Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

31

de
dezembro

Limpeza em 2008, para começar bem 2009! Coraggio!!!

Hoje, 31/12, fiz uma limpeza em várias coisas de casa(ufa, acabo de acabar!). Independentemente do aspecto esotérico, acho que dá uma liberada mesmo. Sai pó, sai volume, sai peso, entra espaço, entra leveza, entra liberdade para escolher outras coisas. Tudo um tantinho psicológico, mas positivo de qualquer jeito. Faz algum tempo que não faço isso de maneira programada, organizada, então o resultado foi surpreendentemente agradável. Comecei ontem com meus vídeos - vai até o último…I promise! E hoje continuei com algumas partes da casa.

Além do físico, a gente também tem de fazer uma limpeza mental e na alma. Então, logo cedo, saí para dar uma andada, olhar as árvores, ver o movimento e dar um respiro pro pensamento. Também faz tempo que não faço isso tão descompromissadamente e por um período tão longo!

Pois é, não é preciso ficar pensando e repensando coisas, moendo e remoendo. Se a gente caminha só, tranqüilo, ou pára e fica num canto, olhando para nada, talvez até ouvindo uma musiquinha, automaticamente (a não ser que você seja um meditador de primeira) vêm flashes de momentos vividos (bons e ruins), de pessoas queridas ou nem tanto. E como uma coisa puxa outra, dá para pensar um pouquinho no que é preciso mudar, no que a gente espera da vida daqui para frente, no que se vai deixar pelo caminho, que se precisa de novos ares, de novos relacionamentos, etc., etc.

Mudar padrões, rotinas, ações acomodadas é sempre difícil. Incomoda, mesmo que seja uma decisão ganha x ganha. Como escrevi em outros posts (E chegou o final de 2008! - 10/12 e Reinventar a vida! - 19/12), não costumo fazer listinha de nada: o que fazer, o que deixar de fazer, onde quero chegar. Apesar de bastante organizada e planejada, essas coisas de médio para longo prazo não me provocam a mesma sanha metódica. De repente, lá no meio do ano eu resolvo que alguma coisa tem de mudar, que eu tenho de fazer alguma coisa, e é a hora! Não procrastino, não. Acho que as minhas necessidades é que não são tão previsíveis ou até não tão claras para mim mesma, então vai no “tranco” muitas vezes. Até o momento, isso não tem sido negativo. E, imagino não ser a única pessoa a agir assim.

Quanto às pessoas da vida da gente, é um pouco diferente. O que vale para mim na vida são os amigos e minha micro-família; tenho muito cuidado com o assunto, até porque é com essas pessoas que gasto quase toda minha energia, que não é pouca. Elas são como um fundo de investimento: tem de dar lucro, no mínimo empatar, senão não vale a pena. E cada vez mais (acho que é a idade, afinal a energia já não é a mesma e o tempo vai se esgotando), olho para cada relação com mais cuidado, nelas eu penso sempre e resolvi fazer um balanço neste final de ano (espero que isto não se torne um hábito, pois dá uma canseira…).

Sempre me deu uma pena imensa pensar em descontinuar uma relação, porque acho que vou perder longos períodos de carinho, dedicação, exercícios de entendimentos x desentendimentos, troca de experiências, de vivências, tudo tão valioso! É assim, se eu não gosto de uma pessoa eu nem tolero, e isso está no meu olho; se é um conhecido, é um conhecido apenas; mas se é um amigo, aí é tudo diferente: dedicação 100%! (há amigos que dizem que não dá para ser assim radical, sei lá!). Mas tem horas que é partir para o sacrifício e pronto! Uma amiga (Elê) escreveu um comentário (Quando o cristal se quebra - 8/10/2008) assim: “Humanos são, ora bolas, humanos. Falíveis, pretensiosos, quase sempre egoístas. Relacionamento é contrato redigido à quatro (ou mais) mãos. Nem sempre ‘fair’ para todos os lados mas na medida do possível que mantenha a equidade, o equilíbrio que não desfaça nem corroa (ou seria corrompa?) o relacionamento.A questão em si não é o dar esperando-se o receber mas sim o somente dar ou o somente receber. Relacionamento sem troca não é relacionamento, é posse, é escravidão. Alma que possui não é alma e alma possuída, bem, é sinônimo de solidão.” Pois é isso mesmo: tem gente que acha que tudo isso é bobagem, mas não é não (valeu Elê!). Ok dar sem esperar nada de volta, mas na milésima vez isso caaansaaaa… Você não? Lembro de uma coisa que minha mãe sempre dizia: quando uma porta se fecha, uma janela se abre, ou seja a compensação vem por outros meios, de outro lado. Muito consolador, mas não pode ser sempre assim!

Um amigo também já me disse, diretamente, várias vezes que isso deve ser carência. Não vejo ou sinto assim (e nem venha não, que terapia está fora dos meus planos; estou bem contentinha com a minha vida do jeito que é e com os jeitos que dou nela); acho que isso é gostar assertivamente ou não das pessoas. Pra mim a vida é assim: assertiva, peremptória, e eu que agüente as conseqüências depois. Mas é só um jeito de ser, olhar a vida e as pessoas. Sempre digo: não tem certo ou errado para essas coisas, e enquanto não faz mal pra gente, nem para os outros, só é assim e ponto. Cada um, cada um.

Mas neste ano, apreendi (finalmente!!!), observando alguns amigos, que é melhor não ir com muita sede ao pote. Não ser tão thoughtful, pois isso aparentemente também cansa quem recebe (você, que talvez seja como eu, sabia disso? Pois é, isso nunca me passou pela cabeça; pra mim não funcionava assim, enfim…). Estou tentando, já ensaiei alguns passinhos, mas decidi que a hora de começar pra valer é agora (isso é pra dar ânimo, senão vou deixando, deixando, deixando…). Vamos ver se me dou bem com o método. Dessa forma, a gente não precisa ter uma linha divisória, determinar um rompimento, ou cobrar (outro amigo diz que sou muito exigente. Nossa, acho que eu não estava agradando mesmo!!). Vamos deixar a coisa mais light, beeem mais light aliás. Então, coraggio!!!

Bem, de qualquer maneira, se você ainda não fez a limpeza externa ou a interna, ainda há tempo. Verdade que você tem a vida toda; só não adie demais, pois a carga vai ficando muito pesada, e a gente deixa de viver coisas novas pelo caminho, agregar pessoas que valem a pena, por falta de espaço na caçamba ou por comodismo mesmo, por achar que já tem tudo e todos de que precisa.

Nunca pensei que poderia dizer isso com tanto entusiasmo (detesto serviços domésticos), mas vá lá: boa faxina em 2009!

31

de
dezembro

De amor e de sombras (1994) - mais um vídeo eliminado!

Este foi duro!  Nem posso imaginar por que comprei este vídeo hace tantos años…Enfim, o filme (www.imdb.com/title/tt0110712/) baseia-se, mas só um pouco, no livro de Isabel Allende, A Casa dos Espíritos (pt.wikipedia.org/wiki/La_Casa_de_los_Espíritus).  Trata da ditadura chilena, dos tempos mais duros (meados dos anos 70).  Pois é, tão difícil lá como cá…

Os atores não estão mal, o enredo é bem razoável, cenários e fotografia mais ou menos, mas agüentar atores latinos (chilenos, espanhóis, italianos) falando inglês por quase duas horas, com um sotaque atroz, é demais!  Não entendi a lógica - acho que mesmo em 1994 não havia motivo para isso. Pelo que vi, só há uma americana no filme, então pra que essa tortura?  As falas ficam até mais arrastadas porque, obviamente, muitos não tinham a fluência em inglês de um hablante nativo. É difícil ver o esforço que faz toda aquela gente pra representar e ainda ter que lidar com um idioma que não é o seu, sobre uma obra em espanhol, tratando de um tema latino, etc., etc.

Afinal, a ditadura chilena arrefeceu em 1990, então não imagino por que optaram por rodar o filme em inglês com atores de fala hispânica.  Enfim…vai saber…

Ah, e se você não assistiu a nada na linha (difícil, hein!), ou mesmo um Costa Gravas básico, então veja, mas senão deixe para aquele dia em que não tem nada, mas nada mesmo melhor pra ver.

E não fiquem assanhadinhos por causa do cartaz.  Não é nada disso. Ele mostra a única cena mais sensual do filme, que não tem nada de erótica comparado ao que há por aí. Afinal, o filme se propunha a discutir outras coisas, bem mais sérias.

30

de
dezembro

E a limpeza de 2008 já começou!!!

Nossa!  Faz séculos que penso em fazer isso: limpar meus filmes em vídeocassete. Como comprei poucos (meu negócio é a tela grande, sala de cinema mesmo), a idéia era rever e dar/doar a dúzia que havia adquirido.  Foram 3 mudanças de casa, e lá vieram eles junto (não me lembro bem, mas acho que descartei alguns pelo caminho. Filmes que não julgava tão bons a ponto de querer mantê-los, carregá-los).  E, claro, o equipamento para assistir aos filmes.

Bom, depois de muito “empurrar com a barriga” (a cada mudança a intenção era fazer a limpeza, depois a cada período de férias, depois a cada feriado prolongado. Ufa!), resolvi dar termo ao assunto. Já que vou limpar outras coisas na minha vida, vamos começar pelos filminhos.

Bem já foram 3.  Ainda faltam 8 ou 10, mas até terminar não esmorecerei!!!

Como são filmes bem antigos (no mínimo de uns 15 anos atrás), já tive boas e más surpresas com os que já vi.  Vou relatando pra vocês o que for observando. Pode ser que, alguns, vocês não tenham visto no cinema, em vídeo ou dvd, então de repente vale a dica.

O primeiro foi A Festa de Babette (www.imdb.com/title/tt0092603).  Primoroso.  Se não viu, veja.  Um filme que não envelheceu, e, imagino, tenha servido de inspiração para “Como água para chocolate” (filme lindíssimo, mexicano), ou “Chocolate” (francês, também muito bonito).  A Festa de Babette é de 1987 (noossaaa!) e é baseado em um conto de Isak Dinesen.  A produção é dinamarquesa.  A história se passa em final do séxc XIX, conta a história de duas irmãs e uma cozinheira francesa agregada posteriormente em um vilarejo dinamarquês.  As relações humanas são retratadas de maneira muito sensível.  As escolhas, ganhos, perdas das duas irmãs chegam a nós com uma suavidade comovente.  O filme é bonito e o momento do jantar preparado por Babette é bem interessante, dá até água na boca…

O segundo foi As Loucuras do Rei George (www.imdb.com/title/tt0110428 ).  Não me lembro de ter visto este no cinema (e não devo ter visto, afinal é de 1994/1995, portanto faz tempo, mas nem tanto). De qualquer forma, o filme é interessante até pelo aspecto histórico. Relata um surto de demência (provavelmente causado por porfíria, segundo o filme e relatos históricos) de George III, justamente na época em que a Inglaterra perdeu suas colônias na América do Norte, ou seja, a.k.a. the U.S.A.  Tanto o ator principal (Nigel Hawthorn), quando a rainha (Helen Mirren) e o médico que cura o rei (Ian Holm) estão ótimos.  Há grandiosidade, cenários bonitos, mostrando todo o luxo da época.  Mas o que importa é o texto dentro do texto, ou seja, o que é uma família real de fato, a função deles (o final do filme retrata isso claramente), o poder que corrompe, é corrompido.  Enfim, um retrato que poderia servir para um filme sobre a monarquia (ou outra natureza de poder) nos dias de hoje.  Não é um filmaço, mas se você não tiver outro para ver, vale a pena.

O terceiro da série foi Indochina (1992) (www.imdb.com/title/tt0104507) que ganhou Oscar de melhor filme estrangeiro. Estrelado por Catherine Deneuve.  A história também é interessante, pois relata as lutas de libertação da Indochina (os dois Vietnãs hoje) da França.  Tem uma história tipo Madame Butterfly de fundo, fotografia e cenários muito bonitos. Mas o filme é meio cortado, parece que tem alguns problemas de continuidade, e além disso tem uns momentos patéticos, i.e., drama demais para pouca coisa.  A minha impressão é que o filme envelheceu (vi no cinema e não me lembrava de ser tão esquisito).  Estão ótimos a Catherine Deneuve (que tem também seus momentos chororô) e o Jean Yanne (que faz o papel de Guy, um chefe de polícia amigo e apaixonado pela Deneuve).  Os outros atores são pra lá de fraquinhos. Eu não perderia tempo com ele. Com a mesma temática, deve haver outros por aí, e melhores.

Vou continuar a ver os vídeos e vou comentando à medida.  Não vejo a hora de limpar o estoque e retirar o equipamento de vídeocassete de casa, que é meio monstrengo/grande.

30

de
dezembro

So true!

Gosto muito dos textos do Luciano Pires (http://www.lucianopires.com.br).  Reproduzo abaixo um que recebi estes dias.  Uma reflexão singela, mas profunda sobre relações humanas.  Acho que toda família, em algum momento, passa pelo que relata o LP.  Eu mesma cansei das festas de casa (antes com minha avó, depois com meus pais e tios). Um monte de gente (umas 30), gente que se reúne uma vez por ano, gente que se gosta, gente que não tem nada em comum, aliás se desgosta.  Aquela confusão. Mas há momentos (no meu caso ainda são poucos) em que se sente falta disso.

Eu resolvi meu problema, em 2008, cozinhando para amigos em casa.  Na verdade acho que saí ganhando: o trabalho não é insano (lembro-me das mulheres da família cozinhando dias para ter tudo pronto no Natal ou Ano Novo), dá para “aproveitar” mais os amigos, só faço para pessoas de que gosto, e fazendo um ou dois por mês tenho festa continuada o ano inteiro. Como está no texto: quebro a rotina muuitaas vezes, então, o que comecei em 2008, pretendo continuar até chegar o final da fila.

Bem, espero que gostem do texto. É muito sensível, como muitas coisas que o LP escreve.

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O CAPITAL SOCIAL

Desde que eu era criança em Bauru e até meus 45 anos de idade mais ou menos, todo Natal era especial. Meus avós, seu Duarte e Dona Dora faziam questão de reunir a família durante as festas de final de ano. Era uma grande bagunça, entre vinte e trinta pessoas nos almoços e jantares festivos, com a leitoa e o creme do Vô, os bate-papos, a entrega dos presentes e do envelope com dinheiro para cada filho, neto e bisneto. Uma grande farra.

Eu ficava fascinado vendo aquele monte de tios e tias trabalhando para a festa. A Vó matando a galinha, a mãe fazendo a sobremesa, o tio mudando os móveis de lugar. E todo mundo espremido numa casa onde quase não cabia todo mundo. Ninguém reclamava, era uma grande festa que durava pelo menos dois dias: do jantar do dia 24 para o almoço do dia 25. E emendando com o dia 31, claro!

Mas um dia Vô Duarte morreu. E logo em seguida a Vó Dora se foi. Sem os dois para servir como nosso Norte, como os elementos de atração, como a autoridade que todos respeitávamos, cada um foi para seu canto e nunca mais a família se reuniu. Eventualmente nos encontramos numa ocasião especial, um casamento ou velório, mas é só. Nunca mais.

Essa deve ser a dinâmica natural das famílias, não é? Com a morte dos avós, a família desagrega e forma outros núcleos, onde novos avós vão se tornar o centro das reuniões e assim vai de geração em geração.

Mas será?
Muitas pesquisas já demonstraram que estamos muito melhor que nossos pais e avós estavam quando tinham nossas idades. Se você comparar um pobre de hoje com um rico da Idade Média verá que temos uma condição de vida infinitamente melhor em termos de conforto, expectativa de vida, acesso à cultura e educação. É claro que falo de forma geral, sem aquela babaquice ideológica que diz que “nunca estivemos tão mal”.
Esse “estar melhor” quer dizer que deveríamos ter mais tempo e mais dinheiro para investir nos momentos de reunir a família e os amigos, não é?
Mas aquelas festas generosas parece que não existem mais. Ninguém tem mais saco de enfrentar as horas e mais horas de cozinha, a tonelada de louça, as roupas de cama e toalhas para lavar depois. E o dinheiro que custa uma reunião dessas? A tremenda quebra da rotina que aquelas reuniões significavam é hoje um tabu. Ninguém mais quer encarar incômodos. Estamos ocupados demais, cansados demais, apressados demais…
Estamos perdendo aquilo que o cientista político e professor norte-americano Robert Putnan definiu como “capital social”: nos últimos quarenta anos assistimos a redução do envolvimento cívico e político, dos laços sociais informais, da tolerância e da confiança. Passamos menos tempo com os amigos, freqüentamos menos clubes, nos afastamos da política, dedicamos horas e horas à televisão (e agora internet) e recebemos pela mídia uma carga diária de catástrofes que nos transformam em indivíduos medrosos, descrentes e desconfiados.

Nesse ambiente perdemos a capacidade de interagir socialmente. “Interação social” passa a valer a pena só quando dá lucro.

E é então que o Vô Duarte e a Vó Dora fazem uma tremenda falta.

Pois quer saber? Tá na hora de eu assumir o lugar deles.

Luciano Pires

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28

de
dezembro

Agora as coisas boas do dia!

Bem, o dia começou com a exposição do Sesi - Av. Paulista,  Japão - Mundos Flutuantes ( www.sesisp.org.br/home/2006/centrocultural/Prog_expo1.asp ).  O Sesi é primoroso ao montar suas exposições.  São sempre muito bem planejadas, valorizam imensamente o que está sendo exposto. Além disso é de graça. O único senão (blog anterior) foi a falta do folheto cobrindo a exposição, que normalmente também é muito bem feito.

Gostei sobretudo das gravuras ukiyo-e. Mas as fotos de Haruo Ohara, todas em preto e branco, também são lindíssimas em sua simplicidade, singeleza.  Vale muito a visita!

Depois foi a vez de O menino do pijama listrado (The boy in the striped pyjamas -www.imdb.com/title/tt0914798/).  Eu havia lido o livro (faz quase um ano), mas ao ver o trailer nos cinemas, uma decepção: o filme é em inglês (britânico). Explico: como a história se passa na Alemanha, mesmo tendo sendo escrita por um inglês, não sei por que na minha cabeça o filme só poderia ser em alemão.  Isso me deixou um pouco resistente (o filme passou na Mostra de Cinema deste ano, mas não deu para ir ver).  De qualquer forma, como o livro é maravilhoso, de uma delicadeza soberba, e a história em si é comovente, lá fui eu.  Felizmente minha decepção virou fumaça rapidinho.  O filme é ótimo. Os atores, mirins e adultos, são ótimos!

Minha sugestão: se não leu o livro, leia, pois além da diferença óbvia entre as duas linguagens (cinema/literatura), o filme dá maior enfoque a determinados aspectos da trama, não tão evidentes no livro e vice-versa.  Por exemplo: no filme, o final é explícito demais, ou seja, não ficam no ar as conseqüências da ação dos meninos, como no livro, que deixa o drama final e maior subentendido, de uma maneira sublime.  Nem por isso o filme é menos cativante e bonito. Vá ver!

E para finalizar: Gomorra. Comprei o livro quando começou a aparecer nos EUA, mas ainda não o li.  Espero que seja beeem melhor que o filme.  Por incrível que pareça, apesar de eu gostar bastante do gênero gangster, desde os idos de Os Intocáveis (branco e preto, há muitas décadas), vários filmes no cinema, Os Sopranos, achei o filme bem cansativo.  Primeiramente porque tem duas horas e meia praticamente.  90 minutos já estaria de bom tamanho.  Além disso, o que dá certo em vários filmes, desenvolver vários núcleos para contar a história - não me agradou muito neste filme.  Vou ver se leio o livro o quanto antes, para ver o que acontece, i.e., se o livro é ruim ou se o filme é que não faz jus ao texto.  O filme também é falado no dialeto da região de Nápoles, sobretudo, então é meio desagradável para o ouvido de quem está acostumado à musicalidade da norma do italiano, mas isso é superável.  O fato é que tem muito sangue, muito tiro, muita violência desde o começo (pra gente que assistiu ao Tropa de Elite fica uma sensação de déjà vu), o filme não traz emoção, não empolga, é como um documentário violento, só isso.

Portanto, se você tiver coisa melhor, mais alegrinha, mesmo que bobinha, pra ver, não perca tempo com Gomorra, até porque eu esperava ver dados mais precisos, estatísticos, realistas mesmo,  sobre a atuação da máfia na Itália, e o que o filme apresenta nesse sentido são alguns textos que aparecem no final, nada mais.

28

de
dezembro

Balanço negativo de 2008!

Bem, vou enviar este texto para a mídia, estudiosos, debatedores, etc.  Afinal, quando a gente começa a perceber o desastre tem de recorrer a quem possa explicá-lo e, eventualmente, possa encontrar um solução para o problema (ou os problemas).

Hoje, quase último dia do ano, acho que bati meu recorde em termos de observação de incapacidade da mão-de-obra nacional. Vejam que estou falando de SPaulo, maior cidade do Brasil e da América do Sul, comparável a muitas megalópoles. Isto quer dizer: renda per capita elevada, comparativamente, educação, alimentação, etc., etc.  Então nem quero pensar no que acontece em outras localidades.

Ouvimos todos os dias gente reclamando que não há emprego, e empresários dizendo que há vagas, mas não há gente capacitada.  E deve ser isso mesmo. Normalmente não presto tanta atenção a esse tipo de ocorrência, a não ser que seja daquelas coisas de tirar a gente do sério. Mas hoje, por estar com a mente aérea, me propus fazer um joguinho de observação e “achar o erro”, o que foi facilíssimo!

Depois faço outro post para comentar o que vi até agora - afinal, mesmo com os tropeços dos serviços, tem muita coisa boa para ver.

Bem comecemos com:

1) Visita ao SESI Paulista - exposição Japão Mundos flutuantes. Como sempre, a exposição está muito bem montada.  O SESI oferece exposições gratuitas com uma qualidade ímpar, só comparáveis às do CCBB, a museus como a Pinacoteca (que cobra, pouco mas cobra), ou como o MASP (que cobra caro, considerando a economica local).

Chegando ao SESI, pergunto pelo folheto da mostra. Acabou!  Mas como, se a mostra vai até 3/2009?  Não há uma previsão para isso?  Se há um custo, cobre-se o catálogo (R$ 1,00 ou R$ 2,00) para compensar alguma perda de impressão.  Afinal não é a primeira exposição, o SESI tem gráficas próprias, então como é possível faltar?  Como a gente faz com a despensa de casa: está acabando, providenciamos a reposição dos itens. Tão simples quanto.  Afinal estou falando do SESI.

Mas o pior não foi isso.  Hoje ocorreram dois fatos que eu nunca havia presenciado, pelo menos não de forma tão acintosa.  Esclareço que estive ali das 11.30h. aprox. até umas 12.30h. - as câmeras de segurança poderão confirmar o que digo quanto ao item (b) (imagino que haja muitas câmeras por ali):

a) dois monitores (um rapaz e uma moça) passaram várias vezes por mim, em uma conversa animada.  Não entendo! Quando se vai a museus fora do país, no primeiro mundo (América ou Europa), há silêncio, as conversas são em voz baixa, e as conversas são do público, não dos funcionários!  Como é possível que os monitores não sejam treinados para se manterem quietos enquanto não monitoram grupos?

b) Mas o mais incrível foi dois seguranças, em conversa de vários minutos, em voz bem alta, discutindo seus problemas financeiros, próximo à mostra de fotos de Haruo Ohara.  Incrível, mas um deles estava apoiando o corpanzil de 1.90m e uns 100 kgs. em um painel exposto!!! Eu não conseguia ler a plaquinha de identificação porque a criatura estava ali, encostada, e não se apercebia que estava atrapalhando o público.  Para não perturbar tão animada conversa, vi as demais fotos (o painel encoberto era o primeiro painel da seqüência de fotos) e voltei, e o segurança continuava ali, apoiando seu corpo no painel e continuavam ele e o outro funcionário em animada conversa.  Incrível!!! Em qualquer museu, se fossem visitantes já teriam tido a atenção chamada para que se calassem ou baixassem o volume, mas aqui eles que são supostamente os que têm essa responsabilidade não têm idéia da postura profissional que devem ter!!!

2) lanchinho no Center 3 - Casa do Pão de Queijo. Embora eu ache o atendimento ali sempre capenga, hoje se superaram.  Eu gosto muito de um lanchinho que servem ali.  Alimenta, é levinho, então eu sempre peço esse lanche, um suco, um café e um brigadeiro.  Bem, fiquei uns 3 ou 4 minutos no caixa aguardando que a pessoa do caixa voltasse ao seu lugar.  Ela estava de costas, no balcão, só Deus sabe fazendo o quê, já que na loja havia outros 3 funcionários.  Aí la veio ela, com bastante má vontade, e pegou o meu pedido e de outra pessoa que estava aguardando, um casal na verdade. Eu queria pagar com meu cartão, então só nesse momento (vejam que era 12.30/12.35h., numa praça de alimentação um shopping como o Center 3, com grande movimento, etc., etc.), a caixa ligou a máquina de cartões!

Com meu tíquete tão suado em punho, lá fui eu para o balcão comunicar o meu pedido.  Como a caixa já havia avisado do sanduíche, e só do sanduíche, recebi-o de imediato, mas não o suco, café e brigadeiro.  Aliás tive que repetir 2 vezes a uma atendente, que parecia estar à beira da morte tal sua vontade laboral, que suco eu queria e como era o café.  Depois de receber minha tão sonhada bandeja com meu lanche, pude sentar-me e degustá-lo.  A operação servir SÓ tomou uns 10 minutos…e havia 4 (quatro) funcionários na loja, i.e., a caixa e mais 3 atendentes.  Como relatei no meu blog de viagem e em outros posts, em países por que passei (Alemanha, Holanda, e até a Bélgica) 1 caixa e 1 funcionário davam conta do recado e com brilho, enquanto nós precisamos de 4.  Deu pra entender por que ganham pouco? Por que continuamos um país de subtrabalhadores, de baixa produtividade?

3) cinema Playarte Bristol - comprei minha entradinha e me dirigi à sala 5 para ver O Menino do Pijama Listrado.  Cheguei à entrada da sala uns 5 minutos antes de a sessão começar.  E, surpresa!!! Não havia nenhum funcionário do cinema para pegar meu tíquete, cotrolar minha entrada. Então entrei, fui ao banheiro e quando sai (alguns minutos depois), lá estava a pessoa encarregada de controlar a entrada.  Perguntei se era ela mesma que verificaria o ingresso, entreguei o ingresso e entrei na sala.  Incrível ou não?  Onde estaria essa pessoinha?  Multidões poderiam ter entrado, ou não?

Bom, acho que estes 3 exemplos, que aconteceram em duas horas no máximo servem para demonstrar para onde está indo a mão-de-obra média nacional.  Ela é incompetente, irresponsável, descompromissada com o empregador e o cliente, com o resultado de seu trabalho, cara pelo que produz, e de qualidade abaixo de qualquer expectativa, mesmo da mais generosa.  Pena mesmo. Mas só posso imaginar que tudo vá piorar mais ainda.  Tudo começou na baixa qualidade da educação formal, e agora já chegamos ao patamar do trabalho.

27

de
dezembro

Para desanuviar o final de semana

Bem, depois de uma semana terrível com a notícia de um amigo querido na UTI (Mark) - ele está melhor, mais leva uns dias para sair do coma induzido, ganhar consciência, se libertar de todos os equipamentos, mas vai conseguir, não tenho dúvida! - uma saída básica para desanuviar as idéias. Graças que os amigos estão por aí, saudáveis e solidários!

Primeiramente foi o A Duquesa (The Duchess) ( www.imdb.com/title/tt0864761 )  que está em pouquíssimas salas aqui em SPaulo.  O filme é primoroso, tanto a Keira Knightley, quanto o Ralph Fiennes e a Hayley Atwell estão primorosos.  Os cenários e guarda-roupa são muito bonitos e o enredo, baseado em fatos reais, é bem interessante. Uma mulher à frente de seu tempo em muitos aspectos (a duquesa), mas com os sonhos de ser amada, ter um marido fiel, cuidar dos filhos, etc. Uma personagem interessante: ousada e submissa, quando a situação o requer. Um intelecto diferenciado.

Depois um lanchinho, que ninguém é de ferro: Oscar Café ( www.oscarcafe.com.br/ ), que estava meio vazio nesta entressafra natalina, felizmente.  Deu para comer uma omelete bem gostosa, e provar um café diferente.  Carinho, mas o ambiente é muito bonito, e o serviço até que razoável.  Têm vários pratos mesmo e uma carta de cafés variada (melhor que a do Otávio Café).

E hoje foi dia do Seraphini ( www.seraphini.com.br  ).  Um lugar bonito, bem na esquina da Jau com a Ministro Rocha Azevedo.  Um cardápio não muito extenso, mas com ótimas opções.  O risoto de brie com figo estava soberbo!  As sobremesas também são diferenciadas e generosas.  Não tomamos vinho, mas a casa oferece uma carta obviamente (não vimos, então não dá para saber se é boa mesmo e quais os preços médios).  Apesar de grande, a casa enche. Melhor reservar.  O ambiente é bem bonito e (milagre!) o atendimento é muito eficiente e gentil.  Não é cara para o padrão da casa (sobretudo se comparado a Oscar Café, Otávio Café, e outros do gênero).  Vale a visita.

26

de
dezembro

E acabou o Natal!!! Mas só o de 2008…ano que vem tem mais.

Pois é, espero que todos tenham tido um excelente Natal: para os que acreditam na liturgia, são de fé cristã, para os que não acreditam mas gostam da festa, da energia, para os que não curtem nada disso e tiveram dias comuns/normais, enfim, que tenha sido de alguma maneira uma época de paz pessoal, de  alegria, mesmo que sem razão de ser, de sorrisos, de comidas gostosas e diferentes, de rever pessoas queridas, de fazer o bem, de ser lembrado por outrém, etc., etc., etc.

Agora é preparar-se para o ano novo.  Como já mencionei em meu post Jingle Bells (27/11/2008), não é bem virar a folhinha que vai resolver os problemas da gente ou do mundo, mas há sonho, esperança no ar.  Por isso o homem chegou até aqui, vencendo gelo, fogo, animais muito mais talhados para a sobrevivência que ele: por sonhar, por esperar, por acreditar, por ousar.  E é isso que todos nós, em alguma medida, fazemos quando olhamos para o 1o. dia de cada ano.  É uma convenção? É! Mas, como escreveu Carlos Drummond de Andrade:

“Cortar o tempo

Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente.”

E por que não?  Se a gente pode, se faz bem, se renova, se dá energia, por que não? Racional ou não, isso não vem ao caso.

Então, que este final de ano estenda o tapete vermelho para 2009. Que meus amigos consigam tudo o que crêem que precisam e que fará sua vida melhor: o novo trabalho, para crescer e se libertar do ranço, para respirar e se realizar;  seu canto, sua casa, seu apartamento, para poder ser dono de fato de sua vida, alcançar a liberdade que, imaginam, essa aquisição pode lhes trazer; o entendimento definitivo com o parceiro/parceira; a saúde que andou faltando em 2008, enfim, desejo a todos os meus queridos amigos e microfamília o melhor!

E que o universo seja gentil e generoso com todos nós! É só isso que eu espero.

Beijos a todos os meus amigos e leitores!

26

de
dezembro

Mais um presente…este é um dos meus preferidos!

A Tartaruga de Tina

Milton Ayres (12/12/2006)

Tina andava cansada de tantos relacionamentos malsucedidos e decidiu que era hora de ficar só por um tempo. Achava que ultimamente só conhecia pessoas loucas e desequilibradas, por isso resolveu curtir sua solidão. Para não enlouquecer, algumas amigas lhe sugeriram que comprasse um cachorro, mas ela não era muito chegada aos animais. Pelo menos não se imaginava chegando em casa todo dia e sendo recebida com um pulo nas coxas, muito menos comprando ração, limpando sujeira ou levando seu bichinho pra passear. Não! Decididamente não queria ter este tipo de trabalho. Era livre, independente e gostava dessa liberdade. Antes continuar sozinha. Foi então que uma jogada do destino lhe trouxe às mãos uma bela tartaruguinha de pouco mais de 5 centímetros. Foi amor à primeira vista! A danadinha logo se adaptou ao seu novo lar e andava correndo por todo lado. Bem, correndo é modo de dizer! Ela caminhava lentamente de um lado a outro do apartamento. Às vezes se perdia embaixo de um móvel, se enroscava nos fios da televisão, mas Tina estava sempre atenta para que nada de mal lhe acontecesse. Descobriu até que existia uma ração própria para tartarugas. Quem diria! Um belo dia resolveu que Britney, sim, este era o nome da bichinha, precisava de um cantinho só seu, para que pudesse dormir à noite sem ser incomodada e, principalmente, para que não corresse o risco de ser pisoteada pela dona sonolenta de madrugada. Tina, então, num lampejo de criatividade, pegou uma fralda, que sabe lá Deus por que motivo mantinha em casa, e com muito jeito construiu-lhe uma casinha. Era algo parecido com um iglu branco e fofo. Soube depois que a idéia da fralda fazia grande sentido sendo a tartaruguinha um bebê, como me dissera a própria mãe orgulhosa. A casinha logo se mostrou prática na hora de limpar o cocô da Britney, pois Tina não precisava ficar procurando a sujeira pela casa, já que a danada da bichinha havia aprendido a fazer suas necessidades na fralda. E sempre que isso ocorria, Tina agarrava a bichinha pelo casco e imediatamente a enxaguava numa vasilha de água, para lhe higienizar as partes íntimas. Mas Britney logo se sentiu incomodada com essa operação de desmonte do iglu para limpeza e dos forçados banhos de assento e passou a fazer cocô do lado de fora da casa. Talvez até por uma questão de higiene, já que ela dormia dentro da fralda. Fosse qual fosse o motivo, Tina ficou muito chateada com esta revolta súbita de sua cria e decidiu que era hora de tomar uma providência. Afinal, Britney já estava ficando grandinha. No dia seguinte, abriu outra fralda e construiu novo iglu ao lado do primeiro. Depois disso foi ao escritório, recortou um papelão, rabiscou algumas palavras nele e voltou ao banheiro onde ficava a residência de sua pequenina. Alguns dias mais tarde, numa festa, Tina exibia orgulhosa para as amigas uma foto tirada com seu celular. Nela se viam dois iglus branquinhos e em um deles a espertíssima Britney com sua carinha lampeira de fora. Sobre cada um deles uma plaquinha de papelão escrita a mão: QUARTO e BANHEIRO.

Nota do autor: Após um mês, Britney passou a apresentar um comportamento estranho ao ouvir as palavras “cocô” e “banho”. As amigas de Tina deixaram de visitá-la depois que ela passou a espalhar placas com os nomes das coisas pela casa. E Tina nunca mais voltou a se relacionar seriamente com ninguém depois destes acontecimentos.

26

de
dezembro

Um presente de Natal para vocês.

Olá! Espero que todos tenham tido/ainda estejam tendo um bom Natal.  Meu post sobre o assunto vai vir amanhã ou depois, mas neste ínterim um presente de Natal pra vocês. Mais um lindo texto da Elê. bjs.

A Caixa

Homem alto, cabelos negros que se desarrumavam ao vento

Taciturno, sempre carregando uma caixa de sapatos debaixo do braço, despertava a

curiosidade daqueles que o viam com freqüência.

De tantas idas e vindas, dele pouco se sabia.

Como nunca disse palavra, não se sabia se era mudo. Sabia-se que escutava, não se sabia,

porém se ouvia.

Ao ser perguntado sobre sua família, apontava para a caixa.

Ao ser perguntado sobre sua casa, apontava para a caixa.

Ao ser perguntado sobre o que tinha na caixa, olhava fixamente nos olhos de quem o

perguntava e subitamente dava de ombros.

Incompreendido e sem amigos, era tido como tolo e até deficiente.

Não se importava com os olhares à sua volta. Importava-se com o horizonte. Era lá que seu

olhar estava.

Não se importava com os comentários à sua volta. Importava-se com sua caixa. Esta que

não deixava de lado, esta da qual não se separava.

Só não sabia bem como carregá-la. Sem jeito e sem posição, velha, suja e amassada, a

levava para todos os cantos.

Dia desses, sentado em um desses bancos de praça, em um dos raros momentos em que

deixou de lado a caixa, um moleque passou e a levou. Saiu correndo pela rua só para tirar

uma com o sujeito que, desesperado, foi atrás do moleque para recuperar sua preciosa

caixa.

Foi quando se ouviu o arrastar de pneus e o barulho surdo do choque do metal contra o

corpo do ser que caia sem vida no asfalto quente da avenida.

Desesperado e sem saber o que fazer, o moleque correu até o local do acidente e abrindo

caminho entre a aglomeração que se formava deixou sem levantar suspeitas a caixa ao lado

do corpo já sem vida.

No dia seguinte saiu estampado no jornal local: “atropelado e morto homem que levava o

coração em uma caixa de sapatos”.

Elessandra Paula

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