Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

20

de
maio

Blind dinner rides again!

Ontem foi meu segundo jantar no escuro (post 15/5 - Blind date, no, blind dinner!). A organização geral foi similar à anterior, só que desta vez foi no Capim Santo (http://www.capimsanto.com.br/portugues.html). O restaurante é maior, bem gostoso, bonito de dia ou de noite. Utilizamos um espaço fechado para grupos e/ou degustações me parece. Desta vez o grupo era bem menor que o anterior (acho que éramos uns 15).

O ritual inicial foi o mesmo: preleção das organizadoras, apresentação de quem as ajudaria durante o jantar, vendagem dos participantes, que foram encaminhados dois a dois para o local do jantar (não vimos o espaço antes, como aconteceu no Goa). Indicação do que estava à nossa frente, na mesa. E desta vez só tomei água.

O cardápio foi muito bom. Como a comida já é mais “estruturada”, naquela parte em que vemos os pratos montados, ao final do jantar, não houve tanta surpresa. Surpresa houve com alguns componentes dos pratos. Como as pessoas têm de informar se têm alguma restrição a algum ingrediente, quatro pessoas tiveram um cardápio diferente (sem peixe), à base de pato se não me engano. Para o restante do grupo foi um cardápio baseado em peixes, crustáceos. Só a sobremesa foi igual para todos.

Eu comi tartar de atum (foi fácil comer! Estava em uma colher de cerâmica, do tipo das que são comuns em restaurantes japoneses); depois quatro camarões empanados acompanhados de um molho agridoce, com base de manga, quase um chutney (também fácil, comi com as mãos). A seguir, o prato principal: filé de linguado recheado com palmito pupunha - o palmito não deu para eu distinguir e saber exatamente o que era -, acompanhado de um flã de banana. Uma delícia! Instada por meu amigo-acompanhante (aporrinhada, mais precisamente), comi o peixe com as mãos, mas o flã não deu! Foi com garfo mesmo! E por último um sorvete de coco, bem gostoso, sobre abacaxi em calda (bem levinho) e rede (tipo de bolacha fininha) de amendoim. Tudo muito saboroso!

Ao final tiramos as vendas. Que surpresa! Estávamos em uma mesa redonda!

Impressionante! Nenhum dos participantes tinha ideia disso. A mesa era em módulos, então dava a impressão de que estávamos em uma mesa retangular, mas todos separados, i.e., em grupo separados, em mesas separadas. Mas não! Havia uma moça do meu lado direito, a não mais de 50 cm. Meu amigo ficou do meu lado esquerdo (estranhei no início, mas…). A revelação foi surpreendente!

Como no outro jantar, a Maria, a Elis e a Gabriela, que ajudou as duas desta vez, foram gentilíssimas! Uma graça de meninas mesmo. De novo tivemos uma música de primeira, com o mesmo músico que esteve no Goa, e poemas lindos.

As diferenças deste grupo para o outro ficaram por conta: 1) de ser menor; 2) por isso ou por serem pessoas de outra natureza, a conversa esteve por tons mais amenos, falaram mais baixo, mas foi de novo uma falação sem fim. Do mesmo jeito que no outro jantar, quando as pessoas estão vendadas, i.e. não enxergam, “pensam” que os outros não escutam também, e o volume vai subindo. No entanto, houve momentos de silêncio total (o que não aconteceu no Goa), mas logo irrompia a conversa. Minha mãe dizia: as pessoas não conseguem se ouvir ou conviver consigo mesmas, instrospectivamente, por muito tempo (na verdade, acho que por tempo nenhum), então há a dependência de falar e ouvir (não escutar) o outro. Junta-se a isso a ansiedade dos dias de hoje, e está feito um burburinho federal!!

No mais, tivemos uma interação maior ao final, com pessoas externando suas opiniões para o grupo e não apenas para a equipe que trabalhou no jantar. Isso foi possível, sobretudo, pela disposição da própria mesa (uma mesa só, redonda). E, desta vez, como já conhecia o esquema e sabia que não causaria nenhum desastre, eu estava mais relaxada. Também apreciei mais a comida (lembram-se? Eu NÃO sou veggie!). Além disso, o impacto da primeira vez sem enxergar nada foi mais ameno desta vez, mas ainda assim me mostrou claramente como é difícil a vida de quem não vê.

Da outra vez passei todo o jantar usando talheres. Como escrevi, mesmo sabendo que ninguém, a não ser a equipe organizadora, me via, não consegui usar as mãos. Mais que barreira, foi uma luta! Luta mesmo! Acho que, naquele jantar, eu tive de provar para mim que era capaz, que podia, a escuridão não me derrotaria em algo tão comezinho como usar talheres. E foi aí, ou depois, caminhando e pensando e conversando com as pessoas, que tive o insight: acho que entendi um pouco (só um pouco) a batalha de uma pessoa cega ou com outra deficiência. Mesmo que ela sempre tenha sido assim, pelas limitações que uma sociedade feita por e para “perfeitos” cria, esses lutadores têm de dizer para si todos os dias, mas todo santo dia mesmo: hoje eu consigo, hoje eu vou ganhar, ou eu vou vencer! E se não for assim, eles não sairiam de casa, não levantariam da cama, não se mexeriam, tais as dificuldades que lhes são impostas a cada passo, a cada movimento! Aí deu para perceber a força interior que o mais simples deficiente tem de ter para estar vivo e levar a vida.

Bem, haverá outros jantares.Eu gostaria de participar de pelo menos mais um. Vamos ver se dá certo. Se tiver algo de muito diferente, eu conto.

19

de
maio

Um pouco de tudo…o retorno

E com muita preguiça comecei o domingo.  No Tecla SAP ( http://www.teclasap.com.br/blog/), que também indico aqui no meu blog, vi há uns semanas ( http://www.teclasap.com.br/blog/2009/04/28/passeios-tematicos-estimulam-o-aprendizado-de-idiomas/ - 28/4)+(http://www.sp.senac.br/jsp/default.jsp?tab=00002&subTab=00000&newsID=a16138.htm&testeira=453) , uma postagem sobre walking tours em línguas estrangeiras.  Inscrevi-me no Downtown tour de ontem e no Tour en ville de junho.

O passeio de ontem, a pé, pelo centro histórico de S. Paulo foi excelente. Começou por volta de 9.30h (incrível como as pessoas não são pontuais! era para começar às 9h).  Houve um “aquecimento” entre os participantes, para interação, que foi ótimo, e aí fomos.  Ah, sim, o processo começou assim: peguei as informações na internet (endereço acima) e falei com cada unidade (inglês Anália Franco e francês Vila Mariana).  Desde o atendimento telefônico são muito atenciosos.  Aí foi marcada uma entrevista na língua do passeio, pois querem garantir a homogeneidade do grupo (o grupo é muito homogêneo mesmo, o que é importante para o sucesso do objetivo do passeio). A entrevista foi por telefone mesmo, levou uns 10 minutos.  Depois disso fiz o pagamento pela internet e, um dia antes do primeiro passeio, recebi por e-mail as orientações para o dia do passeio.  Tudo muito fácil (hello! Século XXI, né?), rápido, bem organizado.   No dia do passeio levantei cedo para não me atrasar. O encontro seria às 8.30h na frente das catracas da estação Sé do metrô.  E lá cheguei eu, 8.30h sharp”.  Fui muito bem recebida pelo grupo do Senac (organizadores, monitores, professores). Ganhamos uma linda camiseta e uma bolsinha com suco, barrinha de cereal, água, chocolates, biscoitos e algumas brochuras sobre o passeio e sobre a cidade.  No grupo conversei com várias pessoas, infelizmente não dá para falar com todo mundo.  Nossa, tive contato com gente muito interessante! Aprendi várias coisas, que inclusive já vou começar a pesquisar, em algumas horas apenas (o passeio vai das 9h às 14h, mas sai por volta de 12.30h, pois tinha outros compromissos)!  Foi muito bom e interessante mesmo.

O objetivo do tour não é só turístico.  Os professores fazem paradas entre os monumentos visitados e explicados para atividades em inglês.  E, interessante, todos que estavam lá só falavam em inglês. Faziam questão de falar em inglês!  Que bom!  Isso também ajudou no sucesso da empreitada. Portanto, além de rever lugares de S. Paulo que adoro, também valeu pelas pessoas, pelos profissionais do SENAC, e por ouvir tudo narrado inglês, o que não deixa de ser bem interessante.  Recomendo!

Bom, agora é esperar o de junho, em francês.  Também têm passeio a Paranapiacaba e Serra do Mar (respectivamente em francês e espanhol). Também vou tentar ir a estes.  Um jeito gostoso de exercitar os idiomas, ver coisas bonitas, conhecer gente interessante, diferente.

Foi tudo muito bem, tudo muito bom…mas cansa, né? Levantar cedo, transporte público, andar de montão, foco aqui e lá para não perder nada…voltei para casa para me preparar para a função vespertina, meio sonada, mas vamos lá!!

Decidi ver o filme Alexandra ( http://www.interfilmes.com/filme_20825_Alexandra-(Aleksandra).html ).  Filme russo (produção franco-russa de 2007), que está em várias salas. Optei pela Bombril (uma das que mais gosto).  Cheguei ao cinema por volta de umas 16h (a sessão começava às 16.30h).  Aí começou a saga!  Quase tão dramática quanto o filme: só havia uma bilheteria aberta.  E quem estava lá?  Um senhorzinho de uns 80 anos, que sempre esteve por ali, desde os tempos do Cinearte.  Ele é supereficiente, mas não é para estar em uma bilheteria.  Até porque ele é meio surdo…Bom, na verdade não foi dramático, não, foi sim é folclórico, hilariante!   A fila estava grande para o horário, para o filme, para o lugar.  Na minha frente havia umas 10 pessoas… e a coisa não fluía.  Vi o funcionário do cinema perder a paciência com uma senhora por conta da escolha de lugares (pois é, não sei por que não põem esse negócio de escolha só para horários de grande movimento, à tarde não tem função e só retarda o atendimento).  E lá foi a fila caminhando “tartarugosamente”! Finalmente abriu-se a segunda bilheteria, com uma moça.  Quando cheguei bem próximo delas, havia um homem comprando duas entradas.  Ele escolheu, o funcionário clicou e deu indisponibilidade. Explico: a sala 2 é pequena, a bilheteira era mais rápida, então nas três vezes em que o homem escolheu lugares deu indisponibilidade, pois as duas janelas funcionam vendendo os mesmos lugares, ao mesmo tempo, no clique, então já viu…parece até aqueles programas de pergunta/resposta de tv em que se tem de apertar uma campainha. Quem for mais rápido, responde.  Tive um acesso de riso, e o comprador das entradas um acesso de raiva.  Acabou comprando lugares separados!  A moça que estava na minha frente, tão delicada, escolheu o lugar, só que o senhorzinho não conseguia ouvir…era uma gritaria daqui e de lá do vidro da bilheteria!  Ela também escolheu um lugar, e a bilheteira do lado foi mais rápida.  No segundo acertou.  No meu caso não tive problema: já comecei dizendo bem alto (gritando) que lugar queria, então ele foi bem rapidinho.  A sala estava lotada!!!

E como é interessante a visão das pessoas.  Havia duas senhoras na fila ao lado conversando.  Uma delas esconjurou o filme chinês Desejo e Perigo ao passar por mim e pela moça que estava na minha frente.  Opinião dela: uma droga, luxúria sem fim que acaba sendo até aborrecida, não vão!!!  Aí passou a senhora que estava conversando com ela (ambas estão lá pelos seus 70), e disse exatamente o contrário, ou quase: tem muito sexo, mas vale muito a pena!   Ai,ai,ai,ai,ai…e agora?  Vamos ver se dá para ver então.

Ah, e o que achei interessante também, para o dia e hora, é que o público era 80% de casais, e 90% de pessoas de mais de 60, muitos de mais de 70 e assim vai.  Pois é, se a tal regra de restringir o acesso de idosos e aposentados, ou as meias, a 40% dos espaços, muita coisa vai ficar vazia…melhor pensar bem, pois quem sustenta muito da cultura nacional são os “velhinhos” mesmo.

Bom, ao filme: pesado, pesado, pesado.  Uma avó visita seu neto na Chechênia. O soldado russo defende o país contra os chechenos. É um soldado profissional, portanto, quando em ação, é duro, cruel mesmo, implacável.  É outra pessoa com a avó, como se vê no filme.  O filme é bem lúgubre, até nas cores, bem arrastado, mas não deixa de ser interessante e tocante. Quantas avós, mães, esposas, irmãs não passaram ou passam por isso em tantos países?  As tristezas, misérias, desencantos, tristezas acontecem dos dois lados, é isso que vemos, i.e., tanto do lado russo quanto do checheno é tudo igual!  E a destruição dos dominados, de suas cidades?! Que coisa pavorosa!!!  Mas interessante: mesmo inimigos têm de conviver para ter algum horizonte, alguma chance de futuro.  O fato também de ser em russo complica.  Acabei ficando sem saber se o discurso do filme é que é ruim ou a tradução/legendagem mesmo.  Claro que línguas de ramos diferentes, e.g., eslavas, têm uma lógica diferente, mas não pode ser um discurso tão entrecortado, às vezes sem sentido até!  O problema deve estar em outro campo.  E nem os créditos foram traduzidos, nem um diálogo tipo “mumbo jumbo” foi minimamente traduzido e legendado.  Uma pena!

E “last but not least”…fui ver pela segunda vez Não sou feliz, mas tenho marido (http://www.guiadasemana.com.br/Sao_Paulo/Artes_e_Teatro/Evento /Nao_Sou_Feliz_Mas_Tenho_Marido.aspx?id=49817 ), com Zezé Polessa.  Havia visto a peça há uns 3 anos ou mais, não tenho bem certeza.  À época, como ontem, dei boas risadas, achei o texto divertido.  É, obviamente, uma peça feminina, mas homens também se divertem (alguns, muito).  Tinha gostado tanto da peça que comprei o livro que serviu de base à peça.  A autora é uma argentina, se não me engano, mas só encontrei o livro traduzido.  A peça abordou divertidamente boa parte do livro, mas não tudo, claro.  Então a leitura também é bem interessante e divertida.

A peça trata da vida de uma mulher, casada há 27 anos, escritora, que está lançando seu primeiro livro.  Conta tudo, desde os tempos de namoro, todas as agruras de 27 anos de convivência, que não foram poucas, o não-entendimento entre a linguagem e pensamento de homens e mulheres, i.e., muitos fatos que todos os casais presentes no teatro conheciam (uns melhor, outros pior), com certeza. Dá para divertir bastante. Claro que, apesar da excelente performance da ZP, sempre há texto previsível, escracho demais às vezes, mas a média é muito boa!

Bom, e para terminar messsmoooo…Paris 6 (blog 1/5 - Paris 6…).  De novo, desde a reserva, até o atendimento quando no restaurante foram ótimos.  Pratos ótimos: comi ovos beneditinos deliciosos!  E teve muita conversa boa com meus amigos, o que não poderia fechar melhor o domingo e me preparar para a  volta à realidade na segunda.

Ah, e aí em cima tem foto da Olívia. O batizado dela foi domingo. Linda, linda,linda!!! Long life to Olívia!

19

de
maio

Um pouco de tudo…

Sábado foi dia de flashback.  Fui ver novamente a casa de Ema Klabin (http://emaklabin.org.br/), ali no Jardim Europa (post de 28/2 - Um dia insolitamente lindo!).  Voltei porque um amigo estava querendo conhecer, eu estava querendo voltar, então uma ótima oportunidade se criou.  Queria voltar porque são tantas as peças, são tão fantásticas, o acervo é tão eclético, a organização das peças por Da. Ema foi tão primorosa, que uma visita só não dá.  Na primeira visita fui informada de que o guarda-roupa dela seria exposto mais ou menos por esta época, mas ficou para o segundo
semestre.  E, claro, que vou lá ver!     Depois conto.

Também foi dia de dar seguimento a meus dotes culinários (ai,ai,ai,ai,ai…tem gente que não realiza….). Só menciono isso porque utilizei três receitas do blog da Lola (http://tudonapanela.blogspot.com/) que recomendo aqui no meu blog.  Podem por nos favoritos e acompanhar!  Fiz a batata com queijos, o frangos aos 40 alhos e o Vulcano.  Só o frango fiz igualzinho.  As outras receitas mudei um pouco - vejam comentário no próprio Tudo na Panela - só para acomodar ao que gosto mais.  Mas as três receitas são facilésimas e muito gostosas.  Valeu, Lola!

Depois disso tudo, foi a hora do filme do Woody Allen (post de 16/05 - Let us misbehave!) e o sábado se acabou.  Tinha de descansar, porque o domingo ia ser “wild” e foi.

Próximo post, pls!

16

de
maio

Let us misbehave!!!

Voltei aos meus DVDs. Desta vez, Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo, mas tinha medo de perguntar – Woody Allen (http://www.imdb.com/title/tt0068555/) de 1972! Apesar dos cabelos demodés nas cenas contemporâneas, do guarda-roupa datado, a comédia é divertidíssima. O amor de Gene Wilder (gosto demais do GW, mas aquele cabelo dele é de matar!! E não muda nunca, em nenhum filme…) por uma ovelha, as caras e bocas, os olhares, os diálogos são hilariantes; o esforço do corpo de um homem, como se fosse uma operação da NASA, para não falhar na hora da relação sexual, em que até a viagem dos espermatozoides (sabiam que há espermatozoides neuróticos?) vira uma piada em tanto; um homem que gosta é de se travestir, e assim vai; uma loucura! Tudo muito divertido, bem light. Impagável o WA falando italiano, como se fosse um playboy ou até mafioso italiano, com aquele sotaque de americano, em um dos episódios. Em outro trecho há um programa, daqueles americanos de perguntas e respostas, bem ao gênero do que o público de lá gosta, consagrou e exportou, inclusive para cá: What is my perversion? Um programa em que um candidato ganha US$ 5,00 a cada pergunta feita por uma banca de jurados cuja resposta seja não. A bobagem é tanta que não dá para não rir com prazer (desculpem o trocadilho). Para a época não resta dúvida que o filme foi também audacioso. Em outros tempos, e com outra linguagem, poderia ser um excelente exemplar do ótimo “teatro do absurdo”.

E que elenco! Além do próprio WAllen, GWilder, John Carradine (pai do Gafanhoto…),Burt Reynolds! Apesar da longevidade, vale ver ou rever esse filme.

16

de
maio

A linguagem da incomunicabilidade ou a incomunicabilidade da linguagem, Ahn????

Não tenho dúvida de que isso acontece com todo mundo. Se ainda não aconteceu com você, é porque você não chegou à idade demandada para tanto. Falo da incomunicabilidade entre as gerações.

No meu tempo (viram o que eu quis dizer?), o problema de comunicação acontecia porque - isso, sim, acontece em e entre todas as gerações-, a gente achava que sabia mais do que os mais velhos. Claro, sempre havia um jeito diferente de encarar o mundo, as pessoas, os conceitos, ou ainda tudo se travestia de uma apresentação ou leitura diferente. Mas até onde me lembre, não havia a ignorância pura, o desconhecimento da língua materna por tantos com acesso à escola, à informação. Não era um problema de linguagem, de idioma propriamente. Havia um distanciamento conceitual, de ideário (Dic.Aulete: 1. Conjunto ou sistema de ideias políticas, sociais, econômicas, culturais, filosóficas etc.: ideário de liberdade e justiça: o ideário do Iluminismo. 2. (Conjunto de desejos, aspirações, objetivos e programas de ação de uma entidade associativa), só isso. E isso acho que é bem normal. Aliás, acho que essa foi uma razão, ao lado de outros motivos, por que o homem passou de primata a bípede pensante.

Mas hoje em dia a coisa está muito diferente. E olhem que eu continuo na ativa, lendo, me informando, conversando, tendo relações com várias “tribos”, i.e., pessoas de 20 a 80, que têm atividades e interesses muito diversificados. Uma ou outra coisa ignoro mesmo, porque não me interessa (post de 11/05 - Tô por fora…), também não dá para acompanhar tudo em tecnologia, internet, som, tv.  Aliás, nunca fui de acompanhar tudo em som e tv, mas internet sim, mas tudo muda muito rápido atualmente, além disso, sou só usuária final, “dummy” mesmo, então tento não acumular conhecimentos que pouco agreguem a minha vida. Resumindo: estou up-to-date com o mundo e seu giro diário. Mas mesmo assim a dificuldade de me comunicar com a geração atual fica cada vez mais evidente.

Primeiramente porque, com o desmonte de nosso sistema educacional pelo interesse não sei de quem, somente “e.t.’s” conseguem adquirir, processar e reter conhecimento na mesma medida que gerações como a minha. E olhem que hoje o acesso à informação é disseminadíssimo, não há praticamente barreiras, não há empecilhos. Está por toda parte, e a internet (que há uns 10,15 anos) era só uma promessa, um rascunho do que é hoje, cumpre seu papel e não para de evoluir. E como se tem acesso rápido ao que antes se tinha indo a uma biblioteca, a um jornal, procurando em material impresso, ou, no máximo do modernismo, em microfilmes! Portanto, o problema não está nesta área.

O problema está mesmo é na degradação social do mundo, e o Brasil é parte disso, degradação da educação formal (inventam, inventam, mas se esquecem de que nada, nada mesmo, substitui suor, ou seja, bundinha na cadeira, estudo, foco, atenção, prática/exercícios, e por aí vai). Hoje até há uma desculpa interessante para o semianalfabetismo das duas últimas gerações: a linguagem econômica da internet, aquela dos chats, do msn, etc. O problema é que quem mais usa esses instrumentos ou mecanismos de comunicação está na faixa dos 12 aos 18 anos, período de vida em que nada está formado: nem caráter, nem conceitos, muito menos conhecimento e cultura, a não ser por raríssimas exceções. Adotar ou permitir que sejam adotados ou utilizados dois tipos de linguagem ou forma de expressão obviamente privilegiará a mais fácil, a mais sonora, a mais evidente, que não necessariamente é a norma culta ou mesmo norma familiar da língua. Está muito abaixo disso!  Aí você tem gente que não sabe mais se o certo é não ou naum, você ou vc, e por aí vai.

Mas o pior está acontecendo mesmo é no âmbito da leitura, que agrega imensamente à cultura, ao vocabulário, às fórmulas da língua. De novo, embora tudo esteja mais acessível, o acesso é menor, se me entendem. A escola não utiliza os clássicos; introduziram muito lixo, textos mal escritos mesmo, só para começar. Os jovens têm estímulos mas não se estimulam a ler. Eu desconfio até de uma preguiça atávica. A grande maioria só lê o que é obrigada a ler. E isso é que faz a grande diferença no final da história. Esse conhecimento cumulativo, passivo, mas que, se insuficiente como parece ser o caso dos tempos atuais, é que determina as dificuldades ou não-entendimento que testemunhamos hoje.

Além dos termos internáuticos que vejo por aí, percebo às vezes olhares parados, até transtornados, quando falo com gente mais jovenzinha. Não entendia bem aqueles olhares estranhos…vai saber, né? Mas depois de uma conversa recente e rapidinha com a vendedora de uma loja de material esportivo é que caiu a ficha: Perguntei à gentil senhorita: Vocês têm luvas para ciclista? Silêncio! Têm? Resposta: Ah, para bike (baique - como em inglês)? Sim, temos. Por essa pequena ocorrência tive a certeza de que realmente a língua de muitos não é a minha. Multiplique ou transfira isso para um universo muito maior. Por isso, quando falamos com alguém pelo telefone, com um prestador de serviços, sobretudo com alguém mais jovem, percebemos que ou bem a mensagem não é processada, ou é processada parcialmente ou incorretamente. Não raro vemos essas pessoas repetindo, palavra por palavra, o que dissemos justamente porque não conseguiram “grasp” o teor da mensagem. Pois é, aqueles levantamentos que vemos de vez em quando de que o espectador dos telejornais, mesmo dos mais simplificados, só capta 25% do que é dito, não por não prestar atenção ou não ter interesse, mas porque é analfabeto intelectualmente, o tal analfabeto funcional, está aí fisicamente, ao vivo e em cores nas ruas para quem quiser ver. Claro que isso também acontece em outros países, só que, a não ser nos subdesenvolvidos ou pobres como o nosso, nos outros, nos de “primeiro mundo”, a estrutura sólida e estabelecida e a tradição cultural conseguem compensar a situação em alguma medida.

Filmes como Entre les Murs (post de 29/03 - Eita, que sábado!) são muito elucidativos. Só que como mencionei no post, os países em questão foram invadidos por imigrantes, o que produz um quadro diferente do nosso, i.e., o motivo da degradação, e é degradação, sim, é outro, muito mais complexo e menos controlável.

Bem, então já sabem: se alguém aí quiser alguma coisa relativa a bicicleta, ciclismo é só dizer bike (baique) que o problema está resolvido. Se tudo fosse tão fácil assim…

15

de
maio

Blind date, não, blind dinner!


Ontem (faz algumas horas só), foi um dia especialíssimo. Aliás, noite. Tanto que, ao sair do restaurante onde participei do meu primeiro Jantar no Escuro (Blind dinner), tive de andar um pouco, respirando o ar pós-chuva, sentir o perfume dos jasmins (perto de casa tem vários jasmineiros), para poder absorver, digerir um monte de impressões e sentimentos, meio conturbados até, que esse jantar me proporcionou.

Mudando totalmente de assunto: pela primeira vez, acho que na vida, fui ao supermercado em horário tão avançado (23.30h). Vocês já foram? Eu nunca fui porque nunca quis ou precisei. Mas que público diferente, para dizer o mínimo! Gente diferente, conversas que a gente ouve beeem diferentes…enfim, outra experiência interessante. De repente passo a ir mais por esse horário. Afinal, está calmíssimo (verdade que com poucos caixas, muita coisa sendo movida para limpeza, etc., mas nada que impeça as compras), tem segurança (relativa, sempre, em uma cidade como S. Paulo), e tem a fauna, quero dizer, o público pra gente observar. Devo ser fauna para eles também, mas tudo bem…

Voltando ao que interessa: o primeiro Blind Dinner a gente nunca esquece! Tudo começou quando vi uma matéria na tv, acho que na People and Arts, e li um artigo (http://www.cbsnews.com/stories/2007/09/26/world/main3301014.shtml), há um ano e meio aproximadamente, sobre restaurantes em que os garçons são cegos. Apenas quem cuida da administração, caixa, é ou apenas deficiente visual leve ou tem esse sentido normal. Os clientes ficam no breu total. Há restaurantes em várias cidades do mundo: Paris, Londres, Berlim, N. York. Quando li o artigo e vi a matéria estava para viajar para a Alemanha. Lamentavelmente não deu para visitar o de Berlim, pois fui para o outro lado do país. De qualquer forma, guardei a referência.

Qual não foi minha surpresa quando, lendo a newsletter que recebo da Vejinha (http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/blogs/omelhordobrasil/2009/04/jantar-no-escuro.shtml), vi num blogue de uma colaboradora da revista sua avaliação sobre um desses jantares, e aqui em S. Paulo. Mais que depressa pedi informações às organizadoras (http://www.noescurogastronomia.com.br/), Elis e Maria. Soube que o jantar seguinte (havia ocorrido um em 24 de abril) seria em 14 de maio no Goa (http://www.goavegetariano.com.br/nav/index.php) novamente. Aliás, já me haviam recomendado esse restaurante, que é bem perto de casa, e ontem tive a oportunidade de conhecê-lo. Fica numa casa bonita, e, apesar da escuridão, deu para ver que a decoração é muito bem cuidada.

Bom, recebidas as informações, feitos os arranjos financeiros e burocráticos, preparei-me para a data.

Time, pls: uma das coisas que não posso imaginar para mim é perder a visão. Porque gosto muito de ler, e agora de escrever, gosto de ver as cores da Natureza, gosto de olhas as pessoas, gosto de ver obras de arte em sua plenitude. Quem não gosta? Além disso, até a Sra. Dorina Nowill, em entrevista sobre sua vida e obra, disse que pessoas com mais idade não conseguem aprender a ler e escrever em braile como os mais jovens. Ela mesma disse ter tido ou ter dificuldade para tanto. Amedrontador ver alguém que criou vários filhos (não sei se quatro ou cinco), ajuda ativamente nos cuidados dos netos, faz arraiolos maravilhosos, domina a casa melhor do que muitas donas de casa que enxergam, dizer algo assim. Conto isso para que entendam que, embora entusiasmada com a experiência por seu aspecto lúdico (explico a seguir), também veio o medo de saber o que é não enxergar, mesmo que com toda a estrutura, apoio de uma equipe e por um breve período.

E chegou o dia! Ao chegar ao restaurante só havia um casal. O jantar estava marcado para iniciar às 20.30h, mas começou mesmo às 21h. Além da impontualidade nacional, choveu de monte em S. Paulo por volta das 19.30h e depois das 20.15h. No final havia uns 30 participantes, que é o máximo que a casa e o evento suportam, imagino. Achei o restaurante facilmente pela própria escuridão interna. No início não dava para enxergar o salão, onde estavam as mesas, mas depois a vista se acostuma e deu para ver vários detalhes. Conversa daqui, dali, conheço gente que inclusive transita pela Sala S. Paulo, amigas da mãe de uma das organizadoras; tomamos um suco de acerola com erva-cidreira (combina, viu!), um salgadinho básico (pão de gergelim tostado com manteiga de alecrim) e a explicação de como começou esse empreendimento local.

As meninas (muito simpáticas, aliás) inspiraram-se num restaurante a que foram em Paris. Como relatado no artigo, cujo link está acima, o ambiente era “pitch dark”, i.e, negro retinto, sem se enxergar um palmo à frente do nariz. Os garçons eram cegos, e o resto é bem parecido com o que está no artigo. Voltando ao Brasil resolveram fazer esse tipo de jantar na casa de amigos, parentes. Deu tão certo, que começaram a realizar em restaurantes.

O esquema delas é um pouco diferente do que acontece lá fora: cada comensal é vendado (e não dá para enxergar nada, não), levado à mesa (guiado,melhor), por alguém da equipe e aí começa a grande viagem.

Já no caminho para a mesa me deu um nervoso!!! Comecei a rir, porque entregar-se tão cegamente (desculpem o trocadilho) à condução, às mãos de alguém, é mais que inédito para mim, para o meu jeito de viver, de ver a vida. Deu uma aflição em tanto, mas passou. O pessoal é muito delicado, treinado e está acostumado com isso. Aí a gente senta à mesa, indicam onde estão o guardanapo, os talheres, as taças, e quem ficará a cargo de você. Interessante como não é difícil identificar as vozes e de onde vêm (claro que o ambiente era pequeno, e as pessoas falam com a gente claramente, calmamente). Outra coisa interessante: como disse, são todos muito gentis, mas me deu a sensação de que não só eles, mas qualquer um seria mais cuidadoso diante de um cego. Pode chamar de cuidado, pena, treinamento, o que for, mas acho que é isso mesmo. Será que o cego percebe assim?

Aí, dei conta de que, quando fui voluntária na Fund. Dorina Nowill durante as eleições, ajudei várias pessoas totalmente cegas, mas não sei se teria a mesma paciência, calma, cuidado com outro tipo de deficiente, ou mesmo pessoas normais, um velhinho por exemplo. Também uma vez ajudei uma cega a sair do metrô. Uma moça bem bonita! Não dava para perceber que era cega (os olhos eram perfeitos). Quando a deixei no ponto de ônibus, conforme me pediu, solicitei a algumas pessoas que estavam ali esperando seu ônibus que parassem o ônibus de que ela precisava e a ajudassem a embarcar. Ficaram olhando para mim e dando risadinhas. Aí um ambulante que estava ali se ofereceu para fazer isso. Pode uma coisa dessas? E hoje deu para pensar um pouco, sentir infinitesimalmente o que aquela moça deve passar no seu dia-a-dia: os medos, as dificuldades, a falta de solidariedade.

Bem, ao jantar: eu pedi vinho, então havia duas taças (uma para água e outra para o vinho). E não quebrei nenhuma, tá? Digo isso, porque é outro aspecto interessante desse tipo de jantar: o preço tem de computar as possíveis quebras, mais comuns que em outros restaurantes, imagino, e a sujeira que o pessoal faz (a gente não enxerga nada, tem muita gente que come com as mãos). Durante o jantar duas taças foram quebradas. Não sei se pela mesma pessoa ou não. Enfim, na minha mesa não quebrou ou caiu nada! E para o pessoal que come com as mãos, dão toalhinhas umedecidas e perfumadas para a higiene.

Na preleção, as organizadoras não fazem menção a “colocar os comensais no lugar dos cegos”, mas sim a uma experiência sensorial. Tanto que incentivam os participantes a comer com a mão (parágrafo anterior), voltar a ser criança. Pois olhem que, mesmo sabendo que ninguém, além da equipe organizadora, estava me vendo, mesmo carregando meus lencinhos umedecidos, mundialmente conhecidos, não consegui por a mão na comida. Comi tudo com garfo e faca. Foi um tanto difícil, pois tenho um problema motor terrível, tenho duas mãos esquerdas, mas consegui! Até fui parabenizada pela minha “cuidadora”. Muito esquisita essa barreira!

E o que comemos? Uma salada de entrada (alface, tomate, papaia verde ralado, com molho bem apimentado), um suflê de gruyère e alho-poró em cama de mandioquinha, chutney de manga com arroz, legumes e chips de batata doce, uma mousse de chocolate bem gostosa com pedaços de caqui desidratado. Bom, o restaurante é vegetariano, e eu NÃO sou. Então digamos que gostei uns 70% da comida. Serviram dois vinhos (não disseram quais) diferentes, acho que um rosé e depois um cabernet (sei lá…). Mas estavam bons.

Alguns dos ingredientes deu para identificar, outros nem se eu enxergasse, e.g., papaia verde ralado. Mas foi muito interessante conseguir manusear tudo sem enxergar nada, pedir as coisas à Camila, que cuidou da minha mesa.

Durante o jantar, quando se vai trocar o prato, tocam uma sineta pedindo silêncio e dizem textos, poesias. Além disso há música ao vivo. Um rapaz muito simpatiquinho (só vi quando tirei a venda e ao conversar com ele) tocou violão elétrico, violão normal e uma flauta de maneira onírica. Muito bonito mesmo.

Esqueci de dizer que, na preleção, as meninas também fazem um convite ao silêncio. Pra quê? Imagino que lá no restaurante de Paris, Berlim, ou o que for, é o que se tem. Conversas à meia voz pelo menos. Mas aqui…Mesmo com a sineta tinham de soltar uns “shhhhhhhssss”, senão o pessoal não parava de falar, e bem alto. Incrível! Eu ouvi cada conversa, cada coisa! Inacreditável! Eu diria que para 95% das pessoas que estavam ali a grande “farra” era adivinhar o que estavam comendo. Duvido que algum deles passou disso. E falavam num tom como se ninguém os estivesse ouvindo. Eu estava ouvindo, tááá???

Obviamente você faz o que quiser, onde quiser, se não me ofender ou incomodar. Mas me espantou que alguém, que tenha se proposto a esse exercício, tivesse uma visão ou postura tão limitada e imediatista diante da oportunidade dada.

Bem, ao final do jantar a equipe vai de mesa em mesa dizendo o que você comeu, vendo o que identificou. Na saída, os pratos estão montados como vieram à mesa. Aí é que é esquisito mesmo! Menos do que saber o que estamos pondo na boca, temos a ideia de como aquilo estava montado. Muito interessante!

Ainda tem muita coisa que não processei. Como pretendo ir a outro jantar como esse loguinho, depois conto o que não consegui colocar aqui. Mas, sem dúvida, é uma experiência que recomendo.

12

de
maio

Chá de bonecas

A infância é um tempo mágico. Nela se criam amizades incorrompíveis, inimizades vitalícias, e convivências amenas. Algumas vão mesmo pela vida afora, outras duram enquanto a gente não tem consciência exata de si, dos outros, do mundo.  A gente sabe que gosta ou não gosta, mas esses parâmetros são bem toscos, ou melhor, puros. Não é por causa da casa, da cor, da religião, dos pais, da educação, dos modos do amigo ou companheiro.É só porque é, e não precisa de maiores explicações.  Com o tempo é que a coisa complica.

Uma e outra sempre brincavam quando podiam.  As famílias moravam perto, mas nem tanto. Uma morava em uma casa bem grande, com quintal, tudo muito simples, mas espaçoso, arejado, claro, aberto.  A Outra morava em um apartamento com a família.  Bem menor que a casa de Uma, sobretudo considerando que tinha dois irmãos.  Uma só tinha um irmão pequeno e, em geral, ninguém ia a sua casa para brincar. Os pais eram contidos. O pai, sobretudo, achava que não tinha essa coisa de vizinho em casa, de amizade de rua.  Não com ele, não com a família dele.  Encastelada…isso, era assim a Uma.  A Outra, não.  A mãe era costureira, um entra-e-sai contínuo no pequeno apartamento; panos, recortes para todos os lados; um jeito bagunçado de ser e sobreviver.  Tão diferentes Uma e Outra!

Mas não sei se por estar sempre sozinha, convivendo sempre só com adultos, por não ver tanta gente assim, só os coleguinhas de escola e pelo tempo em que estivesse na escola, ou por ter de pensar em que brincadeiras que pudesse desfrutar sozinha ou com sua mãe, ou ainda com seu primo “capeta”, que morava no mesmo conjunto de casas, Uma adorava quando ia à casa da Outra!  Adorava poder brincar de chá com as bonecas, tomar Tubaina (Guaraná mesmo era muito caro), comer uma bolachas baratinhas, e ficar fazendo de conta, fazendo de conta, fazendo de conta…até a hora de ir embora.
Sempre queria ficar mais, mas não podia.  Quando a mãe dizia: Vamos, Uma! Tinha de ir.  E a mãe nunca a deixava sozinha na casa dos outros.  Um cuidado, uma proteção imensos.

Uma não tinha do que reclamar.  Tinha carinho, atenção, os brinquedos (não todos) que queria; tinha boa escola, passeava de carro com os pais (na época era difícil as pessoas terem carro, mas os dela tinham), comia bem (a mãe cozinhava maravilhosamente), via tv todos os dias (outra coisa não tão comum).  Mas quando aparecia a oportunidade de ir à casa da Outra, aí o dia ganhava mais cor, era uma alegria e uma ansiedade só!  Tantas coisas se apagaram da memória da infância, mas as visitas à casa da Outra não.  Pelo menos o prazer de estar ali, a alegria que sentia ficaram para sempre. Além da amizade também.  Até hoje, passadas décadas, são amigas.

E cada vez que Uma precisa de algo para se agarrar, para se levantar, para se consolar, lá estão as lembranças das tardes em casa da amiga, da Outra, para socorrê-la.  Aquilo, sim, se podia chamar de felicidade!

11

de
maio

Tô por fora,e não tô nem aí!(esta frase é minha,não é de nenhum político,não)

Há algum tempo,aliás, muito tempo, percebi que não vejo novela (há anos), não acompanho seriados que exigem audiência semanal pelo menos (há uns dois anos) ou programas que demandem acompanhamento periódico (semanal ou diário).  E como percebi?  Porque não entendo nada do que algumas pessoas conversam a minha volta.  No começo, até me fazia um certo mal: como é que eu não sei quem é a Tãtã do BBB; como é que eu não sei o que faz o Jack do Lost (dou outro nome para a série, mas aqui é censurado); e o Raj, a Raja, ou Roj e Roja da novela?

Esclareço: não estou, em absoluto, criticando quem tem essa rotina ou gosta de acompanhar esses programas.  pelo contrário, a crítica é para mim mesma, porque é um fato social e cultural inegável, não só no Brasil, e deixei de acompanhar esse tipo de programação por preguiça mesmo.  Claro que nem sempre conseguia pegar o capítulo da novela há uma década, afinal a gente às vezes não sai do trabalho na hora, o trânsito é infernal, há imprevistos.  Mas tudo bem, até na revistinha semanal, ou no jornal, eu conseguia me colocar em dia.  Ou mesmo com colegas de trabalho, parentes.

Vi novelas, e muitas, excelentes durante a minha vida.   Afe!!! Sou do
tempo do Antonio Maria, Nino, o Italianinho, As duas faces de Anita (maravilhosa!!), tempo do branco e preto, sabe com é?  Não, não sabe, então deixa para lá…Algumas das novelas que acompanhei foram impagáveis, outras belíssimas (quem não se lembra de Pantanal e da revolução que provocou na TV da terra?).  Mas aí me deu um cansaço “à lá Jeca Tatu” mesmo, e adeus novelas!

Depois, com o advento da TV a cabo vieram os seriados.  Há os que têm capítulos independentes, sobretudo os que são de humor ou policiais (adoro Two  and a half man - mas este, curiosamente, tem incluído ganchos mais visíveis ou importantes entre os episódios, então não dá para ligar, assistir e entender tudinho em algumas semanas. Vamos ver como vai daqui para frente.  Gosto também dos policiais: Cold Case, adorava Without a Trace, NCIS (este acho que não está passando mais) e Criminal Minds (acho que acabou por aqui também)).  Aliás, agora me lembro!  O último que acompanhei, semana a semana, a primeira e parte da segunda temporada foi o 24horas (Jack Bauer).  Mas no meio do segundo ano já me cansou.  Começou a parecer tudo igual ou tudo muito fantasioso.  Aí tentei Lost.  Até que deu por uns meses, mas depois cansou também  O que eu vou ver ou pelo menos tentar com todas as minhas forças, é ver o último capítulo, pois quero ver se os roteiristas vão saber resolver todo o imgroglio que criaram.

Tentei alguns outros, mas sem muito afinco: Desperate House Wives, Os Sopranos, Six Feet Under, mas todos, após um período até longo, deixaram de me interessar. Eu gosto muito de sair, ler, ouvir música, navegar na internet, então comprometer uma noite da minha vida com as novelas ou séries começou a pesar.  Hoje só acompanho Damages, com a Glenn Close.  Ainda está administrável pelo dia e horário.  Vamos ver até onde vai.  Neste caso, a sorte é que uma amiga vê a série e grava para mim quando peço (não, eu NÃO sei gravar, tá?!).

Mas como tudo tem sempre o lado bom, o desta história é que é um deleite ver o pessoal discutindo o que aconteceu, o que acham que vai acontecer, as opiniões díspares sobre intenções das personagens, motivos, etc.  Dá para cortar a adrenalina com uma faca em algumas ocasiões. Uma delícia mesmo!  Agora, jamais cometa o erro que eu já cometi de querer entender do que estão falando. Aí vem uma explicação entusiasmada, detalhada, que acaba levando a gente ao desespero.  Eu começo a duvidar da minha capacidade de entendimento, capacidade intelectual, porque é informação demais para captar de uma vez!   Então faça cara de paisagem; se o assunto for para
esse lado numa rodinha fique com aquele olhar de “sei, sei”, mas sem mostrar muito interesse ou ser inquisitivo; transforme-se numa “sombra” nesses momentos. Garanto que é melhor saída!  Happy end pra você também!

10

de
maio

Dirty Dancing (http://www.imdb.com/title/tt0092890/)

Bom, hoje foi o dia de assistir a este filme, que estava em casa esperando uma tarde de preguiça. Como tantos que fizeram fama à época de seus lançamentos, eu também não havia visto este. A trilha sonora é ótima! Até hoje faz sucesso, é reconhecida. Obviamente não me lembro porque não vi o filme em 1987. Sim, o filme é de 1987! O que vi foi a edição de vigésimo aniversário em DVD (dois dvds).

Da mesma forma que em Saturday Night Fever (post de 14/3/2009), fiquei surpresa, sobretudo com a sensualidade explícita deste filme. Neste filme sensualidade, cenas muito bonitas mesmo, não meio porn como Os Embalos.

Vejam bem, não é que esteja criticando, absolutamente, até porque a gente vê todo dia coisas muito mais pesadas, de mau gosto, para comunicar a mesma coisa. A questão é que estamos falando de 1987, 88, 89, 90…Ou seja de 20 anos atrás, e, claro, outros tempos, outros conceitos, outras ideias. Não imagino qual a idade de censura, mas não importa…como é que não houve uma “marcha pela defesa dos costumes” quando esse filme foi lançado? Brincadeira, mas realmente não me lembrava que o público em geral fosse tão liberal à época. Enfim…

Importante: esta edição de aniversário traz entrevista do o Patrick Swayze (atual), testes de palco, cenas que não foram para a versão final, cenas estendidas, etc. Muito interessante. Aliás, a entrevista do OS é emocionante!

O filme trata de uma família que vai passar uns dias de férias em um resort superbacana. Uma das filhas do casal (Baby = Jennifer Grey) entra numa de aprender a dançar e participar de algumas apresentações com o dançarino pobre, bonito e talentoso, PSwayze. O final é previsível: paixão, relações amorosas, pai contra, pai aceita, separação, reunião, dança apoteótica no final. A Jennifer Grey também é uma graça e dança superbem. Interessante ver os testes de dança e cenas dela. Um filme levinho, temática: há ricos crápulas, há pobres de valor, a vida ajusta tudo se o pessoal não for muito sacana.

Bem gostoso de ver as cenas de dança, sobretudo. Valeu a sessão da tarde.

10

de
maio

348, ou será 657, ou então 981, ou 306…ai, é muito número!!!

Hoje, dia das mães, começou com um tempo maravilhoso! Uma delícia de domingo! Mas eis que, lá pelas 13h, o tempo fecha, fica escuro, chove muito em alguns pontos de S. Paulo. Esclareço: essa, seguramente, foi uma brincadeira de S. Pedro com as mães italianas, dramáticas: que tempo farabuto, mascalzone…tinha de chover?!; mães decididas: esse tempo não vai estragar meu almoço, aahh, não vai não!; mães religiosas: foi Deus que quis, daqui a pouco passa; mães carentes: ai, e agora, quem vai levar para almoçar? Com essa chuva, NINGUÉM vai me levar para almoçar…; mães zen: isso é uma chuvinha (bruuummm, bruuuummm, brummmmm, relâmpagos, raios, relâmpagos, raios, bruuuummmm, bruuuummm), já, já passa…Enfim, foi só susto, para tornar a volta do tempo bom ainda mais valorizada, mais bem-vinda.

Para mim o dia foi ótimo. Além do tempo fantástico, almoço com Da. Marly e Dr. Miguel. Ao contrário do que planejei (imaginem que nem sempre o que planejo dá certo! Podeeee?!), em vez de eu lhes oferecer o almoço, já que é dia de Da. Marly, mãe e avó, foram eles que me ofereceram o almoço. Verdade que se eu tivesse que pagar tudinho, i.e., o gostoso da conversa, as histórias maravilhosas, as dicas de vida, teria de trabalhar algumas vidas…Agradeço os dois pela gentileza, pela companhia, pela ilustração. Foram horas agradabilíssimas!

A caminho do almoço passei por restaurantes em Pinheiros e no Itaim que tinham gente saindo pelo ladrão!!! Eram só 12.10/12.15h, mas mesmo assim, havia filas imensas em alguns! E viva as mães, que acabam com crise, com restaurante vazio, com comércio lento…milagrosas, é o que elas são!

Voltando: o restaurante a que fomos, eu não conhecia, aliás, só tinha ouvido falar de. Foi excelente! É 0 348 Parrilla Porteña (http://www.restaurante348.com.br/ - R. Comendador Miguel Calfat, 348) que faz menção ao 348 Corrientes que é cantado em A Media Luz, canção famosíssima nas terras portenhas. O lugar é bem bonito, bem arejado, claro, o atendimento é atencioso. O dono, claro, um argentino. Degustamos dois tipos de carne: o Ojo e uma costelinha de porco (sai pra lá, gripe suína!), acompanhados por arroz com brócolis (este também muito bom!). As carnes estavam fantásticas mesmo. Ah, sim, de “entrada” Papas Tasso – umas batatas deliciosas, feitas ao murro, fritas e com tempero de ervas. E de sobremesa, todos pedidos a panqueca de doce de leite com sorvete. Maravilhosa! Não sou de coisas dulcíssimas, mas a panqueca, com massa muito fina, estava na medida. O doce de leite vem derretido à volta e o sorvete de creme fecha o prato regiamente. Tudo muito gostoso mesmo! Ah, sim, e as porções são muito generosas…trouxe jantar para umas 3 noites… E pedimos de tudo ½ porção, exceto o arroz, creio! Vale a visita, com certeza!

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