Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

31

de
agosto

E começou a Restaurant Week!

A Restaurante Week (posts de 4, 7 e 11 de março) (www.restaurantweek.com.br) é um evento muito bom para todos: restaurantes que acabam tendo público até em dias inesperados (2a., 3a., 4a.); para os clientes, pois os preços subiram tanto no último ano e meio que se tornou proibitivo para muitas pessoas irem a um restaurante com frequência, ou com a mesma frequência com que iam anteriormente, principalmente grupos familiares, portanto a RW permite uma volta “aos bons tempos”, e, finalmente, para a própria mão-de-obra do setor, afinal começam a ter trabalho em dias em que não havia movimento nos restaurantes, o que exige contratação mesmo que temporária.  E a cidade  e o estado também ganham já que o faturamento gera maior recolhimento de impostos.

Nesta edição da RW há mais de 200 restaurantes cadastrados, praticamente o dobro da edição anterior.

Mas é preciso que sejam feitas algumas considerações a respeito: nem todas as casas estão preparadas para o evento. Não sei que crivo a organização da RW faz, mas muitas não têm condições de participar desse tipo de evento. Algumas das razões: arrogância, i.e., a maioria dos restaurantes prepara um cardápio especial para o evento que oferece algumas opções.  Há, no entanto, restaurantes que oferecem aquilo e aquilo mesmo, ou seja, está pagando barato não tem nada que escolher.  Outra razão: há restaurantes que não entendem a dimensão do que o aumento de público pode causar em termos de alteração do padrão de serviços, de cozinha.  E a coisa vira um “pasticio”, um desespero, sobretudo para os clientes.   Mesmo com tudo isso, o resultado final acaba sendo muito compensador para a grande maioria (estabelecimentos e clientes).

Então, lá fui eu para meu primeiro restaurante: Balneário das Pedras (http://vejasaopaulo.abril.com.br/restaurantes/est0163599.html?enderecoID=99715ee9560fa110VgnVCM1000000b0417ac____) , no almoço de 2a. feira, portanto a $27,50 = cardápio da RW.  O lugar é interessante, mas não do meu gosto. Ainda bem que ficamos na parte externa (o dia estava bom, ensolarado), apesar da árvore que soltava montes de sujeira sobre os comensais.  Visitei o restante da casa: o jardim nos fundos estava fechado - realmente o público presente não justificava estender tanto o espaço de atendimento; tem um lounge , escuro, com sofás forrados de tecido imitando pele de onça (!), com painéis escuros na parede, e muitos quadros/gravuras; mais adiante, há um outro salão, com mesas, que é interessante.  Mas no geral a casa me pareceu um tanto escura, sufocante, mesmo em um dia ensolarado.

Da mesma forma que eu, vários clientes aderiram ao cardápio da RW.  O restaurante demonstrou bom  senso: ofereceu duas entradas (uma salada com frutas, simples mas muito saborosa, ou um capaccio de lula - fiquei com a salada); 3 pratos quentes: carne, peixe e massa.  Fique com o escalope ao porto com risoto, que estava muito saboroso. No entanto a sobremesa foi decepcionante: fruta da estação (tinham manga e abacaxi apenas) e tartalet (de limão, chocolate, morango com sorvete de mel. Só me foi oferecida a de chocolate, as outras não foram mencionadas e a massa estava incomível).   Agora a pobreza de sucos: abacaxi, abacaxi com hortelã, e laranja com não sei o que.

Agora o serviço, um horror!  Mil desculpas a outros clientes, pois era o primeiro dia, havia várias pessoas que não eram da casa, mas temporários…eeeeee?????????  Desde colocação de talheres, tomada de pedidos, atendimento a pedidos, tudo um horror!  Como não há alguém coordenando o salão?  Um bom maitre tiraria aquilo de letra. Mas não eram só os garçons! Havia uma moça, muito gentil, correndo o salão, que acabou pegando o pedido de minha vizinha de mesa, que, até onde entendi, escreve críticas gastronômicas. Ouvi perfeitamente a moça pedindo uma tartalet de morango.  E trouxeram o quê? Uma de limão!!!  A moça comeu a sobremesa, e depois vieram as desculpas…Assim não adianta, gente!  No meu caso veio a salada. Aí veio a salada de novo!  Aí demorou uma barbaridade para vir o escalope.  Pedi um café junto com a sobremesa, que, claaarooo, não veio junto, só depois de pedir uma segunda vez e pós-sobremesa praticamente.

Como sempre digo: ou faz direito ou não faz.  Isso é business, precisa de foco, de atenção, de capacidade, habilitação.Ah, sim, e havia garçons mal-encarados, talvez de mau-humor, ou em uma tensão de dar dó…Mas como tenho dito aqui exaustivamente, esse é o resultado de uma mão-de-obra pobre, cada dia menos capacitada, menos pensante, arrogante e sem postura. Gente que não tem memória dois minutos depois para lembrar o que foi pedido, e isso porque anotam, digitam em palmtops, etc., gente que acha humilhante servir, gente que só visa $ e nem pensa em se desenvolver, melhorar, ou, no mínimo, fazer seu trabalho direito. Verdadeiros mercenários!  De uma obtusidade alarmante que, aparentemente, veio para ficar.  E cada patrão que se acomoda, deixa passar, não exige, vai colaborando para a decrepitude e sobrevivência da baixa qualidade dos prestadores de serviços, ou da mão-de-obra em geral.

Como avaliação geral eu diria que a comida é bem satisfatória, mas eu não voltaria, não.  A gente vai a lugares por um conjunto de aspectos. No caso de alimentação: comida, atendimento, local, limpeza, preço.  Portanto, difícil o Balneário das Pedras me ver de novo.  E, olhem que eu estava planejando ir lá há quase um ano (mesmo na RW anterior não deu para ir), portanto, não foi má vontade de minha parte.

Obsevações a quem possa interessar: (a) quem tem árvores em local de alimentação tem de fazer manutenção,i.e., cortar galhos, folhas, sacudí-la, para que ela solte antes dejetos e não sobre os clientes. Ou ainda colocar um tipo de tela vazada, que permita que o sol penetre, a luz esteja lá, mas que comida, bebidas, etc., não sejam maculadas; (b) como assim primeiro dia, pessoal temporário? Estamos falando de um negócio! Não é o primeiro dia da vida do restaurante, e mesmo que fosse. Parece que é lazer e não venda - sim, venda, porque se cobra, se ganha para isso- de serviços e produtos. Não é ação entre amigos ou benemerência; (c) é obrigação do estabelecimento treinar, informar, testar e exigir de seus empregados, afinal são eles que farão o corpo-a-corpo com o pobre cliente. Donos, gerentes, deixem de ser preguiçosos e acomodados! Encarem as feras de frente: seus empregados têm de fazer o que e do jeito que vocês quiserem, senão, há uma fila (bem verdade que igualmente ruinzinha) na porta querendo aqueles lugares.  Difícil, claro que sim, mas não impossível.

Vamos ver qual será o próximo.  Só espero que seja mais compensador.

31

de
agosto

Tem gente que é mais que necessária, é obrigatória, é vital! (*)

Depois do estirão do sábado, pensei em ficar em casa, tranquilamente.  E foi o que fiz inicialmente: acordar, fazer umas coisas em casa, ler e-mails, escrever para o blog, fazer supermercado (a geladeira já estava me sugando quando aberta, tal o vácuo!).  Acabei comprando alguma coisa no super para comer.  Lá pelas 14.30h. conversei com um amigo que viajou hoje para os EUA. Fazia tempo que não o via, portanto queria visitá-lo, só para me despedir.

Incrível: tem gente assim!  A gente sente falta, sente saudade, gosta de estar junto, se abala de um lugar a outro para ver a pessoa, se encaixa em seus planos/programas para estar na companhia. E esse meu amigo é de uma atenção com a gente, mas atenção em todos os sentidos, além de ser muito divertido, inquieto feito “bicho carpinteiro”.   Gente agitadora, sabe como é?  É tudo de bom para abalar as estruturas. Eu sou muito metódica, organizada para muitas coisas, até para poder fazer tudo o que gosto ou tenho vontade de fazer.  Tem tanta coisa por aí e se a gente não se organizar perde muita coisa.  Mas, de vez em quando, levar um “susto” como quando saio com meus amigos irrequietos é muito bom!

Então combinei de sair com meus amigos para conversar, vê-los, essas coisas tão simples mas tão necessárias para a convivência.E aí foi uma diversão só! “Fiz sala” enquanto almoçavam. Depois fomos para a Praça da República comer doce (deve fazer umas décadas que não faço isso. Acho que até tinha esquecido que aquilo existia…).  Depois uma ida relâmpago à Oscar Freire.  Um amigo dos meus amigos avisou que estava acontecendo um evento por lá.  E lá fomos nós…

Chegamos umas 19.30h.  Estava intransitável! Difícil para estacionar, ou melhor, impossível.  Gente saindo pelo ladrão.  Muitas lojas estavam abertas; os cafés, restaurantes, lanchonetes abertos estavam entulhados.  Não sei bem o que estava havendo, mas me parece que uma empresa de bebida estava divulgando/servindo champanhe (acho que era M.Chandon); um carro antigo exposto, e conjuntos (acho que 2) musicais se apresentando.  Dificílimo de andar!  Toda aquela gente que frequenta a região, ou seja, os que mostram seu suposto poder financeiro acintosamente estava ali.  Fazendo o quê exatamente?  Não tinha nada para se ver, as lojas são as que estão abertas sempre.  Os cafés, restaurantes, idem.  Não terá sido pela flute de champanhe…

O público, naturalmente, era 60% hetero e 40% gay (masculino) - a proporção era essa mesmo.  Então, tudo bem… vamos vestir uma beca legal, fazer uma hora, “caçar” (que é isso que se faz em locais/eventos similares, mesmo os que têm um par), mas naquele tumulto? Minha sensação foi: estou fazendo footing!?  Quem é do interior, sobretudo, sabe bem do que estou falando.  Oooh, coisa prosaica, provinciana: andar por ali, se esbarrando, indo para voltar, e vice-versa!  Até deu para encontrar uns conhecidos pela rua.  Francamente, há muito tempo que não me sentia tão “o que estou fazendo aqui”?  De novo, a diferença estava nos meus amigos, mas não repetiria a dose.  Coisa mais sem pé,nem cabeça;  ora, vai ver um filme, ler um livro, assistir a uma peça, visitar um museu, conversar de fato com pessoas, ou até andar, mas em um lugar menos muvucado, mais agradável, mais bonito.  Eu gosto muito de feiras, tanto que a da Vila Madalena tento não perder, mas essa atividade notionless…ah, não!

No entanto, tenho que dizer que a decoração e iluminação estavam muito bonitas.  Mas foi só.

De todo jeito, foi uma tarde/noite tão diferente por conta do entusiasmo e improviso de meus amigos, que me diverti e descansei o “cerebelo”.  Foi tudo uma delícia!

(*) Nota importante: sou privilegiada pelas pessoas de que gosto e que me dão a alegria de conviver. Para todas elas dedico esta crônica, em especial ao Marco e Danilo que me proporcionaram um domingo irretocável. E é sempre um grande prazer estar com todos vocês, nem que seja só por meio da internet.

30

de
agosto

Quanta beleza! (o retorno)

Depois do TOhtake e do almoço no 62o., Ibirapuera. E vai me dizer que o dia não estava dizendo: Ibirapuera, Ibirapuera, Ibirapuera…Não costumo ir ao parque, só vou quando há exposições, shows a que quero assistir.  Mas ontem, depois de muitos anos, me deu vontade de começar a ir lá para caminhar, ler um livro, de vez em quando. Fazia muito tempo que eu não dispendia tanto tempo lá, tão à vontade, tão tranquilamente, sem horários rígidos.  Acho que vou começar a frequentar mais; não é muito mão, mas acho que vale me organizar.  Em dias como o de ontem, é algo preciosíssimo.

Comecei pela exposição Cérebro, que está no prédio da Bienal (http://bienalsaopaulo.globo.com/agenda/agenda_evento.asp?IDEvento=71)(http://vejasaopaulo.abril.com.br/revista/vejasp/edicoes/2124/ir-exposicao-cerebro-mundo-dentro-sua-cabeca-parque-ibirapuera-488769.html), aliás no subsolo, que garbosamente chamam de Porão das Artes.  A exposição é sobreuto, creio, para adolescentes, estudantes.  Mas está muito bem montada, tem muitas informações, muita coisa interativa (desde aparelhos que medem o equilíbrio, ondas cerebrais, memória, um computador em que você pode “operar” um cérebro e curá-lo, etc.), então acho que pode agradar a todo mundo.  Tem também um vídeo sobre memória e habilidades de raciocínio muito interessante. Os painéis explicativos trazem informações claras e de forma bem sucinta, o que é imprescindível para a garotada apreender. O mais divertido para mim foi um equipamento, desenvolvido por uma pesquisadora estrangeira, que mede níveis de memória. A máquina reproduz cheiro, barulho e imagem de pipoca e cortador de grama. Muito divertido!  Dá para passar umas horinhas lá explorando cada equipamento interativo. Só uma observação: embora no site oficial da Bienal o preço anunciado seja de $40 (inteira), na verdade é $25 (está no site oficial da exposição também).  Vale adquirir o catálogo da exposição também($12). Bem bacana e didático.

Depois, caminhar um pouquinho e ir ao MAM (http://www.mam.org.br/2008/portugues/default.aspx), para rever Burle Marx (post de 18/7- Burle Marx. Prazer em conhecê-lo!).  Além de passar pela exposição rapidamente, detendo-me no que mais gostei, pude assisitir aos dois vídeos sobre o artista.  Realmente uma figura emblemática. Um jeito de ver a vida e sua obra, sua genialidade, as pessoas, que cativa. Depois um café ali no restaurante do MAM (outro lugar fantástico, comida boa, preço honesto), para enfrentar o resto da jornada.  Ah, e a passadinha básica na loja do MAM, com sua vendedora animadíssima, simpaticíssima, alegríssima.  Ela é nota 10.

Aí foi uma caminhada até o Planetário (http://portal.prefeitura.sp.gov.br/secretarias/meio_ambiente/planetarios/programacao/0003), para a sessão das 19h. Já havia visto a das 15h (post acima - 18/7). Há outros dois horários: 17h e 19h. Optei por este para ter tempo de ver as outras exposições sem pressa.  E foi uma escolha abençoada! Não fosse pelo horário, nunca teria visto que a cobertura da entrada do Planetário é um céu estrelado, ou mais ou menos isso. A marquise é perfurada e por ali luzes vão se acendendo e apagando, dando a impressão de que a gente está sob um céu estrelado. Bem divertido e criativo. O espetáculo de ontem foi Por dentro do sol. Sim, espetáculo, porque é fantástico ver o céu estrelado através do projetor telescópico. Nossa, com o é lindo!  Daria para ficar horas admirando!  E sempre a gente aprende. O pessoal técnico do Planetário é entusiasta quanto ao que fazem. Atendem a gente muito bem, preocupam-se com o público, i.e., querem que gostemos, que aprendamos, que aproveitemos.  Foi muito interessante mesmo e até eu já comecei a distinguir algumas estrelas no nosso céu anil…

Depois da sessão de ontem estava programado o Banho de Lua. Após uma palestra de uns 30 minutos, as pessoas podem ver a lua em uns 4 ou 5 telescópios que são disponibilizados. Pena que não deu para ficar, pois ontem o céu estava à toda para isso.  É que eu estava um tanto cansada e como havia muita gente (é gratuito e o acesso por ordem de chegada), imaginei que muito dificilmente poderia ver o céu com calma, já que tinha espetáculo às 21h no auditório.  Então preferi deixar para uma outra vez. Normalmente fazem isso uma vez por mês. Acompanhem a programação, pois vale a pena.

E aí, outra caminhada até o Auditório do Ibirapuera (http://portal.prefeitura.sp.gov.br/secretarias/meio_ambiente/planetarios/programacao/0003 ). Uma das melhores salas de espetáculo de SP, com certeza. Sempre com shows excelentes!  Inscrevam-se para receber as newsletters. Vocês vão ficar fãs… A estrutura, acústica, o atendimento, o espaço, os banheiros, tudo é muito cuidado e de boa qualidade. Único senão: a cafeteria - oooh,coisa pobre! E teria público e público que pagaria coisas gostosas, variedade. Mas não: café, água, refri, um sanduichinho gostoso, mas pobrinho, uns cholocatinhos e só!  Que pena!  Ah, e o preço é bem carinho (um café e um minisanduíche = $ 5,50).   Bravo, onde está você que não me ouve?  Assumam o lugar como fizeram com a Pinacoteca, Estação Pinacoteca e outros espaços. E não posso esquecer de mencionar que no Auditório sempre há folder/programa do espetáculo, e somos sempre recebidos por recepcionistas bem simpáticas. Só acho que poderiam colocar mais algumas cadeiras ou bancos para as pessoas aguardarem mais confortavelmente o início dos espetáculos. Mas a gente não pode ter tudo, não é mesmo?

E o show foi Homenagem a Baden Powell (http://www.badenpowell.com.br/) (http://pt.wikipedia.org/wiki/Baden_Powell_(violonista)). Maravilhoso!! A Jazz Sinfônica é uma orquestra criativa, audaz, irreverente, e de uma qualidade musical inquestionável.  Seus espetáculos são sempre muito gostosos de ver. A gente se sente em casa, como se com amigos fazendo uma apresentação para a gente.  A atmosfera da JS é sempre assim. Ontem, apresentaram algumas composições de BP, e de outros compositores como LBabo, NCavaquinho, JBosco. Um espetáculo magnífico, que também teve a participação de duas cantoras em peças de BP. Lá também estava seu filho, Marcel Powell, que é tão violonista quanto o pai.  Quem, como eu, teve o privilégio de assistir ao BP em ação, em programas de tv, foi realmente privilegiado. Deu para lembrar a elegância, a sofisticação desse musicista de primeira grandeza.  Sua biografia é interessante também (vejam no link acima) e sua musicografia extremamente produtiva.

Bem, e foi só…

30

de
agosto

Quanta beleza…

Pois é, além do dia maravilhoso, um sábado ensolarado, cheio de sol, de luz, o que significa que o Universo estava mesmo de bom humor, vi tanta coisa bonita que nem cabe no meu coração.  Vou dividir o dia de ontem em alguns posts, assim vocês têm tempo de tomar uma aguinha, ir ao banheiro, ver um filminho, ver tv, conversar, porque é tanta coisa bonita e interessante…eu fiquei cansada, claro, afinal andei quilômetros ontem, com o maior prazer evidentemente, mas fisicamente foi uma maratona. Então vamos com calma, para não cansar meus leitores.

Antes de começar, quero lançar uma praga nos usuários de blackberry: (1) se você estiver caminhando e lendo seu blackberry, que você tropece, enfie a cara numa porta, num poste, numa parede; (2) se você estiver dirigindo e lendo ou escrevendo no seu bb, que você,no mínimo, leve uma multona; (3) se você estiver descendo ou subindo uma escada teclando no seu bb, atrapalhando todo mundo que está atrás de você, que dê um tropicão para levar pelo menos um susto; (4) se você estiver num teatro, assistindo a uma peça ou concerto (aconteceu ontem do Aud. Ibirapuera), achando que porque não está fazendo barulho não está atrapalhando ninguém com aquela tela luminosa no meio da escuridão e seus movimentos frenéticos, que, como em Ensaio sobre a Cegueira, você perca a visão por uns minutos pelo menos para ver se entra nessa cabeça de madeira que isso não se faz, o bb pode esperar, sim, e para de atrapalhar os outros; (5) se você estiver fazendo uma refeição com um amigo e começar a ler ou teclar, que você engasgue e que seu/sua amigo/a seja paralisado até você se safar sozinho dessa; (6) se você estiver conversando com uma pessoa, a não ser que ela seja estratosfericamente chata, e começar a olhar para seu bb, teclar, que você fique mudo e surdo por umas horas para entender o que é mais importante; (7) se você entrar num elevador olhando seu bb e teclando, que você fique prensado na porta, ou fique dentro do elevador subindo e descendo por no mínimo duas horas (os gajos que fazem isso,normalmente esquecem de marcar seu andar, então aquilo que poderia representar agilidade, ação, acaba se transformando em perda de tempo e estresse desnessário); e, finalmente, (8)se você fizer isso quando estiver comigo, não vai cair um raio na sua cabeça, você não vai se desintegrar, mas vai me deixar imensamente brava, chateada, acabar com minha pouca paciência, e piorar muito seu conceito na minha escala de avaliação. Pode não ser o fim do mundo, ou tão importante para você, mas trocar gente, convivência, interesse genuíno por uma máquina e necessidades criadas (burramente) é uma escolha infeliz, com certeza. Mas não se preocupem, se nenhuma das “spells” pegar os loucos por bb, vai chegar o dia em que eles vão achar mais graça na maquineta do que em pessoas, e isso não tem volta: desaprender é fácil, reaprender quase impossível; em que numa mesa de restaurante estarão todos com olhos e dedos em seus bb, e vão pagar uma conta salgadíssima ao final em vários níveis; em que, como se perdeu a habilidade de conviver, de enxergar o outro, e ninguém tem  nada mesmo para dizer, cada um no seu casulo estará olhando e teclando seu bb, totalmente sozinho.

Dito isto, ao que interessa!

Comecei com o Instito Tomie Ohtake (http://www.institutotomieohtake.org.br/inicio/teinicio.htm), um dos espaços de que mais gosto: fica pertíssimo de casa, é muito bonito, agradável, sempre tem exposições ótimas, inovadoras, bem montadas.  Ah, e nunca, pelo menos em todas as mostras a que fui, falta folder, catálogo, e são muito bem feitos (bom papel, boa impressão, textos ótimos, fotos), ou seja, benchmark na área. E é de graça, tudo é patrocínio…acho que deveriam abrir uma escola de eficiência na área para ensinar a outros administradores culturais, sobretudo aos estatais, como é que a coisa funciona.

Fui ver Jean Dubuffet (http://www.dubuffet.com/).  História e produção muito interessantes.  Ele foi e voltou para a produção artística muitas vezes, e a gente consegue perceber cada nova fase.  É como se ele produzisse, respirasse, repensasse, e começasse com algo totalmente novo. Minha prima, que gosta muito de arte, pinta, e está sempre lendo, me disse uma vez que para “desconstruir é preciso construir primeiramente”, ou seja, o artista tem que ser muito bom academicamente, se posso dizer assim, para brincar com formas, texturas, etc., lá adiante.  E me parece que foi esse o caminho de JD.  Há algumas pinturas muito interessantes, que eu gostaria de ter em casa.  Além disso há uma série de figuras que compuseram o Coucou Bazar. Um espetáculo montado com essas figuras/esculturas.  Há projeção do espetáculo que aconteceu nas décadas de 70 e 80.  É mesmerizante! Claro que há coisas pelo meio do caminho que, apesar de eu entender o “espírito”, por que o artista pensou aquilo ou realizou daquela maneira, não me agradaram muito.  Mas no todo, um percurso artístico muito interessante.

Agora, interessante, ou melhor, surpreendente mesmo foi a mostra do escritório Patrick Jouin (http://www.patrickjouin.com/site/), arquitetos de renome mundial.  Há ali desde objetos utilitários, mobiliário, até decoração de locais importantes (lojas, hotéis, restaurantes).  Há ainda um vídeo em que Patrick e Jouin conversam sobre o projeto de uma casa em Kuala Lumpur. Imagino até que gente experiente da área de arquitetura e design ficaria surpresa com a ousadia, criatividade, beleza do que os dois concebem. Claro que para tudo isso é preciso fundos quase que inesgotáveis, mas mesmo assim.  Há algumas soluções que mesmo para o mortal comum, com a devida adaptação, podem ser de uma qualidade plástica e pragmática inquestionável.  As decorações de restaurantes e um quarto que criaram para o W Hotel - Wow suite, são deslumbrantes!  Tudo é muito, muito bonito, leve, sem deixar de ser funcional. Há até equipamentos urbanos como banheiro público, totem de informações, e um “local para estacionar” bicicletas.

Se puder vá ver! E não se esqueça: paradinha básica na livraria e na lojinha do museu. Depois um café na Ofner que fica em frente ao museu.

No meu caso almocei na 62o., ali na Omaguás.  Além da loja superbacana na frente (difícil sair de lá sem um badulaque para a casa ou para a gente), há um restaurante nos fundos, que é uma delícia! O lugar é gostoso e a comida natureba style sem ser xiita.  Muito saborosa e dá para comer (entrada, prata principal, refri) por $ 25 a 30.  Não é barato, mas para variar e ser healthy vale a pena.

Agora, inspirando, expirando, inspirando, expirando, que tem mais.

28

de
agosto

Avenida o quê?

Ontem fui ver Avenida Q (http://www.avenidaq.com.br/ ) (Avenue Q -http://www.avenueq.com/), musical que vi há dois anos na Broadway.  Está no Teatro Procópio Ferreira, o que é uma pena.  O teatro além de desconfortável (cadeiras), não tem a menor condição (palco) de receber um musical dessa dimensão. O palco é estreito e curto.  A orquestra fica num buraco (a gente vê no final, quando são focalizados), os cenários não podem atender à necessidade da peça, justamente porque o palco é ruim, não permite.

Mesmo com tudo isso jogando contra, a dupla Botelho&Moëller conseguiu colocar um ótimo espetáculo em cena.  Como vi a produção americana, não há muito tempo, deu para ter um bom parâmetro de comparação.  Acho que a única pena mesmo ficou por conta dos cenários, já que as produções da dupla a que tenho assistido têm apresentado soluções criativas, em alguns casos geniais, para cumprir seu papel de forma compatível coma realidade local, seguramente com orçamento baixíssimo.

As letras, com exceção da primeira canção, foram bem traduzidas. Na primeira canção há um excesso de palavrões, sobretudo a palavra “merda”, que não condiz com o original. Em inglês o termo utilizado é “sucks” ,não necessariamente tem a força de merda, merda, merda…  Fora isso, o tom foi correto, atualizaram e adaptaram as piadas à cor local.  O enredo também não sofreu alteração perceptível, talvez uma ou outra coisinha.

Avenue Q é um musical com um conceito interessante, diferente. São bonecos manipulados por cantores/atores. No caso da versão nacional, a cantora/atriz que faz o personagem da Kate Monstro e da De Vassa é extraordinária. Além da segurança, da voz fantástica, ela interpreta duas personagens completamente diferentes, com timbres de voz, entonação, estilos opostos!  Ela é simplesmente fantástica!  Também o cantor/ator que conduz o Trekkie e o Nick é muito bom! Além da voz fantástica, a mobilidade (ele manipula os bonecos junto com uma outra atriz o que exige um entendimento, uma coordenação, uma consonância absurdos), a segurança, ele valoriza os bonecos imensamente.  Há atores/cantores e atrizes/cantoras que não manipulam bonecos. A Japaneusa é ótima, muito divertida e simpática (melhor que a americana, na minha opinião); o Brian, noivo e marido à força dela, também está muito bem.  O zelador, G Coleman, é bem mais fraco que a versão americana. Sei não, acho que deve ter gente bem melhor por aí.  O rapaz é simpático, até canta bem, tem ginga, mas não convence, e a moça (sim moça, travestida de zelador) americana que eu vi era infinitamente melhor.

Agora o grande, o enorme problema, que me incomodou do começo ao fim, e a mim, bem entendido, pois outras pessoas não foram tão impactadas, concordaram com alguns pontos que levanto abaixo, mas acharam que a performance ou só não chegou ao bom nível dos outros atores/cantores ou até foi bem, foi o ator/cantor principal  (André Dias).  Logo de início o que me incomodou é que ele aparecia mais que o boneco/fantoche.  Na versão americana e nos melhores do grupo nacional, a grande coisa é justamente sumir, i.e., importante é o boneco/fantoche. A gente não enxerga o ator/cantor.  Essa é a grande sacada, mesmo eles estando ali o tempo todo, sem roupas negras, máscaras, ou o que for.  Toda modulação, emoção, mensagem, está na voz, nos gestos de manipulação, ajudados por um gestual, e expressões faciais que não colidem com o boneco, com a personagem.  Mas não é o que faz o manipulador do Princeton e Rod (gay).  Ele faz tantas caras e bocas que é o ator ao lado da personagem.  Desde a empunhadura do boneco, a coisa não vai bem. Os outros colocam os bonecos à frente, ele ao lado.  Todos complementam os bonecos/personagens, ele compete.  Não só o ator/cantor, como a direção estão com problemas nesse quesito, para o meu gosto.  Tanto que achei todos os outros, consideradas as observações no parágrafo anterior, impecáveis ou quase, mas o AD não me desceu de jeito nenhum, e, olha, eu me esforcei…Além disso, há outros atores/cantores, como o rapaz que faz um dos ursinhos malvados, que tem uma voz mais privilegiada do que o AD, então não entendo a escolha dele para levar personagens tão importantes.  Ele também exagera nos trejeitos, tornando a coisa caricata e não apenas engraçada.  Talvez o problema seja a superdosagem em tudo, apenas. Não sei.

Ah, sim, mais uma coisa me surpreendeu: na versão local um mesmo ator/cantor faz duas personagens. Até aí, tudo bem.  Na versão americana também. Mas aqui fazem duas personagens que estão ao mesmo tempo no palco!  Isso prova, seguramente, que os atores/cantores são versatilíssimos, capacitadíssimos, mas precisa?  Como mencionei há atores/cantores com pequena participação em cena que, imagino, poderiam assumir alguma personagem secundária sem empanar o brilho dessas personagens.  Há tanta gente boa, tanta gente esperando por uma oportunidade nesse meio, imensamente capacitada, para que economizar?  O fato em si, dessa atuação concomitante não gerou nenhum prejuízo, mas podia ser diferente e melhor em vários sentidos.

Resumo da ópera: não perca! Mesmo tendo visto o musical no exterior, você vai se surpreender com a qualidade do espetáculo, com o conceito utilizado por Roberto Lopez e Jeff Marx na concepção do musical, com a qualidade dos bonecos e dos artistas/cantores que empunham as personagens.  Além de rir com o bom humor dos textos e músicas.  Não é à toa que Avenue Q ganhou tantos prêmios lá fora.

28

de
agosto

O Poeta Suicida - Elessandra Paula

Homero era poeta. Desde criança. Desde pequenino.

Homero não chorava de fome, declamava sua insatisfação à sua mãe.

Homero não via as coisas como as pessoas comuns. Enxergava nelas algo além do que qualquer um poderia ver.

Homero dizia para os amigos que não era poeta. Sentia-se poeta. Não escrevia sobre o que sentia, mas sentia o que escrevia.

Era amante do romantismo, do simbolismo. De rimar dor com amor. Emoção com coração.

Mas hoje, havia se deixado consumir pelo realismo. Não aquele machadiano, belo, inteligente, sarcástico, detalhista, impecável, mas aquele das revistas semanais, aquele da leitura fácil, do folhetim, inverossímil sem ser fantástico.

Escrevia sobre fast food, fast track, fast shopping, fast reading, fast work, fast life, fast living.

Não mais sentia o que escrevia, apenas o fazia. “Ossos do ofício”, pensava.

E a cada dia, menos do poeta e mais do Homero transparecia. Até que um dia, deixou de existir o poeta.

Homero o havia matado. Estrangulado com as duas mãos e a força de um teclado, não do bico da pena.

Repousava esquecido ao lado da cama seu velho caderno de notas, longe de tudo o que o havia levado a matar o poeta. Muito longe, inclusive, de suas mãos nuas.

Foi quando Homero lembrou-se um dia de que ainda deixara seu velho caderno na cabeceira da cama. Caneta presa no arame. Tomou-o. Começou a escrever. Escreveu como há muito não o fazia. Mas não rimava mais dor com amor, não escrevia nada que sequer lembrasse emoção.

Foi jornalisticamente sucinto. Claro e contundente como jamais fora. Analiticamente perfeito.

Sentiu-se feliz, apesar de sua mão doer tanto (perdera o costume de escrever, pois não usava mais a tinta em seus escritos).

E concluiu, com um misto de alegria, arrependimento e tristeza: “durante anos viveu em mim um poeta e sem cerimônias, descuidado da vida e da morte, o matei. O poeta deixou seus escritos, seus ensaios e contos, que junto a ele agora os enterro”.

Para Homero, o poeta havia morrido. De morte morrida, sabe? Aquela inexorável e que, mais dia menos dia, chega para qualquer um.

Mas ainda hoje, quando se deita e lembra-se do velho caderno, que não mais está ao lado da cama, reflete consigo mesmo sobre a causa mortis do poeta. O poeta havia deixado de lado a vida, não mais se importava, não mais a sentia. Haveria sido mesmo aquela morte a morte morrida que Homero tanto dizia a si mesmo? Quem haveria desistido de quem?

Afinal, o que dizer quando de uma vida vai-se o poeta e fica apenas o homem?

23

de
agosto

Um filme lindo como poucos!

Hoje houve mais uma sessão do Cineclub Aliança Francesa (http://www.aliancafrancesa.com.br/cineclub/) no Reserva Cultural (post de 10 de agosto - É muito tarde para ser pessimista e posts mencionados naquele texto).  Encerrou-se o ciclo referente a imigração.  Um tema polêmico, com enfoques muito humanizados, poéticos.  Os filmes deste ciclo têm um ritmo um pouco mais lento, são ricos, relatam sentimentos, ações do dia-a-dia, são profundos.

Só uma observação - todos os outros filmes, exceto Home que foi exibido em uma sessão extra, foram exibidos no último domingo de cada mês. Desta vez, foi diferente. Aliás, quase perco o filme. Não fosse o vício da profissão de fazer follow-up com uma amiga para ver quem compraria os ingressos e eu teria perdido o filme.  Estava certa que seria na semana que vem, pelo formato da programação até o momento.  Felizmente, minha amiga também recebe o informativo de programação do Reserva e viu que o filme seria neste domingo.  No final, felizmente, deu tudo certo.

Havia menos gente do que em sessões anteriores. Talvez pelo tema, talvez pelo frio e chuva, talvez pela nóia da gripe…o fato é que tinha muita gente, mas menos do que em outras ocasiões.  O próximo ciclo será sobre literatura+cinema.  Vamos ver o que vem por aí.  Pelo que já vi até agora, deve valer muito a pena.

O filme de hoje, Depois que Otar partiu (Depuis qu’Otar est parti - http://www.imdb.com/title/tt0336264/) foi, senão o melhor, um dos dois melhores que vi.  Um filme lindíssimo!  Feminino de novo. A ação é desenvolvida por três atrizes, sendo que a principal, a que carrega o filme, enche-o de emoção, beleza, suavidade, força, poesia tem seus 86 anos, Esther Gorinthin, polonesa.  Com as cãs lindas, seu corpo atarracadinho, seu jeito encurvado, um olho com problema (talvez catarata), ela é uma diva!  Maravilhosa!  Aliás, durante boa parte do filme pensei: quero ser como ela, sempre.  Quero ver a vida, as pessoas desse jeito.  Quero ter essa força, essa sabedoria, esse domínio, e, sempre, essa liberdade.

A hitória trata de Otar, um médico da Georgia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Geórgia), que deixa o país para tentar a vida na França.  A Georgia já havia se tornado independente e o país vivia o caos: racionamento de energia, falta de água, pouco dinheiro e trabalho para todos, cidades em ruínas, gente tentando sobreviver como dava.  A família de Otar, vê-se, tinha tido sua grandeza, era culta, desde os pais de Eka, papel de EG, eram admiradores da cultura francesa.  Livros pela casa inteira, tratados como tesouros. Eka e a neta Ada falam um francês excelente, considerando que são estrangeiras.  Otar nem aparece de fato, e dura pouco no filme.  O exercício de convivência das 3 mulheres é que embala o filme e comove muito.

Uma filha que tem restrições à mãe, e vice-versa, uma neta amorosa, uma matriarca que domina não a família, mas tem as rédeas de sua vida nas mãos. Inteligente, independente, forte, generosa, amorosa, alegre, que encara a vida com a naturalidade que eu gostaria de encarar.  Eka é uma gigante em cena.

A música também é muito interessante. Há de tudo: música clássica, música francesa e música georgiana.  Aliás, eu nem sabia que lá se falava georgiano (têm um alfabeto próprio) e não russo.  A fotografia em alguns momentos mostra paisagens belíssimas.  Um país de 70.000 m2 que já passou por inúmeras tomadas e retomadas, e tem sua origem em 2.000A.C.  Muito interessante!

Um filmaço!

23

de
agosto

Ai, que saudade do Casimiro,o retorno.

No post de 10 de agosto, comentei a peça A Aurora da Minha Vida de Naum Alves de Sousa.  Do post consta também o comentário de um amigo que entende muito de palco, musical, artes teatrais, etc.  Fui ver novamente a peça para aproveitar a companhia de outro amigo e por curiosidade. Isso mesmo…Tendo visto uma vez a peça há pouco tempo, estando menos preocupada em captar cada frase, cada detalhes, queria ver como percebia os comentários superpertinentes de meu amigo.

Consegui achar graça em muita coisa de novo, prestei atenção aos movimentos que resultam nos “instantâneos”, no guarda-roupa e nas músicas.  De “cabeça fria”, minha opinião é a seguinte: sem dúvida, se tivessem projetado alguma coisa da época da ditadura, filme ou fotos, ajudaria muito a situar o texto.  Acho que o texto tem o grande mérito de não ter envelhecido, mas falta referência para as novas gerações.  A inclusão dessas referências agregaria bastante.

Aparentemente, diferente da versão original, optaram por roupas mais leves, não uniformes mesmo.  Reparei melhor e gostei. Acho que ficou bem plástico e leve.

As cenas “congeladas” estavam bem. Só percebi um deslize em uma delas. Acho que estão bem firmes.  E quanto às músicas, não senti a perda de ritmo. Nesta segunda vez, me pareceram ainda mais apropriadas, mais oportunas e pertinentes.

O amigo que me acompanhou hoje achou a peça um pouco longa. Não senti isso na primeira vez. Hoje, talvez um pouco.

A peça fica até dia 6/9 no SESC Santana.  Recomendo.

22

de
agosto

…mas um Brüno incomoda muito mais!

E lá fui eu ver Brüno (http://www.imdb.com/title/tt0889583/ /http://www.thebrunomovie.com/ ).  Tal qual Borat, politicamente incorreto, mas bem divertido. Mas acho que o SCohen pegou mais pesado neste filme.

Há trechos em que a gente ri, sem nem saber por quê. Na verdade, as situações são inimagináveis (mas possíveis) e não há outro remédio a não ser rir.  É a história de um gay austríaco super(über)fashion que acaba perdendo seu programa de TV, entra para a lista negra de todas as festas, desfiles, eventos, e de todas as celebridades, e vai tentar se ajeitar onde? Of course!  Nos Estados Unidos, e mais precisamente na Califórnia.  Ele dá uma viajada pelos EUA, mas não é uma viagem tão extensiva quanto em Borat. E de novo temos o americano médio, bem de vida, bem alimentado, etc., etc., com seu jeito peculiar de ver o mundo. Há cenas hilariantes, como o mal-estar que ele cria com três caçadores, machos mesmo, bichos do mato, ermitões, aos quais ele recorre na tentativa de se tornar hetero; ou quando ele conversa com um pastor especialista em “curar” gays. Mas o máximo é o final, quando ele está num ringue de vale-tudo, cercado por todos os brucutus e brucutuas americanos e tasca um beijo em seu companheiro de viagem, assistente, e, finalmente, namorado,Lutz.  Voa de tudo, até cadeira, e a coisa não é encenada, não…

De novo: muita coragem!  Na verdade, os únicos homos que aparecem são o próprio Brüno, Diesel (que desaparece no começo) e Lutz…todos perdidos em um mundo hetero!  Brüno enfrenta até uma passeata antigays, vai parar numa delegacia, tem de pedir ajuda para que o desvencilhem de uma parafernália usada para sexo homossexual, enfim…Cohen é macho mesmo! Não importa se ele conta com uma estrutura de suporte (afinal é um filme, para dar bilheteria, tem investimentos, etc.), pois o risco, principalmente com este assunto, é imenso num país que se mostra homofóbico como poucos.

O cinema estava quase vazio, o que é compreensível: (a) quem viu Borat e não gostou, e imagino que muita gente tenha abominado, não vai ver este; (b) a temática homossexual desagrada a muitas pessoas de saída; (c) o horário… Havia umas senhorinhas, em seus setenta e oitenta anos, que riram bastante, mas pelos comentários abominaram o filme. Uma estava até fazendo piquete na porta do cinema para impedir que incautos comprassem ingresso.

Enfim, acho que é um filme divertido, tem sacadas criativas, mas não vai ter uma carreira muito longa em nossas salas.  Não saberia dizer se gostei mais deste ou de Borat.  Acho que os dois se equivalem.

21

de
agosto

Um Borat incomoda muita gente…

Ontem foi noite de ver Borat (http://www.imdb.com/title/tt0443453//
http://pt.wikipedia.org/wiki/Borat).  Vi os trailers no cinema, mas não fui assitir quando estava em cartaz.  No idea why…

Como alguns amigos foram ver Brüno e gostaram, pensei em ver o filme e resgatar Borat também, ambos personagens de Sacha Baron Cohen ( http://pt.wikipedia.org/wiki/Sacha_Baron_Cohen), humorista inglês. Há opiniões divergentes de quem viu os dois: uns gostaram mais de Borat, outros de Brüno.

O filme/Cohen é uma mistura de  Monty Python ( http://pt.wikipedia.org/wiki/Monty_Python) com Michael Moore ( http://www.michaelmoore.com/).  Politicamente incorreto em alguns aspectos, dirão os xiitas, mas sem dúvida muito divertido, perspicaz e, sobretudo, corajoso em sua quase totalidade.  Há cenas impagáveis como a luta de Borat e seu amigo Azamat em um quarto de hotel.  A maneira como as diferenças - e põe diferença nisso - culturais,sociais, sexuais, religiosas, morais entre o Cazaquistão (http://pt.wikipedia.org/wiki/Cazaquist%C3%A3o), pretenso país de Borat, e os EUA, país que ele visita para poder aprender e levar conhecimento, melhorias a seu Cazaquistão, são retratadas é hilariante.

Obviamente o filme em si é ficção, mas há vários trechos em que americanos participam, sem saber que estão fazendo parte de um filme, em situações reais, reagindo como cidadãos, indivíduos.  É impressionante a fotografia acabada do americano médio: não imagina que haja um mundo lá fora (fora dos EUA), limitação de visão em vários níveis, postura supercial e mais que pragmática - nada o surpreende, não importa quão bizarro seja, tudo é adaptado à forma como ele vê e entende o mundo.  Essas constatações são impressionantes porque estamos falando de um país em que a grande maioria tem poder econômico, acesso à informação, ao estudo, à cultura, à alimentação de qualidade.  Parece que tudo isso somado não fez grande coisa pelo americando médio. Não há interesse por nada que esteja fora da nação americana, o resto é resto mesmo!  E o aspecto religioso!?  Há um culto, do qual Borat participa como visitante estrangeiro, que deve ser o padrão por lá e deixa qualquer um dos nossos no chinelo em termos de exageros, desequilíbrio, histeria coletiva.  Tudo isso a gente já viu, ou sabe de alguma forma: relatos, publicações, filmes, mas interessante como ele consegue alinhavar tudo de forma engraçada, não dasairosa, espontânea. Bem, pode ser que se eu fosse americana ficasse meio irritada…não sei, possível!  Será?  Afinal, para quem está assistindo no área política, vendo no Senado brasileiro o que estamos vendo, e.g., arquivamento de processos contra Sarney e malta, vendo o governo federal estabeler quotas mínimas de produtividade agrícula (com esta o mundo todo está se divertindo…é a piada mundial do momento!), as piadinhas do Cohen talvez até fossem bem-vindas, um refrigério…

Aqui cabe uma digressão: sempre achei que os EUA devem muito de sua grandiosidade, para o bem ou para o mal, justamente a esse foco dos
americanos: we are the kings, não existe mais nada mais importante do que nosso país e nós, como nação.  Isso é importantíssimo.  Se nós brasileiros tivessemos uma potinha disso, já seríamos um povo melhor, uma nação de fato, o que não somos até hoje.  Só que também vejo que lá há o exagero, que pode se transformar nessa coisa excludente, preconceituosa, cruel para com o resto do mundo. O equilíbrio teria resultados próximos, só que com uma natureza agregada muito mais positiva.

Voltando: para o filme, Cohen criou uma  linguagem baseada num “mumbo jumbo” de hebraico com polonês.  Mas fazem com tanta convicção que parece que os diálogos são reais, que têm sentido mesmo, que é uma língua de fato!
A entonação é que faz toda a diferença. Engraçadíssimo!

Borat com suas perguntas absurdas, cara de bobo, jeito caipira, consegue atormentar os americanos de uma forma insidiosa, sútil, tanto que poucos o agridem.  Muito interessante a abordagem às pessoas nas ruas de NYork, no metrô.  Divertido demais…mas não sei não, talvez eu reagisse como algumas daquelas pessoas…a gente pirou mesmo!

Claro que Cohen, um judeu, respondeu/responde a vários processos: tanto do Cazaquistão, quanto dos americanos que se sentiram atingidos por participarem do filme sem o saber, que se sentiram ultrajados, ridicularizados.  Francamente, eu acho que isso não se faz mesmo, afinal as pessoas foram crédulas e estão com a cara aí para o mundo todo, sem ter feito essa opção ou saber da possibilidade. Essa é a parte politicamente incorreta para mim.  Um ônus desnessário talvez…O resto, é puro humor, escracho, jeito divertido de ver o mundo.

O filme é um nonsense (será?) da melhor qualidade.  E para a gente que está de fora, melhor ainda!

Agora é a vez de Brüno…depois conto.

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