Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

28

de
setembro

Um é pouco, dois é bom!

Ontem foi dia de ver, pela manhã, Swimming Pool (http://www.imdb.com/title/tt0324133/). Novamente um filme que faz parte do Cine Club promovido pela Aliança Francesa + FNAC + Reserva Cultural (post de  23/08 e os mencionados ali).  O filme é muito bom!  O ciclo atual é Literatura e Cinema: Idas e Vindas.  Só para lembrar: o primeiro ciclo de filmes foi sobre educação; o segundo, sobre imigrantes.


A atriz principal é a Charlotte Rampling, a inglesa mais francesa que existe…se isso é possível! Quem já viu filmes com ela sabe que o francês dela é maravilhoso. Menciono isso porque no filme ela faz o papel de uma escritora inglesa que fala bem o francês, mas com forte sotaque. É até divertido para quem já viu a atriz em outros filmes falando francês.

Ela esta soberba, bem como Ludvine Sangnier, que faz Julie.  A fotografia é maravilhosa, já que há muito de paisagens francesas campestres. A trama é muito interessante: uma autora inglesa precisa de inspiração. É uma autora de best-sellers, mas quer mudar o rumo de sua vida literária. Para isso pede ajuda a seu editor, e “caso”, pelo que dá para entender, e acaba indo passar um tempo na casa dele na França.  E começa o novo livro!  Mas no meio do caminho ela consegue o que pretendia: mudar de rumo. Aproveita a vida da filha de seu editor,Julie, para escrever outro livro, que era o que queria de fato.  No meio dos conflitos, da convivência conturbada das duas, surge até um lance de crime, de romance policial, e há até mais sexo do que eu poderia esperar, mas nada exagerado.  A história é uma delícia e a CRampling está ótima!  O ritmo é lento, compassado, mas na medida certa para fazer a gente querer ver mais e mais. A trilha sonora também é bem interessante.

Espero que possam ver o filme. Se o virem, depois da última , última, ultiminha cena, me contem: é tudo verdade, é tudo imaginação, ou é o livro dentro do filme?  Um filmaço!

E last but not least: depois foi a vez de Goodbye Solo (http://www.imdb.com/title/tt1095442/).  Li a sinopse e achei interessante, então vamos lá!  E o filme é realmente muito bonito, emocionante, diferente.  Não tem atores famosos, estrelas, mas o Souleymane Sy Savane dá conta do recado plenamente.  Os enquadramentos também são bem dramáticos, bem eficientes.  A fotografia em alguns momentos - a maioria das cenas se passa em ambientes fechados, pobres, etc., então… - é muito bonita.

O filme trata da história de um senegalês que ganha a vida como taxista nos EUA.  Ele quer algo melhor e tenta tornar-se comissário de bordo.  É casado com uma latina que tem uma flha de uns 10 anos, e espera um bebê dele (Solo).  É um homem bastante generoso, bom caráter, humano. É daquelas pessoas sociáveis e que só estão na condição em que estão porque a vida é assim: fala inglês perfeitamente, francês, “n” dialetos de seu país. Simpatiquésimo, e, mesmo com as agruras de sua vida, é de um alto astral invejável.  Esse taxista, em uma de suas corridas, atende William, um velho amargo e que pretende se suicidar. Solo tenta dissuadi-lo e vai tentando cavar informações para achar alguma forma de ajudá-lo.  Quase chega lá, mas o homem é amargo demais, está perdido para a vida e o desfecho é o triste e esperado, mas isso não tira o interesse do filme, a beleza do enredo, e valoriza ainda mais o trabalho de Sy Savane.  Não vá esperando uma produção hollywoodiana (como em Gengis Khan - post de 30/7), mas, sim, um filme tocante, bonito, com atores pouco conhecidos, acho que até anônimos em alguns casos e produção baratíssima.  Ah, e a trilha sonora também é bem boa!

27

de
setembro

A gente vê cada coisa…

Vejam a sequência de fotos abaixo.  Hoje, estive pela Paulista (amanhã publico posts sobre os dois filmes que vi).  E, ali, em plena tarde, em frente ao prédio da Gazeta, do Reserva Cultural, esta senhora, Da. Nadiva, divulgava, de forma inédita, creio, seus textos. Ela quer alguém para publicá-los.  A coisa está feia mesmo…A autora deve estar entre os 60 e 70, mas não teve problema em mostrar suas pernocas - bem bonitas aliás -, dançar de cinta-liga, guarda-chuva, e corpetinho por algumas horas. Quando saí do cinema ela não estava mais lá…será que foi presa?  Ou os filhos ou netos retiraram-na à força.  Se for isso, uma pena!  Da. Nadiva, minha solidariedade. E para quem quiser conhecer os textos dela, acessem http://nadivaj.blog.uol.com.br/ (não sei da qualidade dos textos, mas não custa dar uma olhada).

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27

de
setembro

Você pensa que vive no Brasil, mas não…vive no Achil!

Ontem também foi dia, ou melhor noite, de ver a peça Risotto com Rodolfo Bottino (http://www.guiadasemana.com.br/Sao_Paulo/Artes_e_Teatro/Evento/Risotto.aspx?id=56621) que está sendo levada no Hotel Intercontinental, ali na Al. Santos.

Antes algumas considerações: trabalho bastante com o Intercontinental, aliás é o hotel com o qual mais gosto de trabalhar. A Fernanda, de Eventos, que atende a empresa em que trabalho é ótima, o maitre (Cristiano) da manhã resolve tudo junto comigo, então, passado o estresse inicial de montar qualquer reunião e colocar para andar, tudo flui muito bem.  A peça do Bottino está acontecendo no Tarsila, restaurante do Intercontinental, porém ontem foi diferente.

Vejam que estou falando de um hotel 5 estrelas, em SPaulo, capital business do país e da América do Sul, em que as diárias são altíssimas, arrogam-se uma pompa incrível, etc.  Como essa pompa e circunstância não me impressiona em hipótese nenhuma, fico pensando o que acontece com as pessoas menos habituadas a “peitar”, sim peitar, prestadores de serviços.  Hoje, incrivelmente, estamos em trincheiras opostas, quando aqueles deveriam nos complementar, nos agradar, para fidelizar, para ganhar o cliente, etc. etc.

Vamos aos fatos: ao chegar, perguntei ao Bell Boy (cadê a plaquinha mensageiro, carregador, ou o que for, para quem não lê inglês?  Aqui é Brasil, e se fala português), rapazinho empertigado, num terno, com seu comunicador à mão, se a peça do Bottino seria mesmo no Tarsila.  Vocês perguntarão: por que? Não era essa a informação que você tinha? Sim, mas perguntei por vício de profissão (secretária executiva tem de checar tudo uma, duas, três vezes) e por um certo “feeling” (premonição, em bom português). O rapaz levou um segundo para entender do que eu estava falando (na hora percebi que ele não tinha a mais remota ideia da coisa), e chutou com as duas pernas: Sim, é lá.  Claaarooo, que a cara dele o delatou de imediato: ACHO que é lá! é o que estava estampado.

Escolada que sou…dirigi-me à recepção. Ali, um recepcionista (eles adoram ser chamados de concierges), que estava em conversa animadíssima com outro funcionário, explicou-me que a peça seria encenada em duas salas naquela noite, porque o restaurante havia sido cedido ou alugado para um casamento.  O mensageiro que estava em frente à recepção, muito atencioso e gentil, explicou-me como chegar às salas.  Eu conheço o hotel bastante bem, então não teria problema, mas aceitei de bom grado e agradeci a gentileza.

Ao chegar no piso das salas, um rapaz estava arrumando alguns sofás na área do hall do andar.  Ele me indicou as salas e disse que já estavam abertas. Lá fui eu, sabendo que teria de fazer a viagem de volta.  Realmente, as salas estavam abertas, mas ainda estavam montando o cenário.  Voltei para trás e perguntei se não havia ninguém para controlar convites e entradas.  Ao que me respondeu: Tinha uma moça aqui, mas ela subiu. ACHO que está lá em cima.

Para não perder o costume: vocês ACHAM que eu ia subir para ACHAR a tal moça?  Fiquei confortavelmente instalada até que apareceu uma das produtoras que fez o controle.

Vejam, os dois “achantes” deveriam, no mínimo, por questão de segurança e atendimento, ter ligado aqueles radinhos e falar com alguém, perguntar, se informar.  Mas não! Claro que a informação incorreta era de menor importância, i.e., não causaria nenhum dano à Humanidade, mas poderia não ser assim. Imagine no dia-a-dia, no lufa-lufa de uma reunião, paga a peso de ouro, ter-se esse tipo de postura: ACHO…  Até se chegar ao certo, se perde tempo, energia, paciência, etc., etc.  Aliás, é interessante que, na semana passada, li um texto do Luciano Pires (http://www.lucianopires.com.br/idealbb/view.asp?topicID=12107) que trata de um outro aspecto desse tipo de postura, em outro nível de profissional.   Vejam que interessante o enfoque!

Agora, à peça!  Eu gosto bastante do RBottino (http://pt.wikipedia.org/wiki/Rodolfo_Bottino). Lembro-me de poucos trabalhos como ator, mas me lembro bem quando ele foi para o time do ShopTime: cozinhava, vendia vários acessórios de cozinha (eu comprei vários à época e não me arrependo), batia papo com o público, levava convidados, enfim, era muito divertido, dava dicas ótimas, fazia ótimos pratos.  Depois de algum tempo perdi a trilha do RB.  Recentemente, li que sua peça, que fez muito sucesso no RJ, estava em SP, e para minha alegria ela se instalou em um lugar bem fácil e próximo para mim.

O ator trabalha tanto com um texto elaborado, muito bonito, quanto com “cacos” ou improvisações. Vai permeando o texto formal com “causos”, curiosidades de que vai se lembrando pelo caminho/durante a peça.  Tudo acontece durante a preparação de um risotto. Obviamente, ele ensina a fazer o risotto, dá informações importantes/interessantes, truques de gastronomia, e ao final o público prova uma boa porção do tal risotto.  Uma delícia!  Agora o bom mesmo é ver o RB atuzinhando (atuando+cozinhando).  Ele é simpático, inteligente, rápido, engraçado. A gente dá muitas risadas e se emociona com alguns dos textos que ele recita.  A peça deve levar pouco mais de uma hora, não cansa, a gente se diverte, come bem, e sai num alto astral delicioso!

Foi uma ótima pedida!  A peça fica em cartaz (ver o link acima) até início de novembro, sempre às 5as, 6as e sábados.  Se puder, vá.

27

de
setembro

Isso acontece nas melhores famílias!

Ontem fui ver um filme que já está algum tempo em cartaz: Horas de Verão (http://www.imdb.com/title/tt0836700/). Um filme francês com Juliet Binoche (de quem eu gosto muito, mas era a mais fraca dos atores principais); Charles Berling; Edith Scob; Isabelle Sadoyan e vários outros.  O time é bem equilibrado.  O tema: repartir uma herança depois da morte da mãe.

Normalmente esse assunto, se não for bem gerenciado pela família e se envolver dinheiro - qualquer valor-, pode determinar o fim de uma família, criar inimigos em casa, romper laços que pareciam profundos e consoantes. No caso do filme, a matriarca (Hélène) antevendo sua morte conversa, em seu 75o. aniversário, com um dos filhos, o único que mora na França, indicando o que deveria ser feito com vários itens de valor de uma casa de campo e com a própria casa, bem como com itens pertencentes a um cunhado, artista falecido.  Até sua morte, ninguém dá muita atenção ao assunto, até há um certo pudor em se tratar do assunto, mas quando ela vem as coisas se complicam um pouco.

Apesar de não haver nenhum grande rompimento - há discussões, pequenos desentendimento, mas nada além disso-, cada um defende seus interesses, e para frustração do irmão mais velho (Charles Berling) os outros dois irmãos decidem pela venda da casa, pois moram fora do país, não voltarão tão cedo, não aproveitarão a casa, etc., etc. E com a casa se vão duas obras de Corot (http://pt.wikipedia.org/wiki/Jean-Baptiste_Camille_Corot), e montes de peças de artistas renomados. Um dos museus de Paris (não me lembro se o d’Orsay ou Louvre) ficam com várias obras, enquanto os membros da família, e até a empregada, escolhem alguns itens de que gostam e querem guardar. Aliás, no caso da empregada, ela escolhe um vaso bastante valioso porque gostava muito dele. Ao sair com ele e explicar ao sobrinho o que era aquilo, diz que escolheu só um vaso bem comum, pois não saberia o que fazer com algo sofisticado ou caro.

Enfim, toda uma vida é retalhada. No final o irmão que não queria a desagregação do patrimônio conforma-se e os outros dois (irmã+irmão) partem com seu butim.  Mas a vida é sempre assim, então conselho: se quiser evitar a briga em família (normalmente esse tipo de situação não termina tão bem), faça um testamento ou doação em vida, mesmo que pretenda morrer em décadas.  É uma despesa que evita despesas maiores posteriormente, que se mostra muito profícua e evita atritos desnessários e inesperados, pois é na hora desse tipo de operação (divisão de herança) que realmente se conhecem as pessoas: irmãos, filhos, pais, primos, agregados.  Então, para que deixar a possibilidade de uma rusga intransponível.  Se bem que se você quiser se vingar da família…é um bom caminho deixar tudo para ser resolvido depois.  Sei lá…

O filme é tocante porque os filhos acabam descobrindo algumas coisas sobre pai, mãe, tio somente muito depois da morte da mãe, ou seja, eles não conheciam de fato aquelas pessoas.  Há também lindas obras de arte que passeiam por todo o filme, além do sentimento do filho mais velho que realmente tem amor a um passado vivido na propriedade da família em meio àqueles objetos queridos.  Mas o fato é que não adianta ser nostálgico, as pessoas e o mundo estão pragmáticos demais para isso.

26

de
setembro

Réquiem

Nesta semana recebi uma notícia “entristecente”.  Conheci uma livraria há uns 3 anos, a Rato de Livraria, ali nos baixos da Rua Paraíso.  Além de terem um acervo muito interessante, o atendimento ser nota 10, as donas (Vivi e Paula) são livreiras, não vendedoras de livros.

Nada contra grandes livrarias, eu mesma já comprei e ainda compro muitos livros inclusive pela internet, mas ter o contato com alguém que vende livros, mas lê de fato, gosta daquilo como quem gosta de ler gosta, ou seja, quase uma relação fetichista com o livro, o papel, o texto, é muito revigorante. E essa sempre foi a postura das donas da Rato.  Chegaram a promover a impressão de trabalhos, faziam saraus, eventos voltados para a boa literatura (vejam no link abaixo), enfim, livro era mais que um monte de papel e um código de barras para elas, mais que lucro só.  Mas vida de livreiro, num país de analfabetos e miserável, é difícil.  Então veio uma reviravolta, um trabalho bem remunerado e estável para uma, perspectiva de outros tipos de atuação na área para outra, e acabou-se o que era doce!  Pena para mim, para todos os clientes, para quem um dia poderia vir a ser cliente da Rato.

No entanto, mesmo nos estertores, ainda há um laivo de poesia e beleza: estão fazendo uma queima de livros com 20% ou mais de desconto (depende do livro, a maioria com 20%) até o final do mês, se não me engano.  Dêem uma ligadinha para lá para confirmar (http://www.ratodelivrariaonline.blogspot.com/) e não percam, se puderem.  Estive lá hoje e há coisas ótimas.  Depois que fecharem a porta e apagarem as luzes, não vai  haver nem choro nem vela que dê jeito.

Uma pena imensa!  No entanto, como disse à Paula e à Vivi, a gente fica triste porque está perdendo muito então fica perguntando: por quê, por quê? e choramingando, mas temos de olhar o outro lado também e desejar muito sucesso e sorte às duas em suas novas atividades.

26

de
setembro

A verdade sempre tem três lados!

Estas eram palavras sábias de minha mãe!  E a cada dia tenho provas disso. Verdade inexorável!  Explicando: 3 lados: o meu, o seu, e a verdade em si.  E não importa se estamos falando de pais e filhos, marido e mulher, amantes, amigos, ou seja, não importa a sintonia, esse princípio sempre será o mesmo.

Por que o tema?  Ontem fui ao Centro Cultural S. Paulo (http://www.centrocultural.sp.gov.br/index.asp) para ver uma peça ali pela primeira vez.  Foi um programa de última hora, mas que value bastante.  Primeiro para rever o espaço, que eu não via há zilhões de anos - na verdade, só tinha visto por fora, nunca tinha entrado.  Eu sou do tempo em que qualquer chuva inundava aquilo.  Se hoje há uma certa estrutura, afinal são 25 anos de CCSP, imagine há 20 anos quando eu tinha um apartamento ali perto.  Era um estigma de alternativo de baixa qualidade, pouca ou nenhuma estrutura, e vazamentos eternos. Aparentemente, a situação melhor muito. Pelo que vi, eu diria que ainda falta muito, mas sem dúvida melhorou bastante.

A peça era O Fantástico Reparador de Feridas (http://www.centrocultural.sp.gov.br/saiba_mais/teatro_ofantasticoreparadordeferidas_2009_09-18a11-01.asp) de Brian Friel (http://en.wikipedia.org/wiki/Brian_Friel).  Um autor irlandês, que hoje está pelos seus 80 anos.  Segundo o que está na biografia do autor ele teve forte influência de Brecht, Chekhov e Pirandello.  É, dá para reconhecer isso no texto  que assisti.  Um texto eletrizante, humano, comovente, irônico, divertido.  Não li o original, mas a tradução parece que foi bem feita.  Manteve a densidade, a riqueza do texto, do tema.

Encenaram a peça Rubens Caribé (vi-o recentemente em A Aurora da Minha Vida - post 23/8), Walter Breda e Mariana Muniz.  O Rubens Caribé tem sido uma boa surpresa para mim.  Não me lembro de tê-lo visto em teatro, talvez em alguma coisa na tevê.  Tanto em A Aurora, quanto nesta peça, ele está ótimo!  Valorizou muito a personagem, o texto.  Na verdade, os três atores são muito bons, mantêm o nível, valorizam muito o texto, que já é riquíssimo!  Tenho curiosidade de ler o original ou alguma coisa de Friel para ver como é.  Vamos ver se faço isso…

A peça trata de três pessoas que tiveram uma vida em comum: Frank (Breda), que supostamente tem o dom de curar, mas não o controla; Ted (Caribé), seu empresário, um entusiasta das performances de Frank, e Grace, advogada, aristocrática, que se envolve com Frank e com ele viaja pela Escócia, País de Gales, Irlanda, acompanhando-o em seus “espetáculos”.  Vivem dos trocados, ou até de boas gorjetas, dadas pelo público que atraem, ou pelas pessoas que Frank cura.  Ted é a personagem mais divertida, mais realista, menos angustiada.  Frank é o grande atormentado, e Grace, mulher inteligente, sofre as consequências de sua opção.  Três personagens contando o que vivenciaram, cada um com sua visão, do jeito que apreendeu os fatos.  Não mentem, não inventam, só contam de seu ponto de vista e de vida.

São 3 monólogos, um cenário mais que minimalista, mas que cumpre seu papel, com fundo musical e iluminação efetivos.

A peça leva quase duas horas, e como o texto é bastante denso, complexo, não há um minuto para tomar fôlego, uma hora a gente fica um pouco cansado. Mas lá vem outra fala soberba, que acaba reanimando a gente.

Ontem o CCSP estava cobrando $ 2,30 (isso mesmo, dois reais e trinta centavos) pela entrada. Normalmente são $ 15,00.  Então foi um presente duplo: o preço e a peça em si.

A peça fica até início de novembro. Vá, mas num dia em que estiver a fim de confrontar verdades, humanidades, um texto que faz pensar.

26

de
setembro

Uma boa surpresa!

Quinta foi dia de voltar ao Pasquale (http://www.pasqualecantina.com.br). Sim, voltar porque fui lá quando ainda era na Cônego.  Depois, passava na frente do novo endereço e pensava: tenho de vir aqui.

Nesse tempo todo, o restaurante ganhou fama, estrelas (ou “vejas”), e eu sempre querendo ver como estava o restaurante.  E ontem, finalmente, tive a chance de ir lá.  Como muitos sabem, saiu a edição 2009 da VEJA SP Comer e Beber.  Então, já viu, né?  Ele foi quotado como o melhor do ano “Italiano/Cantina”.

Mesmo sendo uma quinta, dia em que muitos (a maioria, acho) dos restaurantes amargam casas vazias, ou com pouco público, tive de fazer reserva.  Horário máximo de reserva: 20h!  Em S. Paulo?  Pois é…

No final, depois de uma correira louca (sair do trabalho, passar em casa, ir para a casa de meu acompanhante), cheguei lá umas 20.15h.  A casa não estava lotadíssima, mas beeem cheia!

O atendimento para reserva (telefone), recepção na porta, garçons (não tinha maître, acho que não precisa mesmo), tudo muito eficiente, talvez não simpaticíssimo, mas na atual conjuntura, depois de minha experiência massiva da Restaurant Week, só quero um garçom para chamar de meu, i.e., que anote tudo certinho, não pergunte várias vezes a mesma coisa, traga tudo certo, rapidamente, não esqueça de nada.  Sei que é pedir muito, mas muito mesmo, mas é isso que eu quero!

E no Pasquale foi tudo muito bem!  Ah, claro, e o mais importante: a comida é bem gostosa, honesta, preços bons (por isso estava cheio + efeito Veja).

O cardápio tem várias opções: comemos sardela de entrada, com uns pãezinhos gostosos, e pene à cabonara com pancetta (fiquei de olho num ragu de cordeiro…mas fica para a próxima vez) .  A sobremesa: triunvirato com queijo branco (laranjinhas em calda - que eu adoro! - e doce de goiaba, com uns pedações de goiaba, que estava uma delícia!). Foi um jantar agradabilíssimo pelo lugar (alegre, um pouco barulhento, mas também, quer o quê numa cantina?), pela conversa, pela comida.

Na saída pude reconhecer o Sr. Pasquale conversando com seus clientes…uma figura como não se vê mais por aí.  Se não conhece, vale a visita.

Importante - não tem valet e ponto! Fica do lado do metrô Sumaré.

23

de
setembro

Começou e continua bom!

Já escrevi sobre a publicação Arte e Letra estórias (post 3/7). Uma publicação bem novinha que começou no “outono” de 2008. Li de trás para a frente, pois conheci a publicação em seu número 3 ou 4, e agora acabei de ler o primeiro número. Muito interessante ler os motivos ou conceito que levou à publicação. Vou transcrever um texto desse primeiro número, para que entendam do que estou falando:”Os dois motivos fundamentais da Arte e Letra: Estórias são as possibilidades editoriais que a revista cria e a diversão que ela pode render, tanto par os editores, quanto apra ovocê, leitor.” Pois é, e acho que conseguem mesmo.

Cada publicação é uma coletânea de contos (o gênero de que mais gosto pessoalmente) muito bem escolhidos, quando estrangeiros, muito bem traduzidos. E a gama é enorme!

O primeiro número (que acabei de ler) é um tanto tateante, comparando-se com os posteriores, mas mesmo assim tem coisas ótimas: A aia de Eça de Queirós; Um dia ruim de Cristóvão Tezza - simplesmente ótimo!-; O dia de Nêmesis de Saki (por conta desta leitura acabei indo atrás de um livro de Saki, que li há muitos anos) e Assim é a vida de João Vanwa, um autor que deixou seu texto na editora, não deixou endereço, só um bilhete manuscrito dizendo que não era escritor, mas queria que lessem seus textos (deixou dois na verdade). Neste caso, antes de publicao o texto, a editora procurou localizar o autor mas não conseguiu de jeito nenhum. Bom, se o J. Vanwa um dia ler meu blog, saiba que seu texto é ótimo, fantástico, bom demais!

Dito isto, se você não conhece esta publicação, vá atrás. Vale a pena!

22

de
setembro

Conjecturas

Final de semana diferente!  Não teve cinema, não teve teatro.  Bom, cinema vai ter nestes dias, pois já estou com crise de abstinência…

Mas foi por uma boa causa: (1) descansar: estava num ritmo muito forte nas últimas 3 semanas, ou seja, além do trabalho, muitas saídas, dormindo muito tarde (madrugada); (2) aniversários (isso, plural) de duas queridas: Olívia e Ana no sábado, então a coisa começou cedo e foi longe!  Domingo, rever um amigo que chegou do exterior, então muita conversa, com calma, para saber de tudo…

Agora, vida nova!  Começar de novo, e contar comigo…como diria Simone naquela música do Malu Mulher.

Mas ainda tenho algumas conjecturas sobre a Restaurant Week.

Ao sair sábado à noite, para encontrar amigos em Moema, percebi que os restaurantes da região (Av. Ibirapuera, Av. Macuco, etc.) estavam todos cheios, ou com espera. Eram 21h.  Achei interessante, pois nas duas semanas da Restaurant Week fui a vários restaurantes, tanto para almoço quanto jantar, em dias variados (inclusive 6a. e sábado). E, a não ser, no Vinheria Percussi (5a. feira jantar) e no Casinha de Monet (6a. feira almoço), nenhum dos restaurantes estava cheio, aliás alguns (posts de 31/8, 4, 5,11 e 14/9) estavam surpreendentemente vazios. Até o Emprestado, por exemplo, que está direto na mídia.  E essa tem sido a situação geral dos restaurantes a que tenho ido na região de Pinheiros, V. Madalena, Jardins (e.g. post de 17/9).

Aí me veio a dúvida: por que restaurantes da região de Moema, Ibirapuera estariam tão cheios?  Para mim só há 3 possibilidades: (a) não há tantas opções na região quanto em outros lugares da cidade (talvez lanchonetes, bares, mas não restaurantes de fato); (b) a população da região, sobretudo depois da verticalização selvagem dos vários bairros da área, é muito grande (deve ser mesmo…nenhum bairro passa impune por tatos prédios, tantos apartamentos brotando vertiginosamente) e provê público para os estabelecimentos da área; (c) preço: os estabelecimentos da região praticam preços razoáveis (em SP os preços de restaurantes subiram absurdamente sem qualquer justificativa. Veio a crise. A classe média se recolheu, e os preços continuaram altos ou até subiram mais. Isso espanta qualquer clientela) o que possibilita às pessoas da região frequentarem, pelo menos, nos finais de semana os restaurantes próximos.

Pois é, seria interessante aqueles que estão com suas casas vazias, ou que não têm mais filas na porta (hoje os restaurantes não giram, o que seguramente achatou muito a rentabilidade, ie., uma mesa só atende um grupo, quando anteriormente, aquela mesa tinha dois ou três usos num mesmo almoço ou jantar), que verificassem o que faz a diferença.

Comentando o que observei com amigos, até sugeriram que a baixa frequência durante a RW em alguns lugares seria pelo final da novela da Globo. Verdade que já vi uma casa ficar vazia por causa de final de campeonato, ou seja, na semana anterior teve bom público, e na posterior lotou, mas na semana em questão, por causa do jogo (só pode ser!), o público minguou absurdamente!  É, essas coisas acontecem mesmo, mas no caso dos restaurantes não creio que tenha sido só isso.  Os preços estão assustando.  E some-se a isso o péssimo serviço em grande parte dos estabelecimentos, e temos a tragédia anunciada.

Bom, agora é olhar adiante, e voltar aos bons costumes (cinema, teatro, ir a algum restô novo, ou velho mesmo, já que o que importa é a companhia).

17

de
setembro

Um programa para lá de simpatiquinho.

Hoje é o Dia do Lazer na empresa. Há anos realizam um day-off, com programação de esportes, brincadeiras, comilança, show, para que os funcionários se divirtam, haja integração.  Como não participei, aproveitei o dia tranquilo, no escritório e nas redondezas, para fazer um almoço relaxado, um pouquinho mais longo.

Aqui perto, tem o Parque da Água Branca, e há anos se realiza ali a “Revelando São Paulo” (http://www.parqueaguabranca.sp.gov.br/Notícias%20do%20site/revelandoãopaulo.asp) (http://www.visitesaopaulo.com/blog/index.php/2009/09/xiii-revelando-sao-paulo/), que é uma feira enorme com estandes de centenas de cidades do Estado com seu artesanato, cozinha, e cultura.  Tem comida de todo lugar e de todo jeito (comprei um bolo deitado que é uma broa assada na folha de bananeira), e comi um pão feito de milho com recheio de linguiça - tudo preparado na hora, inclusive o pão-, e um cuscuz de atum, e um bolinho de mandioca com camarão, e uma pamonha, e muitas degustações de cachaça…Ai que delícia! Até difícil escolher, porque a variedade é imensa.  Aí dei uma volta rapidinha pelas barracas de artesanato: coisas lindas, diferentes, originais, ou coisas que jogam a gente de volta no passado, quando avós e mães sabiam fazer coisas lindas com as mãos, e parecia tão fácil!  Há uma seção só de artesanto indígena, com várias tribos representadas. Há inclusive índios devidamente paramentados.

E a música e a dança? Lá, num palco bem espaçoso, moda de viola, danças típicas com dançarinos que levam muito a sério sua cultura, o legado que receberam e deixarão para os mais jovens.  Emocionante! O palco está montado onde fica a arena em que há desfiles ou atividades com animais.

Em plena 5a. o Parque estava muito cheio!  E quantas caras do interior! Gente que por opção, ou não, veio para a capital, deixou para trás tanta coisa, boa ou ruim: família, terra, trabalho, amigos, para tentar encontrar tudo aqui de novo ou não.  Principalmente muitas pessoas de mais idade, que se sentavam e ficavam olhando as atividades, ou percorrendo os corredores de comidas e comentando, admirando cada item mais peculiar, ou representativo de uma cidade ou região!  Relembrando, saboreando o que está em seu dna. E os olhos ávidos em cima do artesanato então?  Isso é que é diversidade de fato! E da melhor qualidade!

Esta é a 13a. edição da feira. Nunca havia ido anteriormente. Ano que vem, se viva e caminhante, eu vou de novo, pois quem for que se prepare e vá com tempo e disposição:  é muito, muito, muito grande, e com muita coisa gostosa e bonita para apreciar.   E até sábado ainda tem muita coisa: Bonecos de Rua e Cabeções, Folias de Reis, Encontro do Divino, Cavalhada, Noite dos Tambores, etc. etc.etc.  Há atividades também em outros lugares, mas pontuais: Memorial da América Latina, Freguesia do Ó, Largo do Paissandu.

Quando a gente vai a um lugar desses, e percebe a diversidade em que está incluído (graças!), só mesmo dizendo como F. Pessoa:

Extrato de O meu olhar

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás…
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo…

…………….

Alberto Caeiro, em “O Guardador de Rebanhos”, 8-3-1914

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