Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

14

de
março

E a Restaurant Week está terminando!!!

Bem, esta foi a noite do AK Delicatessen (www.akdelicatessen.com.br/ ), ali na rua Mato Grosso. Um lugar pequenininho, mas bem ajeitado, as toalhas mais bonitas que vi em mesas ultimamente, atendimento cordial. A reserva (por telefone) também foi muito atenciosa. E, pasmem, ligaram para reconfirmar a reserva poucas horas antes do horário que eu havia reservado. É comida judaica. O que comemos não tinha muito de judaico, mas estava bem gostoso. Primeiramente, um ceviche muito bem temperado, com romã, coentro na medida, enfim…uma delícia! Aliás, fui lá para comer isso.

Depois uma massa leve ao limão, com tomates frescos, e para finalizar uma torta de maçã verde. Em geral não gosto de torta de maçã porque acho maçuda e doce demais, mas essa estava bem leve e azedinha por causa da maçã verde. Bem gostosa mesmo. O serviço foi atencioso de começo a fim. Quero voltar lá para comer as iguarias judaicas. Quem foi, aprovou.

Agora é esperar a próxima Restaurante Week, no segundo semestre (em SP). O que se tirar deste evento é que: quem respeita o cliente, sabe trabalhar terá o cliente de volta, tornará a casa conhecida e poderá ter sucesso em sua empreitada. Aquele que, de uma forma ou de outra quer tirar vantagem da promoção, ganhar só na hora, ou acha que os clientes são bobos, principalmente num momento econômico como o que estamos vivendo, só perdeu dinheiro ou no mínimo deixou de ganhar, o que para qualquer negócio dá quase na mesma.

Uma coisa que não esperava, tão desacorçoada que estou com a prestação de serviços nacional, foi a gentileza, cortesia, atenção e preocupação com os clientes em 99% dos estabelecimentos visitados durante estas duas semanas. A comida, propriamente, eu até achei que seria boa ou muito boa na maioria dos restaurantes, mas não esperava a boa qualidade de serviços que encontrei. Eu fui só a seis casas (Julia Gastronomia, Le Poème, AK, Tambiú - nesta três vezes, Rosmarino, Casinha de Monet Bistrô), mas, obviamente, tem gente que foi a muitas mais. Quem pode, pode, não só por dispor de $, mas por que tem tempo para empregar em tão prazerosa atividade. De qualquer forma, algumas das casas da RW eu já conhecia (NamThai, o próprio Le Poème, Abruzzi, Arabia(s), Braverie, Chácara Santa Cecília, e vários outros), mas não faria mal voltar a algumas delas com preços tão convidativos e ir às que não conheço.

Para quem puder, ainda tem o almoço e jantar de amanhã. O fato é que o evento já se fixou, vai voltar e melhorado, tenho certeza. E é muito importante que se entre na página da Restaurante Week ( www.restaurantweek.com.br/) para elogiar, dar ideias, criticar, apontar as casas que não são dignas de estar na promoção. Acredito firmemente que esse tipo de ação só vai ajudar a todos, só assim se melhora, se desenvolvem bons negócios. Eu já mandei meu arrazoado.

14

de
março

Por ordem alfabética: cinema, depois gastronomia

O que dizer de Slumdog (Quem quer ser um milionário?) (www.imdb.com/title/tt1010048/ , pt.wikipedia.org/wiki/Slumdog_Millionaire ,

www.foxsearchlight.com/slumdogmillionaire/)? Dá até medo, afinal ganhou mais de um Oscar, se não me engano (faz algum tempo que não presto muita atenção nesse tipo de evento). Já vi muito filme de Oscar, de Mostras de Cinema, de outros prêmios para a produção cinematográfica que se mostra um engodo, um verdadeiro caça-níquel, ou ser louvado até para atender a interesses nem sempre dos mais transparentes.

Mas vamos lá (a minha sorte é que, pela idade, poderão até dizer: ah, tá meio alopradinha, coroca, mesmo…isso é bem mais soft do que o que poderia vir de gente com visão mais radical se meu estado etário não fosse levado em conta): lendo sobre a temática, já achei a coisa meio esquisita, mas sendo o diretor quem é (o mesmo de Trainspotting), quem sabe? E aí se falou do orçamento exíguo, da temática, da direção compartilhada com um local (indiano), etc., etc. Ah, sim, até a trilha sonora foi colocada em evidência.

Então…como me senti? Saindo de um cinema em Calcutá ou Mumbai, depois de ter visto um legítimo produto de Bollywood. Nada contra, mas esse estardalhaço, essa premiação absurda? Give me a break!!! (e com sotaque indiano, por favor!).

Aí fico pensando: então se qualquer um dos nossos diretores (de Central do Brasil, Ensaio sobre a Cegueira, Tropa de Elite, Carandiru, Estômago, etc.) tivesse se submetido a ser o segundo (o codiretor), e fizesse uma fita (antigo, né?) com um diretor bambambã de um país rico a gente já tava lá! Claro que estava!

Slumdog é uma história simpatiquinha, mas bem shallow, em que um rapaz com muita determinação, aliás, teimoso e sortudo, sobretudo, eu diria, vai atrás de seu grande amor e se submete a uma aventura incrível: participar de um quizz show para ser visto por ela e ganhar muito dinheiro por inércia. O que se vê é muita miséria, muita sujeira, seres subumanos, ignorância, crime, gangsteres, o pobre explorando o roto, e por aí vai. Bom, tudo isso junto no que dá? Numa tremenda dor de consciência, culpa mesmo, nos países ricos, desenvolvidos, nos próprios premiadores do filme. Imagine, que horror!! Até eu fiquei meio embaraçada com tudo aquilo. E, olha, que nós vivemos em um país pobrinho, sujinho, ignorantinho. Eu reclamo toda semana da sujeira na rua, da falta de estrutura, da falta de transparência, vontade e competência das autoridades (não sei como ainda não fui presa…), mas o que se vê ali é terrível, mil vezes mais! Ah, sim, e em 60% do filme me deu a impressão de estar assistindo a um documentário da Discovery; só o restante tem a mão de um cineasta mais ou menos.

Voltando ao peso na consciência: você viu, você bateu três vezes no peito: mea culpa, corre pro telefone, pra internet e manda uma grana para não sei que ONG ou comissão humanitária e, pronto, já pode respirar e voltar pro seu castelo (castelo que está meio combalido recentemente com essa tal crise). Enfim, uma premiação paternalista ao extremo, tentando o politicamente correto sem limites, que deixou totalmente de lado o que pretende, supostamente, o Oscar: premiar o grande talento de quem se dedica à arte do cinema.

Pior, localmente, com esse negócio de novela com tema indiano, é capaz de o mercado pirata de DVDs ser invadido por filmes de Bollywood; até mesmo o mercado oficial. Afinal, com um incentivo desses…Aí é que a coisa vai pegar!

Claro que o ator principal é ótimo, a trilha é bem boazinha (eu mesma compraria para ter aquela batida num dia de inverno, chuva, pra animar a alma. Apenas lembrando:o Olodum também pode fazer isso por você), mas eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee????? Pois é, para mim não há comparação entre Frost/Nixon, Milk e mesmo o original (enredo) de Benjamin Button com o tal Slum dog. Tudo é imensamente previsível, o Kiss me final dá até enjôo, o “it is destiny” repetido à exaustão então é de matar! Nunca pensei que iria dizer isso: que injustiça com a indústria americana de cinema.

Bem, gente, por favor, faça o dever de casa, salvem a Humanidade, senão ano que vem tem outro, e assim eu não aguento. E tem uma coisa boa: eu não sabia muito bem como era esse programa (http://en.wikipedia.org/wiki/Who_Wants_to_Be_a_Millionaire%3F ), agora já sei. Quem sabe? Afinal participei, há uns 20 anos, de um programa na TV Cultura (De Olho na Notícia) apresentado pelo falecido e adorável Blota Junior. Não ganhei a viagem para os EUA, mas várias assinaturas de revistas e jornais (os outros prêmios que nos davam, afinal a TV Cultura era meio pobre). Mas o fantástico era a minha torcida organizada, com faixas, pompons, grito de guerra! Isso é que foi bom de fato. Pois é, know-how já tenho, só falta a vontade.

14

de
março

Os Embalos de Sábado à Noite… e que embalos!

Não, não é uma balada dos tempos atuais, não! É o filme mesmo: Saturday Night Fever (Os Embalos de Sábado à Noite - www.imdb.com/title/tt0076666/), a que assisti ontem em dvd.

Minha pergunta: quequiéisso???

Quando comprei o DVD, na pilha do R$ 9,99, pensei que iria rever um filme que marcou época. Na verdade, não. Eu não assisti ao filme no cinema, e não me perguntem por quê. Mas eu sempre tive a impressão de déjà vu, já que vi tantas fotos, clipes, ouvi zilhões de vezes as músicas dos BGs, que aliás são poucas no filme, durante estes 32 anos (o filme é de 1977).

Imagino que se não foi o primeiro trabalho de projeção mundial do John Travolta (www.imdb.com/name/nm0000237/ , pt.wikipedia.org/wiki/John_Travolta, www.travolta.com/), deve ter sido um dos. Depois vieram assemelhados tipo Grease. Lembro-me que esse tipo de filme estigmatizou o JT e para “renascer” como ator levou tempo, suor e lágrimas. Realmente, para quem vê o JT hoje – e eu adoro seus filmes – fica difícil mesmo estabelecer uma conexão entre Manero e Travolta.

De qualquer forma, lá estão os olhos faiscantes, o sorriso inconfundível do Travolta, e seu talento inegável. Claro que também há um balanço corporal muito bom – ele tem uma jinga boa mesmo -, um corpinho de toureiro, de dançarino de flamengo, que se perdeu no limbo (pois é, todo mundo, com o tempo, ganha idade, sabedoria (alguns) e peso (quase todos). Isso é inexorável!), mas mesmo isso não diminui o brilho que JT demonstra a cada filme, tornando-o irresistível.

No mais, é um negócio tão tosco que nem dá para acreditar que fez tanto furor, estamos falando do mesmo ano de filmes como: Taxi Driver, Rocky, Star Wars, Annie Hall, The Spy Who loved me, e por aí vai. Os guarda-roupas são uma queca, os cenários parecem de papelão, os diálogos são um capítulo à parte: alguns desconexos, outros buscando uma grandiosidade que não lhes pertence (vade retro!), tentativas de politicamente correto (“alguém sempre desconta em alguém: meu pai em minha mãe, nós nos latinos, os latinos em nós” – uma fala aproximada do T. Manero), enfim um negócio maçante mesmo! E eu esperando as cenas de dança, disco: qual…tem umas poucas até legalzinhas, mas a maioria é feia e “boring” mesmo! Agora, a chulice do linguajar, recheado de palavrões, de expressões como (desculpem, mas tenho de demonstrar. Quem não suportar esse tipo de linguagem, feche os olhinhos, por favor) trepar, foder, caralho, e por aí vai, é impressionante para a época, para um filme com esse alcance, e sobretudo porque, imagino, o filme não era para maiores de 18 apenas. Além disso há cenas de tentativa de estupro, estupro, nudez, gemidos que caberiam em algum filme pornô tranquilamente, suicídio…Barbaridade, esse era um filme musical, para adolescentes, ou pós, de 3 décadas atrás? Acho que até hoje ele surpreenderia, para dizer o mínimo!

De qualquer forma, como sempre digo, tudo tem seu lugar, sua função, e não terá sido diferente com Os Embalos.

Ainda bem que não assisti à época de sua aparição, eu não teria gostado e talvez tivesse marcado o JT como figura “non grata” e teria deixado de lado a oportunidade de vê-lo em filmes excelentes nestes 30 anos.

Se você tem uma boa lembrança desse filme, não o reveja. Se não viu, não o faça. Fique com as músicas da trilha, BGs, e o talento de sempre de JTravolta.

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