Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

30

de
março

O domingo prometia, mas nem tanto!

Comecei com uma visita a Hime e fillhotes (um já foi, restaram Matsuri e Frederico). O Frederico seria da pessoa que cedeu o macho para cruzar com a Hime, mas a pessoa está indecisa. Ele é lindo demais, tranquilinho, um docinho. Se eu tivesse certeza que poderia cuidar dele como precisa e merece teria me candidatado a cuidadora postiça, mas esse não é o caso, pelo menos não no momento. Então fica pra outra vez. Peninha mesmo, porque simpatizei demais com esse garoto. Enfim, aqui estão as fotos / filminho que fiz do grupo (http://picasaweb.google.com.br/miriamkeller/Hime0320091?feat=directlink) .

Depois foi a vez do aniversário de 90 anos de Da. Lídia. A data é 30/3, mas a festa foi hoje. Uma emoção só, muita surpresa, discurso do neto que organizou tudo com a nora (Ana Rosa). Quatro gerações presentes! Teve muita conversa, como só poderia acontecer em casa de família italiana, teve música (o Bruno cantou coisas lindas, como Nessun dorma – adoro esta. É uma ária que eu poderia ouvir o dia inteiro sem parar, e muito mais). Foi uma festa muito alegre, que emocionou a todos. E tinha lá a prima de Da. Lídia, Da. Romilda, de 82 anos, que tem uma vivacidade, uns olhinhos azuis, uma animação incríveis! Mora na Javaés desde criança e nunca saiu de lá! E é camiseira de mão cheia até hoje! Rolou muita história, muita recordação, e muita alegria! Comida gostosa. Pena que não deu para ficar até o fim, que parece teve ainda mais festa e emoção. Um viva para Da Lídia, então. Ah, sim, e teve até poesia (de Miguel Torga) dita por Da Mimosa – uma portuguesa, simpaticíssima – que emocionou a todos. Realmente um evento como poucos!

Ah, sim, e conversando com Da. Lídia e Da. Romilda, me bateu a impressão fortíssima de que eu gostaria muito de ter convivido com elas quando meninas, jovens depois. Tenho certeza que a gente teria se dado bem e divertido muito! Fica pra outra vida…

Também foi dia de O visitante (http://www.imdb.com/title/tt0857191/). Um filme interessante, sobretudo porque mostra americanos bebendo do próprio veneno ou remédio, como queiram. A história é sobre um professor que tem seu apartamento de NY (uma segunda casa) “invadida” por um casal muçulmano (uma senegalesa e um sírio) por engano. Na verdade, eles foram enganados por alguém que sabia que o apartamento estava vago há tempos e colocou os dois lá, “alugando” o imóvel. Quando o verdadeiro proprietário chega (um homem macambúzio, fechado, de raras palavras, e que, percebe-se, não sabe bem o que fazer com seus sentimentos) começa o “imbróglio”. O contato entre seres tão diferentes gera amizade, carinho, aulas de tambores típicos e por aí vai. O filme é comovente por tudo: pela justiça, pela injustiça, pelos relacionamentos que surgem do nada generosamente, pelos que se rompem cruelmente, pelo beco sem saída em que se meteram os próprios americanos, sobretudo depois do 11 de setembro. Filme denso que vale a pena. A ação é reduzida, mas a pintura das personagens é primorosa e profunda. Se puder vá ver, mas leve o lencinho!

Depois uma comédia, que ninguém é de ferro! Irma Vap (http://www.omisteriodeirmavap.com.br/ ). A peça estreou em SP em 2008. Deixei (convenci minhas amigas também) passar um tempo para rever a peça (já havia visto o espetáculo duas vezes quando encenado por Nanini e Latorraca entre 1986 e 1998). A direção novamente é da Marília Pera. A peça é um non-sense da melhor qualidade. Besteirol puro, mas muito divertido mesmo. Como há muitas trocas de roupa, algumas realizadas em segundos, os dois atores atuais (Marcelo Médici e Cássio Scapin) tem de estar muito azeitados. Por isso esperei, pois ,diferentemente de outras peças em que os atores também levam um tempinho para se ajustar, aqui o ajuste é muito mais crítico. Foi uma espera compensadora. Claro que fui ver a peça com certo cuidado, com certa dúvida - será que vai ser tão bom quanto a montagem antiga? E foi. Os dois atores estão muito bem, mas para mim o Médici está melhor, mais seguro, é mais a praia dele do que do Scapin. De qualquer forma, o espetáculo convence, vale a entrada, diverte muitíssimo. Dá sim para ver até duas vezes para quem nunca havia assistido ao espetáculo. Não seria nenhum exagero. Portanto, se puderem, vão ver. Desopila, não compromete. Vale quanto pesa.

29

de
março

Eita, que sábado!!!

Primeiramente fui ao MASP para ver o Festival do Minuto (http://masp.art.br/exposicoes/2009/1000/) que termina amanhã (29/3). São filmes de 60 segundos, de 80 países. No total são aproximadamente 16 horas de filmes. Então,se der, vá, mas com tempo. Uma hora, hora e meia ou duas horas estão de bom tamanho. Tem coisas sem pé nem cabeça, como é de se esperar nesse tipo de mostra, mas tem coisas ótimas. Só não adianta ir com pouco tempo, pois os minutos não se repetem, a não ser após longos períodos, evidentemente. E há coisas bem interessantes mesmo. Bem, já egged on (animei?) um amigo para ver se ele participa do próximo. Vamos ver…

Aproveitei que estava no MASP e vi a mostra Pirelli de fotos (http://entretenimento.uol.com.br/album/pirelli-masp-17a_album.jhtm?abrefoto=22). Na verdade, a foto mais bonita, em minha opinião, mágica mesmo, é a que está neste link. Há outras interessantes, algumas históricas (décadas de 50 e 60), no entanto algumas são herméticas demais para mim. Ou seja, foi interessante, mas nada imperdível.

Depois foi o momento cinéfilo, que eu adoro! Fui ver Entre les Murs (http://entrelesmurs-lefilm.fr/site/) (que não consigo imaginar por que em português é Entre os Muros da Escola…e alguém teria dúvidas depois dos primeiros 5 minutos de filme? Enfin…comme disent les français…). O filme ganhou vários prêmios (Palma de Ouro, por exemplo), e foi quotado para vários outros. É um filme eletrizante, para dizer o mínimo. Pra mim foi adrenalina do começo ao fim. Mas não espere sangue, lutas, efeitos especiais. Não, o que está ali é a vida como ela é. Pior, o filme me deu a consciência de que não há escapatória. Eu achava que só localmente (Brasil, zil, zil, zil, zil) os problemas escolares, como os apresentados no filme, aconteciam. Eu julgava, até esta tarde, nesciamente, que a escola estava falida, os professores cada vez se tornavam incapacitados e incapacitantes, os equipamentos estavam sendo sucateados porque somos um país de miseráveis, gerido por gente que não valoriza em nada a educação formal. Mas qual, os problemas de cá, em certo nível, são os mesmos de lá (França, banlieue de Paris?!). A questão não é material (para nós muito mais grave e que atrapalha ainda mais), mas moral, social, antropológica, filosófica até! Os professores e alunos do filme são professores e alunos na vida real. É um “reality show” (expressão da moda). E o fato é um só: lá os professores são mais bem preparados, encaram sua função, tarefa, profissão com muito mais orgulho, consciência, seriedade,coragem, comprometimento, e, claro, ganham para tanto. Aparentemente, são professores de uma escola só, com suporte administrativo/formal da estrutura de ensino, o que não acontece com a grande maioria dos nossos. Aqui, em São Paulo por exemplo, há muitos migrantes (não mais imigrantes) ou filhos de nas escolas; lá há muitos imigrantes, o que é muito, mas muito mais grave. São culturas diferentes, ou, como no caso dos mulçumanos que lotam todos os cantos, culturas antagônicas. As cores também mudaram: na classe retratada no filme, 50% é composta de não-brancos, ou não-caucasianos. Alunos, mas os professores continuam sendo caucasianos em sua maioria. Pois é, as dificuldades materiais são nossas, mas as disciplinares, de valores, estão em toda parte. E, se a situação local já me deixava desesperançada, saber de forma cabal que no que é mais importante e menos contornável (a questão material se resolve muito mais facilmente) somos todos iguais, me deixou muito, mas muito preocupada, chocada mesmo, e, em uma ocasião raríssima da minha vida, sem saber o que pensar, sem ver uma saída, sem conseguir enxergar um futuro melhor. Não quero estar viva quando aqueles professores não estiverem mais lá, não quero testemunhar o resultado deste caminho sem volta. Claro que qualquer generalização traz no seu bojo uma grande probabilidade de engano, mas não dá para não generalizar, não depois de olhar para nossa realidade e para o que o filme retrata de forma tão factual. Agradeci imensamente o fato de ter desistido, lá no começo da minha profissional, de tentar dar aulas em escolas, o que era minha meta inicial. Eu não teria estômago para viver ou sobreviver em uma situação como essa.

De qualquer forma, vá ver o filme. Pode ser até um alento para os professores locais. Afinal, perceberão que não estão sós…

Depois veio um momento light. Rato de Livraria com seu Festival Rato de Teatro (http://ratodelivrariaonline.blogspot.com/2009_03_01_archive.html). A Rato é da Viviane e da Paula. As duas são livreiras, não vendedoras de livros. Para quem gosta de fato de ler, é um prazer o contato com elas. Já fizeram vários eventos na livraria, sempre voltados para cultura, para leitura. Eu já fui a um, creio que no ano passado, com contadores de histórias, que, aliás, estariam lá hoje também. Hoje o esquema foi diferente: gente com textos próprios, ou adaptações de textos (e.g. Shakespeare, Aristófanes). Foi muito interessante. O pessoal do Centro de Dramaturgia Contemporânea foi surpreendente, ótimos nos dois textos apresentados. Quem não conhece a Rato, dê uma passadinha algum dia. As donas vão dar um atendimento nota 10.

E last but no least…Auditório Ibirapuera, Cesar Camargo Mariano e Jazz Sinfônica (http://www.auditorioibirapuera.com.br/detalhe_eventos.aspx?id=335). Um espetáculo lindo! Haverá outros durante o ano da Jazz Sinfônica, que deverão também ser muito bons. Então vão se mantendo informados para poderem ir. Se puderem, não percam! O espetáculo de hoje foi lindíssimo!

Bom, por enquanto é só…calma, brincadeira, agora vou dormir. Mas amanhã tem mais.

26

de
março

O Mineiro - Elessandra Paula

Sou mineiro. Passei minha vida enfiando a picareta em rochas. Uma vida buscando algo além delas.

Nem sempre a recompensa vinha. O mundo é feito mais de rochas que de pedras reluzentes e belas. Para mim, o mundo sempre foi um buraco escuro, iluminado por um facho de luz que saía do alto do meu capacete. Se dia ou noite, descobria somente quando saía do meu buraco. Às vezes, passava 3, 4 dias enterrado na escuridão só para achar uma lasca qualquer que pudesse valer alguma coisa.

Não sou de pedras que cintilam, prefiro o âmbar. Aquele que escorre das árvores e que em milhares de anos se torna pedra. É mais humano e ainda assim tão vil. Espero um dia meu sangue se torne pedra, assim como o âmbar.

Mas passo meus dias cavando, escavando, triturando rochas e fazendo cavernas.

Cada lasca que tiro das paredes tira de mim a energia da qual me faço.

Não tenho medo do escuro, não tenho medo de estar aqui, sozinho, procurando por pedras.

O escuro me disfarça, me trai e me ilude. Tenho uma picareta nas mãos e quase não tenho fé. O que poderia temer?

Não tenho medo de desbarrancos, não tenho medo de que o mundo desabe em mim.

Tenho medo da luz. Não a luz fraca que sai de meu capacete, mas a luz do dia e a luz dos homens. Pois esta revela menos que a escuridão, faz de mim apenas um homem de rosto sujo, de mãos calejadas e roupas maltrapilhas. Faz dos outros serem o que não são.

Por isso prefiro meu ofício.

E continuo a golpear as rochas como se estivesse golpeando minha própria vida. Esta, dura como a pedra e escura como esta caverna.

Quem sabe um dia serei eu, este solitário mineiro, a descobrir que de tanto viver com rochas, de tanto respirar o pó que se impregna em meus pulmões, tornar-me-ei uma delas. Uma pedra. Sem valor nem brilho e brutalmente arrancada de entre várias outras pedras enquanto minha picareta cavava meu próprio destino.

25

de
março

Uma história sem pé nem cabeça! De jeito nenhum!!!

Recentemente me cadastrei no Twitter (http://twitter.com/login / http://pt.wikipedia.org/wiki/Twitter  )  (http://twitter.com/kellermiriam ).  É um mecanismo tipo MSN, mas mais enxuto, as pontas não ficam totalmente on line e os textos só podem ter 140 toques (se não me engano).
Eu entro ali para colocar o humor do momento, o pensamento que passa pela cabeça e pode ser publicado, os anelos (Google, pls). Não precisa escrever muito, dá uma aliviada, e cumpre o papel.  No Twitter você segue e é seguido, ou não.  De vez em quando some tudo, volta tudo, dá mensagem de que está “over capacity”, tem muitos twits on-line…é meio incipiente ainda, ou meio balão de ensaio para nós – em alguns países é tão febre quanto o Orkut é para os brasileiros-, mas é interessante, dinâmico, e seguramente vai-se aperfeiçoar com o tempo. Pena que a gente não possa ainda fazer uso no telefone.  Acho que sai muito caro; não sei, não tive coragem de tentar…Seria muito bom receber mensagens inesperadas, curtinhas, divertidas.  Mas…tudo tem um mas… segundo meu amigo tecnólogo (PF), o Twitter abre portas no micro, então é preciso instalar um bom firewall (já vem no micro em geral, mas é preciso um mais potente).   Para o Twitter valem as mesmas recomendações dos outros programas compartilhados na net: não aceite balas, quero dizer, convites de quem não conhece, não comece a seguir quem você não sabe direito o que faz, não se deixe seguir por qualquer um,etc. etc. etc.  A possibilidade de alguém entrar no nosso micro, sim, nosso, de pobres mortais, é remota, mas who knows? Melhor prevenir. Um bom firewall gratuito é o Zone Alarm (recomendação do Leo – meu fiel técnico de internet, micro e afins).

Ah, e me disseram (não sei se é folclore) que o Obama usou o Twitter de monte e ajudou muito em sua campanha.

Achei ótimo esse negócio de colocar pílulas nesse tipo de instrumento. Melhor do que escrever no diário, no caderno, e é preciso elaborar muito menos do que num blog normal (adoro escrever meu blog, mas, às vezes, levo um tempinho para redigir as coisas. Nunca muito tempo, mas um tempo).  Melhor do que dizer para o vizinho, para o colega de trabalho, para a pessoa do telemarketing, para compensar o que ela aborrece, para o familiar de plantão, para o amigo à mão, enfim…uma verbalização de idéias bem tempo real, que não toma muito tempo e não onera ninguém.

Bem, voltando: o Milton, que tinha um blog muito bom, e é escritor de ofício, começou a colocar pílulas com nomes de pessoas.  Elas são independentes e foram postadas em ordem alfabética.  Depois de ler as 3 primeiras, ficou óbvio que seriam nomes em ordem alfabética em situações aparentemente sem link – micro-histórias ou microcontos.  Na 4ª. já tinha uma história montada na minha cabeça, então resolvi compor a história com todas as pílulas que ele postasse. Algumas estão até nos meus favoritos do Twitter, porque são bem bonitas (não bonitinhas).

E eis que estamos chegando ao “Z”, e a minha história vai continuando (em tempo real também).  Pra que fiz isso?  E eu que sei?  Achei um exercício interessante. Uma espécie de aposta comigo mesma de que seria muito bom e divertido, e poderia bolar uma coisinha bonitinha (não bonita).  Um aspecto interessante é constatar aonde nos leva a criatividade, qualquer criatividade.  Valha-me!  Um perigo, pra dizer o mínimo!  Pois é, mas baixando à terra: envio abaixo algumas pílulas para que vocês tenham idéia do que estou falando.  Depois vem meu texto com todos os personagens que saíram da cabeça do Milton até o momento.  Este é o link do Twitter (http://twitter.com/MiltonAyres) e este é o link de um blog com o que está no Twitter (acho mais fácil de acessar) - http://contosparatwitter.blogspot.com/ -, portanto, se entrarem nesses links poderão ler todas as pílulas.  Pra mim, o exercício foi pura diversão!  Por que você também não tentar ir juntando as pílulas ou cada nova pílula à minha historinha?  Não vai ficar um Frankenstein não, acho que vai ficar mais como uma boneca de pano…um monte de partes que acabam se harmonizando de alguma maneira. De toda forma eu vou seguir construindo a minha história e depois mostro o resultado final. Espero que gostem. É uma atividade no mínimo empolgante.

Como são os microcontos:

Conto para Twitter #1

Ana dormiu, mas logo acordou assustada no meio da noite de tanto barulho que os carneirinhos faziam ao pular a cerca em seus sonhos.

Conto para Twitter #2

Tão encantada estava com o vermelho fulgurante e o perfume suave da rosa, que Bia nem sentiu o espinho macular sua mão branca de sangue.

Conto para Twitter #3

Caio, sapeca, 3 anos, trepou nas almofadas, pulou do berço, correu com as perninhas tortas, abriu a porta e saiu pra brincar no quintal.

Conto para Twitter #4

Ajoelhada, véu na cabeça, segurando a Bíblia e o terço com as duas mãos, Dona Dulce permanecia prostrada diante do Cristo de madeira.

Uma história de A a Z!

Ana, dorminhoca como só ela, e Bia, filha da florista, não perdiam uma aula.  Adoravam ir para o jardim de infância todas as manhãs.Caio, o irmão mais novo de Ana, se despedia dela da janela com muitos beijos.  Eles se amavam!

Na escola os esperava Dona Dulce, a professora que jamais se separava de sua Bíblia e, todos sabiam, vivia só por opção. Sempre atenta as suas crianças, dava-lhes todo o carinho represado. Além disso, às vezes também cuidava dos sobrinhos queridos: Erly, uma gorduchinha linda, era sua sobrinha preferida.

Quanto ao coração, sempre tivera uma queda pelo Flô (seu Flô, como todos o conheciam na cidade), mas nunca tinham tido uma aproximação maior. Afinal, ele era um matuto, interessante, mas matuto, e ela, a professora da cidade!
Mas ela gostava mesmo era de seus alunos.  Ela os adorava!  Alunos como a Gabi, que já sabia tudo de economia, sempre com seu porquinho cheio de moedas, e o Hélio, ooh, menino de dentes perfeitos!

Dona Dulce era um exemplo. Até Irene, sua irmã caçula, mãe solteira, ouvia seus conselhos. Irene era rebelde, namoradeira, e adorava uma bebida, mas ainda assim a respeitava muito. Como tinha gerado João, seu sobrinho mais querido?  Um verdadeiro artista! Tirava sons mágicos de seu violãozinho plástico de duas cordas!

Pena mesmo ela tinha de Kely, amiga de Irene. Não tinha sorte com os homens, mas insistia… Pobrezinha!  Outra que tinha problemas na vida era Léia. Dona Dulce, que também era a parteira da cidade e viu tantas crianças chegarem ao mundo, foi quem recebeu a filha de Léia.  Como gritou, como resmungou, como fez força!

Léia, sempre sonhadora, havia se envolvido com o homem errado.  O circo passou pela cidade e ela se encantou com Mário, mas ele só queria saber da ribalta.  Orgulhoso, vaidoso, só se importava com os aplausos.  Só no palco tornava-se generoso, mas só com a platéia.

Como na vida, também na classe de Dona Dulce havia os mais alegres,os mais introspectivos, os mais tímidos…Nino era um dos mais quietinhos…Não cansava de contar as histórias sobre seu exército de formiguinhas humanas, que observava atentamente quando voava no helicóptero do pai.  Que imaginação!

Mas o gostoso do dia na escola ficava mesmo por conta de Ofélia: moça prendada que fazia a merenda da escola.  Seu bolo de chocolate era um acontecimento! E depois, muita brincadeira na piscina da escola. Já há muitos esportistas de futuro entre as crianças.  Paulo é um deles! Piruetas triplas no trampolim são com ele.

Continua no próximo Twitter update ((http://twitter.com/MiltonAyres) (http://contosparatwitter.blogspot.com/)

22

de
março

So lucky I ran into you!!!

Bem, hoje foi dia de assistir a Hannah and her Sisters – Woody Allen (www.imdb.com/title/tt0091167/ ). Este filme, de 1986, eu vi no cinema. Lembrava-me vagamente, afinal tantos anos e tantos filmes depois…Mas finalmente revi o WA de que eu gosto: witty, brilhante, sensível, original! Além do próprio Allen, que está impagável em sua busca por uma nova crença, tem Michel Caine, Mia Farrow, Carrie Fischer, Max Von Sidow, e tantos outros…No final há um discurso sobre o valor da vida, com Deus ou sem Deus, é tocante e faz pensar (transcrição aqui embaixo(*)).

E, como sempre, um tributo à NY que ele tanto ama. Há até um “tour” com um dos personagens, além de externas que deixam dúvida sobre esse amor. E a trilha sonora? O que que é isso? Só Allen! Bewitched permeia todo o filme mas há muito mais: You are too beautiful, Bach, If I had you, Back to the Apple, etc., etc., etc.

Um filme sobre encontros e desencontros, mudança de rota na vida das pessoas, amores que viram desamores, enfim, um filme sobre sentimentos humanos que todos conhecemos.

Uma delícia de filme que, seguramente, vou querer algum dia desses ver de novo.

(*)

Mickey: All of a sudden the gun went off. I had been so tense my finger squeezed the trigger inadvertantly. But I was perspiring so much the gun had slid off my forehead and missed me. Suddenly neighbors were pounding on the door, and I dunno the whole scene was just pandemonium. I ran to the door, I didn’t know what to say. I was embarrassed and confused and my mind was racing a mile a minute. And I just knew one thing I had to get out of that house, I had to just get out in the fresh air and clear my head. I remember very clearly I walked the streets, I walked and I walked I didn’t know what was going through my mind, it all seemed so violent and unreal to me. I wandered for a long time on the upper west side, it must have been hours. My feet hurt, my head was pounding, and I had to sit down I went into a movie house. I didn’t know what was playing or anything I just needed a moment to gather my thoughts and be logical and put the world back into rational perspective. And I went upstairs to the balcony, and I sat down, and the movie was a film that I’d seen many times in my life since I was a kid, and I always loved it. I’m watching these people up on the screen and I started getting hooked on the film. I started to feel, how can you even think of killing yourself, I mean isn’t it so stupid. Look at all the people up there on the screen, they’re real funny, and what if the worst is true. What if there is no God and you only go around once and that’s it. Well, ya know, don’t you wanna be part of the experience? You know, what the hell it’s not all a drag. And I’m thinking to myself, geeze I should stop ruining my life searching for answers I’m never gonna get, and just enjoy it while it lasts. And after who knows, I mean maybe there is something, nobody really knows. I know maybe is a very slim reed to hang your whole life on, but that’s the best we have. And then i started to sit back, and I actually began to enjoy myself.

22

de
março

E last but not least!

À noite fui ver Cândida – Bernard Shaw (www.teatrobrigadeiro.com.br/adultos.htm / www.bocadecenacomunicacao.com.br/candida/index.html ), lá no Teatro Brigadeiro. Aliás fazia um tempão que não ia a esse teatro especificamente. Ele foi reformado e está bem confortável! Só o hall de entrada que é bem acanhado e pequeno para o tamanho da sala, mas no mais está bem ajeitado.

Essa peça ficou em cartaz no ano passado e voltou em 2009. Quem tem sido muito destacada é a Bia Seidl. Ela está muito bem mesmo, não resta dúvida, até porque o texto é bem difícil, mas Sergio Mastropasqua (o pastor, marido de Cândida) e Fernanda Maia (datilógrafa). como não li a peça, não sei o que acontece. Ela é definida como comédia, mas ou a complexidade do texto não deixam que isso transpareça, ou os atores não dão o tom certo de tão “overwhelmed” pelo peso do texto, ou a tradução relegou um pouco isso, ou a montagem, sei lá. Claro que estamos falando de Shaw (pt.wikipedia.org/wiki/George_Bernard_Shaw ) (irlandês, cujos textos – Pigmalião (que deu em My Fair Lady) e, sobretudo, Socialismo para Milionários, sempre me deram a impressão de que ele era meio mal humorado, mais que combativo ou idealista. Enfim…), mas mesmo assim, apenas os mais histriônicos conseguem trazer à tona o humor que eu esperava (não o das gargalhadas, mas o do grande crítico e observador. O humor do timing, o verdadeiro WIT). De qualquer forma, ter Shaw encenado já é uma grande coisa, ainda mais sendo a montagem bem avaliada pela crítica e tendo público. Mas cá pra nós, pelo público que vimos por ali, 80% não via a hora de botar o pé na estrada, e não imagina a que veio Cândida.

No mais, figurino, cenário, trilha sonora estavam muito bem. Ah, sim, a estrutura da peça é muito interessante. Na verdade é a peça dentro da peça.

Bem, depois de tanta inteligência adquirida, melhor dar uma folga…então, Carlota (outra mulher!) aí vamos nós Acessem o site, muito bom, e tem receitas (www.carlota.com.br/) . E foi muito bom! O restaurante, apesar dos preços e de ficar num local basicamente residencial (R. Sergipe em Higienópolis), estava cheio às 23.30h quando chegamos lá. Mas o lugar é muito simpático e bem cuidado. Acho que fui lá quando o restaurante abriu só. Faz tempo! De qualquer forma, a comida esteve impecável. O serviço, como sempre, uma tristeza! Se não é uma coisa é outra…já desisti.

Eu só tinha comido um lanche no Black Dog antes de ver O Lutador, então a fome era grande, mas não tive problema pois os pratos são muito bem servidos. Pedimos, em vez da entrada, um prato com vários salgados brasileiros (o prato é para duas pessoas mas dá para três e compensa, pelo preço e qualidade, mais do que o couvert = R$ 9,00/pessoa). Depois foram curry de pato, arroz negro com pato e limão e um ravioli (acho que de ricota). De sobremesa brulée de chocolate, suflê de goiabada com calda de catupiri e petit gateau de doce de leite. Para finalizar um chazinho bem gostoso, digestivo. A conta bate nos R$ 100/pessoa, mas pedimos ½ garrafa de vinho. Acho que, se não estivéssemos com tanta fome e tanta vontade de conversar, a gente teria pulado a entrada – afinal melhor comer mais levinho à noite. Normalmente também não tomo vinho em restaurantes, então, fazendo um cálculo rápido, acho que a conta média normal ficaria em uns R$ 80,00/pessoa, o que não é barato mas é mais palatável. De toda forma, estava bom demais e, claro, a companhia valeu isso e muito mais. Se puder, faça uma visita.

22

de
março

Mickey Rourke onde está você? Eu vim aqui só pra te ver!

Pois é, e hoje foi dia de ver The Wrestler (O Lutador - www.imdb.com/title/tt1125849/). Bem, depois de ver Milk, Frost/Nixon, Benjamin Button, e agora The Wrestler, fica cada vez mais difícil entender o que aconteceu com o Oscar deste ano, i.e., Slum Dog. Enfim, eu fui ao cinema para ver Mickey Rourke mesmo (http://en.wikipedia.org/wiki/Mickey_Rourke). Ele foi tão elogiado, faz tantos anos que não o vejo atuar (desde 2005), que tinha de ver. E valeu muito!

Eu não vi o que todo mundo viu – 9 1/2 Weeks (não me perguntem por quê! Nossa, isto está se tornando repetitivo…), mas vi: Year of the Dragon, Angel Heart, Wild Orchid, the Rainmaker, Sin City (ótimo!), e mais algum outro de que não me lembro exatamente. Em todos gostei muito dele, sempre o bad boy. Como é sabido por todos, ele teve uma vida bem cheia de altos e baixos. Claro que tudo a ver com desbalanceamento psicológico (fama demais, rápida demais pra quem não tem estrutura (e poucos têm) de fato para absorver o baque), bebida, droga, violência. Enfim, o enredo de sempre. E durante esse tempo ele resolveu ser boxeador. Sei lá, tem gente que gosta e muito do esporte. E até foi um boxeador de êxito. Durante esse tempo mudou o físico (o corpo), mudou o rosto, se infligiu deformações. Com tudo isso, aos 56 anos o físico está muito bem. É um homem grande, mais músculo que gordura. Respira pesadamente, tem o rosto marcadíssimo, mas, mesmo assim, atuando,é hot, hotíssimo! Incrível! Eu esperava ver um ator mediano, meio por baixo, acabado, mas qual! Está uma beleza! Muito, mas muito superior a muitos que estão aí na estrada, mais novos inclusive! O Lutador é Mickey Rourke, Mickey Rourke é o lutador. Há cenas violentas, óbvio, mas quem não suportar, feche os olhinhos…não são tantas assim e nem tão longas. Mas não deixe de ver o filme, senão vai perder um filmaço! Pena, mas aqui em SP me parece que só está passando no Gemini (capítulo à parte que comento mais adiante), em dois horários apenas.

Como 99% dos espectadores querem ver mesmo é Rourke, o diretor (Aronofsky – não me lembro de nada dele) mantém a gente nos primeiros 10 minutos (e olha que isso é tempo em cinema!) em suspense, seguindo “The RAM” por todo lado, sem desgrudar os olhos. Brilhante! E aos poucos vai aparecendo o Rourke que queremos ver, e muito melhor do que se espera! Grandioso, eu diria! A câmera segue The RAM como se estivesse grudada nele, tipo paparazzi, tipo documentário em alguns pontos.

Lá pelos 15 minutos de filme comecei a reconhecer o Rourke de antigamente. Está lá: nos olhos, no brilho da expressão, no talento inquestionável! Claro que está. E o interessante é que quanto mais a gente se acostuma com o rosto tão alterado, ele vai se parecendo com outros atores que, tenho certeza, nunca nos chocaram. Vejam se ele não tem muito de William Shatner (isso mesmo, o Cap. Kirk de Jornada nas Estrelas e hoje personagem principal de um sitcom - www.williamshatner.com/). Lembrei-me de outro ator na hora – traços semelhantes – mas agora não me lembro de quem…pena! Além disso, mesmo em um papel tão másculo, abrutalhado, supostamente violento, ele consegue passar toda a solidão, sofrimento, delicadeza de alguém que escolheu um caminho (os ringues) e pagou caríssimo por isso. Então a gente não vê um brutamontes, mas uma sensibilidade que dá para tocar com a mão, tão palpável!

Não perca, nos cinemas ou em DVD. Vale quanto pesa. Quem diria…um filme sobre luta livre tocante!

O filme também me fez lembrar dos meus tempos de menina. Na Record tinha um programa de luta livre, e , do pouco a que assisti, me lembro de gente como o The RAM. Homens mascarados, de cabelo longo, de roupas esquisitas, se agredindo, se atacando, fazendo um espetáculo para quem gosta da coisa. Só espetáculo, nada mais! Ted Boy Marino, por exemplo, é dessa época (ai, meu santo!!! Google pls!).

Agora ao Gemini! Este é o último reduto do real cinema (físico) paulistano! Vai fechar um dia desses, tenho certeza. Vai virar templo ou algo parecido, como tantos a que eu fui há alguns anos, mas que fazer? Que pena, vai virar fumaça como Comodoro, Astor, os do centro da cidade, Top Cine, etc., etc.

É uma delícia ir ali! Super bem localizado pra começar! Os carpetes são kitsch? Não, só pertencentes a um tempo em que ir ao cinema era uma coisa bem especial. Hoje diriam “vintage”. As poltronas, de tão sentadas, estão abauladas, mas ainda assim não são desconfortáveis. Muitas já estão rasgadas nos braços…pena! As salas são enormes, a distância entre as fileiras acomoda confortavelmente tamanhos p, m, g de pernas. E a trilha sonora antes de a sessão começar? Ray Conniff (Google, pls). Ah, e quando você chega à antessala, tem alguém para receber você e dizer “tem docinho de cortesia em cima do balcão da bombonière”. É mole?!

Adoro ir lá. Ultimamente têm passado filmes do circuito comercial bem quotados. Mas já assisti a alguns ótimos que só passaram ali. A pena é que, mais dia menos dia, ele fecha. Então, mesmo que o filme não seja tudo isso, ou que você não queira ver o filme, faça uma visita. Pode ser a última oportunidade, lamentavelmente.

19

de
março

Quartas Temáticas

(http://www.moanalivros.com.br/new/nandoprado/index.html)

Realmente, este projeto que foi colocado em adamento desde o segundo semestre do ano passado, pelo Célio, está rendendo ótimos frutos.  Já postei vários comentários sobre os shows levados lá e ontem foi a noite de Parafernália, do Nando Prado.  Queeemmm??? Pois é…eu também fiz essa pergunta, mas vamos lá. O Célio tem nos apresentado a espetáculos bem diferentes, gente muito talentosa, enfim, as quartas já não são as mesmas.

O Nando Prado, que tem uma voz maravilhosa (fez musicais pelo mundo afora), e toca uns 32 instrumentos! Brinca, mas está perto.  Além disso usa mesmo uma “parafernália” ( * ): um gravador ao vivo que vai criando músicas, eventos sonoros, uma coisa!  Superdiferente!  O Nando também é muito simpático e bonito.  Quem conhece disse que ele é tímido, mas não pra perceber, mesmo de tão perto.  Ele é muito articulado, carismático, conduz, aliás, domina a platéia com maestria. O formato do show é bem diferente, apropriadíssimo para o Café Paon e para o projeto do Célio.  Valeu muito a pena ter ido lá. Pra semana estão anunciando outro cantor que nunca vi atuando sozinho (participou de Miss Saigon).  Vai cantar Tom Jobim.  Esse eu também não perco, e aposto que vai valer a pena.

Long life to Quartas Temáticas!

(Dicion. Aulete

(pa.ra.fer.ná.li:a)

sf.
1  Conjunto de objetos de uso pessoal4
2  Conjunto de instrumentos e pertences próprios de alguma atividade4
3  Conjunto de instrumentos e pertences próprios de alguma atividade
4  Conjunto de coisas usadas ou velhas)

19

de
março

c.q.d.

Só para terminar meu post anterior:  ontem, novamente, lá veio o técnicos do suporte às impressoras (devia haver também técnicos de suporte ao usuário, já que,muitas vezes, diante da ineficiência a gente tem votade de chorar, deprime mesmo…) e, pasmem!, resolveu o problema.  Era somente, e tão-somente, clicar em uma definição da impressora e pronto! Mudar uma palavra! Nada mais!  Preciso dizer que o técnico de ontem era diferente da procissão de anteontem, aqueles que me fizeram perder horas, me interromperam mil vezes, etc., etc., e não resolveram nada.

Relato o meu caso, porque muitos como eu, em alguns momentos, devem achar que estão delirando, exagerando, que há mistérios intransponíveis no mundo das impressoras, ou assemelhados, mas não.  Podem deixar esse autoquestionamento de lado!  E exijam mesmo, não esmoreçam, é o único jeito de tentar melhorar essa mão-de-obra prestadora de serviços pífia que está tomando conta do planeta.

17

de
março

É preciso muita paciência!!!

Sempre trabalhei em grandes empresas. Toda a minha vida profissional, desde o começo, para minha sorte eu sempre achei, aconteceu em grandes empresas, líderes de mercado.  Talvez quando eu me aposentar procure uma empresa menor para trabalhar (sim, porque quem se aposenta NESTE PAÍS, em geral, precisa trabalhar.  Lógico que tão importante quanto o aspecto financeiro há também o aspecto psicológico: ser útil, desempenhar, continuar se desenvolvendo, fugir do Alzheimer, etc. etc., que, acho, é bem o meu perfil), mas, até hoje, me ver incluída em uma estrutura grande, com tentáculos para todos os lados, ser o numerozinho, nunca me incomodou. Pelo contrário.  A facilidade para muitas coisas compensa as dificuldades para outras.  E sempre gostei de ambientes diversificados, em que se vê de tudo, se aprende muito, se pode interagir (palavra da moda) com pessoas diferentes, em situações diferentes, em ambientes diferentes, com níveis diferentes de requisitos, e por aí vai.  A gente precisa seguir regras, mas também tem de ser muito proativo, prático e, sobretudo, criativo- sim, é preciso ter criatividade e muita arte - para sobreviver em um ambiente corporativo competitivo.

Eu acho que a minha cosmovisão ganhou muito com essa experiência, já que sou uma generalista.  Esse meu caminho me satisfez/satisfaz como profissional e como indivíduo.  Por conta disso fiz tantas coisas, tantos cursos, fui a tantos lugares, conheci tanta gente, meu pensar caminhou tanto!

Sobre o meu trabalho sempre digo: é “cama, mesa e banho”.  Nada de malícia! O que quero dizer é que, na minha função, de que gosto muito aliás, a gente vê algumas atividades desde o nascedouro, desde a concepção, o tosco mesmo, até a coisa ir caminhando, e chegar à realização da atividade, da ação.  Isso é trabalhoso, cansativo, mas gratificante. Ou era…

Até há alguns anos, não havia essa coisa de terceirização que veio como grande salvadora da pátria. Poupava dinheiro, poupava empregos, poupava a busca por gente, poupava investimentos na preparação de profissionais, i.e., supostamente alguém fazia isso pela empresa, sem grande ônus.  Qual!   Depois de anos tendo de engolir a terceirização goela abaixo, o desgaste que a gente tem é imenso!  O turnover é grande, cada profissional que vem não traz consigo na memória o dna do profissional que se foi.  Então a postura é outra, a pessoa não sabe direito o que o outro fazia (raríssimos são os casos em que o que vem é melhor que o anterior), há um descompromisso descarado do prestador de serviços ou terceiro (em 90% dos casos), um desconhecimento de causa que começa com o desconhecimento do cliente em si, e quem tem de se adaptar de fato é o funcionário CLT que está lá tentando fazer seu trabalho, se digladiando para cumprir o que lhe é assignado e se superar se possível, pois disso depende seu futuro, seu salário, sem emprego, sua promoção, seu bônus.

Nestes últimos dias tenho travado uma luta feérica com um tal suporte técnico para impressoras.  Primeiramente, é incrível como a firma que está colocando as impressoras na empresa não conseguiu antever os problemas, não tem um procedimento-padrão de alto nível para não gerar problemas e desgastar o cliente (ah, sim, hoje tudo é alugado também!). Depois, mais um desgaste!  O equipamento, supostamente hightech, de última geração, que mais parece um transformer, não consegue fazer o que o anterior, mais velhinho fazia.  Não consegue, não, que provavelmente ele faz sim, mas o tal suporte ainda não descobriu como desencavar todo o talento do equipamento.  E aí é quase uma  assembléia: vem um, vêm dois, vêm três, vêm quatro e nada!  A última foi: ” Estamos torcendo e vai dar certo!”.  Pois é, o próximo visitante vai ser um pajé, com certeza. Já estou até vendo a cidade sob chuva copiosa, afinal se a dança mágica não der para uma coisa, vai dar para outra (dança da chuva, claro!).

Isso é desgastante, é cansativo, desestimula, e olha que eu sou teimosa!  Mas até eu, se a coisa continuar por mais um tempo (sim, já estamos 4 ou  5 dias nessa luta), até eu vou jogar a toalha. Aliás, já joguei. Chega!

Pois é, nestas décadas de vida empresarial, como trabalhadora, muito do que vi sendo implantado  seguramente desonerou as empresas, mas a qualidade caiu.  Sem contar coma queda na qualidade do material humano intrinsecamente.  Ou você já tentou estabelecer um diálogo racional e produtivo com algumas pessoas que estão por aí justamente fazendo essa prestação de serviços?  Quer-se economizar ao máximo, então se jogam lá para baixo as exigências… já viu.  Mas quem ganha muito pouco e tem seu trabalho desvalorizado, e acho foi exatamente o que esse tipo de relação de prestação de serviços conseguiu fazer, não tem ânimo, não tem vontade de batalhar, não tem vontade progredir, não tem horizonte (raríssimas são as exceções).  O círculo vicioso está estabelecido, lamentavelmente!

Pois é, olhando para trás, lá onde comecei a trabalhar, vejo uma diferença imensa, um abismo entre os valores, as condutas, a formação, a qualidade dos profissionais de então e os de agora.  E não é conversa saudosista, não!  É realidade!  E isso acaba se estendendo a todos os patamares; serviços, sobretudo (quantas reclamações já não postei sobre o que ocorre no setor de alimentos, entrenetimento e afins?!).

Bem, mas como a esperança é a última que morre (será?!), quem sabe um dia a situação se inverte e conseguimos voltar a níveis mais sofisticados, desenvolvidos, que voltem a nos atender ou que nos atendam ainda melhor. O caminho não sei qual é. Só espero que haja um retorno logo ali adiante.

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