Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

31

de
agosto

E começou a Restaurant Week!

A Restaurante Week (posts de 4, 7 e 11 de março) (www.restaurantweek.com.br) é um evento muito bom para todos: restaurantes que acabam tendo público até em dias inesperados (2a., 3a., 4a.); para os clientes, pois os preços subiram tanto no último ano e meio que se tornou proibitivo para muitas pessoas irem a um restaurante com frequência, ou com a mesma frequência com que iam anteriormente, principalmente grupos familiares, portanto a RW permite uma volta “aos bons tempos”, e, finalmente, para a própria mão-de-obra do setor, afinal começam a ter trabalho em dias em que não havia movimento nos restaurantes, o que exige contratação mesmo que temporária.  E a cidade  e o estado também ganham já que o faturamento gera maior recolhimento de impostos.

Nesta edição da RW há mais de 200 restaurantes cadastrados, praticamente o dobro da edição anterior.

Mas é preciso que sejam feitas algumas considerações a respeito: nem todas as casas estão preparadas para o evento. Não sei que crivo a organização da RW faz, mas muitas não têm condições de participar desse tipo de evento. Algumas das razões: arrogância, i.e., a maioria dos restaurantes prepara um cardápio especial para o evento que oferece algumas opções.  Há, no entanto, restaurantes que oferecem aquilo e aquilo mesmo, ou seja, está pagando barato não tem nada que escolher.  Outra razão: há restaurantes que não entendem a dimensão do que o aumento de público pode causar em termos de alteração do padrão de serviços, de cozinha.  E a coisa vira um “pasticio”, um desespero, sobretudo para os clientes.   Mesmo com tudo isso, o resultado final acaba sendo muito compensador para a grande maioria (estabelecimentos e clientes).

Então, lá fui eu para meu primeiro restaurante: Balneário das Pedras (http://vejasaopaulo.abril.com.br/restaurantes/est0163599.html?enderecoID=99715ee9560fa110VgnVCM1000000b0417ac____) , no almoço de 2a. feira, portanto a $27,50 = cardápio da RW.  O lugar é interessante, mas não do meu gosto. Ainda bem que ficamos na parte externa (o dia estava bom, ensolarado), apesar da árvore que soltava montes de sujeira sobre os comensais.  Visitei o restante da casa: o jardim nos fundos estava fechado - realmente o público presente não justificava estender tanto o espaço de atendimento; tem um lounge , escuro, com sofás forrados de tecido imitando pele de onça (!), com painéis escuros na parede, e muitos quadros/gravuras; mais adiante, há um outro salão, com mesas, que é interessante.  Mas no geral a casa me pareceu um tanto escura, sufocante, mesmo em um dia ensolarado.

Da mesma forma que eu, vários clientes aderiram ao cardápio da RW.  O restaurante demonstrou bom  senso: ofereceu duas entradas (uma salada com frutas, simples mas muito saborosa, ou um capaccio de lula - fiquei com a salada); 3 pratos quentes: carne, peixe e massa.  Fique com o escalope ao porto com risoto, que estava muito saboroso. No entanto a sobremesa foi decepcionante: fruta da estação (tinham manga e abacaxi apenas) e tartalet (de limão, chocolate, morango com sorvete de mel. Só me foi oferecida a de chocolate, as outras não foram mencionadas e a massa estava incomível).   Agora a pobreza de sucos: abacaxi, abacaxi com hortelã, e laranja com não sei o que.

Agora o serviço, um horror!  Mil desculpas a outros clientes, pois era o primeiro dia, havia várias pessoas que não eram da casa, mas temporários…eeeeee?????????  Desde colocação de talheres, tomada de pedidos, atendimento a pedidos, tudo um horror!  Como não há alguém coordenando o salão?  Um bom maitre tiraria aquilo de letra. Mas não eram só os garçons! Havia uma moça, muito gentil, correndo o salão, que acabou pegando o pedido de minha vizinha de mesa, que, até onde entendi, escreve críticas gastronômicas. Ouvi perfeitamente a moça pedindo uma tartalet de morango.  E trouxeram o quê? Uma de limão!!!  A moça comeu a sobremesa, e depois vieram as desculpas…Assim não adianta, gente!  No meu caso veio a salada. Aí veio a salada de novo!  Aí demorou uma barbaridade para vir o escalope.  Pedi um café junto com a sobremesa, que, claaarooo, não veio junto, só depois de pedir uma segunda vez e pós-sobremesa praticamente.

Como sempre digo: ou faz direito ou não faz.  Isso é business, precisa de foco, de atenção, de capacidade, habilitação.Ah, sim, e havia garçons mal-encarados, talvez de mau-humor, ou em uma tensão de dar dó…Mas como tenho dito aqui exaustivamente, esse é o resultado de uma mão-de-obra pobre, cada dia menos capacitada, menos pensante, arrogante e sem postura. Gente que não tem memória dois minutos depois para lembrar o que foi pedido, e isso porque anotam, digitam em palmtops, etc., gente que acha humilhante servir, gente que só visa $ e nem pensa em se desenvolver, melhorar, ou, no mínimo, fazer seu trabalho direito. Verdadeiros mercenários!  De uma obtusidade alarmante que, aparentemente, veio para ficar.  E cada patrão que se acomoda, deixa passar, não exige, vai colaborando para a decrepitude e sobrevivência da baixa qualidade dos prestadores de serviços, ou da mão-de-obra em geral.

Como avaliação geral eu diria que a comida é bem satisfatória, mas eu não voltaria, não.  A gente vai a lugares por um conjunto de aspectos. No caso de alimentação: comida, atendimento, local, limpeza, preço.  Portanto, difícil o Balneário das Pedras me ver de novo.  E, olhem que eu estava planejando ir lá há quase um ano (mesmo na RW anterior não deu para ir), portanto, não foi má vontade de minha parte.

Obsevações a quem possa interessar: (a) quem tem árvores em local de alimentação tem de fazer manutenção,i.e., cortar galhos, folhas, sacudí-la, para que ela solte antes dejetos e não sobre os clientes. Ou ainda colocar um tipo de tela vazada, que permita que o sol penetre, a luz esteja lá, mas que comida, bebidas, etc., não sejam maculadas; (b) como assim primeiro dia, pessoal temporário? Estamos falando de um negócio! Não é o primeiro dia da vida do restaurante, e mesmo que fosse. Parece que é lazer e não venda - sim, venda, porque se cobra, se ganha para isso- de serviços e produtos. Não é ação entre amigos ou benemerência; (c) é obrigação do estabelecimento treinar, informar, testar e exigir de seus empregados, afinal são eles que farão o corpo-a-corpo com o pobre cliente. Donos, gerentes, deixem de ser preguiçosos e acomodados! Encarem as feras de frente: seus empregados têm de fazer o que e do jeito que vocês quiserem, senão, há uma fila (bem verdade que igualmente ruinzinha) na porta querendo aqueles lugares.  Difícil, claro que sim, mas não impossível.

Vamos ver qual será o próximo.  Só espero que seja mais compensador.

31

de
agosto

Tem gente que é mais que necessária, é obrigatória, é vital! (*)

Depois do estirão do sábado, pensei em ficar em casa, tranquilamente.  E foi o que fiz inicialmente: acordar, fazer umas coisas em casa, ler e-mails, escrever para o blog, fazer supermercado (a geladeira já estava me sugando quando aberta, tal o vácuo!).  Acabei comprando alguma coisa no super para comer.  Lá pelas 14.30h. conversei com um amigo que viajou hoje para os EUA. Fazia tempo que não o via, portanto queria visitá-lo, só para me despedir.

Incrível: tem gente assim!  A gente sente falta, sente saudade, gosta de estar junto, se abala de um lugar a outro para ver a pessoa, se encaixa em seus planos/programas para estar na companhia. E esse meu amigo é de uma atenção com a gente, mas atenção em todos os sentidos, além de ser muito divertido, inquieto feito “bicho carpinteiro”.   Gente agitadora, sabe como é?  É tudo de bom para abalar as estruturas. Eu sou muito metódica, organizada para muitas coisas, até para poder fazer tudo o que gosto ou tenho vontade de fazer.  Tem tanta coisa por aí e se a gente não se organizar perde muita coisa.  Mas, de vez em quando, levar um “susto” como quando saio com meus amigos irrequietos é muito bom!

Então combinei de sair com meus amigos para conversar, vê-los, essas coisas tão simples mas tão necessárias para a convivência.E aí foi uma diversão só! “Fiz sala” enquanto almoçavam. Depois fomos para a Praça da República comer doce (deve fazer umas décadas que não faço isso. Acho que até tinha esquecido que aquilo existia…).  Depois uma ida relâmpago à Oscar Freire.  Um amigo dos meus amigos avisou que estava acontecendo um evento por lá.  E lá fomos nós…

Chegamos umas 19.30h.  Estava intransitável! Difícil para estacionar, ou melhor, impossível.  Gente saindo pelo ladrão.  Muitas lojas estavam abertas; os cafés, restaurantes, lanchonetes abertos estavam entulhados.  Não sei bem o que estava havendo, mas me parece que uma empresa de bebida estava divulgando/servindo champanhe (acho que era M.Chandon); um carro antigo exposto, e conjuntos (acho que 2) musicais se apresentando.  Dificílimo de andar!  Toda aquela gente que frequenta a região, ou seja, os que mostram seu suposto poder financeiro acintosamente estava ali.  Fazendo o quê exatamente?  Não tinha nada para se ver, as lojas são as que estão abertas sempre.  Os cafés, restaurantes, idem.  Não terá sido pela flute de champanhe…

O público, naturalmente, era 60% hetero e 40% gay (masculino) - a proporção era essa mesmo.  Então, tudo bem… vamos vestir uma beca legal, fazer uma hora, “caçar” (que é isso que se faz em locais/eventos similares, mesmo os que têm um par), mas naquele tumulto? Minha sensação foi: estou fazendo footing!?  Quem é do interior, sobretudo, sabe bem do que estou falando.  Oooh, coisa prosaica, provinciana: andar por ali, se esbarrando, indo para voltar, e vice-versa!  Até deu para encontrar uns conhecidos pela rua.  Francamente, há muito tempo que não me sentia tão “o que estou fazendo aqui”?  De novo, a diferença estava nos meus amigos, mas não repetiria a dose.  Coisa mais sem pé,nem cabeça;  ora, vai ver um filme, ler um livro, assistir a uma peça, visitar um museu, conversar de fato com pessoas, ou até andar, mas em um lugar menos muvucado, mais agradável, mais bonito.  Eu gosto muito de feiras, tanto que a da Vila Madalena tento não perder, mas essa atividade notionless…ah, não!

No entanto, tenho que dizer que a decoração e iluminação estavam muito bonitas.  Mas foi só.

De todo jeito, foi uma tarde/noite tão diferente por conta do entusiasmo e improviso de meus amigos, que me diverti e descansei o “cerebelo”.  Foi tudo uma delícia!

(*) Nota importante: sou privilegiada pelas pessoas de que gosto e que me dão a alegria de conviver. Para todas elas dedico esta crônica, em especial ao Marco e Danilo que me proporcionaram um domingo irretocável. E é sempre um grande prazer estar com todos vocês, nem que seja só por meio da internet.

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