Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

10

de
agosto

É muito tarde para ser pessimista!

Mais um filme pelo Ano da França no Brasil, projeto da Aliança Francesa em parceria com a Fnac e Reserva Cultural.

Foi uma sessão especial em 9 de agosto, domingo. Normalmente os filmes são apresentados no último domingo do mês (meus posts de 26/7 - Un autre dimanche particulier; 28/6 - Um dimanche très particulier;24/5 - Ser e ter, eis a questão;26/4 - A França não é aqui mesmo).  Seguiu o mesmo padrão das outras vezes: R$ 5,00 com direito a um café da manhã e exibição do filme.   A Fnac, desta vez, também fez um agrado aos espectadores: distribuiu kits do filme (acho que um livro e mais alguma coisa) após a sessão. Colocaram algumas etiquetas embaixo de poltronas.  Então, além de assistir a um superfilme, algumas pessoas sairam bem contentes com seus brindes (eu não, buáááá!!).

O Home (http://www.imdb.com/title/tt1014762/) é um filme que não se encaixa no ciclo atual do Cineclube, que trata de imigração basicamente.  Maaas, como é Ano da França no Brasil, a sessão foi promovida pela Aliança, Reserva, Fnac - ou seja, instituições de origem/capital francês, a gente imagina que o filme será em francês, até porque, por melhor que seja o filme, o objetivo de ir a essas sessões é, seguramente, ver, apreender a cultura francesa, bem como ter oportunidade de mais um contato com a língua.  Além disso, no ingresso estava escrito “legendado”.

Mas, surpreeesaaa!!! O filme foi inteirinho narrado. Mais estranho: todos os textos do filme são em inglês (?!), e consta nos créditos que quem fez a narração em inglês foi Glenn Close (?!).  Adoro GC, mas como assim?  O filme foi patrocinado pelo grupo PPR, gigante dono das marcas Puma, Yves Saint Laurent, Balenciaga, La Redoute, Sergio Rossi, Boucheron e por aí vai; grupo francês, claro!  Na verdade, o que me parece é que o filme teve sua versão francesa/original, narrada pelo próprio Arthus-Bertrand (essa é que eu esperava ver), mas teve versões em outras línguas, inclusive em inglês, que deve ter sido a base da versão a que assisti no domingo. Só pode!

Por sorte o narrador fez um excelente trabalho, mas, como o filme leva quase duas horas, poderiam ter feito como em A Marcha dos Pinguins (http://www.imdb.com/title/tt0428803/). Havia dois narradores (um homem e uma mulher), porque havia a senhora e senhor Pinguim; no caso de Home, dois narradores tornariam a coisa menos monocórdia, daria mais dinamismo e, acho, até valorizaria o próprio filme.  De qualquer forma, a narração não tornou o filme menos interessante.

O diretor/idealizador do filme, Yann Arthus-Bertrand (http://www.yannarthusbertrand.org/), é um especialista em fotografia aérea em balão. Publicou dezenas de livros fotográficos, sempre em prol da natureza.  Seu trabalho foi divulgado em publicações mundiais como Geo, Life e National Geographic.

O fato é que as imagens são maravilhosas. Nunca vi nada igual nem em cinema, nem em TV (não vejo tanto, mas acho que mesmo nas produções do Animal Planet e Discovery é difícil ver a mesma qualidade das imagens que Home oferece).  É um filme que emociona pela beleza e pela mensagem.  Como tantos outros trabalhos, fica evidente o mal que nós mesmos causamos e continuamos a causar a nosso habitat.  Estamos condenando os recursos que são essenciais para nossa sobrevivência, para uma vida com qualidade: água, sobretudo, ar, flora e fauna.  Fica evidente quão pouco os governos de países desenvolvidos importam-se de fato com o que está acontecendo e como empurram com a barriga ações urgentes para salvaguardar a Terra.  Diante de tudo que tenho visto, lido, só espero não estar viva para presenciar a exaustão do planeta.  Afinal, depois de ter recebido as informações de quanto mal eu mesma estava fazendo, reprogramei-me, mudei minhas atitudes, faço a minha parte sempre, posso até dar o exemplo, mas não sou páreo para a irracionalidade que grassa por aí, então não quero receber a conta lá na frente, quando não houver mais como remediar a situação.

Percebe-se claramente que o grande problema aconteceu nos últimos 50 anos, e, lamentavelmente, temos uma década, se tanto, para reverter a situação. Muito pouco tempo!  E os efeitos poderão ser catastróficos! Então não dá para lamentar, ser pessimista, só dá para empreender, tentar, fazer.

Aprendi, também, muita coisa com o filme: 20% das reservas de água potável estão na Groenlândia; há água fóssil, que está se esgotando rapidamente devido à exploração irracional em países como a Arábia Saudita; a infertilidade da Terra se espalha por países como a Índia de maneira avassaladora, etc.  Como sempre digo: não importa quão grave seja a notícia, mas sempre é melhor saber, pois só assim se pode tomar alguma providência a respeito e, eventualmente, até tornar a realidade menos negativa.

A trilha sonora é bem bonita também.  Muito apropriada, não briga com o flme, complementa-o harmoniosamente.

Ah, sim, e pelo que vi no filme, não programe suas próximas férias para Lagos/Nigéria, nem em sonho, ou qualquer outro país próximo (Chade, Burkina Faso, etc.).  Nem com a maior poesia dá para encarar, infelizmente, já que há tanta cultura e história por ali.

Arquivado em: Atualidade, Cinema, Digressões, Diquinhas I

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