Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

30

de
julho

Genghis Kahn…esse era o cara!

Um bom épico, sem dúvida! Não me lembro de ter assistido a outro filme sobre Genghis Kahn (http://en.wikipedia.org/wiki/Genghis_Khan).  Na verdade it “rings a bell”, mas muito de levinho, então não sei mesmo se vi ou não.

O filme no original chama-se Mongol (http://www.imdb.com/title/tt0416044/)
(em terras tupiniquins é  O guerreiro Genghis Kahn).

Impressionamente que, na fila do cinema, havia pessoas que não imaginavam quem teria sido GKahn. Atrás de mim, uma moça, de uns 25 anos ou mais, perguntou: o que é esse GKahn? E o rapaz que a acompanhava (marido, namorado, amigo…coitado!) ficou surpreso e deu uma explicadinha por cima.  Se não casou está em tempo…Também, vai explicar o que nessa altura, na boca da bilheteria…Como sempre digo: não é porque não dei a mão a PACabral que eu não sei “quem é esse”, mas a cada dia é o que mais vejo/ouço, e sem que as pessoas se incomodem, tenham pejo para ir lá no Google (tão facinho hoje me dia) e se informar.  Bom, isto foi só uma elucubração boba, sorry!

Voltando: o filme é uma produção germanorussomongolcasaquistanesa. Barbaridade, nem sei como é de fato o adjetivo para caber tudo isso…Com tantas mãos, culturas e interesses diferentes podia ser um “samba do crioulo doido”, mas não chegou a isso. Só acho que ficou um pouco sem foco. Não deu para saber se queriam mostra que GK era bom, mau, herói, bandido. Bem, talvez essa fosse a ideia: a gente não prejulga, quem tem de chegar a uma conclusão é o espectador. Pode ser…

Claro que as condições que envolvem a vida de GKahn: cultura mongol, a vida duríssima (intempéries, luta pela comida, ignorância - aparentemente só monges e muito ricos tinham acesso à leitura, etc.), poder que significava sobrevivência, e muito mais, até nos permitem não criar um estereótipo, ou seja, GK não tinha uma natureza má, o meio em que viveu é que o fizera daquele jeito. Claro que ele deve ter sido um ser diferenciado, afinal era preciso muita coragem para sobreviver, abater inimigos, driblar as traições, para as batalhas corpo a corpo.  Pelos registros históricos, ele realmente amou sua mulher (Borte) e teve em Jamuka um irmão, que mais adiante, justamente pelas disputas de clãs, tornou-se seu inimigo.  Foi um estrategista que levou a Mongólia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Mong%C3%B3lia) a um patamar de dominação inigualável. Foi o maior domínio territorial contínuo do mundo.  Ele soube agregar gente, forças conflitantes, criar seguidores.  Tinha de ser um homem especial, de bom senso, determinado, generoso, bravo (de bravura e de temperamento), para ter o séquito que teve, conseguir ter um domínio tão longo (mais de 20 anos), numa região tão inóspita, desagregada (lembrem-se: não havia telex, telefone, celular, internet, nem tambores ou sinais de fumaça), ela própria uma selecionadora natural de quem vive, quem morre, quem vence, quem perde.

A fotografia, nem preciso dizer, é maravilhosa!  Igualmente o guarda-roupa. Oooh, gente elegante, mesmo sendo nômades e considerando o ambiente em que viviam.  E que artesãos! Jóias, armas, itens de montaria, armaduras, proteções para as batalhas, utensílios (cantis, cumbucas, etc.)!  Mesmo que o filme “doure a pílula”, pelo que li a respeito, tinham,sim, um nível artesanal muito superior ao do Ocidente. A gente vê guarda-chuva! Muitos itens de montaria requintados, sandálias e botas interessantes, arranjos de cabeça, enfeites; enfim, havia praticidade e plasticidade.

O único senão é que, pela intempérie, usavam muita pele de animal.  Imagino que aquilo era retirado do bicho, curtido, limpo para uso, porém, considerando que eram nômades, não acredito que o banho fosse um must, ou seja, as roupas e as pessoas deviam ficar com um cheirinho louco…coitadas das papilas olfativas; tinham de se acostumar e ponto!

Interessante também que, pelo que está no filme, e deve estar próximo da realidade, tomavam muito leite, dominavam a arte de cavalgar, tinham muitos e bons animais, o comércio era bem intenso, dominavam a arte da forja, tinham armas bem efetivas (lanças, arco e flecha, espadas ou algo parecido). Isso no final do século XII e primórdios do XIII e lááá longe…

Achei o filme bom pelo interesse histórico, retrato de uma figura tão emblemática. Acho que vale a pena ver, mas não vá esperando nada hollywoodiano. É bonito, é interessante, é diferente, mas não é hollywoodiano! Ah, e vá com os ouvidos preparados: falam mongol e mandarim. Mongol é uma coisa!! E eu que achava as línguas eslavas feias…Desculpem-me mongóis e eslavos, mas meu ouvido não se adapta mesmo, mea culpa!  Afinal quem sou eu para desdizer GK que declarou: a língua mongol é linda. Um dia será falada por todos!

A trilha sonora, para meu gosto, é atroz. Exceto alguns momentos de inspiração, é tudo muito chato, pesado, até meio deslocado, melodramático! De novo, de repente é meu ouvido. Ah, e GKahn morreu aos 65 anos. O homem era duro na queda mesmo. 65 anos para quem vivia pelo fio da espada, nômade, guerreando, e considerando a época, é um achievement!

Pelo inusitado do cast, da produção, do diretor, vá ver. É um bom programa.

29

de
julho

A cidade ilhada! Apesar da chuva, não é SP, não…

Outra aquisição da semana:  terminei de ler A cidade ilhada, de Milton Hatoum (http://pt.wikipedia.org/wiki/Milton_Hatoum) (Cia. das Letras).

Pelo que vi em termos de considerações de periódicos internacionais, da variedade de países a que se referem os contos (sim, é uma coleção de contos, meu gênero predileto), fui procurar a biografia do autor (acima). Já havia visto várias vezes o nome do autor em resenhas, publicações literárias, mas nunca tinha tido a curiosidade,o interesse de lê-lo.  Por recomendação das livreiras da Rato de Livraria comprei A cidade ilhada para experimentar. Gostei bastante. Aliás, há uns dois ou três contos que me remetem direto a Machado de Assim (mencionado no conto Encontros na Pensínsula).   Pela biografia soube das andanças como bolsista pela Espanha, pós-gradução na França, e, claro, que com o reconhecimento obtido deve ter viajado o mundo.

Aparentemente, Relato de um Certo Oriente, romance de 1990, é que o projetou e somente quase uma década depois é que volta a publicar. Interessante esse percurso!  Tentarei ler mais alguma coisa do autor. Acho que tenho em casa Órfãos do Eldorado. Vamos ver…

A cidade ilhada é uma coletânea de contos (alguns já publicados, inclusive em outros países, e alguns contos inéditos, apenas reescritos para o livro).  Gostei muito de Dois Tempos (um garoto que mora com o tio, vai aprender canto sem ter talento, e descobre que havia muito mais entre o tio e a professora de canto do que poderia imaginar);  Varandas de Eva (primeiras experiências sexuais de um grupo de amigos. E um deles descobre, só muito mais tarde, os segredos de outro); Dançarinos na última noite (uma delícia: opções de vida - há que se ter coragem para não ir com a maré, enteder o que é ganho de fato, etc.), e vários outros.  No todo, o livro é muito gostoso de ler. Mesmo com algum vocabulário que a gente tenha de procurar (coisas da cultura do Amazonas), o ritmo é fluido, tem um ritmo ótimo, mistura coisaas da terra e do exterior sem afetação, com muita naturalidade. Afinal, o mundo é um só mesmo. Se gosta de contos, não perca.

Observação: também fiquei curiosa em conhecer MH porque me fez lembrar, por ser amazonense talvez, do Márcio de Souza (http://www.marciosouza.com.br/interna.php?nomeArquivo=vida), de quem li há muitos anos Mad Maria (escrito em 1980 e que virou série da Globo em 2005 - não assisti, portanto não sei se foi fiel ao livro). A impressão que me ficou desse livro sobre a Madeira-Mamoré, início do séc. XX, é de um texto denso, dinâmico, com muita história sobre a região amazonense.  Se não leu, leia. Acho que vale a pena.

28

de
julho

A Sangue Frio ou nada a ver com A Sangue Frio

Bem, eu pensei que tinha a ver.  O DVD estava em casa há um tempo e resolvi assitir hoje.  Surprise!!! Nada a ver com o A Sangue Frio (In Cold Blood, de Truman Capote, filmado em 1967 http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Sangue_Frio ). Eu diria que felizmente, porque a obra de Capote é bem mais pesada do que o filme a que assisti.

Ou seja, presenciei mais um milagre da tradução nacional: The Ice Harvest virou A Sangue Frio.  Será que ninguém pensou que poderia ser um título “misleading”? Como no meu caso?  Ou foi de propósito mesmo? Mas tudo bem, no final deu tudo certo.

O filme a que assisti  (http://www.imdb.com/title/tt0400525/ ) tem um ótimo Cusack, que se sobrepõe até ao Thornton, e um excelente Oliver Platt (Pete).  O filme é sobre um golpe de $2 milhões que um advogado aplica em um gangster para quem trabalha ou trabalhou.  Ele se junta a outro escroque e os dois levam o golpe a cabo.  No meio tem uma mulher supersexy, que, inteligentemente, envolve os dois espertinho. $ 2milhões são motivo de muita confusão, muitos lances inesperados, muita traição, e de grandes descobertas também.

Logo no início, quando o dinheiro já está nas mãos dos dois golpistas, a gente percebe que a coisa não vai dar certo. Aí começam vários enredos paralelos: Cusack com a ex-mulher e filhos, que agora são a família de Platt; Platt no maior porre - impagável; Cusack em inferninhos, cortejando a dona de um negócio; e você acha que não vai dar em nada, vai ser tudo soft, de confusão em confusão, mas aí muda tudo, reviravolta total. Quem parecia bandido não é e quem parecia não ser é um escroque sem dó nem pena de ninguém.  O terço final do filme é um thriller interessante, e a gente percebe quanta coisa não tinha notado, embora as pistas estivessem lá o tempo todo. O final também é divertido, aliás redentor!

Ah, e a trilha sonora é ótima!

26

de
julho

Rebeldia tem limite!

Mas aparentemente para a dupla MöellereBotelho, não!  Esses meninos realmente aprenderam e colocaram seu bloco na rua!  Dominam com competência incrível a cena de musicais. Podem dizer o que for, nunca tivemos, ao mesmo tempo, tantos musicais de boa qualidade em cartaz.Felizmente, para gáudio do público!

A Noviça Rebelde (The Sound of Music -http://www.imdb.com/title/tt0059742/ ) (http://www.guiadasemana.com.br/Sao_Paulo/Artes_e_Teatro/Evento/A_Novica_Rebelde.aspx?id=47828) que todos, da minha, anteriores e posteriores gerações viram pelo menos uma vezinha na telona ou na telinha, está em cartaz, como musical, no teatro Alfa (oooh, lonjura!).  O Alfa foi repaginado há um tempo e está muito bem.  Um teatro com palco amplo, possibilidades de mobilidade (sobe/desce) que poucos têm, boa visibilidade de quase todos os lados.  O pessoal do teatro é bem treinado e gentil, mas a sala de espera é pífia, não há assentos para espera, os banheiros são pouquíssimos considerando o tamanho do teatro.  O coffeshop é bem ágil, atende bem, preços razoáveis. Ah, sim, a entrada e saída do pessoal fica meio confusa (há duas sessões aos sábados e domingos, então quando uns estão saindo, outros estão esperando para entrar) até pelo espaço limitado do foyer.

Quanto ao musical, de todos da dupla que vi (Beatles, Gloriosa, Seven, etc.) é o mais rico em termos de cenários, utilização de tecnologia (iluminação, projeções), guarda-roupa, número de atores.  Um espetáculo muito bonito, plástico, mas que leva 3, isso mesmo, 3 horas, e supostamente é um espetáculo infanto-juvenil!  Mesmo na sessão das 19h havia montes de crianças. Claro que há pais notionless de monte: crianças de menos de 5 anos em um espetáculo que leva 3 horas, e termina 22h e algo?  Só botando de joelho no milho…e, olha, que as crianças até que se comportaram muito bem!  Poucas a minha volta ficaram irritadas, mas todas cansaram.  Umas superquietinhas, interessandas!  Atrás de mim, um molequinho recebia a narração/explicações da mãe e emitia seus comentários (o menino devia ter uns 4/5 anos máximo): nossa, ele ficou bravo! Ele não era bravo!…(para a mãe) Nunca vou sair de perto de você!…Ficou tudo silencioso (que vocabulário!)…Quero ir para minha casa. Vou dormir, depois você me conta a história (judieira!).  Do lado, um mais irritado e cansado, com cheirinho de cocô…vai saber…

Enfim, poderia ser um desastre, mas não foi.  Plenamente suportável! Mas podiam facilitar: 3 horas? Nem o filme tem 3 horas, por que o musical tem de ter?

A atuação dos atores/cantores é muito boa. A Kiara Sasso, intérprete principal, está muito bem.  Há uns exageros nas freiras: parece um concurso de agudos.  Chega a ficar dissonante, de tanta potência conjugada. Eu diria que até “desafina”.  Mas nada que diminua o brilho do musical. As crianças em cena também fazem bonito. Vozes lindas, atuações bem elaboradas, nenhum escorregão.

O texto é bem leve, diverte, faz rir, as letras são muito fiéis ao original.

Depois de ver vários espetáculo da dupla dinâmica MöellereBotelho, me bate um orgulho enorme de serem brasileiros, de terem agarrado com unhas e dentes esse nicho e estarem se saindo tão bem!  O mais importante é que estão ajudando a consolidar, solidificar um público de musicais, porque a audiência acredita na qualidade do que eles fazem, espera e recebe um bom espetáculo.  Só isso já garante mérito inequívoco aos dois. Long life to Möeller&Botelho!

26

de
julho

Un autre dimanche particulier

Como já relatei em vários posts anteriores (o mais recente de 28/06 - Un dimanche très particulier), continua o ciclo de filmes franceses no Reserva Cultural, patrocinado pela Aliança Francesa, Fnac e pelo próprio Reserva. O esquema é sempre o mesmo: $ 5,00, com direito a café da manhã (um croissant, um pain au chocolat, suco e café com leite).  O café começa às 10h e o filme às 11h.  E como tem gente interessada nesse tipo de coisa!  Hoje encontrei pessoas que já foram aos outros, são habitués como eu.  E sempre dá para conversar com gente bem interessante.  Encontrei de novo a querida Eunice (minha companheira dos tempos da USP).

Os filmes são sempre escolhidos pelo pessoal da Aliança.  O primeiro ciclo foi dedicado à educação e todos os filmes que vi foram ótimos.  Este é dedicado à e/i/migração.  O filme anterior, Le voyage en Arménie, foi muito bonito e interessante. O de hoje, Exils (http://www.imdb.com/title/tt0400420/), eu diria que é bem diferente.  Há algumas cenas pungentes, quando a personagem principal (representada por Romain Duris, o mesmo de Paris, só que no Exils anos mais novo) se reencontra com as origens dos pais, já falecidos, e, portanto, com suas próprias origens.  Mas no geral é um filme esquisito; interessante, mas estranho.  Na verdade é meio flower power, se me entendem. Lembrei-me um pouco da era de Aquarius e coisas nessa linha, i.e., de alguns filmes e peças que vi na época.  A sexualidade, ou sensualidade se preferirem, é bem destacada.  Também fica claro que as duas personagens principais, Zano e Naima, estão perdidinhos. A viagem, a pé basicamente, a Argel é uma forma de se encontrarem.  Há de tudo, até os dois tomando um vapor para o país errado: em vez de Argélia foram para o Marrocos.  Lembrei-me de uma amiga um tanto perdida na questão direção, mas errar de país acho que ela nunca conseguiu…

Há muitos elementos religiosos, inclusive uma cerimônia, muito parecida com nosso candomblé ou umbanda (dança, incorporação, desmaios, frenesi, revirar de olhos, batidas constantes, cantar repetitivo, etc.), que leva uns 10 minutos! Ai, meus deuses, cansou, viu!  De qualquer forma, são franceses, filhos de imigrantes, que se sentem estranhos lá e cá, e vão atrás de suas origens, de sua identidade em todos os níveis.  A busca de si, inquietante, não deixa de ser interessante e até tocante.

Da mesma forma que Paris, eu diria que é mediano.  Como é de 2004, apesar de ter ganhado direção em Cannes, não está no circuito comercial. Sei lá se as locadoras têm o dvd.  De qualquer forma, não acho que valha o esforço.

Vamos esperar que o próximo esteja mais próximo dos outros filmes já apresentados em termos de qualidade, para o meu gosto, bem entendido.  Mas que eu não perco, ah, isso não perco nenhunzinho!

26

de
julho

Austrália e outras delícias!

Não, o título não se refere a turismo, viagem, compras, é sobre o filme mesmo.

Com tanto frio e tanta chuva, apesar de ter dado uma saidinha, em vez de ir para o Ibirapuera, enlamear minha botinha ou até ir para um cinema perto de casa, resolvi assistir a Austrália (http://www.imdb.com/title/tt0455824/ ), que não vi no cinema. Este é outro filme que não adianta me perguntar por que não vi no cinema, afinal gosto muito da Nicole Kidman e do Hugh Jackman então, nem se fala. Além disso a fotografia é belíssima, mas isso não acho, ou não me lembro, que desse para ter ideia no trailer. De toda forma, não adianta elucubrar. Não sei mesmo por que não fui ver. Mas antes tarde do que nunca!

E realmente o filme é bem bonito, a fotografia é extasiante, em tela grande deve ser maravilhosa, e os atores principais (NKidman e HJackman) estão muito bem. O menino que faz Nullah (Brandon Walters) também está ótimo. O vilão, David Wenham, também convence e mantém a eletricidade até o final. O ator que faz o avô do Nullah, e que é a grande personagem mágica, tem intervenções bem importantes, mas com pouquíssimas falas. Gente, e como a carinha dele é a do zelador do meu prédio! Incrível…começou aquele negócio de “conheço de algum lugar” rondando meu cérebro até que me dei conta de onde eu conhecia. Acho que é mais pela pele morena e as feições marcantes também. Enfim, uma figura bem interessante permeando todo o filme.

Tem romance, na medida certa, sem exageros, tem aventura, tem muita beleza. E, que coisa! Mas a gente se lembra da guerra atingindo vários lugares, os japoneses atacando vários territórios, mas francamente, não me lembrava da Austrália, e é “óbveeeooo” que o país estava na linha de frente dos ataques. Interessante e trágico, pois a destruição foi, aparentemente, enorme, já que não estavam mesmo preparados para enfrentar o poderio nipônico.

Ah, sim, apesar de gostar muito do HJackman por suas atuações, que vêm com o brinde da belezura, acho que ele está ficando sarado demais! Daqui a pouco virou um Schwarzenegger ou coisa parecida. A grossura do pescoço está uma coisa. Bom, mesmo assim, um tipo de beleza de que não reclamo jamais.

O filme trata da história de colonizadores ingleses. Foram para lá tentar ganhar dinheiro com as terras, o gado. E claro que, como ocorreu no Oeste dos EUA, a terra inóspita, os aborígenes ou da terra, a ambição, a sede por riqueza, a falta de regras, de leis, tornaram a tarefa difícil, perigosa, e muitas vidas foram dissipadas. De qualquer forma, é interessante que com tudo isso, a lonjura de tudo, a falta de estrutura, a dureza das condições climáticas, inclusive, tenha resultado o país que a Austrália é hoje. Pois é, a diferença entre eles e nós fica por conta dos que aqui e lá aportaram. Agora não dá mais trocar.

Se, como eu, não viram o filme, vale apostar no DVD.

Ah, sim, e depois de tanta aventura, beleza, emoção, um fonduezinho no Red Angus “de nuevo”.   Isso tá virando vício!  Uma delícia!

21

de
julho

O Laço Duplo

Eu não conhecia este autor - Chris Bohjalian (http://www.chrisbohjalian.com/), que, aparentemente, tem muito sucesso nos EUA (blockbuster, bestseller, whatever).  O livro que li, O Laço Duplo (The Double Bind), pela Nova Fronteira, é um catatauzinho, i.e., umas 350 pgs. Para ficção tipo “mistério light”, história de personagem, é bem longo, mas não é absolutamente monótono.

Muito interessante como o autor vai formando o quebra-cabeças: alguns fatos são relatados logo de início, a gente acompanha o raciocínio de Laurel, personagem principal, mas nada disso tira o interesse pelo livro.  Ou seja, não é um thriller, absolutamente, mas a gente não consegue parar de ler.  A história é um intrincado caminho que Laurel, uma assistente social, faz desde um ataque violento que sofreu perto de sua casa até a descoberta das razões para um sem-teto, atendido por ela e fotógrafo de talento de grandes publicações, ter enveredado por aquele tipo de vida, abandonando uma família de excelente condição financeira, casa, possibilidades de educação, de suporte para uma carreira, etc., para viver na indigência praticamente.

Quase obsessiva, Laurel consegue estabelecer um vínculo inesperado entre seus algozes e o querido Bobbie Crocker. A história também caminha suavemente para um final surpreendente!

Há outros livros bem quotados do autor.  Talvez seja interessante ler algum inglês (will do!). Vamos ver se são tão bons quanto este.

20

de
julho

Guia MichelÍNDIO

É isso mesmo, não há engano.  Guia MichelÍNDIO

( http://www.matrixeditora.com.br/index.php?manufacturers_id=104&XTCsid=f02bdkqgad6g3ijvtedf4u6916), mesmo!  Minha prima viu a entrevista da autora (Helena Perim Costa) no Programa do Jô, se não me engano.  Como nós viajamos juntas várias vezes, ela já viajou com outras pessoas, vários amigos fizeram viagens acompanhados ou não, e todo mundo tem um “mico” ou vários na saga viageira, o livro pareceu-lhe uma possibilidade muito divertida!

Além disso, uma amiga, que minha prima conhece, viajou recentemente e contou agruras mil (quase fui às lágrimas…de tanto rir!); repassei algumas passagens para minha prima que gentil, solidária e generosamente, resolveu presentear minha amiga com um livro.  Marcamos um almoço e lá fomos nós!  Para minha alegria, também ganhei um que devorei (o livro) ontem mesmo!

O livro é bem levinho, escrito sem firulas, um texto bem dinâmico, e tem passagens ótimas (em umas três ou quatro eu não conseguia parar de rir, tal o timing perfeito do texto).  Muitas listas do que não fazer.  Tem de tudo: aonde não ir , o que não comprar, o que não comer, com quem não viajar e outras “roubadas turísticas” como define a autora.  Todo mundo que viajou, não importa se muito ou pouco, tem sempre histórias do gênero.  A autora parece ter viajado bastante, mesmo assim passou por muitas surpresas ou situações desagradáveis (depois dá para rir e muito, mas na hora…), o que, sem dúvida, acontece com todo mundo.  Há muitas indicações ali que já sabemos (eu, pelo menos, sei) de cor, mas de repente a gente bobeia, incorre no erro de novo, e lá vem o “mico” pra cima da gente, sem dó, nem piedade.

Na verdade, o grande mérito do livro é reforçar o também já sabido conceito de que tudo tem de ser visto com um olhar leve (tanto quanto possível), para dos limões fazer uma limonada.  E, realmente, eu que já encarei zilhões de surpresas, probleminhas e problemões, sei que todo mal tem seu lado bom, i.e., serve para evitar futuramente, para fazer diferente, ou para lembrar e ter histórias ótimas para contar para as pessoas e rir de montão -esta a melhor parte de tudo e que ninguém tira da gente.  Interessante também que, após ler o livro, olhei para trás, para muitas das coisas que me aconteceram em viagens e, de fato, quanto mais distante tudo fica mais leve, mais hilariante, mais palatável.

O livro já está na segunda edição. Sem querer tirar o mérito do livro em si e da autora, seguramente o efeito “Jô” deve ter influído.  Minha prima tentou comprar o livro logo após assistir à entrevista e ele havia esgotado, então…

Se ler o livro, preste atenção à personagem “velhinha com problema na perna” que permeia vários capítulos/situações.  Onde ela aparece é risada na certa!  Quanto aos conselhos, muitos devem ser seguidos sem pestanejar, outros nem tanto, afinal cada um cada um, e sempre vale o bom senso (que, verdade, não está abundando por aí, mas que seja…) e o gosto individual!

Sugestão para a autora: além do MichelÍNDIO de viagem, poderia haver um de restaurantes, lojas, ruas/estacionamento/estradas=carros, empregada, procurar emprego…Nossa! As possibilidades são infinitas!  E com sua verve, a coleção poderia ser bem extensa.

Diversão garantida para ser curtida, quem sabe, numa viagem?! Hein, hein, hein?!

18

de
julho

Burle Marx. Prazer em conhecê-lo!

Pois é, a gente pensa que conhece B.Marx, porque a gente lê ou leu sobre ele, ouve menções, viu algumas de suas obras, alguns documentários.  Mas não, a gente não sabe nada!

Começando pelo começo: hoje resolvi passar um tempo no Ibirapuera.  Por sorte, o dia estava ótimo para estar por ali.  Primeiramente fui ao MAM (http://www.mam.org.br/2008/portugues/default.aspx), que eu adoro!  Lá tem mostra de obras escolhidas pelos Campanas.  O exercício foi interessante: eles escolheram, como se fossem curadores de mostra, obras do MAM que os marcaram ou que julgaram importantes serem vistas pelo público.  Na verdade, eu preferiria ver as obras dos próprios Campanas, mas se não é possível, vamos ver o que eles selecionaram. Simpaticamente a mostra se chama “Jardim da Infância, os irmãos Campana visitam o MAM”.  De tudo que está ali, só gostei mesmo de Oito Línguas de L. Catunda, por ser bonita e lúdica, e de Devaneios de Nina Moraes, pela dramaticidade, densidade da obra, pelo menos me tocou bastante.  O resto não me disse grande coisa em nenhum nível.  De toda forma, interessante ver.

Depois veio o grande momento do dia. No mesmo MAM, Roberto Burle Marx,100 anos: a permanência do instável.  Ali está todo o caminho percorrido por BMarx (http://www.burlemarx.com.br/historico.htm ), desde o início de sua produção até perto de sua morte (em 1994).  Claro que todo mundo já viu fotos do que BM fez; eu mesma vi suas gravuras lá na CEF/Sé, algo que não conheicia, mas é inacreditável a inquietação, o tamanho da produção, e, principalmente, a originalidade em cada trabalho.  São centenas, aliás acho que milhares de trabalhos, e nada se repete, nada é igual, nem parecido.  Há dois documentários de 1989 (de 50 e 70 minutos aproximadamente), que mostram BM recebendo amigos em sua chácara/sítio, cuidando das plantas, explicando seus projetos, cozinhando, bebendo, rindo, fazendo piada (ele era bem divertido mesmo), cantando ópera (boa voz!), e tudo isso com uma simplicidade! Vestindo suas roupas sujas de tinta, mas e daí?   Incrível o que ele produziu em tantas áreas (pintura (óleo, nanquim, etc.) e sobre vários temas e em vários estilos, projetos paisagísticos, pesquisas botânicas, projetos arquitetônicos, tapeçaria, e por aí vai)! E, claro, não dá para garantir, mas tudo leva a crer que ele não se julgava “o último biscoito do pacote”, como algumas pessoas que conheço e nem mérito ou motivo para isso têm. E toda essa atividade, e eu também conheço gente que reclama do pouco que faz, como se fosse o ser mais ocupado do mundo! Tsc, tsc, tsc, isso já me cansava, agora então…

Bom, é preciso programar-se para uma visita longa (umas duas horas), para poder ver pelo menos um dos vídeos - eu não imaginava que precisaria de tanto tempo, então em vez de almoçar no restaurante do MAM que é tudo de bom, tomei um lanchinho no coffee-shop do próprio MAM para não me atrasar muito, afinal tinha Planetário às 15h.  Como não assimilei tudo, aliás, ficou muito por gravar na retina, tal a variedade de facetas do trabalho de BM, sua beleza, sua grandeza, vou voltar semana que vem e rever, e tentar ver o vídeo que não vi. Vale muito, muito a pena!  A entrada no MAM custa R$ 4,50 e para pessoas acima de 60 anos é gratuita.  O atendimento é sempre muito amistoso.  E, milagre!!, tem folder para tudo!

Outro ponto importante: a lojinha do MAM.  Outro lugar de atendimento nota 10, itens fantásticos para comprar ou simplesmente admirar.

Depois dessa overdose de beleza, talento, fui ao Museu Afro-Brasil ( http://www.museuafrobrasil.com.br/index_01.asp).  Estive lá há uns dois anos, mais ou menos. Na época estava sendo mexido, montado, remontado, enfim, não estava pronto e acabado.  Hoje foi diferente. Aliás, um exagero!  Além da mostra temporária De Valentim a Valentim, que acaba amanhã, e pretende fazer o caminho do primeiro Valentim, Valentim da Fonseca e Silva (séc. XVIII/XIX), até Rubem Valentim (séc. XX), tendo no meio a Missão Artística Francesa, Brecheret, Brennand, Emendabili, Krajberg.  Um mix interessante, tem o acervo do próprio Museu.  E aqui é que está o exagero: no segundo andar tem tanta coisa exposta, de forma tão caótica, que: (a) é difícil apreciar, acaba cansando; (b) há muitas obras que não têm identificação nenhuma (quem é, o que é, de quando, de quem); e (c) não há monitores aparentemente, ou estão perdidos no meio das obras.

De maneira geral, não entendo porque os museus brasileiros, principalmente os paulistanos, não instituiram ainda o uso dos audiotours.  Aquilo é ótimo, dá receita, e valoriza o próprio museu.  No caso específico do Afro-Brasil, porque não fazer mostras temporárias do acervo, ie., uma centena de peças em dois ou três meses, com uma apresentação melhor, mais ordenada, mais didática, se quiserem.  E a cada três ou quatro meses, vai renovando a mostra.  Isso atrairia público sempre, e tornaria a visita mais agradável e proveitosa para o visitante.  E olhem que eu gosto de ler tudo, demoro um tempãoo em visitas a museus justamente por isso, nunca vou com pressa, enquanto todo mundo vai passando direto, não para, só vai olhando para as obras. Mesmo assim não deu para manter minha fleugma até o final. Cansou!  Talvez sábado que vem volte lá, não sei…E não sei porque tem uma coisa folclórica ali: enquanto se entra com bolsa no MAM, no MASP, no Afro tem de deixar num guarda-volume. Até aí, tudo bem. No entanto, eu tinha ganhado uma sacolinha transparente no MAM, então coloquei meu celular, carteira, lenço de papel e balas (para minha tossinha remanescente) na tal sacolinha. Aaaah, não pode! foi o que disse a funcionária do museu. Argumentei que era totalmente transparente e não haveria como colocar nada ali, mesmo que eu tivesse a intenção (?!) Infelizmente é proibido!  Não adiantou, carreguei tudo na mão até o final da visita. Pode?  Claro que se percebe que não têm grande segurança, mas se vê que têm alguns alarmes. Talvez até câmeras, não sei ao certo.  Há muitas peças miúdas que realmente poderiam ser roubadas, mas não dá para fazer uma coisinha mais elaborada? Agora essa, de a pequena ditadora não me deixar entrar com uma microssacolinha transparente, foi demais!  Então, se estiver “in the mood” de deixar minha bolsa e carregar coisas na mão ou meter nos bolsos, talvez eu volte para rever o acervo semana que vem. Neste museu a entrada é gratuita (não sei se sempre, mas hoje foi assim).

Depois, outro evento muito esperado por mim: a volta ao Planetário (http://portal.prefeitura.sp.gov.br/secretarias/meio_ambiente/planetarios ) após décadas. O Planetário era bom, degenerou, fecharam, reformaram, e hoje está uma coisa de primeiro mundo!  O equipamento é de ponta, as instalações são excelentes!

A programação também é interessante.  Hoje fui na sessão das 15h.  Tem às 17h e 19h, com temas diferentes.  Semana que vem vou na das 17h.  A procura é enorme, tanto que às 14h já não tinha mais ingresso para as 15h, e assim vai.  Não há lugar marcado, mas não precisa correr, pegar fila, aquela neura - a fila começa a se formar quase 40 minutos antes da sessão.  Em qualquer lugar que você se sente é possível ver bem, óbvio, a projeção é no teto.  Essa sessão que peguei (Uma aventura pelo sistema solar) é considerada infantil (ai, ai,ai,ai,ai…).  Mas tinha crianças, adolescentes, muitos adultos.  E foi bem interessante (ah, sim, jamais olhe diretamente para o sol com um binóculo ou luneta.  Você ficará cego imediatamente e isso não é folclore. Viu?!). Na próxima semana será Planetas do Universo (17h).  Depois vou à sessão das 19h (Por dentro do sol).  É tudo muito limpo, organizado, não se pode entrar com alimentos ou bebidas, o que é muito saudável.  Na entrada da sala de projeção há vários exemplares de meteoritos ou parte deles em exposição. Bem interessante! Gostei muito.  Recomendo.  A entrada custa $ 5,00 (inteira) e pode ser comprada pela Ingresso.com sem pagamento de nenhuma taxa (incrível!).

Bem, depois disso, ainda com o dia claro, ensolarado, lindo, dei uma voltinha pelo Parque, mas uma voltinha curta, pois já estava ficando cansada e queria ir para casa.  Foi tudo uma delícia!  Valeu cada minuto!

18

de
julho

Festival Red Angus…tudo de bom!

Depois de ter experimentado o festival de sopas do Consulado Mineiro (post de 13/06) por duas vezes, hoje foi a vez do Red Angus(http://www.restauranteredangus.com.br/sp/ffondue.php ), também pertinho de casa (Av. Henrique Schaumann).  Como além de 4 sopas o negócio é o festival de fondues (queijo, carne e chocolate), almocei uma saladinha, uma frutinha à tarde e só.  E fiz muito bem!  Apesar de a temperatura não ter sido a ideal para esse tipo de prato, mesmo assim deu para saborear os 3 fondues, tomar um vinhozinho.  E foi ótimo reencontrar 3 amigos queridos. Dois deles não via há um tempão e foi ótimo conversar, rir, saber das novidades. Duas pessoas amigas dos tempos do Fernão e a terceira foi agregada (por casamento).  Uma delícia!

Quanto ao festival, o fondue de queijo estava fantástico, bem como a raclette.  O fondue de carne também estava muito bom (até porque a carne é das fazendas do próprio Red Angus).  As sopas mais ou menos (conselho- festival de sopa é no Consulado Mineiro e ponto), mas os fondues estavam impecáveis.  O de chocolate também estava muito bom.

A casa é bem grande. Acho que pela temperatura menos convidativa, estava com lotação parcial. A recepção,o atendimento, o maitre, os garagistas, são todos corteses e solícitos (isso eu já havia notado em uma vez anterior que estive na casa). A decoração é meio kitsch, mas não incomoda.  Tem um piano ao fundo, na medida certa,sem atrapalhar a conversa.

O festival sai por $55/pessoa.  Preço justo, considerando a qualidade do que comemos, e a generosidade do que é servido.  Vale a visita, com certeza!

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