Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

13

de
junho

Noitão bão, sô!

Dia de Santo Antonio é hoje, dia dos namorados foi ontem, e o Noitão do HSBC ficou bem no meio do caminho, 0h.

Vamos começar pelo começo: a sexta começou meio chatinh, tempo feio. Antes de ir trabalhar, à tarde, fui almoçar no Pie in the Sky (http://pieinthesky.com.br/site/) (perto do trabalho). Para um dia friozinho, uma torta de carne, carneiro, fígado, frango, ou o que fosse parecia muito auspiciosa. E lá fomos nós. Casa pequena, ali em Perdizes, bem simples mesmo. Havia apenas outros três clientes, que logo terminaram e se foram. O dono do local (Irish, imagino ou algo por perto disso), com suas tatoos e cabelo moicano, incomoda um pouco, já que não fala, brada com as pessoas. A moça que estava no caixa, não sei se dona ou gerente, foi de uma má vontade absurda para nos atender e responder a algumas perguntas. A garçonete não podia ser grande coisa nesse “environment”. No mínimo do ambiente é “posh”, e não sei por que, já que é um espaço bem pobrinho, só ajeitadinho. E me parece que a filosofia da casa é: para os amigos e conhecidos tudo, para os outros clientes nada de atenção, cortesia, commitment. Enfim, ao que interessa: as tortas. Boas, sem dúvida. Dividimos uma Stake and Stout e uma Lamb and onions, e duas batatas diferentes. Como disse, estavam boas, mas não justificam ir até lá de novo. Uma boa alternativa, até para fugir do ambiente pouco amistoso, é se utilizar do delivery e comer suas tortas em casa. Dividimos também uma de chocolate, que estava boazinha. O fato é que só dá para comer uma salgada ou (não e) uma doce, ou uma salgada e outra sobremesa (há algumas que fogem da massa de torta), senão fica tudo muito igual, dull, chato. Ah, sim, o preço é bem salgado. Comparando com um restaurante como o Hora da Gula (meu post de 30/05 – Gula aqui não é pecado), é salgadíssimo. No HG há um bufê variadíssimo e diferenciadíssimo de saladas, além do prato quente, muito caprichado, por R$ 22 na semana e R$ 28 no sábado, enquanto que o que comemos ontem (duas tortas salgadas, dois acompanhamentos de batata, uma torta doce, dois ou três refrigerantes e dois cafés) bateu em R$ 30/pessoa. Por tortas? Too much! Não deixa de ser interessante conhecer, mas tornar-se habitué é meio difícil, a não ser que você seja vizinho, passe na frente todos os dias, etc. Eu não me abalaria de Pinheiros para lá de novo!

E depois de uma tarde bem trabalhada, preparação para o Noitão do HSBC (http://www2.hsbc.com.br/hs/quem_somos/cultural/hsbc_belas_artes_noitao.shtml), que acontece toda 2ª. sexta do mês. Os ingressos começam a ser vendidos no dia anterior. Este Noitão comemorou cinco anos do evento. Normalmente são três filmes, sendo dois conhecidos/já anunciados e um surpresa. Ontem, como era um dia especial, foram quatro conhecidos e um surpresa. De todo mundo para quem eu disse que ia ao Noitão ouvi: ah, mas três filmes é demais! Nossa nesse horário? Ta louca?!

Então vamos aos prós e contras desde o princípio da história: há uns meses pensei em ir ao Noitão. Talvez mais pelo happening do que pelos filmes em si. Há um aspecto financeiro importante: você vê três filmes pelo preço de um e isso também deve ser considerado, principalmente se forem filmes razoáveis, pelo menos os conhecidos. Pois bem, dei uma olhada na programação do mês passado e não me apeteceu. Neste mês, além de uma amiga estar bem animada para ir também, os filmes pareceram melhores. Então vamos lá! Entradas garantidas antes para não haver problemas no dia.

Antes, um bufê de sopas no Consulado Mineiro da Cônego (http://www.consuladomineiro.com.br/), afinal eu só havia comido as benditas tortas, tinha trabalhado, e precisava de um reforcinho alimentar. Todos os anos vou a esse bufê que acontece entre final de maio e começo de agosto, mais ou menos. Não tenho dúvida em afirmar que é um dos melhores, senão o melhor, bufês de sopas de SP. Em primeiro lugar, porque o Consulado é low profile, atende bem, com generosidade, preço ótimo (R$ 19,90/pessoa), não regula pãezinhos, nem as próprias sopas (acho que são umas 12 diferentes). E todas são uma delícia. A gente é recebido ali como se fosse de casa (oooh, diferença com o Pie!). Depois de forrar o estômago com aquelas delícias, numa noite friorenta, vamos à luta…

Algumas elucubrações: eu nunca havia ido ao Noitão, portanto, na minha cabeça, uma maratona de três filmes, terminando com um café da manhã, só poderia ser coisa para cinéfilo, ou seja, gente pra cima dos trinta em sua maioria. Claro que há jovens, vintões, que adoram um filme, mas não são maioria, há que se reconhecer, principalmente se há filmes diferentes, “cabeça”, menos comerciais. Surpresa no. 1: 99% do público vai dos 18, talvez, até uns 22-25 no máximo. Da minha idade só “moscas brancas”. Isso confere ao evento um barulho, uma movimentação que chegam a incomodar, além de atitudes bem pouco civilizadas (falação, troca de fluídos – os hormônios estavam a toda- de forma acintosa, agressiva, contínua, mastigação ininterrupta, barulhos de embalagens sem-cerimônia, pés empurrando cadeiras, etc.). Enfim, o ambiente é de dar medo! Surpresa no.2: tem de encarar como happening mesmo, pois a organização é pífia. Filas serpenteando loucamente (aliás, fila para tudo), sinalização parca e porca. E tem uns sorteios entre as seções. Sorteiam DVDs, camisetas, bolsas…mas eu não ganhei nada, tááá?

Quanto aos filmes que vi: Last Chance Harvey ( Tinha que ser você - http://www.imdb.com/title/tt1046947/) com Dustin Hoffman e Emma Thompson e Paris (http://www.allocine.fr/film/fichefilm_gen_cfilm=114860.html), que tem a Binoche, Romain Duris, etc., foram, pela ordem: bonzinho, e bonzinho. O primeiro é uma comédia média, melosinha, sobre encontros e desencontros de duas pessoas maduras. A história se passa em Londres, por ocasião do casamento da filha de Hoffman. DHoffman e EThompson podem muito mais, quem já os viu em outros filmes sabe disso, mas não decepcionam, aliás, o filme é bonzinho por causa deles mesmo. A trilha sonora também é interessante. Deu para divertir. O outro, Paris, que, na verdade, era o filme surpresa e será lançado ainda por aqui, pelo que entendi, é mediano. Um monte de histórias paralelas que vão se cruzando, meio forçadamente, pelo caminho. Bons atores, alguns bons diálogos, divertidos, a beleza das imagens de Paris, aquelas angústias de filmes franceses, mas não diria que é um filmaço, não surpreende, bem rasinho.

Dito isto, tirei duas lições para um próximo Noitão: 1) tem de dormir antes, descansar, pra poder aproveitar, principalmente se você não está na tal faixa dos 18 aos 20 e poucos anos – lembre-se, essa gente vira noite em raves, baladas, etc. Você já fez isso um dia (eu nunca gostei disso, pois sou uma pessoa diurna, apesar de ter tido meus tempos de diversão e algumas madrugadas), mas já não faz mais, então, ojo!; 2) consulte a programação mesmo, pois para ir até o 3º filme os dois primeiros filmes têm de ser ótimo e muito bom, ou muito bom e ótimo. E olhem que eu estou acostumadíssima a assistir a dois filmes por vez numa mesma tarde, tarde e noite! Então sei do que estou falando.

E como o cansaço bateu por tanta fila, barulho, desorganização, so long Noitão! Aliás, achei até bom, pois nem imagino como seria o tal café da manhã com aquela multidão (até o final do segundo filme e indo para o terceiro, as salas estavam totalmente lotadas. Pode ser que algumas pessoas tenham se retirado, tipo eu, mas muito poucas com certeza!), já que nem para organizar as filas, para a gente ficar esperando os filmes tinha espaço razoável, agradável, salubre. Tudo uma confusão só.

Bem, sei que tem algo similar no Unibanco. Vamos ver se me animo a ir, pois acho que deve ser pelo menos mais seletivo e organizado. Se for, conto.

4.30h e indo para a cama…Acordei às 9.30h e tudo vai bem até o momento. Mas hoje me dei tempo, tranqüilidade, um ritmo mais suave. Afinal, amanhã tem mais.

12

de
junho

Mais um livro legal!

Putz, é dia dos namorados!!! O tema é um tanto espinhoso para a data, mas melhor manter tudo “in due perspective”!

Recomendo: Adultérios de Woody Allen (L&PM).  Obviamente, o livro trata de adultérios. São 3 histórias, na verdade diálogos, entre os algozes e vítimas no jogo do adultério. As histórias têm em comum que o enganado acaba descobrindo o enganador, o comparsa do enganador. Tudo é negado, tenta-se explicar tudo, mas não há explicação possível. O que há de comum também é que os “traidores” são sempre maridos ou mulheres acima de qualquer suspeita, ou amigos e parentes idem.

Apesar de parecer um negócio meio “punk”, não é, justamente pelo brilho dos diálogos. Quem conhece e gosta do ritmo, do humor de W.Allen em seus filmes – nos bons filmes, bem entendido – vai gostar do livro. É pura diversão. Há diálogos em que é impossível não rir de monte da situação, do timing, do raciocínio ou não das personagens. No final, a gente entende que trair não vale a pena, em nenhuma circunstância. Depois, se alguém trai o marido, a mulher, o irmão, a irmã, etc., por que não me trairia também? Ou seja, ou se vai consciente para a relação paralela (nossa, bonito isso, eu que inventei?!), ou o traidor corre o risco de virar traído e se machucar muito feito.

Enfim, o livro é muito divertido, dá para rir com os diálogos ágeis, inteligentes, em vários momentos. Leia, você vai gostar!

11

de
junho

Um dia de festa pra ninguém botar defeito!

Primeiramente, sim, essa aí sou eu…minha primeira caricatura! Emocionante!  Claro que, seguindo meu estilo, ameacei o caricaturista (Kell, uma simpatia…):Menos que G. Bündchen eu não aceito!!!  Foi muito divertido me ver desenhada.

Voltando, tudo começou com o aniversário de 70 anos de Da. Marly!  Quem assistiu à preparação da festa pela filha, Ana, já se divertiu muito e sabia o que vinha por aí.  Uma beleza!  Emocionante.  A família (com um monte de gerações) reunida!  Além dos anfitriões, Ana e Luis Mauro, e da homenageada, Da. Marly, e do marido, Dr. Miguel, encontrei o Cláudio e o Nicolau, que eu já conhecia, e são uma delícia de rir, conversar, além de o Nicolau ser um superfotógrafo (vamos ver se ele consegue o que o Kell não conseguiu…um milagre!!!).  Também lá estava a linda Bruna, com seus filhotes, Gabriel (vou congelar e esperar esse menino crescer) e Sofia (linda!), sua simpática e linda mãe, que conheci hoje. Também conheci muitas outras pessoas simpáticas e interessantes, e.g., a Marta, que chora, chora, chora, e a Neusa, um ser resplandecente, que transpira vida, vontade de viver, alegria de viver!  Ah, e o Dudu, que é a cara do menino (Tobey Maguire) que faz o Homem Aranha?

A festa-surpresa foi super bem organizada pela Ana e Luis Mauro, e foi no Zucca, um espaço delicioso, lindo, com um atendimento fantástico (http://www.zucca.com.br/).

Valeu pelo dia, pela semana, pelo mês, pela vida.  É pra guardar na memória e no coração.

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10

de
junho

Plain and simple, mas é, seguramente, a frase do dia, do mês, do ano, da vida!

There comes a point in your life when you realize:

Who matters, Who never did, Who won’t anymore… And who always will.

So, don’t worry about people from your past, there’s a reason why they didn’t make it to your future.

nota - recebi via internet, não sei quem é o autor. Se alguém souber, por favor me diga e coloco o crédito.

8

de
junho

Que delícia de livro!

Terminei de ler um livro ótimo! Quase o Autor (About the author) de John Colapinto (http://en.wikipedia.org/wiki/John_Colapinto )/ 2001. Um thriller muito bom! Foi uma sorte os Russos terem me emprestado o livro! Uma delícia de trama, muito soft, que vai se insinuando e construindo o suspense e lances emocionantes racionalmente!

Trata-se da história de um rapaz que pretendia ser escritor. Foi para NY trabalhar e ficou em compasso de espera. Lá tinha um companheiro de apartamento, estudante de Direito, que acabou escrevendo seu livro antes de nosso Cal, aproveitando-se inclusive da vida deste. Isso fez com que Cal tomasse consciência de seu pouco talento e abortasse a tentativa de se tornar escritor. Mas o destino prega peças! Stewart, o companheiro de apartamento e escritor, acaba saindo do caminho, e aí começam as venturas e desventuras de nossa personagem. Cal assume muitas coisas da vida de Stewart , inclusive o livro, e Stewart, parece, acaba cobrando tudo com juros. Reviravoltas e emoção garantida, com um texto inteligente, até a última página! A tradução da ARX (que li) tem vários problemas de revisão, mas isso não chega a comprometer o core da obra.

Pelo ano de publicação (no Brasil em 2005), deve ser encontrado a bom preço em sebos. Consulte e leia. Ótimo entretenimento!

Sebos on-line: http://www.estantevirtual.com.br/mod_perl/inicio2.cgi e http://www.livreirosvirtuais.com.br/

8

de
junho

Filmes japoneses. Sempre interessantes!

Olá,
A Fundação Japão ( http://www.fjsp.org.br/ ) apresenta um ciclo de filmes de samurai. Nesta temporada, que começou em Abril, ainda serão exibidos 2 filmes.
A entrada é gratuita e, para quem contribui com o PIB da país, o horário da sessão é às 19:30 h. O auditório não é uma sala de cinema, dependendo da cadeira pode aparecer um espectador mais alto na frente, mas vale pela curiosidade de assistir um filme.
Abraços,
Helio.

7

de
junho

Encontros e desencontros?

Outro e Outra não se viam havia mais de uma década.  Engraçado isso!  Quando crianças, não se desgrudavam.  Na adolescência também se entendiam bem, mas já não eram tão inseparáveis, afinal havia os hormônios, os novos amigos, namorados e namoradas, o foco mudara.  Mesmo assim, quando Outro tinha um problema, ligava rapidinho para Outra. Só respeitava os horários: a Outra era muito dorminhoca, então podia falar com ela até altas horas, mas cedinho, nunca! Havia até o perigo de ela brigar feio com ele e ficarem dias sem se falar.

A Outra já tinha mais opções: a mãe, a irmã, mas gostava também de trocar idéias com o Outro, pedir conselho, principalmente naquelas coisas de coração. Afinal, ele conhecia os meninos como menino, e conhecia a Outra como amiga. Portanto, podia dar ótimas dicas.  Mas, às vezes, o Outro estava de mau humor, aliás, muitas vezes.  Ooooh, garoto mal-humorado!  Mas era sincero, gostava da Outra, então dava para confiar no que ele dizia.

E assim seguiram até chegar à idade adulta. Aí ficou difícil! Um fez faculdade, foi trabalhar. A Outra também fez faculdade e foi viajar.  No início ainda havia algum contato, mas com o tempo veio o silêncio.  Não tinham brigado, não tinham se desentendido, até sentiam falta um do outro, mas a falta do exercício trouxe o distanciamento. A Outra voltou para casa, se reencontraram.  Conversaram muito, parecia que não tinham ficado separados nem um dia, mas só parecia, claro!  O tempo modifica todo mundo dia-a-dia.  O Outro de hoje não é o Um de amanhã, nem a Outra será igual.  Dois anos, então, fazem uma grande diferença!  Mas o Outro achava que ainda conhecia aquela garota com quem partilhara tantas coisas na vida; mas, que engano!  Não entendeu que precisava cultivar o que achava conhecido. Daí para o afastamento definitivo foi um pulo:  as conversas que tinham, os programas que faziam eram coisas ligeiras, superficiais, e rareavam dia-a-dia.  Aí vieram casamentos, novos namoros, separações, pessoas novas na vida dos dois.  E fez-se o vácuo!

Mas o destino é bem peralta!  Depois de anos sem se ver, mesmo tendo alguns amigos comuns, anos sem se falar, anos sem perguntar um do outro - nem a mera curiosidade sobreviveu-, eis que, no terceiro casamento de um amigo de infância, os dois ficam cara a cara.  Que sensação mais esquisita! A Outra tirou de letra! Beijinhos, como vai, perguntas de praxe, e uma “saída pela direita”  impecável!  Passou a festa conversando com outras pessoas, se divertindo, e na hora em que se cansou foi embora.  O Outro não entendeu muito bem o que estava acontecendo…Como assim?  Anos sem se ver, sem se falar, sem se interessar - essa era a verdade- pela Outra, e ele achou que, de repente, tudo ia ser como fora um dia?!  Claro que provavelmente ainda tinham afinidades, isso até torna os reencontros agradáveis, até dá a ilusão de que nada mudou, uma sensação de porto seguro, de volta ao passado, e por aí vai.  Mas qual! E como diz a linda frase de Elisabeth Foley: The most beautiful discovery true friends make is that they can grow separately without growing apart, mas isso só funciona quando há cuidados; sem alimento, não há relação humana profunda que se mantenha, nem aquelas entre genitores e suas crias. Os reencontros serão reencontros de conhecidos, com perguntas do tipo: e, aí?  como vai a vida? a família?  as novidades?  Pode até vir uma confidenciazinha ali adiante, algumas risadas, até certo interesse, afinal é tudo novidade e agente faz isso até com estranhos a todo momento, mas, na verdade, os que se reencontram são dois quase-estranhos, e como diz a música “nada será como antes”!

Além disso, a velocidade do mundo atual contribui para isso.  As pessoas são muito solicitadas por um zilhão de atividades, vão se adaptando, vão mudando sua visão, crenças, conceitos, e lá no final da “esteira” o que sai é um produto totalmente novo.  Nem melhor, nem pior, apenas novo, e não adianta dizer que não é assim, porque é sim!  Outra frase interessante: True friendship comes when silence between two people is comfortable, de Dave Tyson Gentry, só é possível quando meras afinidades (1. Semelhança ou conformidade de gostos, sentimentos, pontos de vista;2. Simpatia ou entendimento entre pessoas em função dessa semelhança ou conformidade;3. Semelhança de traços ou características inerentes a duas ou mais coisas - Dic. Caldas Aulete) transformam-se em comunhão, e para se chegar lá é preciso  constância, carinho, cuidado, interesse, enfim, manutenção contínua. E, nunca, mas nunca mesmo, se pode descontinuar esse exercício.

Mas, voltando a nossa histórinha: então a Outra foi para casa, dormiu tranquila, desencanou.  O Outro não digeriu  o assunto.  Noite insone, pensamentos desencontrados.  Não entendia.  Resolveu que não deixaria o assunto daquele jeito.  Ia ligar para conversarem. Não era possível que tudo tivesse ficado para trás. E ligou no dia seguinte:
Oo -Oi, tudo bom?
Oa -Quem é?
Oo -Sou eu!
Oa -Por favor, identifique-se senão vou desligar!
Oo -Nossa, você continua nervosinha…
Oa - (desligou).
………………………………………………..
Oo -Não desliga! Sou eu, Um!
Oa -Nossa, mas que brincadeira sem graça!
Oo -Desculpa…é que você sempre sabia que era eu, quando eu ligava…
Oa -Você bebeu?  Sabe quanto tempo isso faz?  Sabe há quanto tempo você não liga para mim?
Oo -É…você tem razão!  A gente se desencontrou…
Oa -Desencontrou, não!  Depois de voltar do exterior ainda tentei falar algumas vezes com você.  mas você estava sempre ocupado, sempre com problemas, então desisti!  Melhor guardar as memórias da época em que a gente tinha alguma coisa de fato para dividir, éramos confidentes.
Oo -E hoje não é assim?
Oa -Defiitivamente você delira! Claro, que não! Na verdade, nem sei quem é você, o que você pensa, do que você gosta, seus planos…aliás acho que você sempre foi meio enrustido. Eu é que ficava de saca-rolhas.
Oo -Ah, mas se a gente não fosse próximo ainda, você não estaria falando assim comigo!
Oa -Claro que estaria. Esse é o meu jeito, sempre foi. Acho que você se esqueceu até disso…Olha, tenho um monte de coisas para fazer. O que posso fazer por você?
Oo -Bom…eu só queria conversar, ver se a gente pode se encontrar…
Oa -Deixa seu telefone e ligo quando estiver com o trabalho mais calmo.
Oo -Tá, anota aí! xxxx-xxxx
Oa -Ok.  A gente se fala, então. Até outra hora. Tchau!
Oo -Beijo!

Outro continuou sem entender muito bem o que estava acontecendo. A Outra olhou o papel em que havia rabiscado os números do telefone e o jogou no lixo.

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But oh! the blessing it is to have a friend to whom one can speak fearlessly on any subject; with whom one’s deepest as well as one’s most foolish thoughts come out simply and safely.  Oh, the comfort - the inexpressible comfort of feeling safe with a person - having neither to weigh thoughts nor measure words, but pouring them all right out, just as they are, chaff and grain together; certain that a faithful hand will take and sift them, keep what is worth keeping, and then with the breath of kindness blow the rest away.  Dinah Craik, A Life for a Life, 1859.

7

de
junho

I have a dream!!!

Não, não é Martin Luther King. É sim Philippe Petit (http://pt.wikipedia.org/wiki/Philippe_Petit), o homem que andou na corda-bamba, literalmente, em Paris e entre as torres gêmeas em N.Y. Vejam aí, deu no NY Times (http://www.nytimes.com/2005/08/07/nyregion/07petit.html?_r=1&scp=13&sq=august%207,%201974&st=cse) e em todos os jornais do mundo. 7 de agosto de 1974, esse foi o dia do feito, da realização de um sonho, de um sonho apenas.

Esse é o tema de O Equilibrista (http://www.imdb.com/title/tt1155592/) (http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/dez-melhores-filmes/o-equilibrista.shtml), documentário de 2008, ganhador de Oscar, sobre a vida até esse grande feito de PPetit. Um equilibrista criativo, apaixonado, meio louquinho até, eu acho, e muito, mas muito determinado. Petit era um artista de rua (monociclista, malabarista, mágico, etc.) em Paris. Um dia teve a inspiração de fazer a travessia das duas torres. Elas ainda não estavam prontas, então esperou que ficassem prontas, e, com amigos (acho que idólatras, na verdade), planejou o “coup” e o realizou. Claro que estamos falando de tempos pré-11 de setembro, mas mesmo assim os americanos já eram cuidadosos, e Petit e seu grupo tiveram que ter muita habilidade e muita cooperação interna para poder ir ao topo das torres e conseguir plantar a estrutura necessária para a travessia. Só de ver o filme, as fotos, já dá um medão, mas ele, focado como só, após os primeiros segundos da travessia começou a sorrir, “tava tudo dominado”! Fez a travessia 8 vezes! Isso, não 1, nem 2, nem 3, mas 8 vezes!!! O homem sabia o que estava fazendo e acreditava em sua capacidade de realizar seu sonho! No meio do caminho, parte do grupo desistiu, se desentendeu! No documentário, 35 anos depois do fato, os sobreviventes, digamos assim, ainda se emocionam em relembrar o alívio em ver Petit fazer a travessia e sobreviver, em narrar a beleza do feito! Até uma ruptura com um amigo fiel aconteceu, pois Petit queria fazer mais, e mais, mas Jean-François, o amigo, se negou. A namorada da época também se distanciou depois, mas todos que participaram do filme demonstram a grandiosidade do feito.

A grande personagem de O Equilibrista é, obviamente, o próprio Petit! Ele tem um olho, uma vida interna, uma fé no sonho, que comove mesmo! Hoje, aos 60 anos, caminhando sobre uma corda-bamba mostra toda sua determinação, força e elegância. Impressiona muito! Comove! Se ele dissesse que ia atravessar não-sei-o-quê daqui a um tempo, eu não teria dúvida de o faria e conseguiria.

Interessante que, muito previdente, fotografou e filmou muito da aventura: planejamento, realização, pós-evento. Claro que há várias reconstituições, pois nem tudo foi documentado, mas impressiona o tanto de imagens originais (fotos e filmes)! O homem era um visionário mesmo! É um pregador…eu tenho problema com altura, mas diante do entusiasmo dele, e com um pouco de insistência, acho que até eu acharia que conseguiria fazer algo mais ousado!

O documentário ficou um bom tempo por aí, sobretudo no Unibanco. Agora, só no Gemini, em duas sessões apenas, se não me engano. Não perca!

Observação: o Gemini continua sendo meu segundo queridinho (Bombril é o primeiro). No dia em que aquele cinema sumir, mudar, ou o que for, e o senhorzinho que toma conta do Bombril não estiver mais lá, a minha vida vai fiar menos alegre. Terei perdido grandes e amadas referências em qualquer um dos dois casos.

7

de
junho

Mais um encontro com a morte!

Oooh, drama!!! É que depois de ver A Partida, um filme que trata da morte, fui ver As Centenárias (http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/dez-melhores-pecas-de-teatro/as-centenarias.shtml) com Marieta Severo e Andréa Beltrão, ali no Teatro Raul Cortez (beleza de teatro!!). Gosto muito das duas atrizes em separado ou juntas. Além disso, fui ver a peça porque é do mesmo autor de Assombrações do Recife Velho, de que gostei muitíssimo. O cenário é bem pragmático. No fundo há centenas de bonecos confeccionados para o espetáculo, sendo que dezenas são do tipo “mamulengo”. O texto baseia-se no trabalhão das carpideiras, ainda hoje existente em várias regiões do país. As carpideiras cantam incelenças e cantos fúnebres para ajudar na “passagem”, na “viagem”, ou o que seja. São pagas, têm de convencer, ou melhor, emocionar. A história é sobre Socorro e Zaninha que trabalham juntas e são amigas pela vida. As duas vão driblando a morte até que um dia a dita aparece para levar o filho de Zaninha. Há vários clientes: uma viúva inconsolável, Lampião, a própria morte, um coronel traído. O texto é muito ágil e as atrizes mais ainda. Depois de uns minutos acostumando o ouvido à “língua” que elas falam (se você tem uma Gersina, Rosicleide, ou Roquelina em casa, sempre fica mais fácil…), é preciso manter a atenção, pois a recitações ligeiras e com o linguajar próprio da região nordestina, o que, considerando que as atrizes não usam microfone, às vezes fica meio difícil de captar. O timing das duas é ótimo. Tem momentos tocantes (mas não dá para chorar, ta?), e muitos engraçados. As duas têm uma empatia ótima com o público e mantêm a platéia sintonizada durante todo o espetáculo. Tudo muito brasileiro, muito autêntico, mas de muito bom gosto quanto a cenário, figurino.

E depois uma pizza no Avanhandava 34 (que na verdade fica na Avanhadava 25), que ninguém é de ferro!

6

de
junho

Anatano oto-san?!

Primeiramente um registro: quando fui para a Paulista, para ver um filminho, tomei o 719P-Armênia. Eram umas 12.50h. Ao passar pela catraca, a grande surpresa pra quem vive em SP, num trânsito massacrante, com um serviço de transporte coletivo sem controle (só as autoridades municipais não sabem disso), selvagem, perigoso, que destrata o passageiro/pagamento de passagem: Olá, minha querida! Bem, dito em outro tom, diferente do que ouvi, por outra pessoa, talvez eu tivesse pulado no pescoço do gajo. Mas o cobrador desse coletivo dizia isso a todos os passageiros, i.e., “boa tarde!”, “oi minha linda, boa tarde!”, “tudo bem queridona, obrigado!”, que não dava para deixar de (1) surpreender-se; (2) gostar; (3) sorrir e (4) responder ao cumprimento com um “boa tarde!” de muito boa vontade! Vejam que eu sou “commuter” há décadas, já tinha perdido de vista qualquer cortesia, gentileza, simpatia no transporte público da cidade. E aí me aparece esse cobrador (não deu para ver o nome e não quis perguntar. Vai que pensa que é para reclamar e acabo com o dia do homem!), simpatiquésimo, conversador, gentilíssimo…para mim o dia já estava meio ganho.

Bom, fui ao cinema para ver A Partida (http://www.imdb.com/title/tt1069238/). Gosto do cinema japonês. Pelo menos tudo o que tenho visto me agradou bastante. Vi de tudo, desde filmes de samurais, filmes que retratam a homossexualidade entre os guerreiros (por falta de opção, não escolha), romances, reality, fantasia pura. Gosto do decantado Kurosawa (Ran, Depois da Chuva) (http://pt.wikipedia.org/wiki/Akira_Kurosawa); também fui ver Império dos Sentidos – Nagisa Oshima (http://melhoresfilmes.com.br/filmes/o-imperio-dos-sentidos), lá no Cinerama da Av. S. João, na década de 70, imaginem só! Eu era prafrentex! E vi tantos outros!!

Lembro-me de que um de que gostei mesmo foi há uns 10 anos: Depois da Vida de Hirokazu Koreeda (http://www.imdb.com/title/tt0165078/). Nesse filme, delicadíssimo, quem morria tinha de escolher um momento de sua vida para revivê-lo por toda a eternidade. Já pensaram qual seria o de vocês? Eu tenho tantos, ia ser difícil. Lindo filme, poesia pura!Outra lembrança: a série que vi em DVD (gravada pelo Japa e pelo Victor), Um litro de lágrimas, foi linda!

Departures (A Partida), que vi hoje, é demais! Bem, cabe aqui um posicionamento pessoal: adotei para minha vida, principalmente depois da morte de minha mãe há 16 anos, de que tudo que eu tiver de fazer para alguém vou fazer em vida. Depois não adianta pra quem foi, e menos ainda pra quem ficou. Então brigo, rompo, perdôo, peço desculpas, ajudo, atrapalho, sou cruel, generosa, enfim, faço o que tiver de fazer para o outro agora, amanhã pode ser muito tarde. E faço consciente! De repente, você vai ter de carregar isso pro resto dos seus dias, pro resto dos tempos, então melhor fazer com consciência. E, embora eu prefira acreditar que a gente não acaba por aqui, pode ser que a gente não encontre os mesmos seres de novo. Então melhor garantir. Faça peremptoriamente o que tiver de fazer e não se arrependa. Aliás, se se arrepender, corra para consertar, para desfazer, para refazer. Eu detesto ir a enterros, velórios (claro que ninguém gosta, mas eu não vou mesmo), justamente porque não quero jamais, pelo resto de minha vida, me deparar com a possibilidade do arrependimento tardio, da culpa. Então, já sabem, não vou ao de vocês também, e não adianta vir com aquele negócio de puxar lençol, puxar pé, que isso não me abala. Também não precisam ir ao meu. É bem como diz a música: quando eu morrer, não quero choro nem vela. Usem qualquer fundo pra comemorar a vida, e me deixem ir em paz.

Outro aspecto importante: há alguns anos, depois de ouvir muito violoncelo em orquestras, de ouvir a interpretação de violoncelistas famosos (Yo-yoma (http://www.yo-yoma.com/), Antonio Meneses (http://www.antoniomeneses.com/), tenho certeza de que, embora goste de piano, violino, flauta, etc., o instrumento da minha vida, que eu quero poder ouvir sempre, sempre, é o “cello”.

Bem, voltando ao filme: trata-se da volta de um rapaz que tentou ser violoncelista em Tóquio, em uma orquestra, mas não teve sucesso. Ao voltar para a cidade natal, abraça uma profissão considerada “indigna”: preparador de corpos, ou como dizem eufemisticamente no filme “ajuda os que partiram”. Parece macabro, mas não é. Até menções a mortos em condições trágicas são leves, ficam até engraçadas. A direção é maravilhosa (Y. Takita)! Os atores estão fantásticos! O que se vê em 80% do filme é muita delicadeza, muita poesia, muita sensibilidade. Masahiro Motoki e Tsotomu Yamazaki, que fazem os papéis principais, estão maravilhosos! Enfim, o filme fala de um sonho que não vingou, mas foi substituído por um trabalho digno, sensível, e que acaricia a alma de quem o faz por opção. Afinal, se tratar de vivos com carinho, afeto já é difícil, imagine de mortos, quando ninguém pode reclamar, o compromisso ou cobrança são quase inexistentes! A gente também toma um pouco mais de contato com o rito japonês para os mortos. No mínimo muito interessante. E se verá também quão distante a preparação que fazem está da preparação americana, por exemplo. Nada a ver. Fica patente que o profissional “preparador” japonês tem de ser muito especial, não só tecnicamente, mas humanamente. Como dizem no filme, uma preparação precisa, delicada e com afeto é o que faz a diferença, e torna o morto e todo o rito dignos. Imagens, fotografia maravilhosas! Trilha de comover pedra! Vá ver, leve muitos lenços, e lave a alma com esse poema em imagens. Ah, sim, vendo o filme vão entender o motivo do título deste post: Então esse é seu pai?

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