Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

22

de
novembro

O mundo chora!!

Este post é in memoriam do Seu Osvaldo, meu vizinho, que se foi hoje às 12h.  Uma pessoa que teve/tem uma legião de amigos, porque viveu e deixou viver tão simplesmente.  Apesar de termos tido uma convivência rarefeita, tenho certeza de que vou setir sua falta.

Mas como prosaicamente se diz: the show goes on! Então vamos lá…

Bem, depois de um almoço agradabilíssimo e uma passagem (de novo) pelo L’Univers de Chocolat (post de 25/10 - R. Clodomiro Amazonas, 373D - tel. 30799509), que rendeu ótimas conversas e descobertas, além de outra aquisição de chocolates maravilhosos, fui ao cinema pra ver A Princesa de Nebraska - Wayne Wang ( www.imdb.com/name/nm0911061 ).  Gosto muito da filmografia chinesa que pude ver até hoje então fiquei curiosa. Queria ver também Mil Anos de Orações, mas não deu coragem.  Fica pra outro dia.  É que APdeN além de lento tem uma temática pesadinha.  A gente sabe, mas não custa lembrar, que na verdade não sabemos nada de fato do que e como vivem as pessoas na China, o que elas esperam do Ocidente, o que elas passam por aqui.  Parece que somos todos uma grande família, globalizada, civilizada, que se aceita mutuamente…nã,nã, nã,não…a coisa é bem diferente.  O filme é interessante, mas não creio que seja o melhor na praça.  A trilha sonora e alguns enquadramentos são de tirar o fôlego pela beleza, harmonia, plasticidade, mas nada que possa satisfazer os não-aficionados.
Nota - como fui novamente ao Reserva Cultural, percebi que na lanchonete havia 5 pessoas, não somente 3, como no outro dia (post de 21/11).  Isto é incríííveeeel!

Depois disso um teatrinho básico.  Como fiquei muito entusiasmada/bem impressionada com minha primeira experiência teatral no SESC (Av. Paulista) (post de 9/11- peça Aqueles Dois), resolvi tentar uma segunda vez.  O resultado não foi tão bom, mas também não foi totalmente ruim.  Fui ver O Homem no Escuro.  A concepção do espetáculo é bonita, os textos são lindos (afinal são de Pessoa, Drummond, e outros), mas falta alguma coisa. 

De qualquer maneira, tanto o espetáculo anterior quanto este impressionam porque os atores têm de lidar com o público cara a cara.  O espaço é exíguo, a cenografia tem que ser minimalista e cumprir seu papel, a luz também tem um papel importante e não pode falhar, enfim, ali se tira leite de pedra.  Na verdade, eu já não me lembrava mais de espetáculos assim.  Vi isso no Arena, em uma das salas do R. Escobar, TBC, em outros alternativos que havia há uns 20 anos.  Depois disso foi só teatrão.  Fico imaginando se as grandes estrelas do teatro conseguiriam, nas mesmas condições desses dois espetáculos, resultado igual ou melhor.  Seria uma experiência interessante, pelo menos para o espectador.

De qualquer maneira, o exercício foi interessante, há uma esforço do ator (físico e emocional), mas a peça não chega a surpreender ou emocionar.  Portanto, da mesma forma que no caso do filme, só vá se for aficionado, senão procure outra coisa para ver.

Semana que vem vou ver Macbeth que está também no SESC (essa peça está sendo tão elogiada quanto a Aqueles Dois, pelo menos na mídia).  Vamos ver como a coisa flui.
 
Agora chove muito; acho que está-se chorando a partida do Seu Osvaldo.  Mas amanhã será outro dia! bj.


21

de
novembro

Ai,ai,ai,ai,ai,ai,ai!!!

Pois é, eu estou ficando meio repetitiva quando o assunto é a produtividade da mão-de-obra nacional.  Eu sempre preferi, e continuo preferindo, eficiência a simpatia ineficiente/inócua. Não adianta ser bonzinho/a se não funciona; pra mim o que importa é que o resultado atenda minhas expectativas.  Afinal, se a gente racionalizar, se isso acontecer (expectativas satisfeitas) tanto faz ser bonzinho, simpatiquinho, porque tudo isso se torna acessório.  Sei que é uma visão dura (e olha que eu já melhorei muito!  Estou bem tolerante atualmente), mas é isso no fundo que todos esperamos: pedir e ser atendido, pedir e receber um trabalho bem feito, ter um atendimento rápido, enfim "ser rei" como cliente.

Principalmente depois que voltei da Europa ( e não me entendam mal,  digo isso sem nenhum ranço, sem nenhum toque de arrogância. É tão-somente uma constatação) essa minha visão ficou ainda mais crítica (não mais rígida, porque não adianta mesmo, mas mais perceptiva eu diria).  Nem a realidade americana me chamou tanto a atenção para o fato quanto a européia.

Explico: no sábado passado fui ao cinema, no Reserva Cultural.  Um cinema que eu adoro!  Acho que é a sala de que mais gosto atualmente.  Gosto muito do Bristol, BomBril, IG e Gemini (este por razões sentimentais…tão caidinho, mas tão charmoso!), mas o RC hoje mora no meu coração.  Enfim, lá estava eu no RC tentanto tomar um café com um salgado e um docinho antes do filme.  A sessão começava às 13.05h.  Cheguei ao caixa da lanchonete por volta de 12.20h.  Portanto, com tempo mais do que suficiente, em qualquer quadrante do planeta, para tirar minha ficha no caixa, fazer meu pedido, esperar que tirassem o café, aquecessem a/o quiche, me entregassem a bandeja.

Ledo engano!  Logo ao me aproximar do caixa percebi que havia algo de errado, afinal três (não uma, não duas, mas três) pessoas (moças) olhavam fixamente para a caixa registradora.  Havia um problema com o sistema (sempre ele, sempre ele!!!) e não conseguiam vender, cobrar, calcular (claarooo!!), dar troco, enfim, o mundo parou naquela lanchonete.  Imagino que as três pessoas olhassem fixamente para o caixa tentando resolver o problema via concentração, eflúvios mentais, força do pensamento, ou coisa parecida. Só isso justifica toda aquela gente parada, sem dar atenção aos clientes, sem pegar pedidos, sem servir, etc., etc.

O milagre, lamento dizer, não aconteceu como até eu já estava torcendo para ocorrer.  Tiveram mesmo que esperar a intervenção do "mocinho do suporte" (sempre ele, sempre ele!!!).  Mesmo sem a coisa funcionando, tomaram nota do meu pedido (uma das moças acordou e viu que eu estava ali e que poderia me servir, mesmo sem o caixa funcionando!  Oooh, mente brilhante!).  A garçonete me disse que eu poderia sentar, e ela levaria a conta na mesa - aaah, também não tinham troco, então ou eu tinha o dinheiro contado/trocado, ou teria que passar cartão de débito, porque o de crédito também não funcionava.  Ou ainda, não comer.

Crédula como sou, peguei minha bandeja, sentei-me, comi e esperei a entrega da conta por alguns minutos.  Como toda essa operação já tinha levado quase 30 minutos, achei melhor ir ao balcão pegar a conta e fazer meu pagamento da forma que fosse possível.  Ah, sim, também me esqueci de dizer que havia, além de mim, 3 pessoas em uma mesa - já devidamente servidas, comidas, só batendo um papinho e 2 pessoas em outra, na mesma situação.

Ao pedir à mesma atendente, que me havia servido havia uns 15 minutos, a conta ela olhou para mim como se eu tivesse baixado dos céus flutuando, com asinhas e tudo (oooh, cena ridícula!!), ou até como se eu fosse a oitava maravilha (será? será? será?nããããooo, pare com essas bobagens, Miriam!).  Quando disse: minha conta, por favor! ela ficou sem fala.  Não tinha a mínima idéia do que eu estava dizendo!  Vejam bem: eu pedi 4 itens, ela separou os 4, me entregou, disse que levaria a conta na mesa, isso havia 15 minutos apenas, e ela não conseguia se lembrar de absolutamente nada. Tanto que, se eu quisesse, poderia ter pago só um café, ou a água que tomei…lamentável!

Mas por que conto tudo isso? Porque lá fora, uma pessoa, no máximo duas, dariam conta de tudo aquilo com garbo  e eficiência.  A coisa andaria, seria rápida e efetiva.  Foi isso que vi por todos os lugares que passei.  O triste de toda essa história é que os da terra louvam a tal "simpatia" local.  Que simpatia?  Isso é um mito, hoje os prestadores de serviços são, em geral, mal educados, apressados, desatentos, inconvenientes, etc., etc.  Ou seja, não valem quanto pesam!  Aí chegamos sempre ao mesmo axioma: ah, mas lá fora há poucos atendentes porque custam caro…nãããõoooo!! Lá custam caro porque são bons!  Aqui custam barato (ganham muito mal e a situação não se altera ou alterará) porque são ruins (aliás cada vez piores, mesmo com os cursos técnicos, mesmo com os cursos superiores, mesmo com toda a parafernália tecnológica).

E isso se repete em todos os lugares!  Tem gente dando trombada em lojas, restaurantes, etc., e mesmo assim a qualidade dos serviços prestados é péssima, medíocre, e cada vez pior.  Então, pro lixo com a simpatia cabocla! Eu quero mais é gente competente fazendo meu dinheiro valer, e minha expectativa ser preenchida.  Quem tem que sorrir sou eu, não eles!

20

de
novembro

Ubachuva!!! 18 a 20/11

Continuando….

18/11 - dia nublado, chove, pára, chove, pára, mas bem abafado.  Deu pra ir até a Praia de Fortaleza (está nas fotos), uma das praias mais bonitas em que já estive na vida.  Mesmo com o tempo meio esquisito dá pra ver que é um paraíso!  Depois voltamos para a Enseada.  Comemos um lanche, andei pela praia, com protetor solar, apesar do tempo encoberto.  À noite fomos até a cidade para jantar.  Um restaurante super-gostoso, comida ótima, bem barata, atendimento excelente (Senzala).  E aí voltamos para a Pousada - umas 21.30h.  E aí é que conhecemos a história de Celso, Claudia e seus filhos.  Como mencionei em outro post, a conversa começou do nada, como começam tantas conversas boas, eletrizantes, mesmerizantes. O Celso, dono da Pouso do Farol  (tel 12/ 38421112 - pousada@pousodofarol.com.br) contou que ele e sua esposa (Claudia) mais os dois filhos, quando estes eram pequenos, viveram oito anos em um veleiro (vejam bem, não foram oito dias, oito semanas ou oito meses, mas oito anos!).  O Celso é de R. Preto.  O pai era industrial da área de cimento, o Celso vivia viajando pra todo lado por conta do trabalho na empresa, e também porque é piloto (frase dele: sou marujo e araujo.  Bem achada, né?). Bom, depois de o pai decidir pela venda da empresa, ele e a esposa foram atrás do sonho de velejar. Com um projeto holandês construiu um veleiro (vejam bem veleiro, aquele que depende de vento mesmo) para viajar pelo mundo.  O veleiro - que é um trans-alguma coisa (sorry, Celso, não consigo lembrar dessas tecnicidades)- pode até capotar que ele volta à posição de navegação (se tiverem interesse, o veleiro Katoosh, enquanto a família está em terra, pode ser alugado para passeios - dá pra 10 pessoas - tel. 12/38421112).
Bom, quando estava tudo pronto para irem para a Polinésia Francesa, eis que o primeiro filho está a caminho, então não deu pra Polinésia, mas deu pra Costa Brasileira, e com isso lá se foram eles pelo Brasil afora por 8 anos.  O entusiasmo do Celso com isso é comovente: os dois filhos foram criados desde o "berço" no veleiro (aliás são meninos lindos, simpaticíssimos), o mais velho pensa em singrar mares mais adiante, a família conviveu 24 horas por 8 anos (um prêmio, na visão do Celso), ele cruzou com navegadores de várias partes do mundo, etc. etc. etc.  Lá na frente deve vir um livro…tomara!  A conversa foi fantástica!  Quando nos encontrarmos, lembrem-me de discorrer sobre mais detalhes.  O Celso me indicou algumas leituras para eu entender o que é essa vida (claro que já li Amir Klink, mas o que o Celso e família viveram é muito diferente, podem acreditar).  Bom, só para terminar, o Celso está com a pousada há 4 anos (linda mesmo, construída por ele mesmo, segundo nos contou), mas já está olhando lá para a frente, quando vai voltar aos mares.  Uma história linda demais!  Tomara que o livro não demore muito.
Recomendo a pousada, que é uma delícia, além de os donos darem uma atenção incrível aos hóspedes!

19/11 - o tempo deu uma trégua…nublado, mas quente, com chuva que começa e pára. Mas deu pra caminhar, almoçar na praia, encontrar pessoas de outras cidades, conversar.  E, claarooo, que como a Silvia não passou protetor ganhou um vemelhão de dar gosto - foram uns 30 minutos de sol aberto e forte contínuo (antes e depois estava nublado), mas foi o suficiente! No mais, tudo muito bom! 

20/11 - aaaaah,   já temos que ir embora???  Mas vamos fechar com glamour:  Saco da Ribeira, casa da Silvia (não a Silvia Silvia, outra Silvia…).  Depois de fazer o check-out, lá vamos nós.  Silvia nos apanha à beira do caminho, como cantava R. Carlos, e vamos por estradinhas estreitas, lamacentas, mas chegamos muito bem.  Vejam as fotos porque vale a pena. É muito bonito!  É a praia mais fechada e tranqüila; inclusive por essa razão a Marina escolheu ali para ancorar os veleiros, barcos, etc.  A casa também é muito aconchegante, linda mesmo.  E o almoço!!! Foi uma delícia, além de ter sido uma diversão conversar com todos da casa. Obrigada, Silvia, pela recepção, pelo almoço, pela conversa, pelo carinho!

Não deu para ir a outras praias que fui há alguns anos pela chuva intermitente, mas eu volto, e vou lá de novo.  Mesmo assim, foi uma viagem ótima, com imagens lindas pra guardar na memória.

E aí vai o link das fotos/vídeos.  Espero que gostem. bj.

http://picasaweb.google.com.br/miriamkeller/Ubachuva112008#

20

de
novembro

Ubachuva!!! 16 e 17/11

Nesta semana fui a Ubatuba para uns dias de descanso.  Por incrível que possa parecer, em Ubatuba dá pra se ouvir coisas interessantíssimas, dá, claro, para ver coisas lindas, e se divertir de montão.  O link no final dos posts relacionados tem fotos e filmes de uma das duas praias que mais gosto no mundo (e olha que eu já vi praias, mas para praias  tão-somente, longínquas ou desconhecidas, não vou mais não, só se houver muito pra agregar à volta): aí vai Ubatuba!

Ah, sim, em primeiro lugar: muito obrigada, Cássia Montanarini! Cássia nos levou em total segurança do Saco da Ribeira até a estrada para voltarmos a SP.  A Cássia, exímia motorista, nos levou por estradas tortuosíssimas, lamacentas, estreitíssimas. Mas chegamos sãs e salvas, Silvia e eu, ao nosso ponto de partida para SP.  Cássia, se alguém duvidar de sua perícia, pode me chamar que eu esclareço tudo na hora. Bjs e obrigada!

16/11 - lá vamos nós para Ubatuba.  Dia bom por aqui (SP) e por lá também.  Fizemos uma viagem tranqüilíssima (viajar com a Silvia é sempre muito tranqüilo. Como diz outro amigo, ali tem motorista!).  Saímos de SP lá pelas 9h e chegamos por volta de 12h. em Ubatuba. Fizemos uma parada básica no caminho. Check-in na Pouso do Farol que é ótima - vejam mais adiante a história dos donos de lá, Celso e Cláudia, fascinante! - e, marzão, aí vamos nós.  O sol estava a toda, tanto que havia várias pessoas com as marcas provocadas pelo desejo descabido de virar Jamelão ou Elza Soares de um dia para outro.  Montes de gente com aquela cor vermelho-assadura, que doía só de olhar…Tanta informação, tanto conselho, e o pessoal insiste em não passar filtro/protetor solar.  Expõem aquele branco-nuvem aos raios inclementes do sol, sem pejo, e aí assam! Tsc, tsc, tsc, tsc, camarão frito é rosado perto daquela turba de incautos.
Mas, claarooo, que eu passei meu protetorzinho 60, portanto nada temam, minha corzinha está mantida (branca, branca, branca, como eu gosto);

17/11 - choveu a noite toda e o dia todo! Literalmente 24 horas de chuva, e não uma chuvinha qualquer, mas muuuitaaa água!!! Claro que não deu para ir à praia, lançamos mão do guarda-chuva, mas mesmo com tudo isso saimos lá pelas 11.30h. e voltamos só depois das 21h.  Como sempre digo, mesmo debaixo de tempestade, com tudo inundado, a gente se diverte, desde que a festa esteja dentro da gente (se não estiver, não adianta ficar procurando por aí).  E quando Silvia e eu estamos juntas, o saco de risadas não pára de funcionar (quando encontrá-los por aí, me lembrem de contar alguns "causos" bem engraçados).
Fomos visitar a Praia das Toninhas - muito brava, não dá pra nadar nem em dias ensolarados - onde fica o hotel da Assoc. dos Funcs. Públicos do Est. de SP- pra conhecer.  Prédio bem bonito, deu pra usar a internet, e dar uma volta.  Almoçamos ali.  Depois partimos para Ubatuba.  Fomos ao Aquário da Cidade - interessante, textos bem cuidados pra garotada, mas meio largadão em algumas coisas, tradução: podia ser bem melhor, mas as instalações são um tanto acanhadas até considerando o bom mix de animais de água doce e salgada que têm ali.  Depois fomos ao Shopping pra comprar algumas coisas no supermercado, dar uma volta, tomar um sorvete, sacar dinheiro.  Também fomos ver uma loja enorme que tem lá e visitei com a Marta Bock há uns anos (pra Silvia conhecer).  Aí voltamos ao Shopping e fomos ver A Casa da Mãe Joana - filme nacional ( www.casadamaejoanaofilme.com.br ).  Não estivesse aquela chuvarada, não custasse a entrada R$ 4,00, e as opções fossem poucas, never!  Mas no final até que foi bem divertido.  Humor descompromissado, enredo bonzinho, enfim deu pra relaxar e dar umas risadas.  Aliás, acabou dando assunto pra conversa aleatória - se eu não morasse sozinha, gostaria de morar numa casa como aquela, com gente com aquele estado de espírito (claro que eu teria que entrar na linha também…).  Acho que seria uma experiência muito divertida, pra dizer o mínimo!  Depois um lanchinho antes de voltar para nossa pousada.
Jogatina desenfreada de novo, e soninho.  Ah, sim, e muuuitaaa fé pro dia seguinte ser melhor.

(continua no próximo post)

15

de
novembro

Lição de casa ainda não terminada

16o. Mix Brasil. Você sabe o que é?  Já foi a algum?  E olha que é o 16o., hein!  Veja aqui no link o que é este evento: www.mixbrasil.org.br/index.htm.
 
Bom, se você  não aprecia o assunto, nem como curiosidade (eu, por exemplo, não tenho outro motivo para me interessar pelo happening a não ser por pura curiosidade), passe para o post seguinte.  Mas imagino que, como eu, a maioria dos que me lêem não tinham idéia da longevidade e magnitude do evento.  Da Mostra de Cinema, da Parada Gay, da São Silvestre (só para citar alguns eventos de natureza bem diferente, mas de que todo mundo tem algum nível de informação) todo mundo sabe, mas e do Mix Brasil?  Então, chegou a hora de tomar ciência de algo que está entre nós, e vai continuar.

E à medida que o tempo vai passando (o tempo está correndo, posso ou não viver até os 100) tenho me obrigado a ver o que não vi até agora e que me desperte algum interesse, mínimo que seja.  Então vamos ver de tudo um pouco…

E para registrar esta empreitada, propus a mim mesma ver pelo menos alguns filmes, já que as festas e performances propostas pelos organizadores não me disseram/dizem nada, porque não sou da comunidade, não sou militante, só simpatizante, e não me interesso por essas atividades, mesmo as heteros.  Além disso, meu tempo é precioso demais pra gastar com gente ou coisas ou ações que não me compensem, agreguem algo de forma decisiva (vai que não duro até os 100).  Não que o  filme que acabo de ver tenha feito isso (compensado, agregado imensamente), mas pelo menos eu adoro cinema, tem hora para começar e terminar, é uma atividade desenvolvida com conforto (cadeiras, ar condicionado), civilidade, não é caro, então nada que dê muito prejuizo.

Enfim,lá fui eu assistir a I can’t think straight (www.icantthinkstraightfilm.com).  Antes da sessão no CINESESC, uma diretora do festival fez um arrazoado do filme. Pelo resumo eu esperava um filme razoável.  A diretora do filme já havia feito outros, então não era uma experimentação de marinheiro de primeira viagem.

No entanto, foi duro de agüentar o filme, e a vizinhança na platéia também não ajudou muito. O filme coloca numa mesma panela jordanianos, indianos, ingleses, discussões políticas, o esperado conflito da descoberta de ser homossexual, o drama para contar ao mundo sobre isso, etc.  O core, que é justamente esse conflito de se mostrar ao mundo e se aceitar, acaba se perdendo em meio a essa salada.  Há momentos engraçadinhos, criados sobretudo pelo comportamento dos heteros, mas a coisa fica rasinha em meio a uma produção caprichada, muitos cenários bonitos, roupas bonitas, homens e mulheres bonitos, etc., etc., ou seja frivolidade a não mais poder. Aliás, perdeu-se a chance de generalizar ou globalizar, ie., todos nós, eu, vocês, temos nossos grandes segredos, nossos grandes defeitos, e também passamos por tudo isso: aceitação, mostrar ao mundo algo que ele não espera ou quer de nós.  Ou seja, mais uma oportunidade de acenar a bandeira do "não somos tão diferentes assim, examinem suas consciências", que afinal é um ponto importante das batalhas dos "diferentes", "pouco aceitos", etc.

Voltando…tudo bem, é uma comédia romântica, já vi coisas piores, até mesmo na decantada Mostra de Cinema de S. Paulo, mas justamente porque esse não é um filme inserido em um ambiente, momento qualquer, tinha de entregar um resultado melhor.

Ah, sim, a trilha sonora é bem bonita (pelo menos isso!).

A viagem não foi totalmente perdida, mas também não agregou nada. 

E a lição de casa não terminou. Teimosa e curiosa (muuuiiiitoooo mais teimosa que curiosa) que sou, vou ver outro filme na 5a ou sábado da próxima semana. Desta vez espero conseguir ver um homo masculino.  Vamos ver se acerto.  Depois conto.

 

15

de
novembro

Ainda sobre o filme Climas!

Esqueci de mencionar que o filme me trouxe imediatamente à cabeça o artigo do M. Fernandes na Veja desta semana.  Meu tempo para ler o Millôr passou.  Eu não perdia um Pasquim. Lia de qualquer jeito (recolhido/censurado ou não - tempos de ditadura!).  Depois continuei lendo seus textos, mas de repente a vontade passou!

Mas este artigo na Veja (A Família 2008) me chamou a atenção, embora minha concepção seja diferente (a família é uma instituição humana, portanto passível de falibilidade de começo a fim, ou seja, cte - começou tudo errado).  O que Millôr escreve (e não acho que ele esteja fazendo graça) é sério, é factual,é atual, é quase um caminho sem volta.  Só acho que tudo que está ali antes de tudo, porque quem está na raiz da questão é o ser humano, é o "tilt" da espécie humana. Se o que está relatado acontece na célula familiar, é porque antes já está instalado no nosso "dna" infelizmente.

De qualquer forma o texto é tocante, aponta um dedo para cada um de nós - mesmo que você pense que com sua família vai tudo bem, não é nada daquilo que está escrito, heads up!  Pode não ser bem assim.  A inquietação para se relacionar com seu igual de maneira grandiosa - e menos que grandiosa não vale -  deve estar sempre presente, esse deve ser o "motto" de qualquer um pra sua e pra minha vida valerem a pena.  Nós dois merecemos!

Bom, o Climas me fez lembrar do texto justamente porque o que está ali é uma miscelânea de tudo o que o Millôr escreveu, bem chacoalhado e triturado.

Um bom filme, um lindo texto, e tudo no mesmo dia!

15

de
novembro

Frio e nevascas…isso é o filme Climas!

www.interfilmes.com/filme_19549_Climas-(Iklimler.Climates.Seasons).html

Recomendo este filme só se você estiver aceleradíssimo!  O filme é leeentooo, mas sem ser chato.  Então dá pra dar uma ralentada, afinal 80%  do filme são silêncios.  A fotografia é linda, apesar de o tempo ser sempre cinzento, com chuva ou nevacas.  Uma coisa curiosa:  acho que nunca vi tantos closes em um filme!  Dá uma sensação bem esquisita, não desagrafável.  Há closes lindos mesmo!

O filme narra o conflito de um casal. Logo no início acontece um rompimento - mesmo antes do rompimento a interação do casal já é desagradável, bem pesada.  Depois se vê o que a separação produziu em cada um.  Há uma hora em que a gente imagina que o homem levou a melhor, depois a gente acha que a situação está bem resolvida e não está, enfim, acho que é bem o que acontece com pessoas que não se perdoam e não perdoam o outro.  Não que eu ache isso certo ou errado, mas é só a constatação do que acontece muito na vida (na minha inclusive, claro!).

Também é interessante como o filme faz a gente ver que a moça que chora (e como chora!) é que é forte de verdade, tem uma coerência interna, uma força cotida, enquanto que a mulher que ri (e como ri!) é rasinha e não comanda sua vida, mas serve-se dela e a vida também a usa.

Há ainda duas coisas divertidas eu diria: (1) parece que toda a família Ceylan trabalha no filme. Um caso de nepotismo cinematográfico como poucos…mas esse fato não torna o filme menor (vejam no link a distribuição de papéis, além de direção, roteiro).  É pitoresco/interessante.  Talvez na Turquia cinema se faça assim, ou o diretor/ator prefere esse tipo de ação (não sei porque não conheço nadinha mais nem do país, nem do diretor); (2) a língua (idioma):  tendo aprendido um tiquinho de croata e falando outras tantas, fiquei estupefata ao perceber como o turco (pt.wikipedia.org/wiki/Turquia)  é diferente de qualquer coisa.  Não tem nem uma sombrinha de nada que eu conheça.  Acho que já vi filmes turcos, ou em que o idioma turco aparece, mas incrível como neste filme o idioma me pareceu extraterreno!  Conselho: se for à Turquia leve um dicionário, aprenda um pouquinho antes, se possível, para o caso de se deparar com total lack of English ou outra língua.  Senão, é sentar e chorar!

Também estou pra comentar isto há um tempinho: como se fuma em todos os filmes (americanos, europeus, asiáticos, etc.).  Incrível como em tempos tão repressores para o fumo (politicamente correto é não fumar), a telona mostra gente sugando cigarro atrás de cigarro literalmente (há uma cena no Climas em que uma mulher aparece terminando um cigarro. Na seqüência, dois minutos depois, ela já está com outro novinho na boca. Claro que pode ser um problema de continuidade, mas não me parece, não).  E como bebem! Vinho sobretudo!   Acho que até saí meio malcheirosa e embriagada do cinema…

Enfim, o filme é arrastadinho, mas tem sua profundidade, e de silêncio em silêncio (eu sempre digo: quando há silêncio, há problema) vai pintando um quadro real, triste, em que todos perdem.

14

de
novembro

Uma imagem vale mais que mil palavras!!!!

http://picasaweb.google.com.br/miriamkeller/Karinanov2008#

Jantar 14/11/2008

14

de
novembro

Cozinhando para amigos

(Fotos do evento de hoje e link de vídeo serão postados em seguida)

Tudo começou de um estalo. Pensei em retribuir um jantar (lanchinho,na verdade…) e minha estadia na casa de um amigo em NY, então decidi fazer um jantar. Com minhas próprias mãos! O perigo seria grande, para o convidado,claaroo, mas consegui não deixar transparecer o alto risco da operação. 

Relembrando o passado: felizmente minha mãe me pôs na cozinha desde pequena. Lembro-me de precisar subir em um caixotinho de madeira para lavar as louças. Em todas as férias era isso. No dia-a-dia era mais light. Quando cheguei ao estágio aborrecente, cozinhar também tornou-se minha responsabilidade. Ai, que ódiiiooo!!! Mas todos os dias, se não viajávamos durante as férias, eu tinha a obrigação de preparar o almoço.

Anos depois, minha mãe, juntamente com uma tia, abriu uma casa de congelados e outras guloseimas. Minha mãe fez vários cursos para aprender coisas novas e se aprimorar. Ela gostava bastante dessa atividade, que além de criativa é - pode não parecer gente, mas é - solitária. Dei-me conta disso só agora ao retormar ao convívio com as panelas. É uma atividade cansativa por um lado, pois tem muito de físico (ficar de pé, ir de um lado a outro, pegar utensílios em cima, embaixo, picar, ralar, cortar, amassar, etc., etc.) e de contemplativo, meditativo, por que não? Afinal, é isso ou não é: obervação silenciosa, atenta e refletida sobre um tema (Aulete Digital). Testar receitas, escolher ingredientes, mudar receitas, exige, sim, concentração e atenção somadas a algum tino e criatividade. Mesmo que se tenha um monte de gente à volta, ajudantes, pessoas que cuidem da ordem e limpeza, o ato criador do cozinheiro é solo.

Enfim, voltando à atualidade/realidade: no primeiro jantar, com cardápio montado e tudo, suspense de último minuto - fazia uns 10 anos que eu não ligava meu forno (vejam quanto eu pensava em cozinhar, gostava de cozinhar…pelo menos achava isso): será que vai funcionar? Os dois pratos principais eram assados. A sorte é que tenho um super-forninho elétrico que resolveria a questão em caso de emergência. Mas, felizmente, funcionou tudo bem.

Minha comida não é das melhores (eu tenho consciência, gente, posso não saber fazer mas sei comer, portanto…), mas tem algum sabor, é bem palatável, e depois de ter praticado em algumas vítimas (uns 7 ou 8 corajosos já passaram lá por casa, entre amigos e amigas), acho que retomei o gosto, peguei de novo o jeito, e ficou tudo mais fácil (eu sou bem organizada, então a prática também ajudou a ampliar a minha coordenção).

Hoje recebo a querida Karina. Ela está um tanto apavorada, mas como tenho bons vinhos em casa, e pretendo servi-los TODOS, no final vai dar tudo certo (zuzuu zeeerto, eu diria…). No próximo post, coloco fotos e link de vídeo para que vejam se este foi mais um "Assassinato em busca de autor" ou não.

Mesmo considerando que ajeitar um jantar em casa, aliás uma microcasa, requer certa estratégia e planejamento, que deixar tudo relativamente encaminhado para que meu convidado chegue e se sinta à vontade além de eu poder conversar com ele e aproveitar a companhia requer organização prévia, i.e., uma certa dose de preocupação antecipada, cada amigo recebido, cada jantar ou almoço preparado, significou (e significará,pois haverá alguns mais) um grande prazer para mim. Prazer do qual eu havia me esquecido, pois já fazia muitos anos que a praxe era sair sempre pra encontrar os amigos. Não que eu não faça mais isso, au contraire, faço de monte pois gosto de conhecer lugares/cozinhas novas e rever aquelas que conheço e de que gosto, mas voltar a cozinhar com carinho para pessoas queridas tem sido um exercício compensador.

As próximas vítimas serão convocadas em breve. Aguardem!

11

de
novembro

Escrever para continuar vivendo!

 

 

Outro dia, sem mais, como, aliás, sempre surgem coisas interessantes para se conversar, descobrir, aprender, ensinar, contei para um  amigo que eu escrevo um diário. Faço isso há muito tempo.

Comecei em um tempo difícil de levar bem alguns sentimentos (minha mãe já havia falecido, mas tem coisas que a gente não diz nem ao padre, nem ao terapeuta, nem à mãe, nem ao pai, nem à/ao melhor amigo). Há verdades ou segredos, como queiram, só nossos e acho isso muito bom, reconfortante mesmo, mas pra agüentá-los só o silêncio ou o papel.

Foi um tempo difícil mesmo! Como à época não era uma possibilidade tomar remédios para esse tipo de situação (aliás, espero nunca precisar) e não deságuo facilmente, tinha de achar um jeito de colocar tudo pra fora, ter a redenção da alma, conseguir algum alívio, tirar idéias obsessivas da cabeça. Então pensei: gosto tanto de ler, por que não escrever? Na verdade essa visão do assunto não deve ter surgido do nada mas de alguma coisa que eu li em um livro, em um jornal, em uma revista, e fez-se um clique! Enfim, foi um santo remédio! Remédio mesmo: purguei os baixos sentimentos, os pensamentos mais negativos e reprováveis. Deixei tudo no papel. Incrível como transformar palavras, pensamentos, sentimentos em algo concreto (eu sou uma pessoa concreta) me devolveu a liberdade, o prazer de viver, e me fez esquecer até que facilmente dos tempos funestos, colocando tudo por que eu havia passado e meus sentimentos sob a perspectiva correta, na escala de importância e temporalidade correta.

E daí a manter um diário foi um pulo. Durante algum tempo (talvez um ano e meio) escrevia diariamente textos curtos, bem objetivos até. Hoje não é um diário de fato. Escrevo uma vez por semana ou por aí, para ir registrando a vida, as idéias, os sentimentos. É um bricabraque da vida! E me convenço cada vez mais que a força de transformar impalpáveis em palpáveis é infinita.

Também contei para meu amigo que raramente leio o que escrevo/escrevi, mas quando o faço muitas vezes não me reconheço no que escrevi. O distanciamento evita que eu me envergonhe da pessoa que era/fui naquele momento, naquela situação, naquela ocasião, do que pensei, do que senti. Mas está tudo lá, e à distância eu leio tudo com alívio, pois se não tivesse colocado aquilo pra fora teria me sentido ou estaria me sentindo ainda hoje muito mal.

Um exercício simples, mas milagroso. No filme Por tus ojos (Por teus olhos) um grupo de terapia também é orientado a escrever para se libertar, ou melhor, para poder visualizar seu comportamento viciado, seus conceitos equivocados, os quais os levavam à violência. Se apenas verbalizavam não conseguiam perceber o que alcançavam quando escreviam. Muito interessante!

Também me lembro de uma conversa com uma pessoa que aconselhei a escrever em um momento difícil, pois o alívio seria grande. E ela me disse que tinha medo de escrever e depois reler e se odiar pelo que havia pensado, sentido. Mas aí eu disse: na verdade já estava tudo lá: ou pensado ou dito ou sentido, então por que não escrever e purgar? Por que não fazer uso desse recurso tão intimista? Acho que, na verdade, o medo maior é o de que alguém leia o que se escreveu. Bom, no meu caso, só depois da minha morte, aí já não vai ter importância, a não ser que alguém me rogue uma praga. Uhm, pensando bem…talvez seja melhor queimar tudo como último desejo, deixar isso em testamento. É, acho que vou fazer isso…

De qualquer forma, o mais interessante é que não tenho grande vontade de ler o que escrevi. Ponho tudo no papel, deixo tudo guardado, quem sabe um dia…Hoje só sei que o que foi escrito está morto de alguma maneira, se for algo ruim, ou perpetuado, se for algo bom.

Talvez os amigos que escrevem vejam a "concretização" de idéias, sentimentos de outra forma. Para mim é um processo utilitário, benéfico, redentor!

Quem puder, se interessar, experimente. O efeito libertário é imensurável.

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