30
de
julho
Genghis Kahn…esse era o cara!
Um bom épico, sem dúvida! Não me lembro de ter assistido a outro filme sobre Genghis Kahn (http://en.wikipedia.org/wiki/Genghis_Khan). Na verdade it “rings a bell”, mas muito de levinho, então não sei mesmo se vi ou não.
O filme no original chama-se Mongol (http://www.imdb.com/title/tt0416044/)
(em terras tupiniquins é O guerreiro Genghis Kahn).
Impressionamente que, na fila do cinema, havia pessoas que não imaginavam quem teria sido GKahn. Atrás de mim, uma moça, de uns 25 anos ou mais, perguntou: o que é esse GKahn? E o rapaz que a acompanhava (marido, namorado, amigo…coitado!) ficou surpreso e deu uma explicadinha por cima. Se não casou está em tempo…Também, vai explicar o que nessa altura, na boca da bilheteria…Como sempre digo: não é porque não dei a mão a PACabral que eu não sei “quem é esse”, mas a cada dia é o que mais vejo/ouço, e sem que as pessoas se incomodem, tenham pejo para ir lá no Google (tão facinho hoje me dia) e se informar. Bom, isto foi só uma elucubração boba, sorry!
Voltando: o filme é uma produção germanorussomongolcasaquistanesa. Barbaridade, nem sei como é de fato o adjetivo para caber tudo isso…Com tantas mãos, culturas e interesses diferentes podia ser um “samba do crioulo doido”, mas não chegou a isso. Só acho que ficou um pouco sem foco. Não deu para saber se queriam mostra que GK era bom, mau, herói, bandido. Bem, talvez essa fosse a ideia: a gente não prejulga, quem tem de chegar a uma conclusão é o espectador. Pode ser…
Claro que as condições que envolvem a vida de GKahn: cultura mongol, a vida duríssima (intempéries, luta pela comida, ignorância - aparentemente só monges e muito ricos tinham acesso à leitura, etc.), poder que significava sobrevivência, e muito mais, até nos permitem não criar um estereótipo, ou seja, GK não tinha uma natureza má, o meio em que viveu é que o fizera daquele jeito. Claro que ele deve ter sido um ser diferenciado, afinal era preciso muita coragem para sobreviver, abater inimigos, driblar as traições, para as batalhas corpo a corpo. Pelos registros históricos, ele realmente amou sua mulher (Borte) e teve em Jamuka um irmão, que mais adiante, justamente pelas disputas de clãs, tornou-se seu inimigo. Foi um estrategista que levou a Mongólia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Mong%C3%B3lia) a um patamar de dominação inigualável. Foi o maior domínio territorial contínuo do mundo. Ele soube agregar gente, forças conflitantes, criar seguidores. Tinha de ser um homem especial, de bom senso, determinado, generoso, bravo (de bravura e de temperamento), para ter o séquito que teve, conseguir ter um domínio tão longo (mais de 20 anos), numa região tão inóspita, desagregada (lembrem-se: não havia telex, telefone, celular, internet, nem tambores ou sinais de fumaça), ela própria uma selecionadora natural de quem vive, quem morre, quem vence, quem perde.
A fotografia, nem preciso dizer, é maravilhosa! Igualmente o guarda-roupa. Oooh, gente elegante, mesmo sendo nômades e considerando o ambiente em que viviam. E que artesãos! Jóias, armas, itens de montaria, armaduras, proteções para as batalhas, utensílios (cantis, cumbucas, etc.)! Mesmo que o filme “doure a pílula”, pelo que li a respeito, tinham,sim, um nível artesanal muito superior ao do Ocidente. A gente vê guarda-chuva! Muitos itens de montaria requintados, sandálias e botas interessantes, arranjos de cabeça, enfeites; enfim, havia praticidade e plasticidade.
O único senão é que, pela intempérie, usavam muita pele de animal. Imagino que aquilo era retirado do bicho, curtido, limpo para uso, porém, considerando que eram nômades, não acredito que o banho fosse um must, ou seja, as roupas e as pessoas deviam ficar com um cheirinho louco…coitadas das papilas olfativas; tinham de se acostumar e ponto!
Interessante também que, pelo que está no filme, e deve estar próximo da realidade, tomavam muito leite, dominavam a arte de cavalgar, tinham muitos e bons animais, o comércio era bem intenso, dominavam a arte da forja, tinham armas bem efetivas (lanças, arco e flecha, espadas ou algo parecido). Isso no final do século XII e primórdios do XIII e lááá longe…
Achei o filme bom pelo interesse histórico, retrato de uma figura tão emblemática. Acho que vale a pena ver, mas não vá esperando nada hollywoodiano. É bonito, é interessante, é diferente, mas não é hollywoodiano! Ah, e vá com os ouvidos preparados: falam mongol e mandarim. Mongol é uma coisa!! E eu que achava as línguas eslavas feias…Desculpem-me mongóis e eslavos, mas meu ouvido não se adapta mesmo, mea culpa! Afinal quem sou eu para desdizer GK que declarou: a língua mongol é linda. Um dia será falada por todos!
A trilha sonora, para meu gosto, é atroz. Exceto alguns momentos de inspiração, é tudo muito chato, pesado, até meio deslocado, melodramático! De novo, de repente é meu ouvido. Ah, e GKahn morreu aos 65 anos. O homem era duro na queda mesmo. 65 anos para quem vivia pelo fio da espada, nômade, guerreando, e considerando a época, é um achievement!
Pelo inusitado do cast, da produção, do diretor, vá ver. É um bom programa.












