Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

15

de
novembro

Lição de casa ainda não terminada

16o. Mix Brasil. Você sabe o que é?  Já foi a algum?  E olha que é o 16o., hein!  Veja aqui no link o que é este evento: www.mixbrasil.org.br/index.htm.
 
Bom, se você  não aprecia o assunto, nem como curiosidade (eu, por exemplo, não tenho outro motivo para me interessar pelo happening a não ser por pura curiosidade), passe para o post seguinte.  Mas imagino que, como eu, a maioria dos que me lêem não tinham idéia da longevidade e magnitude do evento.  Da Mostra de Cinema, da Parada Gay, da São Silvestre (só para citar alguns eventos de natureza bem diferente, mas de que todo mundo tem algum nível de informação) todo mundo sabe, mas e do Mix Brasil?  Então, chegou a hora de tomar ciência de algo que está entre nós, e vai continuar.

E à medida que o tempo vai passando (o tempo está correndo, posso ou não viver até os 100) tenho me obrigado a ver o que não vi até agora e que me desperte algum interesse, mínimo que seja.  Então vamos ver de tudo um pouco…

E para registrar esta empreitada, propus a mim mesma ver pelo menos alguns filmes, já que as festas e performances propostas pelos organizadores não me disseram/dizem nada, porque não sou da comunidade, não sou militante, só simpatizante, e não me interesso por essas atividades, mesmo as heteros.  Além disso, meu tempo é precioso demais pra gastar com gente ou coisas ou ações que não me compensem, agreguem algo de forma decisiva (vai que não duro até os 100).  Não que o  filme que acabo de ver tenha feito isso (compensado, agregado imensamente), mas pelo menos eu adoro cinema, tem hora para começar e terminar, é uma atividade desenvolvida com conforto (cadeiras, ar condicionado), civilidade, não é caro, então nada que dê muito prejuizo.

Enfim,lá fui eu assistir a I can’t think straight (www.icantthinkstraightfilm.com).  Antes da sessão no CINESESC, uma diretora do festival fez um arrazoado do filme. Pelo resumo eu esperava um filme razoável.  A diretora do filme já havia feito outros, então não era uma experimentação de marinheiro de primeira viagem.

No entanto, foi duro de agüentar o filme, e a vizinhança na platéia também não ajudou muito. O filme coloca numa mesma panela jordanianos, indianos, ingleses, discussões políticas, o esperado conflito da descoberta de ser homossexual, o drama para contar ao mundo sobre isso, etc.  O core, que é justamente esse conflito de se mostrar ao mundo e se aceitar, acaba se perdendo em meio a essa salada.  Há momentos engraçadinhos, criados sobretudo pelo comportamento dos heteros, mas a coisa fica rasinha em meio a uma produção caprichada, muitos cenários bonitos, roupas bonitas, homens e mulheres bonitos, etc., etc., ou seja frivolidade a não mais poder. Aliás, perdeu-se a chance de generalizar ou globalizar, ie., todos nós, eu, vocês, temos nossos grandes segredos, nossos grandes defeitos, e também passamos por tudo isso: aceitação, mostrar ao mundo algo que ele não espera ou quer de nós.  Ou seja, mais uma oportunidade de acenar a bandeira do "não somos tão diferentes assim, examinem suas consciências", que afinal é um ponto importante das batalhas dos "diferentes", "pouco aceitos", etc.

Voltando…tudo bem, é uma comédia romântica, já vi coisas piores, até mesmo na decantada Mostra de Cinema de S. Paulo, mas justamente porque esse não é um filme inserido em um ambiente, momento qualquer, tinha de entregar um resultado melhor.

Ah, sim, a trilha sonora é bem bonita (pelo menos isso!).

A viagem não foi totalmente perdida, mas também não agregou nada. 

E a lição de casa não terminou. Teimosa e curiosa (muuuiiiitoooo mais teimosa que curiosa) que sou, vou ver outro filme na 5a ou sábado da próxima semana. Desta vez espero conseguir ver um homo masculino.  Vamos ver se acerto.  Depois conto.

 

15

de
novembro

Ainda sobre o filme Climas!

Esqueci de mencionar que o filme me trouxe imediatamente à cabeça o artigo do M. Fernandes na Veja desta semana.  Meu tempo para ler o Millôr passou.  Eu não perdia um Pasquim. Lia de qualquer jeito (recolhido/censurado ou não - tempos de ditadura!).  Depois continuei lendo seus textos, mas de repente a vontade passou!

Mas este artigo na Veja (A Família 2008) me chamou a atenção, embora minha concepção seja diferente (a família é uma instituição humana, portanto passível de falibilidade de começo a fim, ou seja, cte - começou tudo errado).  O que Millôr escreve (e não acho que ele esteja fazendo graça) é sério, é factual,é atual, é quase um caminho sem volta.  Só acho que tudo que está ali antes de tudo, porque quem está na raiz da questão é o ser humano, é o "tilt" da espécie humana. Se o que está relatado acontece na célula familiar, é porque antes já está instalado no nosso "dna" infelizmente.

De qualquer forma o texto é tocante, aponta um dedo para cada um de nós - mesmo que você pense que com sua família vai tudo bem, não é nada daquilo que está escrito, heads up!  Pode não ser bem assim.  A inquietação para se relacionar com seu igual de maneira grandiosa - e menos que grandiosa não vale -  deve estar sempre presente, esse deve ser o "motto" de qualquer um pra sua e pra minha vida valerem a pena.  Nós dois merecemos!

Bom, o Climas me fez lembrar do texto justamente porque o que está ali é uma miscelânea de tudo o que o Millôr escreveu, bem chacoalhado e triturado.

Um bom filme, um lindo texto, e tudo no mesmo dia!

15

de
novembro

Frio e nevascas…isso é o filme Climas!

www.interfilmes.com/filme_19549_Climas-(Iklimler.Climates.Seasons).html

Recomendo este filme só se você estiver aceleradíssimo!  O filme é leeentooo, mas sem ser chato.  Então dá pra dar uma ralentada, afinal 80%  do filme são silêncios.  A fotografia é linda, apesar de o tempo ser sempre cinzento, com chuva ou nevacas.  Uma coisa curiosa:  acho que nunca vi tantos closes em um filme!  Dá uma sensação bem esquisita, não desagrafável.  Há closes lindos mesmo!

O filme narra o conflito de um casal. Logo no início acontece um rompimento - mesmo antes do rompimento a interação do casal já é desagradável, bem pesada.  Depois se vê o que a separação produziu em cada um.  Há uma hora em que a gente imagina que o homem levou a melhor, depois a gente acha que a situação está bem resolvida e não está, enfim, acho que é bem o que acontece com pessoas que não se perdoam e não perdoam o outro.  Não que eu ache isso certo ou errado, mas é só a constatação do que acontece muito na vida (na minha inclusive, claro!).

Também é interessante como o filme faz a gente ver que a moça que chora (e como chora!) é que é forte de verdade, tem uma coerência interna, uma força cotida, enquanto que a mulher que ri (e como ri!) é rasinha e não comanda sua vida, mas serve-se dela e a vida também a usa.

Há ainda duas coisas divertidas eu diria: (1) parece que toda a família Ceylan trabalha no filme. Um caso de nepotismo cinematográfico como poucos…mas esse fato não torna o filme menor (vejam no link a distribuição de papéis, além de direção, roteiro).  É pitoresco/interessante.  Talvez na Turquia cinema se faça assim, ou o diretor/ator prefere esse tipo de ação (não sei porque não conheço nadinha mais nem do país, nem do diretor); (2) a língua (idioma):  tendo aprendido um tiquinho de croata e falando outras tantas, fiquei estupefata ao perceber como o turco (pt.wikipedia.org/wiki/Turquia)  é diferente de qualquer coisa.  Não tem nem uma sombrinha de nada que eu conheça.  Acho que já vi filmes turcos, ou em que o idioma turco aparece, mas incrível como neste filme o idioma me pareceu extraterreno!  Conselho: se for à Turquia leve um dicionário, aprenda um pouquinho antes, se possível, para o caso de se deparar com total lack of English ou outra língua.  Senão, é sentar e chorar!

Também estou pra comentar isto há um tempinho: como se fuma em todos os filmes (americanos, europeus, asiáticos, etc.).  Incrível como em tempos tão repressores para o fumo (politicamente correto é não fumar), a telona mostra gente sugando cigarro atrás de cigarro literalmente (há uma cena no Climas em que uma mulher aparece terminando um cigarro. Na seqüência, dois minutos depois, ela já está com outro novinho na boca. Claro que pode ser um problema de continuidade, mas não me parece, não).  E como bebem! Vinho sobretudo!   Acho que até saí meio malcheirosa e embriagada do cinema…

Enfim, o filme é arrastadinho, mas tem sua profundidade, e de silêncio em silêncio (eu sempre digo: quando há silêncio, há problema) vai pintando um quadro real, triste, em que todos perdem.

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