Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

16

de
abril

Nós somos as escolhas que fizemos ou quase…

Amigas desde os tempos de escola.  Cresceram juntas, estudaram juntas. Mesmo quando frequentaram faculdades diferentes, quando começaram a namorar, deram um jeito de não perder contato, de sempre se ver, conversar. Depois Uma casou e a Outra foi morar com um rapaz.  Uma engravidou, teve dois filhos, divorciou, casou de novo.  Outra só foi mudando de casas; uniões oficiais não eram com ela.  Mesmo com todas essas alterações de curso, nunca passaram mais de duas semanas sem se falar ou se ver.  a Outra passou três anos no exterior, depois do quarto, não,não, acho que quinto casamento.  E a conta de telefone das duas foi às alturas.  Se fosse nos dias de hoje, com internet, MSN, Skype, a coisa seria muito mais fácil.  Pois é, mesmo com as dificuldades, limitações tecnológicas e com os custos para se manter em contato, nunca tinham deixado de se comunicar.  Almas gêmeas? De jeito nenhum!  Só pessoas que se gostavam demais, respeitavam-se, alimentavam a convivência e as afinidades.

Naquele dia, a Outra chamou Uma para sair.  Disse que precisava conversar com ela sobre um assunto bem sério.  Uma ficou preocupada!  Sempre fora a mais preocupada, a mais “encanada” com as coisas, pequenas ou grandes, não importava.

Marcaram de se encontrar diante do shopping que era perto do trabalho da Outra e da casa de Uma.

U- Como foi seu dia hoje?
O- Muito bem!  Mesmo com o estresse do trabalho deu pra sobreviver.  Ha,ha,ha!
U- Ah,ah,ah! Ai, só você mesmo Outra, pra ver essa loucura desse jeito!  Você sabe que eu não  consigo…vida corporativa não é pra mim.
O- Pois é, mas seu eu não fizer isso, morro “loca”…qua,qua,qua,qua,qua…
U- Então, que assunto sério você queria conversar comigo?
O- Olha, você é a primeira pessoa com quem converso sobre isso. Primeiro passei uma semana digerindo o assunto. Depois fiquei pensando se falava com alguém ou não sobre isso.
U- Nossa, você está me deixando preocupada!
O- Pois é, mas não fique, afinal vou ter de contar muito com você…
U- Para com esse suspense!
O- Tá bom!   Mês passado fiz meus exames de rotina.  Na mamo, a gineco achou uma mancha.  Me encaminhou para um especialista.  Aí você já pode imaginar o desenrolar da história…
U- (olhos esbugalhados, já lacrimejantes) Você tá brincando…
O- Acho que não…mas não precisa ficar assim.  Hoje em dia é tudo mais simples,mais seguro, nesse campo. Vou ter de extirpar o tumor, talvez parte do seio direito.  Se for o caso, já faço uma mamoplastia, tomo quimio ou radio, dependendo do que acharem melhor e pronto!  O tumor ainda é bem pequeno, felizmente.  Mas vou ter de ter acompanhante para algumas coisas, e você sabe que não dá para contar nem com meu pai, nem meu irmão, nem com nenhum ex-companheiro para essas coisas. Aliás, prefiro você, se puder.
U- (chorando de soluçar) Cla…cla..claro que eu posso! Pooo…poooo…..posso, claro que posso!
O- Mas olha, Uma, se você ficar desse jeito vai ficar difícil…ha,ha,ha,ha…eu é que vou precisar amparar você. O que talvez não seja uma má idea…que tal?
U- Ai, Outra, para com isso!  Foi o susto, e você sabe que eu sou uma “manteiga” mesmo.  Pode deixar, depois de eu chorar uns três dias, vou estar pronta pro que você precisar!

O- Que bom! Porque vai haver dias em que vou estar melhor, em outros pior, um caco. Sabe, isso é assim mesmo pelo que já vi acontecer com outras pessoas e pelo que a médica me explicou. Você vai precisar de paciência comigo.

U- Pode deixar! Paciência é comigo mesmo…afinal, não estou casada com o  Cleverson há 10 anos? Não aguento os pestinhas da Bia e do Caco, pré e  pós-adolescentes? Quer mais que isso?
O- Que bom que posso contar com você! Isso já é meio caminho pro sucesso do  tratamento. Bom que tal um cineminha e depois um lanchinho mais  reforçado?
U- Nossa, tirou daqui! Ia dizer isso mesmo!  A gente tem um timing louco!!! Incrível! Ha,ha,ha, ha. Assim, posso te contar o que  aconteceu na festa de aniversário da minha cunhada…

O- O quê?  A VM? Ah, ha, ha, ha, ha, ha…
U- Ah, ha, ha, ha, ha, ha… ela mesma…aí juntou o VC…
O- Hi,hi,hi,hi,hi, ha, ha, ha, ha…ai para, não vou aguentar… Só você  mesmo pra inventar esses codinomes.
U- Iiiih, você não sabe de nada…deixa eu te contar os detalhes…

E lá se foram as duas, juntas, achando graça na vida, apesar de tudo. Acarinhando-se e se amparando. Juntas pela vida que escolheram compartilhar, acho que  até o fim.

14

de
abril

Presente de Aniversário

Eram duas pessoas que se davam bem. O Um e o Outro.  Conversavam, saiam juntos e se divertiam bastante. O Um estava sempre convidando o Outro para sair, para conversar; o Outro  às vezes aceitava, às vezes não, mas pouco chamava o amigo pra fazer alguma coisa.  Era basicamente responsivo, fazia o mínimo do mínimo, pelo menos é o que parecia: “Bom, já que não tenho nada melhor pra fazer, vamos lá!”, ou ainda: “Já que os outros Uns estão ocupados, vai o Um mesmo”. O Outro era blasé, bem linear, um tanto fechado, ou melhor, dissimulador. Bem diferente do Um!  Não que isso seja um defeito, afinal cada um cada um, mas não dava para entender por que o Um investia, insistia. Era como se fosse um território a ser conquistado, o desconhecido a ser desbravado, no mínimo, compreendido.

Incrível, mas o Um não tinha percebido isso claramente ainda.  E chamou o Outro pra conversarem, para se divertirem de novo.  Lá foram eles!

U - Oi, como vaaiii??? Tudo bem com você?
O - Sim, tá. E você?
U - Tudo bem!!  E, aí, já decidiu sobre aquele seu projeto?
O - Uuhmm…estou pensando. Analisando. Não decidi nada. Tenho de fazer mais umas pesquisas.
U - Quer ajuda em alguma coisa? Quer conversar sobre o assunto?  De repente tenho alguma ideia!
O - Acho que não. Vou ver, depois aviso.
U - Como quiser. Mas pode falar, se abrir, afinal só quero ver o seu sucesso.
O - Muito obrigado.

Aí o Um desatou a falar do que tinha feito, do que tinha visto, opinando daqui e dali, preenchendo o silêncio aos borbotões.  Claro que amigos podem ficar em silêncio confortavelmente, mas Um e Outro não se viam todo dia,não moravam juntos, não tinham nenhum envolvimento sexual, então essa era a hora de partilhar, de comungar. Senão como manter o vínculo, o contato, não se transformar em estranhos? Sim, porque a vida muda as pessoas! E a gente, às vezes, nem se dá conta de como e quanto e se perde do outro sem sentir.

U - Então, e você? O que tem feito de bom?
O - Aaah…uma coisa aqui, outra ali…

E o Outro contou um pouco, mas bem pouco, do que tinha experimentado nos últimos tempos.  Mas sem entusiasmo, sem querer mesmo.

U - Sei, sei.
O - ……
U - ……
O - ……

E foi aí que o Um percebeu a distância entre eles!  Foi num flash, como se fosse uma revelação sobrenatural, divina!  Quantos silêncios! Já não tinham mais o que dizer…aliás, o Outro sempre dizia muito pouco, então foi terrível a consciência de que ele, Um, também tinha perdido a verve, a tagarelice, a vontade de falar com o Outro!  Chocante!  E como o Outro lhe pareceu raso, chato mesmo!

O - Olha, eu estou com um pouco de pressa. Tenho outro compromisso com uns amigos…
U - Nossa, mas faz um tempinho que não nos atualizamos. Nem conversamos direito?!  E nós também somos amigos!
O - Pois é…mas, na verdade, vim mais pra dar seu presente de aniversário…

O Um ficou olhando para o Outro com olhar pensativo, vago mesmo. E se perguntou: mas quem é esse aí?  quem é você?  O estranhamento foi tão grande, tão avassalador que o Um se levantou como que impulsionado por uma mola, se despediu abruptamente, deu as costas e se foi sem olhar para trás, deixando o pacote intocado sobre a mesa.

O Outro ficou ali, meio que parado (mais!), sem entender bem o que tinha acontecido, afinal os outros não lhe importavam tanto assim, ele era quase o umbigo do Universo, então não percebia o óbvio muitas vezes.  Ficou caraminholando o que teria acontecido com o amigo de tanto tempo: “Coitado, vai ver que estava com algum problema pessoal, ou algum distúrbio nervoso”.
Com o Outro era sempre assim, o problema era o outro, o inferno eram os outros. E, agora, o que faria com o presente de aniversário que tinha levado para o Um?

E o Um seguiu caminhando por longo tempo, meio sem rumo, bufando, e pensando que, no final, tudo aquilo tinha sido bom.  A presença do Outro já o estava incomodando havia algum tempo, já não era prazeroso, cada encontro era uma empreitada.  Assim se desobrigava de tentar contatá-lo novamente. O Outro que o fizesse!  E o Um, que sempre fora tão cuidadoso com essas coisas, com as gentilezas, com as pequenas mesuras, como lidar com o descaramento, cinismo daquele sujeito depois de décadas de convivência?!  Seu aniversário seria só dali a três meses!

12

de
abril

Coelhinho da Páscoa,que trazes pra mim?Um ótimo domingo! Legal!

Mais um dia pra relaxar! Que bom, porque a semana vai ter dez dias úteis em vez de cinco, com certeza…

Primeiramente, uma surpresa ótima de meu amigo Artur (chocolate e visita/carona). Tudo de bom! Depois um superalmoço, com bacalhau e tudo. Uma delícia, muita conversa, muito carinho, o melhor do dia! Foram hoooraaaas de papo gostoso, carinho dado e recebido, e depois…aonde eu fui, aonde, aonde, aonde? Erraram! Não foi pro cinema, não.

Aproveitei que ia ver uma peça na Livraria Cultura e estava na região da Paulista e com tempo e fui ver 1961: A arte argentina na encruzilhada / Informalismo e nova figuração (http://www.sesisp.org.br/home/2006/news/news.asp?idn=1142 ). Cooompriiidooo, né? Mas muito interessante. A galeria do SESI, como já comentei em post anterior, é também uma das boas galerias da cidade, gratuita, também provê exposições interessantes, bem montadas e com catálogos super bem feitos. Há obras muito bonitas, sobretudo sob os títulos de Barbárie e Inferno. Telas feitas com materiais menos comuns, mas com um resultado impactante. Vale ver.

Depois foi a vez de Retratos Falantes (http://www.guiadasemana.com.br/Sao_Paulo/Artes_e_Teatro/Evento/Retratos_Falantes_I_e_II.aspx?id=49559). Também decidi ver este espetáculo intempestivamente. São quatro histórias, monólogos, cada um com um ator diferente. Um espetáculo tem Beatriz Segall (http://pt.wikipedia.org/wiki/Beatriz_Segall) e Brian Ross (assisti a este), o outro tem Chris Couto e Clara Carvalho. Fui ver não só porque gosto muito da BSegall, mas porque a direção é do Eduardo Tolentino – Grupo Tapa (http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_teatro/index.cfm?fuseaction=personalidades_biografia&cd_verbete=205) e o tema da história dela é uma mulher que escreve cartas para reclamar de coisas com que não concorda. Pals, does it ring a bell??

Bem, não fiquei muito contente com o resultado, só aliviada porque vi que o texto da BSegall não era baseado em mim. Vai saber, né? Não, não conheci o Alan Bennett (http://en.wikipedia.org/wiki/Alan_Bennett), nem ele me conhece seguramente. Ufa!!!

A coisa ficou assim: o primeiro monólogo, de um filho que vive em função da mãe e vice-versa, do qual eu não esperava muito, mostrou-se melhor em termos de texto e de atuação. O segundo, A senhora das cartas, que prometia muito não fez o delivery. Poderia ser ótimo, mas não foi, e não pelo texto em si, acho, mas porque vi uma BSegall titubeante, pouco precisa no texto, o que me incomodou muitíssimo. Não era um estar à vontade no palco, foi sim uma atuação um tanto trôpega. Pena mesmo (já vi isso com Paulo Autran em sua penúltima peça, uma pena também)! De qualquer forma, o espetáculo não chega a cansar, aborrecer, só não maravilha como eu esperava. Talvez eu vá ver os outros dois monólogos. Vamos ver. Se for, eu conto.

Boa semana (de 10 dias, hein!) pra todos.

11

de
abril

Que pregui…

Primeiramente tomar o tempo pela manhã, o que não faço há muito tempo. Tem sempre tanta coisa pra ver, tanta coisa pra fazer, gente pra conversar! Mas hoje foi quase um retiro. Depois de dois dias dormindo muuitooo tarde, acordando cedo e muita atividade – o que, aliás, foi ótimo – uma manhã tranqüila. Levantar um pouco mais tarde, fazer tudo devagar, e ir pro almoço com a família. Fui, pela primeira vez, a um restaurante que minha prima já havia me recomendado várias vezes. Simão (http://guia1.folha.com.br/guia/restaurantes/variada/12829/simao_restaurante_rotisseria), que fica na Simão Álvares, quase esquina com a Aspicuelta. Uma casinha, com 14 lugares apenas. Mas um superatendimento, uma comida ótima! Pertíssimo de casa, da Lu, do Gelly’s, então vou voltar lá para experimentar todos os pratos. As massas são feitas lá mesmo. São levíssimas, deliciosas. É um misto de rotisseria e restaurante. Preço bem honesto. E quem diria, sob a batuta do Carlos Siffert (quem criou o Tambor, que eu adorava). E o dia estava ótimo pra conversar, rir, comer bem e andar pelo meu bairro que eu adoro (como sempre digo: o melhor do mundo!).

Ah, sim, mas antes do almoço, uma visita ao Tomie Ohtake (http://www.institutotomieohtake.org.br/). Está com três mostras bem bonitas (e o espaço é muito bonito, muito agradável!). Temos Gravura Tomie Ohtake 2008/2009, com a produção da artista no período. Há duas peças que achei fantásticas. Depois Sergio Romagnolo. Peças bem humoradas, e alguns quadros lindos! Tudo muito lúdico, divertido, mas que agrada os sentidos sem restrições. E Bob Nuguent, com um “painel” de 100 metros com o tema Amazônia. Tudo muito plástico, sensível, bonito, e interessante pela natureza da empreitada. Além de gratuitos, os eventos do TO sempre são acompanhados por folders muito bem feitos. E a livraria e a loja do museu são atrações à parte. Sempre pedem uma visita.

Bem, onde eu estava mesmo? Ah, sim, vamos ao pós-almoço.

O que, o que, o que, o que eu fiz? Adivinhem? Não é difícil. Iiiissoooo!!! Cinema. E aqui cabe reparar uma injustiça. Noutro post (5 de abril) falei dos meus cinemas preferidos, mas me esqueci do IG (antes UOL, e antes Festival, e antes não sei se Jardim ou Fiametta) que fica na Fradique Coutinho. Além de ser bem low profile, é um cinema bem confortável, pertíssimo de casa, e que tem uma seleção de filmes muito boa. É uma das salas do coração também.

E foi na Sala IG que eu vi Território Restrito (Crossing Over - http://www.imdb.com/title/tt0924129/). Pois é, ontem foi um meio que mea culpa dos israelenses, e hoje dos americanos. Se você viu O Visitante (meu post de 30 de março), saiba que ele nem chega perto da tensão, profundidade, contundência da discussão de Território Restrito. Lá estão Harrison Ford (muito bem, mesmo a anos-luz de Indiana Jones), Ray Liotta, Ashley Judd, em performances ótimas! Na verdade, filmes como esse me fazem, cada dia mais, me convencer de que o mundo está ficando muito complicado…Os americanos, que são mestres em atacar, se vitimizar, tudo ao mesmo tempo, aparentemente começaram a discutir a situação perigosa em que se colocaram. O Estado diz que vai proteger o cidadão, que o que faz é bom para o americano, só que no final o americano torna-se vítima impotente da grande máquina que ele mesmo ajudou a criar, apoiou massivamente, e alimentou também. O drama de consciência de quem está dos dois lados do balcão: polícia de imigração, advogados que trabalham pelos imigrantes, os que aprovam ou não processo de imigração, os que os expulsam pelos motivos mais discutíveis, os que apóiam imigrantes em suas comunidades é impressionante, angustiante. Eu não gostaria de estar na pele de nenhum deles, nunca. Mas como os EUA ainda são um país que dá voz ao cidadão (talvez menos do que há alguns anos, mas ainda respeita opiniões em geral), há esse embate de forças, i.e., americano contra americano pelo outro, pelo de fora. Isso só tem lógica lá mesmo.

O filme é muito consistente, a discussão não é piegas, há vários enfoques, ninguém está errado ou tem razão. A situação é. Como progredirá, isso sim os americanos têm de decidir, e rápido, ou cada vez vão se sentir mais inconformados, descontentes, surpresos e angustiados com seu país.

São várias histórias correndo paralelamente, todas sobre imigrantes ilegais ou que se tornam legais. Algumas histórias se cruzam em alguns momentos, mas não é nada forçado, tipo minha história de A a Z (post de 10 de abril). E a gente vê desde o funcionário, o burocrata que só quer fazer bem seu trabalho, servir bem seu país, até aquele que se vale de sua posição para se beneficiar (eu sei que é difícil de entender este último, afinal nós, brasileiros, não estamos acostumados com esse tipo de postura). Policiais que cumprem sua obrigação, mas têm bom senso e não ultrapassam os limites da civilidade ou deixam de ser humanos, e aqueles que descontam frustrações e desvios de caráter nos mais fracos (imigrantes ilegais).

A questão que tem permeado alguns filmes (O Visitante, Território Restrito) é o pavor, a nóia que a nação americana vive hoje, sobretudo depois do 11 de setembro, apesar se já terem se passado vários anos. E isso é um peso imenso para um país que é formado por imigrantes, que sempre os recebeu, e ainda recebe, legal ou ilegalmente, aos borbotões. O americano médio tem um medo intuitivo e o Estado tem um medo calcado nos ditos fatos, números, estatítiscas, vídeos de segurança, etc. etc. Já foi mais fácil ser americano.

E para aqueles que vão para os EUA de vez em quando ou de vez em nunca: lembrem-se – nós somos os inimigos, até prova em contrário.

11

de
abril

Vocês querem bacalhau????Queremos, sim senhor!

Bem, pra uma sexta-feira, e ainda por cima Santa, não foi nada mal!

Duty before pleasure, então trabalho até o início da tarde. Era necessário. E aproveito para falar um pouco do Caio, meu fiel escudeiro na empresa. Um menino de muito valor, superesforçado, que passou a trainee. O Caio é inteligente, organizado, proativo, sensato e “witty” como poucas pessoas que conheço. Vai deixar saudade, mas está na hora de ir andando. Abro minhas mãos e você, Caio, voar entre os meus dedos! Desejo-lhe o melhor, que você trilhe um caminho de sucesso, pois talento, capacidade e força tem para isso.

Bem, depois de um esforço, sobretudo físico, um descansinho que a gente não é de ferro…

Foi a vez de Valsa com Bashir (http://waltzwithbashir.com/home.html). Um filme/animação muito bonito. Comovente, que relata um momento dramático dos conflitos do Oriente Médio: a morte de Bashir Gemayel e o massacre de palestinos, pelas forças falangistas e israelenses, em Sabra e Shatila. Um imbroglio monumental! Mas acho que é sempre assim: a história é pendular, os erros repetem-se e sempre há explicações para eles (acham-se as explicações), e assim continuarão para sempre, afinal tudo é resultado de ações humanas.  E por mais que nós, humanos, nos arroguemos ares de seres racionais, enlevados (artistas, pintores, escritores, músicos, etc.), somos só animais predadores, que no “bottom line” destroem os que os ameaçam ou ameaçam o grupo e cuidamos dos que fazem o caminho inverso. Está em nossos genes, em nosso DNA de centenas de milhares de anos, e não há como escapar. No site acima vocês verão os detalhes sobre a confecção deste documentário. Primeiro, tudo foi filmado, aí veio o storyboard e a animação. Tomou muito tempo! Uma obra que deixa um travo em qualquer pessoa, seja ela israelense, judia, palestina, libanesa, ou o que for. Uma prova cabal de nossa incapacidade evolutiva em níveis profundos. Vá preparado para ver uma produção contundente.

Mas pra alegrar, felizmente eu tinha uma carta na manga. No meu post de 5 de abril mencionei duas peças a que já havia assistido e recomendava. Pois é, num gesto intempestivo, num rompante, decidi rever Amigas pero no mucho (http://www.guiadasemana.com.br/Sao_Paulo/Artes_e_Teatro/Evento/Amigas_Pero_No_Mucho.aspx?id=48861). A peça ficaria em cartaz somente até o final de abril, mas acabou prolongando a temporada até começo de maio. Como estava tranqüila nesta sexta-feira, resolvi rever a peça. E foi ótimo, principalmente depois de um filme tão inquietante quanto Valsa com Bashir. Assisti à peça há uns três anos no Teatro Frei Caneca. O espetáculo era levado, se não me engano, somente às terças-feiras. Lembro-me que vi uma das últimas apresentações à época. Foi muito divertido e compensou o dia e horário não muito convenientes. E ontem não foi diferente. Apenas o Claudio Fontana foi substituído. A direção de JPossi Neto garante qualidade à peça, os atores estão muito à vontade. Tudo começa com quatro homens em preto, que montam seus personagens com adereços muito singelos: primeiramente perucas, depois alguns detalhes de vestuário, calçados, e o resto fica por conta do talento/histrionismo de todos eles. O teatro Renaissance, que é bem grande e confortabilíssimo, estava lotado! Foi muito divertido; introduziram algumas novidades, e há sempre os cacos que tornam a peça ainda mais leve, engraçada e sempre atual. Valeu muito ter revisto o espetáculo.

10

de
abril

Só o Z! Elessandra Paula

E lá estavam eles, Zircônio e Zaratustra, pai filósofo e mãe química, o que mais poderiam ser? Felizes eram com suas alcunhas, afinal, ele não era um Zé qualquer (ou alguém imagina José como nome próprio?) e ela não seria uma Zulmira, Zuleica, Zoraide… Eram gêmeos, inseparáveis. Ele, um aspirante a pensador, ela, radicalmente lógica. Duas cabeças, vários pensamentos e um único propósito - descobrir o que era “a” matéria.Ensaiavam uma ida ao Egito, ao Tibete, a Jerusalém, mas os afazeres daqui não lhes permitiam largar a vidinha medíocre que tinham. Idas e vindas, carregavam consigo o desejo do mais, do ir além. Por fim, chegaram à conclusão de que o infinito dava muito trabalho para ser desvendado, de que as comoções humanas eram por demais chatas, de que o homem, enfim, era um bicho mimado, perturbado e preguiçoso. Deram-se por satisfeitos, enfim, em frequentar aulas de culinária.

10

de
abril

Uma história de A a Z!

Agora terminou mesmo! Pena que o que começou como um exercício lúdico, de muito prazer, espontâneo (meu post de 25 de março), terminou com um travo: minha atitude e minha criatividade foram vilipendiadas. Acho  que já deveria esperar por isso, mas a gente sempre prefere acreditar no melhor desfecho, na generosidade alheia. Eu, pelo menos, sempre acredito! Enfim, let it be,que não vale a pena!

Voltando: o exercício em si foi bem interessante. Espero que gostem do resultado. Ah, sim, e por falar em generosidade… a Elessandra (de quem já publiquei vários textos no blog), mesmo não usando o nome do texto original, me saiu com um miniconto ótimo para a letra Z, que merece um post separado. Tks, Elê!

Uma história de A a Z!

Ana, dorminhoca como só ela, e Bia, filha da florista, não perdiam uma aula. Adoravam ir para o jardim de infância todas as manhãs.Caio, o irmão mais novo de Ana, se despedia dela da janela com muitos beijos. Eles se amavam!

Na escola os esperava Dona Dulce, a professora que jamais se separava de sua Bíblia e, todos sabiam, vivia só por opção. Sempre atenta as suas crianças, dava-lhes todo o carinho represado. Além disso, às vezes também cuidava dos sobrinhos queridos: Erly, uma gorduchinha comilona e linda, era sua sobrinha preferida.

Quanto ao coração, sempre tivera uma queda pelo Flô (seu Flô, como todos o conheciam na cidade), mas nunca tinham tido uma aproximação maior. Afinal,ele era um matuto, interessante, mas matuto,  ela, a professora da cidade! Mas ela gostava mesmo era de seus alunos. Ela os adorava! Alunos como a Gabi, que já sabia tudo de economia, sempre com seu porquinho cheio de moedas, e o Hélio, ooh, menino de dentes perfeitos!

Dona Dulce era um exemplo. Até Irene, sua irmã caçula, mãe solteira, ouvia seus conselhos. Irene era rebelde, namoradeira, e adorava uma bebida, mas ainda assim a respeitava muito. Como tinha gerado João, seu sobrinho mais querido? Um verdadeiro artista! Tirava sons mágicos de seu violãozinho plástico de duas cordas!

Pena mesmo ela tinha de Kely, amiga de Irene. Não tinha sorte com os homens, mas insistia… Pobrezinha! Outra que tinha problemas na vida era Léia. Dona Dulce, que também era a parteira da cidade e viu tantas crianças chegarem ao mundo, foi quem recebeu a filha de Léia. Como gritou, como resmungou, como fez força! Léia, sempre sonhadora, havia se envolvido com o homem errado. O circo passou pela cidade e ela se encantou com Mário, mas ele só queria saber da ribalta. Orgulhoso, vaidoso, só se importava com os aplausos. Só no palco tornava-se generoso, mas só com a plateia.

Como na vida, também na classe de Dona Dulce havia os mais alegres, os mais introspectivos, os mais tímidos…Nino era um dos mais quietinhos…Não cansava de contar as histórias sobre seu exército de formiguinhas humanas, que observava atentamente quando voava no helicóptero do pai. Que imaginação!

Mas o gostoso do dia na escola ficava mesmo por conta de Ofélia: moça prendada que fazia a merenda da escola. Seu bolo de chocolate era um acontecimento! E depois, muita brincadeira na piscina da escola. Já havia muitos esportistas de futuro entre as crianças. Paulo era um deles! Piruetas triplas no trampolim eram com ele. E seu maior entusiasta seu Queiroz, o avô, que trabalhava na fábrica de bolachas.Todo dia, às 18h em ponto, trancava as gavetas, pegava o paletó e a pasta, apagava a luz e batia seu cartão de ponto e ia buscar o netinho na escola.

Seu Queiroz gostava de prosear com Rita quando podia. Ela era vizinha de Dona Dulce e tinha mãos de fada. Era a modista da cidade. Rita adorava tentar novos modelos: escolhia os moldes com zelo e quando não tinha encomendas costurava para si e se embalava com o novo vestido pelo salão de sua oficina noite adentro. E como precisava disso! Afinal Shirley, sua filha mais nova, esquálida, menor, com passagem pela polícia, e viciada em crack estava grávida de seis meses. O que seria daquela criança? Só a beleza de seus vestidos para consolá-la.

E as férias estavam por chegar! Dona Dulce gostava de viajar com seu sobrinho mais velho, Téo; sempre iam para o litoral. De vez em quando, pegava Téo com aquele mar azul turquesa e as areias brancas nos olhos, longe de seu mundo por um instante…Téo só tinha os ombros largos de Ulli, seu pai, nada mais. Ulli gostava mesmo é de carros, motores, peças, parafusos. Mãos sempre cheias de graxa; um mestre dos motores! Pena que seu casamento com Vera não deu certo! Pois é, motores e Natureza são difíceis de combinar mesmo! Vera era uma ativista ecológica ferrenha, apaixonada pela natureza. Semeava, regava, podava, adubava e colhia lindas flores o ano todo.

Para o encerramento das aulas, estavam programando uma grande festa. Um dos pontos altos seria Will, irmão mais velho de Téo. O rapaz adorava se exibir em atos circenses: malha justa, colete, cara maquiada, bota e chapéu de palhaço, um azougue no monociclo e no malabarismo! E ele estava tão feliz! Acabara de pedir Xênia em casamento. Fora durante um jantar, em que não desgrudava os olhos dela que dava pequenos goles na taça, ria e olhava pra baixo tímida. Nossa, como gritou ao ver as alianças!

Xênia fora noiva antes, mas não havia dado certo. O ego de Yuri, seu noivo, era fenomenal, tanto quanto sua voz. Ele só colocava sua voz nas gravações após todos os instrumentos gravados à exaustão e à perfeição. Tão diferente do Zeca, seu irmão! O Zeca, que nascera sem os braços, gostava, imaginem, de pipas! Mais divertido que comprar papel de seda, fazer a rabiola e transformar lata de óleo em carretel, ver a pipa voar no céu era o que o deixava feliz e nos fazia rir e chorar ao mesmo tempo, ao testemunhar sua alegria!

Confira neste endereço os minicontos que deram origem a este texto: http://contosparatwitter.blogspot.com/

9

de
abril

Julio Verne era o cara! (plagiando Obama)

Ontem fui ver 20.000 Léguas Submarinas com o Grupo Giramundo (http://www.giramundo.org/). Está no SESC Pompéia (http://www.sescsp.org.br/sesc/busca/index.cfm?UnidadesDirector=58).

Então, por partes: primeiramente o SESC. Fazia anos que eu não ia a essa unidade do SESC, apesar de trabalhar tão próximo. Mas, na verdade, fica em um pedaço feio entre Perdizes e Água Branca, cercado por ruas supermovimentadas e feias também. Então desanima um pouco. Tinha me esquecido como é bonito, grande, confortável. Os espaços são generosos, pé direito beeeem alto, tudo bem organizado até onde deu para ver. O teatro é muito bom, interessante. Além de possibilitar plateia dos dois lados do palco, as cadeiras são muito originais. Quando cheguei olhei pra elas, elas olharam pra mim, e não houve simpatia imediata. Mas depois de me acomodar, percebi que as cadeiras totalmente de madeira, sem nada fofinho, eram bem confortáveis, bem ergonômicas. Então deu para ver o espetáculo por uma hora em meia sem cansar, sem doer nada. O único senão: cheiros entram por algum motivo.  Cheiro de comida, de cigarro, ou seja, algum odor externo mais forte acaba invadindo a sala, não sei bem por quê. De qualquer forma, o palco é muito bom, a disposição das cadeiras idem.

Segundamente…o espetáculo. Bom, quem já leu Julio Verne não se esquece. Impossível! Por mais fantasioso que seja é muito bom! Serve para crianças (acho que hoje elas não conseguiriam ler um livro como esse, pela baixa qualidade de escolaridade. Na minha época a gente lia esse tipo de livro bem novinho), jovens (talvez) e adultos. É uma viagem mesmo!

E o Giramundo fez da obra de JV uma poesia. Há passagens representadas por bonecos de um jeito mágico, sublime. A trilha sonora é perfeita de começo a fim! Há também a projeção de filmes e gravuras que valorizam ainda mais o que se passa no palco com os bonequeiros. São sete (entre homens e mulheres). A gente percebe que há os mais hábeis e os menos, mas não chega a comprometer. Ao final da peça deixam a gente ver os bonecos, explicam como são produzidos, como funcionam. Muito legal! Dá vontade de embarcar nas cenas do fundo do mar que são maravilhosas! Se puder ir, vá! Ainda tem espetáculo em 15, 16 e 17 de abril, sempre um mais cedo (10, 16 ou 17h) e outro às 20h.

O único problema foi meu vizinho de plateia. A cada remexida dos bonecos a criatura dava um “giggle”. Até numa cena de afogamento a tal pessoa achou graça! Começou a me dar um medo…e a me irritar!  Mas chegou um ponto em que não dava para prestar atenção em nada a não ser no que se passava no palco, de tão fantástico que estava tudo (bonecos, projeções, som), então deu pra deixar o ser estranho de lado.

5

de
abril

Relax afinal!!!

Bom, depois de um puchero, só um descansinho mesmo. E começou a chover…então um filminho é o ideal. E lá fui eu ver mais um dos DVDs que ganhei. Este não vi no cinema. Hoodwinked (Deu a louca no Chapeuzinho - http://www.imdb.com/title/tt0443536/). Um desenho animado bem divertido. Aliás, melhor a criançada de hoje ver essa história em vez do Chapeuzinho tradicional. Podem acreditar, esta versão está mais para século XXI, e vai agradar mais. Eu gostaria de ter sido apresentada a esta versão há mais tempo. Também ia gostar mais. Enfim…um desenho cheio de ação, de boas sacadas, um thriller praticamente. E mais! Identifiquei-me completamente com o esquilinho (amigas que dizem saber de onde vem minha inquietação, vocês não viram nada!) e com a Granny…Quero ser Granny quando crescer, ah, se quero!!

Enfim, uma bobaginha que não compromete, é relativamente inteligente, e por conta dos atores/atrizes (Anne Hathaway, Glenn Close, Jim Belushi, Chazz Palminteri, etc.) que fazem a locução dos personagens fica tudo ainda mais divertido. Ótimo pra desestressar e só distrair com pelo menos um pouco de brilho.

5

de
abril

Parte II - final

Pois é…e lá fui eu, há quase um mês, comprar entradas para o espetáculo Nu de mim mesmo (http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=146550) que está no SESC Paulista (vai só até hoje, se não me engano). Bem, só comprei porque li as sinopses e me pareceu um espetáculo bem diferente, mesmo com as anunciadas 3 horas e meia…Desculpem a minha limitação, mas pra mim filme ou peça com mais de 3 horas não tem justificativa. Nem mesmo Shakespeare escapa…(Hamlet, King Lear). Agora 3 horas e meia que se transformaram em 4 horas, é puro non-sense, ou presunção mesmo…

A peça tem um formato interessante, e como todas as peças encenadas no SESC, da Paulista pelo menos, exige que se tenha criatividade no cenário, que os atores estejam muito seguros, pois é quase um corpo a corpo com o espectador/público. A peça tem momentos muito interessantes, tocantes, sensíveis, plasticamente bonitos, mas que acabam se perdendo, pois 4 horas, sem intervalo, acaba com a mágica de qualquer coisa! E olha que eu queria ver muito a peça, fui com o coração aberto e a mente bem positiva. Mas nem assim! Perdi a paciência! São apenas 45 lugares. Até o final da peça, umas seis pessoas haviam ido embora. Eu, que sou teimosa pra dedéu, fiquei até o fim, mas morrendo de raiva…Portanto, o que era um “approach” superpositivo acabou se transformando em algo bem negativo. E era bocejo pra todo lado, remexer nas cadeiras (cadeiras, não poltronas, vejam bem!). Enfim, uma pena! Pra que tudo isso? A peça é levada em tom de conversa quase que o tempo todo. Interessante, porém isso tira o ritmo, a precisão que a linguagem teatral deve ter. Com isso, falas que levariam 1 minuto podem levar 3, 4. Multiplique isso por várias falas, então é fácil saber como se chega às 3 horas e meia ou 4 horas como foi o caso ontem.

Uma pena imensa, porque o enredo é interessante, o que se pretende é interessante, a interação com a plateia é excelente, e os atores são ótimos (exceção um só). Mas tudo fica sem função a partir de 2 horas e meia…esse é o limite, e tudo vai pra o limbo. Depois desse tempo fica muito difícil manter a atenção, absorver de forma positiva o que está em cena, apreciar mesmo.  Então é um monte de talento, boas intenções, suor dos atores jogado no lixo.  Imagino que esse negócio de fazer uma peça com essa extensão é para diferenciá-la das outras de alguma forma.  Isso também dá ibope.  Além disso, olhando friamente não tinha conteúdo pra tanto tempo nem por decreto!

De toda forma, foi bom ter ido para ver a proposição do grupo, como trabalham o texto, etc. etc. Mas outra, never more!

Bom, hoje tem “puchero” no almoço na casa da Silvia. Vamos ver se recupero as forças. Bom final de fim de semana!

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