Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

8

de
julho

Sou brava, sou forte, sou filha do Norte!!!

Eu posso dizer isso!  Vocês só poderão dizê-lo quando forem a uma peça infantil, não por terem filhos, mas por vontade própria, desacompanhados dos espectadores mirins (filhos, netos, sobrinhos), ou seja, sem uma motivação impositiva.

Então, bravamente, lá fui eu ver As Aventuras de Bambolina, no Teatro Folha.  Por quê? Porque é o primeiro espetáculo infantil da Cia. Pia Fraus (que em latim quer dizer “mentira ou logro perpetrado com boa intenção”) desde 2001, quando começaram com Bichos do Brasil.  Vi esta também, em 2001 mesmo, acho, no Teatro da Cultura Inglesa de Pinheiros. Puro encantamento!

Bem, então do começo: ida ao banheiro antes do início da peça. Na cabine ao lado ouço a mãe tentando convencer a pequerrucha que ela devia fazer xixi, para não precisar sair durante o espetáculo. Mas não há acordo!  E aí ouço a pequena dizendo: Tô com medo!  E sinto o pânico na voz da mãe já antevendo o possível berreiro no escurinho do teatro: Medo de que, filhinha?! É teatro!  De novo: Tô com medo! Fui saindo, pois não queria ver aquela pobre mãe se decompondo pouco a pouco, pobrezinha…

Aí entramos no teatro.  E aqui um alerta: Homens vocês desaparecerão da face da Terra.  Isto não é fanfarronice ou uma ameaça vã: de todas as crianças presentes, 80% eram meninas. Não posso imaginar que os pais tenham deixado seus varões em casa e só levado as meninas, até porque os meninos que estavam por ali, de várias idades mas sobretudo bem pequenos (as meninas também em sua maioria estavam entre 2 e 5 anos), adoraram o espetáculo. Então…não adianta as estatísticas dizerem que a coisa não está tão feita para vocês, porque está, sim! Mulheres podem viver sozinhas ad eternum, se divertir com os gadgets supermodernos que estão por aí, e gerar com material congelado, que também pode ficar congelado ad eternum.  De novo, então…Ademais, o advento gay masculino também deve pesar nisso, já que esse negócio de gay não tem nada a ver com dna, genes, células, cérebros diferentes, etc., como várias pesquisas querem ratificar, na verdade apenas aliviando a consciência ou opção sexual dos próprios pesquisadores, afinal, vai saber…São escolhas, são opções psicoantropológicas, e nada mais.  A mudança no comportamento das mulheres, a dita “liberação”, apenas fez com que a tendência de poucos se transformasse na opção de muitos.  Hormônios são controláveis, basta querer.  Bem, depois desta tese sóciofilosófica sem fundamento, i.e., nonsense/giberish total, vamos ao que interessa.

Bem, após os 10 primeiros minutos, e depois em intervalos regulares, vários pais, mães, avós, babás tiveram de sair com seus rebentos para o tal pipi.  Outra coisa interessante: quantas babás acompanhando a gurizada!  Tantas quanto avós - não tinha um avô para contar a história! Que vergonha! Vai ver que todos já morreram - homens, ojo de nuevo!  Fiquei surpresa como a grande maioria das babás não dizia palavra, não conversava com os pequenos, apenas os supervisionava.  E, seguramente, muitos pais e muitas babás perderam bons pedaços da peça.

A peça foi surpreendente: primeiramente porque não há texto. Isso mesmo, tudo é entendido apenas por meio de expressões faciais, pelas ações/movimentos das personagens, mudança de cenário (painéis com rodinhas, muito bem feitos, imitando páginas de um livro), mudança de figurino (este também muito bem bolado, plásitco, bonito). A iluminação e sonoplastia também são primorosas.  São apenas 3 atores em cena, e Bambolina, claro, mas não precisa mais.  Eles são ótimos.  E a história não é boba não, há valores muito importantes ensinados aos pequenos, e reforçados aos grandes também, por que não?

Foram 50 minutos de pura alegria, cor, diversão…Passou muuuitooo rápido! Aliás nem deu tempo de as crianças se inquietarem.  E em vários momentos havia  “oooh”, “aaah”, palmas, gritinhos e muito riso.

Bem, eu adorei, e já passei um pouco da idade visada pela peça!

Vantagem final: como os pais, babás, avós tinham que catar toda a tralha e mais seus acompanhantes mirins, eu saí tranquilamente do teatro, sem fila, sem espera, a primeirona.  Aliás, notei que além de mim, só havia mais uma outra senhora desacompanhada de crianças no teatro.  Outra brava, forte, filha do Norte, seguramente!

8

de
julho

Quantas boas surpresas!

O dia estava ótimo!  Ensolarado, calorzinho gostoso. E comecei meu passeio pela Estação Pinacoteca (http://www.pinacoteca.org.br/?pagid=estacao_pinacoteca).  Lá havia duas exposições temporárias muito interessantes. Primeiramente, Fayga Ostrower (http://www.faygaostrower.org.br/), uma polonesa que viveu quase a vida toda no Brasil.  Da mostra constam 70 trabalhos que refletem toda sua carreira.  Tem xilogravuras, águas fortes, litografias, aquarelas.  Tudo muito bonito!  Pode-se  também assistir a um vídeo, produzido pelo CCBB, sobre os vários tipos de gravuras. Muito didático e bem feito!  Aprendi montes de coisas.  Há também uma pequena participação de Fayga. FO foi também uma teórica da arte e tem várias obras publicadas - acabo de ver uma aqui nos meus vizinhos da Bibliomania.

No térreo, há uma exposição sobre a perseguição aos japoneses durante e após a II Guerra (Circulo Fechado: os japoneses sob o olhar vigilante do DEOPS/SP).  Fotos, documentos, fatos muito interessantes.  A coclusão a que chego, pelo que vi ali, é que o DEOPS, ou a “polícia secreta”, já foi mais eficiente, mais comprometida do que o que se tem notícia hoje.  Tem cada levantamento, cada relatório, em todos os confins do Estado de São Paulo! Há cidades que parecem muito distantes para nós da capital ainda hoje, imaginem naquela época.  E não digo distante de distância apenas, mas de desenvolvimento, acesso a informações, acesso à cultura.  Um quadro muito interessante das atividades da época, que complementou as informações que recebi durante meu passeio pela Liberdade na semana passada.

Mas, as usual, nada de folder, nada de catálogo, nada de nada.

Ah, sim, há também uma mostra permanente, se podemos chamar assim, do Memorial da Resistência, contando a história do prédio, da ocupação pelo DEOPS, sua redenção posterior. Até as celas da época da repressão podem ser visitadas.  Não custa lembrar, para não deixar que o erro se repita.

Depois foi a vez da Pinacoteca (http://www.pinacoteca.org.br/index.php), minha queridinha!  Além de Blue Jeans, uma baleia em tamanho natural, bem ali no hall de entrada, por João Loureiro (bem interessante!), conheci Pedro Weingärtner (http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_Weingärtner).  Nem imaginava quem era, mas essa falha de caráter desapareceu hoje.

Um gaúcho de projeção mundial que está sendo resgatado pelos próprios gaúchos. Além das pinturas, há algumas gravuras também.  Ao todo, 120 trabalhos.  Claro que em muitos trabalhos se vê a influência de vários artistas europeus, afinal ele viveu muito tempo na Europa, sobretudo na Itália. Mas isso não tira o mérito de suas pinturas, dos detalhes, das cores! Gostei de muitas, mas as duas preferidas foram Primavera e Colhendo Flores.  Eu gostaria de ter as duas na parede!

Além dessa belíssima mostra, há Paisanges e Panoramas, com 60 obras de artistas (pinturas e litografias) que vieram ao Brasil depois da abertura dos portos.  A maioria das obras é do segundo quarto do século XIX em diante.

Portanto, vale a visita à região da Luz.

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