Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

8

de
abril

Mudei de casa

Novo endereço do blog:

http://escrevervivermk.blogspot.com.br/.

Nos vemos lá!

23

de
março

Sem expectativas é melhor

Há umas duas semanas, meio no susto, fui ver uma peça no CCBB: Filha, mãe, avó e puta (http://www.bb.com.br/portalbb/page511,128,10162,1,0,1,1.bb?dtInicio=3/2012&codigoEvento=4550), numa terça-feira. O CCBB tem peças nesses dias “micados”de vez em quando, que acho excelentes para enriquecer o meio da semana. Dei uma lida na sinopse, vi que a Alexia Dechamps estava atuando, então fui. Só me lembro de ter visto a atriz na tv e há muito tempo, fiquei curiosa.

A peça baseia-se em livro  homônimo de Gabriela Leite, a criadura da Daspu (http://www.daspu.com.br/).  Imagine que ela estudou na USP…sim! Bobeou e foi minha contemporânea. Enfim, uma mulher inteligente, articulada, informada, considerada bonita, e que optou por ser prostituta.  Não vou entender nunca, mas é a realidade, contada em livro e peça.  O texto é interessante, biográfico, aparentemente bem transparente.  Não chega a chocar, afinal a gente imagina qual será o tom da peça, que é até curta (uma hora aproximadamente).  Mas teve uma senhora que se retirou lá por um terço da peça.  Deve ter ficado incomodada. Tudo bem, cada um, cada um, mas não poderia vir coisa muito diferente daquilo a que assisti.

É um texto fluído, Alexia está muito bem, muito bonita. Seu interlocutor, Louri Santos, com sua voz linda, também está muito bem. É uma entrevista e ponto.  Não é um textão, mas pelo menos serviu para divertir e para eu conhecer a história de Gabriela que é, no mínimo, inusitada.  Vai até 19/4, é baratíssima, e para ter uma terça, quarta ou quinta diferente vale ver.

Diferente foi o caso de Meu primeiro casamento  Meu Primeiro Casamento Poster (http://www.imdb.com/title/tt1797449/).  Bem, já comentei várias vezes quanto gosto da filmografia argentina. Los hermanos sabem fazer filme como ninguém. Com essa expectativa, fui ver esse filme que está em uma sala só, parece-me (Bristol UOL - 7).  Uma delícia de filme! Divertido, com atuações primorosas, produção bacana.  Desde a abertura até a apresentação dos créditos, supercriativa, bonito, simpático.

Daniel Hendler, que já vi em outros filmes, está ótimo. E que bonito que ele é!! Martín Piroyansky, que também vi em outro filme, está hilário; Natalia Oreiro, protagonista feminina, está muito bem. Tem de tudo: de pastelão a romance de capa e espada (quase!).  Uma delícia de filme do começo ao fim. De uma graça inteligente, surpreendente em alguns momentos. Mais que simpático.

Pois é, quem sabe o pessoal da terra aprenda alguma coisa com nossos vizinhos um dia. Afinal, são países similares, economias combalidas, a Argentina não é mais a Suíça sul-americana, i.e., a educação ali também decaiu muito, e por aí vai.

Pena que o filme esteja com uma exibição tão restrita.  Vale muito ver. Um encanto!

E por último, um retorno também com expectativas limitadas: Coffee Lab (http://raposeiras.com.br/).  Fui lá uma outra vez (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/08/04/andancas-da-semana/) e tudo foi relativamente bem. Achei o conceito bacana, atendimento simpático, caro, mas não tuudoo isso que está por aí.  A barista responsável tem sido incensadíssima, mas acho que a casa não reflete essa maravilha. Mesinhas meio sujas, grudentas, atendimento caótico desta vez. Pedi um café gelado, um sanduíche de queijo quente, bolo.  Bem, o sanduíche veio, o bolo também e o garçom disse: Seu café já vem. Como assim?  Se o café era frio e o sanduíche quente, a ordem não deveria ser inversa?  Bem, esperei, esperei, esperei, e resolvi comer meu sanduba que estava esfriando. Comi, e nada do café. Muuitoo tempo depois, cobrei e somente nesse momento vieram me dizer que o café tinha saído fora do padrão e estavam refazendo.  Oooh, obra de arte, hein!  Enfim, demorou ainda mais, e só muuuitooo depois veio o tal café gelado.  Tomei com o bolo de limão que estava ressecadíssimo!  Ruim demais!  Salvou-se de tudo mesmo o café gelado, bem diferente, frisante, mas não compensa o estresse e o preço. Não recomendo, não.

16

de
março

Só para os fortes

Cairo 678 Poster

Vi o filme Cairo 678 (http://www.imdb.com/title/tt1764141/) no início da semana. Tive outras coisas para escrever, por isso só comento agora. Ainda bem, pois o filme requer digestão.

Trata-se de um problema gravíssimo para as mulheres egípcias: o assédio sexual. Dá a entender que é um dos grandes problemas atuais para elas. O filme como outros de culturas distantes, e que não têm muita divulgação por aqui, ensinam muito. A gente crê que sabe, conhece, mas qual! O mais recente que me deixou “encantada” com o que eu não sabia foi A Separação (http://mskeller.blog.terra.com.br/2012/01/25/so-para-contrariar/).  Não foi diferente com Cairo 678.  Cai por terra o estereótipo de que aquilo é uma massa: toda mulher usa véu, toda mulher é submissa, toda mulher é meio ignorante…Nada…iguaizinhas às ocidentais, sem tirar nem por. Mesmos anelos, mesmas limitações, mesmas lutas, mesmas dores, mesmas vitórias, mesmas vaidades. O filme não mostra agressão física, mas a “agressão” sexual é impressionante, quase regra.  É a afirmação do macho alfa. Lá como cá, muitas se calam, suportam, ou por vergonha, ou por se acharem incapazes de reação, acham-se indignas.  Enfim, tudo igual.  Não é tapa, mas é bolinação. A agressão não deixa marcas visíveis, mas as psicológicas são devastadoras.

O filme refere-se aparentemente a um tempo recente. Se for isso mesmo, estamos em vantagem por aqui: Delegacia da Mulher, Lei Maria da Penha.  Mas igualmente por aqui, sobretudo fora dos grandes centros, não tenho dúvida de que a mulher assediada, estuprada é dada como culpada por si e pelos outros. No Egito não é diferente: o assédio deu resultado? A mulher permitiu ou provocou. E olha que muitas usam aquelas roupas que cobrem até a alma!  Interessante também que as mulheres mostradas são branquinhas, mais para caucasianas do que para o que eu tinha na cabeça como padrão de mulher árabe. Outra falha de meu background cultural.

O filme mostra a estratificação social, que é igual a nossa com certeza, i.e., países pobres não têm muita diferença nesse quesito.

Interessante é a figura e atuação de um policial que acaba sendo envolvido numa série de ataques a homens por mulheres rebeladas.  A postura dele é tão correta, tão racional, tão humana! Acho que é a única personagem ficcional de fato.  Ele não existe em lugar nenhum…se bem que o espectador é informado que o filme baseia-se em fatos reais. Vai saber…

É um filme que trata de mulheres, mas não é feminino. É pedagógico para todos: homens e mulheres. E não é sessão da tarde, então é preciso estar in the mood para aproveitar a película. Vale o choque.

13

de
março

Eita, mundão!

Vi a exposição Índia no CCBB (http://www.bb.com.br/portalbb/page511,128,10164,1,0,1,1.bb?dtInicio=3/2012&codigoEvento=4568) há umas duas semanas.  A exposição é linda, super bem montada, como tudo que o CCBB faz, e gratuita.  Da Índia eu sabia, tinha visto, conhecia o que acredito que brasileiros sabem/conhecem comumente. Sempre achei, pelos filmes que vi, por matérias em revistas/jornais, que os indianos, mesmo aqueles mais pobrezinhos, são em geral muito bonitos.  Homens, mulheres, crianças então…E como é que no meio daquela pobreza, falta de estrutura, conseguem produzir e vestir roupas ou tecidos tão lindos e variados? E vestem muito branco, ou creme! Haja coragem com aquela higiene limitada.

E é isso que se vê no CCBB: adereços, tecidos, mobiliário, muito das crenças, divindades, etc.  E como tem religião e divindade!  Eu mal domino a religião católica que é minha religião de base e por opção, imagine aquele zilhão de nomes, figuras mutantes, ritos. E como as divindades são humanizadas e sexualizadas.  Muitas poses libidinosas, partes dos corpos expostas.  Mas é bem aquela coisa de “a maldade está nos olhos de quem vê”.

Há vídeos sobre os gurus, sua vida ascética, ou nem tanto, já que muitos vivem na base da maconha. No mínimo não acumulam riqueza, vivem muito pobremente do que os outros lhes dão. Claro que deve haver os mais espertos (já ouvi falar de um pelo menos que viaja o mundo às custas dos crentes), mas não é a maioria. Loucos ou santos, essa é que é minha dúvida.

Como tem muita coisa para ver, acho que vale ir uma vez com calma e se der passar por lá outra vez mais rapidamente.

Ah, e a lojinha do CCBB está com montes de coisas indianas. Evidentemente há coisas (roupas, bijoux) que se podem encontrar na 25 de Março, na Ladeira Porto Geral, mas mesmo assim vale dar uma olhada.

Como complemento dessa exposição, vi também Índia, lado a lado (http://www.bb.com.br/portalbb/page511,128,10164,1,0,1,1.bb?dtInicio=3/2012&codigoEvento=4569), (http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=213517) que está no SESC Belenzinho e nos apresenta a arte moderna indiana.

Obras fantásticas!  Além de esteticamente e tecnologicamente encantadoras! Aquelas obras poderiam estar em qualquer museu, galeria pelo mundo e surpreenderiam sempre. Esta exposição é bem mais modesta que a que está no CCBB, mas a satisfação pós-visita é equivalente.

Além das duas exposições, o CCBB apresentou Bhava: Universo do Cinema Indiano até 11/3. Uma pena que não tenha dado para ver. Quem sabe numa próxima.

As duas exposições (SESC e CCBB) vão até 29 de abril. Não perca.

12

de
março

A ideia é boa, mas o delivery…

Um dia a gente vai chegar lá? Já estou começando a desanimar.

Gosto de passeios diferentes, sobretudo aqueles que ensinem, que despertem curiosidade, que maravilhem. Já visitei muita coisa de dia que valeu imensamente a pena por ser bem organizado (nunca como é nos EUA e em alguns países da Europa, mas de um nível bem razoável), e.g., Inhotim, Itaipu, o parque de Foz.  Também fiz um passeio noturno no Pantanal (http://mknopantanal.blogspot.com/2009/10/2610-primeira-focagem-gente-nunca.html) que foi bacana, não pelos animais que vimos que estavam meio acabrunhados, mas pela aventura (chuva forte, barco balançando, andar de barco no breu).

O que sempre me impressiona é a tal falta de capricho: muitos detalhes importantes são relegados (aaah, tá bom assim!); a segurança não é pensada como deveria; monitores muitas vezes não têm informações importantes (não têm naquele momento e não vão se informar depois, afinal somos amadores para ninguém botar defeito). No entanto, sou teimosa e sempre acho que a coisa vai mudar, que vai baixar o santo padroeiro dos profissionais bons e competentes em alguém, etc., etc.

E com esse espírito (fé no Homem e gosto pela Natureza que é bela sempre), fiz a visita noturna (http://www.zoologico.com.br/pagina.php?p=visitas&id=152) ao Zoológico (http://www.zoologico.com.br/) de S. Paulo. A aventura começa no agendamento. Se tiverem a curiosidade e dar uma olhada no link acima, verão que as visitas estão esgotadas até FINAL DE JUNHO! E novas datas serão oferecidas a partir de PRIMEIRO DE JUNHO! São 60 pessoas por visita, os adultos pagam R$ 75 (não tem meia) e crianças até 10 anos pagam R$ 55.  Não é pouca coisa, façam a continha.  Aí, a gente poderia pensar: por que não tem toda semana, por exemplo, para dar vazão à procura? Explica-se: os animais ficariam estressados, sofreriam, e ninguém quer isso, certo? Uma coisa é terem visitantes (aqueles seres incivilizados e pseudo-racionais) fazendo barulho de terça a domingo na área, mas à noite já seria demais. Afinal, bicho ou não-bicho, é preciso descansar, recompor-se.

A grande vantagem da visita, a meu ver, é receber explicações sobre animais de hábito noturno, curiosidades do zoo, andar por lugares a que os visitantes comuns não têm acesso (e.g., vimos o dormitório dos bichos. Sim, eles são recolhidos todas as noites para espaços protegidos para passarem a noite).  E por aí se acaba. Podia ser melhor? Ooooh, se podia! Na mão de gente com vontade, com consciência de quanto isso poderia ajudar a Fundação (divulgação, reconhecimento, $), com competência, que se colocasse no lugar dos visitantes antes de definir procedimentos/regras, seria a oitava maravilha.

O preço (aprox. US$ 40) é bem alto não só para o Brasil É um valor caro para qualquer lugar do mundo, considerando que é um passeio de 2 horas e pouco, a pé.

Só uma observação: não consegui fotografar nada, só filmei um pouquinho, porque não se pode usar flash e eu sou dummy mesmo com essa coisa de regular máquina fotográfica. O que tem é isto aqui:https://plus.google.com/photos/106049657118354028709/albums/5718232495743058577.  E este que está no Face: http://www.facebook.com/photo.php?v=3084491385140&set=vb.1049537136&type=2&theater.

Também preciso dizer que há vários técnicos do zoo para dar instruções, receber os visitantes, alguns profissionais de determinados setores estão lá mesmo à noite (a visita começa por volta de 19h e vai até umas 21h30), e me parece que com muito boa vontade. Num vídeo, alguns ex-funcionários (aposentados), mencionam que o Zoo paga bem. De repente esse pessoal até está recebendo sua horinha extra, mesmo assim louvável estarem ali e ilustrarem os visitantes com entusiasmo. Só que…

Tá bem, people, eu sou assim mesmo, mas um dia o mundo me agradecerá…

Começando do começo:

  1. quando pensei em fazer a visita, entrei no site, liguei para o zoo. N tentativas para conseguir falar com alguém da área de agendamento.  Várias chamadas depois, sou informada (lá em meados de janeiro) que estava tudo esgotado até sei-lá-eu-quando, mas que eu poderia ir tentando às 4as. feiras, a partir de 8h30, pois é quando têm certeza de quem pagou (isso, o pagamento é antecipado, via depósito bancário), e poderia haver até alguma desistência dos já confirmados. Ou seja, entendi que é quando fecham a lista de visitantes para se organizarem;
  2. liguei conforme indicado. De novo, uma dificuldade para conseguir falar.  Nem me lembro se deixei o telefone e alguém depois me ligou, mas acho que foi isso;
  3. consegui vaga para 27/1. Era a última. Fiz o pagamento, mandei o comprovante, all set!
  4. chega o dia e uma chuva pavorosa (acho que a pior do mês) começou na quinta, foi pela noite toda com muita violência, seguiu pela sexta, dia 27. Liguei para o Zoo umas 9h, pois imaginei que a visita não poderia ocorrer.  Motivos óbvios: estaria tudo alagado por todos os lados (inclusive no Zoo), os animais ficariam arredios, como há muito mato/árvore haveria até o risco de acidente (um galho caindo, talvez uma árvore…), e ninguém merece fazer uma visita dessas com guarda-chuva.  Não deu outra, por volta de 11h ligaram informando que a visita estava cancelada. Como estava tudo lotado e tinham de arrumar lugar para 60 pessoas, minha data foi passada para março. Para mim tudo bem;
  5. próximo à data da visita, busquei informações para chegar ao Zoo. Eu moro do outro lado da cidade e a região em que está o Zoo é erma, não tem uma estrutura de transporte das melhores.  Informaram-me que há um micro-ônibus no Metrô Jabaquara que leva o pessoal ao Zoo (até lá dentro). Custa uns R$ 5,00. É bem perto, então a viagem deve levar uns 15 minutos se tanto.  Mas pasmem: mesmo nos dias de visita noturna (temos de estar no Zoo até umas 18h30), esse transporte só funciona até às 17h.  Não dava para deixar um indo e vindo pelo menos até 18h30?  E depois deixar à disposição para levar quem precisar de metrô?  Claro que  a maioria vai de carro, mas além de mim havia outras pessoas que foram de metrô + ônibus, então…E como mencionei, a tal Miguel Stefano é erma. Ainda bem que o ponto de ônibus fica quase em frente a uma das portarias do Zoo, mas mesmo assim como fecham os portões dessa portaria a gente fica por conta e MUITO risco próprios;
  6. como diria minha mãe: o que não tem solução, solucionado está. Então qual o melhor caminho: ir até a estação S. Judas do metrô, ali na saída (para a direita das catracas, saindo da estação, no segundo ponto de ônibus, tá, gente?) passam algumas linhas que deixam a gente em frente ao Zoo (Jd. S. Silvério, Jd. Clímax).  É fácil; apesar de os ônibus ficarem cheios,vão esvaziando quando se passa pelo Jd. Botânico e é fácil descer no Zoo).  Subindo no ônibus, são uns 15 minutos mais ou menos;
  7. para a visita, deve-se dirigir à portaria no. 2 (antes da principal, para quem vai sentido São Judas/Zoo. Ali têm a lista dos participantes. Por ali também entra quem está de carro. Pode-se estacionar dentro do próprio Zoo;
  8. para o início da atividade, somos dirigidos ao auditório (link acima - Face). Ali passam um vídeo longuinho, mas muito interessante, com testemunho de ex e atuais funcionários. Contam suas experiências com os animais, o que fizeram/fazem, a estrutura que têm para trabalhar, como tudo evoluiu, etc. Agora o povo da terra é fogo! Um vídeo bacana lá na frente e o pessoal só falando, conversando alto. Mesmo quem quer assistir mal consegue ouvir o  vídeo. E ninguém fica vermelho ou se acanha! Ainda no auditório, um técnico (na minha visita foi o responsável pelo setor de aves) conversa com o público. Conta curiosidades. Nós tivemos a exibição ao vivo e com voos rasantes de uma coruja linda, a Hera.  Incrível que a gente só percebia que estava passando rentinho à gente pelo ventinho depois da passagem da ave. O silêncio ou ausência de ruído do voo da coruja é impressionante.  A Hera voou de monte entre o veterinário/biólogo e um tratador/treinador. Oooh, bicho simpático!
  9. Tempo para banheiro, e o grupo de 60 é dividido em 2 grupos menores.  Aí já começa a coisa: para ser bom mesmo, deveriam ser grupos ainda menores. Máximo 15 pessoas por grupo. Isso agregaria segurança, o monitor ficaria menos cansado/desgastado, as pessoas teriam mais acesso às informações, animais, etc.;
  10. a monitora que nos acompanhou foi bem simpática, vê-se que tem certa tarimba (está no Zoo há uns 2 anos, segundo ela contou), mas não tinha todas as informações (várias perguntas tiveram um “não sei”, “acho”, “não tenho certeza” como resposta. E duvido que ela se lembrasse depois de rever o que não sabia/não soube informar). Outro ponto absurdo: 30 pessoas, apenas 2 monitores acompanhando. Ela na frente, outro com um comunicador e uma segunda lanterna atrás. 2 dariam para um grupo de 15, para 30 no mínimo 3. Mais: a monitora principal fala e ilumina.  No começo até vai, mas depois ela cansa, é solicitada por este ou aquele quanto a informações e o braço não aguenta. Por que não ter outra pessoa com a lanterna ao lado dela para iluminar direito (sim, porque houve momentos em que ela perdeu o bicho, porque estava dando explicação e estava de costas para o animal, dando atenção ao grupo). Ou seja, a atividade dela evidentemente não permite uma visão mais “panorâmica” do espaço, o que seria possível para outra pessoa que estivesse ali só para isso e que pudesse se posicionar melhor. Vimos muita parede iluminada…E a lanterna? Não tinha uma melhorzinha? Depois de duas horas andando, falando, preocupando-se com o grupo, ficar segurando aquele negócio pode matar;
  11. fazia uns 15 anos que não ia ao Zoo, senão mais.  Muitas das alamedas estão esburacadas, com pavimento irregular, o que pode causar acidente num passeio às escuras. A) Por que não manter aquilo bem cuidado, hein?  B) Por que não prover uma iluminação com leds (essas lampadinhas colocadas nas árvores de Natal), tão baratinha e fácil, ao longo do caminho para o passeio noturno. Ficaria acesa só nessas ocasiões, é barata em termos de material/instalação/consumo, iluminaria suavemente por onde passam as pessoas evitando possíveis entorces, quedas, etc., e não agrediria em hipótese alguma o sossego dos animais;
  12. deu para ver que os bichos são bastante bem cuidados. Há preocupação com alimentação, atividades físicas, segurança. À noite, todos são recolhidos para “dormitórios”. Isso deve dar um trabalhão!  Mas tudo pela segurança dos animais. Imagine uma tempestade à noite, galhos daquelas árvores enormes despencando, machucando um dos animais!
  13. Um aspecto terrível é o entorno do Zoo: enquanto estive por ali, passaram uns 20 aviões. O ruído é ensurdecedor!  Também tem a própria Miguel Stefano que dá até para ver de algumas alamedas (onde está o lobo-guará, por exemplo). Quanto à rota dos aviões, imagino até que desse para fazer algo, mas de novo: para quê? Ia dar um trabalhão, ser uma luta, e como disse a monitora “os bichos se acostumam”. Aliás, a gente também se acostuma com coisa pior, então…deixa pra lá.  Agora quanto à Miguel Stefano: não dava para colocar arbustos, vegetação de forma a não deixar aqueles ocos, aqueles buracos?  Não tenho dúvida de que reforçar a vegetação também ajudaria a reduzir o ruído que chega aos animais que estão mais próximos da região fronteiriça com a avenida;
  14. visita feita, bichos maravilhosos vistos, havia a promessa de um lanche ao final do passeio. Só que o lanche seria num espaço em que se precisaria ir de carro, pois ficava longe de onde terminou o passeio (no mesmo anfiteatro em que começou). Bem, havia pessoas sem carro, pelo preço cobrado eu esperava que um dos carrinhos elétricos, ou um dos micro-ônibus, estivesse à disposição. Não! Quem estivesse de carro bem, quem não estivesse que se virasse para arrumar uma carona para o tal lugar. Minha intenção desde o princípio não era ficar. Eu havia trabalhado durante o dia, estava cansada, já era um tanto tarde para pegar ônibus+metrô, mas ouvir isso me deixou estupefata.  Então, somos amadores ou não somos?  E nem se fica vermelho de vergonha…

Outro ponto que não tem a ver diretamente com a visita é a loja do Zoo.  Não entendo por que num país tão corrupto, tão consumista, tão ligado a dinheiro, haja tanto prurido em se cuidar bem do que gera fundos de forma honesta, dinâmica, agregante.  Vejam bem: 60 pessoas, todas pagando valores altos, portanto com certo poder aquisitivo, que dedicaram uma noite de sexta enfrentando trânsito numa cidade caótica, para ter entretenimento diferenciado.  Por que a bendita da loja não está aberta para oferecer itens com a marca do Zoo?  Imagino que quem está à frente da loja pague pela locação do espaço e repasse parte das vendas à Fundação, se não for a própria à frente do empreendimento, então qualquer centavo é importante.  Não sei que produtos têm ali, mas se bem cuidados, pensados, é venda certa e muita.  Custava nos dias de visita noturna alguém ficar até mais tarde e atender os visitantes?

Como prefiro acreditar no ser humano, entendo que há dedicação, até boa vontade e entusiasmo de muitos, mas gerencialmente o pessoal é uma nulidade. É nadar, nadar, nadar, para morrer na praia, já que as ações não são coordenadas, extensivas, bem planejadas, ou até sofisticadas. Não há capricho!

A visita vale? Vale,sim. Uma vez na vida. E esse é o ponto: se mais bem pensada, se melhor, seria para muitas vezes na vida e importância desse “efeito” é que muitos gestores não conseguem entender por aqui, lamentavelmente.

Bem, se tiver sorte, paciência, cadastre-se e vá. Vale pelos lindos animais que normalmente não se veem durante a visita diurna, pelo que se aprende, por ser um passeio diferente.

6

de
março

A vida é assim, cheia de surpresas

O Porto Poster

Como o título em português ficou O Porto, engraçado que a ideia que me veio à mente, sem ter lido nada sobre o filme, era de algo relativo a Portugal, ao Porto. Colonizado é fogo…Depois. lendo que o diretor é finlandês, que a produção é franco-germo-finlandesa, caí em “si”.

O filme é tão alternativo num certo sentido, sobretudo depois de ver a enxurrada de filmes oscarianos, que surpreende pelo inusitado.

Fora André Wilms, Jean-Pierre Darroussin, e Kati Outinen, que me são vagamente familiares, todos os outros atores dão-me a impressão de ser mesmo gente da rua, da região, do Havre, da “comunidade”.  As falas são sincopadas, remetem a uma história em quadrinhos na tela.  Toda a locação, bem lúgubre, com espaços bem pobres, guarda-roupas vazios, muita sujeira pelas áreas portuárias, etc., remetem a uma França órfã, não infeliz, mas triste, e olha que estamos falando da Normandia! Mas porto é porto em quase todo lugar. Aliás, eu achava o de Santos uma quequinha, mas aparentemente não é tão ruim assim. Pode não ter o mesmo nível de operação e rentabilidade de um Havre, mas quanto a sujeira, descaso, descuido, parecem-se.

É a história de um engraxate de uns 70 anos que vive modestamente, é casado com uma estrangeira, amigo de todo mundo e que acaba se envolvendo com imigrantes ilegais do Gabão.  Ver una comunidade humilde e coesa, com aquela esperteza própria de quem sabe tudo de vida, presente em momentos críticos (doença, perseguição policial, etc.) é muito interessante e tocante.  Claro que ali também há o malvado de plantão, mas o bem prevalece.

Depois de muito vai-vem, sofrimento, o final é feliz. Ainda bem, porque a gente começa até a torcer por M. Marx e o pequeno Idrissa.

O filme é tosco em termos de produção. Não vi em nenhum lugar bem claro o período (ano) em que se passaria a história. No começo, diante de tanta ausência tecnológica, nenhum celular, uns carros de dar dó, pensei que estivéssemos tratando de 1980. Depois surge um celular, dos velhuscos, mas um celular!  Então só pode ser idos de 90 para a frente. Mas aí aparecem euros, então tem de ser depois de 2002.

O problema dos imigrantes é chocante, e não acho que hoje seja muito diferente na França ou em outros países europeus. Emocionante ver a postura tanto do francês ajudando seu igual, quanto do imigrante. Respeito, educação, generosidade, retidão. Bom, como diriam os antigos: o celuloide aceita tudo…

Apesar da produção modesta, artesanal, tem muita beleza, poesia, consegue divertir (tem momentos ótimos) e emocionar o espectador. Ah, e é mágico ver a apresentação de Little Bob no final (http://www.youtube.com/watch?v=88-GIdGS2-I). Bacana mesmo!

Não é um filmaço, mas vale ver.

5

de
março

Quase um conto de fadas

Era uma vez uma cobrança indevida de mais de R$ 600,00…

Chegando de uma viagem, em 8/1/2011, encontrei uma cobrança do Terra, provedor que utilizo, de mais de R$ 600.  Meu plano é basiquinho, de 720 horas, desde 2005. Não houve mês, nesse tempo todo, em que eu utilizasse mais do que 300 horas. Muitas vezes era bem menos que isso.  De repente uma cobrança que significa, em termos de horas utilizadas, umas 50 por dia!  E ainda com compartilhamento.  E mais: o valor referia-se a outubro/2010, ou seja, 3 meses antes.

Obviamente não reconheci o consumo, nem a cobrança.  Paguei para discutir depois, pois estava em cima da hora (vencimento 10/01). Em seguida mandei um e-mail para o SAC do Terra informando que aquilo não podia ser meu.  Entrei em contato com o IDEC (sou associada) que me deu o caminho para registrar minha solicitação de reembolso de forma a ser aceita posteriormente em caso de pendenga judicial.

O Terra, em todas as ocorrências, respondeu-me com textos pré-formatados (recebi de 3 diferentes pessoas o mesmo conteúdo), como se eu fosse uma idiota. A mensagem era: o problema é seu, a responsabilidade é sua se um racker usou sua conexão.  Como assim, se quem tem o expertise de IT, internet é o Terra?  De minha parte tenho antivírus, malaware, spychecker e faço uma varredura no micro toda semana. Para um usuário doméstico é mais que suficiente.  Ademais, eu já tinha um perfil de quase seis anos. Naquela estrutura toda, regida por gente que supostamente entende de IT, internet, segurança da informação, não tem uma campainha para tocar quando um perfil sai da rota totalmente? Além do mais sou muito cuidadosa e meu cadastro estava atualizado, ou seja, era só bloquear, ligar, mandar e-mail para meu gmail (mail alternativo), o que fosse., eu entraria em contato e resolveríamos e o “bandido” seria brecado.  Mas não!  Se alguém paga a conta, o que importa?  Ah, e como é que algo de outubro só é cobrado em janeiro em sistemas tão automatizados? Bem, preocupada com o ocorrido, consultei a pessoa que cuida do micro de casa, um técnico confiável, e ele me contou que um cliente pagou meses contas astronômicas antes de conseguir resolver o problema.

Segui os passos naturais e razoáveis: (1) mail para o Terra reclamando e fazendo as considerações acima; (2) diante dos e-mails pré-formatos empurrando a responsabilidade para mim, mandei uma correspondência com AR; (3) outra resposta igualzinha (nem se dão ao trabalho de mudar uma vírgula), e (4) aí fui para o pequenas causas.

Demorei um pouco a dar entrada. Iniciei a demanda por ressarcimento e perdas e danos em 15/7/2011.  Fui ao Fórum de Pinheiros, que na verdade fica na Vila Madalena - R. Jericó.  Fui muito bem atendida desde o primeiro momento. Explicaram-me o que eu deveria apresentar (são documentos comuns: rg, cpf, comprovante de residência, , o modelo da solicitação, as correspondências com a outra parte, comprovantes de envio/recebimento, enfim tudo o que possa suportar o processo). No form que se tem de apresentar é preciso descrever o ocorrido. Aproveitei e coloquei todas as argumentações que estão acima. No caso do Fórum de Pinheiros não fazem audiência inicial, pelo menos em casos como o meu, o que facilita muito. A outra parte é notificada, pode apresentar um recurso. Aí eu posso ou não apresentar uma réplica e vai tudo para o juiz.

Quando dei início ao processo não ia colocar valor de ressarcimento, aliás só queria de volta o que haviam cobrado a mais e deixar o caso registrado. Vai que amanhã não fecham a conta do mês e eu sou sorteada de novo!  Mas o pessoal do Pequenas Causas disse que eu deveria colocar um valor que poderia ou não ser aceito pelo juiz.  Coloquei R$ 3.000.  O juiz julgou procedente minha reclamação, mas arbitrou em R$ 1.300 e uns quebrados. Para mim estava ótimo!  Afinal, como mencionei, meu objetivo era outro.

O pessoal do Terra não recorreu da decisão judicial, depositou o valor, e a partir daí foram verificações administrativas intra-Fórum. Recebi o valor definido pelo juiz, com correção, em 29 de fevereiro. Foram 7 meses, o que, segundo quem é da área,  foi bem rápido. Mas o melhor é que fui ao Fórum umas 4 vezes apenas: 1) para obter informações; 2) para dar entrada no processo; 3) para dar conhecimento à sentença e informar que não recorreria da decisão do juiz; 4) para receber.  E tudo foi muito rápido, i.e., muita gente, mas tudo muito organizado, feito direito, com respeito pelo cidadão.  Cada vez, em menos de hora eu estava saindo do local.

O que me surpreendeu de fato é como uma empresa como o Terra, que cobrou algo indevido, não acertou isso de imediato comigo. Eu não recorreria, eles me devolveriam somente o pago a mais e não o dobro, como foi determinado pelo juiz, e mais: eu não paguei advogado, eles, sim. Tudo bem que o advogado até deve ser dos quadros da empresa, mas mesmo assim, não precisava ter essa criaturinha lá se fossem mais respeitosos com os clientes.

Enfim, no início achei que seria uma experiência traumática, mas se não foi um prazer, também não foi um sofrimento. Fica a lição de que é possível confiar na justiça local; há lugares que tratam bem os cidadãos (talvez em outros Fóruns o negócio seja diferente); há empresas que apostam que o consumidor vai “engolir o sapo”, e deve ter muita gente que deixe para lá mesmo, então elas vão ganhando com isso.

4

de
março

Nem só de Oscar se vive

Albert Nobbs Poster

Ainda bem!  Tem muita, muita, muita coisa boa por aí que nem chega a competir, a ser notícia, a ganhar espaço justo.  Como já mencionei, não acompanhei o Oscar de perto neste ano. Não sei bem quem concorreu, a não ser os mais comentados, quem ganhou (também soube dos mais decantados), mas depois de ver Albert Nobbs, depois de ter visto quase todos que concorriam, só posso dizer uma coisa: o sisteminha é injusto mesmo. Claro que quando só um pode chegar ao pódio, isso sempre pode acontecer. Quantas vezes não há dois contendores exatamente equiparados na competência, mas não naquela faísca de sorte?

Considerando o crescente número de produções pelo mundo afora; a qualidade crescente em termos de atuação e tecnologia, o pessoal do Oscar deveria rever seus critérios de premiação ou começar a premiar os 5 melhores para não cometer injustiças, ou pelo menos minorar as possibilidades. O mundo mudou, o Oscar tem de mudar também, até porque os critérios não são matemáticos, tem muito de gosto, sensibilidade envolvido, então talvez tenha chegado a hora da premiação adaptar-se também.

Li que Glenn Close concorreu várias vezes ao Oscar, mas nunca levou.  Vai ver que ela é antipática mesmo, esnoba, e o pessoal não gosta dela. Só isso pode justificar nunca ter recebido a estatueta. Sobretudo depois de Albert Nobbs.

Gosto muito de Meryl Streep, acho-a fantástica, acima do bem e do mal a esta altura de sua vida profissional, mas que Glenn Close fez bonito, igual ou até mais em Albert Nobbs, não tenho dúvida. Pensei que ia ver um filme bom, mas surpresaaa!

Em A dama de ferro (http://mskeller.blog.terra.com.br/2012/02/15/uma-miscelanea-mas-de-dar-gosto/), Meryl Streep caracterizou maravilhosamente M. Thatcher, não resta dúvida, mas tinha um modelo, bem documentado, e a maquiagem foi coadjuvante importantíssima.  Em Albert Nobbs, Glenn Close também conta com a maquiagem que torna seu rosto ainda mais andrógino, mas sobretudo com seu talento soberbo.  Albert Nobbs é o olhar inquieto ou paradão, a dúvida estampada no rosto, o gestual travado, o tom de voz afetado, a pureza da personagem diante de uma situação que ela não compreende plenamente, e sobretudo a luta para escapar da armadilha em que foi obrigada a se meter.  O figurino é fantástico, o enredo super, super, a trilha ótima.  E diferente de A dama de ferro, em Albert Nobbs há lugar para outros brilharem. Janet McTeer como Hubert Page está maravilhosa! Igualmente muito bem: Pauline Collins (Mrs. Baker) e Brendan Gleeson (Dr. Holloran). Mia Wasikowska não faz feio. O mais fraquinho dos principais é Aaron Johnson (Joe).

Da mesma maneira que em Tomboy (http://mskeller.blog.terra.com.br/2012/02/15/uma-miscelanea-mas-de-dar-gosto/), o assunto homossexualidade feminina é apresentado de um jeito muito delicado.  Estão lá os dois lados do tema: (1) a real opção sexual é feita por Albert Nobbs, isto é: sua história, sua fragilidade em um mundo masculino, sua falta de alternativas, i.e., as circunstâncias o fizeram seguir por esse caminho, enquanto que (2) no caso de H. Page, a homossexualidade sempre esteve lá, ele só não tinha ideia do que era e do que podia, mas igualmente acontecimentos graves fizeram-no entender qual era seu lugar/caminho.

A vida de Nobbs (such a miserable life, como diz o médico ao final) é emocionante, pela pequenez da personagem: um pontinho no mundo; pela pressão econômico-social escravizante; pela pseudo-esperança que é a única saída para a personagem.

E aí a gente olha à volta e vê quantas pessoas não se impõem ou são obrigadas a viver “miserable lives” também, independentemente da questão sexual.

Há um momento impressionante no filme: quando Albert Nobbs volta à condição feminina numa praia. É como aquelas animações em que, por exemplo, o homem vira um lobo e volta a virar homem. Glenn Close presenteia o espectador com uma transformação mágica só com expressão facial e mudança gestual. E a constatação a que ela chega sobre quem é, ao final da corrida pela praia, fica desenhada, claríssima. Impressionante.

Mas é o tal negócio, não ganhou Oscar, está em uma ou duas salas, em poucos horários. Não percam de jeito nenhum.

29

de
fevereiro

Piuííííííííi!

Leiam o post ouvindo Villa-Lobos: http://youtu.be/JC9kqs6zafo.

Depois de muitas tentativas, finalmente consegui visitar Paranapiacaba.

Como a cidade foi construída pelos ingleses (http://www.paranapiacaba-spr.org.br/) durante a construção da ferrovia de S. Paulo a Santos, tinha uma imagem de casinhas inglesas, com seus jardins, bem cuidadinhas. Claaaro, que não é nada disso.

A cidade como conjunto arquitetônica é feia. Muito está destruído ou em péssimas condições. Algumas edificações que visitei estão menos ruins porque houve investimento privado, e.g., do Amex. O abandono corta o coração, sobretudo porque a cidade tinha tudo mesmo para ser como eu imaginava. O comércio é mal estruturado, há lugares (Largo dos Padeiros) que mais parece coisa de rodoviária de quinta, os restaurantes e pousadas têm um jeito suspeito, enfim, nada para atrair e reter o turista.

Fui com o Expresso Turístico da CPTM (http://www.cptm.sp.gov.br/E_OPERACAO/ExprTur/parana.asp). Já havia tentado ir em junho passado com uma amiga dos EUA que estava por aqui. Impossível! Primeiramente, você não consegue comprar pela internet, tem de ser face-to-face, in person. Depois, quando abrem as datas de forma totalmente irregular e aleatória (explico: não é que toda segunda, por exemplo, abram carros para daqui a duas semanas. Não! É preciso acompanhar diariamente pela internet. Isso é o que pessoal da Luz aconselha. Pode?  Também não têm o calendário para o ano, o que já facilitaria alguma coisa), só se você for the Flash para ver na internet, sair voando e conseguir pegar as inexplicavelmente poucas poltronas que estão livres. Aliás, inexplicavelmente era, porque agora sei como é a coisa.

Por indicação de conhecidos que fizeram o passeio, entrei em contato com a Rizzatour (http://www.rizzatour.com.br/). São eles, chamados de parceiros pela CPTM, mas que a bem da verdade detêm o monopólio, que acabam vendendo os lugares. Pode-se comprar só o bilhete ou um pacote com passeios já organizados.  Vejam bem, o esquema é bom, os preços não são absolutamente abusivos, a organização é muito boa,então é só dizer: comprem com a Rizzatour e ponto. Aliás, essa empresa tem até um balcão ao lado do balcão de informações da própria CPTM. Então sejam transparentes: quer viajar? quer conforto? É ali com eles, com a gente só com muita sorte e muita perda de tempo e para quem gosta de sofrer.

Observação sobre o pessoal da Estação da Luz: cheguei com a linha amarela e fui acompanhando as placas. Para não errar perguntei a um segurança. O rapaz não tinha ideia do que estava falando. Como eu mostrasse minha decepção, ele mais que prontamente disse: Não tenho obrigação de saber, tá? Isso em SP! Impensável em qualquer país meio civilizado que queira ganhar dinheiro com turismo.  Ah, sim, o tal guardinha estava a uns 10 metros do balcão de informações e da entrada propriamente do Expresso Turístico. Triste, né?

Rewinding: a história da cidade é riquíssima. Felizmente, o monitor (Antonio) com que fiz o passeio na cidade era excelente!  Muitos detalhes, muita boa vontade, muita simpatia.  Mas nem isso dirime a tristeza de ver um patrimônio se esvaindo a olhos vistos.

Impressionante é que a cidade tem o Festival do Cambuci -frutinha da região que dá para fazer doce, bebida, sorvete e o Festival de Inverno. Como é que se faz qualquer coisa de porte naquela cidade, com aquela falta de estrutura, com aquela sujeira, com aquele abandono, com aquela falta de capricho, eu nem posso imaginar.  No domingo havia muitos visitantes, havia até gente que vai para lá fazer motocross (todo mundo coberto de barro), mas pensar que a cidade possa acolher ainda mais gente que aquilo, impossível! Aliás, impensável!

O Expressão Turístico, gerido pela CPTM, é composto de vagões cedidos pela ABPF -http://www.abpfsp.com.br/ (ou seja, não são da CPTM). Os carros são confortáveis, a diesel, limpos, bem mantidos, o pessoal de bordo é muito simpático. Durante o caminho, muitas informações históricas. Passa-se por montes de cidades depois de sair de S. Paulo. As partidas são da Estação da Luz e depois da Estação de Santo André.

Aliás, só então soube que Paranapiacaba é de Santo André. Isso, é um distrito de Santo André, que a COMPROU no início do século XXI. Por dívidas (impostos, trabalhistas), a vila foi vendida. O país não se interessou (federal), o estado não se interessou (SP), então veio Santo André é comprou. Foi o Pref. Celso Daniel que assinou a compra, pouco antes de ser assassinado.

E como tudo na terra brasilis: está sendo projetado; estão planejando; será construído; estamos esperando…Terrível quando se trata de um local com tanto valor histórico, tecnológico, logístico.

Não tem artesanato (só um café em que um dos sócios faz peças muito interessantes. O resto é coisa que nem camelô de calçada vende por aqui); bares são botecões feios e com péssimo aspecto; restaurantes (pelo menos onde comi) têm comida caseira, ambiente sofrível; e por aí vai.

Nos monumentos visitados, não há proteção em escadas (uma escorregadela, uma tontura e o desastre está feito); a identificação das peças, feita em papel, está em péssimo estado; banheiros daquele jeito; enfim, coisa de fim de mundo mesmo. No parque ecológico também não há preparação para o visitante seguir com conforto e segurança. Em alguns pontos, há bastante risco. E tudo isso só a uma hora e meia de trem de SPaulo! Aquilo podia ser uma mina se gerenciado de forma competente, inteligente, íntegra!

São 1.100 almas que habitam um lugar que poderia ser o paraíso, mas pelo que vi está mais para purgatório.

Aqui estão algumas fotos/filminhos.  A vista, a vegetação são muito bonitas, mas não salvam a situação.

https://plus.google.com/photos/106049657118354028709/albums/5713602451470430817

28

de
fevereiro

É de graça, o retorno

Cinema

Quase ia me esquecendo dos filmes…como é que pode?

1) O homem que mudou o jogo (Moneyball -http://www.imdb.com/title/tt1210166/ )

O Homem Que Mudou o Jogo Poster

Já escrevi várias vezes que gosto muito de Brad Pitt. Não só pela boniteza, mas porque acho que é um ator corajoso (se enfeia para poder ser visto tão-somente como ator), investe em produção, e atua bem. Mas há filmes que não vejo, nem pelo BP. A Árvore da Vida foi um deles. Ouvi tantos cometários negativos e o filme é loooongooo, então passou batido. Uma pena, pois além de BP havia também Sean Penn.

Como pulei o anterior, não poderia pular Moneyball.   Também ouvi comentários negativos, então fui com a expectativa lá embaixo, o que foi muito bom.  Acabei gostando do filme. Apesar de 30% do tempo ser dedicado às tecnicidades do baseball (óbvio que não entendo nada sobre o tema), ainda assim achei o filme bem razoável. Jonah Hill o cérebro que ajuda o manager Billy Beane (Pitt) a forjar uma nova visão do esporte, permitindo que uma equipe descapitalizada consiga sucesso frente a equipes ricas, também está bem no papel. É o esporte não só como paixão, imponderável, i.e., sorte, mas como business, mas não do jeito que vemos acontecer sobretudo com os jogadores de futebol. De um outro jeito, em que novos valores são construídos e velhos ídolos são revividos, ou seja há outros horizontes além das supercifras.

O filme não trata daquela coisa de superação, equipe, etc., é business puro. Bem interessante. E é baseado em fatos verídicos, o que o torna ainda mais atraente.

Valeu ver. Não é um filmaço, mas para mim foi boa diversão.

2) As Aventuras de Tintim (http://www.imdb.com/title/tt0983193/)

As Aventuras de Tintim Poster

Este filme, sim, foi uma grata surpresa. Nunca gostei de Tintin. Não li os gibis, não vi os desenhos (TV Cultura). Não via graça naquele topete esquisito, naquelas calças curtas. Mesmo quando estive na Bélgica, terra Natal do herói, nem pensei em comprar livro, revista, lembrancinha do “cenourinha”. No entanto, depois de ver o filme, já encomendei vários livros pela FNAC francesa. Virei fã.

Agora, a legendagem é fogo, viu! Como é que Snowy virou Milu? Pode até ser que esse seja o nome nos gibis traduzidos, mas não precisa persistir no erro. Podia ser Floquinho, Branquilo, Fantasminha, mas Milu? Além dessa, houve várias derrapadas. Em alguns momentos deu-me a impressão de estar vendo uma legendagem feita no tradutor do Google sem nenhuma revisão posterior.

Jamie Bell, do maravilhoso Billy Elliot, está ótimo; igualmente Daniel Craig e Andy Serkis. Direção de Steven Spielberg. Finalmente, algo não-chato sob sua batuta.

É uma animação com aquela técnica (não sei o nome) em que o desenho tem pessoas de verdade como base/atuando.  A trilha é tudo de bom. As correrias, fugas/perseguições, lutas, etc., são supermovimentadas. O colorido é bem bacana. O roteiro é ótimo, e os atores, sobretudo, Bell, têm reações impagáveis, que só poderiam ser do verdadeiro Tintim e seus amigos.

Bem, não vejo a hora de meus livrinhos chegarem.  Tintim, we love ya!

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