Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

28

de
fevereiro

Um dia insolitamente lindo!

Que calor! Que beleza de dia! Um dia digno para se andar por aí, sem destino e sem tempo contado, para sentar e ler um livro, uma revista, olhar a vida passar, ouvir uma musiquinha, conversar (melhor que isto não tem!), tomar um sorvete, um refri, um suco, enfim, apreciar a vida como não se pode fazer todos os dias, infelizmente.

Então…foi um dia superlight! Primeiro cuidar das coisas domésticas. Sempre tem uma ou outra e já que ninguém faz pra mim, vamos lá!!!

Depois, com muita calma, fui visitar a Fundação Cultural Ema Gordon Klabin (www.fcegk.org.br/), ali na R. Portugal. Uma delícia de lugar. Logo que li a história da Ema colecionista, vi o acervo em catálogos, me “rang a bell”. Não deu outra, ao começar a visita monitorada (só há visitas assim, com 10 pessoas no máximo – veja os dias e horários no site) - aliás, quem monitorou o meu grupo (5 pessoas) foi o Tiago, uma graça de menino!- revi, consideradas as devidas proporções, a Frick Collection, meu museu preferido em NY. O Frick, que também é uma casa-museu (acho que escrevi no meu blog da viagem a NY – 2007), está disposto como está disposta a Ema Klabin (a coleção da irmã – Eva – fica no RJ. Parece linda, um dia vou lá, mas é diferente. Aparentemente a Eva Klabin organizou sua casa por tema, época, enfim, tem uma linha lógica). Há de tudo em todos os lugares. Mas tudo muito harmonioso, obras maravilhosas (há algumas que datam de milhares de anos A.C.), obras de todos os cantos do mundo. Chagal, Portinari, Renoir, enfim um paraíso para os sentidos! O Frick também fez assim – há de tudo por toda parte da casa (maior que a da Klabin). Ele olhava para a casa e colocava a obra onde achasse mais bonito, mais harmonioso. A casa da Ema Klabin tem 4M m2 de área total, mas 900 de área construída. Há salas enormes, mas só dois quartos. Ninguém pernoitava na casa dela a não ser a irmã, ou amigos extremamente íntimos e excepcionalmente. O banheiro dela é uma coisa! Todo em vidro temperado, i.e., as paredes do banheiro são de vidro branco temperado! Maravilhoso! E estamos falando de 1955 a 1961! É um prazer caminhar por ali, perceber o cuidado e a sensibilidade da Sra. Klabin! A visita levou 90 minutos, portanto, não se programe para menos, não dá, tem muito para ver e rever! Em abril ou maio vão expor o guarda-roupa dela. Deve ser algo interessante pelas fotos que vi pela casa. É um lugar para ir de tempos em tempos, respirar toda aquela beleza. Que grande contribuição nos deu a Sra. Ema Klabin. Aí vai um link para dar uma idéia do que é o espaço (só se pode fotografar e filmar as áreas externas). (http://picasaweb.google.com.br/miriamkeller/FundKlabin1?feat=directlink#5307974880371993586 )

Ah, sim! Em 2004 acho, a Pinacoteca de SP expôs muito dos acervos das irmãs Klabin (Eva e Ema) e eu tive a sorte de ver tudo, ao vivo! Estou duplamente recompensada pelas oportunidades.

Tudo muito bom, tudo muito bem, mas tenho algumas observações: o calçamento do jardim está muito danificado. Há locais em que foi feito um remendo grosseiro, outros estão com grandes buracos. Não é para ser assim, pois a Fundação provê $ necessário. Outra coisa é a falta de identificação nas peças. Não há nenhuma. Os monitores vão apresentando as peças, mas uma identificação individual complementaria o trabalho deles e permitiria aos visitantes ter informações completas do acervo.

Bom, depois dos energéticos necessários para minha criatividade, arte e sonho, um cineminha. Fui ver Rumba (www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,estreia-rumba-brinca-com-o-humor-politicamente-incorreto,330192,0.htm // www.rumba-film.mk2.com/ ). Conselho: se você não estiver num dia insólito, psicodélico, de mente aberta, não vá. É um filme francês, em que quase dá para se contar os diálogos nos dedos das mãos, e , pasme!, classificada como comédia. Mas, em minha opinião, é muito interessante, tem cenas sublimes, lindas mesmo (a sequência da chuva após o incêndio – sim…há um incêndio!!), e o humor eu diria que é cruelmente hilário. Outra coisa: não sei por que se chama Rumba. Não sou especialista em ritmos, mas o que mais tem no filme é bolero. Bom, isso não tem importância. O importante é a performance, sobretudo de Fiona Gordon e Dominique Abel. É um non-sense só, mas muito bom, muito divertido, comovente em muitos momentos. Vale a ida ao cinema e são só 90 minutinhos!

Ah, sim! Tentei ver a peça Nu de mim no SESC Paulista. Entradas, só para dia 8/3! É mole?

27

de
fevereiro

Coxinha, coxinha, negócios a parte!

Bem, hoje foi dia de comer a melhor coxinha de SP, do Brasil e quem sabe do mundo!!! Eeeeeh, menos, né?

Acabo de comer várias coxinhas do Veloso (www.velosobar.com.br/home.html ). Um botecão na Vila Mariana. Lotado, apesar de pequeno e insalubre. Com este calor, a gente quase derrete só de entrar no recinto. Interessante que o Veloso está parede com parede com outro botecão que serve as mesmas coxinhas, tem o mesmo cozinheiro, e se chama Brasa Mora. Aparentemente, esta casa tem um cardápio diferente, mas, no final, todo mundo vai lá por causa do barman premiado e da coxinha.

É uma muvuca só. Gente esperando de 40 minutos a uma hora para sentar. Como a gente não estava com toda essa disposição, percebeu o calorão, a confusão, o barulhão…compramos uma porção, aliás duas, e fomos fazer nossa degustação!!! Uau, quanta rima, e eu nem bebi nada, hein?!

Bom lá fomos nós ver se era verdade tudo o que se disse da tal coxinha. Coxinha é meu salgado preferido. Minha mãe fazia uma maravilhosa e já provei e gostei de muitas pela minha vida.

Suspense, angústia…e, nhac!!! E não é que a coxinha é muito boa?! Dizer que é a melhor do bairro, de SP, do país, etc., é coisa de quem tem de ter pauta para revista ou jornal, tem de encher laudas, justificar salário de crítico, etc. Ela é muito boa de fato, ótima, eu diria, mas a melhor, aí não! Não me lembro agora, mas seguramente já comi coxinhas semelhantes em leveza, sabor e crocância. De qualquer forma, valeu conhecer a coxinha do Veloso. É um pouco fora de mão para nós, mas foi fácil chegar e o atendimento foi rápido. O preço também (não sei exatamente quanto foi, pois não paguei) não é alto (pelo que estava no jornal, R$ 3,00 cada e se pegar a porção sai mais em conta). Enfim, o lugar não tem nenhum atrativo, não é agradável, pelo contrário, mas o conteúdo é interessante.

Então, se estiver passando por ali, como quem não quer nada, dê uma parada e prove uma coxinha, senão, garimpe nas redondezas de sua casa ou trabalho que, seguramente, você vai encontrar algo meio parecido, em ambientes mais agradáveis. A coxinha poderá até não ser tão boa, mas a comodidade pode fazer valer a pena.

25

de
fevereiro

Dia de alimentar a alma, porque o corpo…esse já foi!!!

Brincadeira! Para aproveitar a Quarta de Cinzas, uma visitinha ao Museu da Língua Portuguesa, à Pinacoteca e um cineminha. Tinha jantar também, mas melhor dar um descanso já que o cardápio seria (mas será na sexta) a melhor coxinha de S. Paulo (depois conto) e o fígado estava dando mostras de prostração. Então melhor dar um tempo.

Começando pelo Museu da Língua (www.museulinguaportuguesa.org.br/museudalinguaportuguesa/index.html ). Eu havia visitado o local um pouco depois da inauguração e achei tudo fantástico. A montagem sobre Guimarães Rosa, o filme de 10 minutos narrado por Fernanda Montenegro (ainda é o mesmo…é preciso mudar, gente!), a Praça da Língua (dei algumas sugestões à época que, não por minha sugestão apenas naturalmente, mas porque seguramente muitos mais se manifestarão a respeito, foram incorporadas e deixaram a praça melhor), tudo um deslumbre! Tudo projetado para se descobrir e amar a Língua da gente. A concepção do Museu me deixou muito contente, muito orgulhosa!

Voltei porque a Exposição Temporária sobre Machado de Assis está por terminar. Começou em julho passado, e eu me programei milhões de vezes para ir, mas como sempre havia tempo fui deixando. Portanto, de hoje não podia passar, já que termina neste final de semana. E, afinal, Machado é meu grande autor brasileiro, que seguramente está no mesmo nível dos grandes de outros idiomas. Durante a faculdade, Letras da USP, eu estudei muito Machado. Não li tudo do autor, pois ele é muito produtivo! Incrível como escreveu em folhetins, escreveu contos maravilhosos que tornaram esse gênero o mais querido para mim, romances, traduziu do inglês, italiano e francês. Enfim, Machadinho (como era chamado no início de sua carreira) era um monumento cultural brasileiro. A exposição começou no centenário de sua morte (2008) e faz uma justíssima homenagem! Não há crítico que não louve Machado, principalmente os contemporâneos, bem como seus pares, escritores contemporâneos (e olha, que a fogueira das vaidades grassa nesse meio, como em outros de mesma natureza). Ou seja, quase uma unanimidade!

Passados tantos anos de meus estudos, continuei a ler, ou reler, obras de Machado, mas já havia me esquecido de vários fatos de sua vida. A exposição é extensiva, abrangente, bem cuidada. Gostando ou não de Machado, vá. Vale a pena! E não deixar de ver ou rever o restante do Museu, que é primoroso! Aliás, três das fotos aqui de cima são do corredor da História da Estação da Luz, que eu não vi quando estive lá na primeira vez, e acho que pouca gente visita…fica atrás de uma porta bem discreta, e lá dentro há todo o histórico da recuperação do prédio do Museu. O piso é magnífico (espero que dê para ver), e a descrição da obra é muito interessante e bem documentada com fotos. Fica no 2º. andar. Mas preste atenção, não é fácil de achar.

E já que estamos por ali mesmo, uma passadinha na Pinacoteca (www.pinacoteca.org.br/ ), meu museu do coração! Além de Margaret Mee (pt.wikipedia.org/wiki/Margaret_Mee ) com suas aquarelas primorosas, lindas, Anni e Josef Albers, que vieram lá do movimento Bauhaus (pt.wikipedia.org/wiki/Bauhaus) para a América e muito contribuíram tantos nos EUA quando no México. Das duas exposições, gostei mais da MMee (os alemães são muito conceituais para o meu gosto). Aliás, se amanhã acabar a flora brasileira é só recorrer à obra de MMee. Ela é a maior aquarelista de nossa natureza, e há um vídeo lindo com uma entrevista dela um ano antes de morrer. A história de vida dela também é lindíssima e muito interessante. Uma inglesa que meio por acidente veio para o Brasil, por aqui ficou, e viajou por todo canto. Tem plantas do Amazonas, Pará, SP (Boracéia, Campos do Jordão, etc.), RJ. Ela esteve em locais em que muito poucos brasileiros estiveram por amar nossa flora. Publicações estrangeiras, de botânicos renomados, recorriam sempre a ela para obter imagens. Uma mostra lindíssima. Beleza e sensibilidade puras!

Bem, depois de alimentar a alma (afinal é dessas coisas que se alimenta minha criatividade, arte e sonho), um pouquinho de besteirol para preparar a mente para o retorno ao trabalho.

E lá fui eu ver Pink Panther 2 (A Pantera Cor-de-Rosa 2 - www.imdb.com/title/tt0838232/ ) . Minha humilde opinião: se não viu o primeiro, veja este. Se viu o primeiro, skip. Quando o primeiro PCDR com Steve Martin foi ao ar, eu tomei o cuidado de assistir a todos os PCDR com Peter Sellers (www.petersellers.com/ ). Eu havia visto todos, mas havia muitos anos. Então revi os filmes antes de ver a versão nova (é preciso dizer que PS não fez só Pink Panther, mas muito mais. Um dos que mais gosto é o Being There - www.imdb.com/title/tt0078841/ ). O PS é impagável quando encarna o Inspetor Clouseau. Há momentos em seus filmes em que não dá para segurar o riso mesmo. No filme 1 da nova versão, achei que o SM também estava muito bem. Um tipo de humor diferente, mas muito bom. Deu para ter o mesmo tipo de divertimento, non-sense muitas vezes, meio pastelão às vezes, mas no conjunto bem apurado.

Não acho que seja o caso deste segundo filme. Não sei se a expectativa ficou muito alta, mas achei meio chato em alguns momentos. Deu para rir, claro, mas nem o cast milionário (Andy Garcia, Alfred Molina. Jean Reno, Jeremy Irons, etc.) garantiu um saco sem fundo de riso. Não foi um horror, mas deixou muito a desejar. Mas se quiser arriscar, não vai dar perda total com certeza.

24

de
fevereiro

Cinema é uma maravilha, mas os frequentadores, não!

First things first! Cinema é uma delícia! Finalmente fui assistir ao Deep Sea 3D (www.imax.com/deepsea/ www.imdb.com/title/tt0424942/ ) (Fundo do Mar) que inaugurou o Imax do Shopping Bourbon. Incrível como a gente tem de se esforçar para conseguir um ingresso. Estão sempre esgotados, você tem de comprar com antecedência, salas lotadas, filas, filas, filas…but I got it! Finally! E foi muito interessante apesar do preço alto (R$ 30,00) e de serem apenas 40 minutos. Senti-me um tantinho lesada, mas que fazer…Well, o filme é muito bonito, um documentário em 3D dirigindo por um oceanógrafo (Howard Hall - www.howardhall.com/ ). Tomadas lindas, seres lindos em seu habitat. Animais de uma beleza que eu desconhecia, aliás não conhecia muitos deles to tell the truth. E a 3D põe a gente lá dentro, pertinho, nadando com criaturas maravilhosas! A sensação é incrível! Se o documentário tivesse uns 30 minutos mais (foi o que achei que tinha) seria ainda melhor. Perdemos também porque a versão que corre por aqui não é legendada, mas dublada. E quem faz as vozes no original, quem, quem? J. Depp e K. Winslet! Isso mesmo! Bom, a gente não pode ganhar sempre! Apesar do preço, da dificuldade em se obter ingressos, do pouco tempo do filme acho que vale a penas, pois, como comentei em post anterior, os outros 3D são na verdade só 30 ou 40% e não integralmente 3D.

Agora, ao tema frequentadores: esqueci de mencionar, em meu post de 22/02 – Que delícia de Carnaval!, que fui assistir a Verônica, em um horário um pouco mais tarde do que ao que costumo ir, mas em uma sala supostamente de gente “cabeça” – o HSBC – e não em um shopping onde pirralhos largados ou empurrados por seus pais para o cinema infernizam a vida de todos. But surprise! Lá estava o terrível “engolidor de pipocas”, mastigando desenfreadamente e só Deus sabe onde limpando as mãos (percebam que 99% das pessoas que compram pipocas no cinema desconhecem a utilidade de um guardanapo e não o pedem, carregam para dentro do cinema)! Mas isso tudo seria menos crítico se o filme fosse estrangeiro, com legendas. Considerando que 95% da população que vai ao cinema não sabe o inglês, francês, espanhol necessário para entender os filmes sem ler as legendas, ainda passaria (não para os que querem ouvir/entender o filme na língua original), mas num filme brasileiro? Em que o som não é dessas coisas, você tem de ouvir para entender o que estão dizendo, e tem de prestar atenção, senão não dá. Então o que fazem esses mastigadores profissionais, barulhentos no cinema? Nessa seção específica, tinha uma pessoinha que manuseou um papel durante uns 30 ou 40 minutos (crac, crac, crac). Incrível! Se eu, a várias fileiras, estava ouvindo o som perfeitamente, o que a própria pessoa e seu vizinho estavam ouvindo? Vai ver que liam lábios, então não tinha importância o som do filme.

Meus amigos sabem que sou xiita quanto a pipocas em cinema. Em casa, do what you want, mas no cinema!? Enfim, as pessoas têm o direito, então tenho de viver com isso. Cheiro de gordura, barulhos de mastigações, “engolições”, goles de refrigerante, mãos sendo limpas em…, em…., sei lá! Mas as pessoas poderiam ter um mínimo de bom senso, tentar controlar os ruídos ao máximo, tentar não incomodar. Bom, no dia em que eu não sentir o tal cheiro, ouvir o barulho, pensar nas mãos se limpando nas poltronas, com certeza, pela ordem, terei perdido meu olfato, a audição e o pouco de raciocínio que me resta.

24

de
fevereiro

Reminiscências carnavalescas! Que loucura!

Não é que eu tinha me esquecido de tudo isso? Como nunca gostei de Carnaval de fato, aliás, nos últimos anos, passei a não gostar nadinha, as minhas memórias sobre o assunto ficaram bem enterradas. Só depois de desfilar pela Mancha (post de 21 de fevereiro – O primeiro desfile…) as memórias começaram a voltar. Afinal foi uma experiência muito interessante, bem divertida, então o véu que tinha caído sobre minhas reminiscências carnavalescas foi rasgado, no melhor estilo “rasga a fantasia”.

Lembrei-me de que, quando criança, até gostava da festa de Momo. Mas era tudo muito diferente! Fantasias feitas de serpentina e papel crepom feitas por minha mãe, pra mim e pro meu irmão. Fotos posadas com jeito de foliões. Meu pai sempre comprava máscara, confete e serpentina para a gente brincar em casa mesmo! E os espirradores (nem no Google tem!!!)? A gente ia pra rua para jogar, ou espirrar, água nos carros que passassem. Claro que tinha gente muito malvada…aaah, se tinha. Enchiam o espirrador de xixi ou de água e farinha e espirravam nos passantes. Eu não, eu só queria brincar e não levar broncas…então era água só. E quando a gente passeava de carro com meus pais, também era um tal de fechar as janelas correndo, para não levar banho que era uma delícia!

Ah, sim, e eu usei muito lança-perfume. Só lancei, nunca cheirei, até porque achava o cheiro horrível. Que delícia o geladinho do lança-perfume na pele, naquele calorão!

Também fui a um ou dois carnavais no Ibirapuera (sim, havia bailes infantis de Carnaval no Ibirapuera – acho que no ginásio mesmo), mas não me lembro de muita coisa, só de muito movimento, além de minhas primas irem fantasiadas e meu irmão e eu não , ou não muito. Não me lembro mesmo!

Mas do que me lembrei com saudade, e muita, foi dos corsos. Sim, corsos (pt.wikipedia.org/wiki/Sociedade_carnavalesca ) que hoje, me parece, são praticados ainda na Europa, principalmente em Portugal.

Saíamos de carro pela Avenida Brasil (isso, galera, Avenida Brasil, aquele em que muitos de vocês ficam parados horas para ir de um lugar a outro), com muita água no carro (baldes, espirradores), e além de ver gente fantasiada era uma guerra deliciosa de água. A avenida era fechada por uma ou duas noites, só para que os paulistanos e demais interessados pudessem brincar de um jeito diferente. A gente ria de monte. Tínhamos à época uma camionete (hoje é chique, mas na época era o carro de quem precisava de um utilitário para trabalhar e se locomover. O pessoal de Marketing é fogo…escraviza mesmo! Hoje uma SUV é o máximo do máximo, pode???E você que pensava que mandava na sua vida, nas duas decisões, nas suas compras…tsc, tsc, tsc), aquelas de caçamba atrás mesmo, com cabine dupla, tipo americano, e lá atrás ia meu tio Ernesto com montes de baldes de água e no momento certo…tchan, tchan, tchan…banho em quem fosse o melhor alvo. E voltava água, e muito banho em todo mundo. Era divertidíssimo! Como é que fui esquecer isso?

Pois é, no final do tal desfile me ajudou a recuperar memórias importantes que estavam escondidas em algum canto do meu cérebro. Então, viva o Carnaval!

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23

de
fevereiro

And the Oscar goes to!!!!

Bem, eu não vi o Oscar, então vou ter de esperar até ler os jornais de amanhã…

Mas não pensem que o domingo de Carnaval não foi bom! Ele foi ótimo!!

Primeiramente, um almoço básico no Museu da Casa Brasileira (ali na Av. Brig. Faria Lima - www.mcb.sp.gov.br/index.asp?sMenu=P000 ). A comida não é fantástica, mas o atendimento é correto, os preços não exorbitam, e o lugar…ah, sim, isso faz toda a diferença! Como o dia estava bom (sem chuva), deu para ver a beleza do lugar em todo seu esplender, aproveitar o jardim, e ter um almoço com “vista”. Há também uma exposição do designer Roberto Sambonet que tem peças muito interessantes. Utilitários bem bolados. Dá também para ver alguns móveis (trabalhos de entalhe maravilhosos!) do acervo dos ex-donos da casa, ex-prefeito de S. Paulo Fábio Prado e família. Um lugar dos sonhos mesmo, bem bonito!

Depois uma tentativa, frustrada, de ver as apresentações no Planetário (Parque Ibirapuera). Apesar de chegar às 14h. (a primeira apresentação seria às 15h.) só havia ingressos para as sessões das 17h. e 19h. Aaaaah, tenha dó!!! Enfim, vou tentar noutro dia, pois faz séculos que não vou ali e quero ver uma das apresentações de qualquer jeito!

Então, que fazer????? Cinema, claaarooo! E foi a vez de Milk (www.imdb.com/title/tt1013753/ ). Bom, amanhã vou saber, mas se Sean Penn não ganharo Oscar é marmelada! Apesar de o BPitt estar soberbo em Benjamin Button (post de 15/02 – You never know…), não tem pra ninguém. Eu gosto muito do SP (www.imdb.com/name/nm0000576/), tanto como diretor quanto ator. Ele é um camaleão! E dos bons…quem não gostou de I am Sam, 21 grams, Mystic River (bom demais!), etc., etc., etc.

Milk é um filme corajoso! Apesar de se poder imaginar que o tema, tão politicamente correto: um ativista gay, seus encontros e desencontros, seu assassinato, suas contribuições para a causa não só dos homossexuais, mas de qualquer diferente, seja algo oportunista, a forma como é tratado põe essa idéia por terra. O filme é muito louvável, instigante, contundente mesmo. Quem acha que Brokeback Mountain incomodou, multiplique aquilo por 100, 1000, e aí vai saber o que é Milk. Impressionante o gestual perfeito (como aliás o foi em I am Sam), expressões faciais exatas, tom dos diálogos e das ações impecável! A temática é panfletária, mas é assim que tem de ser, senão as pessoas esquecem, as pessoas voltam a cometer os mesmos equívocos conceituais; é preciso bater, bater, e bater na mesma tecla, e sempre forte, para mudar conceitos, comportamentos, formas de pensar, e isso o filme o faz muito bem e SP está por trás de tudo isso, com grande maestria. Não perca! Com Oscar ou sem Oscar.

Depois um teatrinho, para terminar o dia: Inventário, aquilo que seria esquecido se a gente não contasse (www.saopaulo24horas.com/content/view/175/61/). Texto baseado na experiência dos ex-Doutores da Alegria do RJ (ex, porque a ONG não operará mais no RJ) em vários hospitais durante 13 anos. Apesar de tratar de um tema tão delicado – a doença do outro, o desespero do outro, crianças doentes – o texto é leve, sem perder a seriedade, e sem deixar de fazer rir e muito. Uma delicadeza de atuação. A peça está no SESC Av. Paulista até 1/3. Se puder ir, vá. Vale a pena! Faz pensar, dá a dimensão do que é a atividade daqueles que se propõem a diminuir a dor de uma criança, seu desespero diante da doença, diante do abandono muitas vezes. Lindo, comovente!

E por hoje é só!

22

de
fevereiro

Que delícia de Carnaval!

Depois de muito samba no pé (you wish…), voltando às raízes, mas às minhas mesmo, que são divertimento mais tranquilinho, mais quadradinho.

Chegando da folia (??!!), lá pelas 6.30h., não deu para dormir. Eu tinha compromissos já marcados, desde 8.30h. Então foi mexer na net, baixar as fotos do Carná, tomar banho, café, e ir pra luta. Depois do que tinha pela manhã, lá fui eu para minha 10ª. tatoo (como eu gosto disso!!). The bitterest tears shed over graves are for words left unsaid and deeds left undone.”- Harriet Beecher Stowe. A frase é para eu nunca me esquecer, pois, há não muito tempo (uns 15 anos talvez), eu não falava, não fazia. Hoje não tem jeito; pulei de um extremo a outro, mas acho que assim sempre perco menos em todos os níveis, principalmente no humano. Bom, atividades práticas e compensatórias encerradas…T E L O N A!!!

E lá fui eu ver Verônica (www.interfilmes.com/filme_20665_Veronica-(Veronica).html ou www.cineplayers.com/filme.php?id=4535), com Andrea Beltrão. Eu sempre gostei muito dessa atriz, faz décadas que a vejo, primeiro na tv (novelas, séries), e depois em filmes. Ela carrega praticamente sozinha o filme e o faz com competência. O menino que contracena com ela (Matheus de Sá) trabalha direitinho. O Marco Ricca também faz uma participação e, como sempre, está muito bem. O filme padece de tecnologia: o som não é bom, as locações e cenários poderiam ser mais contundentes, mas no geral é um filme que vale ver.

A trama é sobre uma professora de subúrbio que acaba tendo de cuidar de um aluno, cujos pais não aparecem para pegá-lo na escola. O que parecia uma tarefa temporária e relativamente simples torna-se uma luta pela vida do menino e da própria Verônica. Emblemático eu diria, pois quantos brasileiros não se deparam com a mesma situação. Uns (a maioria seguramente) escolhe virar o rosto, desviar o olhar (eu não sei se, em várias circunstâncias, não faria isso também), mas alguns poucos se atiram em ações assertivas, mesmo que meio irracionalmente, não muito conscientemente, e vão até as últimas consequências. Para alguns isso quer dizer perder a vida, não só fisicamente, mas socialmente, perder a liberdade de ir e vir de fato.

O tema também, como em grande parte dos filmes nacionais, trata da corrupção. Neste caso corrupção policial, envolvimento com o tráfico, etc. Pois é, não basta tudo isso na realidade do dia-a-dia, a ficção também não escapa. E temos uma literatura tão fantástica, tantas possibilidades de histórias, lendas…mas o cru da vida comum também tem que ser contado. Que seja!

Depois do cinema, o quê, o quê, o quê?? Comer! Afinal, foram quase 24 horas de jejum (antes do desfile fiquei com receio de comer e não me sentir bem: calor, emoção, etc.), então só sucos, até a volta para casa só água, depois um café, mas bem levinho. Antes de fazer tatoo também não gosto de comer. Nunca tive problema, mas não quero arriscar, afinal há dor e estresse, então melhor não. Portanto, depois da tatoo um leite com bolachas, e só! Peraí, eu tenho um físico pra manter, um guará-roupa 48/50 que não dá para perder! Então vamos lá!! (ai, tenho um poder de autoconvencimento que me assusta!).

Tentei ir ao Gallo i Vino (liguei antes para saber se estava aberto), lá na João Cachoeira (www.galloivino.com.br/). Já havia estado lá e gostei muito (comida e atendimentos ótimos, preço melhor ainda). Ao chegar, surpresa!!! O esgoto havia entupido e o restaurante estava fechado. Estavam trabalhando para desentupir, mas não havia previsão. Que fazer? Quase 19h., fome batendo… saída pela direita! E encontramos o Jardim Aurélia (www.guiasp.com.br/guiasp/site/gastronomia/despliegue.cfm?mn=3&id_conteudo=23464).

Minha prima já havia comentado sobre o lugar. E foi melhor que o esperado. Além de uma “Villa” agradabilíssima para a noite de ontem (calor, sem chuva, muita vegetação, espaço aberto), uma pizza ótima (o cardápio é extenso, mas optamos pela pizza). Massa, cobertura, tudo muito bom! Vale a visita. Só que o garçom disse que vai passar a se chamar “Tia Aurélia”. Não entendi o possível motivo do “downsize” (convenhamos Jardim Aurélia é melhor que Tia Aurélia), mas assim é a vida…

E last but not least, uma passadinha na Douce France (www.patisseriedoucefrance.com.br/ ). Infelizmente chegamos na hora do fechamento (faltavam alguns minutos). Mesmo sem ser possível provar os doces lá mesmo, que tem um ambiente supergostoso, deu para levar para casa e saborear as delícias com menos charme, mas com o mesmo afã, garanto.

21

de
fevereiro

O primeiro desfile de Carnaval, a gente nunca esquece!

Foi uma noite gloriosa! 20 ou 21 de fevereiro de 2009!

Eu tinha um compromisso para esta sexta, que desmarquei na 5ª. pois tinha de tratar de umas coisas pessoais. Portanto, estava eu pensando em ter uma 6ª. tranquila, quando na 6ª. mesmo, lá pela hora do almoço, me liga um amante entusiasmado do Carnaval! O Marco! E tanto ele insistiu, e tanto ele falou – afinal não gosto de Carnaval, o máximo que me passava pela cabeça era assistir a um desfile algum dia na vida – que eu concordei em DESFILAR! Isso mesmo, desfilar!

Na verdade, até a hora de entrar na avenid,a eu ainda não estava muito certa do que iria fazer. Foi tudo de improviso, mas foi ótimo, foi muito divertido! Obrigada, Marco, que sempre é tão atencioso e carinhoso comigo!

Bem, os detalhes foram sendo revelados à medida: qual seria a escola, qual horário da entrada no Sambódromo, preço da fantasia, quem mais iria, etc. etc.

Então vamos lá: desfilei pela Mancha Verde (não torço pelo Palmeiras ou algum dia tive algum contato mais estreito com a MV), a ala seria a do Bacalhau do Batata, entraríamos lá pelas 2h. (depois soube que seria às 3.40h), a fantasia custaria R$ 200,00. Além desses detalhes, ainda tinha que ver como iríamos, qual o acesso ao Sambódromo. Nisto me tranqüilizou outro amigo, que desfila pela Camisa Verde Branca, que é um veterano em desfiles.

No final deu tudo certo: um grupo muito legal, divertido, o tempo ajudou muito (não caiu uma gotinha d’água), as fantasias, embora não fossem lindas, eram leves. No entanto, enganchavam um pouco: o chapéu nas ombreiras, ou sei lá como aquilo se chama, os estandartes no chapéu ou em outro componente da escola. A única pena é que, como foi de última hora, não conseguimos decorar o samba em sua totalidade. Deu para cantar pedaços, mas se a gente tivesse decorado, seria ainda mais vibrante.

A entrada na avenida é realmente impressionante. Uma vibração única. E vejam que eu NÃO gosto de Carnaval! As luzes, o público cantando,os carros imensos – quando a gente está no chão ao lado deles é que tem a noção do verdadeiro tamanho-, os que são MV desde criancinha, ou outra escola, e que sambam, cantam, ajudam os componentes,controlam a evolução das alas!

Houve momentos hilariantes, como quando um dos “fiscais” da MV fez uma preleção sobre a importância de nossa ala – a última a passar. No final veio um: Se alguém não colaborar, não respeitar a importância da MV, que é maior que ele, que seus componentes, ia se entender com ele fora dali! Ai, minha nossa, que meda!

Quando estávamos indo embora, deu para ver a Nenê se organizando. Fantasias lindíssimas, muito superiores às da MV. Deu também para eu ver a bateria da MV de pertinho. Uma mulher é a mestre da bateria e há muitas mulheres tocando.

Quanto às fantasias, imaginem que a escola levou 5M componentes. Muitos têm a fantasia cedida, pois representam a escola, são da comunidade, ensaiam, etc. Mas pensem que a grande maioria comprou sua fantasia, e que a mais baratinha era a nossa. Façam continhas rápidas! Uma montanha de dinheiro!

Interessante também. Há componentes das alas que vão se arrastando até o início da passarela. Aí, como que movidos por uma força superior começam a sambar e cantar. São pessoas, em geral, da comunidade. Mas por que fazem isso, difícil de entender, pois se cantassem e se movimentassem antes da entrada na pista, poderiam incentivar ainda mais os outros componentes da escola. Parecem umas divas. Interessante de ver.

A pena do espetáculo ficou para a péssima organização da Anhembi, Prefeitura e quem mais for. Havia ônibus e carros circulando em meio aos componentes das escolas que estavam aguardando para entrar; lixo de montão, sem a respectiva coleta de forma eficiente; na saída, de novo, carros contra pedestres. Um perigo para todos os lados. Além disso, não havia latões de lixo (eram raríssimos, aliás), não só para o lixo comum (garrafas, latinhas) mas para as fantasias que são recicladas e recicláveis. Então se via de tudo por todos os lados, inclusive no acesso dos componentes das escolas à passarela, o que gerava risco de acidentes. Pouquíssimos banheiros, ambulantes circulando livremente por todo lado – inclusive pelo meio da escola-, trânsito à volta do Sambódromo um verdadeiro caos, como se fosse a primeira vez que o espetáculo acontecesse. Faltou uma visão macro, alguém que raciocine e saiba planejar de fato.

Outra coisa que é muito ruim é que só se ouve o samba da escola quando praticamente se está na passarela. Segundo me foi contado, no RJ, se ouve o samba muito antes, na concentração. Isso ajudaria a gravar a letra, treinar os componentes, e a aquecer ainda mais a galera. Além disso, não consigo entender por que não se faz isso. Imagino que tecnicamente não haja grandes barreiras.

Ah, sim, e um fato cômico, ou será trágico? Na segunda semana pós-final do horário de verão, em um local tão importante, com tantos turistas (do Brasil e do mundo), todos os relógios digitais acusavam ainda o horário de verão! Pode?!

De toda forma, foi uma experiência muito interessante, muito bonita, graças à persistência e carinho do Marco. Desfilar de novo acho difícil, mas no próximo ano quero ver se vejo uns dois desfiles, para ter a noção do conjunto, mas lá das arquibancadas. Tomara que consiga.

20

de
fevereiro

Let’s Rock!

Com esse meu recente afã de ver dvds em casa, sempre que não haja nada na tv (e isso acontece de monte comigo!) ou que esteja  cansada para ler, tenho tido boas e más surpresas.

Eu gostava muito de ver clipes na tv.  Isso na década de 70/80, até porque a gente tinha pouco acesso a outras formas de estar em contato com os ídolos do momento: não tinha tv a cabo, não tinha cd, dvd, até a telona era limitada em vários aspectos, qualquer vídeo era caríssimo (e quem tinha um videocassete?).  Lembro-me de que assistia ao mesmo clipe, em vários canais, “n” vezes e estava de bom tamanho.

Recentemente, comprei, na pilha do R$ 9,99, o dvd Disco Fever 70.  Tem sucessos que estão por aí, sendo executados no origina ou, em novas versões até hoje, mais de 30 anos depois do lançamento.  Eu nem me lembrava de alguns grupos que eram um “frisson” à época.  Que tal (googlando, gente, pls, que eu sei que a maioria de vocês não tem ideia do que estou dizendo): The Weather Girls, Chic, Sisters Sledge, Peaches and Herb (sim, é o nome de uma dupla!!!), Blondie, Sylvester (o primeiro andrógino que vi em âmbito mundial), Tavares, Chaka Khan, os conhecidíssimos Bee Gees, Village People, e por aí vai.  Essas pessoinhas foram os responsáveis por It’s raining man; We are family;  YMCA; Shake your groove thing; You make me feel; Boogie oogie oogie;  Celebration e muito, muito mais…

Tudo tá muito bem, muito bom, mas revendo os clipes da época (esse dvd é uma seleção bem abrangente dos anos 70), eu fico impressionada em me dar conta de quantas vezes eu vi o mesmo clipe, e sempre com o máximo de entusiasmo.  Por que meu momento insight?  Porque eles são péssimos, alguns não são mais do que uma sucessão de fotos do cantor/cantora. Isso mesmo, fotos!  Outros são o mesmo momento filmado que é repetido, repetido, repetido…e a produção?! No máximo uma externa bem cândida, utilizando uma estação de trem, uma rua, parte de um jardim.  Bem os cabelos e roupas são retrato de uma época, então até aí tudo bem!  Mas o negócio era mesmo tosco.

Agora dá para entender por que os grupos negros faziam tanto sucesso. Normalmente se vestiam com roupas mais chamativas, coloridas, brilhantes e sempre ensaiavam uma coreografia.  Nunca era um número paradão. Sempre tinha algo mais vibrante.

Agora, nada é páreo para o Village People.  Oquequiéaquilo!? O que significavam aqueles homens esqueléticos (o índio é impagável), fazendo uma dança meio lá meio cá?  Mas o fato é que empolgavam o público com suas músicas, letras, batida, e a voz do crooner da vez.

Não adianta querer comparar com o que veio pelos anos 90 e o que há atualmente.  O mundo evoluiu zilhões de vezes nessa área.  Além do que, hoje, seguramente, há muito dinheiro para dispender com esse tipo de produção.  De qualquer maneira, mesmo a defasagem da época sendo evidente, os clipes do “meu tempo” ainda guardam muita mágica para mim, ainda me fazem vibrar, me trazem ótimas recordações, e me fazem voltar aos meus tempos de “mingaus” (ah,ah!  acho que nem no Google vocês vão achar esta = bailinhos, matinês, etc.).   Um afago na memória, que é uma delícia!

19

de
fevereiro

Cada um com seus pobrema…

Ontem foi dia de assistir a “Cada um com seus pobrema!” ( www.cadaumcomseuspobrema.com.br/ ),  espetáculo composto por vários esquetes (faxineira, mico-leão dourado, smurfete, tia Penha, etc.) de aproximadamente 20 minutos cada.  O link entre todas as personagens é o discurso de um ator que tem medo de atuar, e se surpreende com a platéia lotada. E fica tentando demover os espectadores de ficar para o espetáculo.

Aliás, põe platéia lotada nisso! R$ 50,00/pessoa, teatro Frei Caneca = uns 600 lugares, 4a. feira, 21h., espetáculo de aproximadamente duas horas!
Havia só uns poucos lugares vagos (de convites seguramente)…

No ano passado tentei ver o espetáculo.  A temporada toda estava vendida.
Acho que ainda faltava um mês para acabar a temporada e estava desse jeito.
Ontem, uma amiga comprou ingresso para outra pessoa: só para meados de abril!!

Claro que, como em vários casos que relatei, este empreendimento padece da “praga dos convites”.  O bilheteiro abre a tela e lá está ela: uma mancha vermelha enorme, bem central, nos melhores lugares, em qualquer dia do espetáculo!!! Oooh, o que será?  Bloqueio de convites para os patrocinadores!

Como já mencionei, evidente que quem investe em qualquer coisa, cultura inclusive, além do motivo “social”, “politicamente correto”, quer retorno.
No contrato está escrito, o produtor, o ator, o sei-eu-lá-quem assinou, então tem de cumprir.  O pobrema - ooops, influência da peça - que me aflige é que isso tudo só pode ser resultado de negociação mal feita, afã de não perder o dinheiro.  Quem está de um lado da mesa são empresas de porte, acostumadas a negociar, espremer o interlocutor, visando o seu e mais nada, e do outro gente menos experiente, mas que não precisa vender a alma, afinal é uma questão de valorizar o próprio trabalho, seu talento, sua contribuição à humanidade.  É guerra de gigante contra pigmeus em termos de skills de negociação, pelo visto.  Que se dê convites, claro!, mas com bom senso.  Como sempre digo, se eu pago R$ 50, R$ 70, eu é que sou o público de teatro. Fui ontem, quando não havia tanto patrocínio, sou hoje e serei amanhã. Enquanto que os tais convidados vão sumir no dia em que não tiverem entradas gratuitas.  Conclusão: o que estão fazendo não ajuda a formar um público fiel ao teatro, não importando aqui a natureza do espetáculo. É lastimável!

A sorte desse povo é que eu e tantos outros somos teimosos, e mesmo sendo desrespeitados, reclamando, a gente não deixa de ir. Afinal, gostamos da arte, da estética, de talentos, da discussão de idéias, e por aí vai.  Mas que não é justo, ah, isso não é mesmo!  Se me dissesem, ou melhor provassem, que aquelas dezenas de lugares privilegiados destinam-se a pessoas que nunca foram a um teatro, a uma casa de espetáculos, a estudantes de qualquer idade/nível que não têm como ter acesso a esse tipo de lazer, a idosos que não têm outra possibilidade de divertimento na vida, eu não abriria minha boca e até endossaria, mas para o que é?! Não!

Voltando ao espetáculo: o Marcelo Medici é bem histriônico, usa muitos cacos, está bem à vontade com a platéia. O texto consegue ir do mais previsível ao inesperado. Tem palavrões de monte, mas bem colocados, eu diria. Não choca, mas surpreende e diverte.  Eu não assistiria uma segunda vez, mas recomendaria para relaxar, para um divertimento sem compromisso, para dar risada sem pensar muito.  E numa 4a?!  É tudo de bom…

Vou ver Irma Vap daqui a umas semanas.  Vamos ver se ele está tão bem lá.
Depois conto.

Ah, sim, e não poderia deixar de registrar a visita de meu amigo Carlos.  Foi uma surpresa mais que boa! Foi ótima!

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