Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

16

de
julho

Eu adoro Harry Potter!

Pois é, tem gente que odeia, outros torcem o nariz, falam mal (a crítica é feroz muitas vezes), mas muitos, como eu, a d o r a m Harry Potter (http://harrypotter.pt.warnerbros.com/home.htmlhttp://en.wikipedia.org/wiki/Harry_Potter).  Comigo foi desde o primeiro livro até o sexto.  Comprei o sétimo no lançamento, aquela loucura de reservar na Amazon, etc., mas ainda não li.  Acho que estou tentando prolongar quanto puder a série já que esse é o último livro.  Dos seis que li apenas um foi em português.  Aliás, muito bem traduzido, um livro com qualidade de impressão, capa dura, etc., etc.

Podem dizer o que quiserem, mas os sete livros (mesmo não tendo lido o sétimo, não tenho dúvida), são uma evolução palpável. Os textos ficaram mais complexos, as tramas mais intrincadas, as imagens mais bonitas, e o mesmo aconteceu com os filmes: um melhor que o outro.  Só uma observação: para os detratores do texto propriamente dito, eu tive a pachorra de, a cada novo livro, levantar o vocabulário que eu não conhecia, até porque a autora utilizou um vocabulário bem específico.  E, surpreendentemente, a cada novo livro o número de palavras menos comuns que ela utilizava era sempre o mesmo, ou seja, de uma forma ou outra, o leitor tinha de olhar a língua com curiosidade, pensar a língua do livro para poder compreendê-lo.  Não fosse por outro motivo, esse já seria um grande mérito nos dias de hoje.

Quanto aos filmes, na verdade gostei mais do anterior do que o que foi lançado ontem - Half-Blood Prince (http://www.imdb.com/title/tt0417741/). Mas este também é muito bom: efeitos especiais, guarda-roupa cuidado, cenários e fotografia maravilhosos.  A única coisa é que os garotos cresceram, já aparentam ser pós-adolescentes, então não sei como será o sétimo episódio, se houver. A sorte é que o HP-Daniel Hadcliffe tem uma cara de garoto ainda, que pode durar uns 3 ou 4 anos, e não cresceu em altura.  Todas as outras personagens são mais altas que ele, então ainda dá para disfarçar, criar a ilusão de adolescência, se o próximo filme não demorar muito.  Este filme narra a virada de casaca de Severus Snapes - Alan Rickman, que está soberbo! Aliás, ao lado do próprio HP e seus amigos, Ron -Rupert Grint e Hermione - Emma Watson (os dois uma graça!), Alan Rickman e Michael Ganbom (Dumbledore) é que são as grandes estrelas deste e de filmes anteriores. Uma pena é que a maravilhosa Maggie Smith (Prof.Minerva) talvez não chegue ao próximo filme.  Afinal, deve estar pelos 80 ou mais.  Tomara que consiga, pois, mesmo que pontual, sua participação é sempre riquíssima. Neste filme personagens como Neville, a própria Minerva, Hagrid, aparecem muito pouco, embora tenham tido participações de peso em outros filmes da série.  Draco Malfoy - Tom Felton também cresceu e está muito bem neste episódio.  Agora fica o mistério: Severus foi/é fiel integralmente a Dambledore e a Hogwarts ou enganou a todos sempre, mostrando quem é de fato somente agora? Tchan, tchan, tchan, tchan…

Eu havia pensado em ver a versão que está no Imax do Bourbon, mesmo sendo dublada.  Imagino, agora que vi o filme, que os Death Eaters, os cenários, os jogos de Quidditch devem ficar sensacionais em 3D, mas, pasmem!, mesmo com o preço muito mais alto do que o da projeção normal, quando fui comprar o ingresso, lá pela hora do almoço, estava tudo esgotado para todas as sessões de hoje! E para não perder a viagem e matar a vontade, acabei comprando para uma sessão legendada.  Cinema lotadaço!!  Mas não me arrependo, não, pois de qualquer jeito eu queria ver as duas versões.  O 3D fica para mais adiante, se eu continuar com vontade.

O filme já deve estar se pagando, porque é fila atrás de fila a cada sessão! HP tem o toque de Midas mesmo!

16

de
julho

Quase é o que poderia ter sido…e não foi mesmo!

Bem, como mencionado em meu post de 12/7 (Quase é o que poderia ter sido…  ), procurei e achei meu livrinho Who is Afraid of Virginia Woolf?  Edição de 1979!  Portanto, li o texto há 30 anos.  Bem, eu era outra, os tempos eram outros, então, de repente, desta vez eu poderia gostar mais.  Ao começar a ler a peça senti o que ficou como impressão daquela leitura por todos estes anos: agressividade, rancor,  um gosto amargo; não uma guerra de boas tiradas, mas amargor mesmo!  No entanto, depois de algumas páginas, achei a ironia mais refinada, deu para dar umas risadinhas, uns sorrisos. Só que isso durou pouquíssimo!  Depois de 1/4 do texto, começou tudo de novo: muita agressividade, muita amargura!  Só não diria que chegou ao escatológico porque não tinha nenhum bicho, nenhuma cabra no meio, mas foi por pouco!

Pois é, 30 anos depois, com um mundo totalmente diferente, uma “eu” totalmente diferente - na verdade, depois de tudo que vi e vivi, o linguajar, as acusações, a crueldade não me afetaram da mesma forma que há 30 anos, seguramente- mas o texto continua sendo um texto baixo, pesado, grosseiro, não incitador, mas desagradável.

Vai ver que a “freak” sou eu, afinal o autor foi tão premiado, tão decantado, tão endeusado…  Mas não estou nem aí! Na verdade, se eu encontrasse pela frente um casal como Martha e George, sairia pela direita ou pela esquerda, ou por onde desse, rapidinho, e romperia qualquer convívio social; ficaria só com o pragmático, o de interesse para o “network”, aliás coisa muito moderna e muito utilizada hoje em dia.  Tenho até um ex-amigo que diz que é assim que amizade tem de ser. Pode?

Mesmo lendo silenciosamente, posso ouvir os gritos entre marido e mulher, os ataques, os xingamentos (seu fracassado, sua louca, seu isso, sua aquilo!).  Há momentos, inclusive, em que são peremptórios: o que os atrai, que os faz manter o casamento é esse puxa-estica o tempo todo, esse cabo-de-guerra.  Impensável uma convivência tão desestruturada!  É o extremo de algo desequilibrado, para demonstrar exatamente o quê?  Quão irracionais podemos ser em qualquer nível, mesmo que as aparências digam o contrário? Que não há sentimentos verdadeiros de nenhum nível entre cônjuges, e por extensão entre as pessoas, não importa a idade, a condição social, intelectual, financeira? Que tudo continua por pura acomodação?  A verdade é que o texto é chato, a repetição, o drill de ataques, de idas e vindas é cansativo, exceto por uma ou outra tirada mais bem-humorada, refinada.

Mas para não dizer que sou do contra e não vi nada de bom, ou que meu sacrifício não valeu a pena, coisas que achei dignas de nota: discutem extensamente, do mesmo jeito grosseiro, verdade, o impacto da genética na reprodução da espécie.  Discute-se o pouco controle que se teria sobre os cientistas, o perigo de se gerar uma linha de seres iguais, uma espécie monótona, tendenciosa, etc.  O outro aspecto que vem à tona, e para minha surpresa (não me lembrava disso absolutamente), está declarado nesta frase (lembrem-se: a peça é de 1964 (Kennedy, Luther King, luta pelos direitos humanos, do cidadão, liberdades, etc., etc., ou seja uma das coisas que a nação americana de melhor e mais bonito deu ao mundo): George (para Martha): It’s perfeclty all right for you…I mean, you can make your own rules…you can go around like a hopped-up Arab, slashing away at everything in sight, scarring up half the world if you want to. But someboy else try it…no sir!

Arab, viram?  Não é Portuguese, Italian, Brit, é Arab! Well, well, well…

Não vi o filme, de 1966, com E. Taylor, R. Burton, que também foi muito comentado, ganhou Oscars, foi indicado para várias categorias e não levou, mas foi indicado - acho que por isso me lembro do assunto-, mas depois desta releitura, nem pensar!

Pois é,  por mais mal adaptada que tenha sido A Cabra Post 12/7), é Albee mesmo.  E eu que adoro Noel Coward, Oscar Wilde, ambos com seu humor refinado, inteligente, sutil, ter tido essa experiência pouco gratificante!  Que porre!

16

de
julho

Uma quarta quase perfeita.

Ontem recebi o convite gentil de um amigo para ver Memórias do Subsolo (http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u589019.shtml) no SESC Consolação.  Não tinha pensado em ver essa peça, embora goste bastante das peças levadas pelo SESC.  Normalmente vou ao da Paulista, e já comentei várias aqui no blog (posts de 23/2, 5/4, etc. ).  Em geral são peças muito interessantes, alguns monólogos, em que o cenário é uma obra de arte, pois não há espaço, não como fazer algo dinâmico, então artistas, figurinistas, cenógrafos, diretores têm de botar a criatividade para jambrar, e normalmente o resultado é muito bom mesmo.

Bem, nesta aqui, Memórias do Subsolo, uma adaptação livre por Mika Lins e Ana Saggese, de obra homônima de Dostoievsky.  Foi a primeira direção de Cássio Brasil (http://entretenimento.uol.com.br/album/lenise_pinheiro_cassio_brasil_album.jhtm ), que foi responsável por vários figurinos importantes (Linha de Passe, Carandiru entre outros).  Conheci o Cássio Brasil ontem, e ele é encantador!

Bem, eu já tinha desistido de ler russos há muito tempo.  O único de que gosto é Tchekhov (já li e vi em teatro Tio Vânia, A Gaivota, e alguns contos), e de alguns contos (Gogol, por exemplo).  Mas vamos de Dostoievsky, então…

A peça é bem pesada, apesar de ter só uma hora - seguramente a adaptação condensou o texto tanto quanto possível -; trata de um funcionário público que mora no subsolo de um prédio, uma pessoa desencantada consigo mesma e portanto com a vida, com as pessoas.  É um vomitar de mau-humor, pessimismo, desprezo que só acaba quando termina a peça. Uma coisa!  A Mika Lins está muito bem, até porque é um monólogo bem difícil.  A lógica é a lógica do texto,nada externo que possa ajudar muito o ator.  Não entendo tecnicamente da coisa, mas me pareceu que a direção foi primorosa, pois ali estava um homem, descontente com tudo e todos, cuspindo fel na platéia. Mesmo um surdo que não soubesse ler lábios entenderia/veria isso.  Ou seja, mesmo que fosse mímica, a gente teria a imagem correta do que o texto ou autor queria dizer. Tomara que o CBrasil  tenha sucesso nessa nova carreira, pois acho que ele leva jeito.

Algumas observações: os teatros do SESC são, em geral, pequenos, pintados de preto (paredes, teto), justamente para poder abrigar qualquer tipo de montagem.  E são pequenos, por que o são - não acho, neste momento, nenhuma explicação melhor.  Acontece que, na peça, a Mika Lins fuma 3 cigarros. Como a peça está ali desde 1/7, o teatro, já quando você entra, tem um cheiro absurdo de fumo, aquele cheiro adormecido, de um dia para o outro. Um horror!  Na verdade, acho que a atriz poderia até acender os cigarros, mas deveria dar um jeito de apagar imediatamente.  Que o público imagine a personagem fumando, ora!  Mas deixa estar, a lei do fumo já está por aí…

Outra coisa interessante: o público que vai a esses espetáculos cabeça. Claro que, independentemente de o texto ser difícil, empolado, denso, um texto para refletir, do qual se perde muito em uma peça, principalmente se tão curta - mas que fique claro, não dava para aguentar mais que isso-, tinha gente que ria a cada fala, como se descobrisse em cada linha dita pela ML o Graal!  Ah, vai,vai,vai…por favor! Claro que havia uma ou outra frase mais irônica que podia até levar o sorriso, senão aos lábios ao cérebro, mas era só.  O texto é pesado demais, sério demais, para permitir risos.  Enfin, tem tanta gente esquisita por aí…

Apesar de ter achado que valeu a pena ter ido ao teatro, principalmente sendo uma quarta-feira, não recomendo incondicionalmente. Só se você estiver com muita vontade de refletir, pensar, analisar e seguir por aí, senão não vá.

Depois, uma pizza no Veridiana (http://www.veridiana.com.br/) , ali do lado do SESC Consolação.  Uma delícia!  Tinha uma vaga lembrança ter ido ali há muito tempo. Mas acho que não.  Ou o lugar mudou muito, ou estou com amnésia mesmo.  Enfim, o que vale é que a pizza estava ótima, o lugar é bem bonito, e a companhia de meus amigos fez valer cada minuto.

13

de
julho

Quase é o que poderia ter sido…mas este foi!

Esqueci-me de um comentário importante (acho) no post de ontem.  Logo que li a sinopse da peça A Cabra ou quem é Sylvia?  lembrei-me imediatamente de um dos episódios de  Everything you wanted to know about sex, de Woody Allen (post de 16 de maio - Let us misbehave!).  Vejam que o filme é de 1972!!! Não 1982, não 1992, muito menos 2002!  Acho o filme muito mais plástico, mais sutil, se é possível ser sutil utilizando a zoofilia como metáfora para qualquer assunto, mas vá lá.
Um dos episódios do filme trata do amor por uma ovelha, e ela aparece em cena.  Só que as cenas são muito mais sutis, românticas, menos escatológicas do que a peça, que não tem nenhuma cabra em cena - imagine se tivesse!  E não duvido que a intenção de WA era a mesma: challenge o espectador, fazer com que pensemos em nossa moralidade, na hipocrisia social, etc. ,etc. , só que o resultado é brilhante!

E que coincidência uma peça de 2002 ter o mesmo tema-base de um episódio de um filme de 1972!!

Entre os dois, fique com o filme.  É bem melhor!

12

de
julho

Quase é o que poderia ter sido, e não foi!

Pois é, esse é o sentimento que ficou depois de ter assistido à última apresentação da peça A cabra ou quem é Sylvia?(http://aplausobrasil.ig.com.br/materias/511501-512000/511534/511534_1.html), no Teatro Renaissance.  A peça está em cartaz há bastante tempo, muito recomendada (crítico é uma coisa!!), com um elenco estrelado: José Wilker, Denise Del Vecchio, direção de Jo Soares, e texto, pasmem!, de Edward Albee. E, não, não tem nenhuma cabra em cena.

Vamos por partes: o cenário está lindo, apesar de fixo, sem nenhum movimento, é muito plástico, bonito, concebido por  arquiteto premiado (Isay Weinfeld ).  O guarda-roupa é único. Só uma personagem altera a composição de suas roupas significativamente.  A peça começou a ser encenada aqui em SP no Teatro Vivo. Como era muito longe para mim, fora de mão, a peça não me atraiu, deixei passar.  Só que em maio ela passou a ser encenada no Renaissance.  Deixei de novo.  Mas, recentemente, o assunto veio à tona pois um colega de trabalho viu a peça pela campanha de ingresso gratuito que aconteceu há umas semanas.  Uma amiga também tinha visto a peça no Vivo. Perguntados, nenhum dos dois disse ter gostado de fato.  As observações foram: É diferente!  Não é ruim!  Pode ser interessante. Não chega a ser escatológica, etc., etc., etc.  Então, lá fui eu ver o último dia de encenação.

De Albee (http://pt.wikipedia.org/wiki/Edward_Albee), que é reputado como um grande autor americano, só li Quem tem medo de Virgina Wolf? e vi Beakfast at Tiffany’s no cinema. Albee escreveu o musical.  Do Breakfast (1966) até gostei, não me lembro de muita coisa, mas me ficou uma memória agradável.  Já de Who is afraid …(1962) não gostei tanto, e vejam que li em inglês, portanto não era um problema de tradução, e li a peça bem adulta. Vou até ver se tenho ainda a peça para reler.

Mas esta peça especificamente, The Goat or… (http://en.wikipedia.org/wiki/The_Goat,_or_Who_is_Sylvia%3F ), de 2002, ganhou o Tony de 2003!?  Foi indicada para o Pulitzer!  Primeiramente, em vários jornais, revistas a peça é definida como comédia. Não é, é uma tragicomédia, o que faz imensa diferença!  Além disso, por mais enlouquecida que fosse a imaginação de Albee, por mais brilhante que fosse seu texto, falar de um casamento que desmorona porque um arquiteto famoso se apaixona por uma cabra, do tema do filho gay, do amigo de infância que acha que seus princípios morais, bastante discutíveis, estão acima da solidariedade amical, não pode gerar uma comédia e ponto.

Neste site http://www.curtainup.com/albee.html, a definição do estilo Albee é a seguinte:

Trademarks Of Albee’s Plays
Albee can be classified with theatrical experimenters whose work jumped the boundaries of American drama. His style embraces existentialism, abusurdism as well as the metaphysical. His plays tend to puzzle. While not easy “night out” fare they are also full of satirically witty and sharp dialogue. The Albee audience consists of those who value being challenged and appreciate theater that, if it existed, would fit into the School of Anti-Complacency. His failures at the box office are as well known as his critical successes. As described by the playwright himself his plays are” an examination of the American Scene, an attack on the substitution of artificial for real values in our society, a condemnation of complacency, cruelty, and emasculation and vacuity, a stand against the fiction that everything in this slipping land of ours is peachy-keen.”

Imagino que a análise seja tão boa quanto outra qualquer.  Sucesso de crítica e muitas vezes não de público. Seu público é o que quer ser desafiado, gosta de teatro, é anticomplacente.  Olhem, eu sou tudo isso, e achei o texto em questão um acinte!  Um insulto a minha inteligência.  A parte supostamente cômica é de uma previsibilidade impressionante! E a questão cabra poderia realmente render muito!  Desde o primeiro momento, ficou claro para mim que é uma grande metáfora para tudo que se considera fora de padrões, para a intolerância, e por aí vai.  Mas o resultado é muito raso!  Mais, o público que estava ali, lotando o teatro, ria de frases como “depois de dada a descarga, acabou a esperança”, hein??!, e outras de “qualidade” similar que não seriam boas em nenhum contexto.  Havia pessoas que não conseguiam parar de rir após algumas tiradas, mesmo o assunto tendo guinado para o lado trágico.  Esse é o público que quer desafios, anticomplacência, etc?  Não sei como o americano viu essa peça, mas não é possível que a tenha entendido de fato, ou não teria sido o sucesso que foi.

Mais ainda, o texto tem apenas 7 anos, e não sei se a direção é que deu o tom, mas há um viés homofóbico impressionante.  O tal filho gay é caricato, e é tudo o que lutas, movimentos, simpatizantes por anos tentaram e tentam apagar da face da Terra. Em pouquíssimos momentos a personagem ganha estatura de ser humano. Em 90% de sua participação é um ser afetado, quase perturbado.

Quanto aos atores, a Denise Del Vecchio está muito bem, agora o José Wilker, que eu nunca tinha visto em teatro, tem uma impostação de voz tediosa, que muitas vezes torna as falas incompreensíveis.  É moncórdio, por incrível que possa parecer! E, olhem, que eu até gostei do que vi dele na tv.

Realmente não deu para apreciar (acho que estou com problemas intelectuais e cognitivos, mas ainda não tão graves quanto os da personagem de Albee, amante da cabra), mas ainda bem que foi num domingo morno, tranquilo, em um horário razoável, e num teatro prático para mim.

Cadê meu Who is afraid…para eu tentar entender o que está havendo!!!

11

de
julho

“But many that are first shall be last; and the last shall be first.”Matthew 19:30

Tudo isso para dizer que, embora última atividade do dia, foi ótima, tão boa quanto as outras. Primeiramente porque estava com minhas amigas queridas (Elê e Ana Elisa), muita conversa, fofoca, risada.  Depois, porque fomos ao recém-inaugurado Le Vin do Itaim (http://www.levin.com.br/levin/ ). Restaurante tipo bistrô bem localizado, bem agradável, com bom atendimento.  O cardápio é enxuto, mas muito interessante.  Comemos lulas (Elê), risoto de bacalhau (Ana) e eu um cassoulet.  Fazia muito tempo que não comia um, e me veio à memória imediatamente aquele preparado por minha mãe.  Às vezes é melhor não arriscar nesse campo, porque, normalmente, o prato da mãe vem regado com muito mais que qualidade, sabor.  Vem também com memórias, com carinho, com calorzinho no coração, e por melhor que seja o do restaurante acaba sempre não sendo tão bom.  Bem, ainda acho que o da minha mãe era melhor, mas o do Le Vin ficou só um tiquinho atrás. Uma delícia!  E no dia certo, até pela temperatura mais baixa.  Tudo regado com um bom chileno (C. Sauvignon).  Antes do prato principal, recebemos um couvert composto de pão quentinho, patê e uma manteiguinha na temperatura certa.

Depois aos doces: trazem uma bandeja com os diversos doces, a maioria de chocolate, deve haver umas 20 variedades.  Cada uma escolheu um.  Todos muito bons.  E tudo se fechou com um cafézinho e chá de hortelã  (para mim).  Provei também um macarron - estava muito bom, mas gosto mais dos da Douce France, ali da Jaú.

Uma delícia de final de noite…e as meninas ainda foram para a balada…essa juventude!!!

11

de
julho

Chove, chuva, chove sem parar…que eu não tô nem aí!

Depois de um almocinho no Hora da Gula, um visita à Oui, Brasil (http://www.ouibrasil.com.br/index.html) no MUBE (http://www.mube.art.br/ ). A mostra tem um mix interessante (pinturas, fotos, esculturas, perfumes, carros, roupas).  Mas, por que, por que, por quê?  Não tem um folder, não tem um catálogo.  E, olhem, que mesmo com a chuvarada de hoje havia outros visitantes.  É verdade que têm uma monitora à disposição, mas, pelamor, com peças tão interessantes expostas o que custa fazer um folderzinho?

Fora isso, como muitos sabem, o MUBE tem recitais quase todos os domingos às 16h., por ótimo preço, e num auditório confortável.  Então se vai à feirinha que tem ali e depois uma musiquinha. Também tem um espaço para café/refeições bem ali.  Soube pela monitora, e agora vi no site, que vai haver um ciclo de filmes franceses, basicamente J Cocteau, e um de animações, desenhos infantis.  Só que ninguém sabe onde está a programação, a monitora da exposição Oui não tinha nenhuma informação (Não recebemos, foi a justificativa). Como assim? Não recebeu, peça! Afinal esse tipo de informação é importante! Conclusão, só chegando em casa, entrando no site (ai, bendita Internet!) consegui saber que um dos desenhos já deveria, inclusive, estar passando quando eu estava indo embora!  Vá divulgar mal ali adiante!!  Bem, se tiverem interesse, no site do MUBE tem a programação dos filmes adultos e dos infantis (estes devem ser bem interessantes).

Voltando à exposição propriamente:  lindas roupas, carros Citroen do século passado (lindos, maravilhosos!) cedidos por colecionadores, pinturas de E. Tuchband (http://pt.wikipedia.org/wiki/Emile_Tuchband ), esculturas de Caciporé Torres (http://www.art-bonobo.com/caciporetorres/ ), e fotos brilhantes, surpreendentes de Gilbert Garcin (http://www.gilbert-garcin.com/ ).  Este fotógrafo, que começou seus trabalhos aos 65 anos, depois de uma vida corporativa, e é a copersonagem de seus trabalhos, é genial! Entrem no site dele e vejam as fotos!  São fantásticas!  Todas em preto e branco.  Não sei se são mais brilhantes os títulos dados a elas, ou a solução do tema.

Quanto aos perfumes, há vários da primeira metade do século XX.  As embalagens, os vidros (deve haver vários Laliques) são um primor.  Para quem gosta de perfume como eu, uma delícia!

A entrada é gratuita e o MUBE é um espaço bem agradável e bem localizado.

10

de
julho

Agora viciei…

Conforme me propus no post de 3 de julho (O bom do resfriado…), li mais uma publicação da Arte e Letra - Estórias C.  De novo, as ilutrações são um encanto!  E desta vez a revista é só de contos.  Todos tendendo um pouco para o “dark”, mas todos muito bons.

Tem Mario Benedetti, uruguaio, com Pontes como Lebres, um lindo conto de encontros e desencontros durante uma vida inteira; Paul Auster com o O conto de Natal de Auggie Wren; Arthur Schnitzler com A desconhecida; Jonathan Coe com V. O. e por aí vai.  Da mesma forma que na outra revista que li, as traduções são primorosas e há alguns poucos problemas de revisão.

Uma delícia de publicação!  Bem, para minha sorte tenho a B para ler e já providenciei a compra das unidades E a H.  Espero que as revistas mantenham a qualidade e os editores o mesmo tino na escolha dos textos que as integrarão.

Pelo que li até agora, continua muito recomendável.

10

de
julho

If you wish upon a star, your dreams may come true!

O título se explicará mais abaixo.  Antes uma notinha sobre as exposições que estão no Museu da Casa Brasileira (http://www.mcb.sp.gov.br/).  Depois de almoço naquele lugar tão aprazível, vi a mostra Moda coreana - Arte e tradição, que está muito interessante.  São peças do final da década de 60 e dos anos 70 que denotam criatividade, pesquisa de material, e uma visão de moda no país que eu ignorava completamente.  Coisa de Europa, mas lá no Oriente.  Também está lá Pintura na margem da cidade: uma experiência interessante para colorir casas de favelas no Brasil e no México, tornando o ambiente mais bonito, civilizado.  Também estão expostas fotos em várias categorias (árvore florida, natureza florida, etc.), que fizeram parte do 14o. Concurso Itaú BBA de Fotografias. Há fotos lindíssimas!  E sempre vale passear pelos jardins vendo as plantas/árvores identificadas, além de dar uma olhada no mobiliário que pertenceu aos moradores da mansão (Prados).

Agora à noite foi a vez de Gloriosa (http://www.guiadasemana.com.br/Sao_Paulo/Artes_e_Teatro/Evento/Gloriosa.aspx?id=51831 ), no Teatro Procópio Ferreira.  A peça é encenada pela maravilhosa Marília Pêra, Eduardo Galvão e Guida Vianna.  Os três estão fantásticos!  O espetáculo é da dupla Möeller e Botelho (como Seven (post de 31 de maio) e Beatles (post de 19 de abril).

Além de a história parecer uma fábula, não um conto de fadas, mas, sim, uma anedota, sem o ser, pois é pura realidade, ou quase, os meninos, MeB, souberam tirar o máximo dos fatos, transferindo para o palco, com sensibilidade, um retrato acabado da Sra. Florence Foster Jenkins (http://pt.wikipedia.org/wiki/Florence_Foster_Jenkins).  Os cenários estão mais generosos, mais bonitos, que nos musicais a que assisti, e o guarda-roupa também.  A trilha sonora está magnífica pois, além dos clássicos (Mozart, Strauss), há Berlin, Porter e outros da época.  O texto é muito leve, embora retrate uma pessoa seguramente “umbalanced” e torturada, mas que viveu seguindo o que está aí no título: deseje, lute, não esmoreça, e dá para fazer um sonho tornar-se realidade, mesmo que esse sonho+realidade seja um tanto diferente do planejado, do desejado, do padrão.

Até o programa vale os R$ 10,00, tal o capricho dos textos, imagens, impressão.

Uma peça emocionante!  Vale quanto pesa, portanto, se puder vá ver.

8

de
julho

Sou brava, sou forte, sou filha do Norte!!!

Eu posso dizer isso!  Vocês só poderão dizê-lo quando forem a uma peça infantil, não por terem filhos, mas por vontade própria, desacompanhados dos espectadores mirins (filhos, netos, sobrinhos), ou seja, sem uma motivação impositiva.

Então, bravamente, lá fui eu ver As Aventuras de Bambolina, no Teatro Folha.  Por quê? Porque é o primeiro espetáculo infantil da Cia. Pia Fraus (que em latim quer dizer “mentira ou logro perpetrado com boa intenção”) desde 2001, quando começaram com Bichos do Brasil.  Vi esta também, em 2001 mesmo, acho, no Teatro da Cultura Inglesa de Pinheiros. Puro encantamento!

Bem, então do começo: ida ao banheiro antes do início da peça. Na cabine ao lado ouço a mãe tentando convencer a pequerrucha que ela devia fazer xixi, para não precisar sair durante o espetáculo. Mas não há acordo!  E aí ouço a pequena dizendo: Tô com medo!  E sinto o pânico na voz da mãe já antevendo o possível berreiro no escurinho do teatro: Medo de que, filhinha?! É teatro!  De novo: Tô com medo! Fui saindo, pois não queria ver aquela pobre mãe se decompondo pouco a pouco, pobrezinha…

Aí entramos no teatro.  E aqui um alerta: Homens vocês desaparecerão da face da Terra.  Isto não é fanfarronice ou uma ameaça vã: de todas as crianças presentes, 80% eram meninas. Não posso imaginar que os pais tenham deixado seus varões em casa e só levado as meninas, até porque os meninos que estavam por ali, de várias idades mas sobretudo bem pequenos (as meninas também em sua maioria estavam entre 2 e 5 anos), adoraram o espetáculo. Então…não adianta as estatísticas dizerem que a coisa não está tão feita para vocês, porque está, sim! Mulheres podem viver sozinhas ad eternum, se divertir com os gadgets supermodernos que estão por aí, e gerar com material congelado, que também pode ficar congelado ad eternum.  De novo, então…Ademais, o advento gay masculino também deve pesar nisso, já que esse negócio de gay não tem nada a ver com dna, genes, células, cérebros diferentes, etc., como várias pesquisas querem ratificar, na verdade apenas aliviando a consciência ou opção sexual dos próprios pesquisadores, afinal, vai saber…São escolhas, são opções psicoantropológicas, e nada mais.  A mudança no comportamento das mulheres, a dita “liberação”, apenas fez com que a tendência de poucos se transformasse na opção de muitos.  Hormônios são controláveis, basta querer.  Bem, depois desta tese sóciofilosófica sem fundamento, i.e., nonsense/giberish total, vamos ao que interessa.

Bem, após os 10 primeiros minutos, e depois em intervalos regulares, vários pais, mães, avós, babás tiveram de sair com seus rebentos para o tal pipi.  Outra coisa interessante: quantas babás acompanhando a gurizada!  Tantas quanto avós - não tinha um avô para contar a história! Que vergonha! Vai ver que todos já morreram - homens, ojo de nuevo!  Fiquei surpresa como a grande maioria das babás não dizia palavra, não conversava com os pequenos, apenas os supervisionava.  E, seguramente, muitos pais e muitas babás perderam bons pedaços da peça.

A peça foi surpreendente: primeiramente porque não há texto. Isso mesmo, tudo é entendido apenas por meio de expressões faciais, pelas ações/movimentos das personagens, mudança de cenário (painéis com rodinhas, muito bem feitos, imitando páginas de um livro), mudança de figurino (este também muito bem bolado, plásitco, bonito). A iluminação e sonoplastia também são primorosas.  São apenas 3 atores em cena, e Bambolina, claro, mas não precisa mais.  Eles são ótimos.  E a história não é boba não, há valores muito importantes ensinados aos pequenos, e reforçados aos grandes também, por que não?

Foram 50 minutos de pura alegria, cor, diversão…Passou muuuitooo rápido! Aliás nem deu tempo de as crianças se inquietarem.  E em vários momentos havia  “oooh”, “aaah”, palmas, gritinhos e muito riso.

Bem, eu adorei, e já passei um pouco da idade visada pela peça!

Vantagem final: como os pais, babás, avós tinham que catar toda a tralha e mais seus acompanhantes mirins, eu saí tranquilamente do teatro, sem fila, sem espera, a primeirona.  Aliás, notei que além de mim, só havia mais uma outra senhora desacompanhada de crianças no teatro.  Outra brava, forte, filha do Norte, seguramente!

« Posts mais novosPosts mais antigos »

Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://mskeller.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o servio e siga participando do Terra Blog.