Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

15

de
fevereiro

Agora acabou!!!

Fui ao MASP  ver China, Construção e Desconstrução ( vejasaopaulo.abril.com.br/red/galerias_vejinha/arte-contemporanea-chinesa/), que terminava hoje.  Bem interessante!  Gostei muito de dois pintores (Chen Bo e Liu Ding).  A exposição não é muito abrangente, mas é interessante.  Depois aproveitei para ver Olhar e Ser Visto, obras do acervo do museu.  Como já estive em outras mostras compostas por obras do acervo, vi o que havia de diferente nesta e revi rapidamente o que já havia visto nas outras vezes em que estive no 2o. andar.  Também tinha Portinari no subsolo, mas como não gosto tanto, deixei para ver noutro dia.

Mas é preciso que eu diga que o MASP continua um museuzinho de província!  Às 11h, quando abre, só um dos guichês funciona. Formam-se filas imensas (imaginem, estamos falando de um domingo, último dia de uma das exposições! Pode?).   Depois, em vez de um raio-x ou algo mais moderno, se passa num arco/portal, como aqueles de aeroporto. Apita, você volta, abre bolsa, uma senhora fuça, e, claro, se eu fosse um bandido entrava facilmente, porque o treinamento para e  seriedade dessa revista, vê-se, são inexistentes! A estrutura é arcaica e não condiz com um museu de São Paulo.  Enfim, é o que temos!

Aí foi a vez de Coraline ( www.imdb.com/title/tt0327597/ )( cinema.uol.com.br/ultnot/2009/02/08/ult4332u990.jhtm ), mais um 3D na praça!  Gostei mais de Bolt, mas esta animação também é legalzinha.  Vai numa linha de mistério, mais adulta, mas não deixa de divertir.  De novo, como só há versões dubladas, cadê o nome de quem faz as vozes?  Ai,ai,ai,ai,ai…

Aliás, como estão aparecendo filmes 3D (na verdade só uns 40% são 3D, e se você tirar os óculos especiais a imagem não fica tão boa, mas não é 3D 100%), e como a entrada é cara!  Bem, imagino que a tendência seja que todos um dia serão 3D ou algo parecido, e aí o custo da entrada deve cair.  Hoje, a justificativa é que a tecnologia, os óculos, etc., etc., encarecem. Sei não!

E só para terminar: depois do filme fui visitar a mãe de uma amiga do coração. A senhorinha, de 91 anos, passou meses entre hospitais que são referência em SP.  Nesse período, minha amiga tornou-se quase uma expert de como obrigar essas instituições renomadas a fazer o mínimo que têm de fazer pelo doente!  Incríveis os casos que me contou!  Até processo contra um grande hospital e uma equipe renomada de cardiologia está rolando.  A mãe ganhou fraturas e escaras, das quais está se recuperando até agora. E vejam que estamos falando de SP, de hospitais renomadíssimos (não dou o nome aqui para não correr o risco de ser processada…isso eles sabem fazer. Aparentemente, as equipes jurídicas são mais competentes que as médicas. Éééé…tem lógica!).  Uma verdadeira história de horror, descaso, incompetência, desrespeito! De qualquer forma, a mãe agora está em casa, com home care, e se recuperando bem.  Ótimas notícias!

15

de
fevereiro

Ainda não chegamos ao final…

Bom, depois de tanto conteúdo…um pouco de bobagem para divertir.  E aí fui ver a peça Andaime (vejasaopaulo.abril.com.br/teatros/atracoes/at0123224.html?codEstabelecimento=bbdf65dd1930d010VgnVCM1000000b0417ac____&nomeCategoria=TEATROS&numeroLogradouro=650&cep=&nomeEstabelecimento=Teatro%20João%20Caetano%20&codAtracao=9d) no teatro João Caetano, ali na Borges Lagoa.  Fazia mais de 15 anos que não ia a esse teatro, que é público.  Uma lástima!

A entrada é barata, mas também…as cadeiras estão em estado lamentável!  Puídas praticamente, são desconfortáveis de tão “sentadas” que foram.  O cheiro de mofo é uma coisa de louco! Além disso, na contramão da modernidade, as entradas só são vendidas na bilheteria e uma hora antes do espetáculo, além de não haver lugar marcado!  Como é que pode se administrar um teatro, em S. Paulo, dessa maneira?

Sorte que a peça até que é boazinha. Divertida. Antes era encenada pelo Cássio Scapin.  Ele teve de sair por causa de outros trabalhos, sobretudo Irma Vap.  Então ficou o Claudio Fontana, de quem eu gosto muito, e o Elias Andreato, autor/diretor da peça.

É basicamente um diálogo entre dois limpadores de janelas de edifícios, empoleirados em um andaime.  Há momentos hilariantes, como quando se aproveitam da visão privilegiada para pegar carona em uma aula de ginástica.  O raciocínio tortuoso dos dois trabalhadores também gera momentos bem divertidos.  Não é um arraso, mas dá pra divertir.  A gente não vê o tempo passar, apesar do horror do desconforto do teatro.

Bem, depois um jantarzinho, que ninguém é de ferro. Fui conhecer o Nam Thai ( www.namthai.com.br/site2/namthaisp.asp ), ali na Manuel Guedes. Uma delícia!  Pratos, bebidas e sobremesas temáticas muito bons!  O preço está de acordo com a qualidade da comida e com a ambientação.  O atendimento da garçonete foi bom, mas, como já se tornou normalíssimo, o serviço como um todo é caótico!  De qualquer forma, vale a visita.  Eu voltaria!

15

de
fevereiro

You never know what is coming for you!

Bem, na tela grande vi The Curious Case of Benjamin Button (www.benjaminbutton.com/ )( www.imdb.com/title/tt0421715/ ). O filme foi baseado em obra homônima (coletânea de contos) de F.Scott Fitzgerald. Como desenvolvi uma antipatia vitalícia pelo autor, depois de ler The Great Gatsby e Tender is The Night - não me perguntem por quê - não li essa obra. Talvez seja até melhor que o filme, ou o filme não seja totalmente fiel à obra literária, mas não posso dizer infelizmente. Se alguém souber desse detalhe, por favor, ilustre-me!

O filme é muito bonito, são três horas! Cansa um pouco, mas vale muito a pena. A Cate Blanchett está fantástica e o Brad Pitt está fantástico também!! Aliás, a cada filme ele está mais seguro. Além da beleza evidente, o brilho dele está mesmo é no talento e na progressão como ator.

A maquiagem e os efeitos são tudo de bom! A história da vida de um diferente é emocionante. Além disso, se vê como gente de idade tem muito a ensinar, acolhe os diferentes porque já viu tanto, de tudo, e em algum momento passa a dar valor ao que é importante de fato. O que está lá dentro, importando menos a aparência, o que é convenção, o que é imposto.

Vou comentar outro filme mais adiante, mas o que tem me chamado muito a atenção é a postura ou frase de vários personagens em vários filmes (estamos falando dos americanos, mas isso se aplica a todas as nacionalidades). Eles repetem, e repetem: I wish I had more time with him/her. I wish I had been with him/her longer. I have been with him/her less than I would like to!

Como assim? Se você não fica mais com uma pessoa de que gosta, se você não dá atenção, não quer saber, não se envolve, é porque não quer. Mesmo se a vida está corrida, hoje com os milhares de recursos de comunicação: internet, sms, telefone, celular, se você não se manifesta é porque não quer, não tem vontade. Não importa a razão de não querer ou não ter vontade, mas é tão simplesmente isso que acontece. E os únicos desdobramentos para essas atitudes são cinco basicamente.

Vamos imaginar uma situação-limite: uma pessoa morre (conhecido, suposto amigo, familiar) e você pensa: gostaria de ter convivido mais, ter dado mais atenção. E????

  1. ou você vai carregar a culpa pelo resto da vida e amargar (pouco provável);
  2. ou você não vai carregar culpa nenhuma. Afinal se você não tinha tempo em vida para o outro provavelmente ele/ela não significava tanto, não importava tanto (a alternativa mais verdadeira);
  3. ou você vai ter a culpa, processar e mudar ou não (tem gente que não aprende);
  4. ou você joga toda a culpa no que não teve a atenção, e livra sua consciência (imagine, o outro era louco! Exigia demais! Eu dei o que pude. Sei, sei…) (sem dúvida a alternativa mais comum, mais cômoda);
  5. ou você não sente culpa porque fez tudo isso conscientemente, i.e., não deu atenção, não cuidou, rompeu ou não porque quis ou não quis e tem isso bem claro (a alternativa mais rara, mas a de que gosto mais).

Lamentavelmente, o que era só um bordão cinematográfico passou a fazer parte integrante, e porque não banal, de nossas vidas, da de todos nós, mas a gente só se dá conta quando é muito tarde em geral. A realidade é que imita a ficção.

Bem, voltando ao Benjamin: a história é pungente, é bonita, há encontros e desencontros como em todas as histórias que envolvem ricas relações humanas.

Uma criança que nasce com todos os problemas de saúde externos de um octogenário e chega ao final da vida com a forma de um bebê e com todos os problemas internos, adquiridos com a idade, de um octogenário. No mínimo uma elucubração original, provocante.

Mas não deveria ser assim em minha opinião. Melhor se a gente começasse em forma e conteúdo como um octogenário e fosse regredindo ao estado de um recém-nascido em forma e conteúdo também. Aí sim, a vida seria uma grande festa, cada dia melhor! De toda forma, eu até gostaria de ser um Benjamin Button se tivesse alguém como Daisy para cuidar de mim até o fim! Quem não gostaria?

O outro filme foi The Reader (O Leitor - www.imdb.com/title/tt0976051/). Mais um filmaço da K. Winslet. Além do filme com Di Caprio (meu post de 7 de fevereiro), este é outra obra-prima. Ela está fantástica! Com poucos diálogos consegue transmitir angústia, conflitos imensos! O rapaz, David Kross, que faz o Dr. Berg quando jovem, e que carrega junto com a Winslet o filme, está maravilhoso. Ele consegue tornar o caminho dos 15 aos 20 e poucos anos muito crível. Domina o processo do amadurecimento da personagem e prepara o caminho para a atuação de R. Fiennes.

Aliás, eu gosto, ou gostava, bastante do Ralph Fiennes, mas nos últimos trabalhos estou achando que ele virou ator de um papel só. Está blasé até não mais poder. Assim não dá!

Enfim, o Fiennes faz uma pessoa “paralela” como a que mencionei acima. Não “toca” em outras pessoas. É covarde, é comodista, e depois se autovitimiza carregando uma culpa que amarga a sua vida e a de todos a sua volta. Ohhh, criaturinha desprezível! Deixa uma mulher cumprir pena tendo sua absolvição nas mãos, por pura covardia, pura indecisão, pura acomodação! Depois leva a personagem de Winslet à desesperança, à falta de horizonte que ela não sentiu em nenhum momento, em meio a tanto sofrimento, justamente por não demonstrar nenhum “contato” humano, não processar sentimentos, ao ser covarde novamente. E depois chora, e chora, e tenta consertar a situação! Pls, give me a break! E quantas pessoas não há assim? “Paralelas’!

O filme é bem denso, bonito, mas pesado. São processos humanos, mais que simplesmente históricos. Vá ver, mas olhe sobretudo para a Winslet e D.Kross, o resto é resto!

15

de
fevereiro

Ufa!!! O que não falta é movimento neste final de semana!

Pra terminar/começar bem a semana, duas imagens emblemáticas! Num dia chuvoso como hoje nada melhor para alegrar: Olívia e os filhotes da Hime – alegria, vida, o melhor do que há no mundo. A Olívia transmite em cada porinho o prazer da vida, o prazer de ser muito amada por pais, avós, e todos que entram em contato com ela. Tomara que ela capte toda essa energia positiva e que lá adiante todo esse brilho esteja lá dentro. Bonitos vazios os há tantos! Bonito ou feio com substância, isso é o que faz uma pessoa se sobressair de fato, ser querida, amada, única! Viva Olívia!

Quanto aos filhotes da Hime, como já mencionei anteriormente (post 1º. de fevereiro – Um baú de atividades!), ela deixou os cuidados exagerados com a prole de lado. Tudo tem seu tempo! Os 3 filhotes já abriram os olhos, já andam, desengonçadamente, mas andam, fazem xixi no lugar certo (muitas vezes, pelo menos). Então a Hime, responsável que é, dá de mamar, atende um chorinho ou outro, vai lá verificar como está a gurizada, mas nada de grandes dengos. Afinal, ela sabe que daqui a umas semanas: bye bye, filhotes. Digam a verdade, sapientíssima a fauna! Vamos aceitar o que dita a Natureza e ponto! Como diz um amigo: ninguém é ninguém nesta vida, então melhor fazer o que tem de ser feito e pronto; aproveitar o momento, o que há de bom nas pessoas, no que a vida oferece; assimilar, “sugar” o que der alegria porque a gente não sabe como vai ser o amanhã (e olha que tem montes de futurólogos sérios e com boa média de acertos por aí!). A Hime dá a atenção de que os filhotes ainda precisam, alimenta, vigia, mas já voltou à sua vida. A gente já pode ver nos olhos dela a mesma alegria, a mesma inteligência, o mesmo brilho, o mesmo carinho (dou, e quero) de antes do parto. Welcome back, Hime!

Diferente da semana passada, que foi calminha (fim de semana), tenho muitas coisas para contar (e opinar, que vocês sabem que não consigo ficar quieta…), então vou dividir por posts, senão nem eu vou achar o caminho.

Vamos começar com um revival de Woody Allen que resolvi fazer. Eu vejo os filmes de WA como ator e diretor (sim, ele não foi diretor a vida toda, ou seja, não era diretor nos primórdios de sua carreira no cinema -1965) há mais de 3 décadas. Talvez não tenha visto todos, mas vi muitos, a maioria acho, e gostei de quase todos. Mas nos últimos anos, de 2000 para cá mais ou menos, acho que ele perdeu a mão. Perdeu o brilho, a sua marca registrada. Os 3 últimos então (Scoop, Cassandra’s Dream e Vicky Cristina Barcelona) deixaram a desejar mesmo, para mim pelo menos. Vejam bem, são bons filmes, mas podiam ser feitos por qualquer um! Não são WA, o WA brilhante, único, original! Para mim WA era como são hoje os irmãos Cohen e Almodóvar (aliás eram as direções de que eu mais gostava). Explico: eu sei que vou ver alguma coisa diferente, com estilo, que só eles poderiam fazer. Às vezes o filme nem é maravilhoso, mas eles estão lá! Pois é, para mim é isso, WA não está mais lá. Mas se vier filme novo, eu vou ver! Esperança é a última que morre, então espero me reencontrar com o gênio de WA algum dia.

Bem, ganhei e comprei vários filmes (DVDs) de WA. Comecei a ver aleatoriamente. O primeiro: Dirigindo no Escuro (Hollywood Ending - www.imdb.com/title/tt0278823/ ). Este eu não vi no cinema. Tk God! Acho que foi por causa das críticas arrasadoras na época. Na verdade, ele me lembra filmes ou algum filme do WA que vi há pelo menos uns 20 anos! Ou seja, ele se repetiu. Voltou à comédia pura, fez o papel de si mesmo (este ainda me diverte muito…sorry!). O tema é até interessante: um diretor que fica cego no início de filmagens que seriam importantíssimas para sua carreira. No começo o segredo é compartilhado por um amigo e uma pessoa paga para ajudá-lo, mas, claaarooo, num determinado momento a coisa desanda, o engodo vem à tona, o diretor genial é suportado fazendo um monte de quecas, porque é genial (afinal o mundo é assim mesmo, ou não?). Tô achando até que, consideradas as devidas diferenças/proporções, tem um pezinho em Ensaio sobre a cegueira (Saramago 1995), enfim…

Há a fogueira das vaidades, as relações superficiais (networking com se diz hoje em dia, pra dar importância às acquaintances que interessam) que as pessoas do meio têm de manter para se encaixar, conseguir trabalho. Ah, já havia um chinês envolvido na trama (um profissional trazido da China para trabalhar no filme dentro do filme). No mínimo um visionário da globalização e do renascimento da China esse WA!

A trilha sonora é primorosa (nisto WA quase nunca erra). Há momentos hilariantes, há diálogos divertidos. É um filme bom pra divertir, não compromete e vale a entrada do cinema, ou o aluguel do DVD, mas é só isso, um filme como milhares que a gente vê (eu já vi milhares, seguramente) por aí. Tem George Hamilton, Debra Messing (Will and I), e mais um elenco bem mediano.

O bom dos filmes de Allen, principalmente os que têm NY como pano de fundo, é a beleza que consegue mostrar da cidade que ele ama (e que eu adoro, também!). É beleza, poesia pura!

Não sei ainda o que vou ver a seguir (talvez Melinda e Melinda – este vou rever). Depois conto.

No próximo post, dois filmes da telona.

10

de
fevereiro

Futebol, inimigo do povo???

Nunca gostei muito de futebol.  Pelo que me lembre, quando era bem mais nova e tinha motivações diversas (meu pai gostava muito, minha mãe um pouco, amigos e parentes sempre discutiam o assunto), até “descia”.  Eu também entrava no clima das copas.  Mas hoje?! Qual!  Não só não gosto, como abomino.  Principalmente se considerarmos no que se transformou o futebol:  valores astronômicos, irracionais pagos a “craques” para fazerem bem seu trabalho, bem como o papelão que muitos deles fazem como figuras públicas.  Ninguém tem nada que ver com a vida privada deles? Certamente! Mas então não desfraldem comportamentos que dão mau exemplo, que caracterizam pessoas de cabeça e espírito pequenos, gente tosca em vários níveis.  Além disso, o comércio em torno do esporte é assustador.  O principal virou acessório.

De qualquer forma, não há como negar: futebol é algo que movimenta zilhões, então nenhuma chance de ser banido da terra.  Hoje não é esporte, é um grande negócio, muito mais para quem está fora do campo do que dentro dele, imagino (redes de comunicação, empresários, anunciantes, etc.).  Afinal, quantos jogadores ganhando fortunas pelo mundo há, levando-se em consideração o número de torcedores espalhados pelo mundo ou o número de países em que o futebol é praticado?  Ou o número de times em ação? A proporção é irrisória; mas não importa, eles estão em todas as mídias, são garotos Armani, homens Calvin Klein, ídolos Caras, dão opiniões, são entrevistados a todo momento e em grande estilo, e por aí vai.  Mudam de time como em um leilão: quem dá mais?  Até mesmo o que grandes marcas desenvolvem para o futebol, visa não unicamente o desemplenho dos jogadores, mas atingir o mercado posteriormente, com produtos de ponta. Eles são as cobaias, nada além disso. Então é negócio, sim.

Bem, como diria minha mãe: o que não tem solução, solucionado está, então só resta se conformar com o que o esporte da bola provoca no mundo.

Toda essa elucubração veio à tona, porque no domingo, quando tentei ver um filme no Imax do Bourbon, encontrei uma situação de caos pela região. O jogo: Palmeiras x Santos.  Além das famigeradas torcidas organizadas/uniformizadas, claro que há os torcedores que vão aos estádios só para torcer, se divertir.  Vi muitos casais de mais idade a caminho do estádio. Vi pais com filhos, com esposas, com filhas. Vi grupos de rapazes/amigos que me pareceram tão-somente alegres, bem-intencionados. Mas o que fica de todo o evento é: a sujeira, a perturbação no trânsito, na vizinhança.

Obviamente não questiono, em nenhum momento, o direito de, o que?, 20.000, 30.000, 40.000 pessoas se divertir, ver seu time jogar, se juntar à ou diluir na massa. E, claro, têm todo o direito, como cidadãos e contribuintes, a infraestrutura de transporte, segurança, saúde/emergência.O que não pode acontecer é a perturbação da vida dos outros zilhões de cidadãos e contribuintes que moram na região, que querem ter acesso a algum lugar na área, que precisam ir e vir.  Explico: além de várias mãos de ruas terem sido alteradas, sem sinalização condizente para alertar motoristas/pedestres, várias linhas de ônibus mudaram seu percurso.  Igualmente, não havia nenhum aviso nos pontos de ônibus (e olhem que são poucos em que isso deveria ser providenciado) sobre as altearções. Enquanto eu esperava meu coletivo, várias pessoas foram alertadas por motoristas que passavam, ou outros “commuters”,  que tal e tal linha estava passando só no quarteirão de cima.

Ou seja, na verdade não é o futebol ou os torcedores que causam o problema, mas as autoridades que administram a cidade e não têm cuidado, visão, para poupar o cidadão não-torcedor.  Acham que como estão garantindo o acesso dos torcedores ao estádio, sem grandes estragos, já está feito o dever de casa. E as centenas de milhares ou milhões de outros cidadãos que se virem!
É uma postura no mínimo limitada e canhestra, mas esperada quando se trata da ação pública no Brasil.  Por que não sinalizar os pontos do ônibus, i.e.: placas com os dizeres “em dias de jogos as linhas……mudam seu itinerário e passam a circular…..”, ou algo parecido.  Seria só afixar uma placa resistente no ponto do ônibus, o que resolveria o problema de forma duradoura.  Por que, nas ruas em que há mudança de mão, não há superplacas com dizeres semelhantes?  Enfim, é pensar, planejar e fazer o que tem de ser  feito para minorar os transtornos que grandes manifestações ou eventos como um jogo de futebol pode causar a uma megalópole como SP, bem como a seus habitantes. Além disso, não há só um jogo por ano, mas vários, então, supostamente, “practice makes perfection”.  Se os administradores da cidade tivessem realmente competência todos teriam seus direitos garantidos sem maiores prejuízos para a cidade, mas infelizmente não é isso o que acontece.

Pena mesmo!  Quem sabe um dia?!

8

de
fevereiro

Tread softly because you tread on my dreams. W.B. Yeats

O final de semana foi superlight. Acho que estava precisando de uma acalmada mesmo.

Hoje foi dia de almoçar na casa de um amigo e comer mocotó (pt.wikipedia.org/wiki/Mocotó, culinaria.terra.com.br/dicas/preparando/0,,OI318880-EI150,00.html ), pela primeira vez na vida. Acreditem, o primeiro mocotó a gente nunca esquece! Sobretudo se tão bem-feito; estava gostoso mesmo. Lembrou-me a dobradinha da minha mãe (dobradinha só a da mãe ou de alguém de superconfiança) quanto à textura. Estava uma delícia (obrigada, Da. Mirna)! Além da delícia de mocotó, sobremesa e café, conversa com gente supersimpática, e muito Miles! Lindo ( http://picasaweb.google.com.br/miriamkeller/Miles022009?feat=directlink )! Obrigada a meu amigo pela acolhida, pelo carinho – isso não tem preço!

Depois tentei ir ao Imax do Bourbon para ver Fundo do Mar (Batman não me interessa). Apesar da muvuca pelo jogo do Palmeiras x Santos, que gerou um movimento de carros e gente imenso, cheguei lá umas 15.50h, mas já não havia entradas para 16.30h, última sessão de Fundo do Mar. Só havia para 18h – Batman e apenas 4 lugares. Crise, onde, onde, onde??? Ingresso = R$ 35,00! Bem vou tentando. Se não der Fundo do Mar, talvez outro filme que não seja Batman.

Com um céu negro “hanging over my head”, um calor de lascar (Tk God!), e mocotó correndo pelas minhas veias, desisti de ir à Paulista para ver outro filme. Direto para casa. E na horinha em que entrei no coletivo, chuááááááá…Ufa! Que sorte!!!

Então, que fazer? Que tal um DVD (agora dei para isso, meu Deus!)? Havia um que ganhei e queria rever. Assisti ao filme faz muitos anos: Nunca te vi, sempre te amei (84 Charing Cross Road - www.imdb.com/title/tt0090570/ ). E não é que o título nacional conseguiu transmitir mais do filme do que o título original (de novo?! Incrível!)? Na verdade, eu me lembro de que gostei muito do filme à época da apresentação no cinema, porque é de uma poesia e delicadeza imbatíveis. Anne Bancroft e Anthony Hopkins estão maravilhosos. Judy Dench também participa. Não é a grande estrela de filmes mais recentes, mas está muito bem. O fato de o filme se basear não em grandes contracenações, mas basicamente na oralização de textos datilografados (não havia computador,nem mesmo máquina elétrica a rodo), de cartas enviadas e respondidas é um “achievement” fantástico. Sobretudo se considerarmos que tudo gira, em primeira instância, sobre o amor a livros, à literatura. Claro que essa é só a base de uma maravilhosa troca de energia, fluidos de gentileza, generosidade, civilidade, atenção, alegria, discordância entre pessoas que nunca se viram ou se verão. E tudo se manteve bem, o carinho e o apreço se mantiveram, pasmem, justamente porque as personagens jamais se encontraram! Um texto pode criar, aliás cria mesmo (minha experiência pessoal), um ser que não existe. Difícil encontrar em carne e osso aquilo que um texto pode projetar. Então, ainda bem que as personagens jamais se deram as mãos, aliás jamais se falaram mesmo ao telefone. Isso salvou a relação de todos.

Interessante ver os penteados, ou será perucas, das atrizes, o contraste entre o guarda-roupa inglês e o americano. O filme começa em 1950 e vai por duas décadas. Que coisa! Como se fumava e bebia…em trens, em cinemas! Outros tempos!Será?

Tudo começa quando a AB vê um anúncio de uma livraria, ou sebo, em Londres e passa a encomendar livros. Tudo era na base de cartas, correio, confiança (o livro seguia e a fatura junto para que o pagamento fosse então realizado). Outros tempos mesmo!!!

Conhecendo os problemas por que passam os ingleses (racionamento), a personagem de AB começa a enviar comida e outros itens a partir da Dinamarca para a livraria. Seu interlocutor é o AH, que se encarrega de distribuir irmãmente tudo que recebe. A real importância de tudo isso? Por que ela começou a enviar os alimentos e outros itens do desejo? Porque ela quis, porque ela podia, porque ela achava que devia, porque não custava para ela, porque ela sabia que isso faria bem aos outros, e não havia desejo de retribuição. A mão foi estendida desinteressadamente de um lado e afagada da mesma forma do outro. E por isso eu me lembrava tão bem do filme e queria revê-lo.

É que, de repente, há umas duas, três semanas, percebi (agora estou assim, em vez de bar em bar, vou de insight em insight), que eu também havia engendrado há alguns anos um caminho parecido, sem me dar conta (ai que falta faz um terapeuta…).  Só que para mim, havia incômodo, estava me fazendo mal.

Explico: por outros meios, criei uma pessoa sem conhecê-la pessoalmente. Quando a conheci, em vez de adaptar o que eu havia criado, projetado, imaginado ao real, que fiz? Tentei adaptar a criatura a minha criação! Tentei, e tentei bastante. Claro que o real não batia com o imaginado. Sempre havia algo faltando, algo que eu esperava e não vinha, algo que vinha e eu não esperava. Gastei energia, atenção, carinho, e muito, com uma quimera! Mesmo sem segundas intenções, tudo isso foi rechaçado, como se houvesse “second thoughts”, e quem me conhece sabe que eu não sou assim, nunca fui e espero jamais ser! Por isso acho que as personagens do filme tiveram sorte. Melhor ficar com a perfeição do que se imagina, pois em alguns casos não há como haver correspondência com o real. E, vejam bem, a culpa não é do outro, a responsabilidade pelo engodo, pelo menos o meu caso, é minha mesmo. Ninguém me vendeu nada enganosamente, eu é que viajei (e como!). Mea culpa!

Mas o bom é que esse exercício não tem uma mão só. O inverso também acontece, disso também me dei conta só agora: poder descobrir uma pessoa melhor, mais sensível que a gente não enxergava antes. Por exemplo: pelo mesmo meio/instrumento pelo qual criei uma pessoa que não existe também tive a oportunidade de descobrir facetas de uma amiga que eu não adivinhava mesmo convivendo com ela quase diariamente. Uma amiga de anos, querida, da qual me dei conta de sua profunda sensibilidade, repentinamente. Hoje, consigo enxergar, em todos os momentos em que convivemos, a grande alma que está por trás de um comportamento maroto, moleque, jovial, às vezes até meio ranzinza.

Pois é, às vezes a gente perde, mas às vezes se ganha e na mesma medida. Que bom! Pra mim já está de bom tamanho.

7

de
fevereiro

Di Caprio e Winslet, king and queen of the world!

Esta semana foi demais! Mas no bom sentido, claaarooo!!

Além de estarmos vendo céu azul e sol firme pela primeira vez no verão de SP, o que deixa tudo mais bonito, apesar das altas temperaturas e da chuvarada que continua castigando a cidade em vários momentos, teve muito mais.

Puxada de ferro básica, senão o meu cuidador (Marcos) me mata…e depois só diversão. Primeiro foi o show no Paon, na 4ª. Grupo Vox, que está sendo trabalhado pelo Cantando na Chuva. Os meninos têm uma voz linda, cantam “a capella” muito bem – só faz isso quem sabe e pode – mas o show é muito pobre. Começa pelo guarda-roupa, vai pelo cabelo, pela falta de uma voz grave no grupo (é playback que faz as vezes) e som instrumental gravado também. Se o André Hã estivesse na produção musical, tenho certeza de que eles fariam uma apresentação muito melhor. Até porque eles têm capacidade/qualidade vocal (sou leiga, mas como a maioria é leiga mesmo, então acho que dá para confiar um pouco na minha opinião auditiva). Os meninos são carismáticos, simpáticos, e se bem orientados podem ter um caminho luminoso. Mas do jeito que está, não vai dar não.

Na 5ª., o Marco (uma pessoa que sempre me cumulou de atenção e gentileza, mesmo a gente não tendo uma convivência como tenho com outros amigos) ofereceu um jantar-churrasco na casa dele. Lá estavam outros amigos, a comida estava ótima, a gentileza e atenção do Marco também estavam lá. Era aniversário de outro amigo (Alexandre), então foi um encontro bem alegre. Só posso agradecer ao Marco pela oferta do jantar, pela acolhida em sua casa, o que não tem preço. Pena que não pude ficar até o final, pois a semana vinha sendo bem dura em termos de trabalho (carga e horário também), então “duty before pleasure”!

A 6ª. foi pesada no trabalho (como sempre digo, na minha profissão, não é o que ou quanto se faz, mas como se tem de fazer, i.e., a pressão é imensa muitas vezes e a gente tem de administrar para poder dar resultado), então que venha o fim de semana!!

E ele veio!!!! Graças!!!

Tinha um passeio programado para hoje, que não vingou, mas aí tudo ficou igualmente bom:convite para um chá com Da. Adina, minha vizinha de um prédio em que morei até 6 anos atrás, e que conheço há mais de 20. Com 81 anos ela é uma fortaleza, conversa como ninguém, uma delícia de troca de idéias. E a postura, o garbo. Nada de costas inclinadas, tremores, indecisão…passos firmes, andar ereto, conversa pra encher o cérebro e o coração. Tudo de bom!

O chá foi às 17h. (of course!!), mas o dia rendeu. Há várias semanas que não tomo um tempo com tranquilidade para passear pelo bairro que, modestamente, acho um dos melhores do mundo! Em 4 ou 5 quarteirões resolvo a minha vida, em termos práticos: tem sapateiro, reformas de roupa, lavanderia, florista, lojas de todos os tipos, farmácia, supermercado, materiais elétricos, restaurantes, lanchonetes, etc. Além disso, tem muito verde, tranqüilidade e, apesar de ser SP, ainda bastante segurança. Andei pela rua Pinheiros. Sempre passo por ali, mas não caminhava por ela de forma tranquila e atenta há algum tempo. Depois que as obras do metrô começaram, de um buracão a céu aberto virou uma rua charmosa. As calçadas foram refeitas, o comércio se reorganizou (algumas lojas/comércios antigos fecharam, novos já se instalaram), enfim ficou mais bonita, está se sofisticando um pouco. Daqui a pouco a estação da Fradique vai estar pronta, então aí o metro quadrado vai ser um arraso (já deve ter subido muito). Ainda há espaços para instalação de novos negócios, mas poucos. Quem aguentar até a inauguração da estação de metrô vai ser recompensado seguramente. Foi ótimo rever com calma e atenção um pedaço do bairro de que gosto tanto.

Depois de almoço em uma hamburgueria ali na Pinheiros, 681 (Twin), que estava bem gostoso (o atendimento foi nota 10), descarregar umas comprinhas em casa (ah, sim, os preços na região não são metidos. Há lugares ótimos – bazares de montão – para compras), e cinema antes do chá que ninguém é de ferro.

Hoje foi a vez de Foi apenas um sonho (Revolutionary Road - www.imdb.com/title/tt0959337/), com Di Caprio e Winslet. Isso mesmo o “casal Titanic”. Os dois estão muito bem no filme. Ótimos mesmo. Há também a Kathy Bates que, me perdoem os bonitinhos, mesmo não sendo uma musa em termos de beleza tem um brilho que só ela. As curtas participações da Bates ficam na memória. O Michael Shannon (queeeem??? Google pls, porque ele já fez zilhões de filmes - www.imdb.com/name/nm0788335/ ) também está ótimo. Apesar de fazer uma pessoa com problemas nervosos, é o único sensato total do grupo.

O filme é bem interessante, discute com profundidade e sensibilidade as relações humanas. Há ali o que escrevi no meu post de 21 de janeiro – Feliz Aniversário! Mulheres que não nasceram para, não queriam e são mães. Mulheres que não puderam/podem fazer a escolha sobre o que desejam de fato para si. Não decidem sobre seu próprio corpo.

Mas o forte mesmo é a dificuldade dos relacionamentos, mesmo entre pessoas que se conhecem supostamente bem, se dão bem, se gostam (post de 24 de janeiro – Mirei uma coisa…). Não tem como, sempre haverá a surpresa, ou melhor, a decepção. As pessoas mudam, então a pessoa com que se estabeleceu um vínculo ontem, não é a mesma hoje e não será a mesma amanhã. A questão é: quanto é preciso gostar e aceitar para se levar esse tipo de convivência adiante? Na minha opinião, a pergunta é outra: qual é o grau de anulação e acomodação necessário para levar esse tipo de convivência adiante? Me digam vocês!  Enquanto há sexo, ainda vai, depois…complica. Por isso sempre digo: vida a dois para dar certo é vocação, não é herança genética ou antropológica.

Os atores conseguem criar um clima opressivo, angustiante. Fica claro que (lembrem-se!) sonho é tudo! Quando ele acabar, a gente acaba como ente criativo, ativo,feliz. Não há substituto para o sonho. Minha mãe dizia: o melhor da festa é esperar por ela. Concordo 100%. Claro que a festa tem de chegar, mas aí nem importa se ela é tão boa, o que veio antes (o sonho) já compensou. Foi assim que aprendi a viver a vida, e não tenho queixas.

Di Caprio e Winslet me pareceram bem envelhecidos – e não é só pela temática do filme, enfim, vai saber…O ritmo é ótimo, há mudanças no meio do caminho (meio esperadas, mas gerenciadas com maestria, o que as torna interessantes), e o final do filme é emblemático, principalmente para os homens…O problema é que os casados (homens), a partir desse final, sofrerão vigilância e sabatinas mais apuradas de suas companheiras. Watch out!

E pasmem, desta vez o título em português está melhor que o original, mesmo sendo diferente! Deu mais peso ao que o filme pretende mostrar! Inacreditável!!!

O filme se passa em 1955. A trilha sonora traz muitos hits da época e é ótima.

O diretor é o Sam Mendes (Cabaret, Road to Perdition, American Beauty), então só podia dar nisso. Em resumo, o filme é ótimo, não dá para chorar, mas dá para incomodar, fazer pensar, estetivamente é bonito, que já está de bom tamanho.

3

de
fevereiro

The winner takes it all!!! Acho que não…

Eu sempre gostei do ABBA (AgnethaBjörnBennyAnn-Frid - uma boa sacada de um empresário = nome de uma fábrica de peixes enlatados, que permitiu também o uso do nome pelo grupo) (http://en.wikipedia.org/wiki/ABBA - este link é superbom!!!!).  Então assisti a dois DVDs: Abba Gold (1992), que tem clipes das músicas mais representativas e Abba - The winner takes it all - the history (1999).  Eu cantei, eu dansei Abba.  Eles fazem parte do melhor da minha vida, então vamos lá!

Eles começaram em 1974, com Waterloo, ganhando um concurso musical en Brighton, Inglaterra.  Depois veio SOS, e o mundo começou a olhar para o Abba com mais cuidado. Em 1977 fizeram o primeiro conserto fora da Europa, na Austrália que os elegeu como grandes ídolos.

Todos os componentes, antes disso, já tinham sua história musical, ou solo ou em grupos.  O que tinha mais projeção era o Björn Ulvaeus (conhecido do público, apresentações em tv).  Na verdade, tudo aconteceu meio que por acaso.  Benny encontrou Björn pela estrada, que encontrou Agnetha, e Benny encontrou Frida.  Casaram e foram felizes para sempre…na verdade, não foi bem assim.  O break-up total veio em 1983, mas antes disso, mesmo com os casais divorciados, continuaram cantando, se apresentando juntos, e aí vieram grandes músicas como The winner takes it all,  One of us, baseadas nas duras experiências pessoais.  Daí em diante, nas apresentações revival, as duas cantoras não participavam, outras foram escolhidas para substituí-las.

Foi o único grupo sueco com sucesso mundial e inconteste até hoje.  Com Dancing Queen, Fernando, chegaram a ficar 16 semanas nas paradas americanas.  Todo mundo cantou e canta Abba, até o Bono Vox.  Eu vi partes desse documentário do DVD na tv há alguns anos e o que me chamou muito a atenção foi a declaração de músicos, cantores e do pessoal envolvido com a produção da peça Mamma Mia (no palco desde 1999).  Eles são unânimes em afirmar que a música do Abba é complexa estruturalmente, técnicamente, que Frida e Agnetha tinham vozes privilegiadas (uma é soprano a outra mezzo) para executar as músicas à perfeição.  O fato é  que a gente vendo e ouvindo as apresentações parece que é tudo tão facinho…seguramente porque eles são mesmo é muito bons.  O Björn foi o mais envolvido com o espetáculo teatral.

O ABBA foi o precursor dos clipes.  Eles tiraram um ano de folga em 1978, mas espertamente resolveram não sumir do mapa, ou da tela, ou das rádios. Então gravaram vários clipes (precursores dos de outros artistas como M.Jackson e Madonna), que foram exibidos à exaustão pelo mundo (aliás, me lembro sobretudo de Fernando, What’s the name of the game, e Knowing me knowing you ).  O Abba usava roupas e cabelos inusitados para a época, e para a Suécia.  Os clipes era toscos.  Obviamente para a época foi um feito; tentaram usar toda a tecnologia, efeitos especiais que tinham à mão e que era acessível financeiramente.  Afinal, não estavam em Hollywood!  E os penteados! Aliás o Björn já era metrossexual, afinal tingia o cabelo sem pudor: de loiro.  A performance deles era muito legal, e olha que não faziam drenagem, massagem, não tinham personal alguma coisa, não iam pra academia, e seguramente tinham medo: medo do público, da reação não vir positiva, do insucesso. Mas mesmo assim o talento e prazer que tinham em fazer o que faziam dava o gás de que precisavam.

O negócio de clipes deu tão certo, ou eles acreditavam tanto na atividade, que contrataram em 1981 um diretor para gravá-los. O primeiro da história.

O que fica da trajetória do Abba, que para minha sorte eu vi e vivi quase que inteirinha, é a “pure joy”  que eles transmitiam em suas performances, com suas músicas (mesmo as mais down).  Ali havia talento, brilho, vida, prazer de fazer.  Até hoje tem um Abba Day na Inglaterra.  São como Elvis, Beatles.  Depois de Priscilla os travestis e transformistas colocaram as músicas do Abba entre as suas favoritas.  Até o Benny pergunta no documentário: será que nossas roupas pareciam de travestis, transformistas? Por isso se indentificaram tanto?  Acho que não: a música é alegre, trepidante, colorida, tem sentimento, acho que é por aí…Mas que eles usavam umas roupas estranhíssimas, aaah, isso usavam mesmo.

A pena é que não eram projeções, imagens holográficas, eram pessoas de fato.  Pessoas que encontraram, se entenderam, se desentenderam, se afastaram.  Uns falam dos outros, no documentário, com muito carinho, mas a vida não vai reuni-los todos com certeza! No documentário eles dizem que ‘run out of energy’, ou seja, acabou a energia.  O Abba perdeu sua assinatura, sua identidade, e o silêncio se instalou.

Björn e Benny continuaram fazendo muitas coisas juntos.  Inclusive o musical Chess (que não conheço, mas vou tentar obter o dvd ou cd), que é dado como um dos melhores da década de 80, uma ‘materpiece” segundo críticos.  Benny cotinua com musicais, alguns de extremo sucesso na Suécia. A Frida tem uma carreira solo com projeção apenas na Suécia (canta em sueco), enquanto que a Agnetha se recolheu, fechou a porta e deixou o mundo do lado de fora.  Para o documentário, permitiu que apenas imagens dela fossem feitas, e deu seu depoimento apenas oral.  Aparentemente ela sofreu bastante com o lifestyle que o Abba impôs a ela. À época da gravação do documentário, vê-se que ainda era uma mulher bonita, que conseguiu ficar bem consigo com muito esforço, abrindo mão de muitas coisas. Aparentemente ela estava inteira interiormente.  Sem dúvida, os que parecem mais confortáveis com tudo que aconteceu e com sua atuação musical atual são os dois homens.

De qualquer forma, o que o Abba deixou é uma herança que perdura há 3 décadas e deve continuar por muitas outras, justamente porque foi feito com talento, com prazer, com brilho, com energia, com determinação.

Long life to Abba!

1

de
fevereiro

Um baú de atividades!!!

Dia de várias atividades…aliás, o dia estava lindíssimo! Um sol e céu azul como não víamos há tempos neste verão de SP.

Começando por visita à Hime. Com 10 dias apenas, os filhotes já estão parecendo miniHimes. Estão bem bonitinhos, pelo brilhante, mas ainda estão com os olhos fechados. Já percebi que cresceram bastante. Parece que vão abrir os olhos por estes dias. A Hime, embora continue boa mãe (quando os filhotes choram ela vai ver o que é imediatamente, dá de mamar), já se desprendeu um pouco. Deu para pegar e fazer carinho nos filhotes sem que ela ficasse agressiva ou preocupada. Deu até pra ter a “velha” Hime de volta. Um amoreco! Daqui a 15 dias volto para ver como estão as coisas. Desmamam em 35 dias, então tem tempo.

Depois foi o de sempre: lanchinho, cinema, teatro, teatro, pizza.

Fui para a Paulista e, como sempre, parei para comer uma coisinha leve no Center 3, na Casa do Pão de Queijo. Quando não quero comer muito, ou estou com preguiça de ficar escolhendo outras coisas, como um sanduíche de que gosto muito (Club Light), um suco, um café e pronto. É gostoso, não é caro, é relativamente rápido (poderia ser mais, mas com a mão-de-obra nacional isso se torna impossível!). Mas estou começando a ficar preocupada, pois me lembrei de um gerente chileno com quem trabalhei muitos anos. Ele viajava muito para Montevidéu, ficava lá um mês, e a única coisa que ele comia era “pollo agridoce”, ou seja, um mês e o homem não comia nada diferente. E olha que em Montevidéu se pode comer bastante bem. Era uma loucura conferir as despesas de viagem dele: um “pollo agridoce” atrás do outro! Eu o apelidei de “El pollo loco”, e claro que ele não gostou.  Mas era mesmo uma pessoa “dull”, embora fosse até bonito, educado, simpático. Comia sempre o mesmo sanduíche, só tomava o mesmo suco, comprava o mesmo sorvete. Eu, hein?! Cada um, cada um, mas eu não fui, não sou, e não serei assim. Afinal, segundo a numeróloga (meu post de 27/10 - Esoterismo express…) eu estou aqui por escolha, so let’s rock!!!! Então, na próxima vez não comerei mais meu “kit” preguiça…Isola!!!

Aí veio o filme: Yes man (Sim senhor - www.imdb.com/title/tt1068680/). Eu não gosto incondicionalmente do Jim Carrey. Vi alguns filmes com ele de que gostei bastante, mas outros detestei. Acho aquele negócio, que é a marca dele, de caras e bocas meio cansativo. Mas neste filme ele não chegou a abusar disso, não exagerou. O filme é uma boa reflexão , com bastante humor, sobre nossas negativas pela vida afora. Há aquelas que se justificam plenamente (afinal, como dizem no filme, você deve dizer sim somente se achar que deve, se quiser), mas há pessoas que negam sempre, ou porque julgam que não têm nada a oferecer (caso da personagem principal do filme:Carl) ou porque se julgam acima dos outros (e aqui acho que está a maioria). Gente que diz não aos amigos constantemente, que é desatento, que faz de conta que é atencioso e prestativo mas não o é de fato; e olha que os amigos insistem (estes, amigos de verdade de um pseudoamigo).

Que loucura! (como sabiamente diria Guilherme).

Na verdade, acho que as pessoas que fazem isso são um mix das duas coisas, i.e., “se acham e não se acham”. E haja paciência! Eu não dou mais pra isso (meu post de 25/01 – Só cair a ficha….).

Há também uma crítica bem humorada aos “comunicadores de massa”, não importa a vertente: religiosa, autoajuda, etc., e à histeria coletiva a que se chega muitas vezes, porque, mesmo que não haja má-fé, a mensagem é/pode ser mal interpretada.  Bom, bottom line: não deixe oportunidades passar, nada volta. Uma não-ação, uma palavra não dita, pode ser até pior do que uma ação ou algo que se diz. Ojo! Para não deixar sobretudo quem se importa com você pelo caminho. Isso não tem volta!

O final do filme também é um tanto inesperado, e bem divertido. Além do J. Carrey e Zooey Deschanel, que estão muito bem, o maravilhoso Terence Stamp (Sir) (O Colecionador, Priscilla) está muito bem em suas participações. O elenco é bem equilibrado e a trilha sonora é muito legal. As falas do Carl (J.Carrey) também são divertidas, têm um timing muito bom, e contrastam com o negativismo da personagem. Ah, sim, e não saia do cinema antes de os créditos finais terem passado quase que integralmente. Parece que acabou, mas depois de uns 3-4 minutos de créditos há cenas inéditas, divertidas, com os protagonistas.

Outra coisa sobre a qual o filme me fez pensar foi nas muitas coisas que já fiz na vida: aulas de violão (até o 6º. ano de conservatório), natação, joalheria, tapeçaria (fora o crochê e tricô que eram default na minha época de adolescente), dança de salão, participação por um mês em um programa da TV Cultura tipo “quiz show”, cerâmica, e sei lá mais o que.  E cheguei à conclusão de que tudo isso eu fiz porque tive vontade, eu disse “sim” porque quis; então sou uma felizarda! E acho que vou continuar por essa trilha (tomara!).

Depois do Yes man, uma coisinha bem light! Baú de histórias. Peça infantil que está no SESC Paulista.

Apesar da apavorante situação de estar em uma platéia em que 80% do público ia de 1 a 10/12 anos, nada de trágico aconteceu. A peça é da Companhia Ópera da Mala. Um casal que começou com isso há 10 anos. Passaram pela TV Cultura (gravaram quase 80 episódios que vão ao ar até hoje), e estão completando 10 anos da companhia.

Uma delícia de programa! Deu pra rir muito, todo mundo sai satisfeito. A linguagem que encontraram é maravilhosa! O casal de atores sabe improvisar e é de uma simpatia que conquista toda a platéia. Eu não havia visto nenhum espetáculo deles, nem mesmo na TV; só os conhecia pela mídia escrita. Mas se houver outros espetáculos vou tentar ver.

Como sou uma pessoa adulta (hein?!), terminei o domingo com Aquela Mulher – Marília Gabriela (Teatro Jaraguá) (teatrochik.terra.com.br/espetaculos/detalhe_espetaculo.asp?codigo=1839). É um monólogo (Hilary Clinton falando), dirigido por Antonio Fagundes. Como em várias peças modernas, o cenário é minimalista. O guarda-roupa também. A MG leva bem a peça. Tem segurança, consegue prender a atenção, dá o tom certo. O texto é bem fraco, mas o sofrimento não é grande, afinal a peça só tem 70 minutos. Quando sugeri a peça a amigas, uma delas disse: eu vou, mas isso tá me cheirando a “mico”. Eu não diria que tenha chegado a isso. Foi um programinha levíssimo, para dizer o mínimo. Mas como estava com minhas queridas amigas, valeu por tudo! E para encerrar uma pizza na rua do Mancini, que ninguém é de ferro!

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