Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

31

de
maio

A carochinha aqui não tem vez!

Fui ver Anjos e Demônios (http://www.imdb.com/title/tt0808151/). Lembro-me que li uns três livros do D. Brown (http://pt.wikipedia.org/wiki/Dan_Brown), o que começou com o furor de O Código Da Vinci. Na verdade, esse foi seu quarto livro. Bem “rocambolesco”, interessante pela menção de montes de obras de arte, lugares importantes pelo mundo, mas fantasioso demais, complexo demais! De qualquer forma, depois de ler esse livro, li Anjos e Demônios e Fortaleza Digital (nessa ordem). De todos, gostei mais de Anjos e Demônios. Para mim, à época, pareceu mais verossímil, mais próximo da realidade, mas mesmo assim cheio de aventura e ação, além das informações históricas/artísticas. Fortaleza Digital é um livro bem diferente dos outros dois. Gostei também.

Quando lançaram o filme dO Código fui ver, mas como o livro é empoladíssimo, o filme também o é. Foi ótimo também como ação, fotográfica, e tem sempre o Tom Hanks, garantia de uma boa película. Eu diria que gostei, mas não incondicionalmente. Sendo assim, lá fui eu ver Anjos e Demônios com um pé atrás. Livro melhor, mas vai saber o que Hollywood nos reservava. E foi uma ótima surpresa! O filme é muito bom mesmo, vai num ritmo mais tranquilo que o anterior, pode-se perceber os vaivéns mais claramente, e, mesmo para quem não leu o livro, dá para apostar em vários vilões. Ou seja, a trama é muito boa, o enredo leva bem várias teorias até o fim. Além disso, não só Tom Hanks está ótimo, mas o Ewan McGregor (http://pt.wikipedia.org/wiki/Ewan_McGregor ) também. Quem diria, ganhou fama como o menino do mal de Laranja Mecânica e agora reina como…não vou contar para não tirar o suspense. O fato é que, agora aos quase 40 e aparentemente sem as drogas, está melhor: mais bonito, mais seguro como ator, consegue passar sentimentos controversos com competência, e olhe que eu nunca gostei muito dele (nem nos tempos de Laranja, nem em Star Wars, nem com W. Allen), mas tenho de reconhecer que ele está cada dia melhor, e valorizou muito a personagem neste filme. O restante do elenco também está muito bem. Portanto, divertimento garantido, num filme dinâmico, bem feito.

Depois foi a vez de 7 – O Musical, mais uma da dupla dinâmica Cláudio Botelho e Charles Moëller. Eles estão fazendo a festa. 90% dos musicais em cartaz no RJ e aqui são deles. Congrats, porque sabem o que estão fazendo, desenvolveram expertise na área, e estão entregando o que o público espera. Deles vi Beatles (post de 19/04 – Uma mina de diamantes). Ali souberam juntar a discografia dos Beatles de uma forma inteligente, interativa, o que,para os fãs da banda, resultou num espetáculo muito bonito. Já em 7, subvertem a história de um conto de fadas (Branca de Neve), com pitadas de alguns outros. A trilha é bem interessante e a forma como integraram a história de uma mulher abandonada pelo marido, com o conto de fadas é muito criativa. O vem-e-vai da história dá um dinamismo especial. Aliás, acho que os dois meninos não deveriam pagar royalties para os musicais que têm trazido de fora. 7 é prova de que podem criar um musical genuinamente nacional, com cores próprias, com temas próprios, e enredos muito interessantes, criativos, boa trilha sonora. Verdade que os “arrasa-quarteirão” de lá de fora são bilheteria garantida aqui, e já vêm meio prontos, mas os rapazes podem fazer mais que isso na cena nacional, como 7 demonstra.

Eu já havia ouvido opiniões bem contraditórias de algumas pessoas: uns odiaram, outros gostaram muito. Detesto isso! Gosto de ler a sinopse e ir, ou não ir, porque quero ou não quero e pronto. Quando vou a algum evento com informações divididas já vou meio de má vontade, incrédula mesmo. Aliás, neste caso, só fui porque um amigo disse que queria ver e ia comprar os ingressos, então me animei. Pois é, para minha sorte foi outra ótima surpresa! A peça é “gloomy”, mas a iluminação é muito bem feita e cumpre seu papel com maestria. O guarda-roupa é bem limitado, menos que nos Beatles, mas ainda assim limitado, o que não compromete em nada o espetáculo. São também uns 15 atores, só que a orquestra (não dava para ver de onde eu estava, mas parecia) era maior que no outro espetáculo. De novo os cenários têm boa parte fixa, mas neste caso há alguns elementos móveis, painéis que entram e saem, e compõem as várias cenas. Tudo muito econômico, muito prático, mas muito plástico e funcional. Cumpre seu papel com garbo! A trilha sonora é bem interessante, diferente mesmo de qualquer outra coisa que eu tenha visto (não sou muito de alternativos, então até pode ser que nesse tipo de espetáculo a coisa seja parecida, não sei).

Mas, sem dúvida, apesar das vozes lindas (como tenho visto alguns musicais e shows e os cantores são sempre ótimos – a questão é que a gente não sabia que tinha centenas de pessoas tão boas na área, ou sabia? Acho que não! – isso não foi tão surpreendente para mim), quem domina a cena é o grupo da velha-guarda. Gente escoladíssima, que canta, diz o texto, entrega a mensagem, tem empatia plena com o público, a saber: Zezé Mota (http://pt.wikipedia.org/wiki/Zezé_Motta) (quem a viu em tantos trabalhos por décadas não poderia esperar menos), Rogéria, Suzana Faini. Claro que a grande voz é de Alessandra Maestrini (http://pt.wikipedia.org/wiki/Alessandra_Maestrini), que aliás também está muito à vontade com os textos, mas as três “senhoras” estão demais!

No final da sessão de hoje, anunciaram que era o último dia de espetáculo porque não tinham patrocínio?! Como assim? 800 e tantos lugares lotados? Até ator mambembe tem patrocínio, então como uma dupla estrelada, com espetáculo estrelado, não tem patrocínio e faz uma temporada curtíssima (de 17 de abril até hoje)? Num intendi!!! Enfim, quem viu, viu, quem não viu, só no Rio (rimou!), ou outra cidade. Foi uma sorte ter me animado e ver o musical! Valeu muito a pena!

30

de
maio

Gula aqui não é pecado, não!

Hoje foi dia de conferir o Hora da Gula ( http://www.horadagula.com.br/ ) que me foi super-recomendado!  Fica perto de casa (na R. Lisboa).  Um lugar supergostoso, bem montado, arejado, claro, com trilha sonora muito agradável. Atendimento atencioso e preço muito razoável.  Durante a semana são $22 que incluem bufê de saladas (transadíssimo, com misturas diferentes, mas muito harmoniosas.  Nada daquelas loucuras gororobentas, ilógicas, surreais) e um prato do cardápio, que é até bem extenso.

O carro-chefe da casa são as massas, preparadas por um ex-Fasano.  Não por ser ex-Fasano, mas as massas são ótimas mesmo.  Hoje comi o tortelli de abóbora com amêndoas (vejam no site os ingredientes do prato, é de babar!).  Meus amigos comeram o prato do dia: uma moqueca que, segundo eles, estava muito boa (o perfume, pelo menos, estava fantástico!).  As sobremesas são mais comuns, e não apetecem tanto. Então, até para ficar mais econômico, ao final do prato principal, sirva-se no bufê de um prato de frutas variadas, bem fresquinhas. E estamos conversados.

O restaurante só abre de 2a. a sábado para almoço.  Se puder, vá! Eu voltarei semana que vem para experimentar outro prato. Vamos ver no que vai dar.

30

de
maio

Golden Friday!

Pois é, fui ver Os Falsários (http://www.imdb.com/title/tt0813547/).Meio correndo, depois do trabalho, chegamos em cima da hora, lá no Reserva Cultural – um dos meus cinemas preferidos. Tinha lido um pouco sobre o filme, mas não sabia muito.

Um filmaço! De novo a temática da II Guerra, do nazismo, dos judeus. Mas de um jeito tão diferente! Mesmo tendo visto recentemente (post de 24/05 – Muita coisa bonita…) Um ato de liberdade, sobre o mesmo tema, Os Falsários surpreende. Os judeus, ou alguns, não são só vítimas. Há os espertalhões, na vida pré-guerra, que de um jeito ou de outro conseguem sobreviver durante o conflito, salvar vidas, mas sem aqueles laivos de “sou um mártir” ou “sou bonzinho”. Atores que não me lembro de ter visto em outros filmes, que tiveram, seguramente, de encarar um super-regime (oooh, gente magrinha, com exceção de um ou outro), e o ator principal, Karl Markovics, parece saído direto de uma revista em quadrinhos, daquelas bem dark.

O filme trata de uma operação para derramar zilhões de dólares e libras esterlinas no mercado europeu, não só para financiar a Alemanha, que já estava quebrada, como para causar danos reais e de imagem aos aliados. Aparentemente, utilizando a mão-de-obra judia, que tinha muitos artistas, artesãos, gente pensante, criativa, conseguiram fazer um bom estrago.

Fica evidente: (1) o uso indiscriminado pelos alemães, sua visão e a crueldade de muitos contra os judeus; (2) a falta de união ou força dos judeus, gente pensante, capaz, informada, com meios, para deter o processo e até derrotá-lo; (3) a humanidade que brotou de situações extremas, mesmo entre gente que não se gostava de fato; (4) desespero, atos extremos, que não há castigo que possa apagar, compensar; (5) alemães comandados, que trabalharam em proveito próprio, e que se deram tão mal na guerra quanto os judeus. Tempos difíceis para todos! Além disso, vê-se como, dentre os oprimidos, judeus, havia extratos, classes mesmo, e como todos, em algum momento, pensaram que tudo aquilo seria temporário, que individualmente não seriam atingidos, que alguém viria salvá-los a qualquer momento, etc., etc., etc.

Enfim, um filme muito diferente de Um ato de liberdade, mas igualmente interessante, intrigante, muito tocante. Belíssimo em sua crueza, tristeza, realidade.

E, para arrematar, jantar no restaurante do Reserva, que ninguém é de ferro. Superlight, salada, e um sorvete de manjericão. Este interessante, mas eu não repetiria. Continha nos $ 50,00 – foi justa.

27

de
maio

Por quê, por quê, por quê?

É isso que sempre me pergunto quando compro um livro como esse.  Evidentemente isso não ia dar certo!!!

Eu quero aquele sapato! - Paola Jacobbi - Objetiva.  A culpa não é da escritora não, é minha mesmo. Como eu poderia pensar que um livro como esse poderia me deixar satisfeita?  Mas eu sou teimosa, aliás, teimosíssima, então li até o fim!  Devo ser um caso de autopunição ativa…

O livro é um amontoado de informações (pelo menos algumas coisinhas, inúteis verdade, eu aprendi. Elenco abaixo), “juntadas” de forma desiteressante (não pode ser a tradução, deve ser o texto original mesmo), sem muita coerência, e sem as quais eu poderia viver felicésima até o fim dos meus dias.

Mas o mal estava feito: gosto de sapatos como toda mulher, a capa é divertida, o título atraente, então…Justamente, a capa e as ilustrações internas são até bem bonitas (Sara Not), bem atraentes!  Mas eu esperava uma história do sapato, com muitos dados, anedotas, etc. etc., mas não é bem isso.  Parece um almanaque (ooh, coisa antiga), daqueles bem rasinhos, mais do que qualquer outra coisa.

Vamos às importantes informações que o livro nos dá:”O sapato de bico fino, em geral, se lança e faz o pé parecer mais magro do que é. Infelizmente, não desvia o olhar dos outros das imperfeições vizinhas: não salva uma panturrilha de caçador (sic!) nem um tornozelo pouco sinuoso.”

Perceberam??? Aliás alguém sabe o que é uma panturrilha de caçador?  O Google não sabe…eu imagino.

A única coisa que achei interessante foi (se os dados estão corretos) conhecer o papel importantíssimo de S. Ferragamo na história mundial do sapato.  Foi ele o criador da sapatilha moderna, para A. Hepburn especialmente.  Criou também a plataforma moderna.  Enfim, Ferragamo foi/é sinônimo de sapato e não por acaso.  Chanel também criou seu famosíssimo sapato com o calcanhar aparente e uma tira para segurar o pé a partir da mule, e por aí vai.  Mas é muito pouca, aliás pouquíssima, informação interesssante para tantas árvores derrubadas para a impressão do livro.

Resumindo: não vale a pena, nem para distrair.  Economize no livro, junte mais um pouco, e compre um sapato.  Você vai sair ganhando.

27

de
maio

Um paraíso gastronômico pertinho de casa!

Todo dia, ou quase, eu passava por ali. A portinha pequena, o interior bem simples e pequeno. Anúncio de comida árabe na porta, promoção no almoço para alguns pratos.  Não dava coragem ou vontade de entrar.  Afinal tem o Jaber pertinho, que é uma delícia!  E o jeitão não é muito convidativo…

Mas hoje deu vontade (ou será coragem?) de conhecer.  No desespero da geladeira vazia, passei para ver o que tinham e levar para casa. O lugar é bem pequeno mesmo.  Os donos são legítimos!  Embora a dona fale português com um pé no espanhol (paraguaia, será?).  Não parece.  Ao que importa: o lugar é limpo, bem organizado, e os donos são de uma gentileza incrível.  Comprei algumas coisas, e fizeram questão de me dar (brinde!) um esfiha com um molho de pimenta (eu não sou muito fã, mas gosto de vez em quando) fantástico!  Bem suave e saboroso.  Além disso, conversa vai, conversa vem, soube que têm vários pratos (combos) econômicos para servir ali ou levar. Entregam na região e tudo é muito caseiro; abriram há 9 meses.  E a boa vontade é de se estranhar, se comparada ao atendimento que a gente recebe por aí.  Estava tudo meio guardado por causa do horário, mas quando pedi um falafel (se soubesse nem teria pedido), remontaram montes de coisas (ai, que dó!) para fazer o meu falafel!  E realmente estava uma delícia quando saboreei em casa.  A esfiha que provei também estava ótima. Muito diferente do que a gente compra por aí, mesmo em casas ótimas (Jaber, Almanara, etc.).

Não me lembro onde, mas eles saíram em alguma publicação (numa dessas revistinhas de jornais - Folha, Jornal da Tarde ou outro), mesmo assim não fui visitá-los à época, mesmo sendo quase meus vizinhos. Ainda bem que mudei isso hoje!

A coalhada seca é outra delícia. Fresquíssima!  Outro superatrativo: o preço!  Tudo muito farto e em conta.  Para quem gosta de comida árabe, vale a visita. Anotem aí: Al Arábe - R. Arthur de Azevedo 1919 - tel. 25330474, 2a. a 6a. das 8 às 20h., sábados das 8 às 18h.

24

de
maio

E quebrou-se o cristal!

Uma e Outro tinham várias coisas em comum; conheciam-se havia anos, não sei quantos, mas vários. Foram apresentados por Um e Outra, na verdade. No começo foi um encantamento para Uma pelas ideias, pelos modos, pela conversa. Muitos anos de convivência foram sustentados por isso. Para Uma era carinho, interesse, amizade genuína, confiança. Mas, claro, havia cobrança, afinal dar sem receber não era com ela! De repente começaram os entraves: o Outro até achou que havia algum outro interesse. Uma ficou muito irritada, afinal isso nunca tinha passado por sua cabeça. Pediu e teve o aconselhamento de outro amigo, e, como ainda gostava muito do Outro, Uma deixou passar, mas as marcas ficaram. Tentou continuar o convívio como se estivesse tudo bem. Mas de novo, o Outro continuou a ser displicente, desatento, até  arrogante. Uma achava que ele continuava a pensar que ela tinha outro interesse. Só podia ser! Uma deixou passar de novo, mas a confiança já tinha trincas.

E a realidade é que todo investimento sem retorno entre seres humanos cansa, e Uma cansou. Até disse isso ao Outro, mas ele argumentou que o problema não era dele, era dela. Então Uma ponderou e tentou mais uma vez, mas aí viu que suas reservas tinham se esgotado, não valia a pena empregar esforços, energias com quem não retribuía, não enxergava além do próprio umbigo, e que continuava a ser desatento, displicente como amigo. Além disso o Outro sempre se vitimizava, sempre ocupado, sempre sem tempo, o mais sacrificado dos mortais! Mas Uma tinha muitos amigos, amigos de sucesso, tão interessantes, inteligentes e até mais divertidos que o Outro, portanto tinha parâmetros para julgar, embora o Outro insistisse que não se devia julgar, não se devia fazer conjecturas sobre as pessoas, pois isso só dava em desilusão - cômodo, muito cômodo! Como assim? Uma pensava. Ninguém se conhece de fato, senão por que tantos analistas, terapeutas, gente que muda de rumo a qualquer momento da vida, muda radicalmente, quando antes nem pensava nisso, inclusive como o fez o Outro! Então, como não projetar, como não conjecturar? Pessoas não são seres exatos, é preciso inferir, é preciso apostar, e mesmo pessoas que se conhecem de longa data não se conhecem ou aceitam incondicionalmente, nem pais e filhos, nem irmãos, nem amigos de infância; as restrições,discordâncias estão sempre presentes, de um jeito ou de outro. E, claro, muitas vezes vem a desilusão, a ruptura. Mas isso é parte do exercício de viver!

Vá lá…Uma tentou ainda mais uma vez, já que era teimosa mesmo, mas chegou ao limite, e aí foi muito estranho mesmo! Estar com o Outro, que sempre fora motivo de expectativa positiva, daquela vez significou um fardo. Uma pensou em deixar para lá, mas não era de seu feitio fugir da luta.  Uma daria tudo para não estar ali, mas não ia deixar de concluir o que havia traçado.

Quando se encontraram, naquele dia, veio o mal-estar. O Outro via problema em tudo – Uma nunca tinha notado isso com tanta clareza: pequenas coisas transformavam-se em uma  batalha. Mas o pior ainda estava por vir: Uma não tinha vontade de falar, de conversar, e logo Uma que adorava ouvir e dialogar, tinha interesse nas coisas mais simples ou improváveis; sempre achava que se podia aprender alguma coisa, saber de alguma coisa interessante;  mas se calou! E já não tinha vontade de ouvir também. Foram longos silêncios que ela não quis ou não fez questão de quebrar. O Outro tentou, mas já era muito tarde. Finalmente Uma havia entendido: nunca houvera interesse real nas coisas dela, ela é que sempre dava sem ser solicitada, não que o Outro perguntasse, ou quisesse saber; por isso ela sempre ligava, sempre convidava, e o retorno era mínimo. Mais, sabia que o Outro estava passando por várias mudanças na vida, sabia que havia angústia, dúvida,  que talvez até pudesse ajudar, mas ela não quis: não quis ouvir, não quis saber, e mesmo quando o Outro perguntou de coisas dela, por se sentir incomodado  e só para preencher o silêncio seguramente, não quis contar. E o silêncio instalou-se indelevelmente, e nunca mais desapareceria, ela sabia. Despediram-se. O Outro disse mais alguma coisa, mas ela fez que não ouviu, não queria ouvir. No curto percurso até sua casa sentiu-se aliviada! Tinha acabado! Acabou! Não tinha mais nada lá, se é que um dia houve algo mais que manifestações vazias, rasas, quase que por “obrigação”; não havia nem apreço, nem interesse, muito menos amizade. Finalmente havia assimilado o que já sabia havia tanto tempo! Seria, dali para diante, apenas uma convivência pragmática, como a maioria neste mundo, ou nada. Que alívio para Uma! E que pena para os dois!

24

de
maio

Ser e Ter, eis a questão!

Hoje foi dia de sessão patrocinada pela Aliança Francesa, Fnac e Reserva Cultural. Final do circuito de três filmes relativos à educação. O próximo circuito (outros três filmes) deverá abordar as diferenças. Não contaram muito, mas deve ser sobre imigrantes, já que é um problema atual e de muito peso para a França. Vamos ver…

Hoje vi Ser e Ter – o mais visto documentário na França (http://www.imdb.com/title/tt0318202/). Depois do início do filme é que me dei conta de que havia visto o filme, creio que lá por 2002, ano de lançamento do filme. Bom, depois de sete anos e zilhões de filmes, eu não me lembrava mesmo. Depois de ver o filme dei conta de que à época o achei bastante interessante, diferente mesmo. Intrigante, sobretudo. Já dava para notar a diferença entre a educação brasileira e a francesa, e olhem que a nossa ainda não estava em pedaços como hoje. De qualquer forma, valeu ver o filme pela segunda vez. Havia muita coisa de que eu não me lembrava, além de o filme ser tocante, inteligente, divertido. Como em outros filmes franceses restantes, sobre o mesmo tema, os atores representam a si mesmos. São filmes-documentários ou vice-versa. As crianças, Jojo, Julian, Axel, etc., estão fantásticas. O professor também. Claro que temos de dar um desconto pelas câmeras, mas de novo temos um homem trabalhando, e bem, com crianças de várias idades, uma estrutura escolar (física) de fazer inveja a qualquer professor da terra. Serve de modelo, de guia, é um exemplo a ser seguido, um objetivo a ser buscado, isso é o que importa. Uma delícia de filme, ainda mais com o “événement” do café da manhã, montes de gente interessada no filme, um programa diferente!

Em seguida, aproveitei a proximidade, e fui ver as mostras que estão no MASP (http://masp.art.br/exposicoes/): O Realismo e Vik Muniz. O Realismo está por conta do ano da França no Brasil (http://masp.art.br/exposicoes/2009/franca/ ). Na verdade, a mostra abrange 100 anos de produção francesa e não só o Realismo, que é da década de 30 mais ou menos. Mas vejam nesta entrevista as explicações do curador para a abrangências das obras (http://guia.folha.com.br/exposicoes/ult10048u564794.shtml ). Too much for me! O que exatamente quer dizer: Corne- “O fio condutor é a questão da representação, a distância do objeto e, finalmente, a permanência e a continuidade da pintura com sua história, com sua capacidade de renovação como forma de representação dos seres e das coisas do mundo.”??? Deixa pra lá. Vá ver, que vale o ingresso, ainda mais que dá direito ao V. Muniz.

O Vik Muniz (http://masp.art.br/exposicoes/2009/vik/ ) é uma festa. Suas obras são muito interessantes, criativas, há um vídeo em que ele conta um pouco de sua linha de criação, há vídeos que mostram obras em construção. Enfim, uma exposição bem agradável e interessante de se ver.

E por hoje é só!

24

de
maio

Muita coisa bonita pro meu caminhãozinho!

Ontem, lá pelas 15h, o dia já estava ganho. Explico. Comecei com a Fortes Vilaça (galeria) na Fradique Coutinho. Uma exposição de fotos de Robert Mapplethorpe (http://www.fortesvilaca.com.br/). Apesar de a galeria não receber muito bem a gente (aliás, ninguém recebe a gente), as fotos estarem num espaço amplo (amplo demais da forma como está posicionadas), dá até um vazio interior…as fotos valem a visita (é de graça). São muito bonitas mesmo. Todas em preto e branco. São 27 fotos. Bom, depois das fotos, ia a pé ao Simão para comer uma massinha. Mas, para minha surpresa, a casa vizinha da galeria é uma loja com peças e Brennand (http://www.brennand.com.br/). Isso mesmo, aquele artista pernambucano, tão decantando, que teve uma exposição no SESI (Paulista) há uns anos (dois ou três). São peças maravilhosas! Desde pisos, até utilitários e itens de uso pessoal. São 3 sócias, sendo uma delas neta de Brennand. Fui atendida por uma delas (ai,ai,ai,ai,ai…não me lembro do nome, sorry mesmo!) que me tratou maravilhosamente! A atenção, a gentileza foram incríveis! Vale a visita, mesmo sendo uma loja, pois o acervo (que está à venda), é muito bonito. Mesmo que a gente não tenha bolso para comprar nada, enche os olhos de alegria.

Depois do Simão, foi a vez do Tomie Ohtake (http://www.institutotomieohtake.org.br/). Ali sempre há exposições primorosas, bem montadas. Já escrevi em outros posts que a qualidade da montagem das exposições é altíssima. Hoje vi Saint Clair Cemin, que com todo esse nome é brasileiro mesmo. Esculturas muito interessantes em bronze, aço inoxidável, tijolos. Mas o grande momento foi a exposição de Rico Lins (uma gráfica de fronteira) (http://www.ricolins.com/). Muito, muito, muito interessante. A versatilidade, criatividade, plasticidade da produção deste designer é impressionante, pelo menos me impressionou demais! Aliás, pretendo voltar para rever essa exposição, pois a produção é tão profícua, ele atua em tantas áreas, que até para assimilar fica difícil. Além disso, a exposição está muito bem montada, a trilha sonora é muito bonita, e o colorido encanta.

Não bastasse tudo isso, um filmaço para terminar o dia: Defiance (Um ato de liberdade - http://www.imdb.com/title/tt1034303/). Um filme que relata o que judeus fizeram para se salvar e proteger outros judeus na Bielo-Rússia. Criaram suas milícias, da mesma forma que os russos, para se defender dos ataques nazistas. Faz tempo que não vejo um filme de guerra tão bom. Diferente de muitos, as personagens retratam a atitude de pessoas reais. Pessoas pegas de surpresa, pessoas que, embora tivessem dinheiro, algumas pelo menos, preparo intelectual, engenho, integridade, deixaram-se dominar, encurralar e exterminar em alguns casos. Gente real (a história é baseada em fatos verídicos), que teve de lutar por usa vida como jamais imaginara, lutar pela água, pela comida, pelo espaço, pela dignidade, pela condição humana quase perdida. O Daniel Craig e o Liev Schreiber estão ótimos! O Jamie Bell também (lembram-se? É o menino bailarino de Billy Elliot, outro filmaço!). O filme é sobretudo masculino. As mulheres fazem papéis bem secundários. O filme comove justamente porque mostra como as pessoas, dependendo das necessidades e circunstâncias, transformam-se, acovardam-se, ficam paralisadas, tomam decisões equivocadas, que em outros momentos seriam as mais acertadas. Enfim, o inferno de qualquer guerra. E é bom lembrar: embora se trate de um filme sobre o início dos anos 40, Alexandra (post de 19/5 – Um pouco de tudo…o retorno) trata da guerra dos dias de hoje, aliás de uma delas, entre Rússia e Chechênia, talvez não guerra, mas conflito. Para quem tem a vida destruída, dá tudo na mesma!

24

de
maio

O livro do mal - Keizo

23

de
maio

Cabaré Show até 10/6 no Ópera em SP

http://www.youtube.com/watch?v=jJFdpJHbpy8

http://www.cabareshow.com.br/

Vejam a nova empreitada do Célio.  Até 10/6 no Ópera, na Pedroso de Morais.  A casa é muito bonita (fazia muitos anos que não ia lá).  Um show de variedades com cantores, ilusionista, humorista, bonequeiro (fantástico), malabarista, e o próprio Célio que faz de tudo (só não dá salto tripo mortal).

Sempre às 4as., às 21h.   O couvert custa $ 30,00  e o jantar opcional $30,00.  Um preço bem razoável para se divertir e apreciar um bom jantar.

Divulguem e vão também!

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