Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

28

de
abril

Foi a Elê que me deu de presente!

À minha amiga querida…

Porque amigos não se fazem

Vêm prontos

Porque amigos não marcam hora

Ao tempo pertencem

Porque amigos não têm confidências

Têm coincidências

Porque amigos não têm dor

Têm momentos

Porque amigos não avisam

Esclarecem

Porque amigos não existem

Persistem

Porque amigos…

Ora bolas, amigos são amigos. Companheiros da alma. Companheiros do medo. Companheiros da ilusão, da desilusão. Do que existe, do que não existe.

São pessoas, são humanos

São preciosos

São raros

E são a racionalidade no mais irracional dos momentos

E são puro sentimento, no mais vil dos acontecimentos.

(Elessandra Paula)

26

de
abril

A França não é aqui mesmo…e alguns livrinhos!

Hoje foi dia de sessão especial de cinema: Ça commence aujourd’hui! (Quando tudo começa – 1999) (http://fr.wikipedia.org/wiki/Ça_commence_aujourd’hui / http://www.imdb.com/title/tt0186730/ ). Pelo ano da França no Brasil, a Aliança Francesa, o Reserva Cultura e Fnac estão promovendo sessões de filmes que tiveram sucesso na França. A primeira série (que começou em abril – será um filme por mês e o de abril eu não vi) é sobre educação. Aproveitando o interesse de “Entre les murs” (post de 29 de março), montaram este programa com três filmes sobre o assunto. A sessão levou um público bem diversificado ao cinema: franceses, gente que estuda francês, muita gente jovem/estudantes, professores, claro! A sessão custa R$ 5,00 e dá direito a um café da manhã bastante bom (café da manhã das 10 às 11h. e filme das 11h. às 13.30h. aproximadamente). O filme é projetado em duas salas – creio que porque a procura é grande mesmo. Nem todo mundo tem direito ao tal café da manhã. Tem de comprar a entrada logo, senão só tem direito ao filme, o que não é mau absolutamente, mas o programa fica mais comum. Fiquem atentos para o próximo filme – final de maio.

O filme, que é também um documentário se poderia dizer, bem próximo do Entre os muros, trata da escola ou pré-escola no final da década de 1990. A diferença principal é que não há estrangeiros na escola, como mostra o filme atual. Ali a preocupação é com uma boa formação (pasmem, profs. brasileiros) na fase de jardim e pré-primário, que é considerada vital para o futuro das crianças. Obviamente a estrutura é completamente diferente da nossa. Mesmo o filme tratando de uma região pobre para os padrões franceses (norte do país), em um tempo de desemprego, região de minas/mineiros, ainda assim a escola que têm lá, os equipamentos, as garantias, os ganhos, o suporte administrativo, etc., etc., está a anos-luz do que vivem nossos professores. De qualquer forma, é um filme muito interessante, comovente em alguns momentos, assertivo sem dúvida, com ótimas atuações. Se encontrarem em DVD, vejam, pois vale a pena mesmo para quem não é do ramo pedagógico/escolar/educacional. Da mesma forma que no Entre les murs, muitos participantes são “reais”, isto é alunos, alguns profs., gente da comunidade, não as personagens principais que são representadas por atores mesmo, diferente do filme atual. Muito interessante para dizer o mínimo, pedagógico (desculpem o trocadilho) em muitos aspectos. A mensagem é: tem de ser profissional, aquilo tudo é trabalho e tem de ser feito com competência e criatividade. Mesmo com dificuldades, isso é possível se a postura for essa. Dá para pensar!

E voltando ao meu post de ontem, já li alguns livros dos que comprei após visita à mostra Era uma vez do CCBB. Li dois: 1001 noites à luz do dia – Sherazade conta histórias árabes (Katia Canton, arte: Beatriz Milhazes) e Contos que brotam nas florestas – na trilha dos irmãos Grimm (Katia Canton e arte: Denise Milan). Nos dois, a autora introduz várias histórias resumidamente, o que é interessante, pois a criança ou leitor que quiser, se interessar, poderá procurar uma delas e lê-la na íntegra. É um jeito esperto de contar as histórias e despertar a curiosidade do leitor. E as ilustrações são um caso à parte: lindas mesmo! Já fazem valer os livros. Tenho mais um monte para ler. No final faço um arrazoado. Mas pela amostra, acho que vou gostar de todos. Ah, sim, após ler os livros vou passá-los para as crianças que conheço (Ju x 2, Olívia, e quem mais aparecer por aí).

Outro livro que acabei de ler foi Calvin e Haroldo – Yukon Ho (quadrinhos). Eu já havia lido (relido) uma das coletâneas de quadrinhos (post 1º. de março – último parágrafo). Este também é muito divertido. Espero que possam perceber o estilo do garoto Calvin e seu tigre de pelúcia Haroldo. Hilariante!

25

de
abril

Retina afogada em beleza!

Fazia algum tempo que eu não ia ao centro da cidade, mas hoje foi o dia! Uma delícia! Primeiramente o CCBB (BdoBrasil). Uma delícia de exposição: Era uma Vez – Arte conta Histórias do Mundo (http://www44.bb.com.br/appbb/portal/bb/ctr2/sp/DetalheEvento.jsp?Evento.codigo=33159&cod=7). Pra quem teve infância, como eu tive, pra quem ouviu, viu, leu contos de fadas a exposição é um bálsamo, um carinho na memória. Apesar de ter de tudo, inclusive vários brinquedos bem diferentes, bem transados, para as crianças (meninos e meninas) se divertirem, acho que meninas aproveitam mais. Pode ser um pré-conceito bobo, mas é o que me parece. De qualquer forma, a exposição está espalhada pelos 3 andares. E como o CCBB monta exposições bem, as salas estão lindas, as cores das paredes, as decorações…tudo uma maravilha! Realmente um mundo de fantasia!

Em cada andar há uma temática: os contos de Perrault (http://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Perrault), autor de histórias como: Chapeuzinho Vermelho, O Gato de Botas, Cinderela e tantas outras. Além da biografia do autor, áudios que contam sobre o autor e/ou sua obra, e ilustrações maravilhosas da época e de artistas brasileiros da atualidade (Nazareno, Renata Pedrosa, Tunga, Leda Catunda, Pinky Wainer, Guto Lacaz, e vários outros). No outro andar vem Andersen (http://pt.wikipedia.org/wiki/Hans_Christian_Andersen ). Autor de O Patinho Feio, Soldadinho de Chumbo, e muitas outras histórias. A biografia apresentada no CCBB dá conta de uma pessoa bem triste, com uma vida bem infeliz, uma pessoa quase infeliz. Será? De qualquer maneira, sua herança é preciosíssima para a literatura, para as crianças, e para quem gosta de ler.

Depois vêm os irmãos Grimm (http://pt.wikipedia.org/wiki/Irmãos_Grimm ), que escreveram, entre tantas coisas: Rapunzel, João e Maria e Os Músicos de Bremen (aliás estive lá e muito gira em torno dos irmãos) e reescreveram/resgataram muitas histórias, tornando-as conhecidas e acessíveis a todos. Os Grimm trabalharam muito pela língua alemã e criaram uma literatura infantil alemã, que acabou se espalhando e agradando o mundo.

Vejam que sites legais sobre os contos dos Grimm: http://www.grimmfairytales.com/en/main + http://www.umich.edu/~umfandsf/other/ebooks/Grimm/

A curadora da mostra é a Katina Canton, autora de vários livros (comprei vários pra ler). Um primor de curadoria. Não perca! Vai até 21 de junho.

Depois, uma coisinha mais cabeça, certo? Então fui ao Centro Cultural da CEF (Praça da Sé ) (http://www.caixacultural.com.br/html/main.html ). Primeiramente Carlos Leão: nossa, imagens lindas, lindas, lindas…eu gostaria de ter todas aqueles desenhos aquarelas, pinturas pra olhar todos os dias, sempre que eu tivesse vontade. Maravilhoso!!! Depois, duas mostras fotográficas: Edward Curtis / Legado Sagrado, sobre os índios americanos (linda mesmo, inclusive pelos tipos de fotos (platina, dourado, fotogravura, etc. ) que ele produziu considerando a época em que foram produzidas (segunda metade do século XIX e começo do XX). Um homem destemido, que foi atrás de seu objetivo – fotografar o índio americano com uma estética primorosa. A outra fotógrafa é a Cláudia Andujar, que fotografou os Yanomamis. Bonito também, mas o trabalho do americano é emocionante. E last but not least, o gravador Burle Marx. Lindas litogravuras. Uma surpresa pra mim, que não conhecia esse trabalho de BMarx.

Bom, acho que já deu por hoje…guardei beleza na retina pra mais de metro.

nota:  é tudo gratuito.

24

de
abril

Caraminholas!!

(http://www.aulete.portaldapalavra.com.br/site.php?mdl=aulete_digital&op=loadVerbete&pesquisa=1&palavra=caraminhola)

Estava eu sem fazer nada, final de dia, olhando pra ontem, para as árvores, para os pássaros, ouvindo os ruídos do mundo, quando me veio a tentação de pensar um pouco na vida. Isso nunca dá certo…sempre vem alguma ideia escalafobética, alguma invencionice que pode ou não dar certo (normalmente são ideias um tanto extemporâneas, que com refinamento podem resultar bem). Enfim, esse tipo de atividade é um terreno fértil para a insensatez.

Bom, agora que já usei um monte de palavrinhas singulares e esquisitas, e démodées, vamos ao que interessa.

Como estou no meu inferno astral (versados em estudos astrológicos sabem bem o que é isso), a vida vai girar em breve, vou botar os pés em um novo ano de circulação pelo universo, comecei a reavaliar a vida pregressa. Nunca faço isso de fato, mas o peso dos anos acaba levando a gente a isso. O que fiz, o que tenho feito, o que farei. Nossa, é quase uma frase shakespeareana! Como tenho olhado para as pessoas, como quero que me vejam, o que importava, o que importa, o que não importa mais. Como sou muito visual, tenho de fazer listinhas e fiquei surpreendida com a mudança no meu próprio eixo. Engraçado como tem coisas de que a gente não consegue se libertar. No meu caso: rigor no trabalho, exigência de qualidade para tudo, atitudes que a gente espera das pessoas como se elas fossem a gente, intolerância com quem não tem atitude ou não se julga responsável por sua vida, gente que está a passeio por aqui, blasé, amorfa, etc., etc.. Mas algumas coisas são tão fáceis de ser deixadas para trás! Pessoas nem tanto, mas dá para ir deixando devagar, sem se machucar, se convencendo pouco a pouco. Claro que do outro lado do balcão isso também acontece, i.e., tem gente que vai deixando a gente pelo caminho, do mesmo jeito. Às vezes a gente não entende a mensagem, e fica se debatendo por ou com algo que não está mais lá. Mas que fazer?

Esta conversa está meio “esotérica”, mas digressão é pensamento evasivo, provê rumos para o subterfúgio, enfim, a gente começa a perceber coisas que estão no nosso nariz e a gente se recusa a enfrentar. E insight é comigo mesmo. Pra mim, deixar determinados hábitos de lado nem é tão difícil, o mais difícil é desistir de pessoas. Elas são vivas, são seres pulsantes, eu me alimento do que elas me dão, então perder esse investimento é quase mortal, talvez até por uma questão puramente pragmática, i.e., vai ser prejuízo certo, fluxo de energia menor, investimento sem retorno. Credo, isso ta parecendo papo de vampiro! Enfim, pessoas pra mim têm um valor inestimável, se comungamos alguma coisa, claro! Mas, de tempos em tempos, a gente tem de fazer uma limpeza na vida, senão o tal inferno astral não vai embora. Além disso, já não tenho nem energia, nem tempo pra desperdiçar…e nem paciência. Melhor guardar pra mim e não gastar à toa.

Afffeee!!! Que conversa mais sem pé nem cabeça! Mas de vez em quando é preciso. Não dá pra racionalizar sempre, enjoa, cansa, não dá pra escapar dessas espirais. Gente é complicada mesmo; se não for, não é gente, não.

22

de
abril

De Aleijadinho a Verdi!!

Ontem foi um dia megacultural. Eu diria que quase uma overdose, mas foi muito bom! Aproveitando o feriado, o tempinho esquisito, deu pra visitar vários locais sem me cansar muito. Primeiramente fui ao Museu de Arte Sacra (http://www.museuartesacra.org.br/). Havia ido lá há uns quatro ou cinco anos. O museu estava bem à época, creio que havia passado por uma revitalização. Mas hoje, surpreendeu-me. Fui para ver a obra sacra de Anita Malfatti, mas vi muito mais. O museu está com a mesma segurança e organização da Pinacoteca, da Estação Pinacoteca. Detectores de metal na entrada, há monitores por todos os lados, que são gentilíssimos e estão prontos a tirar qualquer dúvida. A única coisa bizarra são os avisos que se recebe logo ao entrar: não se pode tocar em nada, fotografar, filmar, ou parar para anotações (hein?!). Como assim, se uma das coisas que pessoas fazem em museus no mundo todo é anotar, desenhar? Bem a mostra da Malfatti, dos retábulos (Google, pls) e do barroco paulista está maravilhosa! Super bem organizada, sinalizada. A sala com as luminárias está fantástica. Mas apesar de toda a estrutura que mencionei, inclusive segurança (câmeras para todos os lados), a gente percebe um certo nervosismo nos monitores. Há várias salas, digamos assim, em que as peças estão expostas. Basta você entrar em uma delas e lá vem um monitor grudar em você. Não que incomode, absolutamente, mas dá uma sensação esquisita…parece que estão esperando a gente atacar alguma coisa, ou meter alguma coisa no bolso ou na bolsa…sei lá, vai ver que aconteceu algo que não foi divulgado, ou é simplesmente uma orientação para ficarem muuuitooo atentos para atender o público. Outra coisa que não pode deixar de ser visitada é o presépio napolitano de 1.620 peças, e a coleção de presépios de várias partes do mundo (deve haver algumas dezenas) no subsolo do museu, onde estão arcos recuperados da construção do prédio. Também dá para ver o jardim usado pelas religiosas que ainda vivem ali. São elas que preparam as pílulas de frei Galvão, que são distribuídas gratuitamente ao público (eu peguei um monte, afinal mal não vai fazer…). Tem a capela erigida por frei Galvão, onde as pessoas podem fazer sua oração, mas isso, diferentemente do museu que pertence ao Estado, é da ordem religiosa. Então se você quiser visitar o acervo relativo a frei Galvão (ao lado da roda onde se pegam as pílulas), tem de comprar uma entrada separada. Por que não fazem uma entrada só, mais cara (R$ 6,00) para facilitar a vida do visitante? Aí um (Estado/ordem religiosa) repassa para o outro o valor referente às entradas. As simple as that!

Há duas lojinhas também. A do MAS mesmo é pequena, mas tem coisas interessantes, mais transadas, com a marca do museu. A outra, pertencente à ordem, é mais voltada para o tema religioso, meio empoeiradinha, mas também tem algumas coisinhas interessantes (quando eu fui lá da última vez, só havia esta).

Bom, resumindo: como gosto muito do barroco brasileiro, o museu é muito querido pra mim. Acho o prédio bonito, as visitas são sempre muito ricas, de encher os olhos com tanta beleza. E desta vez fiquei bem satisfeita, pois o MAS se profissionalizou, está mais organizado, mais bonito.

Ah, sim, há outro aspecto folclórico, eu diria: há dois banheiros – um da ordem (gratuito) e outro do Estado (paga-se R$ 1,00 para usar). Não fui ao da ordem, mas o do MAS estava limpíssimo, tem até uma decoração simpática, e uma atendente muito gentil. Importante dizer que se pode estacionar dentro da área do MAS. O estacionamento é bem amplo. Também há a indicação de “Café”, mas não se engane, é um balcãozinho tosco, com umas coisas estranhas para comer (até podem ser boas, mas são meio desencorajantes), e um espaço em que há água e refrigerantes pra venda. Um negócio canhestríssimo!

Depois de visita tão compensadora, foi a vez do meu museu favorito: Pinacoteca (http://www.pinacoteca.org.br/ + http://www.pinacoteca.org.br/?pagid=exposicoes). Fui lá para ver Léger (http://oseculoprodigioso.blogspot.com/2005/05/lger-fernand-cubismo.html / . Pensei que já estava aberta uma exposição de fotos produzidas por brasileiros e franceses, em comemoração ao ano da França no Brasil, mas só daqui a alguns dias. De qualquer forma,foi interessante ver as obras de Léger. Agora dizer que Tarsila do Amaral se inspirou em Léger é um tanto quanto demais ou de menos! Como se inspirou, copiou mesmo, assumiu o estilo…levei até um susto ao ver três obras da artista ao lado das dele. Que coisa!! E mais, da mesma forma que Léger usou “referências” de outros artistas, outro susto: numa tapeçaria logo à entrada da exposição, as figuras humanas representadas na parte superior são de Niki de Saint Phalle (aliás tem obra dela no pátio interno do prédio / http://en.wikipedia.org/wiki/Niki_de_Saint_Phalle), que eu adoro. Quem será que veio primeiro? Acho que foi Léger mesmo neste caso… E, mesmo sem nunca ter estado no Brasil, o artista tem várias intervenções em São Paulo, sobretudo. Agora o que achei bonito mesmo foi a série Le Cirque, ilustrações produzidas para poemas de Cendrars. Nossa, lindo mesmo!

Separadamente tem também Paisagens e Panoramas, com obras do acervo do museu, que aliás é um acervo bem interessante e vale uma visita periódica.

Depois veio a Estação Pinacoteca (http://www.pinacoteca.org.br/?pagid=estacao_pinacoteca), ali ao lado da Sala SP. Antigo prédio do DOPS, durante a repressão, etc.,etc., etc. Enfim, história bem conhecida. Lá está o Daniel Senise (http://www.danielsenise.com/). Não gostei muito da mostra. Primeiramente, aquela coisa de arte por metragem (desculpem a maneira pouco apurada e bronca,talvez, de me referir às obras, mas me causa mesmo mal-estar essa coisa de quadros de metros, que podiam ficar no 1mx1m que já estava de bom tamanho). Depois, percorrendo a mostra (e olhem que fui e voltei, fui e voltei, pois não estava acreditando nos meus olhinhos), percebi que um Sem título, é igual a um Poça, que é igual a não sei o que mais. E assim com várias outras peças. A única coisa de que gostei de fato foi Paisagem com Levitação (acho que esse era o título), e só! Bom, o artista expôs em zilhões de lugares, tem obras suas espalhadas por várias galerias e museus do mundo todo, é cantado e decantado… Então a problemática sou eu, evidente…mas, graças, que eu só preciso gostar ou não gostar das coisas, e não tenho obrigação nenhuma de tentar entender ou apreciar o que para mim é ininteligível ou apreciável racionalmente. Viva a ignorância que me faz feliz!

O que salvou a visita pra mim foram as outras duas mostras: Amélia Toledo (http://www2.uol.com.br/ameliatoledo/home.htm), com obras interessantes, lúdicas algumas, materiais diversos, formas e contextos inusitados, e Fabrício Lopez (http://federix8.blogspot.com/2009/03/valongo-fabricio-lopez.html) com suas xilogravuras.

Agora, o duro dos três museus é que nenhum dá folders, catálogos simplesinhos das mostras em andamento. Sempre me pergunto por quê! Afinal, no SESI, no Itaú Cultural, no SESC, no CCBB, até na CEF da Sé, sempre há bons catálogos, folders, mas na Pinacoteca, na Estação, nunca! Oooh, dificuldade!!!

E last, but not least, Falstaff (Verdi) na Sala SP. Gosto de muito poucas óperas de fato, aprecio sim várias árias e uma dúzia de óperas, mas como tinha ensaio geral, eu estava por lá mesmo, era com Isaac Karabtchevsky, Alberto Schagidulin, Daniil Shtoda, Inna Los, Marisol Montalvo, a orquestrona da OSESP, não dava para perder. Antes do início teve uma “aula especial sobre Falstaff” que foi bem interessante. Quanto ao ensaio, assisti somente uma parte, justamente porque vi o que tinha de ver, entendi a mensagem, e estava bem cansada por tantas andanças. Mas foi muito bom voltar à Sala SP em grande estilo!

20

de
abril

Uma segunda como poucas!

Uma segunda de folga (já devidamente compensada, esclareço!)! Nossa, é preciso pouco para
ser feliz mesmo…

Começou com muita preguiça. Agora dei pra isso! Mas mesmo com toda a morosidade que se abateu sobre mim, o dia foi muito bom. Começou de fato com um almoço no Wolf’s Garten (http://www.wolfsgarten.com/). Eu pretendia visitar esse restaurante durante
a SP Restaurant Week, mas não deu. Mas hoje foi um dia ótimo para experimentar, primeiramente pela companhia, em segundo lugar porque havia menos restaurantes abertos, tanto por ser segunda quanto por estarmos no meio de um feriadão, então as escolhas ficaram reduzidas o que nos levou ao
WG, e por último porque hoje tudo estava mais tranqüilo na cidade, inclusive a frequência nos restaurantes. O lugar é bem bonito, e o atendimento foi muito gentil e preciso. A comida também é muito gostosa, saborosa e com certa originalidade até para pratos conhecidos. O pacote bufê de saladas, prato quente (há várias opções, para todos os gostos), e sobremesa sai de R$ 24 a R$ 27,00, sem bebida. No final, a conta para um almoço muito gostoso, em um lugar bem charmoso, sai por volta de R$ 35,00/pessoa, serviço incluído. Vale a visita.

Depois um cineminha, que o dia pedia…Divã (http://www.imdb.com/title/tt1278336/+ http://oglobo.globo.com/cultura/kogut/post.asp?t=lilia_cabral_fala_da_construcao_de_seu_personagem_no_filme_diva&cod_Post=97757&a=12 + http://www.cinemacomrapadura.com.br/noticias/15443/lilia_cabral_traz_peca_de_teatro_para_as_telas_de_cinema),
baseado no livro de Martha Medeiros. A peça foi encenada por vários anos e esteve aqui em SP também. Tanto na peça, quanto no filme, o papel principal é da Lilia Cabral. Gosto muito dela como atriz, e todas as vezes que a vi dando entrevistas, declarações, a imagem dela como pessoa positiva,

alegre, de bem com vida, mesmo que a vida não esteja tão de bem com ela, só foi reforçada. Da mesma forma que a Zezé Polessa em Não sou feliz, mas tenho marido), a Lilia Cabral é a Mercedes/personagem principal, e a Mercedes é a Lilia Cabral. Ou seja, pessoas certas, nos lugares certos. A LC valoriza e passa como ninguém a mensagem do livro da Martha Medeiros.

Verdade que fiquei um pouco receosa de ver o filme, pois a peça e o livro foram tão bons que veio o receio de não gostar do filme. Os trailers que vi não me pareceram fazer jus à memória que eu tinha da peça e do livro. Mas um amigo já havia visto o filme e gostado bastante, recomendou que visse o filme; o horário hoje deu certinho pra mim; então vamos lá! O Universo conspirou a favor.

E deu mesmo para divertir muito, rir de monte, e até chorar um pouquinho (não posso ver gente morrendo de doença em filme que o chororô é automático – ainda resquícios da morte da minha mãe. Já ficou tudo para trás, já faz 15 anos, mas a coisa ficou automática mesmo, não dá para controlar de jeito nenhum…enfim….). Todos estão bem no filme: a Lilia Cabral, o José Mayer (de quem nem gosto muito), o Giannechini e o Cauã Reymond cumprem seus papéis de galãs geradores de bilheteria. A Alexandra Richter, que faz Mônica, amiga da Mercedes/LC, também está excelente. Um filme ótimo pra distrair e para pensar também. A vida está boa? Que bom, mas não se acomode, reveja, repense, pois você pode estar vivendo só um engano, pode ser um produto com prazo de validade vencido, e só quando os efeitos negativos forem muito perceptíveis você vai se dar conta, aí é possível que já não tenha tempo, energia, coragem para corrigir a rota. Também se ratifica (e isso não muda, não, desde que o mundo é mundo) que um amigo de verdade, daqueles pra confiar, para colocar a vida nas mãos, é insubstituível, é vital, é parte da gente, e bem difícil de encontrar por aí. Então, se encontrou o seu, não largue por nada, nunca, mesmo que o nunca seja muito muito tempo! E todo mundo tem um lugar e um peso na vida da gente, para o bem ou para o mal, mas tem; essas pessoas são parte de nosso tecido, de nossa vida, da experiência que vai estar gravada na memória de nossos genes para sempre, mesmo que o sempre seja muito muito tempo! Vale a ida ao cinema, não perca!

19

de
abril

Uma mina de diamantes!

Bem, hoje foi dia de almoçar no Simão (post de 11 de abril). O plano (uauauauauaua!) é ir lá até provar todas as massas com todos os molhos. As massas são feitas lá mesmo, e são uma delícia!

O dia estava lindo então, depois do Simão, caminhar um pouquinho e ir para o Eldorado (shopping). Não ia lá há quase uma década. Na última vez fui lá quando o teatro reinaugurou - recentemente houve outra reinauguração. Esse shopping ficou na minha memória como algo angustiante. Eu ia lá quando comecei a trabalhar na Credicard – Faria Lima, 1985. À época não havia shoppings, fast foods, self-services, nem lanchonetes como há hoje. A gente ia a um restaurante no térreo (não me lembro o nome), e o shopping não era como hoje (com tantas lojas, praça de alimentação, cinemas, teatro, etc.). Algumas vezes que fui lá, anos depois, sempre consegui me perder. Nunca me achei com a planta do shopping. Mas lá fui eu. Já que ia ao teatro mais tarde, aproveitei para ir ao cinema, que lá é Cinemark. Vale dizer que, como cheguei bem cedo, aproveitei para dar uma volta por dois pisos. Fiquei surpresa com a quantidade e qualidade das lojas. Deu até para fazer umas comprinhas. Também fiquei surpresa com o número de pessoas circulando e comprando. Normalmente isso não acontece em outros shoppings em final de semana. Se há circulação, não há muita gente comprando. Dei um giro pela praça de alimentação e me pareceu muito boa também.

Bem, ao filme: Knowing (Presságio – tá vendo! Não digo que o pessoal de titulagem é supercriativo por aqui!? - http://www.imdb.com/title/tt0448011/). Eu gostei do filme. Tem umas babaquices de fim de mundo, uns alienígenas esquisitões, mas no geral é bem emocionante, bem dinâmico, e interessante. O Nicholas Cage está bem. Só o corte de cabelo que está uma coisa! Parece que puseram uma tigelinha na cabeça e cortaram o cabelo dele. Os efeitos especiais e a trilha sonora são ótimos! O Chandler Canterbury que faz o filho do NC é uma graça e está bem no papel. Como eu disse, tem umas coisas inacreditáveis, e.g., quando o NC sai correndo atrás de uns homens suspeitos (os alienígenas) pelo meio do mato, no escuro, com um revólver na mão. E isso porque ele é um astrofísico do MIT, ou seja, pessoa inteligente, informada, racional. Dá para acreditar? Mas,no geral, eu diria que uns 70% do filme são palatáveis. Minha amiga Ana odiou o filme. Além das babaquices, acho que ela não gostou da parte em que o NC descobre um monte de coisas usando um GPS, item que é inimigo no. 1 de minha querida amiga “desubicada”. Acho que ela captou a mensagem de que você pode ser varrido da face da Terra se não souber usar um GPS…(brincadeira!!!!). Como eu disse, não digo que é um filmaço, mas dá para passar o tempo e não me aborreceu, nem precisei usar o cérebro.

E o melhor estava por vir: encontrar meus queridos amigos, que me fizeram uma deliciosa surpresa, e ver Beatles num céu de diamantes (http://www.beatlesnumceudediamantes.com.br/), que está no teatro do Eldorado. Embora não seja um musical como estamos acostumados, com enredo em que músicas vão se encaixando, é muito bonito. Basicamente é uma viagem por todo o repertório dos Beatles, com excelentes cantores e cantoras, que foi explorado inteligentemente por C. Möeller e C. Botelho, que conceberam o espetáculo. Na verdade, como os Beatles produziram por quase duas décadas, evoluíram, eram bons mesmo, suas músicas por si já são bonitas, inteligentes, algumas sofisticadas, e o que a dupla fez foi aproveitar ainda mais essa mina, ou diamantes, como queiram. E souberam fazê-lo. O cenário é minimalista, não é dinâmico, o guarda-roupa não se altera muito, só um detalhe aqui, outro ali, os músicos/cantores sim são excelentes, um time superazeitado. Claro que quem aproveita mesmo é o público de mais de 35, gente que ouviu os Beatles “ao vivo”. Havia até uma ou duas músicas que eu não conhecia, ou das quais não me lembrava. O resto foi pura emoção, reviver a musicografia do grupo no melhor estilo! Como em musicais tipo Mamma Mia, apesar deste ter um formato bem diferente, mais linear, dá vontade de sair cantando e dançando, ou ouvir tudo de novo. Recomendo, recomendo, recomendo!

Depois uma passada básica no The Fifties (http://www.thefifties.com.br/fla/index.htm ). Fazia muito tempo que eu não ia a uma das casas da rede. Deu para matar saudade do hambúrguer e do milk shake, e das fritas. Uma delícia!

18

de
abril

Mas é metáfora, metonímia, sinédoque ou o quê?

Claro que você sabe o que é sinédoque! Mas com tantas metáforas aplicadas pelo governo federal, ou seja, o uso continuado da mesma figura, melhor dar uma lembradinha.

Sinédoque : ocorre sinédoque quando há substituição de um termo por outro, havendo ampliação ou redução do sentido usual da palavra numa relação quantitativa. Encontramos sinédoque nos seguintes casos:

o todo pela parte e vice-versa: “A cidade inteira 1 viu assombrada, de queixo caído, o pistoleiro sumir de ladrão, fugindo nos cascos 2 de seu cavalo.” (J. Cândido de Carvalho) 1 O povo. 2 Parte das patas.

o singular pelo plural e vice-versa: O paulista 3 é tímido; o carioca 4, atrevido. 3 Todos os paulistas. 4 Todos os cariocas.

o indivíduo pela espécie (nome próprio pelo nome comum): Para os artistas ele foi um mecenas 5. 5 Protetor.

Modernamente, a metonímia engloba a sinédoque. (fonte: www.coladaweb.com/porgramatica/figuras_de_linguagem.htm)

Então, num país tão “culto” quanto o nosso, em que até as metáforas governamentais são de baixíssima qualidade, o que leva alguém a manter praticamente o título original de um filme, o que deu Sinédoque, Nova York? Onde está aquela criatividade tão comum aos tradutores de filmes? Pelamor!!!

O fato é que o título, no original ou em português, Synecdoche, New York (pronunciation: http://www.merriam-webster.com/cgi-bin/audio.pl?synecd01.wav=synecdoche) (http://www.imdb.com/title/tt0383028/) reflete bem o que se passa no filme. Os comentários dos meus vizinhos de platéia não foram positivos: duas senhoras à esquerda: confuso; eu já teria ido embora se estivesse sozinha; muito pretensioso; isso é abuso de poder (devido às duas horas do filme). Do meu lado direito: pesado mesmo; pesado; nossa muito pesado…

Bom, eu mesma conheço várias pessoas que ou ficariam muito aborrecidas com o filme ou sairiam no meio da sessão. Normal, afinal é um filme confuso mesmo, ou no mínimo dinâmico demais. Phillip Seymour Hoffman, que para mim, há algum tempo, é ator de um tipo só (e olha que eu já gostei muito de alguns filmes dele), está bastante bem. Acho até que é o ator perfeito para o Caden Cotard. Também estão bem, apesar da barafunda em que se transformam suas histórias, Samantha Morton (esta com uma maquiagem ou caracterização ótima mais para o final do filme), Dianne Wiest, Michelle Williams. É uma história, dentro da história, dentro da história, dentro da história… Woody Allen também faria a festa com um argumento assim, acho. Tem uma casa que pega fogo continuamente (filósofos ou psicólogos ou terapeutas de plantão: qual o significado? Eu imagino um, mas deve haver mil leituras para isso), um cenário que reproduz o mundo real, personagens (milhares) que reproduzem pessoas do mundo real, a representação sentimentos que reproduzem sentimentos reais. No final tudo vira um amálgama. Fica difícil até para os personagens/atores saberem o que é verdade e o que é ficção. Bom, muitas vezes na vida da gente é assim também. Talvez não tão fortemente, mas que acontece, acontece.

É um filme em que se tem de ficar atento o tempo todo, então se torna um pouco cansativo. Além disso, acho que são duas horas de filme mesmo.  Então, só vá se estiver a fim de se inquietar, de pensar b a s t a n t e, e prestar muita atenção. Não dá para divertir apenas. E concordo com meus vizinhos: pesado, pretensioso, confuso, mas, para mim, ainda um filme interessante.

18

de
abril

Que escândalo!

Há 2 anos vi o filme Notas sobre um Escândalo (Notes on a scandal - http://www.imdb.com/title/tt0465551/). À época, até onde me lembre, fui ver o filme porque era estrelado pela Judi Dench, que eu adora, e a Cate Blanchett, de quem gosto mais como atriz a cada dia, além de ser uma mulher belíssima!. O tema me pareceu um tanto folhetinesco, mas as duas atrizes não poderiam ter se envolvido em um “barco furado”. O filme foi muito interessante, um thriller, cheio de sutilezas, de olhares, de meias atitudes, enfim, um filme denso e bem emocionante. A história trata do caso de uma professora, já madura, com um aluno adolescente. A professora, representada por Blanchett, acaba sendo atraída pelo menino de uma forma irracional, como só poderia ser, e transforma tudo aquilo em uma doideira: atração e desejo físico quase incontroláveis, atitudes infantis, irresponsáveis, e o assunto vira caso de polícia. E olhem que a professora, Sheba, tinha uma vida muito harmoniosa e completa com o marido e os filhos. Vai saber o que deu na cabeça dela…Se não me engano, mais ou menos por essa época ou um pouco antes, os noticiários trouxeram manchetes sobre uma professora, não sei se nos EUA ou Inglaterra (o filme se passa na Inglaterra), de uma professora que teve um filho com um aluno adolescente, foi presa, julgada, e depois de um tempo teve outro com o mesmo aluno. Um imbróglio que nem o pobre Freud explicaria. Enfim…

Há alguns meses vi o livro em que o filme foi baseado (Notes on a Scandal – Zoë Heller) e fiquei interessada em lê-lo. Só curiosidade mesmo. E foi uma surpresa. O livro é muito bom. Apesar de ter lido a tradução (por Léa Viveiros de Castro), o texto se mostrou muito fluido, muito sutil, mais que o filme eu diria, e, claro, o final e alguns aspectos são bem diferentes do filme. No filme, a Judi Dench dá sensibilidade e leveza a uma personagem quase folclórica, que poderia parecer ridícula,grotesca em outras mãos. Mas fica a implicação de homossexualidade ou um distúrbio sexual de alguma ordem até o final. No entanto, o livro descarta totalmente essa possibilidade, tanto pela boca da própria personagem, Bárbara, quanto pelo desenrolar da história. Há bastante emoção também, intrigas, tudo muito bem balanceado, e a história segue por um caminho bem refinado. De novo, poderia ser um folhetim grosseiro, mas não o é. O final é diferente do filme, mas muito coerente com as personagens. E fica claro que a Bárbara nada mais é que uma mulher solitária, um pouco por opção, mas que precisa de convivência e é em Sheba que encontra isso. De uma forma egoísta, um tanto dissimulada, desleal eu diria, mas não mais do que tantas pessoas fazem por aí em tantas situações de vida, no dia-a-dia, para conseguir seus objetivos. O livro tem o formato de um diário não muito rígido, é dinâmico.

Embora sejam bastante diferentes em conteúdo e enfoque, os dois, filme e livro, são bons, mas gostei mais do livro.

Aliás, este livro tem uma história peculiar. Normalmente não costumo perder coisas, nada mesmo. Mas um dia, quando saí, levei o livro para ler entre uma atividade e outra. Na primeira parada (banco para sacar dinheiro), esqueci o livro num apoio. Só me dei conta quando já estava longe do local. Pensei: Ah, não vou voltar pra pegar. Aí tentei comprar o livro em algumas livrarias mas nenhuma tinha a obra. Não teve jeito, tive de encomendar, até porque estava num ponto bem bom do livro, e não queria parar de ler. Além disso, já havia percebido que o livro era bem diferente do filme, e estava gostando muito do texto. Finalmente o livro chegou e pude terminar de ler. Foi uma leitura meio cara (2 x preço do livro), mas valeu a pena. E espero que minhas perdas “literárias” parem por aí.

17

de
abril

Guerra de Gigantes!

Os dois garotos sempre brincavam juntos.  Estudavam, mas ainda estavam na fase dos estudantes que têm muito tempo para brincar e se divertir.  Não estudavam na mesma escola, mas eram vizinhos, desde que nasceram, então era levantar, sair pra escola, meio a contragosto, aliás muito a contragosto, tentar prestar atenção às explicações dos professores, brincar e brigar com os colegas, tomar lanche, voltar pra classe, e esperar minuto a minuto, segundo a segundo, o sinal que encerrava as atividades.  E sair correndo, feito foguete pra casa.

Chegando em casa, outros rituais que nenhum dos dois apreciava: tomar banho, almoçar, ouvir 10 mil recomendações das mães sobre coisas que eles já sabiam de cor e salteado, e só não faziam do jeito que elas queriam porque não eles queriam, oras!  E aí vinha a parte mais difícil: fazer o dever de casa!  Aaah, ninguém merecia isso.  Pro Um, se a lição fosse de matemática, era uma festa. Disso ele gostava: números, números, números.   Mas pro Outro isso era um sofrimento!  Agora, se a lição fosse de português, aí era o inverso. O Outro gostava de escrever, de fazer aqueles exercícios de completar, análise morfológica, redações.  E como gostava de ler e resumir, ou tentar resumir, seus livros infantis!  Enfim, até nisso se completavam.  E um ensinava ao outro, ou tentava,o que sabia de uma e outra matéria. No final, os dois iam muito bem na escola, simplesmente porque se apoiavam mutuamente.

Mas o melhor de todo dia era quando - se não estivesse chovendo, claro! - os dois saiam para brincar. Moravam em um bairro tranquilo, o que é quase ficção em uma cidade como São Paulo. Simples, mas tranquilo. A vizinhança olhava por todos, e havia um parque bem dimensionado, bonito e também bem cuidado pelos moradores.  Tinham um mundo pra brincar e se divertir!

Mas na hora da brincadeira, a coisa mudava!  Só gostavam de brincar de batalhas, lutas.  Tornavam-se inimigos ferozes, ou quase…Para não dar muita briga, ficava combinado que cada dia um era o vencedor, não importava o que acontecesse.  Desse jeito, as brincadeiras eram sempre divertidas, e , imaginem!, ficavam em paz Um com o Outro, esperando o dia seguinte para se enfrentar de novo.  E assim a rotina do dia-a-dia não acabava com a fantasia, nem com a alegria, nem com a amizade.

E depois do final das brincadeiras Um e Outro gostavam de relembrar as batalhas, reavivar suas cores, e adcionair mais algumas evidentemente.  Era um prazer diário!  E quando vinha o finalzinho da tarde, e o chamado das respectivas mães, despediam-se na maior alegria, com o maior carinho, já sonhando com o dia seguinte, com o novo encontro, com a nova batalha, com as emoções e o riso frouxo garantido.

Estavam com 7, 8 anos e não imaginavam - nem queriam - o que a vida faria com eles um dia.  Só sabiam que queriam aproveitar cada momento juntos, e voar, voar, voar com sua imaginação e seus sonhos.

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