfocado no filme não é o mesmo do Quem quer se um milionário, que tratava de gente bem menos favorecida, com acessos mais limitados.  De toda forma, que é bonito esteticamente é.

O filme é agradável (não o máximo, aliás, bem longe disso), mas o que exatamente os autores e diretor quiseram dizer?  Pode-se tudo quando se trata de gente ignorante, pobre?  Se a gente tem o que sobre, não tem importância ser enganado, já que o indivíduo só quer melhorar sua vida? É preciso perdoar sempre?

O golpe que aplicam no final é inacreditável!  Primeiramente, porque quando começou a se delinear o desfecho eu já imaginava o que iria acontecer (90% de certeza) - ser brasileiro é isso, a gente tem PHD em maracutaias, então até antecipa umas e outras; quanto ao resultado do golpe e desenrolar posterior são de uma amoralidade impressionante!  E olhem que eu não absolutamente daquelas pessoas quadradinhas quanto a comportamentos, desvios de conduta, possibilidade de revisão de uma ação, reparo de danos, entendimento de circunstâncias, etc., a menos que realmente seja coisa de bandido.

O que ficou para mim foi um tremendo ponto de interrogação.  Vai ver que a coisa é tão sutil, tão  espiritual (já que há muita menção a religiões durante o filme) que eu não captei.  De qualquer forma não deixa de ser um filme interessante, levinho, despretencioso, mediano, que dá para divertir. E só.

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