Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

10

de
agosto

Ai, que saudade do Casimiro!

Para aqueles que não se lembram e para os que nunca  ouviram falar (imagino que a grande massa), aí vai um trechinho de Meus oito anos de Casimiro de Abreu (http://pt.wikipedia.org/wiki/Casimiro_de_Abreu ):

MEUS OITO ANOS

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

E com o verso de Casimiro, Naum Alves de Sousa ( http://pt.wikipedia.org/wiki/Naum_Alves_de_Sousa) construiu esta peça: A Aurora da Minha Vida (http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_teatro/index.cfm?fuseaction=espetaculos_biografia&cd_verbete=67) em 1981.  Ganhou prêmios, foi um blockbuster assistido por muita gente. Pois é…onde eu estava que não vi?  Não sei…faz muuitooo tempo… Aliás, vale ressaltar que o NAS ganhou APCAs, Mambembes, Molières, ou seja, é um profissional muito reconhecido.

Mas, antes tarde do que nunca!  Um amigo viu anunciada a peça no SESC Santana e me deu a dica.  Ele assistiu à montagem original e se lembrava do bom texto, do divertimento, do humor refinado, ou “memorialista”, isso mesmo, memorialista!  Recordar é viver…(iiiiih, ditados demais!).  Como é uma pessoa entusiasmada, eu entusiasmei também, e lá fomos nós.

Primeiramente, fiquei impressionada com o SESC Santana. Nunca tinha ido lá. Fica perto do metrô Jardim São Paulo (uns 5 minutos a pé), é amplo, moderno, tem uma comedoria (restaurante/lanchonete como o SESC denomina seus espaços de alimentação) muito bonita, vários serviços aos associados, estacionamento amplo, e o teatro é bastante bom.  Segundamente…a peça foi exatamente como disse meu amigo: divertida, trazendo de volta, sobretudo para mim que vivi aquilo tudo em tempo real, muitas recordações dos colegas de classe, dos professores, dos/das diretoras, o momento do país, vários comportamentos-padrão de pais (só mudam de data e de endereço mesmo), enfim, uma visão bem hilariante do que eu vivi, e hilariante porque pude vê-la de longe no tempo.  Quanta coisa boba, quanta coisa cruel, quanta coisa simpática, edulcorada; a distância deu tanta humanidade a tudo!  A gente não percebia na época, mas tudo aquilo foi bom demais! Único! Nenhuma geração terá o que tivemos, o que vivemos, com a mesma riqueza e intensidade!  E isto não é saudosismo, é constatação.

A peça se passa em uma escola. Colegas de classe vão convivendo desde pequenos até chegarem na boca do vestibular. As idiossincrasias estão lá, sempre, pela vida.  Os professores são os professores de  meu tempo: ou respeita ou desce!  Ou estuda ou é reprovado! Ou se comporta ou vai pro castigo! E imagine que algum pai ou mãe tinha coragem de desafiá-los: eram autoridade, eram guardiões da disciplina, do saber!  E eram mesmo! Pobres, tristes professores de hoje!  A que condição eles, as escolas, os administradores escolares foram reduzidos!  E os alunos e pais pensam que são espertos, que estão ganhando alguma coisa e têm o poder, mas qual!  Que gente pífia vai resultar destes tempos…

A reencenação da peça está nas mãos da família Goulart/Bruno (Paulo/Nicete).  Direção de Bárbara Bruno. Assistimos à 4º ou 5º encenação, e o olho de meu amigo percebeu algumas coisinhas que não funcionaram como deveriam aparentemente. Nada grave, mas detalhes que olhos apurados e conhecedores percebem (não é meu caso, óbvio!).

Resumindo: vale muito a pena assistir à peça.  É diversão garantida pra gente da minha época, anterior, ou mais jovem.  O texto é primoroso e os atores estão bem entrosados.  Com as apresentações vão ficar melhores? Possível, mas a coisa toda já está num nível bastante bom.  Tomara que reencenem outras obras, talvez No Natal a gente vem te buscar. Eu gostaria de ver.

10

de
agosto

É muito tarde para ser pessimista!

Mais um filme pelo Ano da França no Brasil, projeto da Aliança Francesa em parceria com a Fnac e Reserva Cultural.

Foi uma sessão especial em 9 de agosto, domingo. Normalmente os filmes são apresentados no último domingo do mês (meus posts de 26/7 - Un autre dimanche particulier; 28/6 - Um dimanche très particulier;24/5 - Ser e ter, eis a questão;26/4 - A França não é aqui mesmo).  Seguiu o mesmo padrão das outras vezes: R$ 5,00 com direito a um café da manhã e exibição do filme.   A Fnac, desta vez, também fez um agrado aos espectadores: distribuiu kits do filme (acho que um livro e mais alguma coisa) após a sessão. Colocaram algumas etiquetas embaixo de poltronas.  Então, além de assistir a um superfilme, algumas pessoas sairam bem contentes com seus brindes (eu não, buáááá!!).

O Home (http://www.imdb.com/title/tt1014762/) é um filme que não se encaixa no ciclo atual do Cineclube, que trata de imigração basicamente.  Maaas, como é Ano da França no Brasil, a sessão foi promovida pela Aliança, Reserva, Fnac - ou seja, instituições de origem/capital francês, a gente imagina que o filme será em francês, até porque, por melhor que seja o filme, o objetivo de ir a essas sessões é, seguramente, ver, apreender a cultura francesa, bem como ter oportunidade de mais um contato com a língua.  Além disso, no ingresso estava escrito “legendado”.

Mas, surpreeesaaa!!! O filme foi inteirinho narrado. Mais estranho: todos os textos do filme são em inglês (?!), e consta nos créditos que quem fez a narração em inglês foi Glenn Close (?!).  Adoro GC, mas como assim?  O filme foi patrocinado pelo grupo PPR, gigante dono das marcas Puma, Yves Saint Laurent, Balenciaga, La Redoute, Sergio Rossi, Boucheron e por aí vai; grupo francês, claro!  Na verdade, o que me parece é que o filme teve sua versão francesa/original, narrada pelo próprio Arthus-Bertrand (essa é que eu esperava ver), mas teve versões em outras línguas, inclusive em inglês, que deve ter sido a base da versão a que assisti no domingo. Só pode!

Por sorte o narrador fez um excelente trabalho, mas, como o filme leva quase duas horas, poderiam ter feito como em A Marcha dos Pinguins (http://www.imdb.com/title/tt0428803/). Havia dois narradores (um homem e uma mulher), porque havia a senhora e senhor Pinguim; no caso de Home, dois narradores tornariam a coisa menos monocórdia, daria mais dinamismo e, acho, até valorizaria o próprio filme.  De qualquer forma, a narração não tornou o filme menos interessante.

O diretor/idealizador do filme, Yann Arthus-Bertrand (http://www.yannarthusbertrand.org/), é um especialista em fotografia aérea em balão. Publicou dezenas de livros fotográficos, sempre em prol da natureza.  Seu trabalho foi divulgado em publicações mundiais como Geo, Life e National Geographic.

O fato é que as imagens são maravilhosas. Nunca vi nada igual nem em cinema, nem em TV (não vejo tanto, mas acho que mesmo nas produções do Animal Planet e Discovery é difícil ver a mesma qualidade das imagens que Home oferece).  É um filme que emociona pela beleza e pela mensagem.  Como tantos outros trabalhos, fica evidente o mal que nós mesmos causamos e continuamos a causar a nosso habitat.  Estamos condenando os recursos que são essenciais para nossa sobrevivência, para uma vida com qualidade: água, sobretudo, ar, flora e fauna.  Fica evidente quão pouco os governos de países desenvolvidos importam-se de fato com o que está acontecendo e como empurram com a barriga ações urgentes para salvaguardar a Terra.  Diante de tudo que tenho visto, lido, só espero não estar viva para presenciar a exaustão do planeta.  Afinal, depois de ter recebido as informações de quanto mal eu mesma estava fazendo, reprogramei-me, mudei minhas atitudes, faço a minha parte sempre, posso até dar o exemplo, mas não sou páreo para a irracionalidade que grassa por aí, então não quero receber a conta lá na frente, quando não houver mais como remediar a situação.

Percebe-se claramente que o grande problema aconteceu nos últimos 50 anos, e, lamentavelmente, temos uma década, se tanto, para reverter a situação. Muito pouco tempo!  E os efeitos poderão ser catastróficos! Então não dá para lamentar, ser pessimista, só dá para empreender, tentar, fazer.

Aprendi, também, muita coisa com o filme: 20% das reservas de água potável estão na Groenlândia; há água fóssil, que está se esgotando rapidamente devido à exploração irracional em países como a Arábia Saudita; a infertilidade da Terra se espalha por países como a Índia de maneira avassaladora, etc.  Como sempre digo: não importa quão grave seja a notícia, mas sempre é melhor saber, pois só assim se pode tomar alguma providência a respeito e, eventualmente, até tornar a realidade menos negativa.

A trilha sonora é bem bonita também.  Muito apropriada, não briga com o flme, complementa-o harmoniosamente.

Ah, sim, e pelo que vi no filme, não programe suas próximas férias para Lagos/Nigéria, nem em sonho, ou qualquer outro país próximo (Chade, Burkina Faso, etc.).  Nem com a maior poesia dá para encarar, infelizmente, já que há tanta cultura e história por ali.

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