
Ontem foi um dia megacultural. Eu diria que quase uma overdose, mas foi muito bom! Aproveitando o feriado, o tempinho esquisito, deu pra visitar vários locais sem me cansar muito. Primeiramente fui ao Museu de Arte Sacra (http://www.museuartesacra.org.br/). Havia ido lá há uns quatro ou cinco anos. O museu estava bem à época, creio que havia passado por uma revitalização. Mas hoje, surpreendeu-me. Fui para ver a obra sacra de Anita Malfatti, mas vi muito mais. O museu está com a mesma segurança e organização da Pinacoteca, da Estação Pinacoteca. Detectores de metal na entrada, há monitores por todos os lados, que são gentilíssimos e estão prontos a tirar qualquer dúvida. A única coisa bizarra são os avisos que se recebe logo ao entrar: não se pode tocar em nada, fotografar, filmar, ou parar para anotações (hein?!). Como assim, se uma das coisas que pessoas fazem em museus no mundo todo é anotar, desenhar? Bem a mostra da Malfatti, dos retábulos (Google, pls) e do barroco paulista está maravilhosa! Super bem organizada, sinalizada. A sala com as luminárias está fantástica. Mas apesar de toda a estrutura que mencionei, inclusive segurança (câmeras para todos os lados), a gente percebe um certo nervosismo nos monitores. Há várias salas, digamos assim, em que as peças estão expostas. Basta você entrar em uma delas e lá vem um monitor grudar em você. Não que incomode, absolutamente, mas dá uma sensação esquisita…parece que estão esperando a gente atacar alguma coisa, ou meter alguma coisa no bolso ou na bolsa…sei lá, vai ver que aconteceu algo que não foi divulgado, ou é simplesmente uma orientação para ficarem muuuitooo atentos para atender o público. Outra coisa que não pode deixar de ser visitada é o presépio napolitano de 1.620 peças, e a coleção de presépios de várias partes do mundo (deve haver algumas dezenas) no subsolo do museu, onde estão arcos recuperados da construção do prédio. Também dá para ver o jardim usado pelas religiosas que ainda vivem ali. São elas que preparam as pílulas de frei Galvão, que são distribuídas gratuitamente ao público (eu peguei um monte, afinal mal não vai fazer…). Tem a capela erigida por frei Galvão, onde as pessoas podem fazer sua oração, mas isso, diferentemente do museu que pertence ao Estado, é da ordem religiosa. Então se você quiser visitar o acervo relativo a frei Galvão (ao lado da roda onde se pegam as pílulas), tem de comprar uma entrada separada. Por que não fazem uma entrada só, mais cara (R$ 6,00) para facilitar a vida do visitante? Aí um (Estado/ordem religiosa) repassa para o outro o valor referente às entradas. As simple as that!
Há duas lojinhas também. A do MAS mesmo é pequena, mas tem coisas interessantes, mais transadas, com a marca do museu. A outra, pertencente à ordem, é mais voltada para o tema religioso, meio empoeiradinha, mas também tem algumas coisinhas interessantes (quando eu fui lá da última vez, só havia esta).
Bom, resumindo: como gosto muito do barroco brasileiro, o museu é muito querido pra mim. Acho o prédio bonito, as visitas são sempre muito ricas, de encher os olhos com tanta beleza. E desta vez fiquei bem satisfeita, pois o MAS se profissionalizou, está mais organizado, mais bonito.
Ah, sim, há outro aspecto folclórico, eu diria: há dois banheiros – um da ordem (gratuito) e outro do Estado (paga-se R$ 1,00 para usar). Não fui ao da ordem, mas o do MAS estava limpíssimo, tem até uma decoração simpática, e uma atendente muito gentil. Importante dizer que se pode estacionar dentro da área do MAS. O estacionamento é bem amplo. Também há a indicação de “Café”, mas não se engane, é um balcãozinho tosco, com umas coisas estranhas para comer (até podem ser boas, mas são meio desencorajantes), e um espaço em que há água e refrigerantes pra venda. Um negócio canhestríssimo!
Depois de visita tão compensadora, foi a vez do meu museu favorito: Pinacoteca (http://www.pinacoteca.org.br/ + http://www.pinacoteca.org.br/?pagid=exposicoes). Fui lá para ver Léger (http://oseculoprodigioso.blogspot.com/2005/05/lger-fernand-cubismo.html / . Pensei que já estava aberta uma exposição de fotos produzidas por brasileiros e franceses, em comemoração ao ano da França no Brasil, mas só daqui a alguns dias. De qualquer forma,foi interessante ver as obras de Léger. Agora dizer que Tarsila do Amaral se inspirou em Léger é um tanto quanto demais ou de menos! Como se inspirou, copiou mesmo, assumiu o estilo…levei até um susto ao ver três obras da artista ao lado das dele. Que coisa!! E mais, da mesma forma que Léger usou “referências” de outros artistas, outro susto: numa tapeçaria logo à entrada da exposição, as figuras humanas representadas na parte superior são de Niki de Saint Phalle (aliás tem obra dela no pátio interno do prédio / http://en.wikipedia.org/wiki/Niki_de_Saint_Phalle), que eu adoro. Quem será que veio primeiro? Acho que foi Léger mesmo neste caso… E, mesmo sem nunca ter estado no Brasil, o artista tem várias intervenções em São Paulo, sobretudo. Agora o que achei bonito mesmo foi a série Le Cirque, ilustrações produzidas para poemas de Cendrars. Nossa, lindo mesmo!
Separadamente tem também Paisagens e Panoramas, com obras do acervo do museu, que aliás é um acervo bem interessante e vale uma visita periódica.
Depois veio a Estação Pinacoteca (http://www.pinacoteca.org.br/?pagid=estacao_pinacoteca), ali ao lado da Sala SP. Antigo prédio do DOPS, durante a repressão, etc.,etc., etc. Enfim, história bem conhecida. Lá está o Daniel Senise (http://www.danielsenise.com/). Não gostei muito da mostra. Primeiramente, aquela coisa de arte por metragem (desculpem a maneira pouco apurada e bronca,talvez, de me referir às obras, mas me causa mesmo mal-estar essa coisa de quadros de metros, que podiam ficar no 1mx1m que já estava de bom tamanho). Depois, percorrendo a mostra (e olhem que fui e voltei, fui e voltei, pois não estava acreditando nos meus olhinhos), percebi que um Sem título, é igual a um Poça, que é igual a não sei o que mais. E assim com várias outras peças. A única coisa de que gostei de fato foi Paisagem com Levitação (acho que esse era o título), e só! Bom, o artista expôs em zilhões de lugares, tem obras suas espalhadas por várias galerias e museus do mundo todo, é cantado e decantado… Então a problemática sou eu, evidente…mas, graças, que eu só preciso gostar ou não gostar das coisas, e não tenho obrigação nenhuma de tentar entender ou apreciar o que para mim é ininteligível ou apreciável racionalmente. Viva a ignorância que me faz feliz!
O que salvou a visita pra mim foram as outras duas mostras: Amélia Toledo (http://www2.uol.com.br/ameliatoledo/home.htm), com obras interessantes, lúdicas algumas, materiais diversos, formas e contextos inusitados, e Fabrício Lopez (http://federix8.blogspot.com/2009/03/valongo-fabricio-lopez.html) com suas xilogravuras.
Agora, o duro dos três museus é que nenhum dá folders, catálogos simplesinhos das mostras em andamento. Sempre me pergunto por quê! Afinal, no SESI, no Itaú Cultural, no SESC, no CCBB, até na CEF da Sé, sempre há bons catálogos, folders, mas na Pinacoteca, na Estação, nunca! Oooh, dificuldade!!!
E last, but not least, Falstaff (Verdi) na Sala SP. Gosto de muito poucas óperas de fato, aprecio sim várias árias e uma dúzia de óperas, mas como tinha ensaio geral, eu estava por lá mesmo, era com Isaac Karabtchevsky, Alberto Schagidulin, Daniil Shtoda, Inna Los, Marisol Montalvo, a orquestrona da OSESP, não dava para perder. Antes do início teve uma “aula especial sobre Falstaff” que foi bem interessante. Quanto ao ensaio, assisti somente uma parte, justamente porque vi o que tinha de ver, entendi a mensagem, e estava bem cansada por tantas andanças. Mas foi muito bom voltar à Sala SP em grande estilo!