Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

31

de
janeiro

Moulin Rouge, Bar do Juarez, Miles e muito mais!

Bem, vamos por partes. Primeiramente, Moulin Rouge (www.imdb.com/title/tt0203009/ ). Ganhei vários dvds de um amigo e este entre eles. Finalmente consegui assisti-lo.  De novo, por que, Senhor, o título em português é MR, o amor em vermelho??? No máximo deveria ser só MR ou moinho vermelho (moulin = moinho).  Vá saber, não é?

Bom, voltando…o filme é de 2001.  Não me lembro porque não vi o filme na época: se porque li críticas e fiquei mal impressionada, ou se vi o trailer e achei que não valia a pena.  Não me lembro mesmo.   Mas tanta gente falava do tal filme que eu estava me sentindo uma “outcast” por não tê-lo visto. Considerando tudo isso, preparei-me para ver o filme com a maior boa vontade.

Eu gosto bastante da Nicole Kidman e do Ewan McGregor, então não seria sacrifício ver o filme.   A Nicole Kidman está bem, e o E. McGregor também. Aliás, ele está tão bem que à época das filmagens deveria estar em um período in-between desintoxicações, seguramente! Nos primeiro 20 minutos, eu não sabia bem que filme estava vendo: tinha toques de Laranja Mecância (por causa do E. McGregor, das maquiagens fortes) e pelo kitsch e alguns cenários, pelo caleidoscópio de cores em algumas cenas, me pareceu um pouco com Tommy, sem as drogas, e cheguei até a achar que tinha um pouco de Cabaret também.  Esses primeiros 20 minutos não foram muito fáceis de aguentar.  Mas depois o filme corre melhor.

É uma história mediana, bem previsível, mas os atores principais (NK e EMcG), além dos secundários(Richard Roxburgh = conde,   Jim Broadbent - Zidler) tornam a coisa palatável.   Os
cenários são interessantes, o guarda-roupa também, bem como as músicas escolhidas. Não há uma trilha especialmente feita para o filme, como em muitos musicais.  Usam várias músicas: de Elton John, David Bowie, Beatles, U2, Madona, e citações de músicas mais antigas (Love is a many splendor thing!!) E há algumas frases bem bonitas, algumas repetidas várias vezes e tiradas das músicas, como: I’ll love you till my dying day (barbaridade!!) ; Love is oxygen; Hurt him to save him! e por aí vai.

O EMcG surpreende como cantor (imagino que seja ele mesmo cantando, e não um truque para enganar os incautos) e a NK também não decepciona. Há alguns trechos bem divertidos, hilariantes mesmo (as cenas com Like a Virgin).  Valeu ter visto o filme, mesmo depois de tanto tempo.  Acho que não envelheceu. 

E ontem foi dia do Bar do Juarez (bardojuarez.com.br/index.php?option=com_content&task=section&id=9&Itemid=48 ) que abriu em Pinheiros, bem pertinho do Inst. Tomie Ohtake.  A casa é nova e me parece que tem o padrão dos outros Juarez.  Além do prazer de encontrar um amigo que não via desde dezembro, colocar a conversa em dia, o lugar é bem legal.  Fazia muito tempo que não ia a um Juarez.  Nossa, nem me lembrava como tudo é gostoso ali!  Além de um chope bem tirado.  E a conta também fica num patamar muito bom.  Foi ótimo mesmo.  Estava chovendo de monte, esse o único senão, pois a casa tem uma área externa bem grande e aparentemente bonita, mas não dava para usar.  Numa outra vez, quem sabe.

E como eu estava com energia acumulada, visitinha a amigos para conversar de montão e ver o Miles - um gatinho lindo (bicho mesmo, gente!), simpático, acrobata, encantador!

Como tinha de trabalhar hoje à tarde, um passeio levinho antes do “trampo”: bazar de roupas femininas (preços ótimos!) antes do almoço e depois conversa, conversa, conversa com Dra. Marly e Dr. Miguel. Uma delícia!  Como a gente aprende coisas, ouve histórias interessantes! Tudo de bom! 

E amanhã é outro dia, e vai ser trepidante!  Que bom!

29

de
janeiro

Eletromovie, o retorno!

Ontem fui ver novamente EletroMovie (meu post de 6 de novembro) (www.eletromovie.com.br). Apesar de ser basicamente o mesmo espetáculo (história de um casal passeando por músicas de filmes como O Guarda-costas, Footloose, Grease, Ghostbusters, e por aí vai), melhorou 100%. Além do grupo anterior (superguitarrista, superbaixista, supertecladista, superbaterista, supervocal), agora tem o André Hã na produção musical. Nossa, deu um gás em tanto. O grupo também já está na oitava apresentação do espetáculo, o que também dá segurança, traquejo, tranquilidade para os músicos/cantores.

Mas o que achei mais notável foi o “estado de espírito” do grupo. Eles são extremamente entusiasmados, simpáticos, parecem estar se divertindo mais que a gente com o show que leva bem uma hora e meia, sem parar. É um trabalho hercúleo tanto para instrumentistas quanto cantores.

Enfim, uma delícia de show!

Visitem o site do local - Café Paon ( www.cafepaon.com.br) - que tem outros shows legais, e mantenham-se antenados para os próximos “Quartas Temáticas”
- um projeto do Célio, que deu supercerto, porque ele sabe o que e como fazer. Os próximos shows prometem muito.

E agora, com licença, que vou botar meu salto e saia balonê pra rodapiar pelo salão.
br.youtube.com/watch?v=I0LR-mQQ0o8

27

de
janeiro

Esoterismo express!!! E por que não?

Hoje foi dia de completar minha formação esotérica express.

Na semana passada (post de 20/01 – Mistério é comigo mesmo!) fui, pela primeira vez, a um quirólogo (antes, nem cigana tinha pegado na minha mão). A experiência foi bem legal. Mapa astral já fiz uma vez, há décadas! Mas, como escrevi no meu post de 25/01 – Só cair a ficha…,para eu gravar esse tipo de informação “fluida” tem de estar tudo escrito. É muita informação, há coisas de que a gente não se lembra absolutamente, e é um tipo de informação que eu não consigo gravar mesmo. Há pessoas que se lembram de fatos, acontecidos, sentimentos de uma forma admirável. Eu, não. Na hora dou a atenção que julgo devida, faço o que acho que tenho de fazer no momento, mas depois vai tudo para a caixa de bagunça do cérebro. Esse tipo de informação fica bem nebuloso.

Hoje éramos 4 pessoas (mulheres, claro!) e foi bem divertido. O antes e o depois. Os comentários, as curiosidades, o que um disse, o que o outro falou. Eu só passei na numeróloga, mas as minhas acompanhantes passaram nos dois (numeróloga e quirólogo).

Voltando… a consulta de hoje, numerologia cármica, até foi interessante. Imaginem que estou aqui, com as pessoas (principalmente família) que estou, porque eu quis. Sou um espírito velho, que veio para ajudar, que não precisa mais voltar, e por aí vai. Sei não, será que eu fiz essa bobagem num momento de irracionalidade espiritual? Bom, vou ver se leio mais alguma coisa sobre o assunto para esclarecer.

De qualquer forma, foi interessante pra todas nós. Tem gente que é supercética. Eu, não! Não sigo feito zumbi, mas acho que ter vários caminhos em que se possa crer é um refrigério para a vida da gente em muitos momentos. Bobagem? Pode ser! Mas eu escolhi assim! Eeeepaaa!?!

Quem faz o atendimento gratuito, curtinho (10 minutos), no Cigana, é uma psicóloga que diz fazê-lo porque gosta. Muito simpática, assertiva e preocupada em passar o que puder de informação pra gente.

Alguns sites para se inteirarem do assunto:

www.starlightnumerology.com/

www.numerology-free.com/first-name-karmic-numbers.html

www.karmakastle.com.

Mas, sabem de uma coisa? De vez em quando é bom mesmo dar uma voada, pensar em coisas mais impalpáveis, achar-se mais sublime do que realmente somos.

26

de
janeiro

O fim de semana não foi fraco não!!!!

Na área de comilança, o final de semana foi pantagruélico! Ontem (com 10 pessoas) e hoje de novo (com mais 4) almocei no Chi Fu (Praça Carlos Gomes, 200 - Liberdade/http://chacomarroz.blogspot.com/2009/01/restaurante-chi-fu.html ).  Bom demais! Pelo menos eu acho…

Antes o Chi Fu ficava num muquifo na mesma rua (n. 168). Agora é um prédio de 3 andares, com ar condicionado, elevadores.Decoração superkitsch, com itens diretamente  da China, uma árvore de Natal que não dá para entender…mas o atendimento…continua o mesmo!!! Ontem tive a ajuda de frequentadores habituais do local que falam japonês (sim, o restaurante é chinês, mas como os kandis são comuns, significado igual, mas sons diferentes, por incrível que pareça eles se entendem!), mas hoje foi por minha conta!  Não só consegui fazer valer minha reserva, mas pedimos os pratos, vieram certos, demorou para completar o circuito, mas recebemos tudo, inclusive as bebidas vieram certas.  Uma vitória para chamar de minha!  E a conta, como sempre, num valor muito razoável!  O melhor é ir em grupo para poder experimentar vários pratos, mas, se não der, vale arriscar sozinho ou em poucos.

Ontem foi dia do Four Christmases (meu post de ontem) também.

Hoje, antes da volta ao Chi Fu, visita à Hime, uma minipincher que teve filhotes na 5a.  Linda e lindos! Duas meninas e um menino.  Maravilhosos! Também uma voltinha pela feirinha da Liberdade, que hoje estava fraquinha. É que desde ontem estão com comemorações do ano novo chinês (Feliz Ano do Boi! www.hoops.pt/astrologia/boi.htm), o que tomou muito espaço da praça onde fica a feirinha e as barracas de artesanatos, plantas, e outras coisas, não se instalaram lá hoje.  Aos domingos a feirinha é muito variada, rica, interessante, mas hoje estava fraquinha mesmo.  Passadinha na Ikesaki e almoço.

Depois, casa de um amigo e momentos maravilhosos com o Miles, um gatinho da hora!

E last but no least…apresentação da Orquestra Brasileira da Escola do Auditório do Parque do Ibirapuera (www.auditorioibirapuera.com.br/detalhe_eventos.aspx?id=290 ).  Como é aniversário de S. Paulo, a orquestra fez sua primeira apresentação pública (ontem e hoje) com uma homenagem a S. Paulo.  Fantástico!  Apesar de faltar itens técnicos importantes ao teatro (www.auditorioibirapuera.com.br/ ) para valorizar esse tipo de apresentação (o principal é o som, bem limitado), o teatro é amplo, bem mantido, confortável, tem obra de arte da T. Ohtake logo na entrada, e um painel que se abre e permite ver o parque atrás do palco.  Muito legal!

A orquestra fez uma apresentação muito bonita! Havia um coral também.  Interessante que a maioria dos músicos eram meninas, além disso é uma orquestra composta sobretudo de jovens de áreas mais carentes da cidade, em sua maioria pardos e negros.  Ressalto isso, porque não se vê isso em outras orquestras em geral, e a oportunidade que está sendo dada a esses jovens, que souberam agarrá-la com vontade, arte, brilho é extremamente louvável. Eu não estava no palco ou era parente de alguém ali, mas assim mesmo fiquei orgulhosa por aqueles meninos e meninas. Eles devem ter alcançado o céu hoje!  E o merecem!

Só espero que lhes seja dada a oportunidade de fazer muitas outras apresentações, de continuar a estudar, a evoluir, e quem sabe desenvolver uma carreira na música aqui ou lá fora.  Que bom seria se houvesse uma centena como essa orquestra.

A pena é que o auditório é subutilizado!  Quanta coisa poderia ser apresentada ali! De qualquer forma, vale ir lá para algum espetáculo. Entre no site (acima) e veja a programação do próximo mês.

25

de
janeiro

Só cair a ficha não adianta. Tem de mudar a regra!

Incrível! Uma frase dita pela personagem feminina principal, num filminho como o Four Christmases (Surpresas do Amor), ativou meu cerebelo e o insight veio. É isso! Cair a ficha só, não basta, tem de mudar as regras! Não adianta só ter a visão de cena, é preciso atuar.

Imagino que quem faça terapia, ou seja muito “desencanado”, esteja pensando: Ooooh, criatura, só agora percebeu? Mas é que eu não faço terapia, nem sou desencanada,sobretudo com o que se relaciona às pessoas com que convivo e de que gosto. Já escrevi, algumas vezes, sobre meu ponto de vista de que se a gente dá, tem de receber, ou então não vale a pena o esforço, a dedicação, o carinho. Então, vez por outra, não tem jeito e se rompe, se esquece, se deixa de lado uma convivência que parecia tão boa, mas na verdade não era. Isso é muito estressante e suga energias, mas passa.

Pois é, mas com a “ajuda” do tal filme, e devido a acontecimentos recentes, finalmente entendi que tenho de mudar as regras. As minhas, não as do mundo, porque o outro lado às vezes nem se dá conta do que está acontecendo. Isso é impressionante, no meu modo de ver! Mas, cada um, cada um, ora! E tudo tem três lados na vida: o meu, o seu e a realidade do fato/da situação em si.

Então, muitas vezes, não é preciso romper totalmente, só baixar a convivência para algo que não nos faça mal. Escrevi também em outro post que é uma pena deixar para trás tanto investimento emocional, mas que seria melhor encerrar o assunto de vez mesmo. No entanto, agora acho (entendi) que não. Não precisa ser um tratamento de choque tipo para parar de fumar, parar de beber, parar de fazer alguma coisa viciosa (sim, porque tudo isso nada mais é do que um comportamento vicioso, que se estabeleceu; e por acomodação a gente não analisa, a gente não avalia, a gente não muda). Pode ser aos poucos, devagar, até chegar ao 0 ou quase. É muito menos desgastante.

Eu não tinha consciência disso, mas já tinha iniciado alguns processos nessa direção, que até estão bem avançados, analisando agora. Também me dei conta de que, mais do que não exigir dos outros, é muito mais difícil não exigir de mim. Noutro dia um amigo disse que eu me desdobro para atender, ajudar os amigos, e quando não consigo, nem que seja por uma deficiência que não é minha, eu “overreact” (mesma expressão usada pelo personagem do filme), eu exagero. Sabe que é isso mesmo?

Pois é, também como já escrevi, nada como colocar idéias no papel. Elas se materializam, fica mais fácil (pelo menos para mim) entender e saber o que deve ser feito, em que direção seguir. Acho que se eu fosse a um terapeuta ele teria que escrever tudo para mim, senão não ia vingar.

Bom, para deixar a coisa menos pesada para quem só esperava ler um texto levinho, simpatiquinho, alegrinho, um poema de um dos meus poetas favoritos - William Wordsworth. Bonito como ele só!

Daffodils (1804)

I wandered lonely as a cloud
That floats on high o’er vales and hills,
When all at once I saw a crowd,
A host, of golden daffodils;
Beside the lake, beneath the trees,
Fluttering and dancing in the breeze.

Continuous as the stars that shine
And twinkle on the milky way,
They stretched in never-ending line
Along the margin of a bay:
Ten thousand saw I at a glance,
Tossing their heads in sprightly dance.

The waves beside them danced, but they
Out-did the sparkling leaves in glee;
A poet could not be but gay,
In such a jocund company!
I gazed—and gazed—but little thought
What wealth the show to me had brought:

For oft, when on my couch I lie
In vacant or in pensive mood,
They flash upon that inward eye
Which is the bliss of solitude;
And then my heart with pleasure fills,
And dances with the daffodils.

24

de
janeiro

Mirei uma coisa, e acertei duas!

Fui ver o filme Four Christmases ( www.imdb.com/title/tt0369436/ ), que só Deus sabe por que deram o nome aqui de Surpresas do Amor (vendo o filme, até tem sua lógica, mas por que têm de mudar o título original? Atrás dele também tem uma inteção, ou até um despiste…enfim…).  De toda forma, fui para ver um filme levinho, descompromissado, bobinho mesmo.  Pelo menos foi o que me passou o trailer.  É sim uma comédia levinha mesmo e a gente imagina que o que vai ver é um monte de situações macarrônicas de um casal querendo escapar do convívio com familiares durante as festas de final de de ano.  Mais para pastelão.

Mas o filme é mais que isso.  Na verdade, o que aparece por todo o filme, e de forma clara, é que mesmo se convivendo diariamente com uma pessoa, se fazendo coisas em comum, muitas coisas, pouco se conhece dela muitas vezes.  E nem sempre será por falta de honestidade das partes envolvidas, mas sim porque frequentemente só vemos o que queremos ver, só ouvimos o que queremos ouvir.  Uma amiga me disse uma vez,quando disse a ela que precisava de uma opinião para tomar uma decisão, que a gente só pergunta para ratificar o que já decidiu, escolheu.   Acho que é isso mesmo.  Resumo da ópera: mesmo que a realidade esteja ali, diante do nariz, a gente não enxerga, a gente não quer ver, e aí, quando se “entende” a situação, vem a decepção, a surpresa.  No filme há momentos hilariantes, como durante o culto em que o casal faz o papel de Maria e José.  Mas há algumas frases lapidares (óbvias, porém lapidares), como quando a Kate diz: I am not overreacting. I understood! And I am changing the rules.  Interessante, porque é isso mesmo: às vezes as pessoas acham que a gente “overreact” (que seria, acho, “perder o controle”), mas não é isso. É que a “ficha cai” e aí a gente percebe que ou foi enganado ou se auto-enganou (já mencionei em um post e acho que todo mundo deveria ler Eduardo Gianetti - Auto-Engano), e nos dois casos a única reação cabível acho que é perder o controle, nem que seja só um pouquinho.

Os atores principais (Vince Vaughn e Reese Whitherspoon) estão muito bem.  Principalmente o VV tem um timing muito bom.  Além disso tem Sissy Spacek, Robert Duvall e Jon Voight em pequenas participações, mas que só valorizam o filme.

Não é um filmaço, mas vale o ingresso. Diverte e faz pensar, nem que seja um pouquinho.

24

de
janeiro

Terra de Gigantes - Elessandra Paula

Esta é uma homenagem à Elessandra, que escreve lindos textos, é uma pessoa especial e minha amiga.  O Caio (meu colega de trabalho) e eu fizemos uma leitura/gravação rápida (e quando digo rápida é rápida mesmo – a gente tem de produzir as coisas em 5 /10 minutos, afinal estamos no trabalho), que foi valorizada à milionésima potência pelo Keizo (sugeriu a música, fez as imagens, colocou no youtube, desde o outro lado do mundo…Arigatô gosaimas! Aliás não tenho como agradecer o entusiasmo, a rapidez e a qualidade de tudo o que o Keizo já fez para mim: Miriana e agora Terra de Gigantes!).

Abaixo do link, está o texto da Elê. Como gravamos com gravador não muito bom, em mono (o Keizo é que me disse), sugiro que leiam pelo menos rapidamente o texto e depois acessem o youtube.  Espero que gostem (eu gostei muito de tudo: ler, gravar, assistir. Pure joy!).  Elê, Keizo, Caio – banzai!

http://www.youtube.com/watch?v=M9qfBnCSQFk

Antes, uma verdade aplicável a todos os meus amigos, porque se são meus amigos é porque é assim que acontece, senão não os consideraria amigos. Bjs.

Some people come into our lives and quickly go.

Some people move our souls to dance. They awake us to

new understanding with the passing whisper of their wisdom.

Some people make the sky more beautiful to gaze upon.

They stay in our lives for awhile, leave footprints

on our hearts, and we are never ever the same.

(FW)

Terra de Gigantes – Elessandra Paula

Ando eu bandolando, perambulando pela noite.

Vigiando a lua para que ela não fuja. Cuidando das estrelas para que não caiam.

É tarde, se faz tarde.

Mas o relógio não pensa. Não pesam as horas. Só pesam os anos.

Criança na cerca à beira da estrada de terra – o que faz você a essa hora acordada?

- Espio a lua para que não fuja.

- Então somos dois. Também eu estou a vigiá-la.

- Não, não. Eu só estou espiando. Vou esperar até o sol nascer para esperar que ela derreta. Não é isso o que acontece todas as manhãs? O sol vem e derrete a lua, que é feita de queijo?

- Quem te contou essa estória?

- Foi meu vô. Ele me disse que todas as noites o sol vem de mansinho, devagarinho. E de pouco em pouco vai aquecendo a lua que sem perceber vai se derretendo. Por isso que o céu fica assim meio amarelinho. Queria ver como é.

- Bom, acho que a lua não se derrete mais. Isso acontecia com as outras luas. Essa lua é mais nova e mais esperta, ela não se deixa derreter. Ela se esconde. E o sol fica o dia todo procurando por ela. É por isso que ele vai de um lado ao outro durante toooodo o dia. E quando escurece é porque a lua conseguiu fugir e o sol está lá do outro lado do mundo procurando por ela.

- Ahhhhhhhhhh

- Mas você pode olhar para aqueles campos ali na frente, está vendo?

- Ali é a plantação de algodão do meu vô!!

- Hummmmm… na verdade é uma plantação de nuvenzinhas. Elas são assim pequeninas até o dia em que precisam subir lá para o céu, quando precisam chover.

- Mas meu vô nunca me disse isso!

- Acho que é porque ele nunca quis te deixar triste. As nuvenzinhas são tímidas e não vão para o céu se alguém as espia.

- Ahhhhhhhhhh

No meio da conversa me dei conta de que meu espiar não era o mesmo espiar desta doce criança. Há muito que são diferentes.

- E as estrelas? Você sabe de onde vêm as estrelas?

- Ah, essa é fácil. Se você tiver pensamentos bons eles se tornam estrelas, ora essa!

- É isso mesmo (confesso que o que tinha em mente era tão mais prosaico)

- E o vento?

Com um olharzinho de dúvida e ar de curiosidade vi que essa me dava à chance de me recuperar da lição que havia tomado das estrelas.

- Ora, é o sopro do gigante! Se o vento é bom é porque o gigante está feliz. Se o vento é ruim é porque está mal humorado.

- Ué, mas que gigante é esse? Nunca vi nenhum gigante!

- E quem coloca as frutas lá no topo das árvores? Quem não deixa os ninhos caírem? Quem você acha que faz as pipas enroscarem nos telhados?

- Ah, então é isso é? Sempre desconfiei que essas coisas não aconteciam sozinhas!

- Pois é. Mas ele é muito cuidadoso. Não gosta de ser visto por ninguém. Você está vendo aquelas árvores bem lá embaixo? Logo depois do rio?

- Aquelas bem altas? Onde não dá para ver nada?

- Isso mesmo. Ele mora depois daquelas árvores. Onde ninguém consegue vê-lo.

- Um dia eu vou lá. Não gosto quando ele prende a pipa do meu irmão. Ele fica muito triste.

E eu que não acredito mais em gigantes, mas que ainda me entristeço com pipas presas em telhados, me dou por vencido pela banalidade das minhas ilusões. Pelos meus desinteresses.

E para onde foi você, inocência? Onde esqueci a ternura? O que fiz com a fantasia?

E eu que não sou Pessoa e que às vezes nem mesmo sou posso vez ou outra brincar de contar estória, fazer verso, enganar, me furtar o juízo.

Assim volto a ser o gigante da estória. Volto eu a perseguir a lua. E, por que não, volto eu a ser a criança pendurada na cerca.

Me despeço de minha amiga criança com uma reverência e lhe rogo não vá incomodar o gigante.

- Prometo!

- Pois bem.

E saio andando de costas. Olhos para uma menina que espero não cresça.

No céu um sol nascido, lua já derretida. O gigante acorda.

É um novo dia, como um outro qualquer.

21

de
janeiro

Feliz aniversário! Feliz cumpleaños! Many happy returns!

Nesta semana há dois grandes eventos: 1) aniversário da Fer e 2) aniversário da minha mãe, que já faleceu. Mas não se preocupem, este não é um texto mórbido, até porque nenhuma das duas festejadas-mor está/esteve por aqui pra isso.  Pelo contrário (vou escrever tudo no presente para facilitar): são pessoas energéticas, ótimas no que fazem, que têm uma força e uma beleza interna faiscantes!

É engraçado como o tempo vai passando, as coisas vão assumindo outra perspectiva para a gente. Parece óbvio, mas é um tanto difícil de perceber.  Somos os mesmos, mas não somos iguais ao que éramos antes, acho que é mais ou menos isso.

Os que me conhecem sabem que eu uso e abuso do que minha mãe dizia.  Como todos os filhos (ou 99% deles), acho que presto mais atenção, valorizo, concordo mais com sua sabedoria hoje do que quando ela me era repassada ao vivo.  Se teoricamente mães são todas iguais- mas não são, podem acreditar!-, filhos também o são em sua maioria (isso é verdade!).  Digo que mães não são todas iguais, porque essa coisa de desvelo materno é uma insitituição humana, i.e., foi inventado pelo homem.  Na verdade, homem e mulher devem ter se juntado lá atrás, como animais que eram e continuam sendo (animais aqui não em sentido pejorativo, é só uma definição científica, nada mais), sabiam-se fracos, e a cria não sobreviveria aos enormes mamutes, aos vorazes tigres de sabre, aos répteis ladinos, enfim.  Foi uma aliança pela defesa da espécie, nada além disso. E o que existe é isso: proteger a cria, porque o grito primal de continuação da espécie não cala.

Isso deve ter cotinuado até terem entrado em cena os romancistas, poetas e o pessoal de propaganda e marketing (eles têm uma criatividade!!!).  Somos diferentes dos irracionais porque sonhamos, porque temos mais engenho que os outros animais (eles têm também, mas em nível diferente), temos a fala que ajudou/a nosso desenvolvimento, um raciocínio elaborado (que não funciona 100% do tempo para 100% dos humanos - olhem pro mundo e me digam se isso não é fato), enfim, de alguma maneira esse conjunto nos tornou “superiores”.

Mas por que mesmo cheguei a este assunto? Aah, sim, minha mãe…A relação mãe/filhos não é uma lei da natureza, imutável, inquestionável.  Nada disso! O que há são indivíduos que têm maior entendimento, consonância, como se diz por aí é uma questão de “pele” mesmo.  E não adianta só a mãe querer ou só os filhos quererem, tem de ser uma comunhão.  Sem querer ser cruel, mas apenas realista, seguramente 60 a 70% (se não mais) das mães pelo mundo, se perguntadas, diriam que, se tivessem um segunda chance, na verdade não gostariam de ter passado pela maternidade, carregar indivíduos que nada têm a ver com elas pela vida afora, muitas vezes não recebendo nenhum reconhecimento pelo esforço feito - verdade que algumas não fazem esforço nenhum-, até pelo contrário, sendo exploradas, brutalizadas, e aí vai. Mas que opção essa esmagadora maioria tem?  O peso da exigência social (arrasadoramente criada pelo sexo masculino, afinal “Eu tenho a força!”) é que é imenso.  Somos todos produto do que está no nosso DNA + todos os penduricalhos (as instituições humanas, ou será “invenções”, afinal somos criativos mesmo!) que recebemos pela vida.  E nem todo mundo consegue distinguir esse peso acessório do que é vital, ou dar um “chega pra lá”
nele.  Claro que não é preciso se insurgir contra tudo; os séculos aperfeiçoaram essas demandas, e muitas só vieram a nos beneficiar, afinal pra isso somos “racionais”, “superiores”, senão qual a vantagem?   Grandes cérebros vêm, há zilhões de anos, definindo como somos, para onde vamos, que desejos devem ser atendidos, que deveres e intrarrelações são esperados, etc., etc., e no rastro há algumas expectativas que têm o peso de uma tonelada.  Lembro-me de um caso singular, que mostra de forma didática o que estou dizendo: uma amiga com boas condições financeiras, informada, viajada, lida, durante um determinado tempo da vida não teve TV, porque não queria.  Estou falando dos anos 80, se me lembro bem.  Vocês não imaginam a surpresa inconformada das pessoas quando ela revelava isso.  Era olhada como um ET!  Imaginem! Simplesmente porque ela não tinha TV!  Um dia, depois de tanto explicar, explicar, explicar, ela comprou uma tv, mesmo que para não usá-la. Então, façam a transferência para não casar, não ter filhos, não buscar um padrão econômico-financeiro estipulado pelo mundo, não seguir padrões muito mais institucionalizados e arraigados. Compreenderam por que se chega àqueles 60-70% que mencionei lá em cima facilmente? Pois é.

Mas voltando: minha mãe me deixou uma herança de sabedoria, persistência, labor, movimento, engenho, alegria pela vida que vou carregar comigo por esta vida e outras, tenho certeza. Hoje me pego repetindo muitas frases ditas por ela, que deve ter aprendido com minha avó (outra pessoa fora dos padrões e de uma força inquestionável e admirável, mas com quem, infelizmente, convivi pouco devido a sua morte prematura - tanto minha avó quanto minha mãe morreram aos 57 anos, vítimas de câncer).  Eu gostaria muito de ter minha mãe fisicamente comigo em muitos momentos, afinal nos entendíamos muito bem, éramos almas gêmeas, mas se não está assim está sem dúvida de outra forma comigo, e isso já dá conforto.

Quanto à Fer, uma menina!  Pode deixar, Fer, não conto a idade! Ali tem muita alegria, muita dedicação às pessoas, à profissão, retidão, inteligência, carinho para dar e vender.  Uma vida inteira pela frente (do jeito que a coisa vai em termos de expectativa de vida, um caminho longuíssimo pela frente).

Ah, e há outro amigo que também faz anos no dia 24 (junto com  minha mãe), e o filho de uma prima (também no dia 24). Aah, e a minha adorada Sâo Paulo também faz anos em 25 de janeiro! Com tantos aniversariantes especiais, a semana só poderia ser especialíssima!

Então, feliz aniversário! Feliz cumpleaños! Many happy returns! Bon anniversaire!

20

de
janeiro

Mistério é comigo mesmo!!!

Hoje foi dia de uma novidade na minha vida: consultar um leitor de mãos (será que é assim que se diz?  Um fortune teller, vai….).  Não,não,é um quiromante!! Isso!

Bem, antes de minha aventura ao vivo e em cores, me muni de informações úteis e importantes.  Reli A Cartomante de Machado de Assis.  Machado, o maior da literatura brasileira sem dúvida, um dos autores de que mais gosto, e que me iniciou no gênero e me fez apreciar contos.  Hoje, esse é o meu gênero preferido!  Depois de Machado vieram Poe, Maupassant, Dahl e tantos outros!  A Cartomante de Machado é um thriller de primeira.  Emoção a cada linha!  Enfim, ótimo para me preparar para o que poderia vir.

Na verdade, há mais de 20 anos fiz um mapa astral, mas astrólogos se revestem de tantos cálculos, gráficos, etc.! Acho até que eles foram os primeiros a fazer uso extensivo de computadores, programas, e por eles a tecnologia teve que se desenvolver muito rapidamente.  Dão até a impressão
de ser quase ciência exata.   Não é, evidentemente, mas está em um patamar diferente da leitura de mãos, de cartas, runas, e outras “adivinhações”.  Bem, isso é o que eu pensava!!! Ooooh, ignorância!

De qualquer forma, como era de graça, num bar ajeitado, fui com uma amiga e o editor-assistente dela, que, coincidentemente, é amigo do quiromante. Pois é, coincidências da vida: quem marcou no local foi minha amiga, e só depois o editor-assistente soube disso e comentou sobre o amigo estudioso da quiromancia e quirologia (sim, plebe ignara, há diferenças: a primeira é a interpretação das linhas das mãos, sempre baseada em estudos (sabiam que Aritóteles fez um estudo completo sobre a linha do coração, que é mais importante que a linha da vida?? Hein, sabiam, sabiam???); a outra é o estudo digamos mais científico das mãos). Começamos bem no mundo dos mistérios…

Para ter a consulta é preciso chegar cedo. O quiromante começa a atender somente às 20h. (vai até umas 23h.), mas para garantir o atendimento tem-se que chegar lá umas 18h, 18.30h no máximo.  Minha amiga fez isso, e eu cheguei um pouco mais tarde.

O restaurante é bem interessante (  http://www.ciganabr.com/ ).  Fica pertinho do Inst. Tomie Ohtake, quase na porta de casa.  Conspiração positiva das forças ocultas, principalmente considerando o caos de S.Paulo!  A decoração coloca você no clima. O pessoal é atencioso (não competente, vejam bem - aqui também temos a praga nacional! Disso nenhum mago livra o país por enquanto), os preços são razoáveis, e as comidinhas idem.

Cheguei umas 18.30h. (direto do trabalho, portanto só querendo ouvir coisas boas, bons augúrios).  O que o quirólogo (é quirólogo, e não quiromante…agora acertei!) me disse?  Não conto não…quem quiser pode ir, que o Marcello Meneses é muito simpático, cria um clima legal, e faz bem pra alma.  Óbvio que ele não ia falar de nenhuma catástrofe, tragédia em 15 minutos de um primeiro contato, mas valeu a visita de todo jeito.  Depois, quem se sentir inclinado pode ir ao consultório dele para uma sessão privada e paga.  E olha que ele é procuradíssimo: vive 10 dias em Salvador, 18 em S. Paulo e 2 no RJ.  É mole?   Vou pensar…quem sabe faça uma consulta mais extensiva, para ver como é de fato. Se for, depois conto.

Bem, para quem quiser ficar com coisas mais palpáveis, ou para aqueles que não creem (sem acento, ai que desespero…), aí vai o link para baixar a obra do Machado - A Cartomante.  Viram? O destino foi bom com vocês!  De um jeito, ou de outro, sairam ganhando.

http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=1965

18

de
janeiro

’s wonderful, ’s marvellous. Why you should care for me?! +Bolt

Vamos começar pelo fim.  Primeiramente, mais um DVD.

Nossa, só agora percebi como fui uma felizarda em ter podido assistir a todos esses filmes quando ainda estudava, na Sessão da Tarde!  Agora que me dei conta, de novo, de como eles são plásticos, bonitos, têm músicas de meus ídolos em muitos, i.e, dos irmãos Gershwin,  de Irving Berlin - aliás muitos grandes clássicos, usados e reutilizados em filmes, peças, novelas atuais são deles;também tem dança de montão, efeitos verossímeis, etc.  Vou tentar comprar mais alguns para ver em casa com calma. Tem vários do Cecil B. DeMille, J. Houston, Elia Kazan, David Lean, cada um com seu estilo, e atuam  Gregory Peck, Paul Newman, William Holden, Grace Kelly, Ginger Rogers, Loretta Young, Dean Martin, e mais uma centena!!! Então, me aguardem!

Mas voltando…hoje foi o dia de Funny Face (Cinderela em Paris - movies.nytimes.com/movie/18956/Funny-Face/overview/) de 1957 com Fred Astaire e Audrey Hepburn (sabiam que ela era belga?).  Além deles, Kay Thompson faz uma Maggie Prescott que, pelo menos na sua atuação inicial, é igualzinha à Miranda de O Diabo veste Prada, ou melhor, Miranda é igualzinha a ela.  Aliás, a cena da antessala é um espelho do que é descrito naquele livro/filme!  Igualmente, o lufalufa do pessoal atendendo suas ordens. Então não foi pura coincidência, foi uma cópia mesmo.  A personalidade de Prescott é bem diferente da de Miranda em um aspecto: ela não é amarga. É só uma grande profissional, à testa de tudo, manda mesmo e sabe o que está fazendo, mas não humilha, não é cruel.  Outro aspecto idêntico aO Diabo é a transformação do patinho feio Hepburn em grande modelo (nO Diabo é uma secretária iniciante que passa a grande sec. executiva, e a transformação passa pelo visual também).  Claro que O Diabo é um livro muito divertido, tem um texto muito ritmado, loongooo, e não é uma cópia pura e simples,mas que há muitos pontos idênticos, aaah, isso há!

Além da música maravilhosa dos Gershwins (’s worderful, ’s marvellous, why you should care for me…), há as roupas - algumas de Givenchy, que se tornou grande amigo da Hepburn-, a fotografia (o diretor, S. Donen, teve a colaboração de Richard Avedon (en.wikipedia.org/wiki/Richard_Avedon) que foi importantíssima para a beleza das imagens da Hepburn sobretudo.  A história da  personagem de F. Astaire é baseada em algo da vida de Avedon, aparentemente.

Bom, foi uma delícia.  Água com açúcar pura, do tipo que não engorda e só faz bem!

Agora, voltando ao princípio: Bolt (disney.go.com/disneypictures/bolt/ - www.disney.com.br/cinema/Bolt/).  Em meu post de 11 de janeiro, escrevi sobre o Grilo Feliz.  Continuo dizendo que ele não faria feio se comparado ao que há no mercado, originário de outros países. Exceção: animações americanas, claarooo! E lamento dizer, mas estamos mesmo há uns 1.000 anos-luz deles.

Estava resistente a ver o desenho, pois só há cópias dubladas na praça.  Mas hoje o dia não estava nem para A Troca nem para O Curioso Caso …(B. Pitt), então que venha Bolt!  Para minha sorte: 1) no horário em que fui ao cinema havia poucas crianças; 2) a sessão era em 3D; 3) o enredo e a animação são tão bons, e, pasmem, a dublagem também, que valeu a pena ter ido.  Claro que eu gostaria de, ou teria preferido, ver o original com Travolta fazendo o Bolt, por exemplo, com trilha sonora original (aliás a trilha original só aparece no final. Não saia do cinema antes de desligarem a telona, pois há o desenho dentro do desenho para passar os créditos, e aí é que você ouve a trilha original).  O senão foi mesmo a trilha sonora. Por que não manter a original, muito superior? Por que insistir em traduzir músicas e botar uma gente estranha cantando?  A criançada não ficaria chocada com músicas em inglês, isso é parte da vida delas, e os ouvidinhos imaculados agradeceriam com certeza.

Enfim, o desenho é uma graça mesmo. As melhores personagens para mim são a Mittens e o Rhino - são hilários. A gata Mittens mostra a diferença entre cães e gatos de maneira brilhante - agora eu entendi…  Os dubladores dessas duas personagens também dão um show…mas cadê o nome deles? Parece-me que são estes dois globais:  Leandro Hassum e Maria Clara Gueiros, mas não tenho certeza.  De qualquer forma, é um desenho de primeira. A Disney caprichou.  Outra coisa que diferencia a produção americana do Grilo (brasileira) é a mensagem.  Enquanto ficamos ainda numa coisinha mais rasa, eles estão bem melhores no quesito.  Além das coisas básicas: amizade, fidelidade, carinho, atenção, há outros conceitos mais complexos: você é o que é, não o que os outros querem que seja, então Ojo!  É fácil ir com a maré e atender os apelos, as pressões do que é comum, esperado, exigido pelo grupo, e deixar princípios, crenças pessoais, sonhos de lado, então Ojo!  Há vários níveis desses temas discutidos com muito colorido, bem de mansinho, bem inteligentemente.

E a 3D??? Tudo de bom!  Fazia muito tempo que não via algo assim (acho que a última vez foi no Playcenter - Cinema 180 graus, há décadas).  Além do Bolt, vários outros desenhos vêm aí em breve e todos em 3D, e com histórias bem legais aparentemente.

Concluindo: ainda bem que não deixei de ver o desenho por medo daquelas vozes esganiçadas e/ou monocórdias e rascantes, tão desagradáveis, que normalmente é o que encontramos nas dublagens nacionais.  Não sei quem foi que disse que ator é bom dublador.  Lembro-me dos tempos dos antigos desenhos na tv (Zé colméia, Manda Chuva, Pepe Legal, etc.), em que os dubladores eram dubladores (poucos eram atores) e ponto.   De qualquer forma, no Bolt os dois atores globais (se são eles de fato) souberam enriquecer e dar vida às personagens comme il faut.

Não percam, vale muito a pena.

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